

Playroom


Cinquenta tons de cinza.


  KEEP
  CALM
   AND GO
   TO THE


PLAYROOM.
A PARCERIA
 Cinquenta Grupos de Cinza




Apresenta:
                             2
3
EQUIPE DA PARCERIA
     PEGASUS LANAMENTOS

                  TRADUO

  Ady Miranda, Rute, Partenope, Silvia, Sandra P.


               REVISO INICIAL

                      Soryu

                      PRT

                  TRADUO

                 Miriam e Dani C.

                      TAD

                  TRADUO

              Serena, Pmela e Gaby

                REVISO FINAL

                Elena Somerhalder




                  Sinopse

                                                    4
        Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresrio Christian Grey, descobre
nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingnua e inocente, Ana se
surpreende ao perceber que, a despeito da enigmtica reserva de Grey, est desesperadamente
atrada por ele. Incapaz de resistir  beleza discreta,  timidez e ao esprito independente de
Ana, Grey admite que tambm a deseja -- mas em seus prprios termos.
        Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferncias de Grey, Ana
hesita. Por trs da fachada de sucesso -- os negcios multinacionais, a vasta fortuna, a amada
famlia --, Grey  um homem atormentado por demnios do passado e consumido pela
necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor,
Ana no s descobre mais sobre seus prprios desejos, como tambm sobre os segredos
obscuros que Grey tenta manter escondidos...




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6
        Para Niall,

O mestre do universo




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         Captulo 01


          Eu olho com frustrao para mim mesma no espelho. Maldito cabelo, ele
simplesmente no se comporta, e maldita Katherine Kavanagh por estar doente e me sujeitar a
esta provao. Eu devia estar estudando para meus exames finais, que ser na semana que
vem, mas estou aqui tentando escovar meus cabelos at que eles se submetam. Eu no devo
dormir com ele molhado. Eu no devo dormir com ele molhado. Recitando esta ladainha
vrias vezes, eu tento, mais uma vez, deixa-los sob controle com a escova. Eu reviro meus
olhos em exasperao e olho para a plida menina de cabelos castanhos com olhos azuis
muito grandes para seu rosto, olhando fixamente de volta para mim, e desisto. Minha nica
opo  conter meu cabelo rebelde em um rabo-de-cavalo e esperar que eu parea meio
apresentvel.
               Kate  minha companheira de quarto, e ela escolheu justamente hoje para
sucumbir  gripe.
               Ento, ela no podia comparecer a entrevista que ela agendou, com algum
magnata mega industrial que eu nunca ouvi falar, para o jornal estudantil. Ento eu tive que
me voluntariar. Eu tenho exames finais para estudar, uma redao para terminar, e eu devia
estar trabalhando esta tarde, mas no, hoje eu tenho que dirigir duzentos e sessenta e cinco
quilmetros para o centro de Seattle a fim de encontrar o enigmtico CEO 1 da Grey
Enterprises Holdings Inc. Como um empresrio excepcional e benfeitor importante de nossa
Universidade, seu tempo  extraordinariamente precioso, muito mais precioso que o meu,
mas, ele concedeu a Kate uma entrevista. Um verdadeiro golpe de sorte, ela me disse. Maldita
atividades extracurriculares dela.
          Kate est encolhida no sof na sala de estar.
          -- Ana, eu sinto muito. Demorei nove meses para conseguir esta entrevista. Levar
outros seis para reagendar, e ns duas vamos estar formadas at l. Como editora, eu no
posso estragar isto. Por favor, -- Kate me implora em sua voz rouca, de garganta inflamada.
Como ela faz isto? Mesmo doente ela parecia atrevida e magnfica, com cabelos ruivos
dourados e olhos verdes brilhantes, embora agora avermelhados e com coriza nasal. Eu ignoro
minha pontada de simpatia indesejada.
          -- Claro que eu vou Kate. Voc deve voltar para a cama. Voc gostaria de um pouco
de Nyquil ou Tylenol? 2
          -- Nyquil, por favor. Aqui esto s perguntas e meu mini-gravador. Apenas aperte
gravar aqui. Faa anotaes e eu transcreverei tudo.


     1
            CEO  no original - Chief Executive Officer  Diretor Executivo
     2
            Marcas de remdios para resfriado
                 8
          -- Eu no sei nada sobre ele, -- eu murmuro, tentando e falhando em suprimir meu
pnico crescente.
          -- As perguntas viro ao seu encontro. V.  uma longa viagem. Eu no quero que
voc se atrase.
          -- Ok, eu estou indo. Volte para a cama. Eu fiz uma sopa para voc aquecer mais
tarde. -- Eu olho para ela ternamente. S por voc, Kate, eu farei isto.
          -- Eu sei. Boa sorte. E obrigado Ana, como sempre, voc  minha salvadora.
          Juntando minha mochila, eu sorrio ironicamente para ela, ento me dirijo porta afora
para o carro. Eu no posso acreditar que eu deixei Kate me convencer disto. Entretanto, Kate
pode convencer qualquer um de qualquer coisa.
          Ela vai ser uma jornalista excepcional. Ela  articulada, forte, persuasiva,
argumentativa, bonita e ela  minha mais querida, querida amiga.
          As estradas esto limpas quando eu parto de Vancouver, com acesso a Washington
em direo a Portland e a I-5.  cedo, e eu no tenho que estar em Seattle at s duas da tarde.
Felizmente, Kate me emprestou seu desportivo Mercedes CLK. Eu no tenho certeza se
Wanda, meu velho besouro VW, faria a jornada a tempo. Oh, o Merc.  uma diverso de
dirigir, e as milhas escapam quando eu piso no pedal at o fundo.
          Meu destino  a sede global da empresa do Sr. Grey.  um edifcio comercial enorme
de vinte andares, todo em vidro curvo e ao, uma estrutura arquitetnica fantstica, com Grey
House3 escrito discretamente em ao acima das portas de vidro dianteiras.  uma e quarenta e
cinco quando eu chego, estou to aliviada de no estar atrasada quando eu entro na enorme, e
francamente intimidante portaria de vidro e ao, em arenito branco.
          Atrs do balco de arenito slido, uma muito atraente, adestrada, jovem loira sorri
agradavelmente para mim. Ela est vestindo um terninho carvo e camisa branca, mais
elegante que eu j vi. Ela parece imaculada.
          -- Eu estou aqui para ver o Sr. Grey. Anastsia Steele por Katherine Kavanagh.
          -- Com licena um momento, Senhorita Steele. -- Ela arqueia sua sobrancelha
ligeiramente quando eu permaneo conscientemente diante dela. Eu comeo a desejar que eu
ter pegado emprestado um dos blazers formais de Kate em lugar de vestir minha jaqueta azul
marinho. Eu fiz um esforo e vesti minha nica saia, minhas comportadas botas marrons at
os joelhos e um suter azul. Para mim, isto  inteligente. Eu enfio um dos fugitivos tentculos
de meus cabelos para trs de minha orelha enquanto eu finjo que ela no me intimida.
          -- Senhorita Kavanagh  esperada. Por favor, registre-se aqui, Senhorita Steele.
Voc ir at o ltimo elevador  direita, pressione para o vigsimo andar. -- Ela sorri
amavelmente para mim, divertida, sem dvida, quando eu me registro.
          Ela me d um crach de segurana que tem VISITANTE muito firmemente
estampado na frente. Eu no posso evitar meu sorriso. Certamente  bvio que eu estou s de
visita. Eu no encaixo aqui mesmo.
          Nada muda, eu interiormente suspiro. Agradecendo a ela, eu caminho para o banco
de elevadores passando os dois homens da segurana que esto muito mais bem vestidos do
que eu estou, em seus ternos pretos bem cortados.
          O elevador me leva rapidamente com mxima velocidade para o vigsimo andar. As
portas deslizam abrindo, e eu estou em outra grande entrada, mais uma vez toda em vidro, ao

     3
            Casa Grey
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e arenito branco. Eu sou confrontada por outra mesa de arenito e outra jovem loira vestida
impecavelmente em preto e branco, que levanta para me saudar.
          -- Senhorita Steele, voc poderia esperar aqui, por favor? -- Ela aponta para uma
rea acomodada por cadeiras de couro branco.
          Atrs das cadeiras de couro est uma espaosa sala de reunio envidraada, cercada
por uma mesa de madeira escura, igualmente espaosa e pelo menos vinte cadeiras
harmonizadas ao redor dela. Alm disto, tinha uma janela do cho ao teto com uma viso do
horizonte de Seattle, que mostrava a cidade em direo ao Sound. 4  uma vista deslumbrante,
e eu fico momentaneamente paralisada pela viso. Uau.
          Eu me sento, pesco as perguntas de minha mochila, e dou uma repassada nelas,
amaldioando interiormente Kate por no me fornecer uma breve biografia. Eu no conheo
nada sobre este homem que estou para entrevistar. Ele pode ter noventa anos ou pode ter
trinta. A incerteza est me irritando, e meus nervos ressurgem, fazendo com que eu fique
incomodada. Eu nunca fico confortvel com uma entrevista em pessoa, preferindo o
anonimato de uma discusso de grupo onde eu posso me sentar imperceptivelmente na parte
de trs da sala. Para ser honesta, eu prefiro minha prpria companhia, lendo um romance
clssico britnico, enrolada em uma cadeira na biblioteca do campus. No sentada se
contorcendo nervosamente em um colossal edifcio de vidro e pedra.
          Eu reviro meus olhos para mim mesma. Mantenha o controle, Steele. A julgar pelo
edifcio, que  muito clnico e moderno, eu imagino que Grey est em seus quarenta: em
forma, bronzeado, e de cabelos loiros para combinar com o resto do pessoal.
          Outra elegante, impecavelmente vestida loira sai de uma grande porta  direita. O
que  isso tudo com as loiras imaculadas?  como Stepford 5 aqui. Respirando fundo, eu me
levanto. -- Senhorita Steele? -- A mais recente loira pergunta.
          -- Sim, -- eu coaxo, e clareio minha garganta. -- Sim. -- Agora, isto soou mais
confiante.
          -- O Sr. Grey ir receb-la em um momento. Eu posso pegar seu casaco?
          -- Oh, por favor. -- Eu luto para tirar a jaqueta.
          -- J foi oferecido a voc alguma bebida?
          -- Hum, no. -- Oh Deus, a Loira Nmero Um est em problemas?
          A Loira Nmero Dois franziu o cenho e olhou a jovem na escrivaninha.
          -- Voc gostaria de um ch, caf, gua? -- Ela pergunta, voltando sua ateno para
mim.
          -- Um copo de gua. Obrigada, -- eu murmuro.
          -- Olivia, por favor, v buscar para Senhorita Steele um copo de gua. -- A voz dela
 grave. Olivia foge imediatamente e se apressa para uma porta no outro lado do saguo.
          -- Minhas desculpas, Senhorita Steele, Olivia  nossa nova estagiria. Por favor,
sente-se. O Sr. Grey levar mais cinco minutos.
          Olivia retorna com um copo de gua gelada.

4
  Puget Sound  um complexo esturio em Seattle com sistema de canais e bacias marinhas interligados, com uma
grande conexo para o Estreito de Juan de Fuca e do Oceano Pacfico.
5
  The Stepford Wives (Mulheres Perfeitas ou As Possudas, disponvel no mercado literrio brasileiro com ambos os
ttulos)  um romance de 1972 escrito por Ira Levin, baseados no qual foram lanados dois filmes homnimos: em 1975 e
em 2004.


                                               10
          -- Aqui est, Senhorita Steele.
          -- Obrigada.
          A Loira Nmero Dois marcha para a grande escrivaninha, seus saltos clicando e
ecoando no cho de arenito. Ela se senta, e ambas continuam seu trabalho.
          Talvez o Sr. Grey insista que todos os seus empregados sejam loiros. Eu me pergunto
ociosamente se isto  legal, quando a porta do escritrio abre e um alto, elegantemente
vestido, atraente homem Afro-Americano com curtos dreads sai. Eu definitivamente vesti as
roupas erradas.
          Ele se vira e diz pela porta. -- Golfe, esta semana, Grey.
          Eu no ouo a resposta. Ele vira-se, me v, e sorri, seus olhos escuros enrugando nos
cantos. Olivia salta e chama o elevador. Ela parece se destacar em pular de sua cadeira. Ela
est mais nervosa que eu!
          -- Boa tarde, senhoras, -- ele diz enquanto parte pela porta deslizante.
          -- O Sr. Grey ver voc agora, Senhorita Steele. Siga-me, -- A Loira Numero Dois
diz.
          Eu estou bastante tremula tentando suprimir meus nervos. Juntando minha mochila,
eu abandono meu copo de gua e fao meu caminho para a porta parcialmente aberta.
          -- Voc no precisa bater, apenas entre. -- Ela amavelmente sorri.
          Eu empurro a porta aberta e cambaleio, tropeando em meus prprios ps, e caio de
cabea dentro do escritrio.
          Merda dupla: eu e meus dois ps esquerdos! Eu estou em minhas mos e de joelhos
na porta de entrada do escritrio do Sr. Grey, e mos gentis esto ao meu redor me ajudando a
levantar. Eu estou to envergonhada, maldita falta de jeito. Eu tenho que lanar meu olhar
para cima. Puta que pariu, ele  to jovem.
          -- Senhorita Kavanagh. -- Ele estende uma mo com longos dedos para mim, uma
vez que eu fico de p. -- Eu sou Christian Grey. Voc est bem? Voc gostaria de se sentar?
           To jovem, e atraente, muito atraente. Ele  alto, vestido em um fino terno cinza,
camisa branca e gravata preta, com incontrolveis cabelos cor de cobre e intensos, luminosos
olhos cinza claro que me observam astutamente. Leva um momento para eu encontrar minha
voz.
               -- Hum hum. Perfeitamente -- eu murmuro. Se este cara est acima dos trinta
ento eu sou o tio Macaco.6 Em uma confuso, eu coloco minha mo na dele e ns levamos
um choque. Quando nossos dedos se tocam, eu sinto um estimulante e estranho calafrio,
correndo atravs de mim. Eu retiro minha mo apressadamente, envergonhada. Deve ser
esttica. Eu pisco rapidamente, minhas plpebras harmonizando minha frequncia cardaca.
          -- A Senhorita Kavanagh est indisposta, ento ela me enviou. Eu espero que voc
no se importe, Sr. Grey.
          -- E voc ? -- Sua voz  morna, possivelmente divertida, mas  difcil dizer por sua
expresso impassvel. Ele parece ligeiramente interessado, mas acima de tudo, educado.
          -- Anastsia Steele. Eu estudo Literatura inglesa com Kate, hum... Katherine...
hum... Senhorita Kavanagh do Estado de Washington.


6
 Expresso idiomtica que se refere a uma expresso de um filme americano, quando voc fica muito
surpreso
                           11
          -- Entendo, -- ele simplesmente diz. Eu penso ver um fantasma de um sorriso em
sua expresso, mas eu no estou certa. -- Voc gostaria de se sentar? -- Ele acena em direo
a um sof de couro branco em forma de L.
          Seu escritrio  muito grande para um homem s. Na frente das janelas que vo do
cho ao teto, h uma enorme escrivaninha moderna de madeira escura, que seis pessoas
poderiam comer confortavelmente ao redor. Combinando a mesa de caf com o sof. Todo o
resto  branco, teto, pisos e paredes, exceto, a parede perto da porta, onde estava um mosaico
pendurado de pequenas pinturas, trinta e seis delas dispostas em um quadrado. Elas so
primorosas, uma srie de objetos mundanos esquecidos, pintados com tal detalhe preciso que
eles parecem com fotografias. Exibidos juntos, eles so de tirar o flego.
          -- Um artista local. Trouton, -- Grey diz quando ele pega meu olhar.
          -- Elas so adorveis. Elevando o ordinrio para o extraordinrio, -- eu murmuro
distrada, tanto por ele como pelas pinturas. Ele vira sua cabea para um lado e me fixa
atentamente.
          -- Eu concordo plenamente, Senhorita Steele, -- ele responde, sua voz suave e por
alguma razo inexplicvel eu me encontro corando.
          Alm das pinturas, o resto do escritrio era frio, limpo e clnico. Eu me pergunto se
isto reflete a personalidade do Adnis, que afunda graciosamente em uma das cadeiras de
couro branco  minha frente. Eu agito minha cabea, transtornada com a direo de meus
pensamentos, e recupero as perguntas de Kate da minha mochila. Em seguida, eu instalo o
mini gravador e sou toda dedos e polegares, o deixando cair uma segunda vez na mesa de caf
 minha frente. O Sr. Grey no diz nada, esperando pacientemente "eu espero" enquanto eu
me torno cada vez mais envergonhada e frustrada. Quando eu tomo coragem para olh-lo, ele
est me observando, uma mo relaxada em seu colo e a outra embaixo de seu queixo e
arrastando o seu longo dedo indicador atravs de seus lbios. Eu acho que ele est tentando
conter um sorriso.
          -- Desculpe-me, -- eu gaguejo. -- Eu no estou acostumada a isto.
          -- Leve o tempo que voc precisar, Senhorita Steele, -- ele diz.
          -- Voc se importa se eu gravar suas respostas?
          -- Depois que voc teve tantas dificuldades para instalar o gravador, agora que voc
me pergunta?
          Eu coro. Ele est tirando sarro de mim? Eu espero. Eu pisco para ele, sem saber o
que dizer, e acho que ele fica com pena de mim porque ele cede. -- No, eu no me importo.
          -- Ser que Kate, eu quero dizer, a Senhorita Kavanagh, explicou para o que  a
entrevista?
          -- Sim. Para aparecer na edio de graduao do jornal estudantil quando eu
outorgar o diploma na cerimnia de graduao deste ano.
          Oh! Isto  novidade para mim, e eu estou temporariamente preocupada pelo
pensamento de que algum no muito mais velho do que eu, Ok, talvez uns seis anos mais ou
menos, e ok, mega- bem sucedido, mas, ainda assim, vai me apresentar em minha
licenciatura. Eu franzo a testa, arrastando minha teimosa ateno de volta  tarefa  mo.
          -- Bem, -- eu engulo nervosamente. -- Eu tenho algumas perguntas, Sr. Grey. --
Eu aliso um cacho perdido de cabelo atrs de minha orelha.


                   12
          -- Eu achei que voc teria, -- ele diz, impassvel. Ele est rindo de mim. Minhas
bochechas esquentam com a percepo, e eu me sento reta e enquadro meus ombros em uma
tentativa de parecer mais alta e mais intimidante. Apertando o boto iniciar do gravador, eu
tento parecer profissional.
          -- Voc  muito jovem para ter acumulado tal imprio. H que voc deve seu
sucesso? -- Eu olho para ele. Seu sorriso  arrependido, mas ele parece vagamente
desapontado.
          -- Negcios  tudo sobre pessoas, Senhorita Steele e eu sou muito bom em julgar as
pessoas. Eu sei como elas marcam, o que as faz florescer, o que no faz, o que as inspira, e
como incentiv-las. Eu emprego um time excepcional, e eu os recompenso bem. -- Ele pausa
e me fixa com seu olhar cinza. -- Minha convico  de alcanar o sucesso em qualquer
esquema, algum tem que se fazer mestre deste esquema, conhec-lo de dentro para fora,
saber todos os detalhes. Eu trabalho duro, muito duro para fazer isto. Eu tomo decises
baseadas em lgica e fatos. Eu tenho um instinto natural que pode localizar e nutrir uma boa
ideia slida e boas pessoas. O resultado final  sempre estabelecido para as boas pessoas.
          -- Talvez voc seja apenas sortudo. -- Isto no est na lista de Kate, mas ele  to
arrogante. Seus olhos chamejam momentaneamente em surpresa.
          -- Eu no acredito em sorte ou azar, Senhorita Steele. Quanto mais duro eu trabalho
mais sorte eu pareo ter. Realmente  tudo sobre ter as pessoas certas em seu time e dirigindo
suas energias neste sentido. Eu acho que foi Harvey Firestone quem disse "o crescimento e
desenvolvimento das pessoas  a maior vocao de liderana.
          -- Voc soa como um manaco por controle. -- As palavras saram de minha boca
antes que eu possa det-las.
          -- Oh, eu exero controle em todas as coisas, Senhorita Steele, -- ele diz sem rastro
de humor em seu sorriso. Eu olho para ele, e ele segura o meu olhar continuamente,
impassvel. Meu batimento cardaco acelera, e meu rosto fica corado novamente.
          Por que ele tem tal efeito irritante sobre mim? Sua beleza opressiva talvez? O modo
como seus olhos brilham para mim? O modo como ele acaricia com o dedo indicador seu
lbio inferior? Eu gostaria que ele parasse de fazer isto.
          -- Alm disso, o imenso poder  adquirido assegurando-se em seus devaneios
secretos, que voc nasceu para controlar as coisas, -- ele continua, sua voz suave.
          -- Voc sente que tem imenso poder? -- Manaco por controle.
          -- Eu emprego mais de quarenta mil pessoas, Senhorita Steele. Isso me d certo
sentido de responsabilidade.... poder, se assim prefere. Se decidisse que j no me interesso
mais pelos negcios de telecomunicaes e vendesse tudo, vinte mil pessoas teriam grandes
dificuldades em pagar suas hipotecas no final do ms ento.
          Minha boca abriu. Eu estou espantada pela sua falta de humildade.
          -- Voc no tem um conselho ao qual responder? -- Eu pergunto, repugnada.
          -- Eu possuo a minha empresa. Eu no tenho que responder para um conselho. --
Ele levanta uma sobrancelha para mim.
          Eu ruborizo. Claro, eu saberia disto se eu tivesse feito alguma pesquisa. Mas puta
merda, ele  to arrogante. Eu mudo de rumo.
          -- E voc tem algum interesse fora de seu trabalho?


                   13
          -- Eu tenho interesses variados, Senhorita Steele. -- A sombra de um sorriso toca
seus lbios. -- Muito variado. -- E por alguma razo, eu estou confusa e inflamada por seu
olhar firme. Seus olhos esto iluminados com algum pensamento mau.
          -- Mas se voc trabalha to duro, o que voc faz para relaxar?
          -- Relaxar? -- Ele sorri, revelando dentes brancos perfeitos.
          Eu paro de respirar. Ele realmente  lindo. Ningum devia ser to bonito.
          -- Bem, para "relaxar" como voc diz, eu velejo, eu vo, eu desfruto de vrias
atividades fsicas.
          Ele desloca-se em sua cadeira. -- Eu sou um homem muito rico, Senhorita Steele e
tenho passatempos caros e absorventes.
          Eu olho depressa as perguntas de Kate, querendo sair deste assunto.
        -- Voc investe em fabricao. Por que, especificamente? -- Eu pergunto. Por que ele
me faz to desconfortvel?
        -- Eu gosto de construir coisas. Eu gosto de saber como as coisas funcionam: o que
torna as coisas marcantes, como construir e destruir. E eu tenho um amor por navios. O que
eu posso dizer?
        -- Isso soa como seu corao falando, em lugar da lgica e fatos.
        Ele faz trejeitos com a boca, e olha de forma avaliadora para mim.
        -- Possivelmente. Embora existem pessoas que diriam que eu no tenho corao.
        -- Por que eles diriam isto?
        -- Porque eles me conhecem bem. -- Seu lbio enrola em um sorriso irnico.
        -- Seus amigos dizem que voc  fcil de conhecer? -- E eu lamento a pergunta assim
que eu falo. No est na lista de Kate.
        -- Eu sou uma pessoa muito privada, Senhorita Steele. Eu percorro um caminho longo
para proteger minha privacidade. Eu no costumo dar entrevistas, -- ele vagueia.
        -- Por que voc concordou em fazer esta aqui?
        -- Porque eu sou um benfeitor da Universidade, e para todos os efeitos, eu no
consegui tirar a Senhorita Kavanagh de minhas costas. Ela insistiu e insistiu com meu pessoal
de Relaes Pblicas, e eu admiro esse tipo de tenacidade.
        Eu sei o quanto Kate pode ser tenaz.  por isso que eu estou sentada aqui me
contorcendo desconfortavelmente, sob o seu olhar penetrante, quando eu tinha que estar
estudando para meus exames.
        -- Voc tambm investe em tecnologias agrcolas. Por que voc est interessado nesta
rea?
        -- Ns no podemos comer dinheiro, Senhorita Steele, e existem muitas pessoas neste
planeta que no tem o suficiente para comer.
        -- Isso soa muito filantrpico.  algo que voc sente apaixonadamente? Alimentar os
pobres do mundo?
        Ele encolhe os ombros, muito reservado.
        --  um negcios astuto, -- ele murmura, entretanto eu penso que ele no est sendo
sincero. Isso no faz sentido, alimentar os pobres do mundo? Eu no posso ver os benefcios
financeiros disto, s a virtude do ideal. Eu olho para a prxima pergunta, confusa por sua
atitude.
        -- Voc tem uma filosofia? Nesse caso, qual ?

                 14
        -- Eu no tenho uma filosofia como essa. Talvez um princpio do orientador Carnegie:
"Um homem que adquire a habilidade de tomar posse completa de sua prpria mente, pode
tomar posse de qualquer outra coisa a que ele por justia tem direito". Eu sou muito peculiar,
impulsivo. Eu gosto de controlar, a mim mesmo e aqueles ao meu redor.
        -- Ento voc quer possuir coisas? -- Voc  um manaco por controle.
        -- Eu quero merecer possu-las, mas sim, no resultado final, eu quero.
        -- Voc soa como o consumidor irrevogvel.
        -- Eu sou. -- Ele sorri, mas o sorriso no toca seus olhos. Novamente isto est em
conflito com algum que quer alimentar o mundo, ento eu no posso evitar pensar que ns
estamos conversando sobre outra coisa, mas eu estou absolutamente confusa sobre o que 
isto. Eu engulo em seco. A temperatura na sala est subindo ou talvez seja apenas eu. Eu s
quero que esta entrevista termine. Seguramente Kate tem material suficiente agora? Eu olho
para a prxima pergunta.
        -- Voc foi adotado. At que ponto voc acha que isto formou o que voc ? -- Oh,
isto  pessoal. Eu fico olhando para ele, esperando que ele no se ofenda. Sua testa enruga.
        -- Eu no tenho como saber.
        Meu interesse  despertado.
        -- Que idade voc tinha quando voc foi adotado?
        -- Esta  uma questo de registro pblico, Senhorita Steele. -- Seu tom  duro. Eu
ruborizo, novamente. Merda.
        Sim claro que, se eu soubesse que eu faria esta entrevista, eu teria feito algumas
pesquisas.
        Eu continuo depressa.
        -- Voc teve que sacrificar uma vida familiar por seu trabalho.
        -- Isto no  uma pergunta. -- Ele  conciso.
        -- Desculpe. -- Eu me contoro, e ele me faz sentir como uma criana errante. Eu
tento novamente. -- Voc teve que sacrificar uma vida em famlia por seu trabalho?
        -- Eu tenho uma famlia. Eu tenho um irmo e uma irm e pais amorosos. Eu no
estou interessado em estender minha famlia alm disto.
        -- Voc  gay, Sr. Grey?
        Ele inala bruscamente, e eu me encolho, mortificada. Merda. Por que eu no
empreguei algum tipo de filtro antes de eu ler em voz alta a pergunta? Como eu posso dizer a
ele que eu estou s lendo as perguntas?
        Maldita Kate e sua curiosidade!
        -- No Anastsia, eu no sou. -- Ele levanta suas sobrancelhas, um brilho frio em
seus olhos. Ele no parece contente.
        -- Eu peo desculpas. Isto est hum... escrito aqui. --  a primeira vez que ele disse
meu nome. Meu batimento cardaco acelera, e minhas bochechas esto aquecendo novamente.
Nervosamente, eu coloco meu cabelo solto atrs da minha orelha.
        Ele dobra sua cabea para um lado.
        -- Estas no suas prprias perguntas?
        O sangue drena de minha cabea. Oh no.
        -- ee... no. Kate, a Srta. Kavanagh, ela compilou as perguntas.


                  15
        -- Vocs so colegas no jornal estudantil? -- Oh Merda. Eu no tenho nada a ver
com o jornal estudantil.  a atividade extracurricular dela, no minha. Meu rosto est em
chamas.
        -- No. Ela  minha companheira de quarto.
        Ele esfrega seu queixo em deliberao calma, seus olhos cinza me avaliando.
        -- Voc se voluntariou para fazer esta entrevista? -- Ele pergunta, sua voz
mortalmente calma.
        Espere, quem deveria estar entrevistando quem? Seus olhos queimam em cima de
mim, e eu sou obrigada a responder com a verdade.
        -- Eu fui sorteada. Ela no est bem. -- Minha voz  fraca e apologtica.
        -- Isso explica muita coisa.
        H uma batida na porta, e a loira Numero Dois entra.
        -- Sr. Grey, perdoe-me por interromper, mas sua prxima reunio ser em dois
minutos.
        -- Ns no terminamos aqui, Andrea. Por favor, cancele minha prxima reunio.
        Andrea fica boquiaberta, sem saber o que falar. Ela parece perdida. Ele vira a cabea
lentamente para encar-la e levanta sua sobrancelha. Ela ruboriza escarlate. Oh bem. Ainda
bem que eu no sou a nica.
        -- Muito bem, Sr. Grey, -- ela murmura, depois sa. Ele franze a testa, e volta sua
ateno para mim.
        -- Onde ns estvamos, Senhorita Steele?
        Oh, ns voltamos a "Srta. Steele" agora.
        -- Por favor, no gostaria de atrapalhar suas obrigaes.
        -- Eu quero saber sobre voc. Eu acho que isto  justo. -- Seus olhos cinza esto
acesos de curiosidade. Duas vezes merda. Onde ele est indo com isto? Ele coloca seus
cotovelos nos braos da cadeira e coloca seus dedos na frente de sua boca. Sua boca to...
dispersiva. Eu engulo seco.
        -- No existe muito para saber, -- eu digo, ruborizando novamente.
        -- Quais so seus planos depois que voc se formar?
        Eu encolho os ombros, seu interesse me desconcerta. Ir para Seattle com Kate, achar
um lugar, achar um emprego. Eu realmente no pensei alm do meus exames finais.
        -- Eu no fiz quaisquer planos, Sr. Grey. Eu s preciso passar nos meus exames
finais.
        Para o qual eu devia estar estudando no momento, em lugar de me sentar em seu
palaciano ostentoso, seu escritrio estril, sentindo-me desconfortvel sob seu penetrante
olhar.
        -- Ns temos um excelente programa de estgio aqui, -- ele diz calmamente. Eu
levanto minhas sobrancelhas em surpresa. Ele est me oferecendo um emprego?
        -- Oh. Eu vou pensar nisto, -- eu murmuro, completamente confusa. -- Ainda que eu
no tenha certeza se me encaixaria aqui. -- Oh no. Eu estou refletindo em voz alta
novamente.
        -- Por que voc diz isto? -- Ele dobra sua cabea para um lado, intrigado, uma
sugesto de um sorriso toca seus lbios.
        --  bvio, no ? -- Eu no tenho coordenao, sou desleixada e no sou loira.

                 16
        -- No para mim, -- ele murmura. Seu olhar  intenso, todo o humor tinha
desaparecido, e estranhos msculos profundos em minha barriga apertam de repente. Eu
desvio meus olhos do seu olhar minucioso e olho cegamente para baixo em meus dedos
atados. O que est acontecendo? Eu tenho que sair, agora. Eu me inclino para frente para
recuperar o gravador.
        -- Voc gostaria que eu mostrasse ao redor? -- Ele pergunta.
        -- Eu estou certa que voc est extremamente ocupado, Sr. Grey, e eu tenho uma
longa viagem.
        -- Voc vai dirigindo de volta para a WSU 7 em Vancouver? -- Ele soa surpreso,
ansioso at. Ele olha para fora da janela. Est comeado a chover. -- Bem,  melhor voc
dirigir com cuidado. -- Seu tom  severo, autoritrio. Por que ele deveria se importar? --
Voc conseguiu tudo o que precisa? -- Ele adiciona.
        -- Sim senhor, -- eu respondo, embalando o gravador em minha mochila. Seus olhos
se estreitam, como estivesse pensando.
        -- Obrigada pela entrevista, Sr. Grey.
        -- O prazer foi todo meu, -- ele diz, corts como sempre.
        Quando eu me ergo, ele se levanta e estende sua mo.
        -- At a prxima, Senhorita Steele. -- E isso soa como um desafio, ou uma ameaa,
eu no estou certa de qual. Eu franzo a testa. Quando ser que ns vamos encontrarmos
novamente? Eu aperto sua mo mais uma vez, surpresa que esta estranha corrente entre ns
ainda est l. Deve ser meus nervos.
        -- Sr. Grey. -- Despeo-me dele com um movimento de cabea.
Ele se dirige a porta com graa e agilidade. E abre a porta totalmente.
        -- S assegurando que voc passe pela porta, Senhorita Steele. -- Ele me d um
pequeno sorriso.
        Obviamente, ele est referindo-se a minha entrada nada elegante, mais cedo em seu
escritrio. Eu coro.
        -- Muito amvel de sua parte, Sr. Grey, -- lhe digo bruscamente.
Seu sorriso se alarga. Eu estou contente que voc me ache divertida, eu penso furiosa
interiormente, caminhando para o hall de entrada. Eu fico surpresa quando ele me segue.
Tanto Andrea, quanto Olivia me olham, igualmente surpresas.
        -- Voc tem um casaco? -- Grey pergunta.
        -- Sim. -- Olivia salta e recupera minha jaqueta, que Grey tira dela antes que ela
possa dar para mim. Ele a segura e me sentindo ridiculamente tmida, eu coloco os ombros
nela.
        Grey coloca suas mos por um momento em meus ombros. Eu ofego com o contato.
Se ele nota minha reao, ele no d pistas. Seu longo dedo indicador pressiona o boto
chamando o elevador, e ns permanecemos esperando, eu sem jeito, e ele sereno e frio.
        As portas se abrem, e eu me apresso desesperada para escapar. Eu realmente preciso
sair daqui. Quando eu viro para olh-lo, ele est debruando contra a entrada ao lado do
elevador com uma mo na parede. Ele  realmente muito, muito bonito. Seus flamejantes
olhos cinza olhando para mim. Desconcerta-me.
        -- Anastsia, -- ele diz como uma despedida.

7
    WSU  Washington State University  Universidade Estadual de Washington
              17
       -- Christian, -- eu respondo. E misericordiosamente, as portas fecham.




         Captulo 02

        Meu corao est disparado. O elevador chega ao andar trreo, e eu deso assim que as
portas se abrem, tropeando mais uma vez, mas felizmente no caindo de bruos no cho de
arenito imaculado. Eu corro para as largas portas de vidro, e por fim estou livre no tonificante,
limpo, ar mido de Seattle. Levantando meu rosto, eu dou boas-vindas  fresca chuva
refrescante. Eu fecho meus olhos e tomo uma profunda e purificante respirao, tentando
recuperar o que resta de meu equilbrio.
        Nenhum homem jamais me afetou desse modo como Christian Grey o fez, e eu no
posso entender o porqu.
 sua aparncia? Sua civilidade? Sua Riqueza? Seu Poder? Eu no entendo minha
reao irracional.
        Eu dou um suspiro enorme de alvio. O que em nome dos cus foi tudo aquilo? Eu me
inclino contra uma das colunas de ao do edifcio, e valentemente tento me acalmar e juntar
meus pensamentos. Eu agito minha cabea. Puta merda, o que foi aquilo? Meu corao
estabiliza, voltando ao seu ritmo regular, e eu posso respirar normalmente de novo. Eu me
dirijo ao meu carro.
        Quando eu deixo os limites da cidade para trs, eu comeo a me sentir tola e
envergonhada, quando eu reproduzo a entrevista em minha mente. Certamente, eu estou
reagindo a algo que est em minha imaginao. Certo, ento ele  muito atraente, confiante,
autoritrio,  vontade consigo mesmo, mas por outro lado, ele  arrogante, e por todos os seus
modos impecveis, ele  ditador e frio. Bem, pelo menos a primeira vista.
        Um arrepio involuntrio percorre minha espinha. Ele pode ser arrogante, entretanto ele
tem o direito de ser, ele conseguiu tanto em uma idade to jovem. Ele no suporta os imbecis,
mas por que ele deveria? Novamente, eu estou irritada por Kate no me dar uma breve
biografia dele.
        Enquanto cruzo ao longo da I-5, minha mente continua a vagar. Eu estou perplexa por
existir gente to empenhada em triunfar. Algumas de suas respostas eram to enigmticas,
como se ele tivesse uma agenda oculta. As perguntas de Kate... ufa! A adoo e a pergunta se
                     18
ele  gay! Eu estremeo. Eu no posso acreditar que eu disse aquilo. Que o cho, me engula
agora! Toda vez que eu pensar sobre esta pergunta no futuro, eu vou ficar corada de
vergonha. Maldita Katherine Kavanagh!
        Eu verifico o velocmetro. Eu estou dirigindo mais cautelosamente do que eu estaria
em qualquer outra ocasio. E eu sei que  a lembrana de dois olhos cinza penetrantes
olhando para mim, e uma voz dura dizendo-me para dirigir cuidadosamente. Agitando minha
cabea, eu percebo que Grey est mais para um homem com o dobro de sua idade.
        Esquea isto, Ana, eu ralho comigo mesmo. Eu chego  concluso que isto foi uma
experincia muito interessante, mas eu no deveria insistir nisto. Deixe isto para trs. Eu
nunca vou v-lo novamente. Eu fico imediatamente alegre pelo pensamento. Eu ligo o play do
MP3 e giro o volume bem alto, me encosto, e ouo o estrondoso rock alternativo quando eu
pressiono o acelerador.
        Quando eu atinjo a I-58, eu percebo que eu posso dirigir to rpido quanto eu quero.
        Ns vivemos em uma pequena comunidade de apartamentos dplex em Vancouver,
Washington, perto do campus de Vancouver da WSU. Eu tenho sorte dos pais de Kate terem
comprado um lugar para ela, e eu pago amendoins pelo aluguel. 9 Isto j faz uns quatro anos.
Quando eu desligo o carro, eu sei que a Kate vai querer que eu conte tim-tim por tim-tim da
entrevista, ela  tenaz. Bem, pelo menos ela tem o mini gravador. Espero que eu no tenha
que elaborar muito alm do que foi dito durante a entrevista.
        -- Ana! Voc voltou. -- Kate est sentada em nossa sala de estar, cercada por livros.
Ela est claramente estudando para as provas finais, entretanto ela ainda est de pijamas de
flanela rosa, decorado com coelhinhos fofinhos, aqueles que ela reserva quando acaba com
um namoro, quando est doente, e quando est deprimida em geral. Ela pula em cima de mim
e me abraa apertado.
        -- Eu estava comeando a me preocupar. Eu esperava que voc voltasse mais cedo.
        -- Oh, eu acho que compensei o tempo considerando que a entrevista funcionou. --
Eu aceno com o mini gravador para ela.
        -- Ana, muito obrigada por fazer isto. Eu fico te devendo, eu sei. Como foi? Como ele
era? -- Oh no, l vamos ns, com a Inquisio de Katherine Kavanagh.
        Eu luto para responder suas perguntas. O que eu posso dizer?
        -- Eu estou contente que terminei, e que eu no tenha que v-lo novamente. Ele era
bastante intimidante, sabe. -- Eu encolho os ombros. -- Ele  muito focado, intenso at, e
jovem. Realmente jovem.
        Kate olha com ingenuidade para mim. Eu franzo a testa para ela.
        -- Voc, no se faa de inocente. Por que voc no me deu uma biografia? Ele me fez
sentir como uma idiota por me restringir as perguntas bsicas. -- Kate aperta uma mo em
sua boca.
        -- Jesus, Ana, eu sinto muito, eu no pensei.
        Eu bufo.
        -- Na maior parte ele foi corts, formal, ligeiramente sufocante, como se tivesse
envelhecido antes do tempo. Ele no conversa como um homem de vinte e poucos anos. Que
idade ele tem afinal?
     8
           Interestadual - 5
     9
              Se voc paga com amendoins, voc obtm macacos. Ditado popular nos EUA que significa que voc
           paga uma mixaria (muito pouco)
                                     19
        -- Vinte e sete. Jesus, Ana, eu sinto muito. Eu devia ter informado voc, mas eu
estava em pnico. Deixe-me pegar o mini gravador, e eu vou comear a transcrever a
entrevista.
        -- Voc parece melhor. Voc comeu sua sopa? -- Eu pergunto, ansiosa para mudar o
assunto.
        -- Sim, e estava deliciosa como sempre. Eu estou me sentindo muito melhor. -- Ela
sorri para mim em gratido. Eu verifico meu relgio.
        -- Eu tenho que correr. Eu posso ainda fazer meu turno na Clayton.
        -- Ana, voc est exausta.
        -- Eu estarei bem. Eu vejo voc mais tarde.
        Eu trabalho na Clayton desde que eu comecei na universidade.  a maior loja de
ferragens de Portland, e durante os quatro anos em que eu trabalho aqui, eu conheci um pouco
sobre quase tudo que vendemos, embora ironicamente, eu sou um desastre em trabalhos
manuais. Eu deixo tudo isso para meu pai.
Eu sou muito mais o tipo de garota que se enrosca com um livro em uma confortvel cadeira
junto  lareira. Eu estou contente que eu possa fazer meu turno, pois isto me d algo para me
concentrar que no seja Christian Grey. Ns estamos ocupados,  o inicio da temporada de
vero, e as pessoas esto redecorando suas casas. A Sra. Clayton est contente por me ver.
        -- Ana! Eu pensei que voc no fosse vir hoje.
        -- Meu compromisso no demorou tanto tempo como eu pensei. Eu terminei em
algumas horas.
        -- Eu estou contente por ver voc.
        Ela me manda para o deposito para comear a reabastecer as prateleiras, e eu logo fico
absorvida na tarefa.
        Quando eu chego em casa mais tarde, Katherine est com os fones de ouvido,
trabalhando em seu laptop.
        Seu nariz est ainda rosa, mas ela est super envolvida no seu trabalho, concentrada e
digitando furiosamente. Eu estou exausta, completamente drenada pela longa viagem, a
entrevista cansativa, e por permanecer de p na Clayton. Eu afundo no sof, pensando sobre a
redao que eu tenho que terminar e todos os estudos que eu no fiz hoje, porque eu estava
com... ele.
        -- Voc tem um bom material aqui, Ana. Voc fez um bom trabalho. Eu no posso
acreditar que voc no aproveitou a oferta dele para mostrar a voc o lugar. Ele obviamente
queria passar mais tempo com voc.
        Ela me lana um olhar fugaz e brincalho.
        Eu ruborizo, e minha frequncia cardaca inexplicavelmente acelera. Estou certa que
no foi isso. Ele s queria me mostrar o local, para que eu pudesse ver que ele  o senhor de
tudo aquilo. Eu percebo que eu estou mordendo meu lbio, e eu espero que Kate no note.
Mas ela parece absorvida em sua transcrio.
-- Eu entendo o que voc quer dizer sobre formal. Voc tomou algumas anotaes? -- Ela
pergunta.
        -- Hum... no, eu no tomei.
        -- Tudo bem. Eu ainda posso fazer um artigo bom com isto. Pena que no temos
algumas fotos originais. Bonito aquele filho da puta, no ?

                  20
        Eu ruborizo.
        -- Eu acho que sim. -- Eu tento duramente soar desinteressada, e eu acho que
consegui.
        -- Oh vamos, Ana, at voc no pode ser imune a sua aparncia. -- Ela arqueia uma
sobrancelha perfeita para mim.
        Merda! Sinto que minhas bochechas ardem. Assim eu a distraio lisonjeando-a, sempre
 um bom truque.
        -- Voc provavelmente teria conseguido muito mais dele.
        -- Eu duvido, Ana. Ora... ele praticamente te ofereceu um emprego. Mesmo depois
daquela pergunta que impus para voc fazer, voc foi muito bem. -- Ela olha para mim
especulativamente. Eu fao uma retirada apressada para a cozinha.
        -- Ento o que voc realmente pensou sobre ele? -- Maldio, ela  curiosa. Por que
ela no pode simplesmente deixar isto passar? Pense sobre algo, rpido.
        -- Ele  muito mando, controlador, arrogante, realmente assustador, mas muito
carismtico. Eu posso entender o fascnio, -- eu digo sinceramente, com a esperana que ela
encerre este assunto uma vez por todas.
        -- Voc, fascinada por um homem? Est  a primeira vez, -- ela bufa.
        Eu comeo a juntar os ingredientes de um sanduche, assim ela no pode ver meu
rosto.
        -- Por que voc quis saber se ele era gay? Alias, est foi uma pergunta muito
embaraosa. Eu fiquei mortificada, e ele ficou puto ao ser questionado tambm. -- Eu franzo
a testa com a memria.
        -- Sempre que ele est nas pginas da sociedade, ele nunca est acompanhado.
        -- Foi vergonhoso. A coisa inteira foi constrangedora. Eu estou contente que nunca
mais tenha que por os olhos nele novamente.
        -- Oh, Ana, no pode ter sido to ruim. Eu penso que ele parece estar bastante
interessado em voc.
        Interessado em mim? Agora Kate est sendo ridcula.
        -- Voc gostaria de um sanduche?
        -- Por favor.
        No conversamos mais sobre Christian Grey aquela noite, para meu alvio. Uma vez
que ns comemos, eu posso me sentar  mesa de jantar com Kate e, enquanto ela trabalha em
seu artigo, eu trabalho em minha redao sobre Tess de D 'Urbervilles. 10 Maldio, esta
mulher estava no lugar errado, no tempo errado, no sculo errado. Quando eu termino,  meia-
noite, e Kate j tinha ido h muito tempo para a cama. Eu fao meu caminho para meu quarto,
exausta, mas contente que eu fiz tanto para uma segunda-feira.
        Eu me enrolo em minha cama de ferro branco, embrulhando uma colcha de minha me
ao meu redor, fecho meus olhos e durmo imediatamente. Naquela noite eu sonho com lugares
escuros, sombrios pisos brancos frios, e olhos cinza.
        Pelo resto da semana, eu me dedico em meus estudos e no meu trabalho na Clayton.
Kate est ocupada tambm, compilando sua ltima edio de sua revista estudantil, antes dela
ter que ced-la para o novo editor, ao mesmo tempo estudando para seus exames finais.

 10
   Tess of the D'Ubervilles:,  um romance de Thomas Hardy, publicado pela primeira vez em 1891. Considerada uma
 obra importante da literatura Inglesa.
                                          21
Na quarta-feira, ela est muito melhor, e eu no tenho mais que suportar a viso de seus
pijamas com rosa e coelhinhos. Eu telefono para minha me na Gergia para saber como ela
est, mas tambm para que ela possa me desejar sorte em meus exames finais. Ela comea a
me contar sobre sua mais nova aventura: est aprendendo a fazer vela. Minha me adora
aprender coisas novas. Basicamente, ela se entedia e busca coisas novas para preencher seu
tempo, mas  impossvel ela manter a ateno durante muito tempo em alguma coisa. A
semana que vem ser uma nova aventura.
        Ela me preocupa. Eu espero que ela no hipoteque a casa para financiar esta nova
aventura. E eu espero que Bob, seu relativamente novo marido, muito mais velho, esteja de
olho nela agora que eu no estou mais l. Seu terceiro marido parecer ser um cara centrado.
        -- Como esto s coisas com voc, Ana?
        Por um momento, eu hesito, e eu tenho toda a ateno de minha me.
        -- Eu estou bem.
        -- Ana? Voc encontrou algum? -- Uau... como ela faz isto? A excitao em sua
voz  palpvel.
        -- No, me, no  nada. Voc ser a primeira a saber se eu o achar.
        -- Ana, voc realmente precisa sair mais, doura. Voc me preocupa.
        -- A me, eu estou bem. Como est Bob? -- Como sempre, a distrao  a melhor
poltica.
        Mais tarde naquela noite, eu chamo Ray, meu padrasto, Marido Nmero Dois de
mame, o homem que eu considero sendo meu pai, e o homem cujo nome eu carrego.  uma
conversa breve. De fato, no  tanto uma conversa,  mais uma srie unilateral de grunhidos
em resposta para a minha gentil persuaso. Ray no  muito de falar. Mas ele  muito ativo,
quando ele no esta assistindo futebol na televiso, vai aos jogos de boliche, prtica pesca
com mosca,11 ou fazendo moblia. Ray  um carpinteiro qualificado, e a razo de eu saber a
diferena entre um falco e um serrote. Tudo parece bem com ele.
        Sexta feira  noite, Kate e eu estamos debatendo o que fazer com nossa noite, ns
queremos dar um tempo em nossos estudos, em nosso trabalho, dos jornais estudantis, quando
a campainha toca.
        Parado em nossa soleira est meu bom amigo Jos, segurando uma garrafa de
champanhe.
        -- Jos! Bom te ver! -- Eu dou-lhe um abrao rpido. -- Entre.
        Jos  a primeira pessoa que eu encontrei quando cheguei na universidade, parecia to
perdido e solitrio com eu.
        Ns reconhecemos uma alma gmea em cada um de ns naquele dia, e ns temos sido
amigos desde ento.
        No s compartilhamos um senso de humor, mas ns descobrimos que tanto Ray
como o Sr. Jos estiveram na mesma unidade do exrcito juntos. Como resultado, nossos pais
se tornaram grandes amigos tambm.
        Jos estuda engenharia e  o primeiro de sua famlia a ir para a faculdade. Ele 
malditamente brilhante, mas sua verdadeira paixo  a fotografia. Jos tem um bom olho para
uma boa foto.
        -- Eu tenho novidades. -- Ele sorri, com seus olhos escuros brilhando.
 11
   Pesca com mosca  a traduo do termo em ingls Fly Fishing, por muitos conhecidos como pesca com fly ou
 apenas fly. Para os brasileiros, o termo correto  pesca com mosca.
                                     22
        -- No me diga que voc conseguiu ser expulso por mais uma semana, -- eu provoco,
e ele faz uma careta brincalhona para mim.
        -- A galeria Portland Place vai exibir minhas fotografias no prximo ms.
        -- Isto  incrvel, parabns! -- Satisfeita por ele, eu o abrao novamente. Kate sorri
para ele tambm.
        --  isto a Jos! Eu devia pr isto no jornal. Nada como mudanas editoriais de
ltimo minuto em uma sexta-feira  noite. -- Ela sorri.
        -- Vamos celebrar. Eu quero que voc venha para a abertura. -- Jos olha
atentamente para mim. Eu ruborizo.
        -- Voc duas claro, -- ele adiciona, olhando nervosamente para Kate.
        Jos e eu somos bons amigos, mas eu sei que l no fundo, ele gostaria de ser mais que
isto. Ele  atraente e engraado, mas no  para mim. Ele  mais como um irmo que eu nunca
tive. Katherine frequentemente me provoca dizendo que est faltando um namorado em minha
vida, mas a verdade  que eu no conheci ningum que... bem, me atrasse, embora uma parte
de mim anseie pelos joelhos trmulos, o corao saindo pela boca, o friozinho na barriga e
noites sem dormir.
s vezes me pergunto se existe algo de errado comigo. Talvez eu gaste muito tempo
na companhia de meus heris romnticos literrios, e consequentemente minhas ideais e
expectativas so extremamente altos. Mas na verdade, ningum nunca me fez sentir assim.
        At muito recentemente, a indesejvel, vozinha em meu subconsciente sussurra.
        NO! Eu enterro o pensamento imediatamente. Sem essa, no depois daquela
entrevista dolorosa. Voc  gay, Sr. Grey? Eu estremeo com a memria. Eu sei que eu
sonhei com ele quase todas as noites desde ento, mas isto  apenas para eliminar a
experincia terrvel da minha mente, certo?
        Eu assisto Jos abrir a garrafa de champanhe. Ele  alto, em sua cala jeans e camiseta,
ele  todo ombros e msculos, pele bronzeada, cabelos escuros e olhos escuros ardentes. Sim,
Jose  bastante quente, mas eu acho que ele est finalmente entendendo a mensagem: Ns
somos apenas amigos. A rolha estala alto, e Jos olha para cima e sorri.
        Sbado na loja  um pesadelo. Ns recebemos vrios clientes que querem enfeitar suas
casas. O Sr e a Sra. Clayton, John e Patrick, os outros empregados, estamos correndo
apressados. Mas h uma trgua na hora do almoo, e a Sra. Clayton me pede para verificar
algumas ordens enquanto eu estou sentada atrs do balco do caixa discretamente comendo
minha rosquinha. Eu estou absorta na tarefa, verificando os nmeros do catlogo dos itens que
temos e precisamos encomendar, os olhos passando rapidamente no livro de ordem para a tela
do computador enquanto eu verifico se as entradas batem. Ento, por alguma razo, eu olho
para cima... e encontro-me presa no cinzento olhar ousado de Christian Grey, que est de p
no balco, encarando-me atentamente.
        Meu corao para.
        -- Senhorita Steele. Que surpresa agradvel. -- Seu olhar  firme e intenso.
        Puta merda. Que diabos ele est fazendo aqui, ele est com os cabelos despenteados,
vestindo um suter creme, jeans e botas? Acho que fiquei boquiaberta, e eu no posso
localizar meu crebro ou minha voz.



                    23
        -- Sr. Grey, -- eu sussurro, porque isto  tudo que eu posso fazer. H uma sombra de
um sorriso em seus lbios e seus olhos esto iluminados com humor, como se ele estivesse
desfrutando de alguma piada particular.
        -- Eu estava na rea, -- ele diz por via de explicao. -- Eu preciso abastecer
algumas coisas.  um prazer ver voc novamente, Senhorita Steele. -- Sua voz  morna e
rouca, como calda de caramelo derretido em chocolate escuro... ou algo assim.
        Eu agito minha cabea para reunir meu juzo. Meu corao est batendo
freneticamente, e por alguma razo eu estou corando furiosamente sob seu olhar minucioso.
Eu estou totalmente deslocada pela viso dele de p diante de mim. Minhas lembranas dele
no lhe fazem justia. Ele no  apenas bonito, ele  o eptome da beleza masculina, de tirar o
flego, e ele est aqui. Aqui nas lojas Clayton. V entender. Finalmente minhas funes
cognitivas  restabelecidas e reconectadas com o resto de meu corpo.
        -- Ana. Meu nome  Ana, -- eu murmuro. -- Em que posso ajud-lo, Sr. Grey?
        Ele sorri, e novamente  como se ele conhecesse algum grande segredo. E to
desconcertante. Respirando fundo, eu coloco minha fachada de profissional de quem trabalha
nesta loja h anos. Eu posso fazer isto.
        -- H alguns itens que eu preciso. Para comear, eu gostaria de algumas braadeiras,
-- ele murmura, seus olhos cinza frios, mas divertidos.
        Braadeiras?
        -- Ns temos de vrios comprimentos. Eu devo mostrar a voc? -- Eu murmuro,
minha voz suave e oscilante.
        Controle-se, Steele. Um leve franzir estraga por sua vez a testa do adorvel Grey.
        -- Por favor. V na frente, Senhorita Steele, -- ele diz. Eu tento parecer indiferente
quando eu saio detrs do balco, mas realmente eu estou muito concentrada em no tropear
nos meus prprios ps, minhas pernas de repente esto na consistncia de gelatina. Eu estou
to contente por ter decidido vestir meu melhor jeans esta manh.
        -- Elas esto junto aos bens eltricos, no corredor oito. -- Minha voz est um pouco
resplandecente. Eu olho para ele e lamento quase que imediatamente. Maldio, ele  bonito.
Eu ruborizo.
        -- Depois de voc, -- ele murmura, gesticulando com seus longos dedos de sua mo
bem cuidada. Com meu corao quase me estrangulando, porque ele est quase passando pela
minha garganta, est tentando escapar de minha boca, comeo a me encaminhar a seo de
eletrnicos. Por que ele est em Portland?
        Por que ele est aqui na Clayton? E uma minscula parte do meu crebro que utilizo,
provavelmente localizada na base de minha medula oblonga12 onde habita meu subconsciente,
diz: Ele est aqui para v-la. Sem chance! Eu dispenso isto imediatamente. Por que este belo,
poderoso e urbano homem, quer me ver? A ideia  absurda, e eu excluo isto de minha cabea.
        -- Voc est em Portland a negcios? -- Eu pergunto, e minha voz  muito alta, como
se eu tivesse preso meu dedo em uma porta ou algo assim. Maldio! Tente ficar fria Ana!
        -- Eu estava visitando a diviso agrcola da universidade. Que est localizada em
Vancouver. Eu estou atualmente financiando algumas pesquisa l, sobre rotao de colheita e
cincia do solo, -- ele discute o assunto com naturalidade. V?
12
   Bulbo raquidiano, bolbo raquidiano, medulla oblongata, medula oblonga, ou simplesmente bulbo  a poro
inferior do tronco enceflico, juntamente com outros rgos como o mesencfalo e a ponte, que estabelece comunicao
entre o crebro e a medula espinhal.
                                              24
         No est aqui para encontrar voc afinal, meu subconsciente zomba de mim, alto,
orgulhoso, e rabugento. Eu ruborizo com meus tolos pensamentos impertinentes.
         -- Tudo parte de seu plano de alimentar o mundo? -- Eu provoco.
         -- Algo assim, -- ele reconhece, e seus lbios satirizam em um meio sorriso.
         Ele olha para a seleo de braadeiras que ns temos em estoque na Clayton. O que ele
vai fazer com isso? Eu no posso imagin-lo fazendo um trabalho manual usando isso. Seus
dedos deslizam sobre os vrios pacotes da prateleira, e por alguma razo inexplicvel, eu
tenho que desviar o olhar. Ele se curva e seleciona um pacote.
         -- Estes serviro, -- ele diz com o seu sorriso de que est guardando um segredo, e eu
ruborizo.
         -- Gostaria de mais alguma coisa?
         -- Eu gostaria de algumas fitas adesivas.
         Fita adesiva?
         -- Voc est redecorando sua casa? -- As palavras escapam antes que eu possa det-
las. Certamente ele contrata operrios ou tem pessoal para ajud-lo a decorar?
         -- No, no redecorando, -- ele diz depressa ento sorri, e eu tenho a sensao
estranha que ele est rindo de mim.
         Eu sou to engraada assim? Pareo engraada?
         -- Por aqui, -- eu murmuro envergonhada. -- a fita adesiva est no corredor de
decorao.
         Eu olho para trs  medida que ele me segue.
         -- Voc trabalha aqui h muito tempo? -- Sua voz  baixa, e ele est olhando para
mim, olhos cinza muito concentrados. Eu ruborizo ainda mais intensamente. Por que diabos
ele tem este efeito sobre mim?
         Eu me sinto com quatorze anos de idade, desajeitada como sempre, e fora do lugar.
Olhos para frente Steele!
         -- Quatro anos, -- eu murmuro quando ns alcanamos nosso objetivo. Para me
distrair, eu passo e seleciono duas fitas adesivas largas.
         -- Eu vou levar essa, -- Grey diz suavemente apontando para a fita mais larga, que eu
passo para ele.
         Nossos dedos se tocam muito brevemente, e a corrente est l novamente,
atravessando por mim como se eu tivesse tocado um fio exposto. Eu ofego involuntariamente
quando eu sinto isto, essa corrente percorre todo meu corpo at em algum lugar escuro e
inexplorado, no fundo de minha barriga. Desesperadamente, eu consigo de volta o meu
equilbrio.
         -- Mais alguma coisa? -- Minha voz  rouca e ofegante. Seus olhos se arregalam
ligeiramente.
         -- Algumas cordas, eu acho. -- Sua voz reflete a minha, rouca.
         -- Por aqui. -- E abaixo minha cabea para esconder meu recorrente rubor e dirijo-me
para o corredor.
         -- Que tipo voc est procurando? Ns temos corda de filamento sinttico e natural...
barbantes... fio de corda... -- eu me detenho em sua expresso, seus olhos escurecendo. Puta
merda.
         -- Eu vou levar cinco metros de corda de filamentos naturais, por favor.

                   25
        Rapidamente, com dedos trmulos, eu meo cinco metros contra a rgua fixa, ciente
que seu quente olhar cinza est em mim. Eu no ouso olhar para ele. Jesus, eu podia me sentir
mais tmida? Pegando minha faca Stanley do bolso de trs de minha cala jeans, eu corto-a,
ento enrolo cuidadosamente antes de amarr-la em um n corredio. Por algum milagre, eu
consigo no arrancar um dedo com minha faca.
        -- Voc era Escoteira? -- Ele pergunta divertido, franzindo seus lbios sensuais e
esculpidos. No olhe para sua boca!
        -- S organizada, as atividades em grupo no so realmente minha praia, Sr. Grey.
        Ele arqueia uma sobrancelha.
        -- E qual  sua praia, Anastsia? -- Ele pergunta, sua voz suave e seu sorriso secreto
esto de volta. Eu olho para ele incapaz de me expressar. O cho parece placas tectnicas e
movimento. Tente se tranquilizar, Ana, meu torturado subconsciente implora de joelhos.
        -- Livros, -- eu sussurro, mas por dentro, meu subconsciente est gritando: Voc!
Voc  minha praia!
        Eu o esbofeteio imediatamente, mortificada com os delrios da minha mente.
        -- Que tipo de livros? -- Ele dobra sua cabea para um lado. Por que ele est to
interessado?
        -- Oh, voc sabe. O habitual. Os clssicos. Literatura britnica, principalmente.
        Ele esfrega seu queixo com seu dedo indicador e o longo dedo polegar enquanto ele
contempla minha resposta.
        Ou talvez ele esteja apenas muito entediado e tentando esconder isto.
        -- Voc precisa de alguma outra coisa? -- Eu tenho que sair deste assunto, aqueles
dedos naquele rosto so muito sedutores.
        -- Eu no sei. O que mais voc recomenda?
        O que eu recomendo? Eu sequer sei o que voc est fazendo.
        -- Para um trabalho manual?
        Ele movimenta a cabea, olhos cinza vivos com humor perverso. Eu ruborizo, e meus
olhos se desviam por vontade prpria para sua cala jeans confortvel.
        -- Macaces, -- eu respondo, e eu sei que eu no estou mais despistando o que sai de
minha boca.
        Ele levanta uma sobrancelha, divertido, mais uma vez.
        -- Voc no quer estragar sua roupa, -- eu gesticulo vagamente na direo de sua
cala jeans.
        -- Eu sempre posso lav-las. -- Ele sorri.
        -- Hum. -- Eu sinto a cor em meu rosto subindo novamente. Eu devo estar da cor do
manifesto comunista. Pare de falar. Pare de falar AGORA.
        -- Eu vou levar alguns macaces. Deus me livre de arruinar qualquer roupa, -- ele diz
secamente.
        Eu tento e descarto a imagem indesejada dele sem jeans.
        -- Voc precisa de mais alguma outra coisa? -- Eu pergunto quando eu entrego-lhe o
macaco azul.
        Ele ignora minha investigao.
        -- Como est indo o artigo?


                  26
        Ele finalmente me faz uma pergunta normal, longe de toda a insinuao e a conversa
confusa de duplo sentido... uma pergunta que eu posso responder. Eu agarro isto firmemente
com as duas mos, como se fosse um bote salva-vidas, e eu sou honesta.
        -- Eu no estou escrevendo-o, Katherine est. A Srta Kavanagh. Minha companheira
de quarto, ela  a escritora. Ela est muito feliz com isto. Ela  a editora da revista, e ficou
devastada por no poder fazer a entrevista pessoalmente. -- Eu me sinto como se eu
emergisse para o ar, enfim um tpico normal de conversao. -- Sua nica preocupao  que
ela no tem nenhuma fotografia original sua.
        Grey levanta uma sobrancelha.
        -- Que tipo de fotografia ela quer?
        Ok. Eu no tinha previsto esta resposta. Eu sacudo a cabea, porque eu simplesmente
no sei.
        -- Bem, eu estou por perto. Amanh, talvez... -- ele  vago.
        -- Voc estaria disposto a participar de uma sesso de fotos? -- Minha voz 
estridente novamente. Kate estaria no stimo cu se eu puder tir-las. E voc pode v-lo
novamente amanh, sussurra sedutoramente para mim aquele lugar escuro na base de meu
crebro. Eu descarto a ideia, tola e ridcula...
        -- Kate ficar encantada se ns pudermos achar um fotgrafo. -- Eu estou to
contente, eu sorrio para ele amplamente. Seus lbios abrem como se ele estivesse tomando um
influxo forte de ar, e ele pisca. Por uma frao de segundo, ele parece perdido de alguma
maneira, e a Terra se desloca ligeiramente sobre seu eixo, as placas tectnicas resvalam para
uma nova posio.
        Meu Deus. O olhar perdido de Christian Grey.
        -- Avise-me sobre amanh. -- Alcanando seu bolso de trs, ele retira sua carteira. --
Meu carto. Tem meu nmero do celular nele. Voc precisa chamar antes das dez da manh.
        -- Ok. -- Eu sorrio para ele. Kate vai ficar emocionada.
        -- ANA!
        Paul se materializou do outro lado no final do corredor. Ele  o irmo mais novo do Sr.
Clayton. Eu ouvi que ele estava em casa de Princeton, mas eu no estava esperando v-lo
hoje.
        -- Ah, com licena por um momento, Sr. Grey. -- Grey faz um cara feia quando eu
me afasto dele.
        Paul sempre foi um amigo, e neste momento estranho que eu estou tendo com o rico,
poderoso, impressionante fora de comparao, atraente e controlador,  timo conversar com
algum que seja normal. Paul me abraa apertado pegando-me de surpresa.
        -- Ana, oi,  to bom ver voc! -- Ele esguicha.
        -- Oi Paul, como voc est? Voc est em casa para o aniversrio de seu irmo?
        -- Sim. Voc est parecendo bem, Ana, realmente bem. -- Ele sorri enquanto ele me
examina de certa distancia. Ento ele me libera, mas mantm um brao possessivo cado sobre
meu ombro. Eu me embaralho de um p para outro, envergonhada.  bom ver Paul, mas ele
sempre foi muito familiar.
        Quando eu olho para Christian Gray, ele est ns observando como um falco, seus
olhos cinza encobertos e especulativos, sua boca uma dura linha impassvel. Ele mudou de
forma estranha, do cliente atento para outra pessoa, algum frio e distante.

                    27
        -- Paul, eu estou com um cliente. Algum que voc deve conhecer, -- eu digo,
tentando desarmar o antagonismo que eu vejo nos olhos de Grey. Eu arrasto Paul acima para
encontr-lo, e eles se medem um ao outro. A atmosfera de repente  rtica.
        -- Ah, Paul, este  Christian Gray. Sr. Grey, este  Paul Clayton. Seu irmo  o dono
do lugar. -- E por alguma razo irracional, eu sinto que eu tenho que explicar um pouco mais.
        -- Eu conheo Paul desde que eu trabalho aqui, entretanto ns no nos vemos com
frequncia. Ele chegou de Princeton onde ele est estudando administrao de empresas. --
Eu estou balbuciando... Pare, agora!
        -- Sr. Clayton. -- Christian sustenta seu aperto, seu olhar ilegvel.
        -- Sr. Grey, -- Paul retorna seu aperto de mo. -- Espere, no Christian Grey? Da
Grey Holdings Enterprise? -- Paul vai de mal humorado para impressionado em menos de
um nano segundo. Grey lhe d um sorriso corts que no alcana seus olhos.
        -- Uau, h alguma coisa em que eu possa ajud-lo?
        -- Anastsia tem me ajudado, Sr. Clayton. Ela tem sido muito atenciosa. -- Sua
expresso  impassvel, mas suas palavras...  como se ele estivesse dizendo outra coisa
completamente diferente.  desconcertante.
        -- Legal, -- Paul responde. -- Vejo voc mais tarde, Ana.
        -- Certo, Paul. -- Eu assisto-o desaparecer em direo  sala de estoque. -- Mais
alguma coisa, Sr. Grey?
        -- S estes itens. -- Seu tom  cortante e frio. Porra... eu o ofendi? Respirando fundo,
eu viro e dirijo-me ao caixa. Qual  o seu problema?
        Eu carrego a corda, macaces, fita adesiva e as braadeiras at o caixa.
        -- Isso deu quarenta e trs dlares, por favor. -- Eu olho para Grey, e desejei no ter
feito isso. Ele est me observando de perto, seus olhos cinza intensos e escurecidos. 
enervante.
        -- Voc gostaria de uma sacola? -- Eu pergunto enquanto eu pego seu carto de
crdito.
        -- Por favor, Anastsia. -- Sua lngua acaricia meu nome, e meu corao mais uma
vez fica frentico.
        E mal posso respirar. Apressadamente, eu coloco suas compras em uma sacola de
plstico.
        -- Voc me liga se voc quiser que eu faa a sesso de fotos? -- Ele  todos negcios
mais uma vez. Eu aceno, sem palavras mais uma vez, e devolvo seu carto de crdito.
        -- timo. At amanh talvez. -- Ele vira-se para partir, depois faz uma pausa. -- Ah,
e Anastsia, eu estou feliz que a Senhorita Kavanagh no pde fazer a entrevista. -- Ele sorri,
ento anda a passos largos com o propsito renovado para fora da loja, atirando a sacola
plstica acima de seu ombro, deixando-me uma massa trmula e furiosa de hormnios
femininos. Eu passo vrios minutos olhando fixamente para a porta fechada pela qual ele
acabou de sair antes de retornar ao planeta Terra.
        Certo, eu gosto dele. Eu admito, isto para mim mesma. Eu no posso esconder meu
sentimento mais. Eu nunca me senti assim antes. Eu o acho atraente, muito atraente. Mas ele 
uma causa perdida, eu sei, e eu suspiro com um pesar agridoce. Foi apenas uma coincidncia,
sua vinda aqui. Mas ainda assim, eu posso admir-lo de longe, certamente? Nenhum dano
pode resultar disto. E se eu encontrar um fotgrafo, eu posso seriamente contempl-lo

                    28
amanh. Eu mordo meu lbio em antecipao e eu me encontro sorrindo como uma colegial.
Eu preciso telefonar para Kate e organizar uma sesso de fotos.




       Captulo 03

        Kate est em xtase.
        -- Mas o que ele estava fazendo na Clayton? -- Sua curiosidade escoa pelo telefone.
Eu estou nas profundezas da sala de estoque, tentando manter minha voz casual.
        -- Ele passou por aqui.
        -- Eu acho que isto  uma coincidncia enorme, Ana. Voc no acha que ele estava ai
para ver voc?
        Ela especula. Meu corao bater forte com a possibilidade, mas a alegria dura pouco.
A triste e decepcionante realidade  maante, ele esteve aqui a negcios.
        -- Ele veio visitar a diviso de agricultura da universidade. Ele est financiando
algumas pesquisas, -- eu murmuro.
        -- Oh sim. Ele deu ao departamento uma doao de $2.5 milhes de Grant.13
        Uou.
        -- Como voc sabe disto?
        -- Ana, eu sou uma jornalista, e eu escrevi um perfil sobre o cara.  meu trabalho
saber disto.
        -- Ok, Carla Bernstein,14 fique fria. Ento voc quer as fotos?
        -- Claro que eu quero. A questo , quem vai faz-las e onde.
        -- Ns podemos perguntar-lhe onde. Ele disse que vai ficar na rea.

          13
               Referencia a nota de cinquenta dlares que tem a foto do presidente dos USA Ulisses Grant
           14
              Fazendo uma brincadeira com o nome de Carl Bernstein que em parceria com Bob Woodward,
   trabalhando como reprter para o Washington Post, desvendou a histria do caso Watergate
                                  29
        -- Voc pode contat-lo?
        -- Eu tenho seu nmero de telefone celular.
        Kate ofega.
        -- O mais rico, mais esquivo, mais enigmtico solteiro do Estado de Washington,
apenas lhe deu seu nmero de telefone celular.
        -- Ah... sim.
        -- Ana! Ele gosta de voc. No h dvida sobre isto. -- Seu tom  enftico.
        -- Kate, ele est apenas tentando ser agradvel. -- Mas mesmo quando eu digo as
palavras, eu sei que elas no so verdade.
      -- Christian Grey no  agradvel. Ele  educado, talvez. E uma pequena voz sussurra
silenciosa, talvez Kate esteja certa. Fico arrepiada com a ideia de que talvez, apenas talvez,
ele possa gostar de mim. Afinal, ele disse que estava contente por Kate no ter feito 
entrevista. Eu abrao a mim mesma com uma silenciosa alegria, balanando-me de um lado
para outro, acolhendo a possibilidade de que ele possa gostar de mim por um breve momento.
Kate me traz de volta para o agora.
        -- Eu no sei como vamos conseguir fazer as fotos. Levi, o nosso fotgrafo regular,
no pode. Ele foi para casa em Idaho Falls pelo fim de semana. Ele vai ficar puto por perder
uma oportunidade para fotografar um dos principais empresrios da Amrica.
        -- Humm... Que tal Jos?
        -- Grande ideia! Voc pergunta a ele, ele faz qualquer coisa por voc. Ento chame
Grey e descubra onde ele nos encontrar. -- Kate  irritantemente arrogante sobre Jos.
        -- Eu acho que voc deveria cham-lo.
        -- Quem, Jos?-- Kate ridiculariza.
        -- No, Grey.
        --Ana, voc  a nica que tem um relacionamento.
        -- Relacionamento -- Eu bufo para ela, minha voz subindo vrias oitavas. -- Eu mal
conheo o cara.
        -- Pelo menos voc o conheceu, -- ela diz amargamente. -- E ele parece querer
conhecer voc melhor. Ana, apenas ligue para ele, -- ela estala e desliga. Ela  to mandona
s vezes. Eu fao uma careta para meu celular, mostrando minha lngua para ele.
        Eu estou deixando uma mensagem para Jos, quando Paul entra na sala de estoque
procurando por lixas.
        -- Ns estamos meio ocupados l fora, Ana, -- ele diz sem animosidade.
        -- Sim, hum, desculpe, -- eu murmuro, voltando-me para sair.
        -- Ento, como  que voc conheceu Christian Grey? -- A voz de Paul tenta se
mostrar indiferente, mas  pouco convincente.
        -- Eu tive que entrevist-lo para nosso jornal estudantil. Kate no estava bem. -- Eu
encolho os ombros, tentando soar casual, mas tambm sou pouco convincente.
        -- Christian Grey na Clayton. V entender, -- Paul bufa, pasmo. Ele agita sua cabea
como se para limp-la. -- E ento, quer sair para beber ou algo assim hoje  noite?
        Sempre que ele est em casa ele me convida para sair, e eu sempre digo no.  um
ritual. Eu nunca considerei uma boa ideia sair com o irmo do chefe, e alm disso, Paul 
muito atraente como todo jovem americano da casa ao lado, mas ele no  nenhum heri


                  30
literrio, nem esforando muito minha imaginao. Grey ? Meu subconsciente pergunta-
me, sua sobrancelha levantada no sentido figurado.
         Eu o esbofeteio.
         -- Voc no tem um jantar de famlia ou algo assim com seu irmo?
         -- Isto  amanh.
         -- Talvez alguma outra hora, Paul. Eu preciso estudar hoje  noite. Eu tenho meus
exames finais na semana que vem.
         -- Ana, um dia destes, voc dir sim, -- ele sorri quando eu escapo para a loja.
         -- Mas eu fotgrafo lugares, Ana, no pessoas, -- Jos geme.
         -- Jos, por favor? -- Eu imploro. Segurando meu celular, eu marcho pela sala de
estar de nosso apartamento, desviando a vista da janela para a luz noturna desvanecendo.
         -- D-me o telefone. -- Kate agarra o telefone de mim, lanando seu sedoso cabelo,
loiro avermelhado acima de seu ombro.
         -- Escute aqui, Jos Rodriguez, se voc quiser que nosso jornal cubra a abertura de
seu show, voc vai fazer estas fotos para ns amanh, capiche? -- Kate pode ser
terrivelmente dura.
         -- timo. Ana vai ligar de volta informando o local e horrio. Ns vemos voc
amanh. -- Ela fecha meu celular com um estalo.
         -- Feito. Tudo que ns precisamos fazer agora  decidir onde e quando. Ligue para
ele. -- Ela aponta o telefone para mim. Meu estmago revira.
         -- Ligue para Grey, agora!
         Eu fao uma careta para ela e alcano no meu bolso de trs o carto de negcios dele.
Eu tomo uma profunda e firme respirao, e com dedos trmulos, eu disco o nmero.
         Ele responde no segundo toque. Sua voz  tranquila e fria.
         -- Grey.
         -- Haa... Sr. Grey?  Anastsia Steele. -- Eu no reconheo minha prpria voz, eu
estou muito nervosa. H uma breve pausa. Por dentro eu estou tremendo.
         -- Senhorita Steele. Como  bom ouvi-la. -- Sua voz muda. Ele fica surpreso, eu
acho, e ele soa to... morno, sedutor at. Minha respirao entala, e eu ruborizo. De repente
estou consciente de que Katherine Kavanagh est olhando fixamente para mim, boquiaberta, e
eu vou para a cozinha para evitar seu minucioso olhar indesejvel.
         -- Haa, ns gostaramos de fazer a sesso de fotos para o artigo. -- Respire, Ana,
respire.
         Meus pulmes absorvem uma respirao apressada. -- Amanh, se estiver tudo bem.
Onde seria conveniente para voc, senhor?
         Eu quase posso ouvir seu sorriso de esfinge pelo telefone.
         -- Eu vou estar no Heathman em Portland. Digamos nove e meia, amanh de manh?
-- Certo, ns veremos voc l. -- Eu estou irradiante e sem flego, como uma criana, no
uma mulher adulta que pode votar e beber legalmente no Estado de Washington.
         -- Eu espero ansiosamente por isto, Senhorita Steele. -- Eu visualizo o brilho
perverso em seus olhos cinza. Como ele consegue fazer com que sete pequenas palavras,
garantam tantas promessas tentadoras? Eu desligo. Kate est na cozinha, e ela est olhando
fixamente para mim com um olhar de completa e total consternao em seu rosto.


                  31
         -- Anastsia Rose Steele. Voc gosta dele! Eu nunca vi ou ouvi voc to, to...
afetada por algum antes. Voc est realmente corada.
         -- Oh Kate, voc sabe que eu ruborizo o tempo todo.  quase uma profisso. No seja
to ridcula, -- eu saio dessa rapidamente. Ela pisca para mim com surpresa, eu raramente
fico com raiva, e se fico, rapidamente eu deixo para l. -- Eu apenas o acho... intimidante,
isto  todo.
         -- Heathman, nada mal, -- Kate murmura. -- Eu darei um telefonema para o gerente
e negociarei um espao para as fotos.
         -- Eu vou fazer o jantar. Depois eu preciso estudar. -- Eu no posso esconder minha
irritao com ela, quando eu abro um dos armrios para fazer o jantar.
         Eu estou inquieta est noite, no paro de me mover e dar voltas e voltas na cama.
Sonhando com olhos cinza, macaces, pernas longas, dedos longos, e um local muito escuro e
inexplorado. Eu desperto duas vezes na noite, meu corao batendo muito rpido. Oh, se no
conseguir dormir, amanha vou estar com uma cara estupenda, eu me repreendo. Eu esmurro
meu travesseiro e tento me ajeitar.
         O Heathman est situado no corao do centro da cidade de Portland. Seu
impressionante edifcio de pedras marrom foi concludo bem antes da crise da dcada de 20.
Jos, Travis e eu estamos viajando no meu Fusca, e Kate est em seu CLK, uma vez que no
cabemos todos em meu carro. Travis  amigo e gopher15 de Jos, e eu estou aqui para ajudar
com a iluminao. Kate conseguiu adquirir o uso de um quarto livre de encargos, pela manh
no Heathman, em troca de um crdito no artigo. Quando ela explica na recepo, que estamos
aqui para fotografar o CEO Christian Grey, ns somos imediatamente conduzidos para uma
sute. Apenas uma sute de tamanho regular, no entanto, j que aparentemente o Sr. Grey est
ocupando a maior do edifcio. Um executivo de marketing muito interessado nos mostra 
sute, ele  extremamente jovem e est muito nervoso por alguma razo.
         Eu suspeito que seja a beleza de Kate e seu ar autoritrio que o desarmou, porque ele
faz o que ela quer. Os quartos so elegantes, discretos, e opulentamente mobiliado.
         So nove horas. Ns temos meia hora para nos instalar. Kate vai de um lado para o
outro.
         -- Jos, eu acho que ns vamos fotografar contra aquela parede, voc concorda? --
Ela no espera por sua resposta. -- Travis, limpe as cadeiras. Ana, voc pode pedir ao servio
de quarto para trazer algumas bebidas? E deixe Grey saber onde estamos.
         Sim, Senhora. Ela  to dominadora. Eu desvio meu olhar, mas fao o que me 
pedido.
         Meia hora mais tarde, Christian Grey entra em nossa sute.
         Puta merda! Ele est vestindo uma camisa branca, aberta no colarinho, e calas de
flanela cinza que pendem de seus quadris. Seus cabelos incontrolveis ainda esto midos do
banho. Minha boca fica seca s ao olhar para ele... ele  to estupidamente quente. Grey
entra na sute acompanhado de um homem que aparenta ter seus trinta e poucos anos, com um
corte militar, com um acentuado terno escuro e gravata, que fica em silencio no canto. Seus
olhos cor de avel nos observa impassvel.



          15
             Gopher  um protocolo de redes de computadores que foi desenhado para distribuir, procurar e ter acesso
   a documentos na Internet. Uma maneira de dizer que a pessoa  um pau para toda obra, ou de grande ajuda.
                                              32
        -- Senhorita Steele, nos encontramos novamente. -- Grey estende a mo, e eu a agito,
piscando rapidamente.
        Oh cara... ele realmente  bastante... uau. Quando eu toco em sua mo, eu sinto
aquela deliciosa corrente atravessando-me diretamente, iluminando-me, fazendo-me
ruborizar, e eu tenho certeza que minha respirao irregular deve ser audvel.
        -- Sr. Grey, esta  Katherine Kavanagh, -- eu murmuro, acenando com uma mo em
direo a Kate que avana, olhando-o diretamente nos olhos.
        -- A tenaz senhorita Kavanagh. Como vai? -- Ele lhe d um pequeno sorriso, olhando
genuinamente divertido. -- Eu acredito que voc est se sentindo melhor? Anastsia disse que
voc estava indisposta na semana passada.
        -- Eu estou bem, obrigada, Sr. Grey. -- Ela agita sua mo com firmeza, sem
pestanejar.
        Eu me lembro que Kate esteve nas melhores escolas particulares de Washington. Sua
famlia tem dinheiro, e ela cresceu confiante e segura de seu lugar no mundo. Ela no engole
nenhum desaforo. Eu a admiro.
        -- Obrigada por ter tempo para fazer isto. -- Ela lhe d um educado, sorriso
profissional.
        --  um prazer, -- ele responde, voltando seu olhar cinza para mim, e eu ruborizo
novamente. Maldio.
        -- Este  Jos Rodriguez, nosso fotgrafo, -- eu digo, sorrindo para Jos, que sorri
com carinho de volta para mim. Seus olhos so frios quando ele olha de mim para Grey.
        -- Sr. Grey,-- ele movimenta a cabea.
        -- Sr. Rodriguez, -- A expresso de Grey muda completamente quando ele avalia
Jos.
        -- Onde voc me quer? -- Grey pergunta a ele. Seu tom soa vagamente ameaador.
Mas Katherine no est disposta a deixar Jos executar um show.
        -- Sr. Grey, se voc puder se sentar aqui, por favor? Tenha cuidado com os cabos de
iluminao. E depois, ns vamos fazer algumas de p tambm. -- Ela o direciona para uma
cadeira instalada contra a parede.
        Travis liga as luzes, momentaneamente ofuscando Grey, e murmura uma desculpa.
        Ento, Travis e eu recuamos e assistimos como Jos passa a tirar fotos. Ele tira vrias
fotos apoiadas, pedindo para Grey virar-se de um jeito, de outro, mover seu brao, ento,
abaix-lo novamente. Movendo o trip, Jos tira muitas outras, enquanto Grey se senta e posa,
pacientemente e naturalmente por mais ou menos vinte minutos. Meu desejo se realizou: Eu
posso ficar aqui de p e admirar Grey bem de perto. Duas vezes nossos olhos se fitam, e eu
tenho que afastar o meu para longe de seu olhar nublado.
        -- J  o suficiente sentando. -- Katherine comanda novamente. -- De p, Sr. Grey?
-- Ela pergunta.
        Ele se levanta, e Travis corre para remover a cadeira. O dispositivo da Nikon de Jos
comea a clicar novamente.
        -- Eu acho que temos o suficiente, -- Jos anuncia cinco minutos mais tarde.
        -- timo, -- diz Kate. -- Obrigada novamente, Sr. Grey. -- Ela o cumprimento,
assim como Jos.


                   33
        -- Eu espero ansiosamente ler o artigo, Senhorita Kavanagh, -- Grey murmura, e se
vira para mim, aguardando  porta. -- Voc me acompanha, Senhorita Steele? -- Ele
pergunta.
        -- Claro, -- eu digo, completamente arrebatada. Eu olho ansiosamente para Kate, que
encolhe os ombros para mim. Eu noto que Jos est carrancudo atrs dela.
        -- Bom dia para vocs todos, -- diz Grey enquanto ele abre a porta, abrindo caminho
para me permitir sair primeiro.
        Que inferno... o que  isto? O que ele quer? Eu paro no corredor do hotel,
remexendo-me nervosamente quando Grey sai do quarto, seguido pelo Senhor "Corte de
Recruta" em seu terno acentuado.
        -- Eu ligo para voc, Taylor, -- ele murmura para o "Corte de Recruta". Taylor
caminha pelo corredor abaixo, e Grey vira seu olhar cinzento queimando para mim. Merda...
eu fiz algo errado?
        -- Gostaria de saber se voc se juntaria a mim para o caf da manh.
        Meu corao dispara em minha boca. Um encontro? Christian Grey est me
convidando para um encontro. Ele est perguntando se voc quer um caf. Talvez ele pense
que voc no acordou ainda, meu subconsciente resmunga para mim em um humor irnico
novamente. Eu limpo minha garganta tentando controlar meus nervos.
        -- Eu tenho que levar todo mundo para casa, -- eu murmuro, me desculpando,
torcendo minhas mos e os dedos na minha frente.
        -- TAYLOR, -- ele chama, fazendo-me saltar. Taylor, que tinha retrocedido pelo
corredor abaixo, se vira e volta em direo a ns.
        -- Eles vo para a universidade? -- Grey pergunta, sua voz suave e inquiridora. Eu
movimento a cabea, muito atordoada para falar.
        -- Taylor pode lev-los. Ele  meu motorista. Ns temos um grande 4x4 aqui, ento
ele poder levar o equipamento tambm.
        -- Sr. Grey? -- Taylor pergunta quando ele nos alcana, permanecendo distante.
        -- Por favor, voc pode conduzir o fotgrafo, seu assistente, e a Senhorita Kavanagh
para casa?
        -- Certamente, senhor, -- Taylor responde.
        -- Pronto. Agora voc pode juntar-se a mim para o caf? -- Grey sorri como se
tivesse concludo um negcio.
        Eu olho feio para ele.
        -- Aah, Sr. Grey, , isto realmente... olhe, Taylor no tem que lev-los para casa. --
Eu lano um breve olhar para Taylor, que permanece estoicamente impassvel. -- Eu trocarei
de veculo com Kate, se voc me der um momento.
        Grey sorri deslumbrante, desprotegido, natural, exibindo todos os seus dentes, um
sorriso glorioso. Oh meu Deus... e ele abre a porta da sute para que eu possa entrar. Eu passo
ao redor dele para entrar no quarto, encontrando Katherine em uma profunda discusso com
Jos.
        -- Ana, eu acho que ele definitivamente gosta de voc, -- ela diz sem qualquer
prembulo. Jos me olha com desaprovao. -- Mas eu no confio nele, -- ela adiciona. Eu
levanto minha mo na esperana de que ela pare de falar. Por algum milagre, ela o faz.
        -- Kate, se voc levar o fusca, eu posso levar seu carro?

                   34
       -- Por qu?
       -- Christian Grey me convidou para tomar caf com ele.
       Ela fica boquiaberta. Kate emudece! Eu saboreio o momento. Ela me agarra pelo brao
e me arrasta para o quarto que fica fora da sala de estar da sute.
       -- Ana, h algo sobre ele. -- Seu tom  cheio de advertncia. -- Ele  magnfico, eu
concordo, mas eu acho que ele  perigoso. Especialmente para algum como voc.
       -- O que voc quer dizer, com algum como eu? -- Eu exijo, afrontada.
       -- Uma inocente como voc, Ana. Voc sabe o que eu quero dizer, -- ela fala um
pouco irritada. Eu ruborizo.
       -- Kate,  apenas um caf. Eu estou comeando meus exames finais esta semana, e eu
preciso estudar, ento eu no vou demorar muito.
       Ela franze seus lbios como se considerando meu pedido. Finalmente, ela pesca as
chaves do carro do bolso e entrega-as para mim. Eu entrego as minhas.
       -- Eu vejo voc mais tarde. No demore muito, ou eu vou enviar uma busca e
salvamento.
       -- Obrigada. -- Eu a abrao.
       Eu saio da sute para encontrar Christian Grey esperando, encostado contra a parede,
parecendo com um modelo em uma pose para alguma brilhante revista top de linha.
       -- Ok, vamos tomar caf, -- eu murmuro, ruborizando como uma beterraba vermelha.
       Ele sorri.
       -- Depois de voc, Senhorita Steele. -- Ele se ergue, levantando a mo para que eu v
primeiro.
       Eu fao meu caminho pelo corredor abaixo, meus joelhos trmulos, meu estmago
cheio de borboletas,16 e meu corao em minha boca, batendo em um ritmo dramtico
desigual. Eu vou tomar um caf com Christian Grey... e eu odeio caf.
       Ns caminhamos juntos pelo largo corredor do hotel para os elevadores. O que eu
devo dizer a ele? Minha mente de repente paralisa com apreenso. Sobre o que ns vamos
conversar?
       O que na Terra eu tenho em comum com ele? Sua voz suave e morna me surpreende
de meu devaneio.
       -- Quanto tempo voc e Katherine Kavanagh se conhecem?
       Oh, uma pergunta fcil para comear.
       -- Desde nosso primeiro ano. Ela  uma boa amiga.
       -- Humm, -- ele responde, reservado. O que ele est pensando?
       Nos elevadores, ele aperta o boto de chamada, e a campainha toca quase que
imediatamente. As portas deslizam abertas, revelando um jovem casal em um amasso
apaixonado do lado de dentro. Surpresos e envergonhados, eles se separam, olhando culpados
em todas as direes, menos na nossa. Grey e eu entramos no elevador.
       Eu estou lutando para manter uma expresso sria, ento eu olho para o cho, sentindo
minhas bochechas ficando vermelhas. Quando eu espio para Grey atravs de meus clios, ele
tem a sugesto de um sorriso em seus lbios, mas  muito difcil de dizer. O jovem casal no
diz nada, e ns viajamos at o andar trreo em um silncio constrangedor. Ns nem sequer
temos uma intil msica ambiente para nos distrair.

         16
              Expresso idiomtica americana que se refere a estar com o estomago doendo de nervosismo.
                                 35
        As portas abrem e, para minha surpresa, Grey toma minha mo, apertando-a com seus
dedos longos e frios. Eu sinto o choque correr por mim, e meus j rpidos batimentos
aceleram. Quando ele me leva para fora do elevador, ns podemos ouvir as risadinhas
suprimidas do casal que estoura atrs de ns. Grey sorri.
        -- O que tem os elevadores? -- Ele murmura.
        Ns cruzamos o extenso saguo movimentado do hotel, em direo  entrada, mas,
Grey evita a porta giratria e, eu me pergunto se isto  porque ele teria que largar minha mo.
        Do lado de fora, est um ameno domingo de maio. O sol est brilhando e o trfico est
limpo. Grey vira  esquerda e anda at a esquina, onde ns paramos, esperando pelas luzes de
pedestres do cruzamento mudar. Ele ainda est segurando minha mo. Eu estou na rua, e
Christian Grey est segurando minha mo. Ningum jamais segurou minha mo. Eu me
sinto tonta, e eu estou formigando por toda parte. Eu tento sufocar o ridculo sorriso que
ameaa repartir meu rosto em dois. Tente ficar fria, Ana, meu subconsciente implora. O
homem verde aparece, e ns andamos novamente.
        Ns caminhamos quatro quarteires, antes de alcanarmos a Cafeteria de Portland,
onde Grey me libera para segurar a porta aberta, para que eu possa entrar.
        -- Por que voc no escolhe uma mesa, enquanto eu pego as bebidas. O que voc
gostaria? -- Ele pergunta, corts como sempre.
        -- Eu quero... um, English Breakfast tea,17 em saquinho.
        Ele levanta suas sobrancelhas.
        -- Caf no?
        -- Eu no gosto de caf.
        Ele sorri.
        -- Ok, ch em saquinho. Acar?18
        Por um momento, eu fico atordoada, pensando que est me chamando carinhosamente,
mas felizmente meu subconsciente entra em ao com lbios franzidos. No, estpida, se
voc quer acar?
        -- No obrigada. -- Eu olho para baixo para meus dedos atados.
        -- Alguma coisa para comer?
        -- No obrigada. -- Eu sacudo minha cabea, e ele anda para o balco.
        Eu disfaradamente olho para ele sob meus clios, enquanto ele est na fila de espera
para ser servido. Eu poderia observ-lo o dia todo... ele  alto, de ombros largos, esbelto e a
forma como suas calas pendem de seus quadris... Oh meu Deus. Algumas vezes ele corre
seus longos e graciosos dedos por seus agora, cabelos secos, mas ainda desordenado.
Humm... eu gostaria de fazer isto. O pensamento vem espontaneamente em minha mente, e
meu rosto incendeia. Eu mordo meu lbio e olho para minhas mos novamente, no gostando
para onde meus pensamentos rebeldes esto se dirigindo.
        -- Um centavo por seus pensamentos? -- Grey est de volta, assustando-me.
        Eu fico roxa. Eu estava apenas pensando em correr meus dedos por seus cabelos e
perguntando-me se pareceria suave ao toque. Eu balano minha cabea. Ele est carregando
uma bandeja, que ele coloca sobre a pequena mesa redonda de carvalho envernizada. Ele me

     17
            English Breakfast tea  famosa marca de ch.
     18
            No original em ingls est escrito sugar, que pode significar tambm uma maneira carinhosa de chamar
           a outra pessoa
                                          36
entrega uma xcara e um pires, um pequeno bule, e um pratinho contendo um solitrio
saquinho de ch impresso "Twinings English Breakfast", meu favorito. Ele carrega um caf
que ostenta um maravilhoso padro de folhas impresso no leite. Como eles fazem isto? Eu me
pergunto  toa. Ele tambm comprou um bolinho de mirtilo para si mesmo. Pondo de lado a
bandeja, ele se senta do meu lado oposto e cruza suas longas pernas. Ele parece to
confortvel, to  vontade com seu corpo, eu o invejo. E aqui estou eu, toda desengonada e
descoordenada, incapaz de conseguir ir de A at B sem cair de cara no cho.
        -- Seus pensamentos? -- Ele solicita.
        -- Este  meu ch favorito. -- Minha voz  calma, ofegante. Eu simplesmente no
posso acreditar que eu estou sentada em frente a Christian Grey, em uma cafeteria em
Portland. Ele franze a testa. Ele sabe que eu estou escondendo algo. Eu coloco o saquinho de
ch no bule e quase que imediatamente o pesco novamente com minha colher de ch. Quando
eu coloco o saquinho usado de volta no pratinho, ele dobra sua cabea olhando pra mim
interrogativamente.
        -- Eu gosto de meu ch preto e fraco, -- eu murmuro como uma explicao.
        -- Entendo. Ele  seu namorado?
        Uou... O que?
        -- Quem?
        -- O fotgrafo. Jos Rodriguez.
        Eu rio nervosa, mas curiosa. O que deu a ele aquela impresso?
        -- No. Jos  um bom amigo, apenas isto. Por que voc pensou que ele fosse meu
namorado?
        -- O modo como voc sorriu para ele, e ele para voc. -- Seu olhar cinza mantm o
meu. Ele  to enervante. Eu quero desviar o olhar, mas eu estou presa, encantada.
        -- Ele  mais como da famlia, -- eu sussurro.
        Grey acena ligeiramente com a cabea, aparentemente satisfeito com a minha resposta,
e eu olho para baixo para seu bolinho de mirtilo. Seus longos dedos habilmente descascam o
papel, e eu assisto fascinada.
        -- Voc quer um? -- Ele pergunta, e aquele secreto sorriso divertido, est de volta.
        -- No obrigada. -- Eu franzo a testa e olho para baixo, para minhas mos
novamente.
        -- E o garoto que eu conheci ontem na loja. Ele no  seu namorado?
        -- No. Paul  apenas um amigo. Eu disse a voc ontem. -- Oh, isto est ficando
ridculo. -- Por que voc pergunta?
  -- Voc parece ficar nervosa ao redor dos homens.
        Puta merda, isto  pessoal. Eu fico nervosa apenas ao seu redor, Grey.
        -- Eu acho voc intimidante. -- Eu fico escarlate, mas mentalmente eu dou tapinhas
em minhas costas pela minha franqueza, e olho para minhas mos novamente. Eu ouo seu
profundo suspiro.
        -- Voc deve me achar intimidante, -- ele acena concordando. -- Voc  muito
honesta. Por favor, no olhe para baixo. Eu gosto de ver seu rosto.
        Oh. Eu olho para ele, e ele me d um sorriso encorajador, mas irnico.
        -- Isto me d algum tipo de pista do que voc pode estar pensando, -- ele inspira. --
Voc  um mistrio, Senhorita Steele.

                 37
        Misteriosa? Eu?
        -- No existe nada misterioso em mim.
        -- Eu penso que voc  muito auto-suficiente, -- ele murmura.
        Eu sou? Uau... como vou administrar isto? Isto  desconcertante. Eu, auto-
suficiente?
     De jeito nenhum.
        -- Exceto quando voc ruboriza, claro, o que acontece frequentemente. Eu s gostaria
de saber por que voc estava corada. -- Ele joga um pequeno pedao de bolinho em sua boca,
e comea a mastig-lo lentamente, sem tirar seus olhos de mim. Como se fosse uma sugesto,
e eu ruborizo. Merda!
        -- Voc sempre faz este tipo de observaes pessoais?
        -- Eu no percebi que fosse. Eu ofendi voc? -- Ele parece surpreso.
        -- No, -- eu respondo honestamente.
        -- Bom.
        -- Mas voc  muito arrogante, -- eu retalio calmamente.
        Ele levanta as sobrancelhas e, se no me engano, ele ruboriza ligeiramente tambm.
        -- Eu estou acostumado a fazer as coisas do meu jeito, Anastsia, -- ele murmura. --
Com todas as coisas.
        -- Eu no duvido disso. Por que voc no me pediu para cham-lo por seu primeiro
nome? -- Eu fico surpresa por minha audcia. Por que esta conversa se tornou to sria? Isto
no est indo do modo como eu pensei que fosse. Eu no posso acreditar que eu estou me
sentindo to antagnica com ele.
         como se ele estivesse tentando me advertir.
        -- As nicas pessoas que usam meu nome de batismo so a minha famlia e alguns
amigos ntimos. Este  o modo que eu gosto.
        Oh. Ele ainda no disse, "Chame-me Christian". Ele  um manaco por controle, no
existe nenhuma outra explicao, e parte de mim est pensando que, talvez, teria sido melhor
se Kate o entrevistasse. Dois manacos por controle, juntos. Mais claro que ela  quase loira,
loira morango, como todas as mulheres em seu escritrio. E ela  bonita, meu subconsciente
me lembra. Eu no gosto da ideia de Christian e Kate. Eu tomo um gole de meu ch, e Grey
come outro pequeno pedao de seu bolinho.
        -- Voc  filha nica? -- Ele pergunta.
        Uou... ele continua a mudar de direo.
        -- Sim.
        -- Fale-me sobre seus pais.
        Por que ele quer saber disto?  to enfadonho.
        -- Minha me vive na Gergia com seu novo marido Bob. Meu padrasto vive em
Montesano.
        -- Seu pai?
        -- Meu pai morreu quando eu era um beb.
        -- Eu sinto muito, -- ele murmura e um incomodado olhar fugaz, atravessa seu rosto.
        -- Eu no me lembro dele.
        -- E sua me se casou de novo?
        Eu bufo.

                  38
        -- Voc pode dizer isto.
        Ele franze a testa para mim.
        -- Voc no est indo muito longe, no ? -- Ele diz secamente, coando seu queixo,
como se estivesse pensamento profundamente.
        -- Nem voc.
        -- Voc j me entrevistou uma vez, e eu me lembro de algumas questes bastante
comprometedoras. -- Ele sorri afetuosamente para mim.
        Puta merda. Ele est lembrando a pergunta do "gay". Mais uma vez, eu fico
mortificada. Daqui a anos, eu sei, vou precisar de terapia intensiva para no sentir vergonha
toda vez que eu recordar este momento. Eu comeo a murmurar sobre minha me, qualquer
coisa para bloquear esta memria.
        -- Minha me  maravilhosa. Ela  uma romntica incurvel. Ela atualmente est
casada com seu quarto marido.
        Christian levanta as sobrancelhas em surpresa.
        -- Eu sinto falta dela, -- eu continuo. -- Ela tem Bob agora. Eu s espero que ele
possa vigi-la e juntar os pedaos, quando seus esquemas desmiolados no sarem como
planejado. -- Eu ternamente sorrio. Eu no vejo minha me por um longo tempo. Christian
observa-me atentamente, tomando goles ocasionais de seu caf. Eu realmente no devia olhar
para sua boca.  inquietante. Aqueles lbios.
        -- Voc se entende com seu padrasto?
        -- Claro. Eu cresci com ele. Ele  o nico pai que eu conheci.
        -- E como ele ?
        -- Ray? Ele ... reservado.
        -- S isto? -- Grey pergunta, surpreso.
        Eu encolho os ombros. O que este homem espera? A histria da minha vida?
        -- Reservado como sua enteada, -- Grey sugere de imediato.
        Eu me abstenho afastando meu olhar dele.
        -- Ele gosta de futebol, especialmente futebol europeu, e de boliche, e pesca com
mosca, e fazer mveis. Ele  um carpinteiro. Ex- fuzileiro. -- Eu suspiro.
        -- Voc viveu com ele?
        -- Sim. Minha me encontrou o Terceiro Marido, quando eu tinha quinze anos. Eu
fiquei com Ray.
        Ele franze a testa como se no entendesse.
        -- Voc no quis viver com sua me? -- Ele pergunta.
        Eu ruborizo. Isto no  realmente de sua conta.
        -- Terceiro Marido vivia no Texas. Minha casa estava em Montesano. E voc sabe...
minha me era recm- casada. -- Eu paro. Minha me nunca falou sobre o ser terceiro
marido. Onde Grey est querendo ir com isso? Isto no  de sua conta. Dois podem jogar este
jogo.
        -- Fale-me sobre seus pais, -- eu pergunto.
        Ele encolhe os ombros.
        -- Meu papai  um advogado, minha me  pediatra. Eles vivem em Seattle.
        Oh... ele teve uma educao cara. E eu me pergunto sobre um casal bem sucedido que
adota trs crianas, e uma delas se transforma em um belo homem que assume o mundo dos

                 39
negcios e o conquista sozinho. O que o levou a ser deste modo? Seus pais devem estar
orgulhosos.
        -- O que seus irmos fazem?
        -- Elliot est na construo, e minha irm mais nova est em Paris, estudando arte
culinria com algum renomado chefe de cozinha francs. -- Seus olhos nublam com irritao.
Ele no quer falar sobre sua famlia ou ele mesmo.
        -- Eu ouvi dizer que Paris  adorvel, -- eu murmuro. Por que ele no quer conversar
sobre sua famlia?  porque ele  adotado?
        --  bonita. Voc j esteve l? -- Ele pergunta, sua irritao esquecida.
        -- Eu nunca deixei o continente dos EUA. -- Ento, agora ns voltamos para
banalidades. O que ele est escondendo?
        -- Voc gostaria de ir?
        -- Para Paris? -- Eu bufo. Isto me desequilibra, quem no gostaria de ir para Paris? --
 claro, -- eu concedo. -- Mas  a Inglaterra que eu realmente gostaria de visitar.
        Ele dobra sua cabea para um lado, correndo seu dedo indicador por seu lbio
inferior... oh meu.
        -- Por qu?
        Eu pisco rapidamente. Concentre-se, Steele.
        --  a casa de Shakespeare, Austen, as irms de Bront, Thomas Hardy. Eu gostaria
de ver os lugares que inspiraram estas pessoas a escrever livros to maravilhosos.
        Toda esta conversa de grandes nomes literrios, faz-me lembrar de que eu devia estar
estudando. Eu olhar para meu relgio.
        --  melhor eu ir. Eu tenho que estudar.
        -- Para seus exames?
        -- Sim. Eles comeam na tera-feira.
        -- Onde est o carro da senhorita Kavanagh?
        -- No estacionamento do hotel.
        -- Eu vou lev-la de volta.
        -- Obrigado pelo ch, Sr. Grey.
        Ele sorri com seu estranho sorriso "eu tenho um grande segredo".
        -- Voc  bem-vinda, Anastsia. O prazer  todo meu. Venha, -- ele comanda, e
segura minha mo com a sua. Eu seguro-a, confusa, e o sigo para fora da cafeteria.
        Ns andamos de volta para o hotel, e eu gostaria de dizer que estamos em um silncio
socivel. Ele pelo menos parece em sua habitual tranquilidade, introspectivo. Quanto a mim,
estou desesperadamente tentando avaliar como foi nosso caf da manh. Eu sinto como se eu
tivesse sido entrevistada para uma posio, mas no estou certa para que.
        -- Voc sempre usa cala jeans? -- Ele pergunta inesperadamente.
        -- Geralmente.
        Ele movimenta a cabea. Ns voltamos ao cruzamento, do outro lado da estrada do
hotel. Minha mente est se recuperando. Que pergunta estranha... E estou ciente que nosso
tempo juntos  limitado.  isto. Isto  tudo, e eu estraguei tudo completamente, eu sei. Talvez
ele tenha algum.
        -- Voc tem uma namorada? -- Eu deixo escapar. Puta merda, eu acabei de dizer isto
em voz alta?

                   40
        Seus lbios do um meio sorriso, e ele olha para mim.
        -- No, Anastsia. Eu no sou do tipo que namora, -- ele suavemente diz.
        Oh... o que isso quer dizer? Ele  gay? Oh, talvez ele seja, merda! Ele deve ter
mentido para mim em sua entrevista. E por um momento, eu acho que ele vai seguir com
alguma explicao, alguma pista para esta declarao enigmtica, mas ele no o faz. Eu tenho
que ir. Eu tenho que tentar organizar meus pensamentos. Eu tenho que ficar longe dele. Eu
caminho adiante, e tropeo, tropeo de cabea na calada.
        -- Merda, Ana! -- Grey grita.
Ele puxa a minha mo com tanta fora, que eu caio para trs contra ele, enquanto um ciclista
que passa a toda velocidade, quase me acertando, indo pelo caminho errado nesta rua de mo
nica.
        Tudo acontece to rpido, que em um minuto estou caindo, no prximo eu estou em
seus braos, e ele est me segurando firmemente contra seu trax. Eu inalo seu cheiro limpo,
cheiro vital. Ele cheira a roupa limpa e fresca, e a algum sabonete caro. Oh meu Deus, 
inebriante. Eu inalo profundamente.
        -- Voc est bem? -- Ele sussurra. Ele est com um brao ao meu redor, apertando-
me junto a ele, enquanto os dedos de sua outra mo, suavemente rastreia meu rosto sondando,
examinando-me. Seu polegar escova meu lbio inferior e eu ouo sua respirao ofegante. Ele
est olhando fixamente em meus olhos, e eu seguro seu ansioso olhar, queimando por um
momento ou talvez para sempre... mas eventualmente, minha ateno  atrada para sua
bonita boca. Oh meu Deus. E pela primeira vez em meus vinte e um anos, eu quero ser
beijada. Eu quero sentir sua boca na minha.




                41
       Captulo 04

          Que droga! Beije-me! Eu imploro, mas no me movo. Eu estou paralisada por causa
de uma necessidade estranha, desconhecida, completamente cativada por ele. Eu estou
olhando fixamente para a boca perfeitamente esculpida de Christian Grey, hipnotizada e ele
est olhando para mim, seu olhar encoberto, seus olhos escurecidos.
          Ele respira mais rpido que o habitual e eu parei completamente de respirar. Eu estou
em seus braos.
          Beije-me, por favor. Ele fecha seus olhos, respira fundo e sacode brevemente sua
cabea como se respondesse minha pergunta muda. Quando ele abre seus olhos novamente, 
com algum novo propsito, uma vontade de ao.
          -- Anastsia, voc deveria me evitar. Eu no sou homem para voc... -- ele sussurra.
          O qu? De onde veio isso? Seguramente, eu  quem deveria decidir. Eu franzo
minha testa para ele e balano minha cabea diante da rejeio.
          -- Respire, Anastsia, respire. Eu vou ficar ao seu lado e irei te soltar agora -- ele
quietamente diz e se afasta suavemente.
          A adrenalina corre por meu corpo, no sei se por causa do ciclista ou da proximidade
inebriante de Christian, mas estou fraca e arrepiada. NO! Minha mente grita quando ele se
afasta e sinto-me roubada. Ele tem suas mos em meus ombros, segurando-me o comprimento
de um brao, analisando minhas reaes cuidadosamente. E a nica coisa que eu posso pensar
 que eu queria ter sido beijada, fiz isto malditamente bvio e ele no quis. Ele no me quer.
Ele realmente no me quer. Eu realmente estraguei o caf da manh.


                    42
         -- Estou bem. -- eu respiro, achando minha voz. -- Obrigada, -- eu murmuro cheia
de humilhao. Como eu podia ter interpretado mal a situao entre ns? Eu preciso me
afastar dele.
         -- Pelo que? -- Ele franze a testa. Suas mos no saem de mim.
         -- Por me salvar. -- eu sussurro.
         -- Aquele idiota estava indo na direo errada. Eu estou contente que eu estava aqui.
Eu estremeo s de pensar no que poderia ter acontecido com voc. Voc quer vir e se sentar
no hotel um pouco? -- Ele me solta, suas mos ao seu lado e eu na sua frente me sento uma
idiota.
         Com uma sacudida, procuro clarear minha cabea. Eu s quero ir embora. Todas as
minhas esperanas inarticuladas foram esmagadas. Ele no me quer. O que eu estava
pensando? Eu brigo comigo mesma. O qu Christian Grey poderia querer comigo? Meu
subconsciente zomba de mim. Eu me abrao e me viro em direo  rua e noto com alvio que
o homenzinho verde do sinal de trnsito apareceu. Rapidamente atravesso a rua, consciente de
que Christian Grey est logo atrs de mim. Fora do hotel, eu giro brevemente para enfrent-lo,
mas no posso olhar em seus olhos.
         -- Obrigada pelo ch e por ter concordado com as fotos. -- eu murmuro.
         -- Anastsia... eu... -- Ele para e a angstia em sua voz exige minha ateno, ento
eu o olho, de m vontade. Seus olhos cinzas so como o deserto, enquanto ele corre a mo
pelo cabelo. Ele parece destrudo, frustrado e todo o seu controle evaporou.
         -- O qu, Christian? -- Eu fico irritada porque ele no fala.
         -- Nada.
         Eu s quero ir embora. Eu preciso levar meu frgil e ferido orgulho para longe e de
alguma maneira cur-lo.
         -- Boa sorte em seus exames, -- ele murmura.
         Huh? Isto  por que ele parece to desolado? Este  o seu grande fora? Desejar-me
sorte em meus exames?
         -- Obrigada. -- Eu no posso disfarar o sarcasmo em minha voz. --Adeus, Sr.
Grey. -- Eu giro nos meus saltos, fico vagamente espantada quando no tropeo, e sem dar a
ele um segundo olhar, eu desapareo em direo  garagem subterrnea.
         Uma vez na escurido do concreto frio da garagem, iluminada com sua luz
fluorescente e deserta, eu me debruo contra a parede e ponho minha cabea em minhas mos.
O que eu estava pensando? Indesejada e sem permisso sinto as lgrimas chegarem. Por que
eu estou chorando? Eu afundo no cho, brava comigo por esta reao insensata. Apoio-me
em meus joelhos e me fecho ainda mais em mim mesma. Eu desejo sumir. Talvez esta dor
absurda possa ficar menor ainda se eu sumir.
         Coloco minha cabea sobre meus joelhos e eu deixo as lgrimas irracionais carem
desenfreadas. Eu estou chorando por algo que nunca tive. Que ridculo. Lamentando por algo
que nunca...  minhas esperanas esmigalhadas, meus sonhos despedaados e minhas
expectativas frustradas.
         Eu nunca fui rejeitada. Certo...eu sempre fui a ltima a ser escolhida no basquete ou
no vlei  mas eu entendi que  correr e fazer qualquer outra coisa ao mesmo tempo, como
saltar ou lanar uma bola no  minha praia. Eu sou uma negao em qualquer campo
esportivo.

                  43
         Romanticamente, no entanto, eu nunca me expus. Uma vida inteira de inseguranas.
         Eu sou muito plida, muito fraca, muito desprezvel, sem coordenao, minha lista
longa de culpas continuam. Ento eu sempre tenho sido aquela que repelia os admiradores.
Houve aquele sujeito em minha classe de qumica que gostou de mim, mas ningum nunca
havia despertado meu interesse  ningum exceto o maldito Christian Grey. Talvez eu deva
ser mais amvel com caras como Paul Clayton e Jos Rodriguez, no entanto eu acredito que
por nenhum deles teria chorado num canto escuro.
         Talvez tudo o que eu necessite seja dar um bom grito.
         Pare! Pare Agora! - Meu subconsciente est metaforicamente gritando comigo,
braos dobrados, apoiando-se em uma perna e batendo seu p em frustrao. Entre o carro, v
para casa, v estudar. Esquea ele... Agora! E pare como toda essa porcaria de auto-piedade.
         Eu respiro bem fundo e levanto. Componha-se Steele. Eu vou para o carro de Kate,
enxugando minhas lgrimas ao mesmo tempo. Eu no irei mais pensar nele. Eu simplesmente
posso encarar este incidente como uma experincia e me concentrar nos meus exames.




          Kate est sentada na mesa de jantar, com o notebook, quando eu chego. Seu sorriso
de boas vindas some quando ela me v.
          -- Ana, o que aconteceu?
          Ai, no... A inquisio de Katerine Kavanagh. Eu sacudo minha cabea para ela,
como se dissesse -- fique fora disso -- mas eu poderia perfeitamente estar lidando com um
cego, surdo e mudo.
          -- Voc andou chorando. -- Ela tem um dom excepcional para enunciar o que 
malditamente bvio, algumas vezes. -- O que aquele bastardo fez para voc? -- ela fala por
entre os dentes, e seu rosto, Jesus! ela est apavorada.
          -- Nada, Kate. -- Este  realmente o problema. O pensamento traz um sorriso torto 
minha face.
          -- Ento, por que voc estava chorando? Voc nunca chora. -- Ela disse, sua voz se
suavizando. Ela fica parada, seus olhos verdes brilhando de preocupao. Ela coloca seus
braos ao meu redor e me abraa.
          Eu preciso dizer alguma coisa para ela me deixar em paz.
          -- Eu quase fui atropelada por uma bicicleta. -- Era o melhor que eu podia fazer e
isso a distraiu imediatamente...dele.
          -- Jesus, Ana! Voc est bem? Est machucada? -- Ela me segura na distncia dos
braos estendidos e faz uma verificao visual de mim.
          -- No, Christina me salvou. -- eu sussurro. -- Mas foi apavorante.
          -- Eu no estou surpresa. Como foi o caf da manh? Eu sei que voc odeia caf.
          -- Eu tomei ch. Foi legal, nada de mais para contar. Eu no sei por que ele me
convidou.
          -- Ele gosta de voc Ana. -- Ela abaixou seus braos.
          -- No mais. Eu no irei mais v-lo. -- Sim, eu consigo lidar com isso.
          -- Ah ?

                 44
           Droga. Ela ficou curiosa. Eu vou para a cozinha para que ela no consiga ver meu
rosto.
           -- Sim... Ele est fora do meu nvel Kate. -- Eu digo to secamente quanto eu
consigo.
          -- O que voc quer dizer com isso?
          -- Ora, Kate,  bvio. -- Eu giro para encar-la na porta da cozinha.
          -- No para mim. -- Ela diz. -- Est bem, ele tem mais dinheiro que voc, mas at
ai, ele tem mais dinheiro que muita gente nos Estados Unidos.
          -- Kate, ele... -- Eu dou de ombros.
          -- Ana, pelo amor de Deus! Quantas vezes eu vou ter de te dizer? Voc  realmente
linda! -- ela me interrompe. Ah no! Esse discurso de novo no!
          -- Kate, por favor. Eu preciso estudar. -- Eu a corto. Ela franze a testa.
          -- Voc quer ler o artigo? Eu j acabei. Jos tirou fotos maravilhosas!
          Ser que eu preciso de uma lembrana visual da beleza de Christian eu  no- te-
quero Grey?
          -- Claro. -- Eu coloco um sorriso no rosto, como se fosse mgica e vou at o
notebook. E l est ele, olhando para mim em preto e branco, olhando para mim e
encontrando minhas falhas.
          -- Eu finjo ler o artigo, o tempo todo olhando para seu olhar cinzento, procurando na
foto alguma pista o porqu dele no ser o homem para mim  em suas prprias palavras. E
subitamente, fica extremamente bvio. Ele  bonito demais. Ns estamos em polos
diferentes, em mundos diferentes. Eu tenho a viso de mim mesma como carus, voando perto
demais do sol, queimando e caindo como resultado do meu desejo. As palavras dele fazem
sentido. Ele no  homem para mim.
          Foi isso o que ele quis dizer e faz com que a rejeio dele seja mais fcil de
aceitar...Quase. Mas eu posso viver com isso. Eu entendo.
          -- Est muito bom Kate. -- eu digo. -- Vou estudar. -- Eu no vou mais pensar
nele. Eu prometo para mim mesma e abrindo minhas anotaes de reviso, comeo a ler.
 apenas quando eu estou na cama, tentando dormir, que eu me permito deixar meus
pensamentos voltarem para minha estranha manh. Eu fico voltando  citao "eu no
namoro" e eu fico zangada por no ter descoberto esta informao mais cedo, quando eu
estava em seus braos mentalmente implorando com cada fibra do meu ser para que ele me
beijasse. Ele j havia dito e repetido. Eu viro de lado. Estranhamente eu me pergunto se ele
seria celibatrio. Eu fecho meus olhos e comeo a divagar. Talvez ele esteja se guardando.
"Bem, no para voc." Meu subconsciente sonolento me d um ltimo golpe e me joga na
terra dos sonhos.
          E esta noite eu sonho com olhos cinzentos, folhas cadas no leite, e eu estou em
lugares escuros, com uma luz estranha e eu no sei se estou correndo para alguma coisa ou de
alguma coisa... No est claro.
          Eu abaixo minha caneta. Acabei. Meu exame final acabou. Eu sinto o sorriso do
gato de Cheschire19 se espalhar pelo meu rosto. Provavelmente esta  a primeira vez, esta
semana, que eu sorrio.  sexta feira, e ns iremos celebrar hoje  noite, realmente celebrar.
Acho que irei ficar realmente bbada. Eu nunca fiquei bbada antes. Eu olho o pavilho
19
   O Gato de Cheshire  um gato fictcio, personagem do livro Alice no pas das maravilhas de Lewis Carrol. Ele se
caracteriza por seu sorriso pronunciado e sua capacidade de aparecer e desaparecer.
                                            45
esportivo procurando por Kate e ela ainda est escrevendo furiosamente, cinco minutos antes
de acabar.  isso, o fim da minha vida acadmica. Nunca mais eu irei sentar em fileiras de
ansiedade, isolada, como uma estudante. Por dentro estou fazendo piruetas, sabendo
perfeitamente que  o nico lugar onde posso faz-las graciosamente. Kate para de escrever e
larga a caneta. Ela procura por mim e eu vejo o seu sorriso do gato de Alice, tambm.
         Ns voltamos para casa em seu Mercedes, nos recusando a discutir a prova final.
Kate est mais preocupada com o que ir usar esta noite. E eu estou ocupada procurando pelas
chaves na minha bolsa.
          -- Ana, tem um pacote para voc!
          Kate est parada nos degraus em frente  porta, com um pacote na mo. Estranho.
Eu no fiz nenhum pedido ultimamente na Amazon.
         Kate me entrega o pacote e pega as chaves para abrir a porta da frente. Est
endereado a Senhorita Anastsia Steele. No h endereo ou nome de quem enviou. Talvez
seja da minha me ou de Ray.
         -- Provavelmente deve ser dos meus pais.
         -- Abra! -- Kate diz, excitada, enquanto se dirige at a cozinha para pegar nosso
"Champagnhe de comemorao de exames finais".
         Eu abro o pacote e dentro eu acho uma caixa dourada com trs livros semi parecidos,
recobertos com um pano antigo, cheirando a hortel e um carto branco. Escrito nele, com
uma letra cursiva e negra, est:
         "Por que voc no me avisou que havia perigo? Porque voc no me avisou? As
damas sabem contra o que devem se proteger, porque h romances que contam sobre esses
truques."20
         Eu reconheo a citao de Tess of the DUrbervilles. Eu estou pasma com a ironia de
que eu passei trs horas escrevendo sobre a novela de Thomas Hardy no meu exame final.
Talvez no haja ironia, talvez seja deliberado. Eu inspeciono os livros mais de perto, os trs
volumes. Eu abro a primeira contracapa. Escrito em uma letra antiga est:

           `London: Jack R. Osgood, McIlvaine and Co., 1891.'

          Puta merda! So as primeiras edies! Eles devem ter custado uma fortuna e eu sei,
quase que mediatamente, quem os mandou. Kate esta recostada nos meus ombros olhando os
livros. Ela pega o carto.
          -- Primeira edio. -- eu sussurro.
          -- No! -- os olhos de Kate esto abertos com descrena. -- Grey?
          Eu confirmo.
          -- No consigo pensar em mais ningum.
          -- O que significa o que est escrito no carto?
          -- Eu no fao nenhuma ideia. Eu acho que  um aviso. Honestamente ele vive me
alertando. Eu no fao ideia do por que. No  como se eu estivesse tentando derrubar a porta
dele. -- eu franzo a testa.


20
  HARDY, Thomas. Tess of the D'Urbervilles. 1891. Maiores informaes: http://rosebud-rose-
bud.blogspot.com.br/2006/09/tess-of-durbervilles.html

                     46
         -- Eu sei que voc no quer falar sobre ele, Ana, mas ele est seriamente interessado
em voc. Com ou sem avisos.
         Eu no deixei de pensar em Christian Grey na ltima semana. Est bem ... Ento seus
olhos cinzentos continuam assombrando meus sonhos e eu sei que vai levar uma eternidade
para expurgar a sensao de estar em seus braos e esquecer seu cheiro. Por que ele me
mandou isso?
         Ele me disse que eu no era para ele.
         -- Eu achei um Tess primeira edio para vender em Nova York por $14.000,00.
Mas o seu est em melhores condies. Deve ter sido mais caro. -- Kate estava consultando
seu bom amigo Google.
         -- Esta citao, Tess fala para sua me depois que Alex DUrberville a seduz.
         -- Eu sei.
         Kate fica inspirada. -- O que ele est tentando te dizer?
         -- Eu no sei e eu no me importo. Eu no posso aceitar isso dele. Eu vou mand-los
de volta com alguma citao desconcertante de alguma parte obscura do livro.
         -- A parte em que Angel Clare diz Foda-se? -- Kate pergunta com a cara mais sonsa
do mundo.
         -- Sim, esta parte. -- eu rio. Eu amo Kate, ela  leal e sempre me apoia. Eu
embrulho os livros e os deixo na mesa de jantar. Kate me d uma taa de champagne.
         -- Ao final dos exames e a uma nova vida em Seattle. -- Ela sorri.
         -- Ao fim dos exames, nossa nova vida em Seattle e aos excelentes resultados que
teremos! -- Ns brindamos e bebemos.




          O bar estava barulhento e agitado, cheio de futuros formandos prontos para ficarem
imprestveis. Jos se juntou a ns. Ele s se formar daqui a um ano, mas ele est no clima de
comemorar e nos ajuda a entrar no esprito de nossa nova liberdade pagando margaritas para
todos ns. Enquanto eu bebo a minha quinta, percebo que talvez no seja uma boa ideia
mistur-la com champagne.
          -- E agora Ana? -- Jos grita para que eu posso ouvi-lo com todo o barulho.
          -- Eu e Kate estamos nos mudando para Seattle. Os pais dela compraram um
apartamento em um condomnio fechado para ela.
          -- Dios Mio! Como a outra parte vive! Mas voc vai vir para minha exposio?
          -- Claro que sim, Jos, eu no perderia por nada do mundo! -- Eu sorrio e ele coloca
seu brao em meus ombros e me puxa para perto.
          -- Vai significar muito para mim Ana se voc estiver l. -- Ele sussurra em minha
orelha. -- Mais uma margarita?
          -- Jos Luis Rodrigues, voc est tentando me deixar bbada? Porque eu acho que
est funcionando. -- eu rio -- Eu acho melhor beber uma cerveja. Eu vou pegar uma jarra
para ns.
          -- Mais bebida Ana! -- Kate grita.

                  47
           Kate tem a constituio de um touro. Ela est com seu brao jogado em Levi, um dos
quatro estudantes ingleses que estudaram conosco e seu fotgrafo costumeiro do jornal dos
estudantes. Ele desistiu de tirar fotos da bebedeira ao seu redor. Ele tem olhos apenas para
Kate. Ela est com uma camiseta de seda, tipo babydoll, jeans justos e saltos altos, cabelos
para cima, com alguns fios descendo por seu rosto, como gavinhas, deslumbrante como
sempre. Eu, por outro lado, sou mais uma garota de usar all-star, jeans e camiseta, mas eu
estou usando a minha melhor cala jeans. Eu saio do abrao de Jos e vou para a mesa. Opa.
Sinto minha cabea rodar. Eu tenho de segurar nas costas da cadeira. Coquetis a base de
tequila no so uma boa ideia.
           Eu vou para o bar e decido que  melhor ir ao banheiro j que ainda estou de p.
"Bem pensado, Ana". Eu cambaleio para fora da multido. Claro, h uma fila, mas ao menos
est quieto e fresco no corredor. Eu pego meu celular para aliviar a espera tediosa da fila.
Humm para quem eu liguei por ltimo? Ser eu foi para Jos? Antes disso h um nmero que
eu no reconheo. Ah sim. Grey, eu acho que este  o nmero dele. Eu rio. Eu no fao ideia
de que horas so, talvez eu o acorde. Talvez ele possa me dizer por que me mandou os livros e
aquela mensagem misteriosa. Se ele deseja que eu me mantenha afastada, ele deveria me
deixar em paz. Eu contenho um soluo bbado e aperto o boto para chamar o nmero dele de
novo.
           Ele atende no segundo toque.
           -- Anastacia? -- ele parece surpreso de receber minha ligao. Bem, francamente,
eu estou surpresa por ter ligado para ele tambm. Ento meu crebro atrapalhado
registra...Como ele sabe que sou eu?
           -- Por que voc me mandou aqueles livros?  eu cuspo as palavras para ele.
           --Anastacia, voc est bem? Voc soa estranha. -- sua voz est cheia de
preocupao.
           -- No sou a estranha,  voc. -- eu o acuso. Pronto. Eu disse a ele com uma
coragem nascida do lcool.
           -- Anastacia, voc andou bebendo?
           -- O que isso te interessa?
           -- Estou curioso. Onde voc est?
           -- Em um bar.
           -- Que bar?
           -- Um bar em Portland.
           -- Como voc vai para casa?
           -- Eu dou um jeito. -- Esta conversa no est sendo como eu pensei.
           -- Em que bar voc est?
           -- Por que voc mandou os livros, Christian?
           -- Anastacia, onde voc est? Diga-me agora! -- seu tom  ditatorial, como sempre
um manaco por controle. Eu o imagino como um antigo diretor de cinema, usando calas de
equitao, segurando um antigo megafone em uma mo e um chicote na outra. A imagem me
faz rir alto.
           -- Voc  to dominante. -- eu rio.
           -- Ana, me ajude, onde, cacete, voc est?
           Christian Grey est amaldioando comigo. Eu rio de novo.

                 48
         -- Eu estou em Portland...Bem longe de Seattle.
         -- Onde em Portland?
         -- Boa noite Christian.
         -- Ana!
         Eu desligo. Ha! E ele no me respondeu sobre os livros. Eu franzo a testa. No
cumpri minha misso. Eu realmente estou bbada.  Minha cabea est girando terrivelmente
enquanto eu avano na fila. Bem, o objetivo de hoje era ficar bbada. Eu consegui. Ento
assim que   provavelmente no  uma experincia que irei repetir. A fila anda e agora  a
minha vez. Eu olho sem ver o pster atrs da porta do banheiro que enaltece as virtudes do
sexo seguro. Puta merda, eu acabei de ligar para Christian Grey? Merda. Meu telefone toca e
eu pulo. Eu grito com a surpresa.
         -- Oi. -- eu murmuro timidamente. Eu no reconheci quem era.
         -- Eu estou indo te buscar. -- ele diz e desliga. Apenas Christian Grey poderia soar
calmo e ameaador ao mesmo tempo.
         Puta merda! Eu puxo meu jeans para cima. Meu corao dispara. Vindo me buscar?
Ah no! Eu no vou vomitar....no...estou bem. Ele est apenas mexendo com a minha
cabea. Eu no disse a ele onde eu estava. Ele no pode me achar aqui. Alm disso, ele est a
horas de Seattle e eu terei ido embora h muito tempo quando ele chegar. Eu lavo minhas
mos e olho meu rosto no espelho.
         Eu estou levemente corada e ligeiramente sem foco. Hmmm....tequila.
         Eu espero no bar, pelo que parece uma eternidade pela jarra de cerveja e
eventualmente retorno para a mesa.
         -- Voc demorou. -- Kate me repreende. -- Onde voc estava?
         -- Eu estava na fila do banheiro.
         Jos e Levi estavam tendo um debate acalorado sobre o time local de baseball. Jos
parou o que estava falando para colocar cerveja para todos ns e tomei um longo gole.
         -- Kate, acho melhor eu parar um pouco e ir l fora tomar um pouco de ar.
         -- Ana, voc  muito fraca para bebida.
         -- Eu volto em cinco minutos.
         Eu abri caminho pela multido novamente. Eu estou comeando a sentir nuseas,
minha cabea gira desconfortavelmente e eu mal consigo ficar em p. Mais instvel do que de
costume. Respirando o ar frio da noite no estacionamento me faz perceber o quo bbada eu
estou.
         Minha viso foi afetada e eu estou vendo tudo dobrado, como nas reprises de Tom e
Jerry. Eu acho que vou passar mal. Porque eu me deixei ficar nesse estado?
         -- Ana! -- Jos se junta a mim. -- Voc est bem?
         -- Eu acho que eu bebi demais. -- sorrio fracamente para ele.
         -- Eu tambm. -- ele murmura e seus olhos escuros me olham intensamente. --
Voc precisa de uma mo? -- ele pergunta e se aproxima, colocando seus braos ao meu
redor.
          -- Jos, eu estou bem, pode me soltar. -- eu tento me afastar dele, debilmente.
         -- Ana, por favor... -- ele sussurra, e agora eu estou entre seus braos, sendo puxada
mais para perto..
         -- Jos, o que voc est fazendo?

                   49
          -- Ana, voc sabe que eu gosto de voc, por favor...
          Ele coloca uma de suas mos em minhas costas, me prendendo contra ele e a outra
est no meu rosto, indo para atrs da minha cabea. Puta merda...ele vai me beijar.
          -- No, Jos, pare! -- Eu o empurro, mas ele  todo msculos e fora e eu no
consigo me livrar dele. Sua mo escorreu para o meu cabelo e ele segura minha cabea em
posio.
          -- Por favor Ana, carinho -- ele sussurra contra os meus lbios. Seu hlito  suave e
doce, margaritas e cerveja. Ele gentilmente espalha beijos pelo meu queixo at minha boca.
Eu estou apavorada, bbada e completamente fora de controle. O sentimento  sufocante.
          -- Jos, no! -- eu suplico. -- Eu no quero isso! Voc  meu amigo e eu acho que
vou vomitar.
          -- Eu acredito que a dama disse no.
          Uma voz sombria soa suavemente. Puta merda! Christian Grey est aqui. Como?
Jos me larga.
          -- Grey. -- Ele responde laconicamente.
          Eu olho ansiosa para Christian. Ele olha de forma ameaadora para Jos. Ele est
furioso. Droga. Meu estmago se manifesta e eu me dobro, meu corpo no consegue mais
tolerar o lcool e eu vmito espetacularmente no cho.
          -- Ugh! Dios mio Ana! -- Jos pula para trs com nojo. Grey pega meu cabelo e o
levanta para evitar o vmito e gentilmente me leva em direo ao canteiro de flores na borda
do estacionamento. Eu noto, com uma grande gratido, que est relativamente escuro.
          -- Se voc for vomitar novamente, faa isso aqui. Eu seguro voc. -- Ele coloca um
de seus braos em meus ombros, enquanto o outro segura meu cabelo para ficar longe do meu
rosto. Eu tento desajeitadamente empurr-lo, mas eu vomito novamente... e novamente...ai!
merda!
          Por quanto tempo isso ir durar? Mesmo quando meu estmago est vazio e nada
mais acontece, arrepios horrveis descem pelo meu corpo. Eu juro silenciosamente que eu
nunca mais vou beber de novo. Isto  muito apavorante para por em palavras. Finalmente,
para.
          Minhas mos esto apoiadas nos tijolos do canteiro, mal me sustentando. Vomitar
profusamente  exaustivo. Grey tira uma de suas mos de mim e me passa um leno. Apenas
ele poderia ter um leno de linha com monograma, recentemente lavado. CTG. Eu no sabia
que ainda se podia comprar desses lenos. Vagamente eu me pergunto o que significa o T
enquanto eu limpo minha boca. Eu no consigo olhar para ele. Estou afogada na minha
vergonha, com nojo de mim mesma. Eu gostaria de ser engolida pelas azalias que esto no
canteiro e estar em qualquer lugar, menos aqui. Jos ainda est pairando na porta do bar,
olhando para ns. Eu gemo e ponho as mos na cabea. Este tem de ser o pior momento da
minha existncia. Minha cabea ainda est girando enquanto eu tento lembrar um momento
pior  e eu s consigo me lembrar da rejeio de Christian  e este tem muito mais sombras
escuras em termos de humilhao. Eu arrisco olhar para ele. Ele est olhando para mim, sua
face composta, no me deixando perceber nada. Eu me viro para olhar Jos que parece estar
bem envergonhado e, como eu, intimidado por Grey. Eu o encaro. Eu tenho poucas opes de
palavras para o meu suposto amigo, nenhuma delas que eu possa repetir na frente de Christian
Grey, presidente executivo. "Ana, quem voc est enganando? Eu simplesmente te vi

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vomitando pelo cho e nas flores. No h nada mais desagradvel em termos de educao
feminina."
         Eu vejo voc l dentro. -- Jos murmura, mas ns dois o ignoramos e ele entra no
prdio. Eu estou por minha conta com Grey. Dupla droga. O que eu devo dizer a ele?
         Desculpe-se pelo telefonema.
         Eu sinto muito. -- eu murmuro, olhando para o leno, que eu amasso furiosamente
com meus dedos. To macio.
         Pelo que voc est se desculpando Anastacia?
         Oh Droga! Ele quer seu maldito pedao de carne.
         -- Pelo telefonema, estando bbada. Ah! A lista  interminvel. -- eu murmuro,
sentindo meu rosto ficar vermelho. "Por favor, eu posso morrer agora?"
         -- Todos ns j passamos por isso, talvez no de forma to dramtica como voc. --
ele disse secamente. -- Isto  sobre conhecer seus limites, Anastacia. Eu quero dizer, eu sou a
favor de romper os limites, mas talvez isso seja muito brando. Voc tem por hbito este tipo
de comportamento?
         Minha cabea est zunindo como excesso de lcool e irritao. O que diabos isto tem
a ver com ele? Eu no o convidei para vir at aqui. Ele soa como um homem de meia idade
dando bronca em uma criana. Parte de mim deseja dizer que se eu quiser ficarei bbada todas
as noites e esta  a minha deciso e ela nada tem a ver com ele  mas eu no sou corajosa o
suficiente. No agora que eu vomitei na frente dela. Por que ele est parado ali?
           -- No. -- eu digo de forma contrita. -- eu nunca fiquei bbada antes e agora eu
desejo nunca mais ficar.
         Eu no consigo entender por que ele est aqui. Eu comeo a me sentir fraca. Ele nota
minha tontura e me segura antes que eu caia e me levanta em seus braos, me segurando perto
de seu peito como se eu fosse uma criana.
         -- Vamos l, eu te levo para casa. -- ele murmura.
         -- Eu preciso avisar Kate. -- "Minha nossa Senhora! Estou nos braos dele de
novo!"
         -- Meu irmo pode dizer a ela.
          -- O que?
         -- Meu irmo Elliot est falando com a senhorita Kavanagh.
         -- Anh? Eu no entendo.
         -- Ele estava comigo quando voc telefonou.
         -- Em Seattle?
         -- No, eu estou no Heathman.
         Ainda? Por que?
         -- Como voc me achou?
         -- Eu rastreei seu telefone Anastacia.
         Claro que sim! Mas como isso  possvel? Seria legal? Perseguidor, meu
subconsciente sussurra atravs da nuvem de tequila que ainda flutua no meu crebro, mas de
alguma maneira, como  ele, eu no me importo.
         -- Voc tem algum casaco ou bolsa?
         -- Sim, eu vim com os dois. Christian, por favor, eu preciso falar com Kate. Ela vai
ficar preocupada. -- Ele pressionou os lbios em uma linha fina, e acenou concordando.

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          -- Se voc precisa.
          Ele me coloca no cho e pegando minha mo me leva para dentro do bar. Eu me
sinto fraca, ainda bbada, embaraada, exausta, mortificada e em algum nvel absolutamente
emocionada. Ele est agarrando minha mo, tantas emoes confusas! Eu irei precisar de pelo
menos uma semana para processar isso tudo.
 barulhento, cheio e a msica tinha comeado, ento havia uma multido na pista de
dana. Kate no estava em nossa mesa e Jos desapareceu. Levi parecia perdido e largado por
sua conta.
          -- Onde est Kate? -- Eu gritei por cima do barulho. Minha cabea havia comeado
a latejar no mesmo compasso da msica.
          -- Danando. -- Ele gritou, e eu podia dizer que ele estava zangado. Ele olhava
Christian com suspeita.
          Eu luto com meu casaco preto e coloco minha bolsa pequena pela cabea e ela fica
de lado, nos meus quadris. Estou pronta para ir, assim que eu achar Kate.
          -- Ela est na pista de dana. -- Eu toco no brao de Christian, fico na ponta dos ps
e grito em seu ouvido, acariciando seu cabelo com meu nariz, sentindo seu cheiro limpo e
fresco. Ai Meu Deus! Todos esses proibidos, no familiares sentimentos que eu tentei
esconder vieram  tona e correram por meu corpo drenado. Enrubesci e em algum lugar
dentro, bem dentro de mim meus msculos estalaram deliciosamente.
          Ele revirou seus olhos para mim e pegou minha mo, levando-me para o bar. Ele foi
servido imediatamente. Nada de espera para o senhor do controle Grey. Ser que tudo vem to
facilmente assim para ele? Eu no consigo ouvir o que ele pediu. Ele me entrega um copo
grande de gua com gelo.
          -- Beba. -- Ele grita sua ordem para mim.
          As luzes se movem, se torcem e piscam para mim no mesmo ritmo da msica,
conjurando um estranho jogo de luzes e sombras por todo o bar e clientela. Elas se alternam
em verde, azul, branco e um endemoniado vermelho. Ele me olha intensamente. Eu tento
respirar.
          -- Todo ele. -- Grita.
          Ele  to arrogante. Ele passa uma mo pelos cabelos despenteados. Ele parece
frustrado, zangado. Qual  o problema? Tirando uma garota boba e bbada ligando para ele no
meio da noite, que o faz pensar que ela precisa ser resgatada. E acontece que ela realmente
acaba precisando ser resgatada de seu amigo amoroso. Ento v-la vomitar violentamente aos
seus ps. Oh Ana....ser que voc descer to baixo? Meu subconsciente est figurativamente
com as mos para cima, como um egpcio e olhando para mim atravs de culos com formato
de meia lua. Eu balano levemente, e ele coloca sua mo nos meus ombros, me firmando. Eu
fao como me foi mandado e bebo o copo inteiro de gua. Eu me sinto enjoada. Tirando o
copo de mim, ele o coloca no bar. Eu noto atravs da nvoa da bebida que ele est usando
uma blusa branca solta, jeans confortvel, all-star preto e uma jaqueta. Sua blusa est
desabotoada em cima e eu consigo ver o comeo dos pelos de seu peito. No meu estado
grogue, ele parece delicioso.
          Ele pega minha mo mais uma vez. Puta merda! Ele est me levando para a pista de
dana. Merda. Eu no dano. Ele pode sentir minha relutncia e sobre as luzes coloridas ele
parece divertido, sorrindo sardonicamente. Ele aperta e me puxa pela mo e eu estou em seus

                    52
braos novamente, ento ele comea a se mexer, me levando com ele. Cara, ele sabe danar. E
eu no consigo acreditar que eu o estou seguindo passo por passo. Talvez seja porque eu estou
bbada. Ele me segura apertado contra ele, seu corpo colado ao meu... se ele no estivesse me
segurando to apertado, eu estou certa de que eu j teria cado. No fundo da minha mente, o
mantra de minha me ressoa: nunca confie em um homem que sabe danar.
         Ele nos leva atravs da pista lotada at o outro lado, perto de Kate e Elliot, o irmo
dele. A msica  um martelar constante, alta e ardilosa, dentro e fora da minha cabea. Eu
suspiro. Kate est se movendo. Ela est danando loucamente e ela apenas faz isso quando ela
realmente gosta de algum. Realmente gosta de algum. Isso significa que amanh haver trs
de ns para o caf da manh. Kate!
         Christian se reclina e grita nos ouvidos de Elliot. Eu no consigo ouvir o que ele diz.
Elliot  alto, com ombros largos, cabelos loiros encaracolados, um sorriso aberto e olhos
brincalhes. Eu no consigo saber de que cor eles so por causa das luzes. Elliot concorda e
puxa Kate para seus braos, onde ela vai muito contente. Kate! At mesmo no meu estado
inebriado eu fico chocada. Ela acabou de conhec-lo. Ela concorda com o que quer que Elliot
tenha dito, olha para mim e acena. Christian nos impulsiona para fora da pista de dana
rapidamente.
         Mas eu no consegui falar com ela. Ser que est bem? Eu posso ver que as coisas
esto indo bem para os dois. Eu preciso ler sobre como fazer sexo seguro. No fundo da
minha mente, eu espero que ela tenha lido um dos posters do banheiro. Meus pensamentos
colidem pelo meu crebro, brigando com meu estado brio e confuso. Est to quente aqui,
to barulhento, to colorido  muito brilhante. Minha cabea comea a rodas, ai, no...e eu
consigo sentir o cho subindo para encontrar o meu rosto, quando eu caio.
          A ltima coisa de que me lembro antes de desmaiar nos braos de Christian Grey  o
sonoro epteto:
         -- Porra!




        Captulo 05

        Tudo est em silncio, as luzes esto apagadas. Estou muito cmoda e aquecida nesta
cama. Que bom... Abro meus olhos, por um momento estou tranquila e serena, desfrutando do
ambiente, que no conheo. No tenho nenhuma ideia de onde estou. O travesseiro da cama
                    53
tem a forma de um sol enorme. Parece-me estranhamente familiar. O quarto  grande e est
luxuosamente decorado em tons marrons, dourados e bege. J a vi isso antes. Onde? Meu
ofuscado crebro procura entre suas lembranas recentes. Droga! Estou no hotel, em
Heathman... em uma sute. Estive em uma parecida junto com Kate. Esta parece maior. Oh,
droga. Estou na sute de Christian Grey. Como cheguei at aqui?
         Pouco a pouco, as imagens fragmentadas da noite comeam a me torturar. A
bebedeira. -- OH, no, a bebedeira. A ligao. --OH, no, a ligao, meu vmito. -- OH,
no, eu vomitei... Jos e depois Christian. OH, no. Morro de vergonha. No recordo como
cheguei aqui. Estou vestindo uma camiseta, o suti e a calcinha. Sem as meias trs quartos e
nem o jeans. Droga.
         Observo uma mesinha do quarto. H um copo de suco de laranja e dois comprimidos.
Ibuprofeno. Sua obsesso por controle est em todos os lugares. Levanto-me da cama e tomo
os comprimidos. A verdade  que no me sinto to mal, certamente estou muito melhor do
que mereo. O suco de laranja est delicioso. Tira-me a sede e me refresca.
         Ouo uns golpes na porta. Meu corao bate to forte e minha voz quase no sai por
minha boca, mas mesmo assim, Christian abre a porta e entra.
          Ah, ele estava fazendo exerccio. Veste uma cala de moletom cinza que lhe cai
ligeiramente sobre os quadris e uma camiseta cinza de ginstica, empapada de suor, assim
como seu cabelo. Christian Grey estava suado. A ideia me parece estranha. Eu respiro
profundamente e fecho os olhos. Sinto-me como uma menina de dois anos.
         -- Bom dia, Anastsia. Como se sente?
         -- Melhor do que mereo -- eu murmuro.
         Levanto o olhar para ele. Ele larga uma bolsa grande, de uma loja de roupas, em um
div e pega ambos os extremos da toalha que tem ao redor dos ombros. Seus impenetrveis
olhos cinza me olham fixamente. No tenho nem ideia do que est pensando, como sempre.
Ele sabe esconder o que pensa e o que sente.
         -- Como cheguei at aqui? -- pergunto-lhe em voz baixa, constrangida.
         Ele senta-se num lado da cama. Est to perto de mim que poderia toc-lo, poderia
cheir-lo. Minha nossa... Suor, gel e Christian. Um coquetel embriagador, muito melhor que
as margaritas, agora sei por experincia.
          -- Depois que voc desmaiou no quis pr em perigo o tapete de pele de meu carro
te levando para a sua casa, assim te trouxe para este local. -- Respondeu-me sem se alterar.
         -- Voc me colocou na cama?
         -- Sim. -- ele respondeu-me impassvel.
         -- Voltei a vomitar? -- pergunto-lhe em voz mais baixa.
         -- No.
         -- Tirou-me a roupa? -- eu sussurro.
         -- Sim. -- Ele olha-me elevando uma sobrancelha e me ponho mais vermelha que
nunca.
         -- No fizemos...? -- Eu sussurro, com a boca seca, de vergonha, mas no posso
terminar a frase. Eu olho para as minhas mos.
         -- Anastsia, voc estava quase em coma. Necrofilia no  a minha rea. Eu gosto
que minhas mulheres estejam conscientes e sejam receptivas, -- ele me responde secamente.
         -- Sinto muito.

                54
          Seus lbios esboam um sorriso zombador.
          -- Foi uma noite muito divertida. Demorarei para esquec-la.
          Eu tambm... OH, ele estava rindo de mim, e muito... Eu no lhe pedi que viesse me
buscar. No entendo por que tenho que acabar me sentindo como a vil do filme.
          -- No tinha por que seguir meu rastro, com algum equipamento pertencente ao
James Bond, que est desenvolvendo em sua companhia, -- eu digo bruscamente.
          Ele me olha fixamente, surpreso e, se eu no me equivoco, um pouco ofendido.
          -- Em primeiro lugar, a tecnologia para localizar celulares est disponvel na
internet. Em segundo lugar, minha empresa no investe em nenhum aparelho de vigilncia,
nem os fabrica. E em terceiro lugar, se no tivesse ido te buscar, certamente voc teria
despertado na cama do fotgrafo e, se no estou esquecido, voc no estava muito
entusiasmada com os mtodos dele de te cortejar. -- Ele disse de forma mordaz.
          Mtodos de me cortejar! Levanto o olhar para Christian, que me olha fixamente com
olhos brilhantes, ofendidos. Eu tento morder meus lbios, mas no consigo reprimir a risada.
          -- De que texto medieval voc tirou isso? Parece um cavaleiro andante.
          Vejo que seu aborrecimento se vai. Seus olhos se adoam, sua expresso se torna
mais clida e em seus lbios parece esboar um sorriso.
          -- No acho, Anastsia. Um cavaleiro negro, possivelmente. -- Ele me diz com um
sorriso zombador. -- Jantou ontem?
          Seu tom  acusador. Nego com a cabea. Que grande pecado cometi agora? Ele tem a
mandbula tensa, mas seu rosto segue impassvel.
          -- Tem que comer. Por isso voc passou mal. De verdade,  a primeira norma
quando se bebe.
          Passa a mo pelo cabelo, mas agora est muito nervoso.
          -- Vai seguir brigando?
          -- Estou brigando?
          -- Acredito que sim.
          -- Tem sorte que s estou falando.
          -- O que quer dizer?
          -- Bom, se fosse minha, depois do que fez ontem, no se sentaria durante uma
semana. No jantou, embebedou-se e se ps em perigo.
          Ele fecha os olhos. Por um instante o terror se reflete em seu rosto e ele estremece.
Quando abre os olhos, me olha fixamente.
          -- No quero nem pensar no que poderia ter acontecido.
          Eu o fito com uma expresso carrancuda. O que lhe passa? Porque se importa? Se eu
fosse dele... Bem, no sou. Embora possivelmente eu gostaria de s-lo. A ideia abre caminho
entre meu aborrecimento por suas palavras arrogantes. Ruborizo-me por culpa de meu
caprichoso subconsciente, que d saltos de alegria com uma saia havaiana vermelha, s de
pensar que poderia ser dele.
          -- No teria me acontecido nada. Estava com Kate.
          -- E o fotgrafo? -- pergunta-me bruscamente.
          Mmm... Jos. Em algum momento terei que conversar com ele.
          -- Jos simplesmente passou da conta.
          Encolho meus ombros.

                   55
          -- Bem, na prxima vez que ele passar da conta, algum deveria lhe ensinar algumas
maneiras.
          --  muito partidrio da disciplina. -- digo-lhe entre dentes.
          -- OH, Anastsia, no sabe o quanto. Fecha um pouco os olhos e ri perversamente.
          Deixa-me desarmada. De repente, estou confusa e zangada, e ao mesmo tempo estou
contemplando seu precioso sorriso. Uau... Estou encantada, porque eu no estou acostumada
ao seu sorriso. Quase esqueo o que est me dizendo.
          -- Vou tomar banho. Se voc no preferir tomar banho primeiro...
          Ele inclina a cabea, ainda sorrindo. Meu corao bate acelerado e o crebro se nega
a fazer as conexes oportunas para que eu respire. Seu sorriso se faz mais amplo. Aproxima-
se de mim, inclina-se e me passa o polegar pelo rosto e pelo lbio inferior.
          -- Respire, Anastsia, -- sussurra-me. E logo se levanta e se afasta. --Em quinze
minutos traro o caf da manh. Deve estar morta de fome. Ele entra no banheiro e fecha a
porta.
          Solto o ar que estava segurando. Por que  to alucinantemente atraente? Agora
mesmo, me meteria na ducha com ele. Nunca havia sentido algo assim por algum. Ele ativou
meus hormnios. Arde-me a pele por onde ele passou seu dedo. Uma incmoda e dolorosa
sensao me faz retorcer. No entendo esta reao. Mmm... Desejo.  desejo. Assim se sente
algum quando se deseja.
          Deixo-me cair sobre os travesseiros suaves de plumas. Se fosse minha... Ai, o que
estaria disposta a fazer para ser dele?  o nico homem que conseguiu acelerar o sangue em
minhas veias. Mas tambm me pe os nervos em p.  difcil, complexo e pouco claro. De
repente, me rechaa, mais tarde, me manda livros que valem quatorze mil dlares, depois me
segue no bar como se fosse um perseguidor. E no fim de tudo, passei a noite na sute de seu
hotel e me sinto segura. Protegida.
          Preocupo lhe o suficiente para que venha me resgatar, de algo que equivocadamente
acreditou que fosse perigoso. E ainda  um cavaleiro.  um cavaleiro branco, com armadura
brilhante, resplandecente. Um heri romntico. Sir Gawain ou sir Lancelot. Saio de sua cama
e procuro freneticamente meu jeans. Abro a porta do banheiro e aparece ele, molhado e
resplandecente por causa da ducha, ainda sem se barbear, com uma toalha ao redor da cintura,
e ali estou eu... De calcinhas, olhando-o boquiaberta e me sentindo muito incmoda.
          Surpreende-lhe que eu esteja em p.
          -- Se est procurando seu jeans, mandei-o  lavanderia. -- Ele me fala com um olhar
impenetrvel. -- Estava salpicado de vmito.
          -- Ah. -- Fico vermelha. Por que diabos, tenho sempre que sentir-me to deslocada?
          -- Mandei Taylor comprar outro e umas sapatilhas esportes. Esto nessa bolsa.
          Roupa nova. Isso era realmente inesperado.
          --Bom... Vou tomar banho, -- eu murmuro. --Obrigada. -- Que outra coisa posso
dizer? Pego a bolsa e entro correndo no banheiro para me afastar da perturbadora proximidade
de Christian nu. David de Michelangelo no  nada, comparado com ele. O banheiro est
branco de vapor. Dispo-me e entro rapidamente na ducha, impaciente por sentir o jorro de
gua quente sobre meu corpo.
          Levanto a cara para a desejada corrente. Desejo Christian Grey. Desejo-o
desesperadamente.  sincero. Pela primeira vez em minha vida quero ir para cama com um

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homem. Quero sentir suas mos e sua boca em meu corpo. Ele me disse que gosta que suas
mulheres estejam conscientes. Ento certamente ele se deita com mulheres. Mas no tentou
me beijar, como Paul e Jos. No o entendo. Deseja-me? No quis me beijar na semana
passada. Pareo-lhe repulsiva? Mas estou aqui, ele me trouxe. No entendo seu jogo. O que
pensa? Dormi em sua cama a noite toda, parece-me meio doido. Tire suas concluses, Ana.
Meu subconsciente aparece com sua feia e insidiosa cara. No dou a mnima importncia. A
gua quente me relaxa. Mmm... Poderia ficar debaixo do jato, neste banheiro, para sempre.
Pego o gel, que cheira a Christian.  um aroma delicioso. Esfrego todo o meu corpo,
imaginando que  ele quem o faz, que ele esfrega este gel pelo meu corpo, pelos seios, pela
barriga e entre as coxas, com suas mos, com seus dedos longos. Minha nossa. Meu corao
dispara. E  uma sensao muito... muito prazerosa.
         Ele bate na porta e levo um susto.
         -- Chegou o caf da manh.
         -- Va... valeu, -- o susto me arrancou cruelmente de meu sonho ertico.
         Saio da ducha e pego duas toalhas. Com uma envolvo o cabelo ao estilo Carmen
Miranda, e com a outra me seco a toda pressa evitando a prazerosa sensao da toalha
esfregando minha pele hipersensvel. Abro a bolsa. Taylor me comprou no s um jeans, mas
tambm uma camisa azul cu, meias trs quartos e roupas ntimas. Minha Nossa!
         Suti e calcinha limpos... Descrev-los de maneira mundana, no lhes faz justia. So
de uma marca de lingerie europeia de luxo, com desenho delicioso. Renda e seda azul celeste.
Uau. Fico impressionada e um pouco intimidada. E, alm disso,  exatamente do meu
tamanho. Com certeza. Ruborizo-me pensando no rapaz, em uma loja de lingerie, comprando
estes objetos. Pergunto-me a que outras coisas ele se dedica em suas horas de trabalho. Visto-
me rapidamente. O resto da roupa tambm fica perfeito. Seco o cabelo com a toalha e tento
desesperadamente control-lo, mas, como sempre, nega-se a colaborar. Minha nica opo 
fazer um acrscimo, mas no tenho secador de cabelo. Devo ter algo na bolsa, mas onde est?
Respiro fundo. Chegou o momento de enfrentar o senhor Perturbador. Alivia-me encontrar o
quarto vazio. Procuro rapidamente minha bolsa, mas no est por aqui. Volto a respirar fundo
e vou  sala de estar da sute.  enorme. H uma luxuosa zona para sentar-se, cheia de sofs e
grandes almofadas, uma sofisticada mesinha com uma pilha grande de livros ilustrados, uma
zona de estudo com o ltimo modelo de computador e uma enorme televiso de plasma na
parede. Christian est sentado  mesa de jantar, no outro extremo da sala, lendo o jornal. A
sala  mais ou menos do tamanho de uma quadra de tnis. No que eu jogue tnis, mas fui ver
Kate jogar, vrias vezes. Kate!
         -- Merda, Kate! -- digo com voz rouca.
         Christian eleva os olhos para mim.
         -- Ela sabe que est aqui e que est viva. Mandei uma mensagem pelo Eliot. -- Ele
diz com certa ironia.
         OH, no. Recordo de sua ardente dana ontem, tirando proveito de todos os seus
movimentos, exclusivamente, para seduzir o irmo de Christian Grey, nada menos. O que vai
pensar sobre eu estar aqui? Nunca passei uma noite fora de casa. Est ainda com o Eliot. Ela
s fez algo assim duas vezes, e nas duas vezes, foi meio doido para mim aguentar o espantoso
pijama cor de rosa durante uma semana, quando terminaram. Ela vai pensar que eu tambm
me enrolei com Christian.

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         Christian me olha impaciente. Veste uma camisa branca de linho, com o peito e os
punhos desabotoados.
         -- Sente-se. -- ordena, assinalando para a mesa.
         Cruzo a sala e me sento na frente dele, como me indicou. A mesa est cheia de
comida.
         -- No sabia do que voc gosta, assim pedi um pouco de tudo.
         Dedica-me um meio sorriso, como desculpa.
         --  um esbanjador, -- murmuro atrapalhada pela quantidade de pratos, embora
tenha fome.
         -- Eu sou, -- diz em tom culpado.
         Opto por panquecas, xarope de arce, ovos mexidos e bacon. Christian tenta ocultar
um sorriso, enquanto volta o olhar a sua panqueca. A comida est deliciosa.
         -- Ch? -- ele pergunta-me.
         -- Sim, por favor.
         Estende um pequeno bule cheio de gua quente, na xcara h uma saquinho do
Twinings English Breakfast. Ele lembrou-se do ch que eu gosto.
         --Tem o cabelo muito molhado.
         -- No encontrei o secador, -- sussurro incmoda. No o procurei.
         Christian aperta os lbios, mas no diz nada.
         -- Obrigada pela roupa.
         --  um prazer, Anastsia. Esta cor te cai muito bem.
         Ruborizo-me e olho fixamente para meus dedos.
         -- Sabe? Deveria aprender a receber galanteios, -- ele me diz em tom fustigante.
         -- Deveria te dar um pouco de dinheiro pela roupa.
         Ele me olha como se estivesse ofendendo-o. Sigo falando.
         -- J me deste os livros, que no posso aceitar,  obvio. Mas a roupa... Por favor, me
deixe que lhe pague isso, -- digo tentando convenc-lo com um sorriso.
         -- Anastsia, eu posso fazer isso, acredite.
         -- No se trata disso. Por que teria que comprar esta roupa?
         -- Porque posso.
         Seus olhos despedem um sorriso malicioso.
         -- O fato de que possa no implica que deva, -- respondo tranquilamente.
         Ele me olha elevando uma sobrancelha, com olhos brilhantes, e de repente me d a
sensao de que estamos falando de outra coisa, mas no sei do que. E isso me recorda...
         -- Por que me mandou os livros, Christian? -- pergunto-lhe em tom suave.
         Deixa os talheres e me olha fixamente, com uma insondvel emoo ardendo em
seus olhos. Maldito seja... Ele me seca a boca.
           -- Bom, quando o ciclista quase te atropelou... e eu te segurava em meus braos e
me olhava me dizendo: "me beije, me beije, Christian"... Ele encolhe os ombros. -- Bom,
acreditei que te devia uma desculpa e uma advertncia. -- passou uma mo pelo cabelo. --
Anastsia, eu no sou um homem de flores e coraes. No me interessam as histrias de
amor. Meus gostos so muito peculiares. Deveria te manter afastada de mim. -- Fecha os
olhos, como se negasse a aceit-lo. -- Mas h algo em ti que me impede de me afastar.
Suponho que j o tinha imaginado.

                   58
          De repente, j no sinto fome. No pode afastar-se de mim!
          -- Pois no te afaste -- eu sussurro.
          Ele ficou boquiaberto e com os olhos nos pratos.
          -- No sabe o que diz.
          -- Pois me explique isso.
          Olhamo-nos fixamente. Nenhum dos dois toca na comida.
          -- Ento, sei que sai com mulheres... -- digo-lhe.
          Seus olhos brilham divertidos.
          -- Sim, Anastsia, saio com mulheres. -- Ele faz uma pausa para que assimile a
informao e de novo me ruborizo. Tornou-se a romper o filtro que separa meu crebro da
boca. No posso acreditar que disse algo assim em voz alta.
          -- Que planos tem para os prximos dias? -- Ele me pergunta em tom suave.
          -- Hoje trabalho, a partir do meio-dia. Que horas so? -- exclamo assustada.
          -- Pouco mais de dez horas. Tem tempo de sobra. E amanh? Colocou os cotovelos
sobre a mesa e apoiou o queixo em seus compridos e finos dedos.
          -- Kate e eu vamos comear a empacotar. Mudamos para Seattle no prximo fim de
semana, e eu trabalho no Clayton's toda esta semana.
          -- J tm casa em Seattle?
          -- Sim.
          -- Onde?
          -- No recordo o endereo. No distrito de Pike Market.
          -- No  longe de minha casa, -- diz sorrindo. -- E no que vais trabalhar em
Seattle?
          Onde quer chegar com todas estas perguntas? O santo inquisidor Christian Grey 
quase to pesado como a Santa inquisidora Katherine Kavanagh.
          -- Mandei meu curriculum para vrios lugares para fazer estgio. Ainda espero
resposta.
          -- E a minha empresa, como te comentei?
          Ruborizo-me... Claro que no.
          -- Bom... no.
          -- O que tem de ruim com minha empresa?
          -- Sua empresa ou sua "companhia"? -- pergunto-lhe com uma risada maliciosa.
          -- Est rindo de mim, senhorita Steele?
          Inclina a cabea e acredito que parece divertido, mas  difcil sab-lo. Ruborizo e
desvio meu olhar para meu caf da manh. No posso olh-lo nos olhos quando fala nesse
tom.
          -- Eu gostaria de morder esse lbio -- sussurra perturbadoramente
          No estou consciente de que estou mordendo meu lbio inferior. Depois de um leve
susto, fico boquiaberta.  a coisa mais sexy que me disse. Meu corao pulsa a toda
velocidade e acredito que estou ofegando. Meu Deus! Estou tremendo, totalmente perdida e
meio doida. Mexo-me na cadeira e procuro seu impenetrvel olhar.
          -- Por que no o faz? -- o desafio em voz baixa.
          -- Porque no vou te tocar, Anastsia... no at que tenha seu consentimento por
escrito -- diz-me esboando um ligeiro sorriso.

                 59
         O qu?
         -- O que quer dizer?
         -- Exatamente o que falei. -- Sussurra e move a cabea divertido, mas tambm
impaciente.
         -- Tenho que lhe mostrar isso Anastsia. A que hora sai do trabalho esta tarde?
         -- s oito.
         -- Bem, poderamos ir jantar na minha casa em Seattle, esta noite ou no sbado que
vem, onde lhe explicaria isso. Voc decide.
         -- Por que no me pode dizer isso agora?
         -- Porque estou desfrutando o meu caf da manh e de sua companhia. Quando voc
souber, certamente no querer voltar a me ver.
         -- O que significa tudo isto? Trafica com meninos de algum recndido fundo do
mundo para prostitu-los? Faz parte de alguma perigosa gangue mafiosa?
         Isso explicaria por que  to rico.  profundamente religioso?  impotente? Seguro
que no... poderia me demonstrar isso agora mesmo. Incomodo-me pensando em todas as
possibilidades. Isto no leva a nenhuma parte. Eu gostaria de resolver o enigma de Christian
Grey, o quanto antes. Se isso implicar que seu segredo  to grave que no vou querer voltar
ou ter nada com ele, ento, a verdade ser um alvio. No te engane!, grita o meu
subconsciente. Ter que ser algo muito mau para que saia correndo.
         -- Esta noite.
         -- Esta noite.
         Levanta uma sobrancelha.
         -- Como Eva, quer provar quanto antes o fruto da rvore da cincia.
         Solta uma risada maliciosa.
         -- Est rindo de mim, senhor Grey? -- pergunto-lhe em tom suave.
         Olha-me apertando os olhos e saca seu BlackBerry. Tecla um nmero.
         -- Taylor, vou necessitar do Charlie Tango.
         Charlie Tango! Quem  esse?
         -- Desde Portland. A... digamos s oito e meia... No, fica na escala... Toda a noite.
         Toda a noite!
         -- Sim. At amanh pela manh. Pilotarei de Portland a Seattle.
         Pilotar?
         -- Piloto disponvel s dez e meia.
         Deixa o telefone na mesa. Nem por favor, nem obrigado.
         -- As pessoas sempre fazem o que lhes manda?
         -- Eles devem faz-lo, se no quiserem perder seu trabalho, -- ele responde-me
inexpressivo.
         -- E se no trabalharem para ti?
         -- Bom, posso ser muito convincente, Anastsia. Deveria terminar o caf da manh.
Logo a levarei para casa. Passarei para te buscar pelo Clayton's as oito, quando sair.
Voaremos  Seattle.
         -- Voaremos?
         -- Sim. Tenho um helicptero.


                   60
         Olho para ele boquiaberta. Segunda entrevista com o misterioso Christian Grey. De
um caf a um passeio em helicptero. Uau.
         -- Iremos a Seattle de helicptero?
         -- Sim.
         -- Por qu?
         Ele sorri perversamente.
         -- Porque posso. Termine o caf da manh.
         Como vou comer agora? Vou a Seattle de helicptero com Christian Grey. E quer me
morder o lbio... Estremeo s de pensar.
         -- Coma, -- ele diz bruscamente. -- Anastsia, no suporto jogar comida fora...
Coma.
         -- No posso comer tudo isto, -- digo olhando o que ficou na mesa.
         -- Coma o que h em seu prato. Se ontem tivesse comido como devido, no estaria
aqui e eu no teria que mostrar minhas cartas to cedo.
         Aperta os lbios. Parece zangado.
         Franzo o cenho e miro a comida que h em meu prato, j fria. Estou muito nervosa
para comer, Christian. Voc no entende? Explica meu subconsciente. Mas sou muito covarde
para diz-lo em voz alta, sobretudo, quando parece to spero. Mmm... como um menino
pequeno. A ideia me parece divertida.
         -- O que parece to engraado? -- pergunta-me.
         Como no me atrevo a dizer-lhe, no levanto os olhos do prato. Enquanto eu como a
ltima parte da panqueca, elevo o olhar. Observa-me com olhos escrutinadores.
         -- Boa garota. Levar-te-ei para casa assim que tenha secado o cabelo. No quero que
fique doente.
         Suas palavras tm um pouco de promessa implcita. O que quer dizer? Levanto-me
da mesa. Por um segundo me pergunto se deveria lhe pedir permisso, mas descarto a ideia.
Parece-me que abriria um precedente perigoso. Dirijo-me a seu quarto, mas uma ideia me
detm.
         -- Onde dormiu?
         Viro-me para olh-lo. Est ainda sentado  mesa de jantar. No vejo mantas nem
lenis pela sala. Possivelmente j os tenha recolhido.
         -- Em minha cama, -- responde-me, de novo, com olhar impassvel.
         -- OH.
         --Sim, para mim tambm foi uma novidade, -- Ele diz sorrindo. --Dormir com uma
mulher... sem sexo.
         -- Sim, "sexo", -- digo e ruborizo,  obvio.
         --No, -- responde-me movendo a cabea e franzindo o cenho, como se acabasse de
recordar algo desagradvel. -- Sinceramente, s dormir com uma mulher.
         Agarra o jornal e segue lendo.
         Que significa isso? Alguma vez dormiu com uma mulher?  virgem? Duvido, de
verdade. Fico olhando-o sem acreditar nisso.  a pessoa mais enigmtica que j conheci. Dei-
me conta de que dormi com Christian Grey. Quanto teria dado para estar consciente e v-lo
dormir? V-lo vulnervel. Custa-me imagin-lo. Bom, supe-se que o descobrirei esta mesma
noite.

                61
            J no quarto, procuro em uma cmoda e encontro o secador. Seco o cabelo como
posso, lhe dando forma com os dedos. Quando terminei, vou ao banheiro. Quero escovar os
dentes. Vejo a escova de Christian. Seria como colocar ele na boca. Mmm... Olho
rapidamente para a porta do banheiro... me sentindo culpada. Est mida. Deve t-la
utilizado. Agarro-a a toda pressa, coloco pasta de dente e me escovo rapidamente. Sinto-me
como uma garota m. Resulta muito emocionante.
           Recolho a camiseta, o suti e a calcinha de ontem, meto-os na bolsa que me trouxe
Taylor e volto para a sala de estar a procurar da bolsa e da jaqueta. Para minha grande alegria,
tenho um elstico de cabelo na bolsa. Christian me observa com expresso impenetrvel
enquanto me arrumo. Noto como seus olhos me seguem enquanto me espera que eu termine.
Est falando com algum no seu celular.
           -- Querem dois...? Quanto vai custar...? Bem, e que medidas de segurana temos
ali...? Ir pelo Suez...? Ben Suam  seguro...? E quando a Darfur...? De acordo, adiante.
Mantenha-me informado de como vo s coisas.
           -- Est pronta? -- ele pergunta-me.
           Confirmo. Pergunto-me sobre o que era a conversa. Pega uma jaqueta azul marinho,
agarra as chaves do carro e se dirige  porta.
           -- Voc primeiro, senhorita Steele, -- murmura me abrindo a porta.
           Tem um aspecto elegante, embora informal.
           Fico olhando-o por um segundo mais. E pensando que dormi com ele esta noite, e
que, fora s tequilas e o vmito, continua aqui. No s isso, mas alm disso quer me levar a
Seattle. Por que a mim? No o entendo. Cruzo a porta recordando suas palavras: "H algo em
ti...". Bom, o sentimento  mtuo, senhor Grey, e quero descobrir qual  seu segredo.
           Percorremos o caminho em silencio at o elevador. Enquanto esperamos, levanto um
instante  cabea para ele, que est me olhando. Sorrio e ele franze os lbios.
           Chega o elevador e entramos. Estamos sozinhos. De repente, por alguma
inexplicvel razo, provavelmente por estar to perto em um lugar to reduzido, a atmosfera
entre ns muda e se carrega de eltrica e excitante antecipao. Acelera-me a respirao e o
corao dispara. Ele olha um pouco para mim, com olhos totalmente impenetrveis. Olha-me
o lbio.
           -- Merda a papelada. Encosta-se em mim e me empurra contra a parede do elevador.
Antes que me d conta, me sujeita os dois pulsos com uma mo, levanta-os acima da minha
cabea e me imobiliza contra a parede com os quadris. Minha me. Com a outra mo me
agarra pelo cabelo, puxa-o para baixo para me levantar o rosto e cola seus lbios aos meus.
Quase me faz mal. Gemo o que lhe permite aproveitar a ocasio para colocar a lngua e me
percorrer a boca com perita percia. Nunca me beijaram assim. Minha lngua acaricia
timidamente a sua e se une a uma lenta e ertica dana de sensaes, de sacudidas e
empurradas. Levanta a mo e me agarra a mandbula para que no me mova. Estou indefesa,
com as mos unidas acima da cabea, o rosto preso e seus quadris me imobilizando.
           Sinto sua ereo contra meu ventre. Meu deus... Deseja-me. Christian Grey, o deus
grego, deseja-me, e eu o desejo, aqui... Agora, no elevador.
           -- ... to... doce, -- ele murmura entrecortadamente.
           O elevador se detm, abre-se a porta, e em um abrir e fechar de olhos me solta e se
separa de mim. Trs homens trajados de ternos nos olham e entram sorridentes. Pulsa-me o

                    62
corao a toda pressa. Sinto-me como se tivesse subido correndo por um grande morro. Quero
me inclinar e me sujeitar s risadas, mas seria muito bvio.
         Eu o olho. Parece absolutamente tranquilo, como se tivesse estado fazendo palavras
cruzadas do Seattle Time. Que injusto. No o afeta o mnimo a minha presena? Olha-me de
esguelha e deixa escapar um ligeiro suspiro. Valeu, afeta-o, e a pequena deusa que levo dentro
de mim, sacode os quadris e dana um SAMBA para celebrar a vitria. Os homens de
negcios descem no primeiro andar.
         -- Voc escovou os dentes -- ele fala me olhando fixamente.
         -- Usei sua escova.
         Seus lbios esboam um meio sorriso.
         -- Ai, Anastsia Steele, o que vou fazer contigo?
         As portas se abrem no vestbulo, agarra-me a mo e sai comigo.
         -- O que tero os elevadores? -- ele murmura para si mesmo, cruzando o vestbulo
em grandes pernadas. Luto por manter seu passo, porque todo meu raciocnio ficou
esparramado pelo cho e as paredes do elevador nmero 3 do hotel Heathman.




                  63
        Captulo 06


         Christian abriu a porta do passageiro do seu Audi SUV preto, e eu subi.  um carro
legal. Ele no mencionou a exploso de paixo que eclodiu no elevador. Devo fazer isso?
Deveramos falar sobre o assunto ou fingir que no aconteceu? No pareceu real, meu
adequado primeiro beijo sem restrio. Com o passar do tempo, atribu-o um carter mtico
como a lenda do rei Artur ou a Cidade Perdida de Atlantis. Nunca aconteceu, nunca existiu.
Talvez eu tenha imaginado tudo. No.
         Eu toquei meus lbios, estavam inchados de seu beijo. Definitivamente, aconteceu.
Sou uma mulher mudada. Eu quero este homem, desesperadamente, e ele me quer.
         Olho-o. Christian est como de costume: correto, educado e um pouco distante.
         To confuso.
         Ele liga o motor e abandona sua vaga no estacionamento. Liga o leitor de MP3. O
interior do carro foi preenchido pela mais doce e mais mgica msica que duas mulheres
cantavam. Uau... todos os meus sentidos esto em desordem, por isso estou duplamente
afetada. Enviou arrepios deliciosos a minha coluna vertebral. Christian se dirigiu para SW
Park Avenue, e guiou com uma fcil e preguiosa confiana.
         -- O que estamos ouvindo?
         --  o Dueto das Flores de Delibes, da pera Lakm. Voc gostou?
         -- Christian,  maravilhoso.
         -- , no ?
         Ele sorriu enquanto olhava para mim. E por um momento aparentou sua idade,
jovem, despreocupado e bonito at perder o sentido.  esta a chave para chegar a ele? A
msica? Sento-me e ouo as vozes anglicas, sussurrantes e sedutoras.
         -- Pode voltar a toc-la?
         -- Claro.
         Christian apertou um boto, e a msica voltou a me acariciar. Invadiu meus sentidos
de forma lenta, suave e doce.
         -- Voc gosta de msica clssica? -- Perguntei-lhe tentando descobrir algo de suas
preferncias pessoais.
         -- Meu gosto  ecltico, Anastsia. De Thomas Talis a Kings of Leon. Depende de
meu estado de nimo. E o seu?
         -- O meu tambm. Embora no conhea o Thomas Talis.
         Voltou-se em minha direo, me olhou um instante e voltou a fixar os olhos na
estrada.
         -- Algum dia te mostrarei algo dele.  um compositor britnico do sculo XVI.
Msica coral eclesistica da poca dos Tudor. --Ele sorriu-me. --Parece muito esotrico, eu
sei, mas  mgico, Anastsia.



                64
          Pressionou um boto e comeou a soar os Kings of Leon. Este eu conheo. "Sex on
Fire." Muito oportuno. Repentinamente, o som de um celular interrompeu a msica. Christian
apertou um boto do volante.
          -- Grey. -- Respondeu bruscamente.
          -- Sr.Grey, sou Welch. Tenho a informao que pediu.
          Uma voz spera e imaterial chegou atravs dos alto-falantes.
          -- Bom. Mande-me por e-mail. Algo mais?
          -- Nada mais, senhor.
          Apertou o boto, a chamada encerrou e voltou a tocar a msica. Nem adeus, nem
obrigado. Estou to feliz que eu nunca seriamente considerei trabalhar para ele.
          Estremeo sozinha s de pensar.  muito controlador e frio com seus empregados. O
telefone voltou a interromper a msica.
          -- Grey.
          -- Mandou-lhe por e-mail uma informao confidencial, Sr. Grey.
          Era uma voz de mulher.
          -- Bom. Isso  tudo, Andrea.
          -- Tenha um bom dia, senhor.
          Christian desligou ao pressionar um boto do volante. Logo que a msica
recomeou, o telefone voltou a tocar. Nisto consistia sua vida, em constantes telefonemas
irritantes?
           -- Grey. -- Disse bruscamente.
           -- Ol, Christian. Relaxou?
           -- Ol, Eliot... Estou no viva voz e no estou sozinho no carro.
          Christian suspirou.
          -- Quem est contigo?
          Christian balanou a cabea.
          -- Anastsia Steele.
          -- Ol, Ana!
          -- Ana!
          -- Ol, Eliot.
          -- Falaram-me muito de ti. -- Eliot Murmurou com voz rouca.
          Christian franziu o cenho.
          -- No acredite em uma palavra do que Kate te contou. -- Ana disse.
          Eliot riu.
          -- Estou levando Anastsia para casa. -- Christian disse usando meu nome
completo. -- Quer que te apanhe?
          -- Claro.
          -- Vejo voc mais tarde.
          Christian desligou o telefone e a msica voltou a tocar.
          -- Por que voc insiste em chamar-me Anastsia?
          -- Porque  seu nome.
          -- Prefiro Ana.
          -- De verdade?
          Quase chegamos a minha casa. No demoramos muito.

               65
          -- Anastsia... -- Disse-me pensativo.
          Olhei-o com uma expresso m, mas ele no se importou.
          -- O que aconteceu no elevador... no voltar a acontecer. Bom, a menos que seja
premeditado. -- Ele disse.
          Parou o carro em frente a minha casa. Dei-me conta, de repente, que no me
perguntou onde eu vivia. J sabia. Claro que sabia onde vivo, pois me enviou os livros. Como
no o faria um caador, com um rastreador de celular e proprietrio de um helicptero?
          Por que no vai voltar a me beijar? Fao um gesto de desgosto ao pensar nisso. No
o entendo. Honestamente, seu sobrenome deveria ser Enigmtico, no Grey. Ele saiu do carro,
andando com facilidade, suas pernas longas deram a volta com graa ao redor do carro para o
meu lado a fim de abrir a porta. Sempre  um perfeito cavalheiro, exceto, possivelmente, em
estranhos e preciosos momentos nos elevadores. Ruborizei-me e o pensamento que eu tinha
sido incapaz de tocar adentrou na minha mente. Queria deslizar meus dedos por seu cabelo
alvoroado, mas no podia mover as mos. Senti-me frustrada ao lembrar.
          -- Gostei do que aconteceu no elevador. -- Murmurei ao sair do carro.
          No estou segura se ouvi um ofegar afogado, mas escolhi fazer caso omisso e subi os
degraus da entrada.
          Kate e Eliot estavam sentados  mesa. Os livros de quatorze mil dlares no estavam
ali, felizmente. Tenho planos para eles. Kate mostrou um sorriso ridculo e pouco habitual, e
sua juba despenteada lhe dava um ar muito sexy. Christian me seguiu at a sala de estar, e
embora Kate sorrisse com uma expresso de ter passado uma grande noite, o olhou com
desconfiana.
          -- Ol, Ana.
          Levantou-se para me abraar e no momento que me separou um pouco, me olhou de
cima a baixo. Franziu o cenho e se voltou para Christian.
          -- Bom dia, Christian! -- Disse-lhe em tom ligeiramente hostil.
          -- Senhorita Kavanagh -- Respondeu em seu endurecido tom formal.
          -- Christian, seu nome  Kate, -- Eliot resmungou.
          -- Kate.
          Christian assentiu com educao e encarou Eliot, que riu e se levantou para tambm
me abraar.
          -- Ol, Ana.
          Sorri e seus olhos azuis brilharam. Fiquei bem imediatamente.  bvio que no tinha
nada a ver com Christian, mas, claro, so irmos adotivos.
          -- Ol, Eliot.
          Sorri para ele e me dei conta de que mordia meus lbios.
          -- Eliot, temos que ir. -- Christian disse em tom suave.
          -- Claro.
          Virou-se para Kate, abraou-a e lhe deu um interminvel beijo.
          Jesus... Arrumem um quarto! Olhei para meus ps, incmoda. Levantei a viso para
Christian, que me olhava fixamente. Sustentei-lhe o olhar. Por que no me beija assim? Eliot
continuou beijando Kate, empurrou-a para trs e a fez dobrar-se de forma to teatral que o
cabelo dela quase toca o cho.
          -- At mais, querida! -- Disse-lhe sorridente.

                 66
          Kate se derreteu. Nunca antes a tinha visto derretendo-se assim. Veio-me  cabea as
palavras "formosa" e "complacente". Kate, complacente. Eliot deve ser muito bom. Christian
revirou os olhos e me olhou com expresso impenetrvel, embora possivelmente a situao o
divertisse um pouco. Apanhou uma mecha de meu cabelo que escapou do meu rabo de cavalo
e o ps atrs da orelha. Minha respirao entrecortou e ele inclinou minha cabea com seus
dedos. Seus olhos se suavizaram e passou o polegar por meu lbio inferior. O sangue queimou
atravs das minhas veias. E imediatamente retirou a mo.
          -- At mais, querida. -- Murmurou.
          No pude evitar rir, porque a frase no combinava com ele. Mas embora saiba que
est esquivando-se, aquelas palavras ficaram cravadas dentro de mim.
          -- Passarei para te buscar as oito.
          Deu meia volta, abriu a porta da frente e saiu para a varanda. Eliot o seguiu at o
carro, mas se voltou e lanou outro beijo para Kate. Senti uma inesperada pontada de cimes.
          -- E ento? -- Kate perguntou-me com evidente curiosidade enquanto os
observamos subir no carro e afastar-se.
          -- Nada. -- Respondi bruscamente, com a esperana de que isso a impedisse de
continuar com as perguntas.
          Entramos em casa.
          -- Mas  evidente que sim! -- Disse-me.
          No posso dissimular a inveja. Kate sempre consegue enredar os homens. 
irresistvel, bonita, sexy, divertida, atrevida... Justamente o contrrio de mim. Mas o sorriso
com o qual me respondeu  contagioso.
          -- Vou v-lo novamente esta noite.
          Aplaudiu e pulou como uma menina pequena. No pode reprimir seu entusiasmo e
sua alegria, e eu no pude evitar me alegrar. Era interessante ver Kate contente.
          -- Esta noite Christian vai levar-me a Seattle.
          -- A Seattle?
          -- Sim.
          -- E possivelmente ali...?
          -- Assim espero.
          -- Ento voc gosta dele, no ?
          -- Sim.
          -- Voc gosta o suficiente para...?
          -- Sim.
          Ergueu as sobrancelhas.
          -- Uau. Por fim Ana Steele se apaixona por um homem, e  Christian Grey, o bonito
e sexy multimilionrio.
          -- Claro, claro,  apenas pelo dinheiro.
          Sorri afetadamente at que ao final tivemos ambas, um ataque de riso.
          -- Essa blusa  nova? -- Perguntou-me.
          Deixei que ela soubesse todos os detalhes desinteressantes sobre a minha noite.
          -- J te beijou? --Perguntou-me enquanto preparava um caf.
          Ruborizei-me.
           -- Uma vez.

                   67
          -- Uma vez! -- Exclamou.
         Assenti bastante envergonhada.
         --  muito reservado.
         Kate franziu o cenho.
         -- Que estranho.
         -- No acredito, na verdade, que a palavra seja "estranho".
         -- Temos que nos assegurar de que esta noite esteja irresistvel. --Disse-me muito
decidida.
         OH, no... J vejo que vai ser um tempo perdido, humilhante e doloroso.
         -- Tenho que estar no trabalho em uma hora.
         -- Pode trabalhar nesse tempo. Vamos.
         Kate segurou em minha da mo e me levou para casa.
         Embora houvesse muito trabalho no Clayton's, as horas passaram-se lentamente.
Como estamos em plena temporada do vero, tenho que passar duas horas repondo as estantes
depois de ter fechado a loja.  um trabalho mecnico que me deixava tempo para pensar. A
verdade  que em todo o dia no pude faz-lo.
         Seguindo os conselhos incansveis e francamente impertinentes de Kate, depilei
minhas pernas, axilas e sobrancelhas, assim fiquei com a pele toda irritada. Era uma
experincia muito desagradvel, mas Kate me assegurou que era o que os homens esperavam
nestas circunstncias. Que mais esperar Christian? Tenho que convencer Kate de que quero
faz-lo. Por alguma estranha razo, ela no confiava nele, possivelmente porque fosse to
tenso e formal. Avisei-a que no saberia dizer como, mas prometi que lhe enviaria uma
mensagem assim que chegasse a Seattle. No falei nada sobre o helicptero para que no
enlouquecesse.
         Tambm havia a questo sobre Jos. Havia trs mensagens e sete chamadas perdidas
suas no meu celular. Tambm ligou para casa, duas vezes. Kate tem sido muito vaga a
respeito de onde eu estou. Ele vai saber que ela me encobre. Kate sempre era muito franca.
Mas decidi deix-lo sofrer um pouco. Ainda estou zangada com ele.
         Christian comentou algo sobre uns papis, e no sei se estava de brincadeira ou se ia
ter que assinar algo. Desesperei-me por ter que andar conjecturando todo o tempo. E para o
cmulo das desgraas, estou muito nervosa. Hoje  o grande dia. Estou preparada por fim?
Minha deusa interior me observava golpeando impaciente o cho com um p. Faz anos que
est preparada, e est preparada para algo com algum como Christian Grey, embora ainda
no entenda o que v em mim... a pacata Ana Steele... No fazia sentido.
         Era pontual,  obvio, e quando sa do Clayton's j me esperava, apoiado na parte de
trs do carro. Abriu a porta para mim e sorriu cordialmente.
         -- Boa tarde, senhorita Steele. -- Disse-me.
         -- Sr. Grey.
         Inclinei a cabea educadamente e entrei no assento traseiro do carro. Taylor estava
sentado ao volante.
         -- Ol, Taylor, -- Disse-lhe.
         -- Boa tarde, Srta. Steele. -- Respondeu-me em tom educado e profissional.
         Christian entrou pela outra porta e brandamente me apertou a mo. Um calafrio
percorreu todo meu corpo.

                  68
         -- Como foi o trabalho? -- Perguntou-me.
         -- Interminvel. -- Respondi-lhe com voz rouca, muito baixa e cheia de desejo.
         -- Sim, o meu tambm, pareceu muito longo.
         --O que tem feito? -- Consegui perguntar.
         -- Andei com Eliot.
         Seu polegar acariciava meus dedos por trs. Meu corao deixou de bater e minha
respirao se acelerou. Como  possvel que me afete tanto? Apenas tocou uma pequena parte
de meu corpo, e meus hormnios dispararam.
         O heliporto estava perto, assim, antes que me desse conta, j havamos chegado.
Perguntei-me onde estaria o lendrio helicptero. Estamos em uma zona da cidade repleta de
edifcios, e at eu sei que os helicpteros necessitam espao para decolar e aterrissar. Taylor
estacionou, saiu e abriu minha porta. Em um momento, Christian estava ao meu lado e pegou
minha mo novamente.
         -- Preparada? -- Perguntou-me.
         Assenti. Queria lhe dizer: "Para tudo", mas estava muito nervosa para articular
qualquer palavra.
         -- Taylor.
         Fiz um gesto para o chofer, entramos no edifcio e nos dirigimos para os elevadores.
Um elevador! A lembrana do beijo daquela manh voltou a me obcecar.
         No pensei em nada mais por todo o dia. Mesmo no Clayton's no podia tirar tudo da
cabea. O Sr. Clayton precisou gritar comigo duas vezes para que voltasse para a Terra. Dizer
que estive distrada era pouco. Christian me olhou com um ligeiro sorriso nos lbios. Ah! Ele
tambm estava pensando no mesmo.
         -- So apenas trs andares. -- disse-me com olhos divertidos.
         Tenho certeza que tem telepatia.  horripilante.
         Pretendi manter o rosto impassvel quando entramos no elevador. As portas se
fecharam e a est a estranha atrao eltrica, crepitando entre ns, apoderando-se de mim.
Fechei os olhos em uma v inteno de dissip-la. Ele apertou minha mo com fora, e cinco
segundos depois as portas se abriram no terrao do edifcio. E l estava, um helicptero
branco com as palavras GREY ENTERPRISES HOLDINGS, Inc. em cor azul e o logotipo da
empresa de outro lado. Certamente que isto  esbanjar os recursos da empresa.
         Ele me levou a um pequeno escritrio onde um velho estava sentado atrs da mesa.
         -- Aqui est seu plano de vo, Sr. Grey. Revisamos tudo. Est preparado, lhe
esperando, senhor. Pode decolar quando quiser.
         -- Obrigado, Joe. -- Respondeu-lhe Christian com um sorriso quente.
         Ora, algum que merecia que Christian o tratasse com educao. Possivelmente no
trabalhava para ele. Observei o ancio assombrada.
         -- Vamos. -- Disse-me Christian.
         E nos dirigimos ao helicptero. De perto era muito maior do que pensava. Supunha
que seria um modelo pequeno, para duas pessoas, mas contava com, no mnimo, sete assentos.
Christian abriu a porta e me indicou um assento na frente.
         -- Sente-se. E no toque em nada. -- Ordenou-me e subiu por trs de mim.
         Fechou a porta. Alegrei-me que toda a zona ao redor estivesse iluminada, porque do
contrrio, nada se veria na cabine. Acomodei-me no assento que me indicou e ele se inclinou

                   69
para mim para me atar o cinto de segurana.  um cinto de quatro pontos com todas as tiras se
conectando a um fecho central. Apertou tanto as duas tiras superiores, que eu no podia me
mover.
          Ele estava to prximo a mim, muito concentrado no que fazia. Se pudesse me
inclinar um pouco para frente, afundaria o nariz em seu cabelo. Cheirava a limpo, fresco,
divino, mas eu estava firmemente atada ao assento e no podia me mover. Levantou o olhar
para mim e sorriu, como se lhe divertisse essa brincadeira que apenas ele entendesse. Seus
olhos brilharam. Estava tentadoramente perto. Contive a respirao enquanto me aperta uma
das tiras superiores.
          -- Est segura. No pode escapar. -- Sussurrou-me. -- Respira, Anastsia. --
Acrescentou em tom doce.
           Aproximou-se, acariciou meu rosto, correndo os dedos longos at meu queixo, que
pegou entre o polegar e o indicador. Inclinou-se para frente e me deu um rpido e casto beijo.
Fiquei impactada, me revolvendo por dentro ante o excitante e inesperado contato de seus
lbios.
          -- Eu gosto deste cinto. -- Sussurrou-me.
          O que?
          Acomodou-se ao meu lado, atou-se ao seu assento e em seguida comeou um
processo de verificar medidores, virar interruptores e apertar botes do enorme gama de
marcadores, luzes e botes na minha frente. Pequenas esferas piscaram luzinhas, e todo o
painel de comando estava iluminado.
          -- Ponha os fones de ouvido -- Disse-me apontando uns fones na minha frente.
          Coloquei-os e o motor comeou a girar. Era ensurdecedor. Ele tambm colocou os
fones e seguiu movendo as alavancas.
          -- Estou fazendo todas as comprovaes prvias ao vo.
          Ouvi a imaterial voz de Christian pelos fones. Virou-se para mim e sorriu.
          -- Sabe o que faz? -- Perguntei-lhe.
          Voltou-se para mim e sorriu.
          -- Fui piloto por quatro anos, Anastsia. Est a salvo comigo. -- Disse sorrindo-me
de orelha a orelha. -- Bom, ao menos enquanto estivermos voando. -- Acrescentou com uma
piscadela.
          Piscando... Christian!
          -- Pronta?
          Concordei com os olhos muito abertos.
          -- De acordo, torre de controle. Aeroporto de Portland, aqui  Charlie Tango Golfe 
Golf Echo Hotel, preparado para decolar. Espero confirmao, cmbio.
           -- Charlie Tango, adiante. Aqui  aeroporto de Portland, avance por um-quatro-mil,
direo zero-um-zero, cmbio.
          -- Entendido, torre, aqui Charlie Tango. Cmbio e desligo. Em marcha. --
Acrescentou dirigindo-se a mim.
          O helicptero se elevou pelos ares lenta e brandamente.
          Portland desapareceu enquanto adentrvamos ao espao areo, embora meu
estmago ficasse ancorado no Oregn. Uau! As luzes se reduziram at converterem-se em
uma ligeira piscada a nossos ps.  como olhar para o exterior de um aqurio. Uma vez no

                  70
alto, a verdade  que no se v nada. Est tudo muito escuro. Nem sequer a lua iluminava um
pouco nosso trajeto. Como poderia ver por onde vamos?
          -- Inquietante, no ? -- Christian disse-me pelos fones.
          -- Como sabe que vai na direo correta?
          -- Aqui. -- Respondeu-me assinalando com seu comprido dedo um indicador com
uma bssola eletrnica. --  um Eurocopter EC135. Um dos mais seguros. Est equipado
para voar a noite. -- Olhou-me e sorriu, -- Em meu edifcio h um heliporto. Dirigimo-nos
para l.
bvio que em seu edifcio havia um heliporto. Senti-me totalmente por fora. As
luzes do painel de controle lhe iluminavam ligeiramente o rosto. Estava muito concentrado e
no deixava de controlar os diversos mostradores situados em frente a ele. Observo seus
traos com todos os detalhes. Tem um perfil muito bonito, o nariz reto e a mandbula
quadrada. Eu gostaria de deslizar a lngua por sua mandbula. No se barbeou, e sua barba de
dois dias fez a perspectiva duplamente tentadora. Mmm...
          Eu gostaria de sentir sua aspereza sob minha lngua, meus dedos, meu rosto.
          -- Quando voa de noite, no v nada. Tem que confiar nos aparelhos. -- Disse
interrompendo minha fantasia ertica.
          -- Quanto durar o vo? -- Consegui dizer, quase sem flego.
          No estava pensando em sexo, de jeito nenhum...
          -- Menos de uma hora... Temos o vento a favor.
          Menos de uma hora para Seattle... Nada mal. Claro, estvamos voando.
          Eu tenho menos de uma hora antes da grande revelao. Sinto todos os msculos da
barriga contrados. Tenho um grave problema com as mariposas. Reproduzem-se em meu
estmago. O que me ter preparado?
          -- Est bem, Anastsia?
          -- Sim.
          Respondi-lhe com a mxima brevidade porque os nervos me oprimiam.
          Acredito que sorriu, mas  difcil ter certeza na escurido. Christian acionou outro
boto.
          -- Aeroporto de Portland, aqui Charlie Tango, em um-quatro-mil, cmbio.
          Trocava informao com o controle de trfego areo. Soou-me tudo muito
profissional. Acredito que estamos passando do espao areo de Portland para o do aeroporto
de Seattle.
          -- Entendido, Seattle, preparado, cmbio e desligo.
          Apontou um pequeno ponto de luz  distncia e disse:
          -- Olhe. Aquilo ali  Seattle.
          -- Sempre impressiona assim s mulheres? "Venha dar uma volta em meu
helicptero"? -- Perguntei-lhe realmente interessada.
          -- Nunca trouxe a uma mulher ao helicptero, Anastsia. Tambm isto  uma
novidade. -- Respondeu-me em tom tranquilo, embora srio.
          Ora, no esperava esta resposta. Tambm uma novidade? Ah, referia-se a dormir
com uma mulher?
          -- Est impressionada?
          -- Sinto-me sobressaltada, Christian.

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          Sorriu.
          -- Sobressaltada?
          Por um instante demonstrou ter sua idade.
          Assenti.
          -- Faz tudo... to bem.
          -- Obrigado, Srta. Steele -- Disse-me educadamente.
          Acredito que gostou de meu comentrio, mas no estou segura.
          Durante um momento atravessamos a escura noite em silncio. O ponto de luz de
Seattle ficava cada vez maior.
          -- Torre de Seattle ao Charlie Tango. Plano de vo  Escala em ordem. Adiante, por
favor. Preparado. Cmbio.
          -- Aqui Charlie Tango, entendido, Seattle. Preparado, cmbio e desligo.
          -- Est claro que voc se diverte. -- Murmurei.
          -- O que?
          Encarou-me. A tnue luz dos instrumentos parecia zombador.
          -- Voar. -- Respondi-lhe.
          -- Exige controle e concentrao... como no iria me encantar? Embora o que mais
gosto  planejar.
          -- Planejar?
          -- Sim. Vo sem motor, para que me entenda. Planadores e helicpteros. Piloto as
duas coisas.
          -- Ah!
          Passatempos caros. Lembrei-me que me disse isso na entrevista. Eu gosto de ler e de
vez em quando vou ao cinema. Nada de mais.
          -- Charlie Tango, adiante, por favor, cmbio.
          A voz imaterial do controle de trfego areo interrompeu minhas fantasias. Christian
respondia em um tom seguro de si mesmo.
          Seattle estava cada vez mais perto. Agora estamos nos subrbios. Uau! Era
absolutamente impressionante. Seattle de noite, do cu...
          --  bonito, no  verdade? -- Perguntou-me Christian em um murmrio.
          Aquiesci entusiasmada. Parecia de outro mundo, irreal, e sinto como se estivesse em
um gigante estdio de cinema, possivelmente no filme favorito de Jos, Blade Runner.
          A lembrana de Jos tentando me beijar me incomodava. Comeo a me sentir um
pouco cruel por no ter respondido a suas chamadas. Tenho certeza que pode esperar at a
manh.
          -- Chegaremos em alguns minutos. -- Christian murmurou.
          E de repente senti meus ouvidos zumbirem, o corao disparar e a adrenalina
percorrer meu corpo. Ele recomeou a falar com o controle de trfego areo, mas j no o
escutava. Acreditava que iria desmaiar. Meu destino estava em suas mos.
          Voamos entre edifcios, e em frente a ns vi um arranha cu com um heliporto no
terrao. A palavra "Escala" estava pintada em branco no topo do edifcio. Estava cada vez
mais perto, ia aumentando... como minha ansiedade. Deus, eu esperava no decepcion-lo.
          Ele vai me achar desprovida de alguma forma. Gostaria que tivesse atendido a Kate e
tivesse posto um de seus vestidos, mas eu gostava de meu jeans negro, e vestia uma camisa

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verde e uma jaqueta negra de Kate. Estava bastante elegante. Agarrei-me  borda de meu
assento cada vez com mais fora. I posso fazer isso, eu posso fazer isso, repetia-me como um
mantra enquanto nos aproximvamos do arranha cu.
         O helicptero reduziu a velocidade e ficou suspenso no ar. Christian aterrissou na
pista do terrao do edifcio. Tinha um n no estmago. No saberia dizer se eram nervos pelo
que iria acontecer, ou alvio por termos chegado vivos, ou medo que a coisa no acontecesse
bem. Desligou o motor, e o movimento e o rudo do rotor diminuiu at que, s o que se ouvia
era o som da minha respirao entrecortada. Christian retirou os fones e se inclinou para tirar
os meus.
         -- Chegamos. -- Disse-me em voz baixa.
         Seu olhar era intenso, a metade na escurido e a outra metade iluminada pelas luzes
brancas de aterrissagem. Uma metfora muito adequada para Christian: o cavalheiro escuro e
o cavalheiro branco. Parecia tenso. Cerrou a mandbula e entrecerrou os olhos. Abriu seu
cinto de segurana e se inclinou para abrir o meu. Seu rosto estava a centmetros do meu.
         -- No tem que fazer nada que no queira fazer. Voc sabe, no ?
         Seu tom era muito srio, inclusive angustiado, e seus olhos, ardentes. Pegou-me de
surpresa.
         -- Nunca faria nada que no quisesse fazer, Christian.
         E enquanto lhe dizia, sentia que no estava de todo convencida, porque nestes
momentos certamente faria algo pelo homem que estava sentado ao meu lado. Mas minhas
palavras funcionaram e Christian se acalmou.
         Encarou-me um instante com cautela e logo, apesar de ser to alto, moveu-se com
elegncia at a porta do helicptero e a abriu. Pulou, esperou-me e agarrou minha mo para
me ajudar a descer  pista. No terrao do edifcio havia muito vento e me punha nervosa o
fato de estar em um espao aberto a uns trinta andares de altura. Christian passou o brao pela
minha cintura e me puxou firmemente contra ele.
         -- Vamos. -- Gritou-me por cima do rudo do vento.
         Arrastou-me at um elevador, digitou um nmero em um painel, e a porta se abriu.
No elevador, completamente revestido de espelhos, fazia calor. Podia ver Christian em
quantidade, para onde quer que eu olhasse, e a coisa boa era que ele tambm podia ver vrias
de mim. Digitou outro cdigo, e as portas se fecharam e o elevador comeou a descer.
         Em poucos momentos estvamos em um vestbulo totalmente branco. No meio havia
uma mesa redonda de madeira escura com um enorme buqu de flores brancas. As paredes
estavam cheias de quadros. Abriu uma porta dupla, e o branco se prolongou por um amplo
corredor que nos levou at a entrada de uma sala palaciana.  o salo principal, de teto muito
alto. Qualific-lo de "enorme" seria pouco. A parede do fundo era de cristal e dava em uma
sacada com uma magnfica vista da cidade.
 direita havia um imponente sof em forma de "U" que permitiam sentar-se
comodamente dez pessoas. Frente a ele, uma lareira ultramoderna de ao inoxidvel... ou,
possivelmente, de platina. O fogo aceso iluminava brandamente.  esquerda, junto  entrada,
estava a rea da cozinha. Toda branca, com as bancadas de madeira escura e um bar em que
podiam sentar-se seis pessoas.
           Junto  rea da cozinha, em frente  parede de cristal, havia uma mesa de jantar
rodeada de dezesseis cadeiras. E no fundo havia um enorme piano negro e resplandecente.

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Claro... certamente tambm tocava piano. Em todas as paredes havia quadros de todo tipo e
tamanho. Em realidade, o apartamento parecia mais uma galeria que uma moradia.
          -- D-me a jaqueta? -- Christian perguntou-me.
          Nego com a cabea. Ainda estava com frio da pista do helicptero.
          -- Quer tomar uma taa? -- Perguntou-me.
          Pisquei. Depois do que se passou ontem? Est de brincadeira ou o que? Por um
segundo pensei em lhe pedir uma marguerita, mas no me atrevi.
          -- Eu tomarei uma taa de vinho branco. Voc quer uma?
          -- Sim, obrigada. -- Murmurei.
          Sentia-me incmoda neste enorme salo. Aproximei-me da parede de cristal e me dei
conta de que a parte inferior do painel se abria a sacada em forma de acordeo. Abaixo se via
Seattle, iluminada e animada. Volto para a rea da cozinha, demorei uns segundos, porque
estava muito longe da parede de cristal, onde Christian abria um vinho. Retirou sua jaqueta.
          -- Acha que est bem um Pouily Fumei?
          -- No tenho a menor ideia sobre vinhos, Christian. Estou certa de que ser perfeito.
          Falei em voz baixa e entrecortada. Meu corao batia muito depressa. Queria sair
correndo. Isto era luxo de verdade, de uma riqueza exagerada, tipo Bill Gates.
          O que estava fazendo aqui? Sabia muito bem o que estava fazendo aqui, logrou meu
subconsciente. Sim, quero ir para cama com Christian Grey.
          -- Toma. -- Disse-me ao estender uma taa de vinho.
          At as taas so luxuosas, de cristais grossos e muito modernos. Tomei um gole. O
vinho era ligeiro, fresco e delicioso.
          -- Voc est muito quieta, e nem mesmo est corada. A verdade  que acredito que
nunca te vi to plida, Anastsia. -- Murmurou. -- Est com fome?
          Neguei com a cabea. No de comida.
          -- Que casa to grande.
          -- Grande?
          -- Grande.
          --  grande. -- Admitiu com um olhar divertido.
          Tomei outro gole do vinho.
          -- Sabe tocar? -- Perguntei-lhe apontando para o piano.
          -- Sim.
          -- Bem?
          -- Sim.
          -- Claro, como no. H algo que no faa bem?
          -- Sim... umas duas ou trs coisas.
          Tomou um gole de vinho sem tirar os olhos de cima de mim. Sinto que seu olhar me
seguia quando me virei e olhei o imenso salo. Mas no deveria chamar-lhe "salo".
          No  um salo, a no ser uma declarao de princpios.
          -- Quer te sentar?
          Concordei com a cabea. Agarrou minha mo e me levou ao grande sof de cor nata.
Enquanto me sentava, assaltava-me a ideia de que pareo Tess Durbeyfield observando a
nova casa do notrio Alec d'Urbervile. A ideia me fez sorrir.
          -- O que te parece to divertido?

                   74
         Estava sentado ao meu lado, me olhando. Descansava a cabea sobre a mo direita e
o cotovelo estava apoiado na parte de trs do sof.
         -- Por que me deu de presente precisamente Tess, de D'Urberville? -- Perguntei-lhe.
         Christian me olhou fixamente um momento. Acredito que lhe surpreendeu minha
pergunta.
         -- Bom, disse-me que gostava de Thomas Hardy.
         -- S por isso?
         At eu sou consciente de que minha voz soava decepcionada. Apertou os lbios.
         -- Pareceu-me apropriado. Eu poderia te empurrar para algum ideal impossvel,
como Angel Clare, ou te corromper completamente, como Alec d'Urbervile. -- Murmurou.
         Seus olhos brilharam impenetrveis e perigosos.
         -- Se apenas houver duas possibilidades, escolho a corrupo. --sussurrei enquanto
o encarava.
         Meu subconsciente me observava assombrada. Christian ficou boquiaberto.
         -- Anastsia, deixa de morder o lbio, por favor. Desconcentra-me. No sabe o que
diz.
         -- Por isso estou aqui.
         Franziu o cenho.
         -- Sim. Desculpa-me um momento?
         Desapareceu por uma grande porta no outro extremo do salo. Voltou em dois
minutos com uns papis nas mos.
         --Isto  um acordo de confidencialidade. -- Encolheu os ombros e pareceu
ligeiramente incmodo. -- Meu advogado insistiu.
         Estendeu-me os papis. Fiquei totalmente perplexa.
         -- Se escolher a segunda opo, a corrupo, ter que assin-los.
         -- E se no quiser assinar nada?
         -- Ento fica com os ideais de Angel Clare, bom, ao menos na maior parte do livro.
         -- O que implica este acordo?
         -- Implica que no pode contar nada do que acontea entre ns. Nada a ningum.
         Observei-o sem dar crdito. Merda. Tem que ser ruim, ruim de verdade, e agora
tenho muita curiosidade por saber do que se trata.
         -- De acordo, assinarei.
         Estendeu-me uma caneta.
         -- Nem sequer vai ler?
         -- No.
         Franziu o cenho.
         -- Anastsia, sempre deveria ler tudo o que assina. -- Arremeteu.
         -- Christian, o que no entende  que em nenhum caso falaria sobre ns com
ningum. Nem sequer com Kate. Assim que d no mesmo se assinar um acordo ou no. Se for
to importante para ti ou para seu advogado... que  bvio que voc falou de mim para ele, de
acordo. Assinarei.
         Observou-me fixamente e assentiu muito srio.
         -- Boa observao, Srta. Steele.


                 75
          Assinei as duas cpias com um grandiloquente gesto e lhe devolvi uma. Dobrei a
outra, enfiei-a na minha bolsa e tomei um comprido gole de vinho. Parecia muito mais valente
do que em realidade me sentia.
          -- Quer dizer com isso que vais fazer amor comigo esta noite, Christian?
          Maldita seja! Acabei de dizer isso? Abri ligeiramente a boca, mas em seguida se
recompus.
          -- No, Anastsia, no quer dizer isso. Em primeiro lugar, eu no fao amor. Eu
fodo... duro. Em segundo lugar, temos muito mais papelada que arrumar. E em terceiro lugar,
ainda no sabe do que se trata. Ainda poderia sair correndo. Veem, quero te mostrar meu
quarto de jogos.
          Fiquei boquiaberta. Fodo duro! Minha me. Isso soa to... quente. Mas por que
vamos ver um quarto de jogos? Estou perplexa.
          -- Quer jogar Xbox? -- Perguntei-lhe.
          Riu s gargalhadas.
          -- No, Anastsia, nem Xbox, nem PlayStation. Venha.
          Levantou-se e me estendeu a mo. Deixei que me levasse de volta para o corredor. 
direita das portas duplas, de onde viemos havia outra porta que dava a uma escada.
          Subimos ao andar de cima e viramos  direita. Retirou uma chave do bolsinho, virou
a fechadura de outra porta e respirou fundo.
          -- Pode partir em qualquer momento. O helicptero est preparado para te levar
aonde queira. Pode passar a noite aqui e partir amanh pela manh. O que disser, para mim,
estar bem.
          -- Abre a maldita porta de uma vez, Christian.
          Abriu a porta e se afastou a um lado para que eu entrasse primeiro. Voltei a olh-lo.
Queria saber o que havia ali dentro. Parei e entrei.
          E senti como se ele tivesse me transportado ao sculo XVI,  poca da Inquisio
espanhola.
          Puta merda.




                   76
        Captulo 07

         O primeiro que notei foi o cheiro: couro, madeira e cera com um ligeiro aroma de
limo.  muito agradvel, e a luz  tnue, sutil. Na realidade no vejo de onde sai, de algum
lugar junto ao teto e emite um resplendor ambiental. As paredes e o teto eram de cor vinho
escuro, o que dava  espaosa sala um efeito uterino e o cho era de madeira envernizada
muito velha. Na parede, de frente para a porta, havia um grande X de madeira, de mogno
muito brilhante, com argolas nos extremos para ficar seguro. Por cima havia uma grande
grade de ferro suspensa no teto, com no mnimo de dois metros quadrados, da qual se
penduravam todo o tipo de cordas e algemas brilhantes. Perto da porta, dois grandes postes
reluzentes e ornados, como balastres de um parapeito, porm maior, estavam pendurados ao
longo da parede como cortinas. Deles pendiam uma impressionante coleo de varas, chicotes
e curiosos instrumentos com plumas.
         Junto  porta havia um mvel de mogno macio com gavetas muitas estreitas, como
se estivessem destinados a guardar amostras de um velho museu. Por um instante me
perguntei o que havia dentro. Quero saber? No canto do fundo vejo um banco acolchoado de
couro de cor vermelha, e junto  parede, uma estante de madeira onde parecia guardar tacos
de bilhar, mas um observador atento descobriria que continha varas de diversos tamanhos e
grossura. No canto oposto havia uma slida mesa de quase dois metros de largura, de madeira
brilhante com pernas talhadas e debaixo, dois tamboretes combinando.
         Mas o que dominava o quarto era uma cama. Era maior que as camas de casal, com
dossel de quatro postes talhados no estilo rococ. Parecia de finais do sculo XIX. Debaixo do
dossel via mais correntes e algemas reluzentes. No havia roupa de cama... apenas um
colcho coberto com um lenol vermelho e vrias almofadas se seda vermelha em um
extremo.
         A uns metros dos ps da cama havia um grande sof Chesterfield, colocado no meio
da sala, de frente para a cama. Estranha distribuio... isso de colocar um sof de frente para
a cama. E sorri comigo mesmo. Parecia raro o sof, quando na realidade era o mvel mais
normal de toda a sala. Levantei os olhos e observei o teto. Estava cheio de mosquetes, a
intervalos irregulares. Perguntei-me, por um segundo, para que serviam. Era estranho, mas
toda esta madeira, as paredes escuras, a tnue luz e o couro vermelho, faziam com que o
quarto parecesse doce e romntico... Era qualquer coisa menos isso. Era o que Christian
entendia por doura e romantismo.
         Girei e ele estava olhando-me fixamente, como supunha, com uma expresso
impenetrvel. Avancei pela sala e me seguiu. As plumas tinham me intrigado. Decidi toc-las.
Era como um pequeno gato de noves rabos, porm mais grosso e com pequenas bolas de
plstico nos extremos.
         --  um chicote de tiras. -- Christian disse em voz baixa e doce.
         Um chicote de tiras... Nossa. Acredito que estou em estado de choque. Meu
subconsciente sumiu, ficou mudo ou simplesmente morreu. Estou paralisada. Posso observar
e assimilar, mas no articular o que sinto diante de tudo isso, porque estou em estado de
                   77
choque. Qual  a reao adequada quando descobre que seu possvel amante  um sdico ou
um masoquista total? Medo... sim... essa parece ser a sensao principal. Agora percebo. Mas
no dele. No acredito que me machucaria. Bom, no sem meu consentimento. Vrias
perguntas nublaram minha mente. Por qu? Como? Quando? Com que frequncia? Quem?
Aproximei-me da cama e passei a mo por um dos postes. Era muito grosso e o talhe era
impressionante.
         -- Diga algo -- Pediu Christian com um tom enganosamente doce.
         -- Faz com as pessoas ou fazem com voc?
         Franziu a boca, no sabia se divertido ou aliviado.
         -- Pessoas? --Piscou um par de vezes, como se estivesse pensando o que responder.
-- Fao com mulheres que querem que o faa.
         No entendo.
         -- Se tem voluntrias dispostas a aceit-lo, o que fao aqui?
         -- Porque quero faz-lo com voc, desejo.
         -- Oh.
         Fiquei com a boca aberta. Por qu?
         Fui para o outro canto do quarto, passei a mo pelo banco acolchoado, at a cintura e
deslizei os dedos pelo couro. Gosta de machucar as mulheres. A ideia me deprimia.
         --  um sdico?
         -- Sou um Amo.
         Seus olhos cinza ficaram abrasadores, intensos.
         -- O que significa isso? -- Perguntei com um sussurro.
         -- Significa que quero que se renda a mim, em tudo, voluntariamente.
         Olhei com o cenho franzido, tentando assimilar a ideia.
         -- Porque faria algo assim?
         -- Para satisfazer-me. -- Murmurou inclinando a cabea.
         Vejo que esboou o sorriso.
         Satisfazer-me! Quer que o satisfaa! Acho que fiquei com a boca aberta. Satisfazer
Christian Grey. E nesse momento percebo que sim, que  exatamente o que quero fazer.
Quero que ele desfrute comigo.  uma revelao.
         -- Digamos, em termos muito simples, que quero que queira me satisfazer. -- Disse
em voz baixa, hipntica.
         --Como tenho que fazer?
         Senti a boca seca. Queria que tivesse mais vinho. Certo, entendo o de satisfaz-lo,
mas o quarto de tortura isabelino me deixou desconcertada. Quero saber a resposta?
         -- Tenho normas e quero que as aceite. So normas que te beneficiam e me
proporcionam prazer. Se cumprir essas normas para satisfazer-me, te recompensarei. Se no,
te castigarei para que aprendas. -- Sussurra. Enquanto fala comigo, olho para a estante de
varas.
         -- E em que momento entra em jogo tudo isso? -- Pergunto apontando com a mo
ao redor do quarto.
         --  parte do pacote de incentivos. Tanto da recompensa como do castigo.
         -- Ento desfrutar exercendo sua vontade sobre mim.


                  78
         -- Se trata de ganhar sua confiana e seu respeito para que me permita exercer minha
vontade sobre ti. Obterei um grande prazer, inclusive uma grande alegria, caso voc se
submeta. Quanto mais se submeter, maior ser minha alegria. A equao  muito simples.
         -- Certo, e o que eu ganho de tudo isso?
         Encolheu os ombros no que pareceu um gesto de desculpa.
         --A mim. -- Limitou-se a responder.
         Deus meu... Christian me observava passar a mo pela vara.
         -- Anastsia, no tem maneira de saber o que pensa. -- Murmurou nervoso. 
Vamos voltar para baixo, assim poderei me concentrar melhor. Desconcentro-me muito
contigo aqui.
         Estendeu uma mo, mas no sabia se agora queria segur-la.
         Kate disse que era perigoso e tinha muita razo. Como ela sabia? Era perigoso para
minha sade, porque sabia que iria dizer que sim. E uma parte de mim quer gritar e sair
correndo por este quarto e tudo o que representa. Sinto-me muito desorientada.
         -- No vou te machucar, Anastsia.
         Sabia que no estava mentindo. Segurei sua mo e sa com ele do quarto.
         -- Quero mostrar algo, se por acaso aceitar.
         Em lugar de descer as escadas, girou a direita do quarto de jogos como ele o
chamava e avanou pelo corredor. Passamos junto a vrias portas at chegarmos  ltima. Do
outro lado havia um dormitrio com uma cama de casal. Tudo era branco... tudo: os mveis,
as paredes, a roupa de cama. Era limpa e fria, mas como uma vista preciosa de Seattle desde a
janela de cristal.
         -- Este ser seu quarto. Pode decor-lo a seu gosto e ter aqui o que quiser.
         -- Meu quarto? Espera que venha viver aqui? -- Pergunto sem poder dissimular meu
tom horrorizado.
         -- Viver no. Apenas, digamos, de sexta  noite at a noite de domingo. Temos que
conversar sobre o tema e negociar. -- Acrescentou em voz baixa e duvidosa.
         -- Dormirei aqui?
         -- Sim.
         -- No contigo.
         --No. J disse. Eu no durmo com ningum. Apenas contigo quando se embebedou
at perder o sentido. -- Disse em tom de reprimenda.
         Aperto meus lbios. H algo que no se encaixa. O amvel e cuidadoso Christian,
que me resgata quando estou bbada e me segura amavelmente enquanto vmito e o monstro
que tem um quarto especial cheio de chicotes e algemas  o mesmo?
         -- Onde voc dorme?
         -- Meu quarto est abaixo. Vamos, deve sentir fome.
         --  estranho, mas acho que perdi a fome. -- Murmurei sem vontade.
         -- Tem que comer Anastsia. -- Chamou minha ateno.
         Segurou minha mo e voltamos para o andar de baixo.
         De volta para o salo incrivelmente grande, me senti inquieta. Estou  borda de um
precipcio e tenho que decidir se quero saltar ou no.



                 79
          -- Sou totalmente consciente de que estou indo por um caminho escuro, Anastsia, e
por isso quero de verdade que pense bem. Com certeza tem coisas para perguntar-me. --
Disse soltando minha mo e dirigindo-se com passo tranquilo para a cozinha.
          Eu tenho. Mas por onde comeo?
          -- Assinou um acordo de confidencialidade, assim que pode perguntar o que quiser e
responderei.
          Estou junto  bancada da cozinha e observo como abre a geladeira e tira um prato de
queijo com dois enormes cachos de uva brancas e vermelhas. Deixa o prato sobre a mesa e
comea a cortar o po.
          -- Sente-se. -- Disse apontando um banco junto  bancada.
          Obedeo a sua ordem. Se vou aceitar, terei que me acostumar. Percebo que se
mostrou dominante desde que o conheci.
          -- Falou sobre os papis.
          -- Sim.
          -- A que se refere?
          -- Bom, alm do acordo de confidencialidade, h um contrato que especifica o que
faremos e o que no faremos. Tenho que saber quais so seus limites, e voc tem que saber
quais so os meus. Trata-se de um consenso, Anastsia.
          -- E se no quiser?
          -- Perfeito. -- Responde com prudncia.
          -- Mas, no teremos nenhuma relao? -- Pergunto.
          -- No.
          --Por qu?
          --  esse o nico tipo de relao que me interessa.
          -- Por qu?
          Encolheu os ombros.
          -- Sou assim.
          -- E como chegou a ser assim?
          -- Por que cada um  como ?  muito difcil saber. Porque uns gostam de queijo e
outros odeiam? Voc gosta de queijo? A senhora Jones, minha governanta deixou queijo para
o jantar.
          Tirou dois grandes pratos brancos de um armrio e colocou diante de mim.
          E agora comeamos a falar sobre queijo... maldio...
          -- Que normas tenho que cumprir?
          -- Tenho por escrito. Veremos depois de jantar.
          Comida... Como vou comer agora?
          -- De verdade, no tenho fome. -- Sussurrei.
          -- Vai comer -- Se limitou a responder.
          O dominante Christian. Agora est tudo claro.
          -- Quer outra taa de vinho?
          -- Sim, por favor.
          Serviu-me outra taa e sentou a meu lado. Dei um rpido gole.
          -- Far bem comer, Anastsia.
          Peguei um pequeno cacho de uvas. Com isto sim, que posso. Ele revirou os olhos.

                 80
         -- Faz muito tempo que est nisso? -- Perguntou.
         -- Sim.
         --  fcil encontrar mulheres que aceitem?
         Ele olhou e levanto uma sobrancelha.
         -- Ficaria surpresa. -- Respondeu friamente.
         -- Ento, porque eu? De verdade, no entendo.
         --Anastsia, j te disse. Tem algo. No posso me afastar de voc. -- Sorriu
ironicamente. -- Sou um pssaro atrado pela luz. -- Sua voz ficou trmula. --Te desejo com
loucura, especialmente agora, quando morde os lbios. -- Respirou fundo e engoliu.
         O estomago dava voltas. Deseja-me... de uma maneira rara...  verdade, mas este
homem bonito, estranho e pervertido me deseja.
         -- Acho que inverteu este clich. -- Respondi.
         Eu sou o pssaro e ele a luz e vou me queimar. Eu sei.
         -- Coma!
         -- No. Ainda no assinei nada, assim, acho que farei o que quiser, se no se
importa.
         Seus olhos se acalmaram e seus lbios esboaram um sorriso.
         -- Como quiser senhorita Steele.
         -- Quantas mulheres? -- Perguntei de uma vez, com muita curiosidade.
         -- Quinze.
         Nossa, menos do que pensava.
         -- Durante longos perodos de tempo?
         -- Algumas sim.
         -- Alguma vez machucou alguma?
         -- Sim.
         Maldio!
         -- Grave?
         -- No.
         -- Me machucaria?
         -- O que quer dizer?
         -- Se vai me machucar fisicamente.
         -- Te castigarei quando for necessrio e ser doloroso.
         Acho que estou ficando enjoada. Tomei outro gole de vinho. O lcool me dar
coragem.
         -- Alguma vez te bateram? -- Pergunto.
         -- Sim.
         Nossa, me surpreendeu. Antes que pudesse perguntar por esta ltima revelao, ele
interrompeu o curso dos meus pensamentos.
         -- Vamos conversar no meu escritrio. Quero mostrar algo.
         Custa muito processar tudo isso. Fui to inocente ao pensar que passaria uma noite
de paixo desenfreada na cama com este homem e aqui estamos negociando um estranho
acordo.



               81
          Segui at o escritrio, um amplo cmodo com uma cortina desde o cho at o teto.
Sentou-se na mesa e apontou com um gesto para que me sentasse em uma cadeira de couro de
frente a ele e me estendeu uma folha de papel.
          -- Estas so as regras. Podemos mud-las. Formam parte do contrato, que tambm te
darei. Leia e comentaremos.

        NORMAS
        Obedincia:
        A Submissa obedecer imediatamente todas as instrues do Amo, sem duvidar, sem
reservas e de forma expressiva. A Submissa aceitar toda atividade sexual que o Amo
considerar oportuna e prazerosa, exceto as atividades contempladas nos limites inquebrveis
(Apndice 2). O far com entusiasmo e sem duvidar.

       Sono:
       A Submissa garantir que dormir no mnimo sete horas diria quando no estiver
com o Amo.

         Refeio:
         Para cuidar de sua sade e bem estar, a Submissa comer frequentemente alimentos
includos em uma lista (Apndice 4). A Submissa no comer entre horas, a exceo de fruta.

         Roupa:
         Durante a vigncia do contrato, a Submissa apenas usar roupa que o Amo houver
aprovado. O Amo oferecer a Submissa uma quantia para roupas. O Amo acompanhar a
Submissa para comprar roupas quando seja necessrio. Se o Amo assim o exige, enquanto o
contrato estiver vigente, a Submissa vestir os adornos que exija o Amo, em sua presena ou
em qualquer outro momento que o Amo considere oportuno.

         Exerccio:
         O Amo proporcionar a Submissa um treinador pessoal quatro vezes por semana,
em sesses de uma hora, horas convenientes para o treinador e a Submissa. O treinador
pessoal informar ao Amo os avanos da Submissa.

         Higiene pessoal e beleza:
         A Submissa estar limpa e depilada a todo momento. A Submissa ir ao salo de
beleza escolhido pelo Amo quando este decida e se submeter a qualquer tratamento que o
Amo considere oportuno.

         Segurana pessoal:
         A Submissa no beber em excesso, no fumar, no tomar nenhuma substncia
psicotrpica, nem correr riscos sem necessidade.

        Qualidades pessoais:


               82
        A Submissa apenas manter relaes sexuais com o Amo. A Submissa se comportar
a todo o momento com respeito e humildade. Deve compreender que sua conduta influencia
diretamente na do Amo. Ser responsvel por qualquer ato, maldade ou m conduta que leve
a cabo quando o Amo no estiver presente.

         O no cumprimento de qualquer uma das normas anteriores ser imediatamente
castigada e o Amo determinar a natureza do castigo.

          Minha Nossa!
          -- Limites inquebrveis? -- Pergunto.
          -- Sim. O que voc no far e o que no farei. Temos que especificar em nosso
acordo.
          -- No tenho certeza se vou aceitar dinheiro para roupas. No me parece bem.
          Me movimento incomoda. A palavra puta soa em minha cabea.
          -- Quero gastar dinheiro com voc. Deixa-me comprar roupa. Talvez necessite que
me acompanhe em algum ato, e quero que esteja bem vestida. Tenho certeza que com seu
salrio, quando encontre um trabalho no poder pagar a roupa que gostaria que vestisse.
          -- No terei que usar quando no estiver contigo?
          -- No.
          -- Certo. Eu penso nisso como um uniforme.
          -- No quero fazer exerccios quatro vezes por semana.
          -- Anastsia, necessito que esteja gil, forte e resistente. Confie em mim, tem que
fazer exerccios.
          -- Com certeza que no quatro vezes por semana. O que acha de trs?
          -- Quero que seja quatro.
          -- Pensei que fosse uma negociao.
          Franziu os lbios.
          -- Certo, senhorita Steele, tem razo. O que te parece uma hora trs dias por semana
e meia hora outro dia?
          -- Trs dias, trs horas. Voc me d a impresso de que se ocupar de que faa
exerccio quanto estiver aqui.
          Sorriu perversamente e os olhos brilharam como se sentisse aliviado.
          -- Sim o farei. Certo. Tem certeza de que no quer trabalhar em minha empresa? 
boa negociando.
          -- No, no acho que seja uma boa ideia.
          Observo a folha com suas normas. Depilar-me! Depilar o que?
          Tudo? Uf!
          -- Vamos aos limites. Estes so os meus. -- Disse estendendo outra folha de papel.

          LMITES INQUEBRAVEIS:

          Atos com fogo.
          Atos com urina, fezes e excrementos.
          Atos com agulhas, facas, perfuraes e sangue.

                  83
         Atos com instrumentos mdicos ginecolgicos.
         Atos com crianas e animais.
         Atos que deixem marcas permanentes na pele.
         Atos relativos ao controle da respirao.
         Atividade que implique contato direto com corrente eltrica, fogo e chamas no
corpo.

          Uf. Ele tinha que escrever! Claro... todos estes limites pareciam sensatos e
necessrios na verdade... Com certeza qualquer pessoa em seu juzo perfeito no iria querer
este tipo de coisas. Mas seu estmago ficou enjoado.
          -- Quer acrescentar algo? -- perguntou amavelmente.
          Merda. No tenho nem ideia. Estou totalmente perplexa. Olha para mim e enruga a
testa.
          -- H algo que no queira fazer?
          -- No sei.
          -- O que  que no sabe?
          Removi incomoda e mordo os lbios.
          -- Nunca fiz uma coisa assim.
          -- Bom, h algo que no goste no sexo?
          Pela primeira vez, no que parecia sculos, ruborizei.
          -- Pode me dizer, Anastsia. Se no formos sinceros, no vai funcionar.
          Volto a me mover incomoda e olho para minhas mos.
          -- Diga. -- Pediu-me.
          -- Bom... nunca dormi com ningum, ento no sei. -- Digo com uma voz baixa.
          Levantei os olhos at ele, que olhava com a boca aberta, paralisado e plido, muito
plido.
          -- Nunca? -- Sussurrou.
          Assenti.
          --  virgem?
          Assenti com a cabea e voltei a me ruborizar. Fechou os olhos e pareceu contar at
dez, Quando os abriu, ele olhou irritado.
          -- Por que, porra, no me disse? -- Grunhiu.




                 84
        Captulo 08


        Christian percorre seu estdio de um lado a outro passando as mos pelo cabelo.
        As duas mos... o que quer dizer que est duplamente zangado. Seu frreo controle
habitual parece haver rachado.
        -- No entendo por que no me disse isso, -- ele diz zangado.
        -- No vi razo para isso. No tenho por costume ir falando por a sobre a minha vida
sexual. Alm disso... acabamos de nos conhecer. -- Olho para as minhas mos. Por que me
sinto culpada? Por que est to zangado? Olho para ele.
        -- Bom, agora sabe muito mais de mim -- diz-me bruscamente, e aperta os lbios. --
Sabia que no tinha muita experincia, mas... virgem! -- Ele fala como se fosse um insulto.
        -- Inferno, Ana, eu acabo de te mostrar... -- queixa-se. -- Que Deus me perdoe. J
beijaram voc alguma vez, sem que tenha sido eu?
        -- Claro que sim, -- respondo-lhe tentando parecer ofendida. Ok... talvez, duas vezes.
        -- E nenhum rapaz bonito a fez se apaixonar? Realmente, no entendo. Tem vinte e
um anos, quase vinte e dois. Voc  bonita. -- Volta a passar a mo pelo cabelo.
        Bonita. Ruborizo-me de alegria. Christian Grey me considera bonita. Entrelao os
dedos e olho para ele fixamente, tentando dissimular meu estpido sorriso. Talvez ele seja
mope, meu subconsciente adormecido levanta a cabea. Onde estava quando eu necessitava
dele?
        -- E voc est realmente falando sobre o que quero fazer, quando no tem
experincia?
        Junta suas sobrancelhas outra vez.
        -- Por que evitou o sexo? Conte-me, por favor.
        Encolho os ombros.
        -- Ningum realmente, voc sabe... -- Ningum me fez sentir assim, s voc. E no
final, voc  uma espcie de monstro. -- Por que est to zangado comigo? -- sussurro-lhe.
        -- No estou zangado contigo, estou zangado comigo mesmo. Eu pensei que... -- ele
suspira. Ele olha atentamente para mim e balana a cabea. -- Quer partir ? -- pergunta-me,
em tom gentil.
        -- No, a menos que voc queira que eu parta -- murmuro. Oh no... Eu no quero
partir.
        -- Claro que no. Eu gosto t-la aqui. -- Ele me diz franzindo o cenho e d uma
olhada ao relgio. --  tarde. -- E volta a levantar os olhos para mim. -- Voc est
mordendo o lbio. -- Diz-me com voz rouca e me olha especulativo.
        -- Desculpe.
        -- No se desculpe.  que eu tambm quero mord-lo, forte.
        Fico boquiaberta... Como pode me dizer essas coisas e esperar que no me afetem?
        -- Venha, -- Ele murmura.
        -- O que?
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        -- Vamos arrumar a situao agora mesmo.
        -- O que quer dizer? Que situao?
        -- Sua situao, Ana. Vou fazer amor com voc, agora.
        -- Oh. -- Sinto que o cho se move. Sou uma situao. Prendo a respirao.
        -- Isto , se voc quiser, eu quero dizer, no quero tentar a minha sorte.
        -- Eu pensei que voc no fizesse amor. Pensei que voc s fodesse duro. -- Engulo
em seco, de repente minha boca ficou seca.
        Lana-me um sorriso perverso e os efeitos dele percorrem o meu corpo at chegar l...
        -- Posso fazer uma exceo, ou talvez combinar as duas coisas, veremos. Eu
realmente quero fazer amor com voc. Por favor, venha para a cama comigo. Quero que nosso
acordo funcione, mas voc tem que ter uma ideia de onde est se metendo. Podemos comear
seu treinamento esta noite... com o bsico. Isso no significa que venha com flores e coraes,
 um meio para chegar a um fim, mas quero esse fim e espero que voc o queira tambm. --
Seu olhar cinza  intenso.
        Ruborizo-me... oh...meus... desejos se tornaram realidade.
        -- Mas no tenho que fazer tudo o que pede em sua lista de normas. -- Digo-lhe com
voz entrecortada e insegura.
        -- Esquea das normas. Esquea de todos esses detalhes por esta noite. Desejo-te.
Desejei-te desde que entrou em meu escritrio, e sei que voc tambm me deseja. No estaria
aqui conversando tranquilamente sobre castigos e limites rgidos se no me desejasse. Ana,
por favor, fica comigo esta noite. -- Estende-me a mo com olhos brilhantes, ardentes...
excitados, e eu coloquei minha mo na sua. Ele me puxa para cima e para os seus braos, para
que eu possa sentir o comprimento do seu corpo contra o meu, esta ao rpida pegou-me de
surpresa. Ele passa os dedos em volta da minha nuca, pega o meu rabo de cavalo em seu
pulso, puxa delicadamente e desfaz. Eu sou forada a olhar para ele. Ele olha para mim.
        --  uma garota muito valente, -- sussurra-me. -- Estou fascinado por voc.
Suas palavras so como um artefato incendirio. Arde-me o sangue. Ele inclina-se, beija-me
brandamente e me chupa o lbio inferior.
        -- Queria morder este lbio, -- ele murmura sem separar-se de minha boca.
Cuidadosamente, ele o puxa com os dentes. Eu gemo e ele sorri.
        -- Por favor, Ana, me deixe fazer amor com voc.
        -- Sim, -- eu sussurro. Por isso eu estou aqui. Vejo seu sorriso  triunfante quando
me solta, agarra-me a mo e me conduz atravs do apartamento.
        Seu quarto  grande. Das altas janelas, que vo do cho ao teto, pode-se ver os
iluminados arranha-cus de Seattle.
As paredes so brancas, e os acessrios, azul claro. A enorme cama  ultramoderna, de
madeira macia de cor cinza, com quatro postes, mas sem dossel. Na parede da cabeceira h
uma impressionante paisagem marinha.
        Estou tremendo como uma folha.  isto. Por fim, depois de tanto tempo, vou fazer
isso, e nada menos que com o Christian Grey. Respiro entrecortadamente e no posso tirar os
olhos dele.
Ele tira o relgio e o deixa em cima de uma cmoda ao lado da cama. Ele tira a jaqueta e a
deixa em uma cadeira. Ele est com uma camisa branca de linho e jeans.


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Ele  absurdamente bonito. Seu cabelo cor de cobre escuro est alvoroado, ele pendura a
camisa... Seus olhos cinzentos so ousados e deslumbrantes. Descala os sapatos e se inclina
para tirar as meias, tambm. Os ps de Christian Grey... Uau... o que h sobre ps descalos?
Ele vira-se e me olha com expresso doce.
        -- Suponho que no toma a plula.
        O qu? Merda.
        -- Temo que no. -- Ele abre a primeira gaveta e saca uma caixa de camisinhas. Ele
me olha fixamente.
        -- Tem que estar preparada, -- ele murmura. -- Quer que feche as persianas?
        -- No me importa. -- sussurro. -- Pensei que permitisse a ningum dormir em sua
cama.
        -- Quem disse que vamos dormir? -- ele murmura.
        -- Oh. -- Santo inferno.
Ele aproxima-se de mim devagar. Est muito seguro de si mesmo, muito sexy, os olhos
brilhantes. O meu corao dispara e o sangue dispara por todo o meu corpo. O desejo, um
desejo quente e intenso, invade o meu ventre. Ele se detm na minha frente e me olha nos
olhos. Oh, ele  to sexy...
        -- Vamos tirar esta jaqueta, hein? -- Ele me diz em voz baixa e agarra as lapelas e
muito suavemente desliza a jaqueta pelos meus ombros. Ele a coloca em uma cadeira.
-- Tem ideia do muito que a desejo, Ana Steele? -- sussurra-me. Minha respirao fica presa.
No posso tirar meus olhos dos seus. Ele chega para perto e suavemente passa os dedos do
meu rosto para o meu queixo.
        -- Tem ideia do que eu vou fazer com voc? -- acrescenta, me acariciando o queixo.
        Os msculos de minha parte mais profunda e escura se esticam com infinito prazer.
A dor  to doce e to aguda que quero fechar os olhos, mas os seus, que me olham ardentes,
hipnotizam-me. Inclina-se e me beija. Seus lbios so exigentes, firmes e lentos ao se
acoplarem aos meus. Ele comea a desabotoar a minha blusa me beijando ligeiramente a
mandbula, o queixo e as comissuras da boca. Tira-me a jaqueta muito devagar e a deixa cair
no cho. Afasta-se um pouco e me observa. Por sorte, estou vestindo o meu suti azul cu,
rendado, que fica estupendo em mim.
Graas aos cus.
        -- Oh, Ana...  ele respira. Voc tem uma pele preciosa, branca e perfeita. Eu quero
beijar voc centmetro por centmetro.
Ruborizo-me. Oh, meu Deus... Por que ele me disse que no podia fazer amor? Eu farei tudo o
que ele quiser.
Ele agarra meu rabo de cavalo, o desfaz e ofega quando a juba cai em cascata sobre os
ombros.
        -- Eu gosto das morenas, -- ele murmura e coloca as duas mos entre meus cabelos,
segurando em cada lado da minha cabea. Seu beijo  exigente, sua lngua e seus lbios,
persuadindo os meus. Gemo e minha lngua indecisa se encontra com a sua. Abraa-me e
aproxima-me de seu corpo e me aperta muito forte. Uma mo segue em meu cabelo, a outra
me percorre a coluna at a cintura e segue avanando, segue a curva de meu traseiro. Ela
flexiona sobre a minha bunda e aperta gentilmente.


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Ele me aperta contra os seus quadris, eu sinto sua ereo, que empurra languidamente contra
meu corpo.
        Volto a gemer sem separar os lbios de sua boca. Logo, no posso resistir s
desenfreadas sensaes, ou so hormnios, que me devastam o corpo. Desejo-o com loucura.
Agarro-o pelos braos e sinto seus bceps.  surpreendentemente forte... musculoso. Com um
gesto indeciso, subo as mos at seu rosto e seu cabelo. Santo Cus.  to suave, rebelde.
Acariciei com cuidado e Christian geme.
        Ele conduz-me devagar para a cama, at que a sinto atrs dos joelhos. Acredito que vai
empurrar-me, mas no o faz. Ele solta-me, e de repente, cai sobre os joelhos. Sujeita meus
quadris com as duas mos e desliza a lngua por meu umbigo, avana at o quadril me
mordiscando e depois me percorre a barriga em direo ao outro lado do quadril.
        -- Ah, -- eu gemo.
        Vendo-o de joelhos na minha frente, sentindo sua lngua percorrendo meu corpo,  to
excitante e sexy. Apoio as mos em seu cabelo e puxo gentilmente tentando acalmar minha
respirao acelerada.
        Ele olha para mim atravs dos, impossivelmente, clios longos, com seus ardentes
olhos cinzentos. Sobe as mos, desabotoa-me o boto do jeans e baixa lentamente o zper.
        Sem desviar seus olhos dos meus, suas mos se movem sob o cs da minha cala,
movendo o meu traseiro e retirando. Suas mos deslizam lentamente do meu traseiro para as
minhas coxas, removendo o meu jeans. No posso deixar de olh-lo. Ele detm-se e, sem tirar
os olhos de mim nem por um segundo, lambe os lbios. Inclina-se para frente e passa o nariz
pelo vrtice onde se unem minhas coxas. Sinto-o...
L.
        -- Cheira muito bem, -- ele murmura e fecha os olhos, com uma expresso de puro
prazer, e eu praticamente tenho uma convulso. Ele estende um brao, tira o edredom,
empurra-me brandamente e caio sobre a cama.
         Ainda de joelhos, agarra-me um p, desabotoa meu Converse e tira meu sapato e
meias. Apoio-me nos cotovelos e me levanto para ver o que faz, ofegante... morta de desejo.
Agarra-me o p pelo calcanhar e me percorre a panturrilha com a unha do polegar.  quase
doloroso, mas sinto que o percurso se projeta sobre minha virilha. Gemo. Sem tirar os olhos
de mim, volta a percorrer a panturrilha, desta vez com a lngua, e depois com os dentes.
Merda. Eu gemo... como eu posso sentir isso, l. Caio sobre a cama gemendo. Ouo sua
risada afogada.
        -- Ana, no imagina o que eu poderia fazer contigo -- ele sussurra para mim. Ele
remove o outro sapato e a meia, depois se levanta e retira totalmente o meu jeans. Estou
tombada em sua cama, em calcinhas e suti, ele me olha atentamente.
        --  muito formosa, Anastsia Steele. Morro por estar dentro de ti.
        Merda. Suas palavras. Ele  to sedutor. Corta-me a respirao.
        -- Mostre-me como voc se d prazer.
        O que? Eu franzo o cenho.
        -- No seja tmida, Ana, mostre-me, -- ele sussurra.
        Balano a cabea.
        -- No entendo o que quer dizer, -- respondo-lhe com voz rouca, to cheia de desejo,
que mal a reconheo.

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        -- Como voc se masturba? Quero v-la.
        Balano a cabea.
        -- No me masturbo. -- eu murmuro. Ele levanta as sobrancelhas, atnito por um
momento, seus olhos escurecem e balana a cabea como se no pudesse acreditar.
        -- Bem, veremos o que podemos fazer sobre isso. -- Sua voz  baixa, desafiante, em
um tom de deliciosamente e sensual ameaa. Ele desabotoou os botes do jeans e o tira
devagar sem separar os olhos dos meus. Inclina-se sobre mim, agarra-me pelos tornozelos,
separa-me rapidamente as pernas e se arrasta pela cama entre minhas pernas. Fica suspenso
sobre mim. Retoro-me de desejo.
        -- No se mova -- ele murmura, inclina-se, beija-me a parte interior de uma coxa e
vai subindo, sem deixar de me beijar, at o encaixe das minhas calcinhas.
        Oh... No posso ficar quieta. Como no vou mover-me? Retoro-me debaixo dele.
        -- Vamos ter que trabalhar para que aprenda a ficar quieta, querida. Ele segue me
beijando a barriga e introduz a lngua no umbigo. Seus lbios sobem para o norte, beijando
atravs do meu tronco.
Minha pele arde. Estou ruborizada, muito quente, com frio, arranho o lenol sob meu corpo.
Christian se deita ao meu lado e percorre com a mo do meu quadril at o meu peito,
passando pela cintura. Observa-me com expresso impenetrvel e me rodeia brandamente os
seios com as mos.
        -- Se encaixam perfeitamente em minha mo, Anastsia -- ele murmura, coloca o
dedo indicador pela taa de meu suti e abaixa muito devagar e deixando meu seio nu,
empurrando para baixo a armao e o tecido. Seus dedos se moveram para o outro seio e
repetiu o processo. Meus seios incharam e os mamilos se endureceram sob seu insistente
olhar. O suti mantm meus seios elevados. -- Muito bonitos -- sussurra admirado, e os
mamilos endurecem ainda mais.
        Ele chupa gentilmente um mamilo, desliza uma mo ao outro seio e com o polegar
rodeia muito devagar o outro mamilo, alongando-o. Gemo e sinto uma doce sensao descer
at a minha virilha. Estou muito mida. Oh, por favor, suplico internamente, agarrando com
fora o lenol. Seus lbios fecham ao redor de meu outro mamilo, quando o lambe, quase
sinto uma convulso.
        -- Vamos ver se conseguimos que voc goze assim -- ele sussurra-me, e segue com
sua lenta e sensual incurso. Meus mamilos sentem seus hbeis dedos e seus lbios, que
acendem minhas terminaes nervosas at o ponto em que todo o meu corpo geme em uma
doce agonia.
Ele no se detm.
        -- Oh... por favor, -- suplico-lhe, jogo a cabea para trs, com a boca aberta e gemo,
sinto minhas pernas endurecerem. Maldio, o que est acontecendo comigo?
        -- Deixe vir, querida, -- ele murmura. Aperta-me um mamilo com os dentes, com o
polegar e o indicador aperta forte o outro, me deixo cair em suas mos, meu corpo
convulsiona e estala em mil pedaos. Ele beija-me, profundamente, colocando a lngua na
minha boca para absorver meus gritos.
        Meu deus! Isso foi fantstico. Agora eu sei que todo o alarido  sobre a minha reao.
Ele me olha com um sorriso satisfeito, embora esteja segura de que no  mais que gratido e
admirao por mim.

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        --  muito receptiva, -- Ele respira. -- Ter que aprender a control-lo, e ser muito
divertido te ensinar como. -- Ele me beija outra vez.
        Minha respirao ainda est irregular, enquanto me recupero do orgasmo. Desliza uma
mo at minha cintura, meus quadris, para as minhas partes ntimas... caramba. Introduz um
dedo pela renda e lentamente comea a riscar crculos ao redor do meu... l. Ele fecha os
olhos por um instante e contm a respirao.
        -- Voc est to deliciosamente mida. Deus, quanto eu te desejo. -- Introduz um
dedo dentro de mim e eu grito, enquanto o tira e volta a coloc-lo. Esfrega-me o clitris com a
palma da mo, e grito de novo. Segue me introduzindo o dedo, cada vez com mais fora.
Gemo.
        De repente se senta, tira-me a calcinha e a joga no cho. Ele tira tambm sua cueca e
libera sua ereo. Minha nossa! Estica o brao at a mesinha da cama, agarra um pacotinho
prateado e se move entre minhas pernas para que se abram. Ajoelha-se e desliza a camisinha
por seu membro enorme. Oh, no... Ser que vai? Como?
        -- No se preocupe, -- sussurra, me olhando nos olhos. -- Voc tambm se dilatar.
-- Inclina-se apoiando as mos a ambos os lados de minha cabea, de modo que fica suspenso
sobre mim. Olha-me nos olhos com a mandbula apertada e os olhos ardentes. Neste momento
me dou conta de que ainda est vestindo a camisa.
        -- Tem certeza que quer faz-lo? -- pergunta-me em voz baixa.
        -- Por favor, -- suplico-lhe.
        -- Levante os joelhos, -- ordena-me em tom suave e obedeo imediatamente. --
Agora vou fod-la, senhorita Steele... -- murmura colocando a ponta de seu membro ereto na
entrada de meu sexo -- Duro, -- ele sussurra e me penetra bruscamente.
        -- Aaai! -- eu grito, ao sentir uma sensao de aperto dentro de mim, enquanto ele
rasga atravs da minha virgindade. Ele fica imvel e me observa com olhos brilhantes com
triunfo, em xtase.
        Tem a boca ligeiramente aberta e lhe custa respirar. Ele geme.
        --  muito apertada. Est bem?
        Concordo, com meus olhos arregalados e me agarrando a seus braos. Sinto-me to
cheia. Ele continua imvel para que me acostume com a invasiva e entristecedora sensao de
t-lo dentro de mim.
        -- Vou mover-me, querida, -- sussurra-me um momento depois, em tom firme.
        Oh.
        Ele retrocede com deliciosa lentido. Fecha os olhos, geme e volta a me penetrar.
Grito pela segunda vez e ele se detm.
        -- Mais? -- sussurra-me com voz selvagem.
        -- Sim, -- respondo-lhe. Ele volta a me penetrar e a deter-se.
        Gemo. Meu corpo o aceita... Oh, quero que continue.
        -- Outra vez? -- pergunta-me.
        -- Sim. - respondo-lhe em tom de splica.
        E ele se move, mas esta vez no se detm. Apoia-se nos cotovelos, de modo que sinto
seu peso sobre mim, me aprisionando. A princpio se move devagar, entra e sai de meu corpo.
E  medida que vou me acostumando  estranha sensao, comeo a mover os quadris com os
seus.

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        Ele acelera. Gemo e ele investe com fora, cada vez mais depressa, sem piedade, a um
ritmo implacvel, eu mantenho o ritmo de suas investidas. Ele pega a minha cabea com as
mos, beija-me bruscamente e volta a morder meu lbio inferior com os dentes. Ele mudou
um pouco e sinto que algo cresce no mais profundo de mim, como antes. Vou me pondo
esticada  medida que me penetra uma e outra vez. Meu corpo treme, arqueio-me, estou
banhada em suor. Oh, meu Deus... Eu no sabia que iria me sentir assim... No sabia que a
sensao podia ser to agradvel. Meus pensamentos se dispersam... No h mais que
sensaes... S ele... S eu... Oh, por favor... Meu corpo fica rgido.
        -- Goze para mim, Ana, -- ele sussurra sem flego e me deixo gozar assim que diz,
explodindo ao seu redor com meu clmax e me dividindo em mil pedaos sob seu corpo. E
enquanto ele tambm goza, grita meu nome, d uma ltima investida e fica imvel, como se
tivesse se esvaziado dentro de mim.
        Ainda estou ofegante, tentando acalmar a minha respirao e os batimentos do meu
corao, e meus pensamentos esto em desordem desenfreada. Uau... foi algo incrvel. Abro
os olhos e ele apoiou sua testa na minha. Tem os olhos fechados e sua respirao  irregular.
Christian pisca, abre os olhos e me lana um olhar turvo, embora doce. Ele continua dentro de
mim. Inclina-se, beija-me brandamente na testa e, muito devagar, comea a sair de meu corpo.
        -- Oooh. --  uma sensao estranha, que me faz estremecer.
        -- Eu te machuquei? -- Christian pergunta-me, enquanto tomba ao meu lado,
apoiando-se em um cotovelo. Passa-me uma mecha de cabelo por detrs da orelha. E no
posso evitar esboar um amplo sorriso.
        -- Voc est, realmente, perguntando se me machucou?
        -- No me venha com ironias, -- diz-me com um sorriso zombador. -- Srio, voc
est bem? -- Seus olhos so intensos, perspicazes, inclusive exigentes.
        Eu me estico ao seu lado, sentindo os membros enfraquecidos, com os ossos como se
fossem de borracha, mas estou relaxada, muito relaxada. Sorrio-lhe. No posso deixar de
sorrir. Agora eu sei o porqu de tanto barulho.
        Dois orgasmos... todo o seu ser completamente descontrolado, como se estivesse
dentro da centrifuga de uma secadora. Uau.
No tinha nem ideia do que meu corpo era capaz, de que podia esticar-se tanto e liberar-se de
forma to violenta, to gratificante. O prazer foi indescritvel.
        -- Voc est mordendo o lbio, e no me respondeu. -- Ele franziu a testa. Eu sorrio
para ele de forma travessa. Ele parece glorioso com seu cabelo desgrenhado, seus ardentes
olhos cinza estavam entrecerrados e sua expresso sombria.
        -- Eu gostaria de voltar a faz-lo, -- eu sussurro. Por um momento acredito ver uma
fugaz expresso de alvio em seu rosto. Logo troca rapidamente de expresso e me olha com
olhos velados.
        -- Agora mesmo, senhorita Steele? -- murmura secamente. Inclina-se sobre mim e
me beija brandamente na comissura da boca. -- No  um pouco exigente? Vire-se.
        Pisquei vrias vezes, mas ao final, viro-me. Desabotoa-me o suti e desliza a mo das
costas at o traseiro.
-- Tem uma pele realmente preciosa, -- ele murmura. Coloca uma perna entre as minhas e
fica meio convexo sobre minhas costas. Sinto a presso dos botes de sua camisa enquanto
me retira o cabelo do rosto e me beija no ombro.

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        -- Por que voc no tirou a camisa? -- pergunto-lhe. Ele fica imvel. Depois de um
momento, tira a camisa e volta a tombar-se em cima de mim. Sinto sua clida pele sobre a
minha. Mmm...  uma maravilha. Tem o peito coberto por uma ligeira capa de pelos, que me
faz ccegas nas costas.
        -- Ento voc quer que eu a foda novamente? -- sussurra-me ao ouvido, e comea a
me beijar muito suavemente ao redor da minha orelha e no pescoo.
        Suas mos se movem para baixo, deslizando pela minha cintura, pelo meu quadril,
pela minha coxa e para a parte de trs do meu joelho. Ele empurra meu joelho mais alto, e me
corta a respirao... Oh meu Deus, o que est fazendo agora? Ele mete-se entre minhas
pernas, pressiona-se contra as minhas costas e me passa a mo pela coxa at o traseiro.
Acaricia-me devagar as ndegas e depois desliza os dedos entre minhas pernas.
        -- Vou foder voc por trs, Anastsia, -- ele murmura, e com a outra mo me agarra
pelo cabelo  altura da nuca e puxa ligeiramente para me colocar. No posso mover a cabea.
Estou imobilizada debaixo dele, indefesa.
        -- Voc  minha, -- ele sussurra. -- S minha. No se esquea. -- Sua voz 
embriagadora, e suas palavras, sedutoras. Noto como cresce sua ereo contra minha coxa.
        Desliza os dedos e me acaricia gentilmente o clitris, fazendo crculos muito devagar.
Sinto sua respirao atravs do meu rosto, enquanto me mordisca ao longo da minha
mandbula.
        -- Seu cheiro  divino, -- Acaricia-me atrs da orelha com o nariz. Esfrega as mos
contra meu corpo uma e outra vez. Em um instinto reflexo, comeo a riscar crculos com os
quadris, ao compasso de sua mo, e um prazer enlouquecedor me percorre as veias como se
fosse adrenalina.
        -- No se mova, -- ordena-me em voz baixa, embora imperiosa, e lentamente me
introduz o polegar e o gira acariciando as paredes de minha vagina. O efeito  alucinante.
Toda minha energia se concentra nessa pequena parte de meu corpo. Gemo.
        -- Voc gosta? -- Pergunta-me em voz baixa, passando os dentes pela minha orelha, e
comea a mover o polegar lentamente, dentro, fora, dentro, fora... com os dedos ainda
riscando crculos.
        Fecho os olhos e tento controlar minha respirao, tento absorver as desordenadas e
caticas sensaes que seus dedos desatam em mim enquanto o fogo me percorre o corpo.
Volto a gemer.
        -- Est muito mida e  muito rpida. Muito receptiva. Oh, Anastsia, eu gosto, eu
gosto muito, -- ele sussurra.
        Quero mover as pernas, mas no posso. Tem-me aprisionada e mantm um ritmo
constante, lento e tortuoso.  absolutamente maravilhoso. Gemo de novo e de repente, ele se
move.
        -- Abre a boca, -- pede-me e introduz o polegar na minha boca. Pestanejo
freneticamente.
        -- Veja como  o seu gosto, -- sussurra-me ao ouvido. -- Chupe-me, querida. --
Pressiona a lngua com o polegar, fecho a boca ao redor de seu dedo e chupo grosseiramente.
Sinto o sabor salgado de seu polegar e a acidez ligeiramente metlica do sangue. Porra. Isto 
errado, mas  terrivelmente ertico.


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        -- Quero foder sua boca, Anastsia, e logo o farei, -- diz-me com voz rouca,
selvagem e respirao entrecortada.
        Foder a minha boca! Gemo e mordo-o. D um grito afogado e me puxa o cabelo com
mais fora, dolorosamente, ento solto o seu dedo.
        -- Minha menina travessa, -- ele sussurra, estica a mo para a mesinha de cabeceira e
agarra um pacotinho prateado. -- Fique quieta, no se mova, -- ordena-me me soltando o
cabelo.
        Rasga o pacotinho prateado, enquanto eu respiro com dificuldade e sinto o calor
percorrendo minhas veias. A espera  excitante. Inclina-se, seu peso volta a cair sobre mim e
me agarra pelos cabelos para me imobilizar a cabea. No posso me mover. Tem-me
sedutoramente presa e est preparado para voltar a me penetrar.
        -- Desta vez vamos muito devagar, Anastsia, -- ele me diz.
        E me penetra devagar, muito devagar, at o fundo. Seu membro se estende e me
invade por dentro implacavelmente. Gemo com fora. Desta vez o sinto mais profundo,
delicioso. Volto a gemer, e num ritmo muito lento traando crculos com os quadris e
puxando de volta, detm-se um momento e volta a me penetrar.
        Repete o movimento uma e outra vez. Deixa-me louca. Suas provocadoras investidas,
deliberadamente lentas, e a intermitente sensao de plenitude so irresistveis.
        -- Voc me faz sentir to bem, -- ele gemeu, e minhas vsceras comeam a tremer.
Puxa e espera.
        -- No, querida, ainda no, -- ele murmura, quando deixo de tremer, comea de novo
o maravilhoso processo.
        -- Por favor, -- suplico-lhe. Acredito que no vou aguentar muito mais. Meu corpo
est tenso e se desespera para liberar-se.
        -- Quero voc dolorida, querida, -- ele murmura, e segue com seu doce e pausado
suplcio, para frente e para trs.
-- Quero que, cada vez que te mova amanh, recorde que estive dentro de ti. S eu. Voc 
minha.
        Gemo.
        -- Christian, por favor, -- sussurro.
        -- O que quer, Anastsia? Diga-me.
        Volto a gemer. Ele retira-se e volta a me penetrar lentamente, de novo riscando
crculos com os quadris.
        -- Diga-me, -- ele murmura.
        -- Voc, por favor.
        Ele aumenta o ritmo progressivamente e sua respirao se volta irregular. Comeo a
tremer por dentro, e Christian acelera o ritmo.
        -- Voc... ... to... doce, -- ele murmura ao ritmo de suas investidas. -- Eu... lhe...
desejo... tanto...
        Gemo.
        -- Voc... ... minha... Goze para mim, querida, -- ele gritou.
        Suas palavras so minha perdio, lanam-me pelo precipcio. Sinto que meu corpo se
convulsiona e venho gritando e balbuciando uma verso de seu nome contra o colcho.


                    93
Christian investe at o fundo mais duas vezes e fica paralisado, goza e se derrama dentro de
mim. Desaba-se sobre meu corpo, com o rosto afundado em meu cabelo.
        -- Porra, Ana, -- ele ofega. Ele retira-se imediatamente e cai, rodando em seu lado da
cama. Eu puxo meus joelhos at o peito, totalmente esgotada, e imediatamente caio em um
sonho profundo.
        Quando eu acordo, ainda est escuro. No tenho nem ideia de quanto tempo eu dormi.
Estiro as pernas debaixo do edredom e me sinto dolorida, deliciosamente dolorida. No vejo
Christian em nenhum lugar. Sento na cama e contemplo a cidade  minha frente. H menos
luzes acesas nos arranha-cus e o amanhecer j se insinua. Ouo msica. As notas
cadenciadas do piano. Um doce e triste lamento. Bach21, eu acredito, mas no estou segura.
        Jogo o edredom de lado e me dirijo sem fazer rudo, pelo corredor que leva ao grande
salo.
        Christian est sentado ao piano, totalmente absorto na melodia que est tocando. Sua
expresso  triste e desamparada, como a msica. Toca maravilhosamente bem. Apoio-me na
parede da entrada e escuto encantada.  uma msica extraordinria. Est nu, com o corpo
banhado na clida luz de um abajur solitrio junto ao piano. Como o resto do salo est
escuro, parece isolado em seu pequeno foco de luz, intocvel... sozinho, em uma bolha.
        Avano para ele em silencio, atrada pela sublime e melanclica msica. Estou
fascinada. Observo seus compridos e hbeis dedos percorrendo e pressionando suavemente as
teclas, e penso que esses mesmos dedos percorreram e acariciaram com destreza meu corpo.
Ruborizo-me ao pens-lo, sufoco um grito e aperto as coxas. Christian levanta seus
insondveis olhos cinza com expresso indecifrvel.
        -- Desculpe, -- eu sussurro. -- No queria incomodar voc.
        Ele franze ligeiramente o cenho.
        -- Certamente, eu deveria estar dizendo isso para voc, -- ele murmura. Deixa de
tocar e apoia as mos nas pernas.
        De repente, me dou conta de que estava vestido com uma cala de pijama. Ele passa os
dedos pelo cabelo e se levanta.
As calas lhe caem dessa maneira to sexy... oh, meu Deus. Minha boca est seca quando
rodeia tranquilamente o piano e se aproxima de mim. Ele tem os ombros largos e os quadris
estreitos, ao andar lhe esticam os abdominais.  impressionante...
        -- Devia estar na cama, -- ele adverte-me.
-- Um tema muito bonito. Bach?
        -- A transcrio  de Bach, mas originariamente  um concerto para obo do
Alessandro Marcello.
        -- Precioso, embora muito triste, uma msica muito melanclica.
        Ele esboa um meio sorriso.
        -- Para cama, -- ordena-me. -- Pela manh voc estar esgotada.
        -- Eu acordei e voc no estava.
        -- Tenho dificuldade para dormir. No estou acostumado a dormir com algum, -- ele
murmura. Eu no consigo discernir qual  seu estado de nimo. Parece um pouco desanimado,
mas  difcil de saber, por causa da escurido. Talvez se deva ao tom do tema que estava
tocando. Rodeia-me com um brao e me leva carinhosamente para o quarto.
     21
           Johann Sebastian Bach foi um compositor, cantor, maestro, professor, organista, cravista, violista e violinista da
           Alemanha.
                                                       94
        -- Quando comeou a tocar? Touca muito bem.
        -- Aos seis anos.
-- Oh. -- Christian aos seis anos... tento imaginar a imagem de um pequeno menino de
cabelo acobreado e olhos cinza, e meu corao derrete... Um menino de cabelos alvoroados,
que gosta de msica incrivelmente triste.
        -- Como se sente? -- pergunta-me j de volta no quarto. Ele liga uma luminria.
        -- Estou bem.
        Ns dois olhamos para a cama ao mesmo tempo. Os lenis esto manchados de
sangue, como uma prova de minha virgindade perdida. Ruborizo-me, embaraada e jogo o
edredom por cima.
        -- Bem, a senhora Jones ter algo no que pensar, -- Christian resmunga na minha
frente. Coloca a mo debaixo do meu queixo, levanta-me o rosto e me olha fixamente.
Observa-me com olhos intensos. Dou-me conta de que  a primeira vez que o vejo com o
peito nu. Instintivamente, eu estico a mo, de forma que meus dedos passem pelo seu peito.
Quero sentir os pelos escuros do seu peito, mas, imediatamente, d um passo atrs.
        -- V para cama, -- me diz bruscamente. E logo suaviza um pouco o tom. -- Deitarei
um pouco contigo.
        Retiro a mo e franzo levemente o cenho. Eu penso que nunca toquei o seu tronco. Ele
abre uma gaveta, saca uma camiseta e a veste rapidamente.
        -- Para a cama, -- ele volta a me ordenar. Eu salto na cama tentando no pensar no
sangue.
        Ele deita-se tambm e me rodeia com os braos por trs, de maneira que no veja seu
rosto. Beija-me o cabelo com suavidade e inala profundamente.
        -- Durma, doce Anastsia -- ele murmura, e eu fecho os olhos, mas no posso evitar
sentir certa melancolia, no sei se  pela msica ou pela sua conduta. Christian Grey tem um
lado triste.




                95
         Captulo 09

        A luz inundava o quarto, arrancando-me de um sono profundo. Eu me espreguio e
abro os olhos. Era uma bonita manh de maio, com Seattle aos meus ps. Uau, que vista.
Christian Grey est profundamente adormecido ao meu lado. Surpreende-me que esteja ainda
na cama. Como est de cara para mim, tenho a oportunidade de examin-lo bem, pela
primeira vez. Seu formoso rosto parece mais jovem, relaxado em seu sono. Seus lbios
esculturais, carnudos esto ligeiramente abertos, e o seu cabelo, limpo e brilhante, em gloriosa
confuso. Como algum pode ser to bonito e mesmo assim ser frio? Recordo seu quarto no
andar de cima... talvez no seja to frio. Sacudo minha cabea, tenho muito em que pensar.
Sinto a tentao de esticar a mo e toc-lo, mas est to adorvel dormindo, como um
garotinho. Eu no tenho que me preocupar com o que estou dizendo, pelo que diz ele, ele tem
planos, especialmente planos para mim.
        Eu poderia passar o dia todo o contemplando, mas tenho minhas necessidades...
fisiolgicas. Saio devagar da cama, vejo sua camisa branca no cho e me visto com ela.
Dirijo-me para a uma porta pensando que podia ser o banheiro, mas acabo dentro de um
closet to grande quanto o meu quarto. Filas e filas de trajes caros, de camisas, sapatos e
gravatas. Para que necessita de tanta roupa? Eu estalo a lngua em desaprovao. Na verdade,
o closet de Kate certamente no fica devendo nada a este. Kate! Oh, no. No me lembrei
dela uma nica vez a noite toda. Eu tinha que lhe mandar uma mensagem. Merda. Ela vai se
zangar comigo. Por um segundo, me pergunto como est com o Elliot.
        Volto para o quarto, Christian continua dormido. Abro a outra porta.  o banheiro,
maior que meu quarto de dormir. Para que necessita tanto espao um homem sozinho? Duas
pias, eu observo com ironia. Se nunca dorme com ningum, uma das duas no  utilizada.
        Olho-me no enorme espelho. Pareo diferente? Sinto-me diferente. Para ser sincera,
estou um pouco dolorida, e os msculos...  como se nunca tivesse feito exerccio na vida.
Voc no faz exerccios em sua vida, diz-me meu subconsciente, que despertou.
Ele me olha franzindo os lbios e batendo com o p no cho. Acaba de se deitar com ele, voc
entregou sua virgindade a um homem que no a ama, que tem planos muito estranhos para
voc, que quer convert-la em uma espcie de pervertida escrava sexual.
        VOC EST LOUCA?  ele grita para mim.
                    96
        Sigo me olhando no espelho e estremeo. Tenho que assimilar tudo isto.
Honestamente, gostei de perder para um homem que est para alm de bonito, mais rico que
Creso, e que tem um Quarto Vermelho da Dor me esperando. Estremeo. Estou desconcertada
e confusa. Meu cabelo est um desastre, como sempre. O cabelo revolto no fica nada bem.
Tento pr ordem nesse caos com os dedos, mas no o consigo e me rendo... Possivelmente
tenha algum elstico na bolsa.
        Morro de fome. Volto para o quarto. O belo adormecido continua dormindo, assim, o
deixo e vou  cozinha.
        OH, no... Kate. Deixei a bolsa no estdio de Christian. Vou busc-la e pego meu
celular. Trs mensagens.

       *Tudo OK Ana*

       *Onde ests Ana*

       *Que droga Ana*

        Ligo para Kate, mas no me responde e lhe deixo uma mensagem na secretria
eletrnica, lhe dizendo que estou viva e que o Barbazul no acabou comigo, bem, ao menos
no no sentido que poderia lhe preocupar... ou talvez sim. Estou muito confusa. Tenho que
tentar me esclarecer e analisar meus sentimentos por Christian Grey.  impossvel. Movo a
cabea me dando por vencida. Preciso estar sozinha, longe daqui, para pensar.
        Encontro na bolsa dois elsticos para o cabelo e rapidamente fao duas tranas. Sim!
Possivelmente quanto mais menina parea, mais a salvo estarei do Barbazul. Pego o meu iPod
na bolsa e coloco os fones. No h nada como msica, para cozinhar. Coloco o iPod no bolso
da camisa de Christian, subo o volume e comeo a danar.
        Santo inferno, eu estou faminta.
        A cozinha me intimida um pouco.  elegante e moderna, com armrios sem
puxadores. Demoro uns segundos em chegar  concluso de que tenho que pressionar as
portas para que se abram. Possivelmente deveria preparar o caf da manh para Christian. No
outro dia comeu uma panqueca... Bem, ontem, no Heathman. Caramba, quantas coisas
aconteceram desde ontem. Abro a geladeira, vejo que h muitos ovos e pego o que quero para
panquecas e bacon. Comeo a fazer a massa danando pela cozinha.
        Estar ocupada  bom. Isso me concede um pouco de tempo para pensar, mas sem
aprofundar muito. A msica que ressona em meus ouvidos tambm me ajuda a afastar os
pensamentos profundos. Eu vim para c para passar a noite na cama de Christian Grey e
consegui, embora ele no permita a ningum dormir em sua cama. Sorrio. Misso cumprida.
Bons momentos. Sorrio. Bons, muito bons momentos, e comeo a divagar recordando a noite.
Suas palavras, seu corpo, sua maneira de fazer amor... Fecho os olhos, meu corpo vibra ao
record-lo e os msculos de meu ventre se contraem. Meu subconsciente me faz cara feia. Sua
maneira de foder, no de fazer amor, grita-me como uma harpia. No fao conta, mas no
fundo sei que tem razo. Movo a cabea para me concentrar no que estou fazendo.


                97
        A cozinha  muito sofisticada. Confio que saberei como funciona. Necessito de um
lugar para deixar as panquecas, para que no esfriem. Comeo com o bacon. Amy Studt est
cantando em meu ouvido uma cano sobre gente inadaptada, uma cano que sempre
significou muito para mim, porque sou uma inadaptada. Nunca me encaixei em nenhum lugar,
e agora... tenho que considerar uma proposta indecente do Rei dos Desajustes. Por que
Christian  assim? Por natureza ou por educao? Nunca conheci a ningum igual.
        Coloco o bacon no grill, enquanto frita, bato os ovos. Volto-me e vejo Christian
sentado em um tamborete, com os cotovelos em cima do balco de caf da manh e o rosto
apoiado na mo. Veste a camiseta com que dormiu. O cabelo revolto lhe fica realmente bem,
assim como a barba de dois dias. Parece divertido e surpreso ao mesmo tempo. Fico
paralisada e ruborizada. Logo me acalmo e tiro os fones. Com os joelhos tremendo, s de v-
lo.
        -- Bom dia, senhorita Steele. Est muito ativa esta manh, -- diz-me em tom frio.
        -- Eu dormi bem, -- digo-lhe gaguejando. Ele tenta dissimular seu sorriso.
        -- No imagino por que. -- ele faz uma pausa e franze o cenho. -- Eu tambm,
quando voltei para a cama.
        -- Est com fome?
        -- Muita, -- responde-me com um olhar intenso, e acredito que no se refere 
comida.
        -- Panquecas, bacon e ovos?
        -- Soa muito bem.
        -- No sei onde esto os guardanapos de mesa. -- Encolho os ombros e tento
desesperadamente no parecer nervosa.
        -- Eu me ocupo disso. Voc cozinha. Quer que ponha msica, ento voc pode
continuar... err... danando?
        Olho para os meus dedos, perfeitamente consciente de que estou ruborizando.
        -- Por favor, no pare por minha causa. Isso  muito interessante, -- diz-me em tom
zombador.
        Enrugo os lbios. Interessante, verdade? Meu subconsciente se dobra de rir.
Viro e sigo batendo os ovos, certamente com mais fora do que necessrio.
Num instante, ele est ao meu lado. Ele gentilmente puxa a minha trana.
        -- Eu adoro isso, -- sussurra. -- Mas no vo proteger voc.
Mmm, Barbazul...
        -- Como quer os seus ovos? -- pergunto-lhe bruscamente. Ele sorri.
        -- Completamente batidos e espancados, -- ele sorri.
        Sigo com o que estava fazendo tentando ocultar meu sorriso.  difcil no ficar louca
por ele, especialmente quando est to brincalho, o qual no  nada frequente. Abre uma
gaveta, saca duas toalhas individuais negras e as coloca no balco. Jogo o ovo batido em uma
frigideira, pego o bacon do grill, dou a volta e coloco mais no grill.
        Quando me volto, h suco de laranja no balco e Christian est preparando caf.
        -- Quer um ch?
        -- Sim, por favor. Se tiver.



                 98
        Pego um par de pratos e os coloca em cima de uma bandeja de aquecimento para
mant-los quentes. Christian abre um armrio e saca uma caixa de ch Twinings English
Breakfast. Franzo os lbios.
        -- Um bocado de concluses precipitadas, no ?
        -- Voc cr? No tenho certeza que tenhamos concludo nada, ainda, senhorita Steele,
-- ele murmura.
        O que ele quer dizer com isso? Nossa negociao? Nossa, err... relao... seja o que
for? Ele ainda  to enigmtico. Sirvo o caf da manh nos pratos quentes, que esto em cima
dos guardanapos de mesa. Abro a geladeira e pego xarope de arce.
        Olho para Christian, ele est esperando que eu me sente.
        -- Senhorita Steele. -- diz-me assinalando um tamborete.
        -- Senhor Grey. -- Concordo com a cabea, em reconhecimento. Ao me sentar, fao
uma ligeira careta de dor.
        -- Est muito dolorida? -- pergunta-me, enquanto tambm toma assento.
        Ruborizo-me. Por que me faz perguntas to pessoais?
        -- Bem, para falar a verdade, no tenho com o que comparar isso, -- respondo-lhe. --
Queria me oferecer sua compaixo? -- pergunto-lhe em tom muito doce. Acredito que tenta
reprimir um sorriso, mas no estou segura.
        -- No. Perguntava-me se devemos seguir com seu treinamento bsico.
        -- Oh. -- Olho para ele estupefata, contenho a respirao e estremeo. Oh... eu
adoraria. Sufoco um gemido.
        -- Coma, Anastsia. -- Meu apetite se tornou incerto, novamente... mais... mais
sexo... sim, por favor.
        -- Isto est delicioso, a propsito. -- Ele sorri para mim.
        Eu tento uma garfada de omelete, mas mal posso prov-lo. Treinamento bsico!
Quero foder a sua boca. O que faz parte do treinamento bsico?
        -- Deixe de morder o lbio.  muito perturbador, e acontece que me dei conta de que
no est vestindo nada debaixo de minha camisa, e isso me desconcentra ainda mais. -- Ele
rosna.
        Inundo a bolsa de ch no bule que Christian me trouxe. Minha cabea est dando
voltas.
        -- Em que tipo de treinamento bsico est pensando? -- pergunto-lhe, minha voz est
com um volume um pouco alto, o que trai meu desejo de parecer natural, como se no me
importasse muito, e o mais tranquila possvel, em que pese, os hormnios esto causando
estragos por todo meu corpo.
        -- Bem, como est dolorida, pensei que poderamos nos dedicar s tcnicas orais.
        Engasgo-me com o ch e o olho para ele, com os olhos arregalados. Ele me d
tapinhas nas costas e me aproxima o suco de laranja. No tenho nem ideia de no que est
pensando.
        -- Isto , se voc quiser ficar, -- ele acrescenta. Olho para ele tentando recuperar o
equilbrio. Sua expresso  impenetrvel.  muito frustrante.
        -- Eu gostaria de ficar durante o dia, se no houver problema. Amanh tenho que
trabalhar.
        -- A que hora tem que estar no trabalho?

                  99
        -- s nove.
        -- Levarei voc ao trabalho amanh, s nove.
        Franzo o cenho. Quer que eu fique outra noite?
        -- Tenho que voltar para casa esta noite. Preciso trocar de roupa.
        -- Podemos comprar algo.
        No tenho dinheiro para comprar roupa. Levanta a mo, agarra o meu queixo e faz
meus dentes soltarem meu lbio inferior. Eu no estava consciente de que me estava
mordendo o lbio.
        -- O que acontece? -- pergunta-me.
        -- Tenho que voltar para casa esta noite.
        Ele aperta a boca em uma linha dura.
        -- Ok, esta noite, -- ele aceita. -- Agora acabe o caf da manh.
        Minha cabea e meu estmago do voltas. Meu apetite sumiu. Contemplo a metade de
meu caf da manh, que segue no prato. J no tenho fome.
        -- Coma, Anastsia. Ontem  noite no jantou.
        -- No tenho fome, de verdade, -- sussurro.
        Ele aperta os olhos.
        -- Eu gostaria muito que terminasse o seu caf da manh.
        -- Qual o seu problema com a comida? -- Eu deixo escapar. Ele franze a testa.
        -- J te disse que no suporto desperdiar comida. Coma, diz-me bruscamente, com
expresso sombria, doda.
        Droga. O que  tudo isto? Pego o garfo e como devagar, tentando mastigar.
Se for ser sempre to estranho com a comida, terei que lembrar para no encher tanto o prato.
Seu semblante se adoa a medida que vou comendo o caf da manh. Observo-o retirar seu
prato. Espera a que eu termine e retira o meu tambm.
        -- Voc cozinhou, eu limpo.
        -- Muito democrtico.
        -- Sim. -- diz-me, franzindo o cenho. -- No  meu estilo habitual. Assim que
acabar, tomaremos um banho.
        -- Oh, ok. Oh meu Deus... Eu preferiria uma ducha. O som de meu telefone me tira do
devaneio.  Kate.
        -- Ol. -- Afasto-me dele e me dirijo para as portas de vidro da varanda, na minha
frente.
        -- Ana, por que no me mandou uma mensagem ontem  noite? -- Ela est zangada.
        -- Desculpe-me. Eu fui superada pelos acontecimentos.
        -- Voc est bem?
        -- Sim, perfeitamente.
        -- Voc fez? -- Ela tenta conseguir a informao. Eu rolo meus olhos com a
expectativa em sua voz.
        -- Kate, eu no quero comentar isso por telefone. -- Christian eleva os olhos para
mim.
        -- Voc fez... eu posso dizer.
        Como pode estar segura? Ela est blefando, e eu no posso falar sobre isso. Eu assinei
um maldito acordo.

                 100
        -- Kate, por favor.
        -- Como foi? Voc est bem?
        -- J te disse que estou perfeitamente bem.
        -- Ele foi gentil?
        -- Kate, por favor! - No posso reprimir meu aborrecimento.
        -- Ana, no me oculte isso. Estou a quase quatro anos esperando este momento.
-- Nos veremos esta noite. -- E desligo.
        Vou ter dificuldade com esse assunto.  muito obstinada e quer que eu conte tudo com
detalhes, mas no posso contar-lhe porque assinei um... como se chama? Um contrato de
confidencialidade.
Ela vai ter um ataque e com razo. Tenho que pensar em algo. Volto  cabea e observo
Christian movendo-se com desenvoltura pela cozinha.
        -- O acordo de confidencialidade abrange tudo? -- pergunto-lhe indecisa.
        -- Por qu? -- Ele se vira e me olha, enquanto guarda a caixa de ch. Ruborizo-me.
        -- Bom, tenho algumas duvidas, j sabe... sobre sexo. -- Falo com ele, olhando os
dedos. -- E eu gostaria de conversar com Kate.
        -- Voc pode falar comigo.
        -- Christian, com todo o respeito... -- Fico sem voz. Eu no posso falar com voc.
Vou pegar o seu vis, enrolado como o inferno, com sua distorcida viso de sexo. Quero uma
opinio imparcial. --  apenas sobre a mecnica. No vou mencionar o Quarto Vermelho da
Dor.
        Ele levanta as sobrancelhas.
        -- Quarto Vermelho da Dor? Trata-se, sobretudo, de prazer, Anastsia. Acredite-me.
-- Ele diz.
-- E alm disso, -- ele acrescenta em tom mais duro, -- sua companheira de quarto est
saindo com meu irmo. Preferia que voc no falasse com ela.
        -- Sua famlia sabe algo sobre as suas... preferncias?
        -- No. No  assunto deles. -- ele aproxima-se de mim.
-- O que quer saber? -- pergunta-me, ele desliza os dedos gentilmente pela minha bochecha
at o queixo, depois o levanta para me olhar diretamente nos olhos. Estremeo por dentro.
No posso mentir para este homem.
        -- No momento, nada de concreto, -- sussurro.
        -- Bem, podemos comear perguntando como foi para voc ontem  noite? -- A
curiosidade ardia nos seus olhos. Estava impaciente para saber. Uau.
        -- Bom, - eu murmuro.
        Esboa um ligeiro sorriso.
        -- Para mim tambm, -- ele murmura. -- Eu nunca fiz sexo baunilha antes. H muito
a ser dito sobre ele. Mas, ento, talvez seja porque  com voc. -- Desliza o polegar por meu
lbio inferior.
        Eu inalo fortemente. Sexo baunilha?
-- Venha, vamos tomar um banho. -- Ele se inclina e me beija. O meu corao d um salto e
o desejo percorre o meu corpo e se concentra... na minha parte mais profunda.
A banheira  branca, profunda e ovalada, muito designer. Christian se inclina e abre a torneira
da parede ladrilhada. Bota na gua um leo de banho que parece muito caro.  medida que a

                  101
banheira vai enchendo forma-se uma espuma, um doce e sedutor aroma de jasmim invade o
banheiro. Christian me olha com olhos impenetrveis, tira a camiseta e a joga no cho.
        -- Senhorita Steele. -- diz-me, estendendo a mo.
        Estou ao lado da porta, com os olhos muito abertos, receosa e com as mos ao redor do
corpo. Aproximo-me admirando furtivamente seu corpo. Agarro-lhe a mo que me estende,
enquanto entro na banheira, ainda com sua camisa posta. Fao o que me diz. Vou ter que me
acostumar, se acabar aceitando sua escandalosa oferta... se! A gua quente  tentadora.
        -- Vire-se e me olhe, -- ordena-me em voz baixa.            Fao o que me pede.
Observa-me com ateno.
        -- Sei que esse lbio  delicioso, posso atestar isso, mas pode deixar de mord-lo? --
diz-me apertando os dentes. -- Quando faz isso, tenho vontade de foder voc, e est dolorida,
no ?
        Deixo de me morder o lbio porque fico boquiaberta, impactada.
        -- Isso -- ele desafia. -- Voc entendeu. -- Ele me olha. Concordo com a cabea,
freneticamente. No tinha nem ideia de que eu pudesse lhe afetar tanto.
        -- Bom. -- Ele aproxima-se, pega o iPod do bolso da camisa e o deixa em cima da
pia.
        -- gua e iPods... no  uma combinao muito inteligente -- ele murmura. Inclina-
se, agarra a camisa branca por baixo, puxa de meu corpo e a joga no cho.
        Afasta-se para me contemplar. Meu Deus, eu estou completamente nua. Fico vermelha
e olho para as minhas mos, que esto  altura da minha barriga. Desejo desesperadamente
desaparecer dentro da gua quente com espuma, mas sei que ele no vai querer que o faa.
        -- Oua -- chama-me. Eu olho para ele. Tem o rosto inclinado para um lado. --
Anastsia,  muito bonita, toda voc. No baixe a cabea como se estivesse envergonhada.
No tem por que se envergonhar, eu asseguro a voc que  um prazer poder lhe contemplar.
Pega o meu queixo e me levanta a cabea para que olhe para ele. Seus olhos so doces e
quentes, at ardentes. Oh meu Deus. Est muito perto de mim. Poderia estender o brao e
toc-lo.
        -- Voc pode se sentar agora. -- ele me diz, interrompendo meus pensamentos
errticos, agacho-me e me meto na agradvel gua quente. Oh... isso arde. Isso me pega de
surpresa, mas tem um cheiro maravilhoso, porm, a ardncia inicial no demora para
diminuir. Deito-me de barriga para cima, fecho os olhos um instante e me relaxo na
tranquilizadora calidez. Quando os abro, est me olhando fixamente.
        -- Por que no toma um banho comigo? -- atrevo-me a lhe perguntar, embora com
voz rouca.
        -- Eu acho que vou. Mova-se para frente, -- ordena-me.
        Ele tira as calas do pijama e se mete na banheira atrs de mim. A gua sobe de nvel
quando se senta e me puxa para que me apoie em seu peito. Coloca suas longas pernas em
cima das minhas, com os joelhos flexionados e os tornozelos  mesma altura dos meus, e me
abre as pernas com os ps. Fico boquiaberta. Coloca o nariz entre meus cabelos e inala
profundamente.
-- Voc cheira bem, Anastsia.
        Um tremor me percorre todo o corpo. Estou nua em uma banheira com Christian
Grey.

                 102
E ele tambm est nu. Se algum me houvesse isso dito ontem, quando despertei na sute do
hotel, no teria acreditado.
        Agarra um frasco de gel da prateleira junto  banheira e joga um pouco na mo.
Esfrega as mos para fazer uma ligeira quantidade de espuma, coloca-me isso ao redor do
pescoo e comea a me estender o sabo pela nuca e os ombros, massageando-os com fora
com seus compridos e fortes dedos. Eu gemo. Eu adoro sentir suas mos.
        -- Voc gosta? -- Quase posso ouvir seu sorriso.
        -- Mmm.
        Desce pelos meus braos, logo por debaixo at as axilas, me esfregando brandamente.
Fico muito contente por Kate ter insistido em que me depilasse. Desliza as mos por meus
seios, e inala drasticamente  medida que seus dedos os rodeiam e comeam a massage-los
brandamente, sem agarr-los. Arqueio meu corpo instintivamente e empurro os seios contra
suas mos. Tenho os mamilos sensveis, muito sensveis, sem dvida pela pouca delicadeza
com que foram tratados ontem  noite. Ele no se entretm muito tempo com eles. Desliza as
mos at meu ventre. Minha respirao acelera e o corao dispara. Sinto sua ereo contra
meu traseiro. Excita-me saber que  o meu corpo que o faz se sentir dessa forma. Claro... no
sua cabea. Meu subconsciente zomba. Espanto o inoportuno pensamento.
        Ele para e pega uma toalhinha enquanto eu encosto contra ele, querendo...
necessitando. Apoio s mos em suas coxas firmes e musculosas. Joga mais gel na toalhinha,
inclina-se e me esfrega entre as minhas pernas. Contenho a respirao. Seus dedos habilmente
me estimulam atravs do tecido,  celestial, e meus quadris comeam a mover-se no seu
ritmo, pressionando contra sua mo.  medida que as sensaes se apoderam de mim, inclino
a cabea para trs com os olhos semicerrados e a boca entreaberta. Gemo. Dentro de mim
aumenta a presso, lenta e inexoravelmente... oh meu Deus.
        -- Sente isso, querida -- Christian sussurra em meu ouvido, e me roa suavemente o
lbulo com os dentes. -- Sinta-o para mim.
        Suas pernas imobilizam as minhas, contra as paredes da banheira, aprisionando-as, o
que lhe d livre acesso as minhas partes mais ntimas.
        -- Oh... por favor -- sussurro. Meu corpo fica rgido e tento esticar as pernas. Sou
uma escrava sexual deste homem, que no deixa que me mova.
        -- Acredito que j est suficientemente limpa -- ele murmura e se detm. O que?
No! No! No!
Minha respirao est irregular.
        -- Por que voc parou? -- pergunto-lhe, ofegante.
        -- Porque tenho outros planos para ti, Anastsia.
        O que... oh meu Deus... mas... eu estava... isso no  justo.
        -- Vire-se. Eu tambm tenho que me lavar -- ele murmura.
        Oh! Viro-me e fico pasma ao ver que ele agarra o membro ereto com fora.
        Estou de boca aberta.
        -- Quero que, para comear, conhea bem a parte mais valiosa de meu corpo, minha
parte favorita. Estou muito ligado a isso.
 to grande e est crescendo. O membro ereto fica por cima da gua, que lhe chega
aos quadris. Levanto os olhos um segundo e observo seu sorriso perverso. Diverte-se com
minha expresso atnita. Dou-me conta de que estou olhando fixamente para o seu membro.

                103
Engulo a saliva. Tudo isso esteve dentro de mim! Parece impossvel. Ele quer que eu o toque.
Mmm... ok, traga-o.
        Sorrio para ele, pego o gel e jogo um pouco na mo. Fao o mesmo que ele fez,
esfrego o sabo nas mos at que forme espuma. No tiro os olhos dos seus. Entreabro os
lbios para que fique mais fcil respirar... e deliberadamente mordo o lbio inferior e logo
passo a lngua por cima, pela zona que acabo de morder. Ele me olha com olhos srios,
impenetrveis, que se abrem enquanto deslizo a lngua pelo lbio. Inclino-me e lhe rodeio o
membro com uma mo, imitando a maneira como ele prprio o agarra. Fecho os olhos por um
momento. Uau...  muito mais duro do que pensava. Percebo que ele colocou a sua mo sobre
a minha. -- Assim, -- ele sussurra e move a mo para cima e para baixo, segurando meus
dedos com fora, que por sua vez, apertam com fora o seu membro. Fecho de novo os olhos
e prendo a respirao. Quando volto a abri-los, seu olhar  de um cinza abrasador. --Muito
bem, querida.
        Ele solta a minha mo, deixa que eu siga sozinha e fecha os olhos enquanto movo a
mo para cima e para baixo. Ele flexiona ligeiramente os quadris na minha mo, e
reflexivamente eu o agarro com mais fora. Do mais profundo da garganta lhe escapa um
rouco gemido. Foder a minha boca... Mmm. Recordo que ele colocou o polegar em minha
boca e me pediu que o chupasse com fora. Abre a boca  medida que sua respirao se
acelera. Tem os olhos fechados. Inclino-me, coloco os lbios ao redor de seu membro e chupo
de forma vacilante, deslizando a lngua pela ponta.
        -- Uau... Ana. -- Ele arregala os olhos e sigo chupando forte.
        Mmm...  duro e suave ao mesmo tempo, como ao recoberto de veludo,
surpreendentemente saboroso, salgado e suave.
        -- Cristo, -- ele geme, e volta a fechar os olhos.
        Movendo para baixo, eu o empurro dentro de minha boca. Ele volta a gemer. Ha!
Minha deusa interior est encantada. Eu posso faz-lo. Eu posso fod-lo com minha boca.
Volto a girar a lngua ao redor da ponta, e ele se arqueia e levanta os quadris. Tem os olhos
abertos, e eles despedem fogo. Volta a arquear-se apertando os dentes. Apoio-me em suas
coxas e empurro a boca at o fundo. Sinto nas mos que suas pernas se esticam. Agarra-me
pelas tranas e comea realmente a mover-se.
        -- Oh... querida...  fantstico, -- ele murmura. Eu chupo mais forte e passo a lngua
pela ponta de sua impressionante ereo. Pressiono com a boca, cobrindo os dentes com os
lbios. Ele respira com a boca entreaberta e geme.
        -- Jesus. At onde voc pode chegar? -- ele sussurra.
        Mmm... Empurro com fora e sinto seu membro no fundo da garganta, e logo nos
lbios outra vez. Passado a lngua pela ponta.  como ter meu prprio picol com sabor
Christian Grey. Chupo cada vez mais depressa, empurrando cada vez mais fundo e girando a
lngua ao redor. Mmm... No tinha nem ideia de que proporcionar prazer podia ser to
excitante, ao v-lo retorcer-se sutilmente de desejo carnal. Minha deusa interior dana
merengue com alguns passos de salsa.
        -- Anastsia, eu vou gozar em sua boca, -- ele adverte-me ofegante. -- Se no quiser,
pare agora. Ele flexiona os quadris outra vez, com os olhos muito abertos, cautelosos e cheios
de desejo lascivo... e me deseja. Deseja a minha boca... oh meu Deus.


                 104
        Caramba. Agarra-me pelo cabelo com fora. Eu posso fazer isso. Empurro ainda com
mais fora e de repente, em um momento de inslita segurana em mim mesma, descubro os
dentes. Isso o derruba pela borda.
Ele grita, fica imvel e sinto um lquido quente e salgado deslizando pela minha garganta.
Engulo isso rapidamente. Ugh... Eu no tenho certeza sobre isso. Mas basta um olhar para ele
para que no me importe, ele gozou na banheira por minha causa. Sento-me para trs e o
observo com um sorriso triunfal, que me eleva as comissuras da boca. Ele respira
entrecortadamente. Abre os olhos e me olha.
-- No tem nsia de vmito? -- pergunta-me atnito. -- Cristo, Ana... isso foi.. realmente
bom, de verdade, muito bom. Embora eu no esperasse. -- Ele franze o cenho. --Sabe, voc
no deixa de me surpreender.
        Sorrio e mordo o lbio conscientemente. Ele me olha especulativamente.
        -- Voc j tinha feito isso antes?
        -- No. -- No posso ocultar um ligeiro matiz de orgulho em minha negativa.
        -- Bom, -- ele diz complacentemente e, conforme acredito, aliviado. -- Outra
novidade, senhorita Steele.
Avalia-me com o olhar. -- Bom, tem um `A' em tcnicas orais. Venha, vamos para cama.
Devo-lhe um orgasmo.
        Orgasmo! Outro!
        Sai rapidamente da banheira e me oferece a primeira imagem completa do Adnis de
divinas propores que  Christian Grey. Minha deusa interior deixou danar e o observa
tambm, boquiaberta e babando. Sua ereo se reduziu, mas segue sendo importante... Uau.
Ele enrola uma pequena toalha na cintura para cobrir o essencial, e pega outra maior e suave,
de cor branca, para mim. Saio da banheira e lhe agarro a mo que me estende. Envolve-me na
toalha, abraa-me e me beija com fora, me colocando a lngua na boca.
Desejo estirar os braos e abra-lo... toc-lo... mas os tenho presos dentro da toalha. No
demoro para me perder em seu beijo. Segura a minha cabea com as mos, percorre-me a
boca com a lngua e me d a sensao de que est me expressando sua gratido... talvez... pela
minha primeira felao? Uau?
        Afasta-se um pouco, coloca as mos em ambos os lados do meu rosto, e me olha nos
olhos. Parece perdido.
        -- Diga que sim, -- ele sussurra fervorosamente.
        Franzo o cenho, porque no o entendo.
        -- Para o qu?
        -- Sim, para o nosso acordo. Para ser minha. Por favor, Ana -- sussurra suplicante,
enfatizando o "por favor" e meu nome. Volta a me beijar com paixo, e logo se afasta e me
olha piscando. Agarra-me pela mo e me conduz de volta ao quarto, cambaleando um pouco,
eu o sigo mansamente. Aturdida. Ele realmente quer isso.
        J no quarto, observa-me junto  cama.
        -- Confia em mim? -- pergunta-me, de repente. Eu concordo, sacudindo a cabea,
com os olhos muito abertos, de repente me dou conta de que, efetivamente, confio nele. O
que vai fazer-me agora? Uma descarga eltrica me percorre o corpo.
        -- Boa garota, -- ele me diz, passando o polegar pelo lbio inferior. Aproxima-se do
armrio e volta com uma gravata cinza de seda.

                 105
        -- Junte as mos na frente, -- ordena-me, tirando-me a toalha e jogando-a no cho.
Fao o que me pede. Rodeia-me os pulsos com a gravata e faz um n apertado. Seus olhos
brilham de excitao. Puxa a gravata para assegurar-se de que o n no se mova. Tem que ter
sido escoteiro para saber fazer estes ns. E agora o qu? Meu pulso atravessou o telhado,
meu corao pulsa em um ritmo frentico. Desliza os dedos pelas minhas tranas.
        -- Voc parece to jovem com estas tranas, -- ele murmura aproximando-se de mim.
Instintivamente, me movo para trs at sentir a cama atrs dos meus joelhos. Ele tira a sua
toalha, mas no posso tirar os olhos de seu rosto. Sua expresso  ardente, cheia de desejo.
        -- Oh, Anastsia, o que vou fazer contigo? -- sussurra-me. Estende-me sobre a cama,
cai ao meu lado e me levanta as mos por cima da cabea.
        -- Deixa as mos assim. No as mova. Entendido? -- Seus olhos queimam os meus e
sua intensidade me deixa sem flego. No  um homem que se deva zangar. Nunca.
        -- Responda-me, -- ele me pede em voz baixa.
-- No moverei as mos. -- respondo-lhe sem flego.
        -- Boa garota, -- ele murmura e deliberadamente se passa a lngua pelos lbios muito
devagar. Fascina-me sua lngua percorrendo lentamente seu lbio superior. Olha-me nos
olhos, observa-me, examina-me. Inclina-se e me d um casto e rpido beijo nos lbios.
        -- Vou beijar seu corpo todo, senhorita Steele, -- diz-me em voz baixa, e agarra-me
pelo queixo e o levanta, isso lhe d acesso ao meu pescoo. Seus lbios deslizam pela minha
garganta, beijando, chupando e mordiscando. Todo meu corpo vibra com antecipao... em
toda parte. O banho recente me deixou com a pele hipersensvel. O sangue quente desce
lentamente at meu ventre, entre as pernas, at meu sexo. Eu gemo.
        Quero toc-lo. Movo as mos, mas, como estou amarrada, toco-lhe o cabelo com
bastante estupidez. Deixa de me beijar, levanta os olhos e move a cabea de um lado a outro
estalando a lngua. Pega as minhas mos e volta a me colocar acima da cabea.
        -- Se mover as mos, teremos que recomear -- ele repreende-me suavemente.
Oh, ele gosta de me provocar.
        -- Quero tocar em voc. -- Digo-lhe ofegando, sem poder me controlar.
        -- Eu sei, -- murmura. -- Mas deixe as mos quietas, -- ele ordena, sua voz  forte.
        Ele levanta o meu queixo de novo e comea a beijar a minha garganta como antes.
OH... ele  to frustrante.
Suas mos descem pelo meu corpo, sobre meus seios, enquanto seus lbios deslizam pelo meu
pescoo. Acaricia-me com a ponta do nariz, e logo, com a boca, d incio a uma lenta
travessia para o sul e segue o rastro das suas mos, pelo esterno, at meus seios. Beija-me e
me mordisca um, logo o outro, e me chupa suavemente os mamilos. Caramba.
Meus quadris comeam a balanar-se e a mover-se por conta prpria, seguindo o ritmo de sua
boca, e eu tento desesperadamente lembrar que tenho que manter as mos acima da cabea.
        -- No se mova, -- adverte-me, sinto sua clida respirao sobre minha pele. Chega
ao meu umbigo, introduz a lngua e me roa a barriga com os dentes. Meu corpo se arqueia.
-- Mmm. Que doce  voc, senhorita Steele. -- Desliza o nariz desde meu umbigo at meus
pelos pbicos, me mordendo suavemente e me provocando com a lngua. Sentando-se, de
repente, ele se ajoelha aos meus ps, agarra-me pelos tornozelos e me separa as pernas.
        Caramba. Ele agarra o meu p esquerdo, dobra meu joelho e leva o p  boca.


                106
Sem deixar de observar minhas reaes, beija ternamente cada um dos meus dedos e logo
morde cada um suavemente. Quando chega ao mindinho, morde com mais fora. Sinto uma
convulso e gemo. Ele desliza a lngua pelo peito do meu p... e j no posso mais v-lo.
Isso  muito ertico. Vou entrar em combusto. Aperto os olhos e tento absorver e suportar
todas as sensaes que me provoca. Beija-me o tornozelo e segue seu percurso pela
panturrilha at o joelho, onde se detm. Ento comea com o p direito, repetindo todo o
sedutor e assombroso processo.
        -- Oh, por favor, -- Eu gemo e ele morde meu dedo mindinho, e a dentada se projeta
no mais profundo de meu ventre.
-- Todas as coisas boas, senhorita Steele, -- ele respira.
Desta vez no se detm no joelho. Segue pela parte interior da coxa e de uma vez me separa
mais as pernas. Sei o que vai fazer, e uma parte de mim quer empurr-lo, porque morro de
vergonha. Ele vai me beijar l!. Eu sei disso. Mas outra parte de mim desfruta com
antecipao. Ele muda para o outro joelho e sobe at a coxa me beijando, me chupando, me
lambendo e, de repente, est entre minhas pernas, deslizando o nariz por meu sexo, para cima
e para baixo, muito suavemente, com muita delicadeza. Retoro-me... oh meu Deus.
        Ele para e espera que me acalme. Levanto a cabea e olho para ele com a boca aberta.
Meu acelerado corao tenta tranquilizar-se.
        -- Sabe o embriagador que seu aroma , senhorita Steele? -- ele murmura, e sem
afastar seus olhos dos meus, introduz o nariz em meus pelos pbicos e cheira.
        Ruborizo-me, sinto que vou desmaiar e fecho os olhos imediatamente. No posso v-
lo fazendo algo assim!
        Percorre-me muito devagar o sexo. Oh, foda...
        -- Eu gosto disso. -- Ele gentilmente puxa os meus pelos pbicos. -- Talvez devamos
manter isso.
        -- Oh... por favor, -- suplico-lhe.
        -- Mmm, eu gosto que me suplique, Anastsia.
E gemo.
        -- No estou acostumado a pagar com a mesma moeda, senhorita Steele, -- ele
sussurra deslizando-se pelo meu sexo. -- Mas hoje me agradou, assim tem que receber sua
recompensa. -- Ouo em sua voz o sorriso perverso, e enquanto meu corpo palpita com suas
palavras, comea a rodear meu clitris com a lngua, muito devagar, me sujeitando as coxas
com as mos.
        -- Ahhh! -- Eu gemo, meu corpo se arqueia e se convulsiona ao contato de sua
lngua.
        Segue me torturando com a lngua uma e outra vez. Perco a conscincia de mim
mesma. Todas as partculas de meu ser se concentram no pequeno ponto nevrlgico por cima
das coxas. As pernas ficam rgidas. Ouo seu gemido, enquanto me introduz um dedo.
        -- Oh, querida. Eu adoro que esteja to molhada para mim.
        Move o dedo riscando um amplo crculo, me expandindo, me empurrando, e sua
lngua segue o compasso do dedo ao redor de meu clitris. Gemo.  muito... Meu corpo
suplica por alivio, e no posso seguir me negando. Deixo-me ir. O orgasmo se apodera de
mim e perco todo pensamento coerente, retoro-me por dentro, uma e outra vez. Caramba. Eu


               107
grito, e o mundo se desmorona e desaparece de minha vista, enquanto a fora de meu clmax
torna tudo nulo e sem efeito.
        Estou ofegante e vagamente ouo quando ele rasga o envelope da camisinha. Muito
lentamente ele penetra em mim e comea a mover-se. Oh... meu.. Deus. A sensao 
dolorosa e doce, forte e suave ao mesmo tempo.
        -- Como est? -- pergunta-me em voz baixa.
        -- Bem. Muito bem, -- respondo-lhe. E comea a mover-se muito depressa, at o
fundo, investe uma e outra vez, implacvel, empurra e volta a empurrar at que volto a estar
perto da borda. Eu choramingo.
        -- Goze para mim, querida. -- Ele me fala no ouvido, com voz spera, dura e
selvagem, eu explodo enquanto bombeia rapidamente dentro de mim.
        -- Obrigada, porra -- ele sussurra e empurra forte uma vez mais e geme ao chegar ao
clmax apertando-se contra mim. Logo fica imvel, com o corpo rgido.
        Ele desaba sobre mim. Sinto o seu peso me esmagando contra o colcho. Passo minhas
mos atadas ao redor de seu pescoo e o abrao como posso. Eu sei, neste momento, que faria
qualquer coisa por este homem. Sou dele. A maravilha que est me ensinando  muito mais
do que jamais teria podido imaginar. E ele quer lev-la mais, muito mais, para um lugar que
eu no posso, na minha inocncia, nem sequer imaginar. Oh... o que devo fazer?
        Apoia-se nos cotovelos, e seus intensos olhos cinza me olham fixamente.
        -- V o bom que ns somos juntos? -- ele murmura. -- Se voc se entregar para
mim, ser muito melhor. Confie em mim, Anastsia. Posso transportar voc a lugares que
nem sequer sabe que existem.
        Suas palavras ecoam em meus pensamentos. Encosta o seu nariz no meu. Ainda no
me recuperei da minha inslita reao fsica e olho para ele com a mente em branco,
procurando algum pensamento coerente.
        De repente, ouvimos vozes no salo, do lado de fora da porta do quarto. Demoro um
momento para processar o que estou ouvindo.
        -- Se ainda est na cama, tem que estar doente. Ele nunca est na cama a estas
horas. Christian nunca se levanta tarde.
        -- Senhora Grey, por favor.
        -- Taylor, no pode me impedir de ver meu filho.
        -- Senhora Grey, ele no est sozinho.
        -- O que quer dizer com no est sozinho?
        -- Est com algum.
        -- Oh... -- At eu posso ouvir a descrena em sua voz.
        Christian pisca rapidamente, olhando para mim, com olhos arregalados, com horror
humorado.
        -- Merda!  minha me.




               108
        Captulo 10

        Ele puxa para fora de mim, de uma vez. Eu estremeo. Senta-se na cama, tira a
camisinha usada e joga em um cesto de papis.
        -- Vamos, temos que nos vestir... se quiser conhecer minha me. -- Ele sorri, levanta-
se da cama e veste o jeans, sem cuecas! Tento me levantar, mas continuo amarrada.
        -- Christian... no posso me mover.
        Seu sorriso se acentua, inclina-se e desamarra a gravata, que me deixou a marca do
tecido nos pulsos. Isto ... sexy. Observa-me divertido, com olhos danarinos. Beija-me
rapidamente na testa e me sorri.
        -- Outra novidade, -- ele reconhece, mas no tenho ideia do que est falando.
        -- Eu no tenho roupa limpa. -- De repente, estou cheia de pnico, considerando a
experincia que acabo de viver, o pnico me parece insuportvel. Sua me! Caramba. No
tenho roupa limpa e ela praticamente nos pegou em flagrante delito. --Talvez devesse ficar
aqui.
        -- Oh, no, voc no vai, -- Christian ameaa. -- Pode vestir algo meu. -- Ele veste
uma camiseta branca e passa a mo pelo cabelo revolto. Embora esteja muito nervosa, fico
embevecida. Ser que vou me acostumar a olhar para este homem?
        Sua beleza  desconcertante.
        -- Anastsia, voc ficaria bonita at com um saco. No se preocupe, por favor. Eu
gostaria que conhecesse minha me. Vista-se. Vou acalm-la um pouco. -- Aperta os lbios.
-- Espero voc no salo, dentro de cinco minutos, caso contrrio, eu virei e a arrastarei para
fora daqui, com qualquer coisa que esteja vestindo. Minhas camisetas esto nessa gaveta. As
camisas esto no closet. Sirva-se. -- Olha-me um instante, inquisitivo e sai do quarto.
        Caramba. A me de Christian.  muito mais do que esperava. Talvez conhec-la me
permita colocar algumas peas no quebra-cabea. Poderia me ajudar a entender por que
Christian  como ... De repente, quero conhec-la. Recolho minha blusa do cho e me alegro
por descobrir que sobreviveu a noite sem estar muito amassada. Encontro o suti azul debaixo
da cama e me visto rapidamente. Mas se h algo que odeio  usar calcinhas sujas. Dirijo-me 
cmoda de Christian e procuro uma de suas cuecas.
        Ponho-me uma cueca cinza da Calvin Klein, o jeans e meu Converse.
        Puxo a jaqueta, corro ao banheiro e observo meus olhos muito brilhantes, minha cara
vermelha... e meu cabelo. Caramba... as tranas esto desfeitas. Procuro uma escova, mas s
encontro um pente. Ele ter que servir. Um rabo de cavalo  a nica resposta. Eu me
desespero com minhas roupas. Talvez devesse aceitar a oferta de roupas de Christian.
Meu subconsciente franze os lbios e articula a palavra "vadia". No fao conta. Ponho a
jaqueta e me alegro de que os punhos cubram as marcas da gravata. Nervosa, me olho pela
ltima vez no espelho.  o que posso fazer. Dirijo-me ao salo.
        -- Aqui est. -- diz Christian levantando do sof.
        Olha-me com expresso clida e apreciativa. A mulher loira que est ao seu lado se
vira e me dedica um amplo sorriso. Levanta-se tambm. Est impecavelmente vestida, com
                 109
um vestido estilo camisa, castanho claro, com sapatos combinando. Est arrumada, elegante,
bonita, e me mortifico um pouco pensando como estou um desastre.
        -- Mame, apresento-lhe Anastsia Steele. Anastsia, esta  Grace Trevelyan-Grey.
A doutora Trevelyan-Grey me estende a mo. T... de Trevelyan?
        -- Prazer em conhec-la, -- ela murmura. Se no estou enganada, h espanto e alivio,
talvez atordoamento em sua voz e um brilho quente em seus olhos cor de avel. Aperto-lhe a
mo e no posso evitar de sorrir, retornando o seu calor.
        -- Doutora Trevelyan-Grey, -- eu murmuro.
        -- Chame-me de Grace. -- Sorri, e Christian franze o cenho. -- Usualmente sou
chamada de doutora Trevelyan, e a senhora Grey  minha sogra. -- Ela pisca um dos olhos.
-- Ento, como se conheceram? -- pergunta olhando para Christian, incapaz de ocultar sua
curiosidade.
        -- Anastsia me entrevistou para a revista da faculdade, porque esta semana vou
entregar os diplomas de graduao.
        Dupla merda. Tinha-o esquecido.
        -- Ento, voc vai se graduar esta semana? -- Grace pergunta.
        -- Sim.
        Meu celular comea a tocar. Kate, eu aposto.
        -- Desculpem-me. O telefone est na cozinha. Aproximo-me e o pego do balco sem
checar o nmero.
-- Kate.
        -- Meu Deus! Ana!  Que merda,  Jos. Parece desesperado. -- Onde est? J liguei
umas vinte vezes. Tenho que ver voc. Quero te pedir perdo pelo que aconteceu na sexta-
feira. Por que no me respondeu as ligaes?
        -- Olhe, Jos, agora no  um bom momento.
        Olho muito nervosa para Christian, que me observa atentamente, com rosto
impassvel, enquanto murmura algo para sua me. Dou-lhe as costas.
        -- Onde voc est? Kate est muito evasiva, -- ele queixa-se.
        -- Estou em Seattle.
        -- O que voc faz em Seattle? Est com ele?
        -- Jos, eu ligo para voc mais tarde. No posso falar agora. E desligo.
Volto com toda tranquilidade para Christian e sua me. Grace est em pleno falatrio.
        -- ... e Elliot me ligou para dizer que voc estava por aqui... Faz duas semanas que no
vejo voc, querido.
        -- Elliot sabia? -- Christian pergunta me olha com expresso indecifrvel.
        -- Pensei que poderamos comer juntos, mas j vejo que tem outros planos, assim no
quero lhes interromper. -- Ela agarra seu comprido casaco de cor creme, vira-se para ele,
oferecendo o rosto para ele. Ele a beija rapidamente com suavidade. Ela no toca nele.
        -- Tenho que levar Anastsia para Portland.
        --  claro, querido. Anastsia, foi um prazer lhe conhecer. Espero que voltemos a nos
ver.
        Ela estende-me a mo, com olhos brilhantes e ns sacudimos.
        Taylor aparece procedente de... onde?
        -- Senhora Grey? -- Ele pergunta.

                   110
         -- Obrigado, Taylor. -- Ele a segue pelo salo e atravessam as portas duplas que vo
para o vestbulo. Taylor esteve aqui o tempo todo? Por quanto tempo esteve aqui? Onde
esteve?
         Christian me olha.
         -- Ento o fotgrafo ligou para voc?
         Merda.
         -- Sim.
         -- O que queria?
         -- S me pedir perdo, j sabe... por sexta-feira.
         Christian aperta os olhos.
         -- Eu vejo, -- ele diz simplesmente.
         Taylor volta a aparecer.
         -- Senhor Grey, h um problema com o envio de Darfur.
         Christian acena bruscamente para ele com a cabea.
-- O Charlie Tango voltou para o Boeing Field?
         -- Sim, senhor.
         Taylor sacode a cabea para mim.
-- Senhorita Steele.
         Eu sorrio timidamente para ele, que se vira e sai.
         -- Taylor vive aqui?
         -- Sim. -- responde-me cortante. Qual o problema agora?
         Christian vai  cozinha, pega o seu BlackBerry e d uma olhada aos e-mails, suponho.
Est muito srio. Ele faz uma ligao.
         -- Ros, qual  o problema? -- pergunta bruscamente. Escuta sem deixar de me olhar
com olhos interrogativos. Eu estou no meio do enorme salo me sentindo extraordinariamente
auto-consciente e deslocada.
         -- No vou pr a tripulao em perigo. No, cancele-o... Lan-lo-emos do ar... Bom.
         Desliga. A suavidade em seus olhos desapareceu. Parece hostil. Lana-me um rpido
olhar, dirige-se para seu escritrio e volta um momento mais tarde.
         -- Este  o contrato. Leia e o comentaremos no fim de semana que vem. Sugiro que
pesquise um pouco, para que saiba do que estamos falando. -- Para por um momento. --
Bom, se aceitar e espero realmente que aceite. -- acrescenta em tom mais suave, nervoso.
         -- Pesquisar?
         -- Voc pode ficar surpresa com o que pode encontrar na internet -- ele murmura.
         Internet! No tenho computador, s o notebook de Kate, e,  obvio, no posso utilizar
o do Clayton's para este tipo de "pesquisa", certo?
         -- O que acontece? -- pergunta-me inclinando a cabea.
         -- No tenho computador. Estou acostumada a utilizar os da faculdade. Verei se posso
utilizar o notebook de Kate.
         Ele me entregou um envelope pardo.
         -- Estou certo que posso... err, lhe emprestar um. Recolha suas coisas. Voltaremos
para Portland de carro e comeremos algo pelo caminho. Vou vestir-me.
         -- Tenho que fazer uma ligao, -- eu murmuro. S quero ouvir a voz do Kate. Ele
franze o cenho.

                 111
        -- Para o fotgrafo? -- Suas mandbulas se apertam e os olhos ardem. Eu pisco para
ele. -- Eu no gosto de compartilhar, senhorita Steele. Lembre-se disso. -- Seu tom de voz
calmo,  um arrepiante aviso e dando um olhar muito frio para mim, ele volta para o quarto.
Caramba. Eu s queria ligar para a Kate. Quero ligar diante dele, mas sua repentina atitude
distante me deixou paralisada. O que aconteceu com o homem generoso, depravado e
sorridente que me fazia amor faz apenas meia hora?
        -- Pronta? -- Christian me pergunta junto  porta dupla do vestbulo.
        Eu concordo, incerta. Ele recuperou seu tom distante, educado e convencional. Voltou
a colocar a mscara. Leva uma bolsa de couro sobre o ombro. Para que a necessita? Talvez ele
fique em Portland. Ento recordo a entrega dos diplomas. Sim, claro... Estar em Portland na
quinta-feira.
Est vestindo uma jaqueta negra de couro. Vestido assim, sem dvida no parece um multi
milionrio. Parece um menino extraviado, possivelmente uma rebelde estrela de rock ou um
modelo de passarela. Suspiro por dentro, desejando ter uma dcima parte de sua elegncia. 
to tranquilo e controlado... Franzo o cenho ao recordar seu arrebatamento com a ligao de
Jos... Bom, ao menos parece que o .
        Taylor est esperando ao fundo.
        -- Amanh, ento, -- ele diz para Taylor, que concorda.
        -- Sim, senhor. Que carro vai levar, senhor?
        Lana-me um rpido olhar.
        -- O R8.
        -- Boa viagem, senhor Grey. Senhorita Steele. -- Taylor me olha com simpatia,
embora possivelmente no mais profundo de seus olhos esconda um pingo de lstima.
        Sem dvida acredita que sucumbi aos dbios hbitos sexuais do senhor Grey. Bom,
aos seus excepcionais hbitos sexuais, ou possivelmente, o sexo seja assim para todo mundo?
Franzo o cenho ao pensar nisso. No tenho nada com o que compar-lo e pelo visto, no
posso perguntar a Kate. Assim terei que falar do tema com Christian. Seria perfeitamente
natural poder falar com algum... mas no posso falar com Christian se ele se mostrar to
aberto num minuto e to retrado no seguinte.
        Taylor nos segura a porta para que saiamos. Christian chama o elevador.
-- O que foi, Anastsia? -- pergunta-me. Como sabe que estou remoendo algo em minha
mente? Ele chega mais perto e levanta o meu queixo.
        -- Pare de morder o lbio ou a foderei no elevador, e no vou me importar se entrar
algum ou no.
        Ruborizo-me, mas seus lbios esboam um ligeiro sorriso. Ao final parece que est
recuperando o senso de humor.
-- Christian, tenho um problema.
        -- Oh, sim? -- pergunta-me me observando com ateno.
        Chega o elevador. Entramos e Christian aperta o boto marcado com um G.
        -- Bem, -- eu ruborizo. Como posso dizer-lhe isso? -- Preciso falar com a Kate.
Tenho muitas perguntas sobre sexo, e voc est muito comprometido. Se quiser que faa
todas essas coisas, como vou saber...? -- interrompo-me e tento encontrar as palavras
adequadas.
--  que no tenho pontos de referncia.

               112
         Ele rola os olhos.
-- Fale com ela se for preciso. -- responde-me zangado. -- Mas se assegure de que no
comente nada com o Elliot.
         No concordo com sua insinuao. Kate no  assim.
         -- Kate no faria algo assim, como eu no diria a voc nada do que ela me conte sobre
Elliot... se me contasse algo, -- acrescento rapidamente.
         -- Bom, a diferena  que no me interessa sua vida sexual -- murmura Christian em
tom seco. -- Elliot  um bastardo curioso. Mas lhe fale s do que temos feito at agora, -- ele
adverte.
-- Ela, provavelmente, me cortaria as bolas se soubesse o que quero fazer contigo, -- ele
acrescenta em voz to baixa, que no estou segura de se pretendia que o ouvisse.
         -- Ok, -- concordo prontamente, sorrindo para ele, aliviada. No quero nem pensar
em Kate cortando as bolas de Christian.
         Ele franze os lbios e sacode a cabea.
         -- Quanto antes se submeta para mim melhor, assim acabamos com tudo isto -- ele
murmura.
         -- Acabamos com o que?
         -- Com seus desafios. -- Passa-me uma mo pelo meu queixo e me beija rapidamente
nos lbios. As portas do elevador se abrem. Agarra-me pela mo e me leva para a garagem no
subsolo.

Eu o desafio... como?

        Perto do elevador vejo o Audi 4x4 negro, mas quando aperta o comando para que se
abram as portas, acendem-se as luzes de um esportivo negro reluzente.  um desses carros
que deveria ter uma loira de pernas longas, deitada no cap, vestida apenas com uma faixa.
        -- Bonito carro, -- eu murmuro secamente.
        Ele levanta o olhar e sorri.
        -- Eu sei, -- responde-me, e por um segundo volta a ser o doce, jovem e
despreocupado Christian. Inspira-me ternura. Est entusiasmado. Os meninos e seus
brinquedos. Rolo os olhos, mas no posso ocultar meu sorriso. Abre-me a porta e entro. Uau...
 muito baixo. Ele se move em volta do carro com graa fcil e dobra seu corpo longo
elegantemente ao meu lado. Como ele faz isso?
        -- Ento, que tipo de carro  esse?
        -- Um Audi R8 Spyder. Como faz um dia lindo, podemos baixar a capota. H um
bon de beisebol a. Na verdade, deve haver dois. Ele aponta para uma caixa. -- E culos de
sol se voc quiser.
        Ele d partida na ignio, e o motor ruge a nossas costas. Deixa a bolsa entre os dois
assentos, aperta um boto e a capota retrocede lentamente. Aperta outro, e a voz do Bruce
Springsteen nos envolve.
        -- Vai ter que gostar do Bruce, -- Sorri-me, e tira o carro do estacionamento e sobe a
rampa, onde nos detemos, esperando que a porta levante.



                  113
        E samos para a ensolarada manh de maio em Seattle. Abro a caixa e pego os bons
de beisebol. So da equipe dos Mariners. Ele gosta de beisebol? Passo-lhe um bon e ponho o
outro. Eu passo o rabo de cavalo pela parte de trs do meu bon e puxo a viseira para baixo.
        Pessoas nos olham quando nos dirigimos pelas ruas. Por um momento penso que
olham para ele... e logo tenho um paranico pensando que me olham porque sabem o que
estive fazendo nas ltimas doze horas, mas ao final, me dou conta de que o que olham  o
carro. Christian parece alheio a tudo, perdido em seus pensamentos.
        H pouco trfico, assim no demoramos para chegar a interestadual 5 em direo ao
sul, com o vento soprando por cima de nossas cabeas. Bruce canta que arde de desejo. Muito
oportuno. Ruborizo-me escutando a letra. Christian me olha. Com seus culos Ray-Ban, no
vejo sua expresso. Franze os lbios, apia uma mo em meu joelho e me aperta suavemente.
Minha respirao fica difcil.
        -- Tem fome? -- pergunta-me.
        No de comida.
        -- No especialmente.
        Seus lbios voltam a apertar-se em uma linha firme.
        -- Voc tem que comer, Anastsia, -- ele repreende-me. -- Conheo um lugar
fantstico perto de Olympia. Pararemos ali. -- Aperta-me o joelho de novo, sua mo volta a
pegar no volante e pisa no acelerador. Vejo-me impulsionada contra o respaldo do assento.
Caramba, como corre este carro.
O restaurante  pequeno e ntimo, um chal de madeira em meio de um bosque. A decorao 
rstica: cadeiras diferentes, mesas com toalhas em xadrez e flores silvestres em pequenos
vasos. Cuisine Sauvage, alardeia um pster por cima da porta.
-- Fazia tempo que no vinha aqui. No se pode escolher... Preparam o que caaram ou
recolheram. -- Levanto as sobrancelhas fingindo horrorizar-se e no posso evitar de rir. A
garonete nos pergunta o que vamos beber. Ruboriza-se ao ver Christian e se esconde debaixo
de sua comprida franja loira para evitar olh-lo nos olhos. Ela gosta dele! No acontece s
comigo!
        -- Dois copos do Pinot Grigio, -- diz Christian em tom autoritrio. Eu aperto meus
lbios, aborrecida. -- O que? -- pergunta-me bruscamente.
        -- Eu queria uma Coca-cola light, -- eu sussurro.
        Seus olhos cinza se apertam e ele sacode sua cabea.
        -- O Pinot Grigio daqui  um vinho decente. Ir bem com a comida, tragam o que nos
trouxerem, -- diz-me em tom paciente.
        -- Tragam o que trouxerem?
        -- Sim.
        Esboa seu deslumbrante sorriso inclinando a cabea e faz um n no meu estmago.
Eu no posso deixar de devolver-lhe seu sorriso glorioso.
        -- Minha me gostou de voc, -- diz-me de repente.
        -- Srio? -- Suas palavras me fazem ruborizar de alegria.
        -- Oh sim. Sempre pensou que eu fosse gay.
 Abro a boca ao me lembrar daquela pergunta... na entrevista. Oh, no.
        -- Por que ela pensava que  gay? -- pergunto-lhe em voz baixa.
        -- Porque nunca me viu com uma garota.

               114
        -- Oh... com nenhuma das quinze?
        Ele sorri.
        -- Tem boa memria. No, com nenhuma das quinze.
        -- Oh.
        -- Olhe, Anastsia, para mim tambm foi um fim de semana de novidades, -- diz-me
em voz baixa.
        -- Foi?
        -- Nunca tinha dormido com ningum, nunca tinha tido relaes sexuais em minha
cama, nunca tinha levado uma garota no Charlie Tango e nunca tinha apresentado uma mulher
para minha me. O que voc est fazendo comigo? -- A intensidade de seus olhos ardentes
me corta a respirao.
        A garonete chega com nossos copos de vinho, e imediatamente dou um pequeno gole.
Est sendo franco ou se trata de um simples comentrio fortuito?
        -- Eu gostei muito deste fim de semana, -- digo em voz baixa. Ele aperta os olhos
para mim novamente.
-- Pare de morder o lbio, -- ele grunhe. -- Eu tambm, -- ele acrescenta.
-- O que  sexo baunilha? -- pergunto-lhe, embora s para me distrair do intenso olhar
ardente e sexy que ele est me dando. Ele ri.
        -- Sexo convencional, Anastsia. Sem brinquedos, nem acessrios. -- ele encolhe os
ombros. -- Voc sabe... bom, a verdade  que no sabe, mas isso  o que significa.
        -- Oh. -- Eu pensei que era sexo bolo de chocolate com uma cereja no topo, o que
tivemos. Mas ento, o que eu sei?
        A garonete nos traz sopa, que ambos olhamos com certo receio.
        -- Sopa de urtigas, -- informa-nos a garonete, dando meia volta e retornando
zangada  cozinha. No acredito que goste que Christian no lhe faa nem caso. Provo a sopa,
que est deliciosa.
Christian e eu olhamos um para o outro, aliviados. Dou uma risada e ele inclina a cabea.
-- Que som adorvel, -- murmura.
        -- Por que voc nunca fez sexo baunilha antes? Voc sempre fez... err, o que faz? --
pergunto-lhe intrigada.
        Ele concorda lentamente.
        -- Mais ou menos. -- Ele responde-me com cautela. Por um momento franze o cenho
e parece liberar uma espcie de batalha interna. Logo levanta os olhos, como se tivesse
tomado uma deciso. -- Uma amiga de minha me me seduziu quando eu tinha quinze anos.
        -- Oh. Meu deus, to jovem!
        -- Seus gostos eram muito especiais. Fui seu submisso durante seis anos. -- Ele
encolhe os ombros.
        -- Oh. -- Meu crebro congelou, atordoado por essa confisso.
        -- Ento, eu sei o que isso implica, Anastsia. -- Seus olhos brilham com a
introspeco.
        Observo-o fixamente, incapaz de articular uma palavra... At meu subconsciente est
em silncio.
        -- A verdade  que no tive uma introduo ao sexo muito corrente.
        A curiosidade entra em ao.

               115
         -- E alguma vez saiu com algum na faculdade?
         -- No. -- responde-me, negando com a cabea, para enfatizar sua resposta.
         A garonete chega para retirar nossos pratos e nos interrompe um por momento.
         -- Por qu? -- pergunto-lhe, quando ela se vai.
         Ele sorri sardonicamente.
         -- Voc, realmente, quer saber?
         -- Sim.
         -- Porque no quis. Ela era tudo o que queria ou necessitava. Alm disso, ela iria me
castigar. -- Ele sorri com carinho ao recordar.
         Oh, isso era muita informao... mas queria mais.
         -- Ento, ela era uma amiga de sua me, quantos anos ela tinha?
         Ele sorri.
         -- Tinha idade suficiente para saber o que fazia.
         -- Voc ainda a v?
         -- Sim.
         -- Ainda... bem...? -- Ruborizo-me.
         -- No. -- Ele sacode a cabea e com um sorriso indulgente. -- Ela  uma boa amiga.
         -Oh. Sua me sabe?
         Ele me olha, como se dissesse para no ser idiota.
         -- Claro que no.
         A garonete retorna com carne de veado, mas meu apetite sumiu. Que revelao.
Christian, um submisso... caramba. Eu dou um comprido gole no Pinot Grigio... Christian
tinha razo,  obvio, est delicioso. Deus, tenho que pensar em tudo o que me contou.
Necessito tempo para process-lo quando estiver sozinha, porque agora sua presena me
distrai.  to irresistvel, to macho alfa, e de repente, lana esta bomba. Ele sabe o que  ser
submisso.
         -- Mas no pode ter sido em tempo integral? -- Estou confusa.
         -- Bem, era, apesar de no v-la o tempo todo. Era... difcil. Afinal, eu ainda estava na
escola e mais tarde, na faculdade. Coma, Anastsia.
         -- No tenho fome, Christian, de verdade. Eu estou me recuperando da revelao.
         Sua expresso se endurece.
         -- Coma, -- diz-me em tom tranquilo, muito tranquilo.
         Eu olho para ele. Este homem... abusaram sexualmente dele quando era adolescente...
seu tom  ameaador.
         -- Espere um momento, -- eu murmuro. Ele pisca um par de vezes.
-- Ok, -- ele murmura e segue comendo.
         Assim ser a coisa se assinar. Terei que cumprir suas ordens. Franzo o cenho.  isso o
que quero?
Pego o garfo e a faca, e comeo a cortar o veado. Est delicioso.
         -- Assim ser a nossa... nossa relao? -- Eu sussurro. -- Estar me dando ordens
todo o momento? -- pergunto-lhe em um sussurro, sem me atrever a olh-lo.
         -- Sim, - ele murmura.
         -- J vejo.
         -- E o que mais que eu queira que faa, -- acrescenta em voz baixa.

                     116
          Eu sinceramente duvido disso. Eu corto mais um pedao de veado e aproximo dos
lbios.
       --  um grande passo, -- eu murmuro e como.
-- Sim, . Ele fecha os olhos por um segundo. Quando os abre, est muito srio.
       -- Anastsia, tem que seguir seu instinto. Pesquise um pouco, leia o contrato... No
tenho problema em comentar qualquer detalhe. Estarei em Portland at na sexta-feira, se por
acaso quiser que falemos sobre isso antes do fim de semana. -- Suas palavras me chegam em
uma corrida. -- Ligue-me ... talvez, pudssemos jantar... digamos na quarta-feira? Na
verdade, quero que isto funcione. Nunca quis tanto.
       Seus olhos refletem sua ardente sinceridade e seu desejo.  basicamente o que no
entendo. Por que eu? Por que no uma das quinze? OH, no...  nisso que vou converter-me?
Em um nmero?
A dezesseis, nada menos?

       -O que aconteceu com as outras quinze? - pergunto-lhe, de repente.
       Ele suspende as sobrancelhas, surpreso e move a cabea com expresso resignada.
       -- Coisas distintas, mas ao fim e ao cabo se reduz a... -- detm-se, acredito que
tentando encontrar as palavras.
-- Incompatibilidade. -- Ele encolhe os ombros.
       -- E acredita que eu poderia ser compatvel contigo?
       -- Sim.
       -- Ento, j no v nenhuma de ex.
       -- No, Anastsia. Eu no. Sou mongamo em meus relacionamentos.
       Oh... isso  novidade.
       -- J vejo.
       -- Pesquise um pouco, Anastsia.
       Eu abaixo o garfo e a faca. No posso continuar comendo.
       -- S isso? Isso  tudo o que vai comer?
Eu concordo. Ele franze o cenho, mas decide no dizer nada. Eu deixo escapar um pequeno
suspiro de alvio.
Meu estmago est embrulhado com tantas informaes e me sinto um pouco tonta pelo
vinho. Observo-o devorando tudo o que tem no prato. Ele come como um cavalo. Deve fazer
muito exerccio para manter a boa forma. De repente, recordo como lhe cai bem o pijama. A
imagem  totalmente perturbadora. Contoro-me desconfortavelmente. Ele me olha e eu
ruborizo.
       -- Eu daria tudo para saber o que est pensando neste exato momento, -- ele
murmura.
       Ruborizo ainda mais.
       Ele sorri perversamente para mim.
       -- Eu posso imaginar, -- provoca-me.
       -- Alegro-me de que no possa ler meus pensamentos.
       -- Seus pensamentos no, Anastsia, mas seu corpo... isso conheo bastante bem
desde ontem. -- Sua voz  sugestiva. Como pode mudar de humor to rpido?  to voltil...
 to difcil seguir seu ritmo.

              117
       Chama  garonete e lhe pede a conta. Depois de pagar, levanta-se e me estende a
mo.
        -- Vamos. -- Agarra-me pela mo e voltamos para carro. O inesperado dele  este
contato de sua pele, normal, ntimo. No posso reconciliar este gesto corrente e tenro com o
que quer faz naquele quarto... O Quarto Vermelho da Dor.
        Fazemos a viagem de Olympia para Vancouver em silncio, cada um afundado em
seus pensamentos. Quando estaciona em frente  porta de minha casa, so cinco horas da
tarde.
        As luzes esto acesas, ento Kate est em casa, sem dvida, empacotando, a menos
que Elliot ainda no tenha partido. Christian desliga o motor, ento percebo que tenho que me
separar dele.
        -- Quer entrar? -- pergunto-lhe. No quero que parta. Quero ficar mais tempo com
ele.
        -- No. Tenho trabalho para fazer, -- ele diz simplesmente, me olhando com
expresso insondvel.
        Eu olho para baixo, para as minhas mos e entrelao os dedos. De repente, me sinto
emotiva. Ele vai partir. Aproximando-se mais, ele pega uma de minhas mos e lentamente a
leva  boca e beija suavemente a palma, bem a moda antiga. Meu corao salta para minha
boca.
        -- Obrigado por este fim de semana, Anastsia. Foi... estupendo. Quarta-feira?
Passarei para lhe pegar no trabalho ou onde voc quiser. -- Ele diz suavemente.
        -- Quarta-feira, -- sussurro.
        Ele beija minha mo de novo e a coloca de volta em meu colo. Sai do carro, aproxima-
se de minha porta e abre. Por que, de repente, me sinto desolada? Isso me d um n na
garganta. No quero que me veja assim. Fixo um sorriso em meu rosto, saio do carro e me
dirijo para a porta, sabendo que eu tenho que enfrentar Kate e no quero enfrentar a Kate. No
meio caminho, eu giro e olho para ele. Levante o queixo, Steele, eu me repreendo.
        -- Oh...  propsito, vesti uma de suas cuecas. -- Dou para ele um pequeno sorriso e
puxo o elstico de sua cueca para que ele veja. Christian abre a boca, surpreso. O que  uma
grande reao. Meu humor muda imediatamente, eu escorrego para dentro de casa, uma parte
de mim querendo pular e dar socos no ar. SIM! A minha deusa interior est encantada.
        Kate est na sala de estar, colocando seus livros em caixas.
        -- Voc voltou. Onde est Christian? Como voc est? -- pergunta-me em tom febril,
nervoso. Vem para mim, agarra-me pelos ombros e examina minuciosamente meu rosto antes
mesmo de me dizer ol.
        Merda... Tenho que lutar com a insistncia e a tenacidade de Kate, e tenho na bolsa
um documento legal assinado, que diz que no posso falar. No  uma saudvel combinao.
        -- Bem, como foi? No deixei que pensar em ti por um momento, depois que Elliot
partiu, claro. -- Ela sorri maliciosamente.
        No posso evitar sorrir por sua preocupao e sua ardente curiosidade, mas de repente,
me d vergonha.
Eu ruborizo. O que aconteceu foi muito ntimo. Tudo isso. Ver e saber o que Christian
esconde. Mas tenho que lhe dar alguns detalhes, porque se no, no vai deixar-me em paz.


                 118
        -- Est tudo bem, Kate. Muito bem, eu penso, -- digo-lhe em tom tranquilo, tentando
ocultar meu sorriso.
        -- Voc pensa?
        -- No tenho nada com o que comparar, no ? -- digo-lhe, encolhendo de ombros
apologeticamente.
        -- Ele fez voc gozar?
        Caramba, como ela  direta. Eu fico vermelha.
        -- Sim, -- eu murmuro, exasperada.
        Kate me empurra at o sof e nos sentamos. Ela agarra as minhas mos.
        -- Isso  bom. -- Olha-me como se no acreditasse. -- Foi sua primeira vez. Uau,
Christian deve saber o que se faz.
        Oh, Kate, se voc soubesse...
        -- Minha primeira vez foi terrvel, -- ela continua, fazendo uma cara triste e
engraada.
        -- Anh? -- Isso me interessa, era algo que ela nunca tinha me contado antes.
        -- Sim. Steve Paton. No segundo grau. Um atleta babaca. -- Encolhe os ombros. --
Foi muito brusco, e eu no estava preparada. Estvamos os dois bbados. J sabe... o tpico
desastre adolescente, depois da festa de formatura. Ugh, demorei meses para me decidir a
voltar a tentar. E no com aquele intil. Eu era muito jovem. Voc fez bem em esperar.
        -- Kate, isso parece horrvel.
        Kate parece melanclica.
        -- Sim, demorei quase um ano para ter meu primeiro orgasmo com penetrao, e a
est voc... na primeira vez.
        Concordo envergonhada. A minha deusa interior est sentada na postura do ltus e
parece serena, embora tenha um ardiloso sorriso autocomplacente no rosto.
        -- Alegro-me de que tenha perdido a virgindade com um homem que sabe o que se
faz. -- Ele pisca para mim com um olho. -- E quando volta a v-lo de novo?
        -- Quarta-feira. Vamos jantar.
        -- Ento voc ainda gosta dele?
        -- Sim, mas no sei o que vai acontecer... no futuro.
        -- Por qu?
        --  complicado, Kate. Voc sabe... seu mundo  totalmente diferente do meu.
        Boa desculpa. Aceitvel tambm. Muito melhor que... ele tem um Quarto Vermelho da
Dor e quer me converter em sua escrava sexual.
        -- Oh por favor, no permita que o dinheiro seja um problema, Ana. Elliot me disse
que  muito estranho que Christian saia com uma garota.
-- Ser que ele...? -- pergunto-lhe, minha voz estava vrias oitavas mais aguda.
        To obvio, Steele! Meu subconsciente me olha movendo seu comprido dedo e logo se
transforma na balana da justia para me lembrar que Christian poderia me processar se eu
revelasse demais.
Ah... O que pode fazer? Ficar com todo meu dinheiro? Tenho que me lembrar de procurar no
Google "pena por descumprir um acordo de confidencialidade" quando fizer minha
"pesquisa".  como se ele me tivesse me passado lio de casa. Talvez eu possa ganhar um
diploma. Ruborizo me lembrando do meu A, esta manh, no meu experimento na banheira.

              119
        -- Ana, o que foi?
        -- Estava me lembrando de algo que Christian me disse.
        -- Voc parece diferente, -- Kate me diz com carinho.
        -- Eu estou diferente. Dolorida, -- confesso-lhe.
        -- Dolorida?
        -- Um pouco. -- Ruborizo-me.
        -- Eu tambm. Homens, -- ela diz com uma careta de desgosto. -- So como
animais. -- Ns duas comeamos a rir.
        -- Voc tambm est dolorida? -- pergunto-lhe surpreendida.
        -- Sim... excesso de uso.
        Eu comeo a rir.
        -- Fale-me mais sobre Elliot e seu excesso de uso, -- pergunto-lhe quando paro por
fim. Eu posso sentir que estou relaxando, pela primeira vez, desde que estava fazendo fila no
banheiro do bar... antes da chamada de telefone que comeou tudo isto... quando admirava o
senhor Grey  distncia. Dias felizes e sem complicaes.
        Kate se ruboriza. Oh, meu deus... Katherine Agnes Kavanagh se converte em
Anastsia Rose Steele. Lana-me um olhar ingnuo. Nunca antes a tinha visto reagir assim
por um homem.
Meu queixo cai tanto que chega ao cho. Onde est Kate? O que fizeram com ela?
-- Oh, Ana, -- ela me diz entusiasmada. -- Ele  to... to... tudo. E quando ns... Oh... 
fantstico. -- Ela est to alterada que logo no pode completar uma frase.
        -- Eu penso que voc est tentando me dizer que voc gosta dele.
        Ela concorda com a cabea, rindo como uma luntica.
        -- E vou v-lo no sbado. Vai nos ajudar com a mudana. -- Junta as mos, levanta
do sof e se dirige  janela fazendo piruetas. A mudana. Merda, eu tinha esquecido disso,
apesar de haver caixas por toda parte.
        -- Muito amvel de sua parte, -- digo-lhe. Assim o conhecerei tambm.
Possivelmente possa me dar mais pistas sobre seu estranho e inquietante irmo.
        -- Ento, o que fizeram ontem  noite? -- pergunto-lhe. Ela inclina a cabea para mim
e levanta as sobrancelhas em um gesto que deve dizer: "O que te parece que fizemos, idiota?".
        -- Mais ou menos o mesmo que vocs fizeram, mas ns jantamos antes. -- Ela sorri
para mim. -- Voc realmente est bem? Parece um pouco sobrecarregada.
        -- Estou sobrecarregada. Christian  muito intenso.
        -- Sim, j fao uma ideia. Mas ele foi bom para voc?
        -- Sim, -- tranqilizo-a. -- Estou morta de fome. Quer que prepare algo?
        Ela concorda e coloca um par de livros em uma caixa.
        -- O que quer fazer com os livros de quatorze mil dlares? -- pergunta-me.
        -- Vou devolv-los.
        -- Realmente?
        --  um presente exagerado. No posso aceit-lo, especialmente agora. -- Sorrio, e
Kate concorda com a cabea.
        -- Eu entendo voc. Chegou um par de cartas para voc, e Jos no deixou de ligar.
Parecia desesperado.


                120
        -- Vou ligar para ele, -- murmuro evasiva. Se contar para Kate sobre Jos, ela vai
querer ele para o caf da manh. Recolho as cartas da mesa e as abro.
        -- Ei, tenho entrevistas! Dentro de duas semanas, em Seattle, para fazer estgio.
        -- Em uma editora?
        -- Para duas delas!
-- Eu lhe disse que seu curiculum acadmico lhe abriria portas, Ana.
        Kate j tem seu posto para fazer as prticas no The Seattle Time,  obvio. Seu pai
conhece algum, que conhece algum.
        -- Como Elliot se sente por voc sair de frias? -- pergunto-lhe.
        Kate se dirige para a cozinha, e pela primeira vez desde que cheguei parece
desconsolada.
        -- Ele entende. Uma parte de mim no quer partir, mas  tentador demais ficar
tomando banho de sol um par de semanas. Alm disso, minha me no deixa de insistir,
porque acredita que sero nossas ltimas frias em famlia, antes que Ethan e eu comecemos a
trabalhar a srio.
        Eu nunca sa dos Estados Unidos. Kate vai por duas semanas a Barbados, com seus
pais e seu irmo, Ethan. Ficarei sozinha duas semanas, sem Kate, na casa nova. Ser estranho.
Ethan esteve viajando pelo mundo desde o ano passado, depois de graduar-se. Por um
momento me pergunto se o verei antes que saiam de frias.  um tipo muito simptico. O
telefone me tira de meu devaneio.
        -- Deve ser Jos.
        Suspiro. Sei que tenho que falar com ele. Levanto o telefone.
        -- Al.
        -- Ana, voc voltou! -- exclama Jos aliviado.
        -- Obviamente. -- Respondo-lhe com certo sarcasmo e rolo os olhos para o telefone.
        Ele fica em silencio por um momento.
        -- Posso ver voc? Sinto muito sobre sexta-feira. Estava bbado... e voc... bem. Ana,
me perdoe, por favor.
        -- Claro que te perdoo, Jos. Mas no repita isso de novo. Sabe quais so meus
sentimentos por voc.
        Ele suspira profundamente, com tristeza.
        -- Eu sei, Ana. Mas pensei que se beijasse voc, possivelmente seus sentimentos
mudassem.
        -- Jos eu te amo fraternamente, voc  muito importante para mim.  como o irmo
que nunca tive. E isso no vai mudar. Voc sabe disso. -- Eu sei que o estou magoando, mas
 a verdade.
        -- Ento, voc saiu com ele? -- pergunta-me com desdm.
        -- Jos, no sai com ningum.
        -- Mas voc passou a noite com ele.
        -- No  da sua conta!
        --  pelo dinheiro?
        -- Jos! Como se atreve? -- grito-lhe, atnita por seu atrevimento.



                 121
         -- Ana, -- ele diz com voz queixosa, em tom de desculpa. Eu no estou disposta a
aguentar seus cimes mesquinhos. Sei que est machucado, mas j tenho bastante lutando
com Christian Grey.
         -- Talvez possamos tomar um caf amanh. Ligarei para voc, -- digo-lhe em tom
conciliador.
         Ele  meu amigo e lhe tenho muito carinho. Mas neste momento no estou precisando
disso.
         -- Amanh, ento. Voc me liga? -- Sua voz esperanosa me comove.
         -- Sim... boa noite, Jos. -- Desligo, sem esperar sua resposta.
         -- O que foi tudo isto? -- Katherine pergunta-me com as mos nos quadris. Eu decido
que o melhor quer dizer a verdade. Parece mais obstinada que nunca.
         -- Ele tentou me beijar na sexta-feira.
         -- Jos? E Christian Grey? Ana, seus feromnios devem estar fazendo horas extras.
No que estava pensando esse imbecil? -- Ela sacode a cabea zangada e segue empacotando.
         Quarenta e cinco minutos mais tarde, fizemos uma pausa para degustar a especialidade
da casa, minha lasanha.
Kate abre uma garrafa de vinho e nos sentamos para comer entre as caixas, bebendo vinho
tinto barato e vendo porcarias na televiso. Essa  a normalidade.  bem recebida e
tranquilizadora depois das ltimas quarenta e oito horas de... loucura.  minha primeira
comida, em dois dias, sem preocupaes, sem que insistam e em paz. Qual o problema que
Christian tem com a comida? Kate recolhe os pratos enquanto eu acabo de empacotar o que
fica na sala de estar. S deixamos o sof, a televiso e a mesa. O que mais poderamos
necessitar? S falta empacotar o contedo de nossos quartos e a cozinha, e temos toda a
semana pela frente. Resultado!
         O telefone volta a tocar.  Elliot. Kate me pisca um olho e vai para o seu quarto,
saltitando como se tivesse quatorze anos. Sei que deveria estar escrevendo seu discurso
oficial, mas parece que Elliot  mais importante. O que acontece com os homens Grey? O que
os faz to absorventes, to devoradores e to irresistveis? Tomo outro gole de vinho.
         Fao uma rpida busca por algum programa de TV, mas no fundo sei que estou me
demorando de propsito. O contrato est queimando dentro de minha bolsa. Terei foras para
l-lo esta noite?
         Apoio  cabea nas mos. Tanto Jos como Christian querem algo de mim. Com Jos
 fcil. Mas Christian... Christian tem um campeonato totalmente diferente, de manipulao,
de entendimento. Uma parte de mim quer sair correndo e se esconder. O que vou fazer? Penso
em seus ardentes olhos cinza, em seu intenso e provocador olhar e fico tensa. Ele nem est
aqui, e eu estou ligada. Isso no pode ser s sobre sexo, pode? Lembro de sua conversa suave,
esta manh no caf da manh, a sua alegria com o meu prazer com o passeio de helicptero,
ele tocando piano, essa msica to triste, doce e comovedora...
           Ele  uma pessoa muito complicada. E agora comecei a entender por que. Um
menino privado de adolescncia, sexualmente abusado por uma malvada senhora Robinson...
no  estranho que parea mais velho do que . Meu corao se enche de tristeza ao pensar no
que no que ele deve ter passado. Sou muito ingnua para saber exatamente do que se trata,
mas a pesquisa deve me dar um pouco de luz. Embora de verdade, quero saber? Quero
explorar esse mundo do qual no sei nada?

                122
 um passo muito importante.
        Se no o tivesse conhecido, seguiria to feliz, alheia a tudo isto. Minha mente se
translada para a noite de ontem e a esta manh... a incrvel e sensual sexualidade que
experimentei. Quero dizer adeus a isso? No! exclama meu subconsciente... Minha deusa
interior concorda em um silncio zen, para mostrar que est de acordo com ele.
        Kate volta para a sala de estar, sorrindo de orelha a orelha. Talvez ela esteja
apaixonada. Eu olho para ela, boquiaberta. Nunca se comportou assim.
        -- Ana, vou para cama. Estou muito cansada.
        -- Eu tambm, Kate.
        Ela me abraa.
        -- Alegro-me que tenha voltado s e salva. H algo estranho em Christian, -- ela
acrescenta em voz baixa, em tom de desculpa. Eu sorrio para tranquiliz-la, embora pense...
Como diabos ela sabe? Por isso ela ser uma jornalista to boa, por sua infalvel intuio.
Pego a minha bolsa, vou para o meu quarto com passo desinteressado. Os esforos sexuais das
ltimas horas e o total e absoluto dilema que me enfrento me deixaram esgotada. Sento-me na
cama, tiro da bolsa com cautela, o envelope de papel pardo e dou voltas com ele entre as
mos. Estou segura de que quero saber at onde chega  depravao de Christian?  to
assustador. Respiro fundo e com o corao na garganta, eu abro o envelope.




        Captulo 11
              123
         Existem vrios papis no interior do envelope. Eu os pego, com o corao disparado,
e sento na cama e comeo a ler.


        CONTRATO

       No dia___________ de 2011 ("data de incio")

        ENTRE

      O SR. CHRISTIAN GREY, com domicilio no Escala 301, Seattle, 98889 Washington,
("o Dominante")

      E A SRTA. ANASTSIA STEELE, com domicilio no SW Green Street 1114,
apartamento 7, Haven Heights, Vancouver, 98888 Washington ("a Submissa")

        AS PARTES ACORDAM O SEGUINTE

      1. A seguir esto os termos de um contrato vinculativo entre o Dominante e a
Submissa.

       TERMOS FUNDAMENTAIS

       2. O propsito fundamental deste contrato  permitir que a Submissa explore sua
sensualidade e seus limites de forma segura, com o devido respeito e cuidar de suas
necessidades, seus limites e seu bem-estar.

        3. O Dominante e a Submissa acordam e admitem que tudo o que acontea sob os
termos deste contrato ser consensual e confidencial, e estar sujeito aos limites acordados e
aos procedimentos de segurana que se contemplam neste contrato. Podem acrescentar-se
limites e procedimentos de segurana adicionais.

       4. O Dominante e a Submissa garantem que no padecem de infeces sexuais nem
enfermidades graves, incluindo HIV, herpes e hepatite, entre outras. Se durante a vigncia do
contrato (como se define abaixo) ou de qualquer ampliao do mesmo, uma das partes for
diagnosticada ou tiver conhecimento de padecer de alguma destas enfermidades,
compromete-se a informar  outra imediatamente e em todo caso, antes que se produza
qualquer tipo de contato entre as partes.

       5.  preciso cumprir as garantias e os acordos anteriormente mencionados (e todo
limite e procedimento de segurana adicional acordado na clusula 3). Toda infrao

                 124
invalidar este contrato com carter imediato e ambas as partes aceitam assumir totalmente
ante a outra as consequncias da infrao.

       6. Todos os pontos deste contrato devem ler-se e interpretar-se  luz do propsito e os
trminos fundamentais estabelecidos nas clusulas 2-5.

       FUNES

        7. O Dominante ser responsvel pelo bem-estar e pelo treinamento, a orientao e a
disciplina da Submissa. Decidir o tipo de treinamento, a orientao e a disciplina, e o
momento e o lugar de administr-los, atendendo aos termos acordados, os limites e os
procedimentos de segurana estabelecidos neste contrato ou acordado ainda nos termos da
clusula 3 acima.

       8. Se em algum momento o Dominante no mantiver os termos acordados, os limites e
os procedimentos de segurana estabelecidos neste contrato ou acordados na clusula 3, a
Submissa tem direito a finalizar este contrato imediatamente e a abandonar seu servio ao
Dominante sem prvio aviso.

      9. Atendendo a esta condio e s clusulas 2-5, a Submissa tem que obedecer em
tudo ao Dominante. Atendendo aos termos acordados, os limites e os procedimentos de
segurana estabelecidos neste contrato ou acordados na clusula 3, deve oferecer ao
Dominante, sem perguntar nem duvidar, todo o prazer que este lhe exija, e deve aceitar, sem
perguntar nem duvidar, o treinamento, a orientao e a disciplina em todas suas formas.

       INCIO E VIGNCIA

       10. O Dominante e a Submissa assinam este contrato na data de incio, conscientes de
sua natureza e comprometendo-se a acatar suas condies sem exceo.

        11. Este contrato ter efeito durante um perodo de trs meses a partir da data de
incio ("vigncia do contrato"). Ao expirar a vigncia, as partes comentaro se este contrato
e o disposto por eles no mesmo, so satisfatrios e se estiverem satisfeitas as necessidades de
cada parte. Ambas as partes podem propor ampliar o contrato e ajustar os termos ou os
acordos que nele se estabelecem. Se no se chegar a um acordo para ampli-lo, este contrato
concluir e ambas as partes sero livres para seguir sua vida separados.

       DISPONIBILIDADE

        12. A Submissa estar disponvel para o Dominante desde sexta-feira  noite at o
domingo pela tarde, todas as semanas durante a vigncia do contrato, com as horas a
especificar pelo Dominante ("horas atribudas"). Podem acordar mutuamente por mais
horas, atribudas como adicionais.


                  125
        13. O Dominante se reserva o direito a rechaar o servio da Submissa em qualquer
momento e pelas razes que sejam. A Submissa pode solicitar sua liberao em qualquer
momento, liberao que ficar a critrio do Dominante e estar exclusivamente sujeito aos
direitos da Submissa contemplados nas clusulas 2-5 e 8.

       LOCALIZAO

       14. A Submissa estar disponvel s horas atribudas e s horas adicionais, nos
lugares que determine o Dominante. O Dominante concorrer com todos os custos de viagem
que incorra a Submissa com este fim.

       PRESTAO DE SERVIOS

       15. As duas partes discutem e acordam as seguintes prestaes de servios, e ambas
devero as cumprir durante a vigncia do contrato. Ambas as partes aceitam que podem
surgir questes no contempladas nos termos deste contrato de prestao de servios, e que
determinadas questes podero renegociar-se. Nestas circunstncias, podero propor-se
clusulas adicionais a modo de emenda. Ambas as partes devero acordar, redigir e assinar
toda clusula adicional ou emenda, que estar sujeita aos termos fundamentais estabelecidos
nas clusulas 2-5.

       DOMINANTE

       15.1. O Dominante deve priorizar em todo momento a sade e a segurana da
Submissa. O Dominante em nenhum momento exigir, solicitar, permitir nem pedir 
Submissa que participe das atividades detalhadas no Apndice 2 ou em toda atividade que
qualquer das duas partes considere insegura. O Dominante no levar a cabo, nem permitir
que se leve a cabo, nenhuma atividade que possa ferir gravemente  Submissa ou pr em
perigo sua vida. As restantes sub-partes desta clusula 15 devem ler-se atendendo a esta
condio e aos acordos fundamentais das clusulas 2-5.

       15.2. O Dominante aceita o controle, o domnio e a disciplina da Submissa durante a
vigncia do contrato. O Dominante pode utilizar o corpo da Submissa em qualquer momento
durante as horas atribudas, ou em horas adicionais acordadas, da maneira que considere
oportuno, no sexo ou em qualquer outro mbito.

       15.3. O Dominante oferecer a Submissa o treinamento e a orientao necessrios
para servir adequadamente ao Dominante.

        15.4. O Dominante manter um entorno estvel e seguro para que a Submissa possa
levar a cabo suas obrigaes para servir ao Dominante.

       15.5. O Dominante pode disciplinar  Submissa quanto seja necessrio para
assegurar-se de que a Submissa entenda totalmente seu papel de submisso ao Dominante e

              126
para desalentar condutas inaceitveis. O Dominante pode aoitar, surrar, dar chicotadas e
castigar fisicamente  Submissa se o considerar oportuno por motivos de disciplina, por
prazer ou por qualquer outra razo, que no est obrigado a expor.

15.6. No treinamento e na administrao de disciplina, o Dominante garantir que no
fiquem marcas no corpo da Submissa, nem feridas que exijam ateno mdica.

        15.7. No treinamento e na administrao de disciplina, o Dominante garantir que a
disciplina e os instrumentos utilizados para administr-la, sejam seguros, no os utilizar de
maneira que provoquem danos srios e em nenhum caso poder transpassar os limites
estabelecidos e detalhados neste contrato.

       15.8. Em caso de enfermidade ou ferida, o Dominante cuidar da Submissa, vigiar
sua sade e sua segurana, e solicitar ateno mdica quando o considerar necessrio.

       15.9. O Dominante cuidar de sua prpria sade e procurar ateno mdica quando
for necessrio para evitar riscos.

       15.10. O Dominante no emprestar sua Submissa a outro Dominante.

       15.11. O Dominante poder sujeitar, algemar ou atar a Submissa em todo momento
durante as horas atribudas ou em qualquer hora adicional por qualquer razo e por
compridos perodos de tempo, emprestando a devida ateno  sade e a segurana da
Submissa.

        15.12. O Dominante garantir que todo o equipamento utilizado para o treinamento e
a disciplina se mantenha limpo, higinico e seguro em todo momento.

       SUBMISSA

       15.13. A Submissa aceita o Dominante como seu dono e entende que agora  de sua
propriedade e que est ao seu dispor quando o Dominante lhe agrade durante a vigncia do
contrato em geral, mas especialmente nas horas atribudas e nas horas adicionais
acordadas.

       15.14. A Submissa obedecer s normas estabelecidas no Apndice 1 deste contrato.

       15.15. A Submissa servir ao Dominante em tudo aquilo que o Dominante considere
oportuno e deve fazer todo o possvel por agradar ao Dominante em todo momento.

       15.16. A Submissa tomar medidas necessrias para cuidar de sua sade, solicitar
ou procurar ateno mdica quando a necessitar, e em todo momento manter informado o
Dominante de qualquer problema de sade que possa surgir.


                 127
      15.17. A Submissa garantir que toma anticoncepcionais orais, e que toma como e
quando  devido para evitar ficar grvida.

        15.18. A Submissa aceitar sem questionar todas e cada uma das aes
disciplinadoras que o Dominante considere necessrias, e em todo momento recordar seu
papel e sua funo ante o Dominante.

       15.19. A Submissa no se tocar nem se proporcionar prazer sexual sem a
permisso do Dominante.

       15.20. A Submissa se submeter a toda atividade sexual que exija o Dominante, sem
duvidar e sem discutir.

        15.21. A Submissa aceitar aoites, surras, pauladas, chicotadas ou qualquer outra
disciplina que o Dominante administrar, sem duvidar, perguntar nem queixar-se.

       15.22. A Submissa no olhar diretamente nos olhos ao Dominante exceto quando lhe
ordenar. A Submissa deve abaixar os olhos, guardar silncio e mostrar-se respeitosa em
presena do Dominante.

        15.23. A Submissa se comportar sempre com respeito para o Dominante e s se
dirigir a ele como senhor, senhor Grey ou qualquer outro apelativo que lhe ordene o
Dominante.

       15.24. A Submissa no tocar no Dominante sem seu rpido consentimento.


       ATIVIDADES

       16. A Submissa no participar de atividades ou atos sexuais que qualquer das duas
partes considere inseguras nem nas atividades detalhadas no Apndice 2.

       17. O Dominante e a Submissa comentaram as atividades estabelecidas no Apndice 3
e fazem constar por escrito no Apndice 3 seu acordo a respeito.

       PALAVRAS DE SEGURANA

        18. O Dominante e a Submissa admitem que o Dominante pode solicitar  Submissa
aes que no possam levar-se a cabo sem incorrer em danos fsicos, mentais, emocionais,
espirituais ou de outro tipo no momento em que lhe solicitam. Neste tipo de circunstncias, a
Submissa pode utilizar uma palavra de segurana. Sero includas duas palavras de
segurana em funo da intensidade das demandas.



                128
      19. Ser utilizada a palavra de segurana "Amarelo" para indicar ao Dominante que
a Submissa est chegando ao limite da resistncia.

      20. Ser utilizada a palavra de segurana "Vermelho" para indicar ao Dominante que
a Submissa j no pode tolerar mais exigncias. Quando se disser esta palavra, a ao do
Dominante cessar totalmente, com efeito imediato.

      CONCLUSO

      21. Os abaixo assinantes tm lido e entendido totalmente o que estipula este contrato.

Aceitamos livremente os termos deste contrato e com nossa assinatura damos nossa
conformidade.




          ___________________________________________
                            Dominante: Christian Grey

                                          Data:




                    ___________________________________________
                               Submissa: Anastsia Steele

                                          Data:


APNDICE 1

      NORMAS

      Obedincia:

       A Submissa obedecer imediatamente todas as instrues do Dominante, sem duvidar,
sem reservas e de forma expedita. A Submissa aceitar toda atividade sexual que o
Dominante considere oportuna e prazerosa, exceto as atividades contempladas nos limites
infranqueveis (Apndice 2). O far com entusiasmo e sem duvidar.

      Sono:

      A Submissa garantir que dorme no mnimo oito horas dirias quando no estiver
com o Dominante.

                129
       Comida:

      Para cuidar de sua sade e seu bem-estar, a Submissa comer frequentemente os
mantimentos includos em uma lista (Apndice 4). A Submissa no comer entre horas, 
exceo de fruta.

     Roupa:

       Durante a vigncia do contrato, a Submissa s vestir roupa que o Dominante tenha
aprovado. O Dominante oferecer  Submissa um oramento para roupas, que a Submissa
deve utilizar. O Dominante acompanhar  Submissa s compras de roupas quando for
necessrio. Se o Dominante assim o exigir, enquanto o contrato esteja vigente, a Submissa
ficar com os adornos que lhe exija o Dominante, em sua presena ou em qualquer outro
momento que o Dominante considere oportuno.

       Exerccio:

      O Dominante proporcionar  Submissa um treinador pessoal quatro vezes por
semana, em sesses de uma hora, a horas convencionadas pelo treinador pessoal e a
Submissa. O treinador pessoal informar ao Dominante dos avanos da Submissa.

       Higiene pessoal e beleza:

       A Submissa estar limpa e depilada em todo momento. A Submissa ir a um salo de
beleza eleita pelo Dominante quando este o ditar e se submeter a qualquer tratamento que o
Dominante considere oportuno. O Dominante concorrer com todos os gastos.


       Segurana pessoal:

       A Submissa no beber em excesso, no fumar, no tomar substncias
psicotrpicas, nem correr riscos desnecessrios.

       Qualidades pessoais:

       A Submissa s manter relaes sexuais com o Dominante. A Submissa se comportar
em todo momento com respeito e humildade. Deve compreender que sua conduta influi
diretamente na do Dominante.

Ser responsabilizada por eventuais delitos, desmandos e os excessos cometidos quando no
na presena do Dominante.



              130
Ao descumprimento de qualquer das normas anteriores ser imediatamente castigada, e o
Dominante determinar a natureza do castigo.


      APNDICE 2

      Limites Rgidos

       Sem atos com fogo.
       Sem atos com urina, ou defeco e seus produtos.
       Sem atos com agulhas, facas, perfuraes e sangue.
       Sem atos envolvendo instrumentos mdico ginecolgico.
       Sem atos com crianas ou animais.
       Sem atos que deixem marcas permanentes na pele.
       Sem atos relativos ao controle da respirao.
Sem atividade que implique contato direto com corrente eltrica    (tanto alternada como
contnua), fogo ou chamas no corpo.

APNDICE 3

      Limites Suaves

      A discutir e acordar por ambas as partes:
      Qual dos seguintes atos sexuais so aceitveis para a Submissa?

       Masturbao
       Felaco
       Cunnilingus
       Penetrao vaginal
       Fisting vaginal
       Penetrao anal
       Fisting anal

      A ingesto de smen  aceitvel para a Submissa?
      O uso de brinquedos sexuais  aceitvel para a Submissa?
       Vibradores
       Consoladores
       Plugues anais
       Outros brinquedos vaginais/anais

      A Submissa aceita o uso de Bondage?
       Mos na frente
       Mos atrs
       Tornozelos

           131
        Joelhos
        Cotovelos
        Pulsos aos tornozelos
        Barras de amarrao
        Amarrada ao mobilirio
        Vendar
        Colocao de mordaa
        Bondage com cordas
        Bondage com fita adesiva
        Bondage com algemas de couro
        Suspenso
        Bondage com algemas de metal/restries

       Quanto de dor a Submissa est disposta a experimentar?
       Onde 1 equivale a que gosta muito e 5, a que lhe desgosta muito:
       1-2-3-4-5

        Aceita a Submissa as seguintes forma de dor/castigo/disciplina?
       Onde 1  para nenhum e 5  para grave: 1 - 2 - 3 - 4 - 5
        Aoites
        Aoites com p
        Chicotadas
        Aoites com vara
        Mordidas
        Pinas para mamilos
        Pinas genitais
        Gelo
        Cera quente
        Outros tipos/mtodos de dor


       Caramba. Nem sequer tenho foras para dar uma olhada  lista dos mantimentos.
Engulo em seco, tenho a boca seca, e volto a ler.
       Minha cabea est zumbindo. Como vou aceitar tudo isto? E aparentemente  em meu
benefcio, para que explore minha sensualidade e meus limites de forma segura... oh, por
favor!  de fazer rir. Servi-lo e obedec-lo em tudo. Em tudo! Sacudo a cabea com
descrena. Na realidade, os votos de matrimnio no utilizam palavras como... obedincia?
Desconcerta-me. Os casais ainda dizem isso? S trs meses, por isso houve tantas? No ficam
muito tempo? Ou j tiveram bastante em trs meses? Todos os fins de semana?  muito. No
poderei ver Kate nem os amigos que possa fazer em meu novo trabalho, caso eu encontre um
trabalho... Talvez eu devesse reservar um fim de semana ao ms s para mim. Talvez, quando
tiver minha menstruao, parece... prtico.
 meu dono! Terei que fazer o que lhe agrade! Caramba.


              132
         Estremeo ao pensar que ele poder me aoitar ou me amarrar. Talvez os aoites no
sejam to graves, embora humilhantes. E me amarrar? Bom, j me amarrou as mos. Isso
foi... bem, foi excitante, muito excitante, assim possivelmente tampouco seja to grave. No
me emprestar a outro Dominante... maldito seja,  obvio que no. Seria totalmente
inaceitvel. Por que eu ainda estou pensando sobre isso?
         No posso olh-lo aos olhos. Que estranho!  a nica maneira de ter alguma
possibilidade de saber o que est pensando. Mas a quem intento enganar? Nunca sei o que
est pensando, mas eu gosto de olh-lo nos olhos. So bonitos, cativantes, inteligentes,
profundos e escuros, escuros com segredos dominantes. Penso em seu olhar ardente e aperto
minhas coxas, eu estremeo.
         E no posso toc-lo. Bem, isto no me surpreende. E essas estpidas regras... No,
no, no posso. Cubro o rosto com as mos. Isso no  a maneira de manter uma relao.
Preciso dormir um pouco. Estou fisicamente esgotada. As travessuras fsicas que pratiquei nas
ltimas vinte e quatro horas foram, francamente, exaustivas. E mentalmente... Oh, homem,
isso  muito para levar a bordo. Como diria Jos, uma autntica fodida mental. Possivelmente
pela manh, isso no me parea uma brincadeira de mau gosto.
         Levanto-me e me troco rapidamente. Talvez devesse pedir emprestado para Kate o seu
pijama rosa de flanela. Eu estou precisando do contato com algo fofinho e tranquilizador. Vou
para o banheiro para escovar os dentes, vestindo camiseta e calas curtas de pijama.
         Eu me olho no espelho do banheiro. Eu no posso considerar isso seriamente...
Meu subconsciente parece sensato e racional, e no sarcstico, como est acostumado a ser. A
deusa interior no deixa de saltitar e bater palmas como uma menina de cinco anos. Por favor,
vamos fazer isso... se no, acabaremos sozinhas, com um monto de gatos, e suas novelas
como companhia.
         O nico homem que j me atraiu, chega com um maldito contrato, um chicote e um
sem-fim de regras e clusulas. Bem, ao menos consegui o que queria este fim de semana.
Minha deusa interior deixa de saltar e sorri com serenidade. OH, sim... articula com os lbios,
acenando para mim presunosamente.
Ruborizo ao recordar de suas mos e sua boca sobre mim, seu corpo dentro do meu. Fecho os
olhos, eu sinto a fora familiar e deliciosa dos meus msculos de baixo, profundo. Eu quero
fazer isso de novo e de novo. Talvez se eu s assinasse para o sexo... ele aceitaria isso?
Suspeito que no.
         Eu, submissa? Talvez eu venha atravs dessa forma. Talvez eu o tenha enganado na
entrevista. Sou tmida, sim... mas submissa? Eu deixei a Kate me intimidar... no  mesmo? E
esses limites suaves, caramba. Confundo a minha cabea, embora me tranquilize saber que
temos que discuti-los.
         Volto para meu quarto.  muito para pensar a respeito. Preciso limpar a cabea, uma
abordagem pela manh, quando estiver de cabea fresca para resolver o problema. Guardo os
documentos ofensivos na bolsa.
Amanh... amanh ser outro dia. Meto-me na cama, apago a luz e fico olhando ao teto. Oh,
eu queria nunca t-lo conhecido. Minha deusa interior sacode sua cabea para mim. Ela e eu
sabemos que  mentira. Eu nunca tinha me sentido to viva.
         Fecho meus olhos e mergulho em um sono profundo com sonhos ocasionais de camas
com dossel, envelopes de papel manilha e intensos olhos cinza.

                  133
Kate me acorda na manh seguinte.
        -- Ana, eu devo chamar voc. Voc deve ter sentido frio.
        Meus olhos se negam a abrir-se. No s se levantou, mas sim, saiu para correr. Dou
uma olhada para o despertador. So oito da manh. Caramba, dormi mais de nove horas.
        -- O que foi? -- balbucio meio dormindo.
        -- Chegou um homem com um pacote para voc. Tem que assinar.
        -- O que?
        -- Vamos.  grande. Parece interessante. -- Ela d pulinhos entusiasmados e volta
para a sala de estar. Saio da cama e pego o robe, que est pendurado na porta. Um homem
jovem, com um rabo de cavalo, est em p na nossa sala de estar, segurando uma caixa grande
nas mos.
        -- Ol -- eu murmuro.
        -- Eu vou preparar um ch. -- Kate diz, indo para a cozinha.
        -- Senhorita Steele?
        E imediatamente sei quem me manda o pacote.
        -- Sim, -- eu respondo-lhe com receio.
        -- Trago um pacote para voc, mas tenho que instal-lo e lhe ensinar a utiliz-lo.
        -- Srio? A estas horas?
        -- Eu s cumpro ordens, senhora. -- Ele me d um sorriso encantador, mas
profissional, como se dissesse: "no me venha com bobagens".
        Ele acaba de me chamar de "senhora"? Envelheci dez anos em uma noite? Se for
assim,  culpa do contrato. Franzo os meus lbios com desgosto.
        -- Ok, o que  isso?
        --  um MacBook Pro.
        --  claro que . -- Eu digo, rolando os olhos.
        -- Ainda no est nas lojas, senhora.  o ltimo da Apple.
        Por que no me surpreende? Suspiro ruidosamente.
        -- Coloque-o a, na mesa de jantar.
        Vou  cozinha para me juntar a Kate.
        -- O que ? -- Ela me pergunta curiosa, com os olhos brilhantes. Tambm, ela dormiu
muito bem.
        -- Um notebook de Christian.
        -- Por que ele mandou um notebook? Sabe que pode utilizar o meu, -- ela franze o
cenho.
        No para o que ele tem em mente.
        -- Oh,  s um emprstimo. Queria que eu experimentasse isso. -- Minha desculpa
parece pouco convincente, mas Kate concorda. Oh meu Deus... eu enganei Katherine
Kavanagh. Pela primeira vez. Ela me passa uma taa de ch.
        O notebook  brilhante, prateado e bastante bonito. Ele tem uma tela muito grande.
Christian Grey gosta das coisas grandes... Eu penso no lugar onde ele vive, na verdade, na
rea de seu apartamento.
        -- Ele tem o mais recente sistema operacional e um conjunto completo de programas,
alm de um disco rgido de 1,5 terabytes, assim ter muito espao, 32 gigas de RAM... Para
que vai utiliz-lo?

              134
        -- Bem... para mandar e-mails.
        -- E-mails! -- Ele exclama pasmo, elevando as sobrancelhas, com um olhar um pouco
doente no rosto.
-- E, talvez, navegar na internet? -- acrescento, encolhendo os ombros, quase me
desculpando.
        Ele suspira.
        -- Bem, este tem pleno acesso sem fio N, e o instalei com as especificaes de sua
conta. Este beb est preparado para funcionar, virtualmente, em todo planeta. -- Ele me
explica, olhando-o com certo desejo.
        -- Minha conta?
        -- Sua nova conta de e-mail.
        Tenho uma conta de e-mail?
        Ele aponta para um cone na tela e segue me falando, mas  como rudo branco. No
entendo uma palavra do que diz e, para ser sincera, no me interessa. S me diga como lig-lo
e deslig-lo... o resto eu descobrirei sozinha. Depois de tudo, tem quatro anos que utilizo o da
Kate. Kate assobia impressionada, assim que o v.
        --  tecnologia de ltima gerao. -- Ela levanta as sobrancelhas para mim. -- A
maioria das mulheres recebem flores ou talvez jias, -- ela diz sugestivamente, tentando
conter um sorriso.
        Fao uma careta, mas no posso aguentar sria. Ns duas temos um ataque de risada, o
rapaz que mexia no notebook, nos olha perplexo, com a boca aberta. Ele termina e me pede
para assinar a folha de entrega.
        Enquanto Kate o acompanha  porta, sento-me com minha taa de ch, abro o
programa de correio e descubro que est me esperando um e-mail de Christian. O corao d
um salto. Tenho um email de Christian Grey. Abro-o, nervosa.




       De: Christian Grey
       Data: 22 de maio de 2011 23:15
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Seu novo ordenador

       Querida senhorita Steele:



                   135
      Confio que tenha dormido bem. Espero que faa bom uso deste notebook, como
comentamos.
      Estou impaciente pelo jantar com voc, na quarta-feira.
      At ento, estarei encantado de responder a qualquer pergunta via e-mail, se o desejar.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




   Aperto em "Responder".




       De: Anastsia Steele
       Data: 23 de maio de 2011 08:20
       Para: Christian Grey
       Assunto: Seu novo computador (em emprstimo)

       Dormi muito bem, obrigado... por alguma estranha razo... Senhor.
       Acreditei entender que o computador era em emprstimo, quer dizer, no  meu.

Ana




        Sua resposta chega instantaneamente.




       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 08:22
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Seu novo computador (em emprstimo)

       O computador  em emprstimo. Indefinidamente, senhorita Steele.
       Observo, pelo seu tom, que andou lendo a documentao que lhe dei.
       Tem alguma pergunta?

    Christian Grey

                136
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


No posso evitar de sorrir.


       De: Anastsia Steele
       Data: 23 de maio de 2011 08:25
       Para: Christian Grey
       Assunto: Mentes inquisitivas

       Tenho muitas perguntas, mas no me parece adequado fazer isso via e-mail, e alguns
de ns tem que trabalhar para ganhar a vida.
       No quero, nem necessito, um computador indefinidamente.
       At mais tarde. Que tenha um bom dia... Senhor.
       Ana


Quase instantaneamente, h uma resposta.


       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 08:26
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Seu novo computador (de novo em emprstimo)

       At mais tarde, querida.
       P.S.: Eu tambm trabalho para ganhar a vida.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.

         Fecho o computador sorrindo como uma idiota. Como posso resistir ao Christian
brincalho? Vou chegar tarde no trabalho. Bom,  minha ltima semana... Certamente o
senhor e a senhora Clayton faro um pouco de vista grossa. Corro para o banheiro sem poder
tirar o sorriso, de orelha a orelha. Ele me mandou e-mails! Sinto-me como uma menina tonta.
Todas as angstias pelo contrato, desapareceram. Enquanto lavo o cabelo, tento pensar no que
poderia lhe perguntar por e-mail, embora, certamente, estas coisas so melhores para
conversar ao vivo. Suponhamos que algum invada a sua conta... Ruborizo sozinha, s de
pensar. Visto-me rapidamente, me despeo de Kate aos gritos e saio para trabalhar, minha
ltima semana no Clayton'S.
         Jos me liga, s onze.
         -- Ol, vamos tomar um caf?


               137
        Seu tom  o do Jos de sempre, meu amigo Jos, no um... como o chamou Christian?
Um pretendente. Ugh.
        -- Claro. Estou no trabalho. Pode passar por aqui, digamos, s doze?
        -- Vejo voc ento.
        Desligo e volto a repor as brocas e a pensar em Christian Grey e seu contrato.
        Jos  pontual. Entra na loja saltitando vacilante como um cachorrinho brincalho de
olhos escuros.
        -- Ana. -- Ele esboa seu deslumbrante sorriso hispano-americano, e eu j no estou
mais aborrecida.
        -- Ol, Jos. -- Eu o abrao. -- Estou morta de fome. Vou dizer  senhora Clayton
que estou saindo para comer.
        No caminho da cafeteria, agarro o brao de Jos. Eu estou to grata por sua...
normalidade. Um amigo que eu conheo e entendo.
        -- Ana, -- ele murmura, -- voc me perdoou de verdade?
        -- Jos, voc sabe, nunca poderei estar muito tempo zangada contigo.
        Ele sorri.
Estou impaciente para chegar em casa, para ver se tenho algum e-mail de Christian, e
possivelmente, possa comear minha pesquisa. Kate saiu, assim ligo o novo computador e
abro o programa de correio.  obvio, na caixa de entrada tenho um e-mail do Christian. Quase
salto da cadeira de tanta alegria.




       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 17:24
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Trabalhar para ganhar a vida

       Querida senhorita Steele:

       Espero que tenha tido um bom dia no trabalho.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




               138
       Aperto "Responder".




       De: Anastsia Steele
       Data: 23 de maio de 2011 17:48
       Para: Christian Grey
       Assunto: Trabalhar para ganhar a vida

       Senhor... Eu tive um dia excelente no trabalho.

       Obrigada.
       Ana


       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 17:50
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Ao trabalho!

       Senhorita Steele:

       Alegro-me tanto que tenha tido um dia excelente.
       Enquanto escreve e-mails, no est pesquisando.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


       De: Anastsia Steele
       Data: 23 de maio de 2011 17:53
       Para: Christian Grey
       Assunto: Aborrecido

       Senhor Grey, pare de me mandar e-mails e poderei comear a fazer minha tarefa.

Eu gostaria de tirar outro A.

       Ana


Abrao a mim mesma.



               139
       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 17:55
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Impaciente

Senhorita Steele,

Deixe de me escrever e-mails... e faa a sua tarefa.
       Eu gostaria de lhe dar outro A.
       O primeiro foi muito bem merecido. ;)

Christian Grey
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


Christian Grey acaba de me enviar uma piscada... Oh meu. Abro o Google.


       De: Anastsia Steele
       Data: 23 de maio de 2011 17:59
       Para: Christian Grey
       Assunto: Investigao na internet

       Senhor Grey,

       O que voc sugere que eu coloque no buscador?
       Ana


De: Christian Grey
      Data: 23 de maio de 2011 18:02
      Para: Anastsia Steele
      Assunto: Investigao na internet

       Senhorita Steele:

       Comece sempre pela Wikipedia.
       No quero mais e-mails a menos que tenha perguntas.
       Entendido?

Christian Grey
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.



          140
       De: Anastsia Steele
       Data: 23 de maio de 2011 18:04
       Para: Christian Grey
       Assunto: Autoritrio!

       Sim... senhor.
        muito autoritrio.

       Ana




       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 18:06
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Controlando

       Anastsia, voc no imagina quanto.
       Bem, talvez agora faa uma ligeira ideia.
       Faa o trabalho.


Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        Eu teclo "submisso" na Wikipdia.
        Meia hora depois, eu me sinto levemente enjoada e francamente chocada, at o mago.
Eu realmente quero colocar tudo isso na cabea? Caramba,  isto o que ele faz no Quarto
Vermelho da Dor? Sento-me, olhando para a tela, e uma parte de mim, uma parte muito
mida e integrante de mim, que s familiarizei-me muito recentemente, est seriamente
ligada. Oh meu, algumas dessas coisas so EXCITANTES. Mas so para mim? Puta merda...
eu poderia fazer isso? Eu preciso de espao. Eu preciso pensar.




              141
        Captulo 12

          Pela primeira vez em minha vida, saio para correr voluntariamente. Procuro meus
asquerosos tnis, que nunca uso, uma cala de moletom e uma camiseta. Fao uma trana,
ruborizo-me com as lembranas que voltam  minha mente e ligo o iPod. No posso me sentar
em frente a essa maravilha da tecnologia e seguir vendo ou lendo mais material inquietante.
Preciso queimar parte desta excessiva e enervante energia. A verdade  que gostaria de correr
at o hotel Heathman e exigir sexo deste manaco por controle. Mas est a oito quilmetros, e
duvido que possa chegar a correr dois, muito menos oito, e, claro, ele poderia no aceitar, o
que seria muito humilhante.
                Quando abro a porta, Kate est saindo de seu carro. Ela quase deixa as compras
carem quando me v. Ana Steele com tnis de corrida. Eu aceno e no paro, por causa da
inquisio. Preciso de algum tempo sozinha. Snow Patrol est tocando em meus ouvidos, e
saio para o cu opala e aru marinha, do anoitecer.
          Passo pelo parque. O que vou fazer? Desejo-o, mas nesses termos? A verdade  que
no sei. Talvez eu devesse negociar o que quero. Revisar esse ridculo contrato linha a linha e
dizer o que me parece aceitvel e o que no. Minha pesquisa me disse que legalmente  sem
nenhum valor. Ele deve saber. Suponho que s serve para definir os parmetros da relao.
Ele ilustra o que posso esperar dele e o que ele espera de mim, a minha submisso total. Estou
preparada para dar isso a ele? Sou mesmo capaz?
          Uma pergunta me persegue, por que  ele assim? Ser que  porque foi seduzido
quando era muito jovem? Eu simplesmente no sei. Ele ainda  um mistrio.
                Eu paro ao lado de um grande pinheiro e apoio as mos em meus joelhos,
respirando com dificuldade, puxando o precioso ar para os meus pulmes. Sinto-me bem, 
fantstico. Sinto que minha determinao se fortalece. Sim. Tenho que lhe dizer o que me
parece bem e o que no. Tenho que lhe mandar por e-mail o que penso, e ento poderemos
discutir na quarta-feira. Eu respiro fundo, para me limpar por dentro, e dou a volta para casa.
          Kate foi comprar roupas, como s ela poderia, eram roupas para suas frias em
Barbados.
          Principalmente biqunis e cangas combinando. Ela vai parecer fantstica com todos
esses modelos, mas mesmo assim, ela prova todos e me obriga a sentar e comentar como
ficaram. No h muitas maneiras de dizer: "Est fantstica, Kate". Embora esteja magra, tem
umas curvas de perder o sentido. Ela no faz isso de propsito, eu sei, mas ao final arrasto
meu penoso corpo coberto de suor at o meu quarto com a desculpa de ir empacotar mais
caixas. Eu poderia me sentir mais inadequada? Levo comigo o computador sem fio, ligo e
escrevo um email para Christian.




        De: Anastsia Steele
             Data: 23 de maio de 2011 20:33
                  142
        Para: Christian Grey
        Assunto: Universitria escandalizada

        Bem, j vi o bastante.
        Foi agradvel te conhecer.

        Ana




         Pressiono "Enviar", abraando-me, rindo da minha piada. Ser que ele vai achar isso
to engraado? Oh, merda...
         Certamente no. Christian Grey no  famoso por seu senso de humor. Embora saiba
que ele o tem, porque experimentei. Talvez ele deixe para l. Espero sua resposta.
          Espero... e espero. Olho para o despertador. J se passaram dez minutos.
         Para esquecer da angstia que se abre caminho em meu estmago, ponho-me a fazer
o que havia dito a Kate que faria: empacotar as coisas de meu quarto. Comeo colocando
meus livros em uma caixa.
         Por volta das nove sigo sem notcias. Talvez ele tenha sado. Eu estou amuada e
petulante, ponho os fones do iPod, escuto o Snow Patrol e sento em minha mesa para reler o
contrato e a anotar minhas observaes e comentrios.
         No sei por que levanto o olhar, possivelmente capto de relance um ligeiro
movimento, no sei, mas quando a levanto, Christian est na porta de meu quarto me olhando
fixamente. Leva suas calas cinza de flanela e uma camisa branca de linho, e agita
brandamente a chave do carro. Arregalo os olhos e fico gelada. Porra!
          -- Boa noite, Anastsia. -- Sua voz era fria, sua expresso precavida e ilegvel. A
capacidade de falar me abandona. Maldita Kate, deixou-o entrar sem me avisar. Estou
vagamente ciente de que ainda estou de moletom, toda suada e sem tomar banho, e ele est
muito bonito, com as calas caindo bem nos quadris, e o que mais, ele est em meu quarto.
         Eu senti que o seu e-mail merecia uma resposta em pessoa -- explica em tom seco.
           Abro a boca e volto a fech-la, duas vezes. A piada  sobre mim. Nunca, neste ou
em qualquer universo alternativo eu esperava que ele largasse tudo e viesse at aqui.
         Posso me sentar? -- pergunta-me, agora com olhos divertidos. Obrigada, Meu
deus... Talvez a brincadeira lhe pareceu engraada.
          Eu concordo. Minha capacidade de falar permanece incerta. Christian Grey est
sentado em minha cama.
         Perguntava-me como seria seu quarto, -- Ele diz.
         Olho ao meu redor, pensando em uma rota de fuga, no, aqui s tem uma porta e
uma janela.
         Meu quarto  funcional, mas acolhedor, poucos mveis brancos de vime e uma cama
de casal branca, de ferro, com uma colcha de patchwork que minha me fez quando estava em
sua etapa de trabalhos caseiros.  azul cu e creme.
         --  muito sereno e tranquilo, - ele murmura. No neste momento... no com voc
aqui. Finalmente minha medula oblonga recorda o seu propsito, eu respiro.

                143
         Como...?
         Ele sorri para mim.
         Ainda estou no Heathman.
         Isso eu j sabia.
         -- Quer tomar algo? -- Tenho que dizer o que a educao sempre me impe.
         -- No, obrigado, Anastsia. Esboa um deslumbrante meio sorriso com a cabea
ligeiramente inclinada.
         Bem, eu certamente vou precisar de uma.
         Ento, foi agradvel me conhecer?
         Maldio, ofendeu-se? Olho para baixo, para os meus dedos. Como eu vou sair
dessa? Se lhe disser a ele que era uma brincadeira, no acredito que goste de muito.
         -- Pensei que me responderia por e-mail. -- digo-lhe em voz muito baixa, pattica.
         Voc est mordendo o lbio de propsito? -- pergunta-me muito srio.
         Eu pisco os olhos, abro a boca e solto o lbio.
         No estava consciente de que estava mordendo o lbio, -- eu murmuro.
         Meu corao est disparado. Sinto a tenso, essa deliciosa eletricidade esttica que
invade o espao. Ele est sentado muito perto de mim, com seus olhos cinza impenetrveis, os
cotovelos apoiados nos joelhos e as pernas separadas. Inclina-se, desfaz-me uma trana muito
devagar e me separa o cabelo com os dedos. Fico com a respirao presa e no posso me
mover. Observo hipnotizada sua mo movendo-se para a outra trana, tirando a borracha e
desfazendo a trana com seus compridos e hbeis dedos.
         -- Vejo que voc decidiu fazer um pouco de exerccio -- fala em voz baixa e
melodiosa, me colocando o cabelo atrs da orelha. -- Por que, Anastsia? -- Rodeia-me a
orelha com os dedos e muito suavemente, ritmicamente, acaricia o lbulo. Isso  muito
sexual.
         -- Necessitava tempo para pensar, -- eu sussurro. Eu sou toda coelho e faris,
mariposa e chama, pssaro e serpente... e ele sabe exatamente o que est fazendo.
         -- Pensar no que, Anastsia?
         -- Voc.
         E voc decidiu que foi agradvel me conhecer? Refere-te a me conhecer em sentido
bblico?
         Merda. Ruborizo-me.
         -- No pensava que fosse um perito na Bblia.
         -- Eu ia  catequese aos domingos, Anastsia. Aprendi muito.
         No recordo ter lido nada sobre pinas para mamilos na Bblia. Talvez lhe deram a
catequese com uma traduo moderna.
         Seus lbios se arqueiam desenhando um ligeiro sorriso e dirijo o olhar para sua boca.
         Bom, pensei que devia vir a lhe recordar quo agradvel foi me conhecer.
         Meu Deus. Eu fico olhando para ele de boca aberta, e seus dedos se movem da minha
orelha para o meu queixo.
         O que lhe parece, senhorita Steele?
         Seus olhos cinzentos brilham para mim, h um desafio intrnseco em seu olhar. Seus
lbios esto entreabertos, est esperando, alerta para atacar. O desejo, agudo, lquido e
fumegante - arde no mais profundo de meu ventre.

                 144
         Adianto-me e me lano para ele. De repente se move, no tenho nem ideia de como,
e em um abrir e fechar de olhos estou na cama, imobilizada debaixo dele, com as mos
estendidas e sujeitas por cima da cabea, com sua mo livre me agarrando o rosto e sua boca
procurando a minha.
         Ele coloca a lngua em minha boca, reclama-me e me possui, e eu me deleito com
sua fora. Sinto-o por todo meu corpo. Deseja-me, e isso provoca estranhas e deliciosas
sensaes dentro de mim. No quer a Kate, com seus minsculos biqunis, nem a uma das
quinze, nem  malvada senhora Robinson. Quer a mim. Este formoso homem me deseja.
Minha deusa interior brilha tanto que poderia iluminar toda a cidade de Portland. Deixa de me
beijar. Abro os olhos e o vejo me olhando fixamente.
         Confia em mim? -- pergunta-me.
         Eu concordo, com os olhos muito abertos, com o corao ricocheteando nas costelas
e o sangue trovejando por todo meu corpo. Ele estica o brao e do bolso da cala tira sua
gravata de seda cinza... a gravata cinza que deixa pequenas marcas da malha em minha pele.
Senta-se rapidamente escarranchado sobre mim e me ata as colunas, mas esta vez ata o outro
extremo da gravata ao canto da cama. Puxa o n para comprovar que est seguro. No vou a
nenhuma parte. Estou atada a minha cama, e muito excitada.
         Ele se levantou e ficou em p junto  cama, me olhando com olhos turvos de desejo.
Seu olhar  de triunfo e de alvio.
         -- Melhor assim, -- murmura e esboa um sorriso perverso de conhecimento.
Inclina-se e comea a me desamarrar um tnis. Oh, no... no... meus ps. Acabo de correr.
         No, -- protesto e empurro para que me solte.
         Detm-se.
         Se lutar, amarrarei tambm os ps, Anastsia. Se fizer o menor rudo, te amordaarei.
Fique quieta. Katherine provavelmente est aqui e poder me escutar l fora.
         Amordaar-me! Kate! Eu calo a boca.
         Tirou -me os tnis e as meias, e me baixa muito devagar a cala de moletom.
         Oh... que calcinha estou vestindo? Levanta-me, retira a colcha e o edredom de
debaixo de mim e me coloca de barriga para cima sobre os lenis.
         -- Vejamos. -- ele passa a lngua lentamente pelo lbio inferior. -- Est mordendo o
lbio, Anastsia. Sabe o efeito que tem sobre mim. -- Pressiona-me seu longo dedo indicador
na boca como advertncia.
         Oh meu Deus. Eu mal posso me conter, estou indefesa, tombada, vejo que ele se
move tranquilamente pelo meu quarto.  um afrodisaco embriagador. Lentamente, sem
pressas, ele tira os sapatos e as meias, desfaz-se da cala e tira a camisa.
         -- Acredito que voc viu muito, -- ele ri maliciosamente. Volta a sentar-se em cima
de mim, escarranchado, e me levanta a camiseta. Acredito que vai me tirar isso, mas a enrola
 altura do pescoo e logo a sobe de maneira que me deixa descoberta a boca e o nariz, mas
me cobre os olhos. E como est to bem enrolada, no vejo nada.
         -- Mmm -- sussurra satisfeito. -- Isto est cada vez melhor. Eu vou tomar uma
bebida. Inclina-se, beija-me brandamente nos lbios e deixo de sentir seu peso. Ouo o leve
chiado da porta do quarto. Tomar uma bebida. Onde? Aqui? Em Portland? Em Seattle? Aguo
o ouvido. Distingo rudos surdos e sei que est falando com a Kate... Oh, no... Ele est
praticamente nu. O que vai dizer a Kate? Ouo um golpe seco. O que  isso? Retorna, a porta

                 145
volta a chiar, ouo seus passos pelo quarto e o som de gelo tilintando em um copo. O que est
bebendo? Fecha a porta e ouo como se aproxima tirando as calas, que caem ao cho. Sei
que est nu. E volta a sentar-se escarranchado sobre mim.
         -- Tem sede, Anastsia? -- pergunta-me em tom zombador.
         -- Sim, -- digo-lhe, porque de repente sinto a boca seca. Ouo o tinido do gelo no
copo. Inclina-se e, ao me beijar, derrama em minha boca um lquido delicioso.  vinho
branco. No o esperava e  muito excitante, embora esteja gelado, e os lbios do Christian
tambm esto frios.
         Mais? -- pergunta-me em um sussurro.
         Aceito. O gosto  ainda melhor porque vem de sua boca. Inclina-se e bebo outro gole
de seus lbios... Oh, meu Deus.
         -- No vamos muito longe, sabemos que sua tolerncia ao lcool  limitada,
Anastsia.
         No posso evitar de rir, e ele se inclina e solta outra deliciosa baforada. Ele se coloca
ao meu lado e sinto sua ereo no quadril. Oh, quero-o dentro de mim.
         Isso parece bom para voc? -- pergunta-me, mas ouo a borda em sua voz.
         Estou tensa. Volta a mover o copo, beija-me e, junto com o vinho, solta um pedao
de gelo, na boca. Muito devagar comea a descer com os lbios desde meu rosto, passando
por meus seios, at meu torso e meu ventre. Coloca-me uma parte de gelo no umbigo, onde se
forma um pequeno lago de vinho muito frio que provoca um incndio que se propaga at o
mais profundo de meu ventre. Uau.
         -- Agora tem que ficar quieta, -- ele sussurra. -- Se voc se mover, molhara a cama
de vinho, Anastsia.
         Meus quadris se flexionam automaticamente.
         Oh, no. Se derramar o vinho, vou te castigar, senhorita Steele.
         Gemo, tento me controlar e luto desesperadamente contra a necessidade de mover os
quadris. Oh, no... por favor.
                Baixa com um dedo as taas do suti e deixa com os seios no ar, expostos e
vulnerveis. Inclina-se, beija e pega meus mamilos com os lbios frios, gelados. Luto contra
meu corpo, que tenta responder arqueando-se.
         Voc gosta disto? -- pergunta-me me apertando um mamilo.
         Volto a ouvir o tinido do gelo, e logo o sinto ao redor de meu mamilo direito,
enquanto puxa de uma vez o esquerdo com os lbios. Gemo e luto para no me mover. Uma
desesperadora e doce tortura.
         -- Se derramar o vinho, no deixarei que goze.
         -- Oh... por favor... Christian... Senhor... por favor. -- Ele estava me deixando louca.
Posso ouvi-lo sorrir.
          O gelo de meu mamilo est derretendo-se. Estou muito quente... quente, molhada e
morta de desejo.
         Quero-o dentro de mim. Agora.
         Ele desliza muito devagar os dedos gelados pelo meu ventre. Como tenho a pele
hipersensvel, meus quadris se flexionam e o lquido do umbigo, agora menos frio, goteja-me
pela barriga. Christian se move rapidamente e o lambe, beija-me, morde-me brandamente,
chupa-me.

                     146
         Oh querida, Anastsia, voc se moveu. O que vou fazer contigo?
         Ofego em voz alta. A nica coisa que posso me concentrar  em sua voz e seu tato.
Nada mais  real. Nada mais importa. Meu radar no registra nada mais. Desliza os dedos por
dentro da minha calcinha e me alivia ouvir que lhe escapa um profundo suspiro.
         OH, querida, -- ele murmura e me introduz dois dedos.
         Sufoco um grito.
         -- Estar pronta para mim logo, -- ele diz. Movendo seus tentadores dedos devagar,
dentro e fora, eu empurro para ele elevando os quadris.
         -- Voc  uma garota gulosa, -- ele me repreende baixinho, e seu polegar circunda o
meu clitris e sem seguida, pressiona para baixo.
         Ofego e meu corpo estremece sob seus peritos dedos. Estica um brao e retira a
camiseta dos meus olhos para que possa v-lo. A tnue luz do abajur me faz piscar. Desejo
toc-lo.
         -- Eu quero tocar voc. -- eu respiro.
         -- Eu sei, -- ele murmura. Inclina-se e me beija sem deixar de mover os dedos
ritmicamente dentro de meu corpo, riscando crculos e pressionando com o polegar. Com a
outra mo me recolhe o cabelo para cima e me sujeita a cabea para que no a mova. Replica
com a lngua o movimento de seus dedos. Comeo a sentir as pernas rgidas de tanto empurrar
para sua mo. Ele retira gentilmente sua mo, ento sou trazida de volta da beira do abismo.
Ele repete isso uma e outra vez. Isso  to frustrante... Oh, por favor, Christian, eu grito por
dentro.
         -- Este  seu castigo, to perto e de repente to longe. Voc acha isso agradvel? --
sussurra-me ao ouvido.
         Eu choramingo, esgotada, e puxo meus braos amarrados. Estou indefesa, perdida
em uma tortura ertica.
         -- Por favor, -- suplico-lhe, e ele finalmente tem piedade de mim.
         --Como quer que lhe foda, Anastsia?
         Oh... meu corpo comea a tremer e volta a fica imvel.
         -- Por favor.
         -- O que voc quer, Anastsia?
         -- Voc... agora, - eu grito.
         -- Como quer que eu lhe foda. H uma variedade infinita de maneiras, -- ele respira
contra meus lbios. Ele retira sua mo e atinge a mesa de cabeceira, pegando o saquinho
prateado. Ajoelha-se entre minhas pernas e, muito devagar, tira-me a calcinha sem deixar de
me olhar com olhos brilhantes. Ele coloca o preservativo. Eu observo fascinada, hipnotizada.
         Isto lhe parece agradvel? -- diz-me acariciando-se.
         -- Eu quis dizer isso como uma brincadeira, -- eu choramingo. Por favor, me foda
Christian.
         Ele levanta as sobrancelhas, deslizando a mo para cima e para baixo em seu
impressionante membro.
         -- Uma brincadeira? -- pergunta-me com a voz ameaadoramente suave.
         -- Sim. Por favor, Christian, -- rogo-lhe.
         -- Voc est rindo agora?
         No, -- eu choramingo.

                   147
          A tenso sexual est a ponto de me fazer estalar. Olha-me por um momento,
avaliando meu desejo, e de repente me agarra e me d a volta. Fico surpresa, e como tenho as
mos amaradas, tenho que me apoiar nos cotovelos. Empurra-me os joelhos para elevar o
traseiro e me d um forte tapa. Antes que possa reagir, penetra-me. Eu grito, pelo tapa e por
sua agresso sbita, e gozo imediatamente uma e outra vez, caindo debaixo dele, que segue a
bater deliciosamente dentro de mim. No se detm. Estou destroada. No aguento mais... e
ele empurra uma e outra vez... e sinto que volta a me alagar outra vez... ento eu estou
comeando de novo... no pode ser... no...
          -- Vamos, Anastsia, mais uma vez, -- ele rosna por entre os dentes cerrados, e
inacreditavelmente, meu corpo responde, convulsionando em torno dele, quando eu chego ao
clmax de novo, gritando o seu nome. Despedao-me novamente em pequenos fragmentos, e
Christian finalmente para, em silncio, encontrando a sua liberao.
          Ele cai em cima de mim, ofegando.
          Quanto voc achou bom? -- pergunta-me com os dentes apertados.
          Oh, meu Deus.
          Estou cada na cama, devastada, ofegando e com os olhos fechados, quando se separa
de mim muito devagar. Levanta-se e comea a vestir-se. Quando acabou, volta para a cama,
desamarra-me e me tira a camiseta. Flexiono os dedos e esfrego as bochechas, sorrindo ao ver
que me marcou o desenho do lenol. Ajusto o suti enquanto ele atira a colcha e o edredom
para me tampar. Olho para ele aturdida e ele me devolve o sorriso.
          -- Foi realmente muito bom, -- sussurro timidamente.
          -- No use esta palavra de novo.
          -- Voc no gosta de que palavra?
          -- No. No tem nada que ver comigo.
          -- Oh... Eu no sei... parece ter um efeito benfico para voc.
          -- Eu sou um efeito benfico? Isso  o que sou agora? Poderia ferir mais meu amor
prprio, senhorita Steele?
          -- No acredito que tenha algum problema de amor prprio. Mas sou consciente de
que o digo sem convico. Algo me passa rapidamente pela cabea, uma ideia fugaz, mas me
escapa antes que possa apanh-la.
          -- Voc cr? -- pergunta-me em tom amvel. Ele est deitado ao meu lado, vestido,
com a cabea apoiada no cotovelo, e eu estou apenas com o suti.
          -- Por que voc no gosta que lhe toquem?
          --Porque no. -- Ele inclina-se sobre mim e me beija suavemente na testa. -- Ento,
esse e-mail que voc mandou era uma brincadeira
          Sorrio a modo de desculpa e encolho de ombros.
          -- Estou vendo. Ento ainda est pensando em minha proposta?
          -- Sua proposta  indecente... sim, estou pensando nela. Mas, tenho alguns
problemas, embora.
          Ele me sorri aliviado.
          -- Ficaria decepcionado se no tivesse algumas coisas para discutir.
          -- Eu ia mandar isso por email, mas voc me interrompeu.
          -- Coitus interruptus.


                148
          -- V, eu sabia que tinha um pouco de senso de humor escondido por a. -- digo-lhe
sorridente.
          -- No  to divertido, Anastsia. Pensei que estava me dizendo no, que nem sequer
queria coment-lo. -- Sua voz falha.
          -- Ainda no sei. No decidi nada. Voc vai me colocar uma coleira?
          Ele levanta as sobrancelhas.
          -- Voc esteve pesquisando. Eu no sei, Anastsia. Nunca dei uma coleira para
algum..
          Oh... deveria me surpreender? Sei to pouco sobre as sesses... Eu no sei.
          -- Voc j usou uma coleira? -- pergunto, num sussurro
          -- Sim.
          -- Da senhora Robinson?
          -- Senhora Robinson! -- Ele ri s gargalhadas, e parece jovem e despreocupado,
com a cabea arremessada para trs. Sua risada  contagiosa.
          Eu sorrio para ele.
          -- Eu vou contar a ela como a chama, ela vai adorar.
          -- Voc continua em contato com ela? -- pergunto-lhe sem poder dissimular meu
temor.
          -- Sim. -- responde-me muito srio.
          Oh... de repente, uma parte de mim se volta louca de cimes. O sentimento  to
forte que me perturba.
          -- J vejo. -- digo-lhe em tom tenso. -- Assim tem algum com quem comentar seu
estilo alternativo de vida, mas eu no posso.
          Ele franze as sobrancelhas
          -- Acredito que nunca pensei por este ponto de vista. A senhora Robinson fazia parte
deste estilo de vida. Eu disse a voc que agora  uma boa amiga. Se quiser, posso te
apresentar a uma de minhas ex-submissas. Poderia falar com ela.
          O que? Ele est, deliberadamente, tentando me deixar aborrecida?
          -- Esta  a sua ideia de uma piada?
          -- No, Anastsia. -- Confuso, e ele balana a cabea seriamente.
          -- No... eu vou fazer isso do meu jeito, muito obrigada -- eu respondi bruscamente,
puxando o cobertor at ao meu queixo.
          Ele observa-me perdido, surpreso.
          -- Anastsia, eu... -- Ele no sabe o que dizer. Uma novidade, eu acredito. -- No
queria te ofender.
          -- No estou ofendida. Estou consternada.
          -- Consternada?
           -- No quero falar com nenhuma ex-namorada... escrava... sub... ou qualquer nome
que voc chama.
          -- Anastsia Steele, est com cimes?
          Eu fico vermelha
          -- Voc vai ficar?
          -- Amanh, no caf da manh, tenho uma reunio em Heathman. Alm disso, j te
disse que no durmo com minhas namoradas, escravas, submissas, com ningum. Sexta-feira

                 149
e sbado foram uma exceo. No voltar a acontecer. -- Ouo a firme determinao atrs de
sua doce voz rouca.
         Eu franzo os lbios.
         -- Bem, estou cansada agora.
         -- Voc est me chutando para fora? -- Ele levanta as sobrancelhas, perplexo e um
pouco aflito.
         -- Sim.
         -- Bem, outra novidade. -- Olha-me especulativamente. -- No quer discutir nada
agora? Sobre o contrato.
         -- No. -- respondo-lhe de mau humor.
         -- Deus, eu gostaria de dar-lhe uma boa surra. Voc se sentiria muito melhor, assim
como eu.
         -- Voc no pode dizer essas coisas... Ainda no assinei nada.
         -- Um homem pode sonhar, Anastsia. -- Ele inclina-se e me agarra pelo queixo. --
Quarta-feira? -- Ele murmura, e beija-me rapidamente nos lbios.
         -- Quarta-feira. -- respondo-lhe. -- Eu acompanho voc at l fora. S me d um
minuto. -- Sento, coloco a camisa e empurrou-o para obter espao na cama. Ele faz isso com
relutncia.
         -- Passe-me  cala de moletom, por favor.
         Ele a recolhe do cho e me entrega.
         -- Sim, senhora. -- Ele tenta ocultar seu sorriso, mas no o consegue.
         Eu olho para ele de cara feia, enquanto ponho as calas. Meu cabelo est um desastre
e eu sei que depois que ele se for, eu terei que enfrentar a inquisio de Katherine Kavanagh.
Coloco um elstico no cabelo, dirijo-me para a porta e abro para ver se vejo Kate. Ela no est
na sala de estar. Acredito que a ouo falando no telefone em seu quarto. Christian me segue.
Durante o breve percurso entre o meu quarto e a porta da frente, meus pensamentos e meus
sentimentos fluem e se transformam. J no estou zangada com ele. De repente, me sinto
insuportavelmente tmida. No quero que parta. Pela primeira vez, eu gostaria que ele fosse
normal, eu gostaria de manter uma relao normal, que no exigisse um acordo de dez
pginas, aoites e mosquetes no teto de seu quarto de jogos.
         Abro-lhe a porta e olho para as minhas mos.  a primeira vez que recebo um
homem em minha casa para fazer sexo, e acredito que foi genial. Mas agora me sinto como
um recipiente, como um copo vazio que se enche com o seu desejo. Meu subconsciente
sacode a cabea.
         Eu queria correr at Heathman em busca de sexo... e lhe fizeram uma entrega
expressa. Cruzo os braos e bato com o p no cho, como um `qual o problema em olhar em
seu rosto'. Christian parou junto  porta, agarra-me pelo queixo e me obriga a olh-lo. Sua
testa enruga ligeiramente .
         -- Voc est bem? -- ele pergunta me acariciando o queixo com seu polegar.
         -- Sim. -- respondo-lhe, embora com toda a honestidade eu no estou muito certa.
Sinto uma mudana de paradigma. Eu sei que se aceitar, vou me machucar. Ele no  capaz,
no lhe interessa ou no quer me oferecer nada mais... mas eu quero mais. Muito mais. O
ataque de cimes que senti por um momento, antes, me diz que meus sentimentos por ele so
mais profundos do que eu mesma posso admitir.

                  150
          -- Quarta-feira, -- ele confirma, inclina-se e me beija com ternura. Mas enquanto
est me beijando, seus lbios ficam mais urgentes contra os meus, sua mo se move para cima
do meu queixo e est segurando a minha cabea, uma mo de cada lado. Sua respirao se
acelera. Inclina-se para mim e me beija mais profundamente. Coloquei minhas mos em seus
braos. Quero deslizar as mos pelo seu cabelo, mas resisto porque sei que no gostaria. Ele
encosta sua testa contra a minha, de olhos fechados, com a voz tensa.
          -- Anastsia, -- ele sussurra. -- o que voc est fazendo comigo?
          -- O mesmo eu poderia dizer para voc, -- sussurro de volta.
          Toma uma respirao profunda, beija-me na testa e parte. Avana em passo decidido
para o carro passando a mo pelo cabelo. Enquanto abre a porta, levanta o olhar e me lana
um sorriso arrebatador. Totalmente deslumbrada, devolvo-lhe um leve sorriso e volto a pensar
em caro aproximando-se muito ao sol. Fecho a porta da rua, enquanto se mete em seu carro
esportivo. Sinto uma irresistvel necessidade de chorar. Uma triste e solitria melancolia me
oprime o corao. Volto para meu quarto, fecho a porta e me apoio tentando racionalizar
meus sentimentos, mas no posso. Deixo-me cair no cho, cubro o rosto com as mos e as
lgrimas comeam a descer.
          Kate bate na porta suavemente.
          -- Ana? -- ela sussurra. Eu abro a porta. Ela me olha e me abraa.
          -- O que est errado? O que lhe fez esse bastardo repulsivo?
          -- Oh, Kate, nada que eu no quisesse que me fizesse.
          Ela me empurra para a cama e nos sentamos.
          -- Voc est com o cabelo horrvel.
          Embora esteja desconsolada, rio-me.
          -- O sexo foi bom, no foi terrvel em nada.
          Kate sorri.
          -- Melhor. Por que voc est chorando? Voc nunca chora. -- Ela pega a minha
escova na mesa em frente, senta atrs de mim, e muito devagar escova para tirar os ns.
          -- Eu s no acho que nosso relacionamento est indo a lugar nenhum. -- Olho para
os meus dedos.
          -- Voc no disse que ia v-lo s na quarta-feira?
          -- Sim, foi o que combinamos.
          -- E por que ele apareceu hoje por aqui?
          -- Porque lhe mandei um e-mail.
          -- Pedindo para que ele viesse?
          -- No, lhe dizendo que no queria voltar a v-lo.
          -- E ele veio at aqui? Ana, voc  genial.
          -- A verdade  que era uma brincadeira.
          -- Oh, agora sim no estou entendendo nada.
          Pacientemente, lhe explico essncia do meu e-mail, sem entrar em detalhes.
          -- Pensou que responderia por email.
          -- Sim.
          -- Mas isso fez com que ele viesse aqui.
          -- Sim.
          -- Eu diria que ele est completamente apaixonado por voc.

                151
         Franzo o cenho. Christian apaixonado por mim? Dificilmente. Ele s est
procurando um novo brinquedo, um novo e adequado brinquedo para deitar-se e lhe fazer
coisas indescritveis. Meu corao se aperta.
         Essa  a verdade.
         -- Ele veio s para foder-me, isso  tudo.
         -- Quem disse que o romantismo tinha morrido? -- ela murmura horrorizada. Eu
choquei a Kate. No pensava que isso fora possvel. Encolho os ombros, como desculpa.
         -- Ele utiliza o sexo como uma arma.
         -- Fode voc para submet-la?  Ela sacode a cabea com desaprovao. Eu pisco
rapidamente para ela, e eu sinto o rubor se espalhando pelo meu rosto. Oh... na mosca,
Katherine Kavanagh, ganhadora do premio Pulitzer de jornalismo.
         -- Ana, no a entendo, e voc faz amor com ele?
         -- No, Kate, no fazemos amor... fodemos... como diz Christian. Ele no est
interessado em amor.
         -- Sabia que havia algo estranho nele. Tem problema em assumir compromisso.
         Eu concordo, como se estivesse de acordo, mas por dentro suspiro. Oh, Kate... eu
gostaria de lhe contar tudo sobre este tipo estranho, triste e perverso, e gostaria que voc
pudesse me dizer para esquec-lo, para deixar de ser tola.
         -- Eu acho que  uma situao bastante esmagadora, -- murmuro. Esse  o
eufemismo do ano. Porque eu no quero mais falar sobre Christian, eu pergunto sobre Elliot.
S de mencionar o seu nome, a atitude de Katherine muda radicalmente, seu rosto se ilumina,
sorrindo para mim.
         -- Ele vir cedo no sbado para nos ajudar na mudana. Abraa a escova com fora
contra seu peito, ela se deu bem, e sinto uma vaga e familiar pontada de inveja. Kate
encontrou um homem normal e parece muito feliz.
         Eu viro para ela e a abrao.
         -- Ah, quase tinha me esquecimento. Seu pai ligou quando estava... bem, ocupada.
Parece que Bob teve um pequeno acidente, assim, sua me e ele no podero vir  entrega do
diploma. Mas seu pai estar aqui na quinta-feira. Ele quer que voc ligue para ele.
         -- Oh... minha me no me ligaria para me dizer isso. O Bob est bem?
         -- Sim. Ligue para ela de manh. Agora  tarde.
         -- Obrigada, Kate. J estou bem, agora. Amanh ligarei tambm para o Ray.
Acredito que vou-me deitar. -- Ela me sorri, mas aperta seus olhos, preocupada.
         Quando ela saiu, sento-me, volto a ler o contrato e vou tomando notas. Uma vez que
terminei, ligo o computador disposta a lhe responder.
         Em minha caixa de entrada h um e-mail do Christian.




       De: Christian Grey
       Data: 23 de maio de 2011 23:16
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Esta noite


               152
       Senhorita Steele:

       Espero impaciente por suas observaes sobre o contrato.
       Enquanto isso, que durma bem, querida.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.

       De: Anastsia Steele
       Data: 24 de maio de 2011 00:02
       Para: Christian Grey
       Assunto: Objees

Querido senhor Grey

        Aqui est minha lista de objees. Espero que na quarta-feira possamos discutir com
calma, durante o nosso jantar.
        Os nmeros remetem s clusulas:
        2: No tenho certeza que seja exclusivamente em MEU benefcio, quer dizer, para que
explore minha sensualidade e meus limites. Estou segura de que para isso, no necessitaria
um contrato de dez pginas. Certamente  para SEU benefcio.
        4: Como sabe, s pratiquei sexo com voc. No tomo drogas e nunca fiz uma
transfuso. Certamente estou mais que s. E sobre voc?
        8: Posso rescindir o contrato a qualquer momento, se acreditar que no est cumprindo
os limites acordados. Ok, isso me parece muito bem.
        9: Devo obedecer voc em tudo? Aceitar sua disciplina sem duvidar? Temos que
conversar sobre isso.
        11: Perodo de prova de um ms, no de trs.
        12: No posso me comprometer todos os fins de semana. Tenho vida prpria, e
seguirei tendo. Possivelmente trs de cada quatro?
15.2: Utilizar meu corpo da maneira que considere oportuna, no sexo ou em qualquer outro
mbito... Por favor, defina "em qualquer outro mbito".
        15.5: Toda a clusula sobre a disciplina em geral. No estou segura de que queira ser
aoitada, surrada ou castigada fisicamente. Estou segura de que isto infringe as clusulas 2-5.
E alm disso "por qualquer outra razo"  simplesmente mesquinho... e me disse que no era
um sdico.
        15.10: Como se me emprestar a algum pudesse ser uma opo. Mas me alegro de que
o deixe bem claro.
        15.14: Sobre as normas, comento mais adiante.
        15.19: Que problema h em que me toque sem sua permisso? Em qualquer caso, sabe
que no o fao.
        15.21: Disciplina: veja-se acima clusula 15.5.
        15.22: No posso te olhar nos olhos? Por qu?
        15.24: Por que no posso tocar em voc?

                  153
Normas:
        Dormir: aceitarei seis horas.
Comida: no vou comer o que puser em uma lista. Ou a lista dos mantimentos se elimina, ou
rompo o contrato.
        Roupa: de acordo, contanto que s tenha que vestir a sua roupa quando estou com
voc... Ok.
        Exerccio: tnhamos ficado em trs horas, mas segue pondo quatro.

Limites suaves:
       Temos que passar por tudo isto? No quero fisting de nenhum tipo. O que  a
suspenso? Pinas genitais... deve estar de brincadeira.
       Poderia me dizer quais so seus planos para quarta-feira? Eu trabalho at s cinco da
tarde.

Boa noite.
Ana




        De: Christian Grey
        Data: 24 de maio de 2011 00:07
        Para: Anastsia Steele
        Assunto: Objees

        Senhorita Steele:

         uma lista muito longa. Por que ainda est acordada?

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




              De: Anastsia Steele
              Data: 24 de maio de 2011 00:10
              Para: Christian Grey
              Assunto: Queimando o leo da meia-noite

        Senhor:

         Se no recordar mal, estava com esta lista quando sua obsesso por controle me
interrompeu e me levou para a cama.

               154
            Boa noite.
            Ana




       De: Christian Grey
       Data: 24 de maio de 2011 00:12
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Pare de queimar o leo da meia-noite

       ANASTSIA,V PARA CAMA.

Christian Grey
                                    CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Oh... em maisculas! Como se gritasse. Desligo o computador. Como pode me
intimidar estando a oito quilmetros de distncia?
         Eu sacudo a minha cabea. Meu corao est disparado, eu subo na cama e
imediatamente caio em um sonho profundo, embora intranquilo.




     155
        Captulo 13

        No dia seguinte, ao voltar para casa, depois do trabalho, lembro de minha me. No
Clayton's o dia foi relativamente tranquilo, tive muito tempo para pensar.
Eu estou inquieta, nervosa, porque amanh terei que enfrentar o obcecado por controle, e no
fundo, eu estou preocupada porque possivelmente fui muito negativa em minha resposta ao
contrato. Talvez ele v desistir da coisa toda.
        Minha me est muito triste, sente muito por no poder vir  entrega do diploma. Bob
torceu um ligamento e esta mancando. Honestamente, ele  to propenso a acidentes como eu
sou. Ele dever se recuperar sem problemas, mas tem que fazer repouso, e minha me tem que
atend-lo o tempo todo.
        -- Ana, querida, sinto muitssimo, -- lamenta minha me ao telefone.
        -- Me, est tudo bem. Ray estar aqui.
        -- Ana, parece distrada... voc est bem, querida?
        -- Sim, mame. -- Oh, se voc soubesse... conheci um cara escandalosamente rico,
que quer manter comigo uma espcie de estranha e perversa relao sexual, em que eu no
tenho nem palavras nem opinio.
        -- Conheceu algum?
        -- No, mame. -- Agora mesmo no gostaria de falar do assunto.
        -- Bem, querida, na quinta-feira, eu pensarei em voc. Amo voc... vou sabe disso,
querida? -- Fecho os olhos. Suas carinhosas palavras me reconfortavam.
        -- Eu tambm te amo, mame. D meu ol para Bob. Espero que se recupere logo.
-- Certo, querida. Adeus.
-- Adeus.
        Enquanto falava com mame, entrei em meu quarto. Ligo meu computador infernal e
abro a caixa de correio. Tenho um e-mail do Christian, da ltima hora de ontem  noite ou
primeira hora desta manh, dependendo de como voc veja a coisa. Meu corao acelera
instantaneamente, e ouo o sangue bombear em meus ouvidos. Maldito seja... talvez ele me
diga que no... certo... talvez tenha cancelado o jantar. A ideia me parece dolorosa. Descarto-a
rapidamente e abro o email.




       De: Christian Grey
       Data: 24 de maio de 2011 01:27
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Suas objees


                   156
       Querida senhorita Steele:

      Depois de revisar com mais detalhe suas objees, permita-me lhe recordar a definio
de submisso.

Submisso - adjetivo

      1. inclinado ou disposto a submeter-se; que obedece humildemente: servente
submisso.
      2. que indica submisso: uma resposta submissa.

       Origem: 1580-1590; submeter-se, submisso

       Sinnimos:

       1. obediente, complacente, humilde.
       2. passivo, resignado, paciente, dcil, contido.

       Antnimos:

       1. rebelde, desobediente.
       Por favor, tenha isso em mente quando nos reunirmos na quarta-feira.


Christian Grey
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




       Meu sentimento inicial foi de alvio. Ao menos est disposto a comentar minhas
objees e ainda quer que nos vejamos amanh. Penso um pouco e lhe respondo.




       De: Anastsia Steele
       Data: 24 de maio de 2011 18:29
       Para: Christian Grey
       Assunto: Minhas objees... O que acontece com as suas?

       Senhor:


              157
       Rogo-lhe que observe a data de origem: 1580-1590. Queria recordar ao senhor, com
todo respeito, que estamos em 2011. Percorremos um longo caminho desde ento.
       Permita-me lhe oferecer uma definio para que a tenha em conta em nossa reunio:

Compromisso: essencial

        1. chegar a um entendimento mediante concesses mtuas; alcanar um acordo
ajustando exigncias ou princpios em conflito ou oposio mediante a recproca modificao
das demandas.
2. O resultado de certo acordo.
3. Algo intermedirio entre duas coisas diferentes. A diviso de nvel  um compromisso entre
uma casa de fazenda e uma de muitos andares.
4. Um comprometimento, especialmente da reputao; expor em perigo, suspeita, etc.:
comprometer a integridade de algum.

Ana




       De: Christian Grey
       Data: 24 de maio de 2011 18:32
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: O que acontece com minhas objees?


       Bem entendido, como sempre, senhorita Steele. Passarei para peg-la em sua casa s
sete em ponto.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




       De: AnastsiaSteele
       Data: 24 de maio de 2011 18:40
       Para: Christian Grey
       Assunto: 2011 - As mulheres sabem dirigir

       Senhor,

       Tenho carro e sei dirigir.
       Preferiria que nos encontrssemos em outro lugar.

                158
      Onde nos encontramos?
      Em seu hotel s sete?

      Ana


      De: Christian Grey
      Data: 24 de maio de 2011 18:43
      Para: Anastsia Steele
      Assunto: Jovenzinha teimosa

      Querida senhorita Steele:

      Remeto ao meu e-mail de 24 de maio de 2011, enviado a 01:27, e  definio que
contm.

      Acredita que ser capaz de fazer o que lhe diga?

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


      De: Anastsia Steele
      Data: 24 de maio de 2011 18:49
      Para: Christian Grey
      Assunto: Homem intratvel

      Senhor Grey,

      Eu prefiro dirigir.
      Por favor.

      Ana


      De: Christian Grey
      Data: 24 de maio de 2011 18:52
      Para: Anastsia Steele
Assunto: Homem exasperado

      Muito bem.
      Em meu hotel s sete.
      Vemo-nos no Marble Bar.


        159
Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


At por e-mail fica de mau humor. No entende que posso precisar sair correndo? No que
minha lata-velha seja muito rpida... mas mesmo assim, necessito de uma via de escape.


       De: Anastsia Steele
       Data: 24 de maio de 2011 18:55
       Para: Christian Grey
       Assunto: Homem no to intratvel

       Obrigada.
       Ana


       De: Christian Grey
       Data: 24 de maio de 2011 18:59
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Mulher exasperante

       De nada.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        Ligo para Ray, que est pronto para ver um partida dos Sounders, uma equipe de
futebol de Salt Lake City, assim, felizmente, nossa conversa ser breve.
        Vir na quinta-feira para a graduao. Depois quer me levar para comer em algum
lugar. Sinto uma grande ternura quando falo com Ray, isso me faz sentir um n na garganta.
Sempre esteve ao meu lado diante dos devaneios amorosos de minha me. Temos um vnculo
especial, que  muito importante para mim. Embora seja meu padrasto, sempre me tratou
como a uma filha, e tenho muita vontade de v-lo. Faz muito que no o vejo. Agora mesmo,
preciso de sua fora e tranquilidade. Sinto a sua falta. Talvez deva canalizar meu Ray interior
para minha entrevista de amanh.
        Kate e eu nos dedicamos empacotar e compartilhamos uma garrafa de vinho barato,
como tantas vezes. Quando por fim quase terminei de empacotar minhas coisas do quarto vou
para a cama, estou mais calma. A atividade fsica de colocar tudo em caixas foi uma boa
distrao, e estou cansada. Quero descansar. Aconchego-me na cama e em seguida durmo.



                  160
       Paul retornou de Princeton antes de se mudar para Nova Iorque para fazer negcios em
uma entidade financeira. Passa o dia me seguindo pela loja e me pedindo que fiquemos juntos.
 um pesadelo.
       -- Paul, j lhe falei cem vezes, esta noite vou sair.
       -- No, no vai. Diz isso para me dar o fora. Sempre me d o fora.
       Sim... parece que ando me esquivando.
       -- Paul, eu sempre pensei que no era boa ideia sair com o irmo do chefe.
       -- Deixar de trabalhar aqui na sexta-feira. E amanh no trabalha.
       -- E a partir sbado estarei em Seattle, e voc em Nova Iorque. Nem de propsito
poderamos estar mais longe. Alm disso,  verdade que tenho um encontro esta noite.
       -- Com o Jos?
       -- No.
       -- Com quem?
       -- Paul... Oh. -- Suspirou exasperada. No ia se dar por vencido. -- Com Christian
Grey. -- No pude evitar o tom de chateao. Mas funcionou. Paul ficou boquiaberto e mudo.
Droga... at o seu nome deixa s pessoas sem palavras.
       -- Voc vai sair com Christian Grey? -- perguntou quando se recuperou do susto. Seu
tom de incredulidade  evidente.
       -- Sim.
       -- Estou vendo. - Paul parecia abatido, mesmo atordoado, e uma pequena parte de
mim se incomodava que lhe tenha surpreendido tanto.  deusa interior tambm. Ela faz um
gesto muito vulgar e pouco atraente para ele com os dedos.
Depois disso, ele me ignorou, e as cinco em ponto saio correndo da loja.
       Kate me emprestou dois vestidos e dois pares de sapatos, para esta noite e para a
graduao de amanh. Eu queria poder sentir-me mais entusiasmada com roupas e fazer um
esforo extra, mas no so minhas. Qual  a sua, Anastsia? A pergunta de Christian, a meia
voz, me perseguia. Balanando a cabea e me esforando para acalmar os nervos, escolho o
vestido cor de ameixa para esta noite.  discreto e parece adequado para uma entrevista de
negcios, por que, depois de tudo, vou negociar um contrato.
       Tomo um banho, depilo minhas pernas e as axilas, lavo os cabelos e passo uma boa
meia hora secando-os, isso para que caia ondulado sobre meus seios e costas. Pego algumas
mechas com um pente para retir-lo do rosto, aplico algum rmel e brilho de labial. Quase
nunca uso maquiagem. Sinto-me intimidada.
       Nenhuma das minhas heronas literrias teve que se maquiar, talvez soubesse algo
mais sobre isso se o fizessem. Calo os sapatos de salto cor de ameixa, combinando com o
vestido, e por volta das seis e meia, estou pronta.
       -- Bem? -- pergunto para Kate.
Ela sorri.
       -- Rapaz, voc vai arrasar, Ana. -- Ela acena com aprovao. --Voc est linda.
       -- Linda! Pretendo ser discreta e parecer uma mulher de negcios.
       -- Tambm, mas sobretudo, est um escndalo. Este vestido fica muito bem com seu
tom de pele. E marca tudo. -- disse com uma risadinha.
       -- Kate! -- repreendo-a.


               161
        -- As coisas so como so, Ana. A impresso geral ... muito boa. Com esse vestido,
ter ele comendo em sua mo.
        Aperto os lbios. Oh, voc no poderia estar mais errada.
        -- Deseje-me sorte.
        -- Voc precisa de sorte para ficar com ele? -- pergunta ela franzindo o cenho,
confusa.
        -- Sim, Kate.
-- Bem, pois ento tenha sorte. -- Ela me abraou e eu sai pela porta da frente.
         Tenho que tirar os sapatos para conduzir. Wanda, meu fusca azul marinho, no foi
desenhado para ser conduzido por mulheres com saltos altos. Estacionei em frente ao
Heathman as sete, faltando dois minutos exatamente, dando as chaves ao manobrista, percebo
que ele olha para meu fusca com cara feia, mas eu o ignoro. Respiro fundo, me preparo
mentalmente para a batalha e me dirijo ao hotel.
        Christian est inclinado sobre o balco, bebendo um copo de vinho branco. Ele est
vestido com a habitual camisa branca de linho, jeans preto, gravata preta e jaqueta preta. Tem
os cabelos to alvoroados como sempre. Suspiro. Fico uns segundos parada na entrada do
bar, observando, admirando a vista. Ele lana um olhar, acredito que nervoso, para a porta se
esticando e fica imvel. Pestaneja um par de vezes e depois esboa lentamente um sorriso
indolente e sexy que me deixa sem palavras e isso me derrete por dentro. Avano para ele
fazendo um enorme esforo para no morder meus lbios, consciente de que eu, Anastsia
Steele de Clumsyville, estou de saltos. Ele caminha graciosamente par me encontrar.
        -- Voc est linda, -- ele murmura, inclinando-se para me beijar rapidamente na
bochecha. -- Lindo vestido, senhorita Steele. Parece-me muito bem. -- Agarra minha mo, e
me leva a uma mesa reservada e faz um gesto ao garom.
        -- O que quer tomar?
        Esboo um ligeiro sorriso enquanto me sento na mesa. Bem, ao menos pergunta-me.
        -- Tomarei o mesmo que voc, obrigado. -- Viu? Sei fazer meu papel e me
comportar.
Divertido, pede outro copo do Sancerre e se senta em frente a mim.
        -- Tm uma adega excelente aqui, -- me diz, inclinando a cabea para um lado.
Ele apoia os cotovelos na mesa e junta os dedos de ambas as mos  altura da boca. Em seus
olhos brilham uma incompreensvel emoo. E a est... uma descarga eltrica que conecta
com o meu eu mais profundo. Remexo-me, incmoda diante de seu olhar escrutinador, com o
corao pulsando rapidamente. Tenho que manter a calma.
        -- Est nervosa? -- Ele pergunta amavelmente.
        -- Sim.
Ele inclina-se para frente.
        -- Eu tambm, -- ele sussurra com cumplicidade. Mantenho meus olhos nos seus.
Ele? Nervoso?
Nunca. Eu pestanejo e ele me d seu precioso sorriso meio de lado. Chega o garom com meu
vinho, um pratinho com frutas secas e outro com azeitonas.
        -- Ento, como faremos isso? -- Eu pergunto. -- Revisamos meus pontos um a um?
        -- Sempre to impaciente, senhorita Steele.
        -- Bem, eu poderia perguntar o que voc achou do tempo hoje?

                 162
Ele sorriu e pegou uma azeitona com seus longos dedos. Ele botou na boca e meus olhos se
fixam na sua boca, que esteve sobre a minha... em todo meu corpo. Ruborizo.
        -- Acredito que o tempo hoje no teve nada de especial, -- Ele riu.
        -- Est rindo de mim, senhor Grey?
        -- Sim, senhorita Steele.
        -- Sabe que esse contrato no tem nenhum valor legal.
        -- Sou perfeitamente consciente disso, senhorita Steele.
        -- Pensou em me dizer isso, em algum momento?
        Ele franze o cenho.
        -- Voc acredita que estou te coagindo para que faa algo que no quer fazer, e que
alm disso pretendo ter algum direito legal sobre voc?
        -- Bem... sim.
        -- No tem um bom conceito de mim, no  verdade?
        -- No respondeu a minha pergunta.
        -- Anastsia, no importa se  legal ou no.  um acordo que eu gostaria de ter
contigo... o que eu gostaria de ter de voc e o que voc pode esperar de mim. Se voc no
gostar, no assine. Se o assinar e depois decidir que voc no gosta, h suficientes clusulas
que lhe permitiro deix-lo. Mesmo se voc for legalmente vinculada, acredita que levaria
voc a julgamento se decidisse partir?
Tomo um comprido gole de vinho. Meu subconsciente me d um golpe no ombro. Tem que
estar atenta. No beba muito.
        -- As relaes deste tipo se apoiam na sinceridade e na confiana, -- seguiu me
dizendo. -- Se no confiar em mim... tem que confiar em mim para que saiba em que medida
estou te afetando, at onde posso ir contigo, at onde posso te levar... se no puder ser sincera
comigo, ento, realmente, no podemos fazer isso.
        Oh meu Deus, v diretamente ao ponto. At onde pode me levar. Caramba. O que quer
dizer?
        --  muito simples, Anastsia. Confia em mim ou no? -- Ele perguntou com os
olhos ardentes. -- Voc manteve este tipo de conversa com... bem, com as quinze?
-- No.
        -- Por que no?
        -- Porque elas j eram submissas. Sabiam o que queriam da relao comigo, e em
geral, o que eu esperava. Com isso, era uma simples questo de afinar os limites possveis,
esses tipos de detalhes.
        -- Voc as procura em alguma loja? Ns somos Submissas?
Ele ri.
        -- No exatamente.
        -- Ento como?
        --  disso que quer falar? Ou passamos ao melhor da questo? s objees, como
voc diz.
        Engulo em seco. Confio nele?  nisso que se resume tudo,  confiana? Sem dvida
deveria ser coisa mais importante para os dois. Lembro-me de sua raiva quando liguei para
Jos.
        -- Voc est com fome? -- Ele pergunta, e me distrai de meus pensamentos.

                    163
        Oh, no... a comida.
        -- No.
        -- Voc comeu hoje?
        Eu olho para ele. Honestamente... Caramba, no vai gostar da minha resposta.
        -- No. -- respondo em voz baixa.
Ele me olhou com expresso muito sria.
        -- Tem que comer, Anastsia. Podemos jantar aqui ou em minha sute. O que voc
prefere?
        -- Acredito que  melhor ficamos em terreno neutro.
        Ele sorriu com ar zombador.
        -- Cr que isso me deteria? -- pergunta em voz baixa, como uma sensual advertncia.
        Arregalo os olhos e volto a engolir a saliva.
        -- Eu espero.
        -- Vamos, reservei um jantar privado. -- Ele sorriu enigmaticamente e saiu da mesa
me estendendo a mo.
        -- Traga o seu vinho -- murmura.
        Agarro a sua mo, levanto e paro a seu lado. Solta a minha mo, pe no brao,
cruzamos o bar e subimos uma grande escada at a sobreloja. Um rapaz com uniforme do
Heathman se aproxima de ns.
        -- Senhor Grey, por aqui, por favor.
        Ns o seguimos por uma luxuosa sala de sofs, at um refeitrio privado, com uma s
mesa. Era pequeno, mas suntuoso. Sob um candelabro cintilante, a mesa est coberta por
linho engomado, taas de cristal, talheres de prata e um ramo com uma rosa branca. Um
encanto antigo e sofisticado impregnava a sala, forrada com painis de madeira. O garom
retira a cadeira e me sento. Eu coloco o guardanapo no colo. Ele coloca as taas na mesa.
Christian se senta em frente a mim. Eu fico olhando para ele.
-- No morda o lbio, -- ele sussurra.
        Eu franzo o cenho. Caramba. Nem sequer me dei conta de que estava fazendo isso.

       -- J pedi a comida. Espero que no se importe.
       A verdade  que me parece um alvio. No estou segura de que possa tomar mais
decises.
       -- No, est tudo bem, -- eu respondo.
       -- Eu gosto de saber que pode ser dcil. Agora, onde estvamos?
       -- No x da questo. -- Dou outro longo gole de vinho. Est muito bom. Christian
Grey conhece bem os vinhos bons. Eu lembro do ltimo gole que me ofereceu, em minha
cama. O inoportuno pensamento me fez ruborizar.
       -- Sim, suas objees. -- Pe a mo no bolso interno da jaqueta e tira uma folha de
papel.
Meu e-mail.
       -- Clusula 2. De acordo.  em benefcio dos dois. Voltarei a redigi-lo.
       Pestanejo. Caramba... vamos passar por cada um destes pontos, um de cada vez. No
me sinto to valente estando com ele. Ele parece to srio. Reforo-me com outro gole de
vinho. Christian continua.

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        -- Minha sade sexual. Bem, todas as minhas companheiras anteriores fizeram anlise
de sangue, e eu fao exames a cada seis meses, de todos estes riscos que existam. Meus
ltimos exames estavam perfeitos. Nunca usei drogas. Na realidade, sou totalmente contra as
drogas, e minha empresa leva uma poltica antidrogas muito a srio. Insisto em que se faam
exames aleatrios e de surpresa nos meus empregados para detectar qualquer possvel
consumo de drogas.
        Uau... A obsesso controladora leva  loucura. Eu o encaro perplexa.
        -- Nunca fiz uma transfuso. Isso responde a sua pergunta?
        Concordo, impassvel.
        -- Seu ponto seguinte eu j comentei antes. Voc pode sair a qualquer momento,
Anastsia. No vou te deter. Mas se for... acaba tudo. Quero que saiba.
        -- Ok, -- eu respondo em voz baixa. Se eu for, acabou. A ideia me parece
inesperadamente dolorosa.
O garom chega com o primeiro prato. Como vou comer? Caramba... ele pediu ostras em uma
cama de gelo.
        -- Espero que voc goste das ostras, -- Christian diz em tom amvel.
-- Nunca as provei. -- Nunca.
        -- Srio? Bem. Pegue uma. A nica coisa que tem que fazer  colocar isso na boca e
engolir. Acredito que conseguir. -- Ele olha para mim e sei a que est se referindo. Fico
vermelha como um tomate. Sorrindo me diz que devo espremer suco de limo em uma ostra e
coloc-la na boca.
        -- Mmm, deliciosa. Tem sabor de mar, -- ele diz sorrindo. -- Vamos, -- ele me
encoraja.
        -- No tenho que mastig-la?
-- No, Anastsia. -- Seus olhos brilham divertidos. Parece muito jovem. Eu aperto os
lbios, e sua expresso muda instantaneamente. Ele me olha muito srio. Estico o brao e
pego a primeira ostra. Ok... isto no vai sair bem. Jogo suco de limo e a coloco na boca. Ela
desliza por minha garganta, todo o mar, sal, e a forte acidez do limo e sua textura carnuda...
Oooh. Lambo os lbios, e ele me olha fixamente, com olhos impenetrveis.
        --  bom?
        -- Comerei outra e lhe responderei.
        -- Boa garota, -- me diz orgulhoso.
        -- Voc pediu ostras de propsito? No dizem que so afrodisacas? -- No,  s o
primeiro prato do menu. No necessito de afrodisacos contigo. Acredito que sabe, e acredito
que  assim contigo tambm, -- ele diz tranquilamente. -- Onde estvamos? -- Ele d uma
olhada no meu e-mail, enquanto pego outra ostra.
Acontece o mesmo com ele. Eu o afeto... Uau.
        -- Obedecer-me em tudo. Sim, quero que faa. Necessito que o faa. Considera um
papel difcil, Anastsia?
        -- Mas me preocupa que me faa mal.
        -- Que te faa mal como?
        -- Fisicamente. -- E emocionalmente.
-- De verdade acredita que te faria mal? Que transpassaria os limites, ao ponto de no poder
aguentar?

                  165
        -- Voc disse que tinha feito mal a algum antes.
        -- Sim, mas foi h muito tempo.
        -O que aconteceu?
        -Pendurei-a no teto do quarto de jogos. De fato,  um dos seus pontos. Suspenso...
para isso so os mosquetes. Com cordas. E apertei muito uma corda.
        Levanto uma mo lhe suplicando que pare.
        -- No preciso saber mais. Ento, voc que me suspender?
        -- No, se realmente no quiser. Pode tirar da lista dos limites rgidos.
        -- Ok.
-- Bom, cr que poder me obedecer?
Lana-me um olhar intenso. Passam os segundos.
 -- Poderia tentar, -- eu sussurro.
        -- Bom. -- Ele sorri. -- Novo termo. Um ms no  nada, especialmente se quiser um
fim de semana livre de cada ms. No acredito que eu possa aguentar ficar longe de ti tanto
tempo. Mal o consigo agora. -- Ele pausa.
No pode ficar longe de mim? O que?
        -- Que tal, um dia de um fim de semana por ms s para voc. Mas ficar comigo
uma noite no meio da semana.
        -- De acordo.
        -- E, por favor, tentamos por trs meses. Se voc no gostar, pode partir a qualquer
momento.
        -- Trs meses? -- Sinto-me pressionada. Dou outro comprido gole de vinho e me
concedo o gosto de outra ostra. Poderia aprender o que eu gosto.
        -- O tema da propriedade,  meramente terminologia e remete ao princpio da
obedincia.  para voc entrar no estado de nimo adequado, para que entenda de onde
venho.
-- E quero que saiba que, assim que cruzar a porta de minha casa, voc  minha por inteiro,
farei contigo o que me der vontade. Ter que aceitar de boa vontade. Por isso tem que confiar
em mim.
-- Vou foder voc, quando quiser, como quiser e onde quiser. Vou disciplinar voc, por que
voc vai estragar tudo. Adestrarei voc para que me agrade. Mas sei que tudo isto  novo para
voc.
-- De inicio iremos com calma, e eu te ajudarei. Ns vamos atuar em vrios cenrios. Quero
que confie em mim, mas sei que tenho que ganhar sua confiana, e o farei. O "em qualquer
outro mbito"... de novo,  para ajudar voc a se colocar em uma situao. Significa que tudo
est permitido.
Ele se mostra apaixonado, cativante. Est claro que  sua obsesso, sua maneira de ser... No
conseguia afastar os olhos dele. Quero-o de verdade. Ele para de falar e me olha.
        -- Continua comigo? -- pergunta em um sussurro, com voz intensa, clida e sedutora.
Ele toma um gole de vinho sem tirar seus penetrantes olhos de mim.
        O garom se aproxima da porta, e Christian assente ligeiramente para lhe indicar que
pode retirar os pratos.
        -- Quer mais vinho?
        -- Tenho que dirigir.

                166
        -- gua, ento?
Eu concordo.
        -- Normal ou com gs?
        -- Com gs, por favor.
        O garom parte.
        -- Est muito pensativa, -- sussurra Christian.
        -- Voc est muito falador.
        Ele sorri.
        -- Disciplina. A linha que separa o prazer da dor  muito fina, Anastsia. So as duas
caras de uma mesma moeda. E uma no existe sem a outra. Posso lhe ensinar quo prazerosa
pode ser a dor. Agora no me acreditas, mas a isso me refiro quando falo de confiana.
Haver dor, mas nada que no possa suportar. Voltamos para o tema da confiana. Confia em
mim, Ana?
        Ana!
        -- Sim, confio em ti, -- respondo espontaneamente, sem pensar... por que  verdade...
Eu confio nele.
        -- De acordo, -- ele diz aliviado. -- O resto, so apenas detalhes.
        -- Detalhes importantes.
        -- Ok, vamos falar sobre eles.
        Minha cabea d voltas com tantas palavras. Devia ter trazido o gravador da Kate para
poder voltar a ouvir depois o que ele disse. Muita informao, muitas coisas para processar. O
garom volta a aparecer com o segundo prato: bacalhau, aspargos e pur de batatas com
molho holands. Eu nunca me senti com menos fome por alimentos.
        -- Espero que voc goste de pescado, -- Christian diz em tom amvel.
        Olho minha comida e bebo um longo gole de gua com gs. Eu veementemente
gostaria que fosse vinho.
        -- A normas. Falemos das normas. Rompe o contrato pela comida?
        -- Sim.
        -- Posso mudar e dizer que comer no mnimo trs vezes ao dia?
        -- No. -- Eu no vou ceder neste tema. Ningum vai dizer-me o que tenho que
comer.
Como foder, sim, mas comer... no, de jeito nenhum.

Ele aperta os lbios.
       -- Preciso saber que no passa fome.
       Franzo o cenho. Por qu?
       -- Tem que confiar em mim.
Ele me olha por um instante e relaxa.
       -- Touch, senhorita Steele, -- diz em tom tranquilo. Aceito o da comida e o de
dormir.
       -- Por que no posso te olhar?
       -- Isso  uma coisa de Dominante e Submissa. Voc vai se acostumar com isso.
Eu vou?
       -- Por que no posso te tocar?

                 167
        -- Porque no.
        Ele aperta os lbios.
        -- Isso  por causa da senhora Robinson?
Ele me olhou com curiosidade.
        -- Por que voc pensa isso? -- E imediatamente o entende. -- Voc acredita que ela
me traumatizou?
        Eu concordo.
        -- No Anastsia, no  por isso. Alm disso, a senhora Robinson no tomaria
qualquer dessas merdas de mim.
Oh... mas eu sim, tenho que aceitar. Fao cara feia.
        -- Ento no tem nada que ver com isso...
        -- No. E tampouco quero que se toque.
        O que? Ah, sim, a clusula de que no posso me masturbar.
        -- S por curiosidade... por qu?
        -- Porque quero todo o seu prazer para mim, -- diz em tom rouco, mas determinado.
        Oh... No sei o que responder. Por um lado, a est com seu "Quero te morder os
lbios"; pelo outro,  muito egosta. Franzo o cenho e espeto um pedao de bacalhau, tentando
avaliar mentalmente o que me aconteceu. A comida e o sono. Eu posso olhar nos olhos dele.
Ele vai levar devagar, e ainda no falamos nos limites suaves. Mas no estou segura de que
posso confrontar enfrentar isso de comida.
        -- Ter muitas coisas para pensar, no  verdade?
        -- Sim.
        -- Quer que passemos j aos limites passveis?
        -- No, depois de comer.
        Ele sorriu.
        -- Delicado?
        -- Mais ou menos.
        -- Voc no comeu muito.
        -- Comi o suficiente.
        -Trs ostras, quatro pedacinhos de bacalhau e um aspargo. Nem pur de batatas, nem
frutas secas, nem azeitonas. E no comeste o dia todo. Voc me disse que podia confiar.
        Caramba. Ele vai fazer um sermo completo.
        -- Christian, por favor, no estou acostumada a ter conversas deste tipo todos os dias.
        -- Preciso que esteja sadia e em forma, Anastsia.
        -- Eu sei.
        -- E agora mesmo quero tirar esse vestido de seu corpo.
        Engulo a saliva. Tirar o vestido de Kate. Sinto um puxo no mais profundo de meu
ventre. Alguns msculos que agora estou mais familiarizada, se contraem com suas palavras.
Mas no posso aceitar. Volta a utilizar contra mim sua arma mais potente.  fabuloso
praticando sexo... At eu me dei conta disso.
        -- No acredito que seja uma boa ideia, -- eu murmurei. -- Ainda no comemos a
sobremesa.
        -- Quer sobremesa? -- ele pergunta baixinho.
        -- Sim.

                  168
        -- A sobremesa poderia ser voc, -- murmura sugestivamente.
        -- No estou segura de que seja bastante doce.
        -- Anastsia, voc  deliciosamente doce. Eu sei.
        -- Christian, voc utiliza o sexo como arma. No me parece justo, -- sussurro
olhando para minhas mos, e logo o encaro nos olhos. Levanta as sobrancelhas, surpreso, e
vejo que esta pesando minhas palavras. Segura o queixo, pensativo.
        -- Tem razo. Fao isso. Na vida, cada um utiliza o que sabe, Anastsia. Isso no
muda o fato que eu deseje muitssimo voc. Aqui. Agora.
        Como  possvel que me seduza somente com a voz? J estou ofegando, com o sangue
circulando a todo vapor pelas veias, e os nervos estremecendo.
        -- Eu gostaria de tentar algo, -- ele respira.
        Franzo o cenho. Acaba de me dar um monto de ideias que tenho que processar, e
agora isto.
        -- Se voc fosse minha sub, voc no teria que pensar sobre isso. Seria fcil. -- Sua
voz  doce e sedutora. -- Todas estas decises... todo o desgastante processo de pensamento
por trs delas. Coisas como, "sta  a coisa certa a fazer?", "Se isso poderia acontecer aqui?",
"Poderia acontecer agora?". No teria que se preocupar com esses detalhes. Seria eu, como
seu Dom. E agora mesmo, eu sei que me deseja, Anastsia.
        Franzo o cenho ainda mais. Como ele pode dizer?
        -- Estou to seguro porque...
        Maldito seja, responde s perguntas que no lhe fao.  tambm adivinho?
        -- ...seu corpo a delata. Est apertando as coxas, ests mais vermelha e sua respirao
mudou.
        Oh, sim  demais.
        -- Como sabe sobre minhas coxas? -- pergunto em voz baixa, em tom incrdulo. Elas
esto sob a mesa, pelo amor de Deus.
        -- Eu notei que a toalha se movia, e deduzi, me apoiando em anos de experincia.
Estou certo, no ?
        Ruborizo-me e encaro minhas mos. Seu jogo de seduo me pe muito difcil. Ele 
o nico que conhece e entende as normas. Eu sou muito ingnua e inexperiente. Meu nico
ponto de referncia  Kate, mas ela no aguenta bobagens dos homens. As demais
experincias que tenho so do mundo da fico: Elizabeth Bennet estaria indignada, Jane Eyre
aterrorizada, e Tess sucumbiria, como eu.
        -- No terminei o bacalhau.
        -- Prefere o bacalhau frio a mim?
        Levanto a cabea, de repente, e o encaro. Um desejo imperioso brilha em seus olhos
ardentes, como prata fundida, com necessidade imperiosa.
        -- Pensei que voc gostaria que comesse toda a comida do prato.
        -- Agora mesmo, senhorita Steele, importa-me uma merda sua comida.
        -- Christian, no joga limpo, de verdade.
        -- Eu sei. Nunca joguei limpo.
        Minha deusa interior franze o cenho e tenta me convencer. Voc pode. Jogue o seu
jogo. Posso? De acordo. O que tenho que fazer? Minha inexperincia  um peso em torno do
meu pescoo.

                   169
Espeto um aspargo, o encaro e mordo o lbio. Logo, muito devagar, coloco a ponta do
aspargo na boca e o chupo.
        Christian abre os olhos de maneira imperceptvel, mas eu o noto.
        -- Anastsia, o que est fazendo?
        Mordo a ponta.
        -- Estou comendo um aspargo.
        Christian se remexe em sua cadeira.
        -- Acredito que est jogando comigo, senhorita Steele.
        Finjo inocncia.
        -- S estou terminando a comida, senhor Grey.
        Nesse preciso momento o garom bate na porta e entra sem esperar resposta. Olho um
segundo para Christian, que faz cara feia, mas concorda em seguida, assim que o garom
recolhe os pratos. A chegada do garom quebrou o feitio, e me apego a esse instante de
lucidez. Tenho que ir. Se ficar, nosso encontro s poder terminar de uma maneira, e preciso
pr certas barreiras depois de uma conversa to intensa. Minha cabea se rebela tanto como
meu corpo morre de desejo. Preciso de um tempo, uma distancia para pensar em tudo o que
me foi dito. Ainda no tomei uma deciso, e seus atrativos e sua destreza sexual no  nada
fcil para mim.
        -- Quer sobremesa? -- pergunta Christian, to cavalheiro como sempre, mas com os
olhos ainda ardentes.
        -- No, obrigado. Acredito que tenho que ir, digo olhando para minhas mos.
        -- J vai ? -- pergunta sem poder ocultar sua surpresa.
        O garom sai s pressas.
        -- Sim.
 a deciso correta. Se ficar nesta mesa com ele, me entregarei. Levanto com
determinao. -- Amanh nos vemos as duas na cerimnia de graduao.
        Christian se levanta automaticamente, manifestando anos de arraigada urbanidade.
        -- No quero que v.
        -- Por favor... Tenho que ir.
        -- Por qu?
        -- Porque voc me exps muitas coisas, nas quais devo pensar... e preciso de uma
certa distncia.
        -- Poderia fazer voc ficar, -- ele ameaa.
        -- Sim, no seria difcil, mas no quero que faa.
Ele passa a mo pelos cabelos, me olhando atentamente.
        -- Olha, quando veio para minha entrevista e entrou em meu escritrio, tudo era "Sim,
senhor", "No, senhor". Pensei que fosse uma submissa nata. Mas, na verdade, Anastsia, no
estou seguro de que seja totalmente submissa, diz em tom tenso, se aproximando de mim.
        -- Talvez voc tenha razo, -- eu respondo.
        -- Quero ter a oportunidade de descobrir se , -- ele murmura, me olhando. Levanta
um brao, acaricia meu rosto e passa o polegar pelo meu lbio inferior. No sei fazer de outra
maneira, Anastsia. Sou assim.
        -- Eu sei.


                 170
Ele inclina-se para me beijar, mas para antes de seus lbios tocarem os meus, seus olhos
procuram os meus, como me pedindo permisso. Elevo os lbios para ele e me beija, e como
no sei se voltarei a beij-lo mais, deixo-me levar. Minhas mos se movem, deslizam por seu
cabelo, atraindo-o para mim. Minha boca se abre e minha lngua acaricia a sua. Me pega pela
nuca para me beijar mais profundamente, respondendo ao meu ardor. Desliza a outra mo
pelas minhas costas, e ao chegar ao final da coluna, para e me aperta contra seu corpo.
        -- No posso te convencer de ficar? -- pergunta sem deixar de me beijar.
        -- No.
        -- Passe a noite comigo.
        -- Sem tocar em voc? No.
        Ele geme.
        -- Voc  impossvel, garota. -- Queixa-se. Levanta a cabea e me olha fixamente.
--Por que tenho a impresso de que est se despedindo de mim?
        -- Porque eu tenho que ir, agora.
        -- No  isso o que quero dizer, e voc sabe.
        -- Christian, eu tenho que pensar em tudo isto. No sei se posso manter o tipo de
relao que voc quer.
        Ele fecha os olhos e pressiona sua cabea contra a minha, dando a ambos a
oportunidade de relaxar ou respirar. Um momento depois me beija na testa, respira fundo,
com o nariz afundado em meu cabelo, me solta e d um passo atrs.
        -- Como quiser, senhorita Steele, -- diz com rosto impassvel. Acompanho voc at o
vestbulo.
        Estendo a mo. Inclino-me, pego a bolsa e lhe dou a mo. Maldito seja, isto poderia
ser tudo. Eu o sigo pela grande escada at o vestbulo, sinto coceira no couro cabeludo, e o
sangue me bombeia depressa. Poderia ser o ltimo adeus se eu no aceitar.
Meu corao se contrai dolorosamente no peito. Que reviravolta. Que diferena um momento
de clareza pode fazer a uma menina.
        -- Tem o ticket do estacionamento?
        Pego o ticket na bolsa e entrego. Christian o entrega ao porteiro. O encaro enquanto
esperamos.
        -- Obrigada pelo jantar, -- eu murmuro.
        -- Foi um prazer como sempre, senhorita Steele, -- ele responde educadamente,
embora parea distante em seus pensamentos, completamente distrado.
        Observo atentamente e memorizo seu formoso perfil. Obcecada com a desagradvel
ideia de que poderia no voltar a v-lo. Tudo isso  muito doloroso para mim, de repente, se
vira e me olha com expresso intensa.
        -- Esta semana eu volto para Seattle. Se tomar a deciso correta, poderei ver voc no
domingo? -- pergunta em tom inseguro.
        -- Bem, vou ver. Talvez. -- Eu respiro. Momentaneamente, ele parece aliviado, mas
em seguida franze o cenho.
        -- Agora faz frio. Voc trouxe casaco?
        -- No.
        Ele sacode a cabea com irritao e tira a sua jaqueta.
        -- Toma. No quero que passe frio.

                171
       Eu pisco para ele, enquanto ele segurava a jaqueta aberta. Ao passar os braos pelas
mangas, lembro um momento em seu escritrio em que ele ps a jaqueta sobre os ombros, no
dia em que o conheci, e a impresso que me causou. Nada mudou. Na realidade, agora  at
mais intenso.
Sua jaqueta estava quente, era muito grande e cheira a ele. Oh meu... delicioso.
       Chega o meu carro. Christian fica boquiaberto.
       -- Esse  seu carro? -- Ele estava horrorizado. Agarra minha mo e sai comigo ao
encalo. O manobrista sai, me entrega as chaves, e Christian lhe d uma gorjeta.
       -- Est em condies de circular? -- pergunta, me fulminando com o olhar.
       -- Sim.
       -- Chegar at Seattle?

        -- Claro que sim.
        -- Em segurana?
        -- Sim -- respondo irritada. Veja,  velho, mas  meu e funciona. -- Meu padrasto
comprou pra mim.
        -- Oh, Anastsia, acredito que podemos melhorar isso.
        -- O que voc quer dizer? -- de repente, entendo. -- Nem pense em me comprar um
carro.
Ele me olha com o cenho franzido e a mandbula tensa.
        -- Logo veremos, -- responde.
Faz uma careta enquanto abre a porta do condutor e me ajuda a entrar. Eu tiro os sapatos e
abaixo o vidro. Ele me olha com expresso impenetrvel e olhos turvos.
        -- Conduza com cuidado, -- diz em voz baixa.
        -- Adeus, Christian. -- Eu digo com voz rouca, como se estivesse a ponto de chorar...
caramba, eu no vou chorar. Eu sorrio ligeiramente.
Enquanto me afasto, sinto uma presso no peito, comeam a aflorar as lgrimas e sufoco um
soluo.
As lgrimas no demoram a rolar por minhas bochechas, embora, a verdade  que no
entendo por que choro. Eu estava me segurando. Ele explicou tudo. Ele foi claro. Ele me quer,
mas preciso de mais. Preciso que ele me queira como eu o quero e preciso, e no fundo sei que
no  possvel. Estou triste.
        Eu nem sei como classific-lo. Se aceitar... ele ser meu namorado?
Poderei apresent-lo aos meus amigos? Ir com ele a bares, ao cinema ou jogar boliches?
Acredito que no, na verdade. Ele no vai me deixar toc-lo, nem dormir com ele. Sei que no
tenho feito estas coisas no passado, mas quero fazer no futuro. E no  este o futuro que ele
tem pra mim.
        E se eu disser que sim, e no prazo de trs meses ele disser que no, que se cansou de
tentar me moldar-me em algo que no sou. Como vou me sentir? Estarei comprometida
emocionalmente? E durante trs meses terei feito coisas que no estou segura de que queira
realmente fazer. E se depois me diz que no, que acabou o acordo, como vou sobreviver o
abandono? Possivelmente o melhor seja desistir agora, quero manter minha auto-estima mais
ou menos intacta.


                172
       Mas a ideia de no voltar mais a v-lo parece insuportvel. Como ele entrou em minha
pele em to pouco tempo? No pode ser apenas sexo... pode? Passado a mo pelos olhos para
secar as lgrimas. No quero analisar o que sinto por ele. Assusta-me s de pensar o que
poderia descobrir. O que vou fazer?
       Estaciono em frente a nossa casa. No vejo luzes acesas, assim acho que Kate deve ter
sado.  um alvio. No quero ter que responder perguntas. Enquanto me dispo, ligo meu
computador infernal e encontro uma mensagem de Christian na caixa de entrada.




       De: Christian Grey
       Data: 25 de maio de 2011 22:01
       Para: Anastsia Steele
       Assunto: Esta noite

       No entendo por que saiu correndo esta noite. Espero sinceramente ter respondido
todas as suas perguntas de forma satisfatria. Sei que tem que expor muitas coisas e espero
fervorosamente que leve a srio minha proposta. Quero de verdade que isto funcione. Temos
que levar com calma.

       Confie em mim.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        Este e-mail me fez chorar ainda mais. No sou uma fuso empresarial. No sou uma
aquisio. Lendo este email, qualquer uma diria sim. No lhe respondo. No sei o que lhe
dizer, essa  a verdade. Ponho o pijama e me meto na cama enrolada em sua jaqueta, deitada
na escurido, penso em todas as vezes que me advertiu para que me mantivesse afastada dele.
        "Anastsia, deveria se manter afastada de mim. No sou um homem para ti."
        "Eu no tenho namoradas."
        "No sou um homem de flores e coraes."
        "Eu no fao amor."
        "No sei fazer de outra maneira."
        Eu choro silenciosamente, abraada em meu travesseiro,  nessa ltima ideia que me
agarro. Tampouco eu sei fazer de outra maneira.
Talvez juntos possamos encontrar um outro caminho.




               173
            Captulo 14

               Christian estava de p acima de mim segurando um chicote de couro tranado.
Ele apenas usava um jeans Levis velho, desbotado e rasgado. Ele golpeia o chicote lentamente
em sua palma sem deixar de me olhar. Ele estava sorrindo, triunfante. Eu no posso me
mover. Eu estou nua e algemada, de braos abertos, em uma grande cama de dossel.
Avanando, ele arrastou a ponta do chicote da minha testa para baixo e pelo comprimento do
meu nariz, ento eu pude cheirar o couro, depois sobre os meus lbios entreabertos, eu
ofegava.
         Ele empurra a ponta em minha boca assim eu posso saborear o couro liso, rico.
         -- Chupe isso, -- ele comandou, com sua voz suave. Minha boca fecha acima da
ponta  medida que eu obedeo.
         -- J chega, -- ele estala.
         Eu arquejo mais uma vez, enquanto ele arrasta o chicote de minha boca, trilhando o
caminho para baixo, pelo meu queixo, em meu pescoo e para o oco na base da minha
garganta. Ele girou o chicote lentamente, em seguida continuou a arrastar a ponta do chicote
para baixo em meu corpo, ao longo de meu esterno 22, entre meus seios, acima de meu torso,
at meu umbigo. Eu arquejo, torcendo, puxando contra minhas restries, que esto em meus
pulsos e tornozelos. Ele roda a ponta ao redor meu umbigo, ento continua a arrastar a ponta
de couro para baixo, por meu pelo pubiano e para meu clitris. Ele sacode o chicote e bate
com fora em meu clitris e eu gozo, gloriosamente, gritando em minha liberao.
         Abruptamente, eu desperto, com a respirao ofegante, coberta de suor e sentindo os
tremores secundrios de meu orgasmo. Mas que Inferno. Eu estou completamente
desorientada. Que diabo acabou de acontecer? Eu estou em meu quarto, sozinha. Como? Por
qu? Eu me sento ereta, chocada... uau. J  de manh. Eu olhei para o meu relgio de alarme
 oito horas. Eu ponho minhas mos na cabea. Eu no sabia que eu podia sonhar com sexo.
Ser que foi algo que comi? Talvez as ostras e minha pesquisa na Internet, se manifestando
apropriadamente em meu primeiro sonho quente e molhado. Estou desnorteada. Eu no tinha
nenhuma ideia de que podia ter um orgasmo em meu sono.
         Kate est se movimentando dentro da cozinha, quando eu meio que entro
cambaleante.


       22
          Osso mpar, situado na parte anterior do trax, e com o qual se articulam as clavculas e as
cartilagens costais das sete primeiras costelas.
                                174
         -- Ana, voc est bem? Voc parece estranha. A jaqueta que voc est vestindo  de
Christian?
         -- Eu estou bem. -- Maldio, eu devia ter me olhado no espelho. Eu evito seus
olhos verdes, penetrantes.
         Eu ainda estou me recuperando do meu evento matutino. -- Sim, a jaqueta 
Christian.
         Ela franziu a testa.
         -- Voc dormiu?
         -- No muito bem.
         Eu me dirigi  chaleira. Eu preciso de um ch.
         -- Como foi o jantar?
         E l vamos ns...
         -- Ns comemos ostras. Seguidas por bacalhau, ento eu diria que foi piscoso23.
         -- Ugh... eu odeio ostras, eu no quero saber sobre a comida. Como estava
Christian? Sobre o que voc conversou?
         -- Ele foi atencioso, -- eu pauso.
         O que eu posso dizer? Que ele  HIV  negativo, ele estava limpo, que ele estava
encenando pesadamente, querendo que eu obedea a todos os seus comandos, que ele
machucou algum uma vez ao amarr-la no teto de seu quarto, que ele quis me foder na sala
de jantar privada. Isso seria um bom resumo? Eu desesperadamente tento me lembrar de algo
sobre o meu encontro com Christian, que eu possa discutir com Kate.
         -- Ele no aprova a Wanda.
         -- Quem, Ana? Isto  notcia velha. Por que voc est sendo to modesta? Desista,
amiga.
         -- Oh, Kate, ns conversamos sobre muitas coisas. Voc sabe, o quo exigente ele 
sobre comida. Incidentemente, ele gostou de seu vestido. -- A gua da chaleira ferveu, ento
eu fao algum ch. -- Voc quer ch? Quer que eu de oua o seu discurso para hoje?
         -- Sim, por favor. Eu trabalhei nele ontem  noite, com Lilah. Eu vou busc-la. E
sim, eu adoraria um ch. -- Kate correu para fora da cozinha.
         Irritada, Katherine Kavanagh desviou. Eu cortei um po e coloquei-o na torradeira.
Ruborizei ao lembrar do meu sonho muito vvido. Que diabos foi aquilo?
         Ontem  noite foi difcil dormir. Minha cabea estava zumbindo com as vrias
opes. Eu estou to confusa. A ideia de Christian de uma relao era mais como uma oferta
de trabalho, com seus horrios, com uma descrio de trabalho e um conjunto de
procedimento bastante severo. No  como se eu enfrentasse o meu primeiro romance, mas,
claro, Christian no  romntico. Se eu disser a ele que eu quero mais, ele pode dizer no... e
eu poderia arriscar a aceitar o que ele ofereceu. E isto  o que mais me interessa, porque eu
no quero perd-lo. Mas eu no estou certa de que tenha estmago para ser sua submissa.
         No fundo, so os bastes e chicotes que me perturbam. Eu sou uma covarde fsica,
percorrerei um longo caminho para evitar a dor. Eu penso sobre meu sonho... ser que seria
assim? Minha deusa interior salta de cima para baixo com pom-poms de torcida, gritando sim
para mim.


     23
            Em que h muito peixe
                  175
         Kate volta para a cozinha com seu laptop. Eu me concentro em meu po e escuto,
pacientemente, como ela apresentar seu discurso em Valedictorian.
         Eu estou vestida e pronta para quando Ray chegar. Eu abro a porta da frente, e ele
esta em p na varanda, em seu terno mal-adaptado. Uma onda morna de gratido e o amor por
este homem descomplicado atravessou-me, eu lano meus braos ao redor dele, em uma
exibio no caracterstica de afeto. Ele fica surpreendido, perplexo.
         -- Ei, Annie, eu estou contente em ver voc tambm, -- ele murmurou, enquanto me
abraava. Se afastando de mim, com suas mos em meus ombros, ele me olha de cima a
baixo, com suas sobrancelhas apertadas. -- Voc est bem, garota?
         -- Claro, Papai, uma menina no pode estar contente em ver seu velho?
         Ele sorriu, seus olhos escuros ondulando nos cantos, seguindo-me na sala de estar.
         -- Voc parece bem, -- ele diz.
         -- Este vestido  da Kate. -- Olhei para o vestido de chiffon cinza com decote.
         Ele franziu o cenho.
         -- Onde est Kate?
         -- Ela foi para o campus. Ela estar fazendo um discurso, ento ela tem que estar l
bem cedo.
         -- Ns devamos ir?
         -- Papai, ns temos meia hora. Voc gostaria de algum ch? E voc pode dizer-me
como est todo mundo em Montesano. Como est o transito?
         Ray puxou o seu carro para o estacionamento do campus e ns seguimos o fluxo de
pessoas pontilhado com onipresentes becas pretas e vermelhas, indo em direo ao auditrio
de esportes.
         -- Boa sorte, Annie. Voc parece muito nervosa, voc tem que fazer alguma coisa?
         Caramba... por que Ray escolheu hoje para ser to observador?
         -- No, Papai.  um grande dia. -- E eu vou o v-lo.
         -- Sim, a minha garotinha conseguiu um grau. Eu me orgulho de voc, Annie.
         -- Aw... obrigado Ray. -- Oh eu amo este homem.
         O auditrio de esportes estava lotado. Ray foi se sentar com os outros pais e
simpatizantes no assento inclinado, enquanto eu fao meu caminho para minha cadeira. Eu
estou vestindo minha beca preta e meu capelo, eu me sinto protegida por eles, annima. No
h ningum sobre o palco ainda, mas eu no consigo acalmar o meu nervosismo. Meu corao
est disparado e minha respirao  curta. Ele est aqui, em algum lugar. Eu me pergunto se
Kate est conversando com ele, interrogando-o talvez.
         Eu fao o caminho para minha cadeira no meio dos alunos na mesma categoria, cujos
sobrenomes tambm comeam com S. Eu estou na segunda fila, dispondo-me ainda mais ao
anonimato. Eu olho para trs de mim e localizo Ray sentado no alto das arquibancadas. Eu
dou a ele um aceno. Ele conscientemente d para mim um meio aceno, meia saudao de
volta. Eu me sento e espero.
         O auditrio se enche depressa, o zumbido de vozes excitadas fica mais alto e mais
alto. A fila de cadeiras na frente se enche. E em um e outro lado de mim, eu estou junto de
duas meninas a quem no conheo, so de uma faculdade diferente. Elas, obviamente, so
amigas prximas e conversam atravs de mim, excitadamente.


                176
         As onze, exatamente, o Reitor aparece por detrs do palco, seguidos pelos trs Vice
Reitores, e ento, pelos professores seniores, todos vestidos com seus trajes pretos e
vermelhos. Ns levantamos e aplaudimos nosso pessoal de ensino. Alguns Professores
movimentam a cabea e acenam, outros parecem chateados. Professor Collins, meu tutor e
meu professor favorito, parece ter acabado de sair da cama, como sempre. Os ltimos a
entrarem no palco so Kate e Christian. Christian destaca-se em seu terno sob medida cinza,
com as luzes do auditrio refletindo e enfatizando o tom cobre de seus cabelos. Ele parece to
srio e contido. Quando ele se senta, ele abre o nico boto preso de seu palet e eu vislumbro
a sua gravata. Caramba... aquela gravata! Eu esfrego meus pulsos reflexivamente. Eu no
posso tirar os meus olhos dele, sua beleza me distrai como sempre e ele est usando est
gravata de propsito, sem dvida. Eu posso sentir minha boca apertada em uma linha dura. O
pblico se senta e o aplauso cessa.
         -- Olhe para ele!-- Uma das meninas ao meu lado respira entusiasticamente para
sua amiga.
         -- Ele  sexy e quente.
         Eu endureo. Eu estou certa de que elas no esto conversando sobre o Professor
Collins.
         -- Deve ser Christian Grey.
         -- Ele  solteiro?
         Eu erio.
         -- Eu acho que no, -- eu murmuro.
         -- Oh. -- Ambas as meninas olham para mim em surpresa.
         -- Eu acho que ele  gay, -- eu murmrio.
         -- Que vergonha, -- uma das meninas geme.
         Quando o Reitor se levanta e d inicio aos atos com sua fala, eu assisto Christian que
sutilmente percorre o olhar pela sala. Eu afundo em minha cadeira, curvando meus ombros,
tentando me fazer to imperceptvel quanto possvel. Eu falho miseravelmente como uns
segundos mais tarde seus olhos cinza acham os meus. Ele olha fixamente para mim, seu rosto
impassvel, completamente misterioso. Eu me mexo desconfortavelmente, hipnotizada por seu
olhar e sinto um rubor lento se espalhar atravs de meu rosto. Espontaneamente, eu recordo
meu sonho desta manh e os msculos em minha barriga do um aperto deleitvel. Eu inalo
fortemente. Eu posso ver a sombra de um de sorriso cruzar os seus lbios, mas  passageiro.
Ele brevemente fecha seus olhos e ao abri-los, retoma a sua expresso indiferente.
         Seguindo um olhar rpido para o Reitor, ele olha fixamente para frente, enfocando o
emblema da WSUV pendurado acima da entrada. Ele no gira seus olhos em direo a mim
novamente. O Reitor fala sem parar, e Christian ainda no olha para mim, ele mantm o olhar
fixo para frente.
         Por que ele no olhou mais para mim? Talvez ele tenha mudado de ideia? Uma onda
de mal-estar cai sobre de mim. Talvez sair com ele na noite passada fosse o fim para ele
tambm. Ele estaria chateado de esperar que eu me decida. Oh no, eu podia ter estragado
tudo completamente. Eu lembrei de seu e-mail de ontem  noite. Talvez ele estivesse zangado
por que no respondi.
         De repente, a sala estoura em aplausos, quando a Senhorita Katherine Kavanagh
subiu no palco. O Reitor se senta e Kate lana o seu adorvel cabelo longo para trs dela,

                  177
enquanto ela coloca seus documentos na tribuna. Ela toma seu tempo, no se intimidando por
mil pessoas boquiabertas estarem olhando para ela. Ela sorri quando est pronta, olhando para
a multido cativada e eloquentemente comeando o seu discurso. Ela  to composta e
engraada, as meninas ao meu lado estouram risadas na sua primeira piada. Oh, Katherine
Kavanagh, voc realmente sabe como pronunciar um discurso. Eu me senti to orgulhosa por
ela naquele momento, meus pensamentos de errantes sobre Christian foram empurrados para
um lado. Embora eu tenha ouvido o seu discurso antes, eu escuto cuidadosamente. Ela
comanda a sala e leva o seu pblico com ela.
         Seu tema : O que vem depois da faculdade? Sim, realmente o que esperar? Christian
estava assistindo Kate, suas sobrancelhas ligeiramente levantadas, em surpresa, eu penso.
Sim, poderia ter sido Kate quem tivesse ido o entrevistar. E poderia ter sido Kate a quem ele
estaria agora fazendo propostas indecentes. A bela Kate e o belo Christian, juntos. Eu podia
ser como as duas meninas ao meu lado, admirando ele de longe. Eu sei que Kate no teria o
feito esperar.
         Do que ela o chamou no outro dia? Arrepiou-se. O pensamento de uma confrontao
entre Kate e Christian, me faz desconfortvel. Eu tenho que dizer que, eu no sei em qual
deles eu faria a minha aposta.
         Kate concluiu sua fala com um floreado e espontaneamente todos levantaram,
aplaudindo e torcendo, sua primeira ovao. Eu olhei para ela com alegria e ela sorriu de volta
para mim. Bom trabalho, Kate. Ela se senta, assim como o pblico e o Reitor sobe e introduz
Christian... caramba, Christian vai fazer um discurso. O Reitor fala brevemente sobre as
realizaes de Christian: CEO de sua prpria e extraordinariamente bem sucedida companhia,
um homem que realmente fez o seu prprio caminho.
         -- E tambm um benfeitor importante da nossa Universidade, por favor, boas-vindas
para o Sr. Christian Grey.
         O Reitor sacudiu a mo de Christian e houve uma onda de aplausos educados. Meu
corao estava em minha garganta. Ele subiu na tribuna e inspecionou o corredor. Ele parece
to confiante estando na frente de todos ns, como Kate fez antes dele. As duas meninas ao
meu lado inclinaram-se, extasiadas. De fato, eu penso a maior parte dos membros femininos
da audincia chegaram um pouco mais perto e alguns dos homens tambm. Ele comeou, com
sua voz suave, medida, hipnotizando.
         -- Eu estou profundamente agradecido e tocado pelos grandes elogios concedidos a
mim pelas autoridades da WSU hoje. Ofereceram a mim uma rara oportunidade para
conversar sobre o trabalho impressionante do departamento de cincia ambiental aqui na
Universidade. Nossa meta  desenvolver mtodos viveis e ecologicamente sustentveis de
agricultura para pases do terceiro mundo; nossa ltima meta  ajudar a erradicar a fome e a
pobreza atravs do globo. Mais de um bilho das pessoas, principalmente na frica Sub-
Saariana, Sul da sia e Amrica Latina, vivem em uma pobreza miservel. A deficincia
agrcola  predominante dentro destas partes do mundo e o resultado  destruio ecolgica e
social. Eu sei o que  estar profundamente faminto. Isto  uma jornada muito pessoal para
mim...
         Minha mandbula caiu no cho. O que? Christian esteve com fome alguma vez.
Caramba. Bem, isso explica muita coisa. E eu recordei a entrevista; ele realmente queria
alimentar o mundo. Eu desesperadamente procurei em meu crebro, para lembrar o que Kate

                  178
escreveu em seu artigo. Adotado aos quatro anos, eu penso. Eu no posso imaginar que Grace
o deixou com fome, ento ele deve ter sofrido antes disso, quando menininho. Eu fico com o
corao apertado s com o pensamento de uma criana faminta, de olhos cinza.
          Oh no. Que tipo de vida ele teve antes dos Greys conseguirem peg-lo e resgat-lo?
          Eu sou tomada por uma sensao de forte indignao, pobre, fodido, enroscado,
filantrpico Christian... entretanto eu estou certa que ele no v a ele mesmo deste modo e
repeliria quaisquer pensamentos de condolncias ou piedade. Abruptamente, todo mundo
entra repentinamente em aplauso e permanece. Eu sigo, entretanto, no ouvindo metade de
seu discurso. Ele est fazendo todos estes bons trabalhos, gerindo uma companhia enorme e
me perseguindo ao mesmo tempo.  impressionante. Lembro-me dos trechos breves da
conversa que ele teve sobre Darfur... e tudo cai no mesmo lugar. Alimentos.
          Ele sorriu brevemente no aplauso morno, at Kate est aplaudindo, ento ele retoma
sua cadeira. Ele no olha para mim e eu estou fora de condio, tentando assimilar estas novas
informaes sobre ele.
          Um dos Vice-Reitores sobe e ns comeamos o processo longo e tedioso de
pegarmos os nossos diplomas. Existem mais de quatrocentos formandos e isso leva uma longa
hora antes de eu ouvir meu nome. Eu fao o meu caminho para o palco entre as risadinhas das
duas meninas.
          Christian olha para mim, seu olhar  morno, mas controlado.
          -- Parabns, Senhorita Steele, -- ele disse, quando agitou a minha mo, apertando
suavemente. Eu sinto a carga de sua carne na minha. -- Voc teve um problema com seu
laptop?
          Eu fiquei sria, quando ele me entregou o meu diploma.
          -- No.
          -- Ento voc est ignorando meus e-mails?
          -- Eu s vi as fuses e aquisies.
          Ele olhou interrogativamente para mim.
          -- Mais tarde, -- ele disse, acho que estou interrompendo a fila.
          Eu volto para minha cadeira. E-mails? Ele deve ter enviado outro. O que ele disse?
          A cerimnia toma outra hora para concluir.  interminvel. Finalmente, o Reitor
lidera os membros do corpo docente para fora do palco e para um aplauso ainda mais
empolgante, precedidos por Christian e Kate. Christian no olha para mim, mesmo que eu
esteja disposta a faz-lo.
          Minha deusa interior no est contente.
          Ento eu permaneo e espero por nossa fila dispersar, Kate chama por mim. Ela est
encabeando meu caminho por detrs do palco.
          -- Christian quer conversar com voc, -- ela grita. As duas meninas que esto agora
de p ao meu lado, viram-se e bocejam para mim.
          -- Ele me mandou aqui, -- ela continua.
          Oh...
          -- Seu discurso foi timo, Kate.
          -- Foi, no ? -- Ela irradiava. -- Voc vai? Ele pode ser muito insistente. -- Ela
rolou seus olhos e eu sorri.


                 179
         -- Voc no tem nenhuma ideia. Eu no posso deixar Ray muito tempo. -- Eu olhei
para Ray e levantei meus dedos para cima para indicar cinco minutos. Ele movimenta a
cabea, dando a mim um sinal de acordo e eu segui Kate pelo corredor atrs do palco.
Christian estava conversando com o Reitor e dois professores. Ele olhou para cima quando me
viu.
         -- Com licena, cavalheiros, -- eu o ouo murmrio. Ele vem na minha direo e
sorri brevemente para Kate.
         -- Obrigado, -- ele diz, e antes que possa responder, ele toma meu cotovelo e me
guia para o que parece ser uma sala de armrios masculinos. Ele verifica se est vazio e ento
ele fecha a porta. Caramba, o que ele tem em mente? Eu pisco para ele quando se volta para
mim.
         -- Por que voc no mandou um email para mim? Ou mandou uma mensagem de
volta? -- Ele olhou. Eu estou perplexa.
         -- Eu no olhei para meu computador hoje, ou meu telefone. -- Droga, ele tem
tentado me ligar? Eu tento minha tcnica de distrao que  to efetiva em Kate. -- Voc fez
um grande discurso.
         -- Obrigado.
         -- Explique seus assuntos de comida para mim.
         Ele corre uma mo por seu cabelo, exasperado.
         -- Anastsia, no eu quero falar sobre isso agora. -- Ele fechou os seus olhos,
parecendo aflito.
         -- Eu fiquei preocupado com voc.
         -- Preocupado, por qu?
         -- Porque voc foi para casa naquela armadilha que voc chama um carro.
         -- O que? No  uma armadilha.  bom. Jos faz a manuteno, regularmente, para
mim.
         -- Jos, o fotgrafo? -- os olhos de Christian esto apertados, seu rosto est
congelado. Oh merda.
         -- Sim, o Fusca era da sua me.
         -- Sim, provavelmente sua me e sua av, antes de ser dela. No  seguro.
         -- Eu o tenho dirigido por mais de trs anos. Eu sinto muito que voc esteja
preocupado. Por que voc no chamou? -- Puxa, ele est exagerando completamente.
         Ele respirou fundo.
         -- Anastsia, eu preciso de uma resposta sua. Esta espera est me deixando louco.
         -- Christian, eu... olhe, eu deixei meu padrasto sozinho.
         -- Amanh. Eu quero uma resposta, amanh.
         -- Certo. Amanh, eu direi a voc ento. -- Eu pisquei para ele.
         Ele andou de volta, em relao a mim friamente e seus ombros relaxaram.
         -- Voc vai ficar para beber? -- Ele perguntou.
         -- Eu no sei o que Ray quer fazer.
         -- Seu padrasto? Eu gostaria de encontr-lo.
         Oh no... por qu?
         -- Eu no estou certa que isto  uma boa ideia.
         Christian destrancou a porta, sua boca fez uma linha horrenda.

                 180
         -- Voc tem vergonha de mim?
         -- No! -- Foi minha vez de soar exasperada. --Apresentar voc para meu pai como
o que? `Este  o homem que me deflorou e quer que ns comecemos uma relao de BDSM'.
Voc no est usando tnis.
         Christian levantou os olhos para mim, ento seus lbios estremeceram em um
sorriso. E apesar do fato que eu estar louca por ele, meu rosto estava involuntariamente
puxado um sorriso de resposta.
         -- S assim voc sabe que eu posso correr bastante rpido. S diga a ele que eu sou
seu amigo, Anastsia.
         Ele abre a porta, e eu encabeo para fora. Minha mente est girando. O Reitor, os trs
Vice-Reitores, quatro professores e Kate olham fixamente para mim enquanto eu caminho
apressadamente, passando por eles. Caramba. Deixando Christian com a faculdade, eu fui 
procura de Ray.
         Diga a ele que eu sou seu amigo. Amigo com benefcios, eu franzi a testa
subconscientemente. Eu sei, eu sei. Eu agitei o pensamento desagradvel para longe. Como eu
o apresentarei para Ray? O corredor ainda estava meio cheio e Ray no se moveu de seu
lugar. Ele me v, acena e faz de seu modo.
         -- Eh, Annie. Parabns. -- Ele pe seu brao ao meu redor.
         -- Voc gostaria de vir comigo e tomar uma bebida na marquise?
         -- Certo.  seu dia. V em frente.
         -- Ns no temos, se voc no quiser.... -- Por favor diga no...
         -- Annie, eu me acabei de sentar por umas duas horas e meia, escutando todo o tipo
de tagarelar. Eu preciso de uma bebida.
         Eu ponho meu brao no seu e ns samos do recinto com a multido, no calor do
incio da tarde. Ns passamos pela fila para o fotgrafo oficial.
         -- Oh, antes que esquea. -- Ray tirou uma mquina fotogrfica digital de seu bolso.
-- Uma para o lbum, Annie. -- Eu rolei meus olhos, enquanto ele clica uma foto minha.
         -- Eu posso tirar o capelo e a beca, agora? Eu me sinto um tipo de idiota.
         Voc parece meio que idiota... meu subconsciente est em seu melhor sarcasmo.
Ento, voc vai apresentar Ray para o homem que voc fode? Ele Ficar muito orgulho...
Meu subconsciente est me olhando por cima com olhar superior. Deus, eu a odeio s vezes.
         A marquise  imensa e cheia de alunos, pais, professores e amigos, todos tagarelando
alegremente. Ray me d uma taa de champanhe ou vinho efervescente barato, eu suspeito.
No est gelado e tem gosto doce. Meus pensamentos viram para Christian... ele no gostar
disto.
         -- Ana! -- Eu giro e Ethan Kavanagh agarra-me em seus braos. Ele me gira ao
redor, sem derramar meu vinho, o que  uma faanha.
         -- Parabns! -- Ele sorri para mim, piscando seus olhos verdes.
         Que surpresa. Seu cabelo  louro escuro, desgrenhado e sensual. Ele  to bonito
quanto Kate. A semelhana de famlia  impressionante.
         -- Ethan! Que adorvel ver voc. Papai, este  Ethan, Irmo de Kate. Ethan, este 
meu pai, Ray Steele. -- Eles apertam as mos, meu pai friamente avaliando Sr. Kavanagh.
         -- Quando chegou da Europa? -- Eu pergunto.


                  181
         -- Faz uma semana, mas eu quis surpreender minha irmzinha, -- ele diz
conspirativamente.
         -- Isto  to doce. -- Eu sorrio para ele.
         -- Ela  Valedictorian, no podia faltar com ela. -- Ele parece imensamente
orgulhoso de sua irm.
         -- Ela fez um grande discurso.
         -- Sim, ela fez,-- Ray concorda.
         Ethan tinha seu brao ao redor minha cintura quando eu olhei para cima, para os
olhos cinza gelados de Christian Grey. Kate estava ao lado dele.
         -- Oi, Ray, -- Kate beijou Ray em ambas as bochechas, fazendo-o ruborizar. --
Voc conhece o namorado da Ana? Christian Grey.
         Carmba... Kate! Mas que Porra! Todo o sangue do meu rosto foi drenado.
         -- Sr. Steele,  um prazer conhecer voc. -- Christian suavemente disse,
calorosamente, completamente imperturbvel com a apresentao de Kate. Ele estende a sua
mo, que, todo crdito para Ray, a toma, no mostrando uma sugesto de surpresa, apenas
toma.
         Muito obrigado, Katherine Kavanagh, eu fumego. Eu penso que meu subconsciente
desfaleceu.
         -- Sr. Grey, -- Ray murmurou, sua expresso era indecifrvel, exceto talvez, pelo
leve arregalar de seus grandes olhos marrons. Eles deslizaram para o meu rosto com um,
quando era que voc ia dar para mim esta notcia, olhar. Eu mordi o meu lbio.
         -- E isto  meu irmo, Ethan Kavanagh. -- Disse Kate para Christian.
         Christian deu um olhar rtico para Ethan, que ainda tinha seu brao ao redor de mim.
         -- Sr. Kavanagh.
         Eles apertam as mos. Christian estendeu sua mo para mim.
         -- Ana, querida, -- ele murmurou.
         Quase morro ao escut-lo.
         Eu saio do aperto de Ethan, ao qual Christian solta um sorriso frio. E eu me
posiciono ao seu lado. Kate sorriu para mim. Ela sabia exatamente o que estava fazendo, a
raposa!
         -- Ethan, Mame e papai querem uma palavra. -- Kate arrasta Ethan para longe.
         -- Ento, crianas, a quanto tempo vocs se conhecem? -- Ray olhou
impassivelmente de Christian para mim.
         O poder da fala fugiu de mim. Eu queria que o cho me absorvesse. Christian ps seu
brao ao redor mim, seu polegar deslizando em minhas costas nuas em uma carcia, antes de
sua mo apertar o meu ombro.
         -- Um par de semanas, -- ele disse suavemente. --Ns nos conhecemos quando
Anastsia veio me entrevistar para a revista dos alunos.
         -- No sabia que voc trabalhou na revista dos alunos, Ana. -- A voz de Ray rinha
uma repreenso silenciosa, revelando sua irritao. Merda.
         -- Kate estava doente, -- eu murmurei. Foi tudo que eu pude administrar.
         -- Belo discurso o seu, Sr. Grey.
         -- Obrigado, senhor. Eu entendi que voc  um grande pescador.


                182
          Ray levantou suas sobrancelhas e sorriu, num raro e genuno sorriso de Ray Steele e
foram eles, conversando sobre peixes. De fato, eu logo me senti sobrando. Ele estava
encantando o meu pai... como ele esta por voc, meu subconsciente falou para mim. Seu
poder no conhece limites. Eu me desculpei e sai para achar Kate.
          Ela estava conversando com seus pais, que so atenciosos como sempre e
calorosamente me sadam. Ns trocamos breves amabilidades, principalmente sobre as
prximas frias em Barbados e sobre nosso movimento.
          -- Kate, como voc pode apresent-lo para o Ray? -- Eu reclamei na primeira
oportunidade que ns tivemos de no sermos ouvidas.
          -- Porque eu sabia que voc nunca faria e eu quero ajudar Christian com os assuntos
de compromisso. -- Kate sorriu para mim docemente.
          Eu fiz uma carranca. Sou eu que no quero compromisso com ele, sua tola!
          -- Ele parece muito legal sobre isto, Ana. No mele. Olhe para ele agora, Christian
no pode tirar seus olhos de voc. -- Eu olhei para cima, ambos, Ray e Christian, estavam
olhando para mim. -- Ele tem estado vigiando voc como um falco.
          -- Seria melhor eu ir resgatar Ray ou Christian. Eu no sei qual deles. Voc no
ouviu a ltima palavra sobre isso, Katherine Kavanagh! -- Eu olhei para ela.
          -- Ana, eu te fiz um favor, -- ela falou atrs de mim.
          -- Oi. -- Eu sorri para eles dois em meu retorno.
          Eles parecem bem. Christian estava apreciando alguma piada particular e meu papai
parecia incrivelmente relaxado, dado que ele estava em uma ocasio social. O que mais eles
tinham discutido alm de peixes? --Ana, onde esto os banheiros?
          -- Atrs da marquise,  esquerda.
          -- Vejo voc em um momento. Vocs, crianas, se divirtam.
          Ray foi-se. Eu olhei nervosamente para Christian. Ns pousamos brevemente para
um fotgrafo.
          -- Obrigada, Sr. Grey. -- O fotgrafo foi embora. Eu fiquei piscando por causa do
flash.
          -- Ento voc encantou meu pai tambm?
          -- Tambm? -- Os olhos cinza de Christian queimaram e ele levantou uma
sobrancelha interrogativa. Eu corei.
          Ele ergue sua mo e traou a minha bochecha com seus dedos.
          -- Oh, eu gostaria de saber o que voc estava pensando, Anastsia, -- ele sussurrou
sombriamente, acariciando o meu queixo e levantando minha cabea de forma que nos
olhamos atentamente, um nos olhos do outro.
          Minha respirao estava arfante. Como ele pode ter este efeito sobre mim, at nesta
festa lotada?
          -- Agora mesmo, eu estou pensando, que gravata bonita, -- eu respirei.
          Ele riu.
          -- Esta, recentemente, se tornou a minha favorita.
          Eu estava escarlate de rubor.
          -- Voc parece adorvel, Anastsia, o decote deste vestido se adapta bem a voc e eu
posso atacar suas costas, sentir sua bonita pele.


                 183
          De repente, era como se ns estivssemos sozinhos no quarto. Apenas ns dois, meu
corpo inteiro ficou vivo, cada terminao nervosa estava suavemente cantando, aquela
eletricidade me puxando para ele, carregando entre ns.
          -- Voc sabe que vai ser bom, no , beb? -- Ele sussurrou. Eu fechei meus olhos,
enquanto o meu interior desenrolou e derreteu.
          -- Mas eu quero mais, -- eu sussurrei.
          -- Mais? -- Ele olhou para mim perplexo, seus olhos escureceram. Eu sacudi a
cabea e engoli. Agora ele sabe.
          -- Mais -- ele diz novamente, suavemente. Testando a palavra, uma palavra
pequena, simples, mas to cheia de promessa. Seu dedo polegar fez uma trilha para baixo at
o meu lbio. --Voc quer coraes e flores.
          Eu movimentei a cabea novamente. Ele piscou para mim, eu assisti a sua luta
interna, em seus olhos. -- Anastsia. -- Sua voz  suave. -- No  algo que eu saiba.
          -- Nem eu.
          Ele sorriu ligeiramente.
          -- Voc no sabe muito, -- ele murmura.
          -- E voc sabe todas as coisas erradas.
          -- Erradas? No eu. -- Ele agitou sua cabea. Ele parecia to sincero. -- Tente isto,
-- ele sussurrou.
          Um desafio, ousando-me, ele levantou a sua cabea para um lado e seu sorriso
entortou, um deslumbrante sorriso.
          Eu ofeguei, eu sou a Eva no Jardim de Eden e ele  a serpente, eu no posso resistir.
          -- Certo, -- eu sussurrei.
          -- O que? -- Eu tenho sua ateno cheia, no dividida. Eu traguei.
          -- Certo. Eu tentarei.
          -- Voc est concordando? -- Sua descrena era evidente.
          -- Dentro dos limites tolerveis, sim. Eu tentarei. -- Falo numa voz muito baixa.
Christian fechou seus olhos e me puxou em um abrao.
          -- Jesus, Ana, voc  to inesperada. Voc toma a minha respirao.
          Ele recuou e, de repente, Ray havia retornado e o volume na marquise havia
gradualmente subido e encheu meus ouvidos. Ns no estvamos ss. Caramba, eu acabei de
concordar em ser sua sub. Christian sorriu para Ray e seus olhos estavam danando de
alegria.
          -- Annie, ns no devamos ir almoar?
          -- Certo. -- Eu pisquei para Ray, tentando achar meu equilbrio. O que voc fez?
Meu subconsciente gritou para mim. Minha deusa interior estava dando piruetas em uma
rotina merecedora de um ginasta olmpico russo.
          -- Voc gostaria de juntar-se a ns, Christian? -- Ray perguntou.
          Christian! Eu olhei fixamente para ele, implorando para que ele recusasse. Eu
precisava de espao para pensar... oh que merda eu fiz?
          -- Obrigado, Sr. Steele, mas eu tenho planos. Foi um prazer conhecer voc, senhor.
          -- Igualmente, -- Ray respondeu. -- Cuide de minha menininha.
          -- Oh,  s o que eu pretendo, Sr. Steele.


                  184
         Eles apertaram as mos. Eu tive nuseas. Ray no tinha nenhuma ideia do quo
Christian pretendia cuidar de mim. Christian tomou a minha mo e levantou-a at os seus
lbios e beijou as minhas juntas ternamente, seus olhos ardentes estavam grudados em mim.
         -- Mais tarde, Senhorita Steele, -- ele respirou, sua voz era uma promessa total.
         Minha barriga enrolou com o pensado... oh meu Deus. Agarre-se... mais tarde?
         Ray tomou o meu cotovelo e me levou em direo  entrada barraca.
         -- Parea um homem jovem slido. Muito apresentvel tambm. Voc podia fazer
muito pior, Annie. Entretanto por que eu tive que ouvir sobre ele por Katherine, -- ele ralhou.
         Eu encolhi os ombros apologeticamente.
         -- Bem, qualquer homem que goste de pescar est bom para mim.
         Misericrdia, Ray tambm o aprova. Se ele soubesse.
         Ray voltou para casa ao entardecer.
         -- Ligue para sua me, -- ele disse.
         -- Eu irei. Obrigado por vir, Papai.
         -- No teria faltado a isto por nada no mundo, Annie. Voc me fez to orgulhoso.
         Oh no. Eu no vou ficar sentimental. Um enorme n formou em minha garganta, eu
abracei-o, forte. Ele ps seus braos ao redor de mim, confuso e eu no pude ajudar nisso,
uma cachoeira de lgrimas estavam em meus olhos. -- Ei, Annie, querida, -- Ray sussurrou.
-- Grande e velho dia... hein? Quer que eu entre e faa um ch para voc?
         Eu ri, apesar de minhas lgrimas. O ch  sempre uma resposta de acordo com Ray.
Eu lembro da minha me reclamando com ele, dizendo que ele sempre estava pronto para o
ch e simpatia, ele era sempre bom no ch, mas no to quente na simpatia.
         -- No, Papai, eu estou bem. Foi realmente maravilhoso ver voc. Eu o visitarei to
logo que me estabelea em Seattle.
         -- Boa sorte com as entrevistas. Deixe-me saber como elas vo.
         -- Com certeza, Papai.
         -- Amo voc, Annie.
         -- Amo voc tambm, Papai.
         Ele sorri, seus olhos marrons mornos, ardendo, ele subiu de volta em seu carro. Eu
acenei e ele dirigiu para o crepsculo, eu vaguei apaticamente de volta ao apartamento.
         Primeira coisa eu fiz foi verificar meu telefone celular. Precisava ser recarregado,
ento eu tinha que encontrar o carregador antes de poder pegar as minhas mensagens. Havia
quatro ligaes, uma mensagem de voz e duas de texto. Trs ligaes de Christian... nenhuma
mensagem. Uma chamada perdida de Jos e um correio de voz dele me desejando tudo de
bom na formatura.
         Eu abri os textos.
         *Voc est casa segura*
         *Ligue-me*
         As duas eram de Christian, por que ele no ligou para casa? Eu vou para o meu
quarto e ligo o notebook.




                  185
        De: Christian Grey
        Assunto: Hoje  noite
        Data: 25 de maio 2011 23:58
        Para: Anastsia Steele

        Eu espero que voc tenha chegado bem em casa naquele seu carro.
        Deixe-me saber que voc est bem.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Droga... Por que ele se preocupa tanto com o meu Fusca. Deu a mim trs anos de
servios leais e Jos sempre tem estado disponvel para fazer a manuteno para mim. O
prximo e-mail de Christian era de hoje.


        De: Christian Grey
        Assunto: Limites suaves
        Data: 26 de maio 2011 17:22
        Para: Anastsia Steele
        O que eu posso dizer que j no tenho dito?
        Estarei feliz em conversar sobre isso a qualquer hora.
        Voc estava bonita hoje.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        Eu quero v-lo, ento respondo.


        De: Anastsia Steele
        Assunto: Limites suaves
        Data: 26 de maio 2011 19:23
        Para: Christian Grey

        Eu posso sair esta noite para discutir se voc quisesse.

        Ana


        De: Christian Cinzento

          186
          Assunto: Limites tolerveis
          Data: 26 de maio 2011 19:27
          Para: Anastsia Steele

         Eu vou a sua casa. Quando eu disse que no gostava que voc dirigisse esse carro, eu
estava falando srio.
         Chegarei brevemente.

               Christian Grey
                                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Caramba... ele est vindo, agora. Eu tenho que lhe preparar uma coisa. A primeira
edio do livro de Thomas Hardy ainda est na prateleira da sala de estar. Eu no posso ficar
com ela. Eu embrulho ele em papel de embrulho e eu rabisco no embrulho uma citao direta
do livro da Tess:

          24
           "Eu concordo com as condies, Anjo;
          Por que voc sabe bem qual seria a minha punio  apenas
          Apenas no a torne maior do que eu possa suportar."




     24
               Livro - Tess of the d'Urberville (Thomas Hardy, captulo 37)
                         187
        Captulo 15

         -- Oi. -- Eu me sentia insuportavelmente tmida quando eu abri a porta. Christian
estava e, p na varanda, vestindo uma cala jeans e uma jaqueta de couro.
         -- Oi, -- ele disse, seu rosto se iluminou com seu sorriso radiante. Eu tomei um
momento para admirar a sua beleza. Oh meu deus, ele est to sexy vestindo couro.
         -- Entre.
         -- Se eu posso, -- ele disse divertido. Ele levantou uma garrafa de champanhe 
medida que entrava. -- Eu pensei que ns celebraramos a sua graduao. Nada melhor que
uma boa Bollinger.
         -- Escolha interessante de palavras, -- eu secamente comentei.
         Ele sorriu.
         -- Oh, eu gosto de sua sagacidade, sempre pronta, Anastsia.
         -- Ns s temos xcaras. Ns empacotamos todos os copos.
         -- xcaras? Bem, isso soa bem para mim.
         Eu encabeo para a cozinha. Nervosa, com borboletas inundando meu estmago, 
como ter uma pantera ou um leo de montanha todo impossvel de predizer e predatrio em
minha sala de estar.
         -- Voc quer pires tambm?
         -- Xcaras est timo, Anastsia, -- Christian disse distraidamente da sala de estar.
         Quando eu retornar, ele estar olhando fixamente para o pacote marrom de livros. Eu
coloco as xcaras na mesa.
         -- Isto  para voc, -- eu ansiosamente murmurei.
         Caramba... isto provavelmente vai ser uma briga.
         -- Hmm, interessante. Uma citao muito oportuna. -- Seu dedo indicador longo
distraidamente passando pela escrita. -- Eu penso que eu era D 'Urberville, no Anjo. Voc
decidiu-se pela humilhao. -- Ele me d um breve sorriso de lobo. -- S voc poderia
encontrar algo que poderia soar to apropriadamente.
         -- Tambm  um apelo, -- eu sussurrei. Por que eu estou to nervosa? Minha boca
est seca.
         -- Um apelo? Para eu ir devagar com voc?
         Concordei com a cabea.
         -- Eu comprei isto para voc, -- ele disse suavemente, seu olhar era impassvel. --
Eu irei mais devagar com voc se voc aceitar.
         Eu traguei convulsivamente.
         -- Christian, eu no posso aceitar, eles so valiosos demais.
         -- Voc v, isto  o que eu estava conversando sobre, voc me desafiando. Eu quero
que voc os tenha e isto  o fim da discusso.  muito simples. Voc no tem que pensar
sobre isto. Como uma submissa voc s seria agradecida por eles. Voc s aceita o que eu
compro para voc porque me agrada fazer isso.
         -- Eu no era uma submissa quando voc comprou-os para mim, -- eu sussurrei.
                 188
         -- No... mas voc concordou Anastsia. -- Seus olhos ficaram cautelosos.
         Eu suspirei. Eu no vou ganhar isto, ento vamos ao plano B.
         -- Ento eles so meus para fazer o que eu quiser?
         Ele me olhou suspeitosamente, mas concedeu.
         -- Sim.
         -- Nesse caso, eu gostaria de dar eles para a caridade, uma que trabalhe em Darfur
desde que parece ser perto de seu corao. Eles podem leiloa-los.
         -- Se  isso que voc quer fazer. -- Sua boca fixou em uma linha dura. Ele estava
desapontado.
         Eu ruborizada.
         -- Eu pensarei sobre isto, -- eu murmurei, eu no queria desapont-lo e suas
palavras voltaram para mim. Eu quero que voc me queira, por favor.
         -- No pense Anastsia. No sobre isto. -- Seu tom est suave e srio.
         Como eu no posso pensar? Voc pode fingir ser um carro, como suas outras
possesses, meu subconsciente faz um mal recebido retorno custico. Eu o ignoro. Oh, ns
no podemos rebobinar? A atmosfera entre ns  agora tensa. Eu no sei o que fazer. Eu olho
fixamente para baixo, para os meus dedos.
         Como eu recupero esta situao?
         Ele pe a garrafa de champanhe na mesa e na minha frente. Pondo sua mo debaixo
de meu queixo, ele levanta minha cabea. Ele olha para mim, com uma expresso grave.
         -- Eu comprarei muitas coisas para voc, Anastsia. Se acostume com isto. Eu
disponho. Eu sou um homem muito rico. -- Ele se abaixou e plantou um beijo rpido, puro
em meus lbios. -- Por favor. -- Ele me libera.
         Oh' minhas bocas subconscientes dizem para mim.
         -- Faz-me sentir barata, -- eu murmuro.
         Christian correu a mo por seu cabelo, exasperado.
         -- No devia. Voc est fazendo tempestade em um copo de gua, Anastsia. No
faa um julgamento moral de voc mesma, baseado no que os outros poderiam pensar. No
desperdice sua energia. Voc tem receios sobre nosso acordo, isto  perfeitamente natural.
Voc no sabe no que voc est se metendo.
         Eu franzi a testa, tentando processar as suas palavras.
         -- Ei, pare com isto, -- ele comandou suavemente, acariciando o meu queixo
novamente e puxando suavemente assim que eu aperto o meu lbio inferior com os meus
dentes. -- No existe nada sobre voc que seja barato Anastsia. Eu no deixarei voc pensar
nisto. Eu acabei de comprar para voc alguns livros velhos que eu pensei que poderia
significar algo para voc, isto  tudo. Tome algum champanhe. -- Seus olhos estavam mornos
e suaves, eu sorri timidamente de volta para ele. -- Assim  melhor, -- ele murmurou. Ele
levantou o champanhe, tirou fora a tampa com chapa e arame, torcendo a garrafa pela cortia
e abrindo com um pequeno estalo e um floreado praticado, que no derramou uma gota. Ele
encheu metade das xcaras.
         --  rosa, -- eu murmurei, surpresa.
         -- Bollinger Grande Anne Ros 1999, uma vindima excelente, -- ele diz com
sabor.
         -- xcaras.

               189
         Ele sorriu.
         -- Em xcaras. Parabns por sua graduao, Anastsia. -- Ns tinimos xcaras, ele
tomou um gole da bebida, mas eu no pude evitar de pensar que essa comemorao era sobre
minha rendio.
         -- Obrigada, -- eu murmurei e tomei um gole. Claro que era delicioso. -- Ns
devemos ir pelos limites suaves?
         Ele sorriu e eu ruborizei.
         -- Sempre to vida. -- Christian tomou a minha mo e me levou para o sof onde
ele se sentou e me arrastou para baixo, ao seu lado.
         -- Seu padrasto  um homem muito reticente.
         Ah... sem limites tolerveis ento. Eu s quero resolver tudo isso logo, minha
ansiedade estava me roendo.
         -- Voc o cativou. -- Eu fiz beicinho.
         Christian riu suavemente.
         -- S porque eu sei como pescar.
         -- Como voc sabia que ele gostava de pescar?
         -- Voc disse para mim. Quando ns fomos para o caf.
         -- Oh... eu disse? -- Eu tomei outro gole. Uau ele tem uma memria para os
detalhes. Hmm... este champanhe realmente  muito bom. -- Voc provou o vinho na
recepo?
         Christian fez uma careta.
         -- Sim. E era ruim.
         -- Eu pensei em voc quando eu provei. Como voc conseguiu ser to bem
informado sobre vinhos?
         -- Eu no sou um conhecedor, Anastsia, eu s sei do que eu gosto. -- Seus olhos
cinza brilharam, quase prata e ele me fez corar. -- Um pouco mais? -- Ele perguntou, se
referindo ao champanhe.
         -- Por favor.
         Christian levantou graciosamente e pegou a garrafa. Ele encheu a minha xcara. Ele
estava me deixando alegre? Eu olhei para ele suspeitosamente.
         -- Este lugar parece bonito nu, voc est pronta para se mudar?
         -- Mais ou menos.
         -- Voc estar trabalhando amanh?
         -- Sim,  meu ltimo dia no Clayton.
         -- Eu ajudaria voc a se mudar, mas eu prometi encontrar minha irm no aeroporto.
         Oh... isto  novidade.
         -- Mia chega de Paris muito cedo no sbado de manh. Eu sou voltar para Seattle
amanh, mas eu ouvi que Elliot est dando a vocs duas uma mo.
         -- Sim, Kate est muito excitada sobre isto.
         Christian fez uma careta.
         -- Sim, Kate e Elliot, quem teria pensado? -- Ele murmurou e com um pouco de
razo, ele no parecia contente.
         -- Ento o que voc est fazendo sobre o trabalho em Seattle?
         Quando ns vamos conversar sobre os limites? Qual  o seu jogo?

              190
         -- Eu tenho algumas entrevistas marcadas.
         -- Voc ia me dizer isto quando? -- Ele arqueou uma sobrancelha.
         -- Err... eu estou dizendo a voc agora.
         Ele estreitou os seus olhos.
         -- Onde?
         Por um pouco de razo, possivelmente porque ele poderia usar sua influncia, eu no
queria dizer a ele.
         -- Um par de editoras.
         --  isso que voc quer fazer, algo em publicao?
         Eu cautelosamente movi a cabea.
         -- Bem? -- Ele olhou para mim pacientemente querendo mais informaes.
         -- Bem o que?
         -- No seja obtusa, Anastsia, quais editoras? -- Ele ralhou.
         -- Apenas umas pequenas, -- eu murmurei.
         --Por que voc no quer que eu saiba?
         -- Influncia imprpria.
         Ele ficou carrancudo.
         -- Oh, agora voc est sendo obtuso.
         Ele riu.
         -- Obtuso? Eu? Deus, voc  desafiadora. Beba tudo, vamos conversar sobre estes
limites. -- Ele pegou uma cpia de meu e-mail e a lista. Ele andou por a com esta lista em
seus bolsos? Eu penso que existe uma em sua jaqueta tambm. Merda, seria melhor eu no
esquecer isto. Eu drenei minha xcara.
         Ele olhou rapidamente para mim.
         -- Mais?
         -- Por favor.
         Ele sorriu aquele sorriso `oh to satisfeito consigo mesmo', segurando a garrafa de
champanhe no alto e parou.
         -- Voc comeu?
         Oh no... no este velho castanheiro.
         -- Sim. Comi bastante junto com Ray. -- Eu desviei o olhar dele. O champanhe
estava me fazendo corajosa.
         Ele se debruou para frente e segurou o meu queixo, olhando fixamente em meus
olhos.
         -- Da prxima que desviar seu olhar de mim, eu tomarei voc sobre os meus joelhos.
         O que?!
         -- Ah, -- eu respirei e pude ver a excitao em seus olhos.
         --Ah, -- ele respondeu, espelhando o meu tom. -- Ento isso  o comeo,
Anastsia.
         Meu corao bateu to forte contra meu trax, senti que as borboletas em meu
estomago fugiam pela minha garganta. Por que isto  quente?
         Ele encheu a minha xcara, e eu bebi praticamente toda. Castigada, eu olhei
fixamente para ele.
         -- Consegui a sua ateno agora, no ?

               191
        Eu movi a cabea.
        -- Responda-me.
        -- Sim... voc tem minha ateno.
        -- Bom,-- ele sorriu um sorriso de saber. --Ento, os atos sexuais. Ns fizemos a
maior parte disto.
        Eu me movi mais para perto dele no sof e olhei para a lista.


        APNDICE 3
           Limites Tolerveis
           Deve ser discutido e concordado entre ambas as partes.
           Qual dos atos sexuais seguintes so aceitveis para os Submissos?
            Masturbao
            Felao
            Cunnilingus
            Intercurso vaginal
            Vaginal com punho
            Intercurso anal
            Anal com punho

          -- Nenhum punho, voc diz. Tem outra coisa que voc se opem? -- Ele
suavemente perguntou.
          Eu engoli seco.
          -- Intercurso anal no  algo que me entusiasme.
          -- Eu concordarei com o punho, mas eu realmente gostaria de reivindicar sua bunda,
Anastsia. Mas ns esperaremos por isto. Alm disso, no  algo que ns podemos mergulhar,
-- ele sorriu para mim. -- Sua bunda precisar ser treinada.
          -- Treinada? -- Eu sussurrei.
          -- Oh sim. Precisar de preparao cuidadosa. O intercurso anal pode ser muito
aprazvel, confie em mim. Mas se ns tentarmos isto e voc no gostar, ns no temos que
fazer isto novamente. -- Ele sorriu para mim. Eu pisquei para ele. Ele pensa que eu apreciarei
isto? Como ele sabe que  aprazvel?
          -- Voc j fez isto? -- Eu sussurrei.
          -- Sim.
                Caramba. Eu ofeguei.
                -- Com um homem?
                -- No. Eu nunca fiz sexo com um homem. No  a minha praia.
                -- Sra. Robinson?
                -- Sim.
                Caramba... como? Eu franzi a testa. Ele moveu a lista para baixo.
                -- Ok. Deglutio de smen. Bem, voc conseguiu um A nisto.
                Eu corei e a deusa interior que existe em mim deu muitas beijocas com seus
lbios juntos, ardendo de orgulho.
          -- Ento. -- Ele olhou para mim sorrindo. -- Deglutio de smen est certo?

                 192
          Eu movi a cabea, incapaz de o olhar nos seus olhos e drenei a minha xcara
novamente.
          -- Mais? -- Ele perguntou.
          -- Mais. -- E eu de repente estou lembrando de nossa conversa hoje mais cedo,
enquanto ele enchia a minha xcara. Ele est se referindo a aquilo ou apenas ao champanhe?
Isto  coisa de champanhe inteira?
          -- Brinquedos sexuais? -- Ele perguntou.
          Eu encolhi os ombros, olhando para a lista abaixo.


              O uso de brinquedos sexuais aceitveis para os Submissos?
               Vibradores
               Dildos
               Plugues anais
               Outros

         -- Plugues anais? Faz o que seu nome diz? -- Eu amassei meu nariz com desgosto.
         --S im, -- ele sorriu. -- E eu me refiro sobre intercurso anal.  para o treinando.
         -- Oh... o que vem a ser outros?
         -- Ovos, contas... todo o tipo de material.
         -- Ovos? -- Eu fiquei alarmada.
         -- No ovos reais, -- ele riu ruidosamente, agitando a cabea.
         Eu apertei meus lbios para ele.
         -- Eu estou contente que voc achou engraado. -- Eu no pude manter a mgoa
fora de minha voz.
         Ele parou de rir.
         -- Eu me desculpo. Senhorita Steele, eu sinto muito, -- ele disse, tentando parecer
arrependido, mas seus olhos ainda estavam danando com humor. -- Algum problema com
brinquedos?
         -- No, -- eu estalei.
         -- Anastsia, -- ele bajulou. --Eu sinto muito. Acredite em mim, no queria rir. Eu
nunca tive uma conversa como esta, com tantos detalhes. Voc  s to sem experincia. Eu
sinto muito. -- Seus grandes olhos cinza pareciam sinceros.
         Eu descongelo um pouco e tomo outro gole de champanhe.
         -- Certo... servido -- ele disse, retornando a lista. Eu examinei a lista e minha
deusa interiou saltou de cima e para baixo como uma criana pequena esperando por sorvete.




        Servido  aceitvel para a Submissa?
               Mos para frente - Mos para atrs
               Joelhos - Tornozelos
               Cotovelos
               Pulsos para tornozelos

               193
               Barras de espalhador
               Amarrada a moblia
               Vendando
               Amordaando
               Servido com Corda
               Servido com Fita
               Servido com algemas de couro
               Suspenso
               Servido com algemas/ restries de metal


         -- Ns conversamos sobre suspenso. E  bom voc configurar isso, se quiser, como
um limite duro. Leva muito tempo e eu s terei voc por perodos pequenos de tempo, de
qualquer maneira. Alguma duvida?
         -- No ria de mim, mas o que  uma barra de espalhador?
               -- Eu prometo no rir. Eu me desculpei duas vezes. -- Ele olhou para mim. --
No me faa fazer isto novamente, -- ele advertiu. E eu acho que eu visivelmente encolhi...
Oh, ele  to mando. -- Um espalhador  uma barra com algemas de tornozelos e/ou pulsos.
Eles so divertidos.
         -- Certo... Bem me amordaando. Eu estaria preocupada se eu no pudesse respirar.
         -- Eu estaria preocupado se voc no pudesse respirar. Eu no quero sufocar voc.
         -- E como eu usarei palavras seguras se eu for amordaada?
         Ele parou.
         -- Em primeiro lugar, eu espero que voc nunca tenha que us-las. Mas se voc for
amordaada, ns usaremos sinais da mo, -- ele disse simplesmente.
         Eu pisquei para ele. Mas se eu for amarrada em cima, como isto vai funcionar? Meu
crebro comeou a ter uma nvoa... hmm lcool.
         -- Eu fico nervosa sobre o amordaar.
         -- Certo. Eu tomarei isso em nota.
         Eu olhei fixamente para ele, comeando a entender.
         -- Voc gosta de amarrar suas submissas, assim elas no podem tocar em voc?
         Ele olhou para mim, com seus olhos arregalados.
         -- Isto  uma das razes, -- ele disse suavemente.
         --  por isso que voc amarrou minhas mos?
         -- Sim.
         -- Voc no gosta de conversar sobre isto, -- eu murmurei.
         -- No, eu no gosto. Voc gostaria de outra bebida? Est fazendo voc valente e eu
preciso saber como voc sente sobre dor.
         Caramba... esta  a parte enganadora. Ele encheu a minha xcara e eu dei um gole.
         -- Ento, qual a sua atitude geral sobre receber dor? -- Christian olhou
esperanosamente para mim.
         -- Voc est mordendo o seu lbio, -- ele disse sombriamente.
         Eu imediatamente parei, mas eu no soube o que dizer. Eu corei e olhei fixo para as
minhas mos.

               194
         -- Voc foi fisicamente castigada quando uma criana?
         -- No.
         -- Ento voc no tem nenhuma esfera de referncia mesmo?
         -- No.
         -- No  to ruim quanto voc pensa. Sua imaginao  seu pior inimigo, -- ele
sussurrou.
         -- Voc tem que fazer isto?
         -- Sim.
         -- Por qu?
         --Faz parte do jogo, Anastsia.  o que eu fao. Eu posso ver que voc est nervosa.
Vamos por mtodos.
         Ele me mostrou a lista. Meu subconsciente sai correndo e gritando, se escondendo
atrs do sof.


         Espancar
         Palmatria
         Chicoteando
         Surra de vara
         Mordidas
         Braadeiras de mamilo
         Braadeiras genitais
         Gelo
         Cera quente
         Outro tipos/mtodos de dor


         -- Bem, voc no disse no para braadeiras genitais. Muito bem. A surra  o que
mais machuca.
         Eu empalideci.
         -- Ns iremos chegar nessa parte.
         -- Ou no fazer isto, -- eu sussurrei.
         -- Isto  faz parte do negcio, querida, mas ns ficaremos exaltados com tudo isso.
Anastsia, no vou te obrigar a fazer nada horrvel.
         -- Esta coisa de castigo,  o que mais me preocupa. -- Minha voz era muito
pequena.
         -- Bem, eu estou contente que voc disse para mim. Ns manteremos a surra fora da
lista, no momento. Se voc conseguir ficar mais confortvel com este material, ns
aumentaremos a intensidade. Ns faremos isto devagar.
         Eu traguei e ele se debruou para frente e beijou os meus lbios.
         -- Ento, que no foi to ruim, foi?
         Eu encolhi os ombros, meu corao estava na boca novamente.
         -- Olhe, eu quero conversar sobre mais uma coisa, ento eu estou levando voc para
a cama.

                195
          -- Cama? -- Eu rapidamente pisquei e o sangue correu em volta do meu corpo, em
lugares quentes que eu nem sabia que existiam, at muito recentemente.
          -- Vamos, Anastsia, falando sobre tudo isso, eu no quero foder voc na semana
que vem, mas agora mesmo. Deve estar tendo um pouco de efeito em voc tambm.
          Remexi-me. Minha deusa interior arquejou.
          -- Veja? Ao lado disso, existe algo que eu quero tentar.
          -- Algo doloroso?
          -- No, pare de pensar que tudo di.  tudo prazer. Eu j machuquei voc?
          Eu corei.
          -- No.
          -- Bem, ento. Olhe, hoje mais cedo voc disse que queria mais, -- ele se deteve,
incerto, de repente.
          Oh, meu Deus... onde eu estava me metendo?
          Ele apertou minha mo.
          -- Poderamos tentar durante um tempo, em que voc no seja minha submissa. Eu
no sei se funcionar. Eu no saberia como separar tudo. Isso pode no funcionar. Mas eu
estaria disposto a tentar. Talvez uma noite por semana. Eu no sei.
          Mais que merda... minha boca caiu aberta, meu subconsciente estava em choque,
Christian Grey est aceitando o mais! Ele estava disposto a tentar! Meu subconsciente ainda
a espreita por detrs do sof, ainda registrando o choque em seu rosto.
          -- Eu tenho uma condio. -- Ele olhou cautelosamente para a minha expresso
atordoada.
          -- O que? -- Eu respiro. Qualquer coisa. Eu darei a voc qualquer coisa.
          -- Voc, cortesmente, deve aceitar o meu presente de graduao.
          -- Oh. -- E no fundo, eu realmente sabia o que era. O medo invadiu a minha barriga.
          Ele est olhando fixamente para mim, medindo a minha reao.
          --Vamos, -- ele murmura e levanta, arrastando-me. Tomando sua jaqueta, ele a bota
por cima de meus ombros e dirige-se para a porta.
          Estacionado do lado de fora est um carro vermelho flex, um Audi de duas portas,
compacto.
          --  para voc. Feliz graduao, -- ele murmurou, puxando-me em seus braos e
beijando meu cabelo.
          Ele me comprou um maldito carro, novo em folha, pelo o que eu podia ver. Puxa...
eu tive suficiente dificuldade com os livros. Eu olhei fixamente para isto, inexpressivamente,
desesperadamente tentando determinar como eu me sinto sobre isto. Eu estou intimidada em
um nvel, agradecida em outro, chocada por ele ter realmente feito isto, mas no anulava uma
emoo, a raiva. Sim, eu estou brava, especialmente, depois de tudo que eu disse a ele sobre
os livros... entretanto, ele j tinha comprado isto. Tomando minha mo, ele me levou
caminho abaixo em direo a esta nova aquisio.
          -- Anastsia, seu velho Fusca  francamente perigoso. Eu nunca perdoaria a mim
mesmo se algo acontecesse a voc, quando seria to fcil para mim, fazer isto direito, -- ele
diminuiu. Seus olhos estavam em mim, mas no momento, eu no posso trazer meu olhar para
ele. Eu estou olhando calada, fixamente na sua novidade vermelha.
          -- Eu mencionei isto para seu padrasto. Ele concordou comigo, -- ele murmurou.

                 196
         Girando, eu olhei para ele, minha boca se abre com horror.
         -- Voc mencionou isto para Ray. Como voc pde? -- Eu s pude cuspir as
palavras. Como ele ousou? Pobre Ray. Eu tive nuseas, mortificada por meu pai.
         --  um presente, Anastsia. Voc no pode s dizer obrigado?
         -- Mas voc sabe que  demais.
         -- No, para mim no , no para minha paz de esprito.
         Eu fiz uma carranca para ele, em uma falta do que dizer. Ele no entende isto! Ele
tem dinheiro para toda a sua vida. Certo, no em toda sua vida, no quando era uma criana
pequena e minha viso de mundo mudou. O pensamento era muito decepcionante e eu
suavizo, e olho para o carro, me sentindo culpada com meu amuo. Suas intenes so boas,
extravagantes, mas com um bom propsito.
         -- Eu tenho muito prazer por voc emprestar isto para mim, como o laptop.
         Ele suspirou fortemente.
         -- Certo. Emprestado. Indefinidamente. -- Ele olhou cautelosamente para mim.
         -- No, no indefinidamente, mas no momento. Obrigada.
         Ele franziu a testa. Eu me estico e o beijo brevemente em sua bochecha.
         -- Obrigada pelo carro, senhor. -- Eu digo to docemente quanto eu posso dizer.
         Ele me agarra de repente, me puxando contra ele, uma mo em minhas costas me
segurando e a outra encerrada em meus cabelos.
         -- Voc  uma mulher desafiadora, Ana Steele. -- Ele apaixonadamente me beija,
forando meus lbios a separar com a sua lngua, no tomando nenhum prisioneiro.
         Meu sangue imediatamente aquece, e eu retornei o seu beijo com minha prpria
paixo. Eu o quero tanto, apesar do carro, dos livros, os limites suaves... as surras... eu o
quero.
         -- Estou tomando todo meu autocontrole para no foder voc no cap deste carro
agora mesmo, s para mostrar a voc que voc  minha, que se eu quiser lhe comprar a merda
de carro, eu comprarei para voc esta merda, -- ele rosnou. --Agora vamos entrar que eu
quero voc nua. -- Ele plantou um beijo rpido e spero em mim.
         Cara, ele est bravo. Ele agarra minha mo e me leva de volta para o apartamento e
diretamente para o meu quarto... sem nenhum desvio. Meu subconsciente est atrs do sof
novamente, com a cabea escondida debaixo de suas mos. Ele liga a luz lateral e para,
olhando fixamente para mim.
         -- Por favor, no fique bravo comigo, -- eu sussurro.
         Seu olhar  impassvel; Seus olhos cinza esto frios como cacos de vidro fum.
         -- Eu sinto muito sobre o carro e os livros, -- eu falei quase sem voz. Ele permanece
mudo e pensando.
         -- Voc me assusta quando voc est bravo, -- eu respirei, olhando fixamente para
ele.
         Ele fechou seus olhos e agitou sua cabea. Quando ele abriu os olhos, sua expresso
suavizou consideravelmente. Ele respirou fundo e engoliu.
         -- Se vire, -- ele sussurrou. -- Eu quero tirar voc desse vestido.
         Outra mudana de humor total  to duro de continuar. Obedientemente, eu giro e
meu corao dispara e imediatamente o desejo substituiu o mal estar, viajando pelo meu
sangue e preenchendo a escurido e a nsia baixa, abaixo de minha barriga. Ele puxa o meu

                 197
cabelo fora de minhas costas para que ele fique no meu lado direito, enrolando sobre o meu
peito. Ele coloca seu dedo indicador na minha nuca e dolorosa e lentamente arrasta o dedo
para baixo na minha espinha. Sua unha bem cuidada suavemente roa as minhas costas.
          -- Eu gosto deste vestido, -- ele murmura. -- Eu gosto de ver sua pele sem defeito.
          Seu dedo alcana o decote do meu vestido, na metade do caminho da minha espinha,
enganchando seu dedo no decote, ele me puxa de forma mais ntima, me fazendo voltar contra
ele. Sinto-me corar, contra seu corpo. Inclinado-se, ele inala meu cabelo.
          -- Voc cheira to bem, Anastsia. To doce. -- Seu nariz desliza pela minha pele,
passando pela minha orelha, descendo pelo meu pescoo, ele desliza devagar, suave como
uma pena e ento, ele beija o meu ombro.
          Minha respirao muda de rasa a apressada, cheia de expectativa. Seus dedos esto
em meu zper. Dolorosamente lento, mais uma vez ele desce, enquanto seus lbios se
movimentam, lambendo, beijando e chupando ao seu modo, atravs de meu outro ombro. Ele
 to provocadoramente bom nisso. Meu corpo ressoa e eu comeo a torcer languidamente
sob o seu toque.
          -- Voc. Ainda. Est. Aprendendo. Como. Manter. -- ele sussurrou, beijando-me ao
redor minha nuca, entre cada palavra.
          Ele puxa a presilha no pescoo, e o vestido cai formando uma piscina em meus ps.
          -- Nenhum suti, Senhorita Steele. Eu gosto disso.
          Suas mos alcanam meus seios, segurando-os como concha e meus mamilos
enrugam ao seu toque.
          -- Erga seus braos e os coloque ao redor minha cabea, -- ele murmura contra meu
pescoo.
          Eu imediatamente obedeo e na subida, meus seios empurram contra as suas mos,
meus mamilos endureceram mais ainda. Meus dedos tecem em seu cabelo, muito suavemente
eu acaricio seu cabelo suave, sensual. Eu rolo minha cabea para um lado para dar a ele
acesso mais fcil ao meu pescoo.
          -- Mmm... -- ele murmura naquele espao atrs de minha orelha, enquanto ele
comea a estender meus mamilos com seus dedos longos, espelhando minhas mos em seu
cabelo.
          Eu gemo como a sensao registra afiada e clara em minha virilha.
          -- Eu devo fazer voc gozar desta maneira? -- Ele sussurra.
          Eu arqueio minhas costas para forar meus seios em suas peritas mos.
          -- Voc gosta disto, no , Senhorita Steele?
          -- Mmm...
          -- Diga-me. -- Ele continua a lenta tortura sensual, puxando suavemente.
          -- Sim.
          -- Sim, o que.
          -- Sim... Senhor.
          -- Boa menina. -- Ele me belisca duro, e meu corpo convulsiona contra sua frente.
          Eu ofego no primoroso, agudo, prazer/dor. Eu o sinto contra mim. Eu gemo e minhas
mos apertam mais, puxando seu cabelo mais duro.



                198
         -- Eu no penso que voc est pronta para gozar ainda, -- ele sussurra, acalmando
as suas mos, ele suavemente morde meu lbulo da orelha e puxa-o. -- Alm disso, voc me
desagradou.
         Oh... no, o que isto querer dizer? Meu crebro registra atravs da nvoa de desejo
necessitado  medida que eu gemo.
         -- Ento talvez eu no deixe voc gozar afinal. -- Ele retorna a ateno de seus
dedos para meus mamilos, puxando, torcendo, amassando. Eu empurrei duro o meu traseiro
contra ele... movendo de um lado para o outro.
         Eu sinto seu sorriso contra meu pescoo, enquanto movimenta as mos at meus
quadris. Ele engancha os dedos em minha calcinha por trs, estirando-as, ele empurra os
polegares atravs do material, rasgando-a e jogando-a na minha frente para que eu possa
ver... caramba. Suas mos se movem, descendo para o meu sexo... e por detrs, ele
lentamente insere o seu dedo.
         -- Oh, sim. Minha doce menina, voc est pronta, -- ele respira, enquanto me gira
totalmente, de modo que eu fique de frente para ele. Sua respirao acelerou. Ele pe o dedo
na sua boca. --Voc tem um sabor to bom, Senhorita Steele. -- Ele suspira. -- Dispa-me, --
ele suavemente comanda, olhando fixamente para mim, com olhos semicerrados.
         Tudo que eu estou vestindo so os meus sapatos, bem, os sapatos de salto alto de
Kate. Eu estou surpreendida. Eu nunca despi um homem.
         -- Voc pode fazer isto, -- ele suavemente me bajula.
         Oh meu Deus. Eu rapidamente pisco. Por onde comear? Eu agarro sua camiseta e
ele agarra minhas mos e agita sua cabea, sorrindo astutamente em mim.
         -- Oh no. -- Ele agita sua cabea, sorrindo. -- No a camiseta, voc pode precisar
dela para tocar-me como eu planejei. -- Seus olhos esto vivos com a excitao.
         Oh... isto  novidade... eu posso tocar nas roupas. Ele pega uma de minhas mos e
a coloca contra sua ereo.
         -- Este  o efeito que voc est causando em mim, Senhorita Steele.
         Eu ofego e flexiono meus dedos ao redor de sua circunferncia e ele sorri.
         -- Eu quero estar dentro de voc. Tire a minha cala jeans. Voc est no comando.
         Caramba... estou no comando. Estou de boca aberta.
         -- O que voc vai fazer comigo? -- Ele provoca.
         Oh as possibilidades... minha deusa ruge, de algum lugar, nascida da frustrao, da
necessidade. A coragem de Steele aparece, eu o empurro para a cama. Ele ri enquanto cai, eu
olho para ele parecendo vitoriosa. Minha deusa vai explodir. Eu arranco seus sapatos,
depressa, desajeitadamente e suas meias. Ele est olhando fixamente para mim, seus olhos
brilhando de diverso e desejo. Ele parece... gloriosamente... meu. Eu rastejo para cima da
cama e me sento montada nele para retirar a sua cala jeans, corro meus dedos debaixo do
cs, sentindo o cabelo em seu caminho para a felicidade. Ele fecha seus olhos e empurra os
seus quadris.
         -- Voc ter que aprender a se manter quieto, -- eu lhe repreendo e eu acaricio os
pelos debaixo da sua cintura.
         Ele puxa a respirao e sorri para mim.
         -- Sim, Senhorita Steele, -- ele murmura com os olhos queimando e brilhando. --
Em meu bolso, tem preservativo, -- ele respira.

                199
          Eu procuro em seu bolso lentamente, olhando o seu rosto, enquanto sinto ao redor.
Sua boca est aberta. Eu pego duas embalagens de preservativo e as coloco ao lado de seus
quadris. Dois! Meus dedos ansiosos alcanam o boto de seu cs e o abrem, apalpando um
pouco. Eu estou mais que excitada.
          -- To vida, Senhorita Steele, -- ele murmura, sua voz est atada com humor. Eu
arrasto o zper para baixo e agora eu estou enfrentado o problema de remover suas calas...
hmm. Eu embaralho abaixo e puxo. O movimento  difcil. Eu franzo a testa. Como isto pode
ser to difcil?
          -- Eu no posso me manter quieto se voc vai morder seu lbio, -- ele adverte,
ento, ele arqueia sua plvis para cima, fora da cama, assim eu posso arrastar sua cala para
baixo e sua cueca ao mesmo tempo, whoa...
          Livrando-se. Ele chuta suas roupas para o cho.
          Santo Deus, ele  todo meu para tocar  como se fosse Natal.
          -- Agora o que voc vai fazer? -- Ele respira, com todo um rastro de humor nisso.
          Eu alargo a mo e o acaricio, assistindo sua expresso  medida que eu fao. Sua
boca est aberta em formato de "O", enquanto ele respira forte. Sua pele  to lisa e suave... e
duro... hmm, que combinao deliciosa. Eu me debruo para frente, meu cabelo caindo ao
redor de mim e ele est em minha boca. Eu o chupo, duro. Ele fecha seus olhos, sacudindo os
seus quadris embaixo de mim.
          -- Puxa, Ana, continue, -- ele geme.
          Eu me sinto to poderosa,  um sentimento to arrojado, provocando e provando-o
com minha boca e lngua. Ele est tenso embaixo de mim, enquanto eu deslizo a minha boca
nele, empurrando para a parte de trs de minha garganta, meus lbios apertando... de novo e
novamente.
          -- Pare, Ana, pare. Eu no quero gozar.
          Eu me sento em cima, piscando para ele, eu estou arquejando, assim como ele, mas
confusa. Eu estava no comando, no ? Minha deusa interior parece com algum que perdeu
seu sorvete.
          -- Sua inocncia e entusiasmo so muito cativantes, -- ele ofega. -- Voc, em
cima...  isso que ns precisamos fazer.
          Oh.
          -- Aqui, coloque isto. -- Ele me d um pacote de preservativo.
          Caramba. Como? Eu rasgo o pacote e abro, o preservativo de borracha  todo
pegajoso em meus dedos.
          -- Aperte o topo e ento abra isto. Voc no quer qualquer ar no fim daquela
ventosa, -- ele fala meio que sem ar.
          E muito lentamente, muito concentrada, eu fao como fui ensinada.
          -- Cristo, voc  a morte para mim, Anastsia, -- ele geme.
          Eu admiro meu trabalho manual e ele. Ele realmente  um espcime boa de homem,
olhar para ele  muito, muito excitante.
          -- Agora. Eu quero ser enterrado dentro de voc, -- ele murmura. Eu olho para ele
assustada e ele senta-se, de repente, ento ns estamos cara a cara.



                   200
         -- Assim, -- ele respirou e ele serpenteou uma mo ao redor dos meus quadris,
erguendo-me ligeiramente, com a outra ele se posicionou embaixo de mim e muito
lentamente, facilitou-se dentro de mim.
         Eu gemo conforme ele me estira e entra em mim, enchendo-me, minha boca se abre
diante da surpresa doce, sublime, agonizante, o sentimento mais completo. Oh... por favor.
         -- Est certo, querida, sinta-me, sinta-me todo, -- ele rosna e brevemente fecha seus
olhos.
         Ele est dentro de mim, embainhado at o talo, ele me segura no lugar, por
segundos... minutos... eu no tenho nenhuma ideia, olhando fixamente, atentamente em meus
olhos.
         -- Fundo deste jeito, -- ele murmura. Ele flexiona e roda seus quadris, no mesmo
movimento, eu gemo... oh meu deus  a sensao irradia ao longo de minha barriga... em
todos os lugares. Porra!
         -- Novamente, -- eu sussurro. Ele sorri um sorriso preguioso e repete.
         Gemendo, eu jogo minha cabea para trs, meu cabelo que cai em minhas costas e
muito lentamente, ele afunda de volta para a cama.
         -- Voc move, Anastsia, para cima e para baixo, como voc quiser. Tome minhas
mos, -- ele respira, sua voz est rouca , baixa e to sensual.
         Eu aperto suas mos, como minha vida dependesse disso. Suavemente eu empurro-o
e volto para baixo, oh meu Deus. Seus olhos esto queimando com antecipao selvagem. Sua
respirao est entrecortada, combinando com a minha, ele ergue sua plvis  medida que eu
deso, saltando-me de volta para cima. Ns aumentamos o ritmo... para cima, para baixo,
acima, abaixo... repetidas vezes... e parece to... bom. Entre meu ofegar, a penetrao 
profunda e transbordante... A sensao ardente que me atravessa inteira e cresce atravs de
mim, olho dentro dos seus olhos, e nossos olhos se encontram... e eu vejo admirao em seus
olhos, admirao para mim.
         Eu estou fodendo-o. Eu estou no comando. Ele  meu, eu sou sua. O pensamento me
empurra, pesado como concreto, acima da borda e eu chego ao clmax ao redor dele...
gritando incoerentemente.
         Ele agarra meus quadris, fechando seus olhos, inclinado  cabea para trs, sua
mandbula apertada, ele goza em silencio. Eu desmorono em seu peito, subjugada, em algum
lugar, entre fantasia e realidade, um lugar onde no existe nenhum limite, duro ou suave.




        Captulo 16
                 201
         Lentamente o mundo exterior invadiu os meus sentidos, e oh meu deus, que invaso.
Eu estou flutuando, meus membros esto suaves e lnguidos, totalmente gastos. Eu estou
deitada em cima dele, minha cabea est em seu trax e ele cheira divinamente: linho fresco,
lavado e algum caro sabonete corporal, e o melhor perfume, mais sedutor do planeta...
Christian. Eu no quero me mover, eu quero respirar este elixir pela eternidade. Eu me
aninho, desejando que no tivesse a barreira de sua camiseta. E, quando a razo e o bom senso
retornam ao resto de meu corpo, eu estico minha mo sobre o seu trax. Esta  a primeira vez
que eu o toquei aqui. Ele  firme... forte. Sua mo mergulha para cima e agarra a minha, mas
ele suaviza o gesto puxando-a para sua boca e docemente beijando meus dedos.
         Ele rola sobre mim e me olha.
         -- No faa, -- ele murmura e ento me beija ligeiramente.
         -- Por que voc no gosta de ser tocado? -- Eu sussurro, olhando fixamente para
seus olhos cinza suaves.
         -- Porque estou muito fodido, Anastsia. Tenho muito mais sombras que luz. Tenho
Cinquentas sombras ruins!
         Oh... sua honestidade me desarma completamente. Eu pisco para ele.
         -- Eu tive uma introduo muito dura na vida. No quero carregar voc com os
detalhes. S no faa. -- Ele roou seu nariz contra o meu, e ento ele retira-se de mim e se
senta.
         -- Acredito que j tivemos o bsico. Como foi?
         Ele parece completamente contente consigo mesmo e soa muito prosaico, ao mesmo
tempo, ele est como se s tivesse marcado uma nova caixa de seleo em uma lista de
verificao. Eu ainda estou sofrendo com o comentrio sobre a sua dura introduo de vida. 
to frustrante e eu estou desesperada para saber mais. Mas ele no dir nada para mim. Eu
viro minha cabea para um lado, como ele faz, e fao um esforo enorme para sorrir para ele.
         -- Se voc acha que conseguiu me iludir que voc me outorgou o controle, bem,
voc no levou em conta minhas boas notas. -- Eu sorrio timidamente para ele. --Mas
obrigada pela iluso.
         -- Senhorita Steele, voc no  s um rosto bonito. Voc teve seis orgasmos at
agora e todos eles pertencem a mim, -- ele ostenta, brincalho novamente.
         Eu ruborizo e pisco ao mesmo tempo, enquanto ele olha fixamente para mim. Ele
est fazendo uma contagem! Suas sobrancelhas apertaram.
         -- Voc tem algo para me dizer? -- Sua voz, de repente, era dura.
         Eu fao uma careta. Droga.
         -- Eu tive um sonho esta manh.
         -- Oh? -- Ele olhou para mim.
         Dupla droga. Eu estou em apuros?
         -- Eu gozei no meu sonho.-- Eu lano meu brao acima de meus olhos. Ele no diz
nada. Eu o espio por debaixo de meu brao, e ele parece divertido.
         -- Em seu sonho?
         -- Despertou-me.

                202
         -- Eu estou certo que fez. Com o que voc estava sonhando?
         Droga.
         -- Voc.
         -- O que eu estava fazendo?
         Eu lano meu brao acima de meus olhos novamente. E como uma criana pequena,
eu brevemente entretenho o pensado de que se eu no posso v-lo, ento ele no pode me ver.
         -- Anastsia, o que eu estava fazendo? Eu no perguntarei a voc novamente.
         -- Voc estava usando um chicote de montaria.
         Ele moveu o meu brao.
         -- Realmente?
         -- Sim. -- Eu estou vermelha.
         -- Existe esperana para voc ainda, -- ele murmura. -- Eu tenho vrios chicotes de
montaria.
         -- Couro tranado marrom?
         Ele ri.
         -- No, mas eu estou certo que eu podia conseguir um. -- Seus olhos cinza brilham
de excitao.
         Inclinando, ele me d um breve beijo, ento ele levanta e agarra as sua cueca, oh
no... ele est indo. Eu olho rapidamente para o relgio, so apenas nove e quarenta. Eu saio
da cama tambm e pego minha cala de moletom e um camiseta, ento me sento de volta na
cama, cruzo as pernas e fico assistindo-o. Eu no quero que ele v. O que eu posso fazer?
         -- Quando  seu perodo? -- Ele interrompe meus pensamentos.
         O que!
         -- Eu odeio usar estas coisas, -- ele murmura. Ele levanta o preservativo do cho,
ento desliza em sua cala jeans.
         -- Bem? -- Ele inicia quando eu no respondo, ele olha para mim esperanosamente
como se ele estivesse esperando por minha opinio sobre o tempo. Caramba... isto  coisa
pessoal.
         -- Semana que vem. -- Eu olho fixamente para minhas mos.
         -- Voc precisa fazer algum tipo de contracepo.
         Ele  to mando. Eu olho fixamente para ele, inexpressivamente. Ele se senta de
volta na cama, enquanto ele coloca suas meias e sapatos.
         -- Voc tem um mdico?
         Eu agito minha cabea. Ns voltamos para contratos e aquisies, outra mudana de
humor do Christian de 180 graus.
         Ele faz uma carranca.
         -- Eu posso pedir ao meu mdico para v-la em seu apartamento, domingo de manh
antes de voc vir me ver. Ou ele pode ver voc em minha casa. O que voc prefere?
         Sem presso, sei. Apenas outra coisa que ele est pagando... mas, realmente, isto 
para seu benefcio.
         -- Em sua casa. -- Com isso, estou garantido v-lo no domingo.
         -- Certo. Eu informarei a hora.
         -- Voc est partindo?
         No v... fique comigo, por favor.

                203
         -- Sim.
         Por que?
         -- Como voc voltar? -- Eu sussurro.
         -- Taylor me levantar.
         -- Eu posso dirigir para voc. Eu tenho um adorvel carro novo.
         Ele olha para mim, com uma expresso morna.
         -- Isto  mais para ele. Eu acho que voc bebeu demais.
         -- Voc me fez ficar alegre de propsito?
         -- Sim.
         -- Por qu?
         -- Porque voc acha excesso em tudo, e voc  reticente como o seu padrasto. Uma
gota de vinho em voc e voc comea a falar, e eu preciso que voc se comunique
honestamente comigo. Caso contrrio, voc se cala, eu no tenho nenhuma ideia do que voc
est pensando. In vino veritas25, Anastsia.
         -- E voc pensa que  sempre honesto comigo?
         -- Eu me empenho para ser. -- Ele olha para mim cautelosamente. -- Isto s
funcionar se ns formos honestos um com o outro.
         -- Eu gostaria que voc ficasse e usasse isto. -- Eu levanto o segundo preservativo.
         Ele sorri e seus olhos brilharam com humor.
         -- Anastsia, eu cruzei tantas linhas aqui, esta noite. Eu tenho que ir. Eu verei voc
no domingo. Eu terei o contrato revisado e pronto para voc, ento ns podemos realmente
comear a jogar.
         -- Jogar? -- Caramba. Meu corao pulou em minha boca.
         -- Eu gostaria de fazer uma cena com voc. Mas eu no vou, at que voc assine,
ento eu sei que voc estar pronta.
         -- Oh. Ento eu poderia esticar isto, se eu no assinar?
         Ele me olha, avaliando-me, ento, seus lbios se contorcem em um sorriso.
         -- Bem, eu suponho que voc poderia, mas eu posso rachar sob tenso.
         -- Rachar? Como? -- Minha deusa interior despertou e est prestando ateno.
         Ele movimenta a cabea devagar, e ento ele sorri, brincando.
         -- Podia ficar realmente feio.
         Seu sorriso  infeccioso.
         -- Feio, como?
         -- Oh voc sabe, exploses, perseguies de carro, sequestro, encarceramento.
         -- Voc me sequestraria?
         -- Oh sim, -- ele sorriu.
         -- Seguraria-me contra minha vontade? Puxa, isto  quente.
         -- Oh sim, -- ele movimenta a cabea. -- E ento ns estamos falando TPT 24/7.
         -- Perdi-me, -- eu respiro, meu corao dispara... ele est falando srio?
         --Troca do Poder Total  o tempo todo. -- Seus olhos esto brilhando, e eu posso
sentir sua excitao de onde eu estou sentada.
                Caramba.
         -- Ento voc no tem nenhuma escolha, -- ele diz sarcasticamente.
     25
            In Vino Veritas - No vinho est a verdade, afirmavam os antigos romanos. Com isso eles queriam dizer que a
           embriaguez soltava a lngua e fazia a verdade vir  tona.
                                                204
          -- Claramente. -- Eu no posso manter o sarcasmo fora de minha voz ento eu olho
para cima, meus olhos alcanando o cu.
          -- Oh, Anastsia Steele, voc acabou de desviar seus olhos dos meus?
          Caramba.
          -- No, -- eu grito.
          -- Eu penso que voc fez. O que eu disse que faria com voc se desviasse seus olhos
de mim novamente?
          Merda. Ele se senta na extremidade da cama.
          -- Venha aqui, -- ele diz suavemente.
          Eu empalideo. Puxa... ele est falando srio. Eu me sento olhando fixamente para
ele completamente imvel.
          -- Eu no assinei, -- eu sussurro.
          -- Eu disse a voc o que faria. Eu sou um homem de palavra. Eu vou espancar voc
e ento vou foder voc muito rpido e muito duro. Parece que ns precisaremos do
preservativo afinal.
          Sua voz est to suave, ameaadora, e  condenadamente quente. Minhas entranhas
praticamente contorcem com o potente, necessitado, lquido, desejo. Ele olha para mim,
esperando, com os olhos brilhando. Timidamente, eu descruzo as minhas pernas. Devo
correr? Isto , nosso relacionamento est em jogo, aqui, agora. Eu deixo que ele faa isto ou
eu digo no, e ento como ser? Porque eu sei que vai ser mais se eu disser no. Faa isto!
Minha deusa discuti comigo, meu subconsciente est to paralisado como eu estou. -- Eu
estou esperando, -- ele diz. -- Eu no sou um homem paciente.
          Oh pelo o amor de tudo que  santo. Eu estou ofegante, com medo, ligada. O sangue
disparando dentro de meu corpo, minhas pernas esto como geleia. Lentamente, eu me arrasto
para ele, at chegar ao seu lado.
          -- Boa menina, -- ele murmura. -- Agora levante-se.
          Oh merda... ele s no pode simplesmente acabar com isso? Eu no estou certa se eu
posso permanecer. Hesitante, eu levanto. Ele estende a sua mo e eu coloco o preservativo em
sua palma. De repente ele me agarra, me inclinando sobre o seu colo. Com um movimento
suave, ele ajeita o seu corpo, de modo que, o meu torso est descansando na cama ao lado
dele. Ele joga a perna direita sobre as minhas duas e bota o seu antebrao esquerdo na parte de
baixo das minhas costas, segurando-me para baixo, assim eu no posso me mover. Oh foda.
-- Ponha suas mos, as duas, em ambos os lados de sua cabea, -- ele ordena.
          Eu imediatamente obedeo.
          -- Por que eu estou fazendo isto, Anastsia? -- Ele pergunta.
          -- Porque desviei meu olhar do seu, -- eu posso apenas falar.
          -- Voc pensa que isto  corts?
          -- No.
          -- Voc far isto novamente?
          -- No.
          -- Eu espancarei voc toda vez que voc fizer isto, voc entendeu?
          Muito lentamente, ele retira a minha cala de moletom. Oh, como isto  humilhante,
humilhante, assustador e quente. Ele est fazendo uma refeio disto. Meu corao est na
boca. Eu mal posso respirar. Merda, ser que vai doer?

                  205
         Ele coloca sua mo em minha bunda nua, suavemente me afagando, acariciando ao
redor, com sua palma plana. E ento sua mo no est mais l... e ele me bate, forte. Ow!
Meus olhos se abrem em resposta  dor, eu tento sair dali, mas sua mo entre minhas
omoplatas me mantm para baixo. Ele me acaricia novamente onde ele me bateu, sua
respirao mudou, est mais alta, mais dura. Ele me bate novamente, rapidamente em
sucesso.
         Puta merda, isso di. Eu no fao nenhum som, meu rosto paralisou com a dor. Eu
tento me contorcer para fugir dos golpes, estimulada pela adrenalina subindo e correndo pelo
meu corpo.
         -- Fique quieta, -- ele rosna. -- Ou eu espancarei voc por mais tempo.
         Ele est me esfregando agora, vem o golpe seguinte. Surge um padro rtmico,
acariciar, acariciar, bater duro. Eu tenho que me concentrar para lidar com esta dor. Meu
mente se esvazia, enquanto me esforo para absorver a sensao cansativa. Ele no me bate
no mesmo lugar duas vezes sucessivas, ele est espalhando a dor.
         -- Aargh! -- Eu reclamo na dcima palmada, sem perceber eu estava contando
mentalmente as palmadas.
         -- Eu estou apenas esquentando.
         Ele me bate novamente, ento ele me acaricia suavemente. A combinao do duro
golpe pungente e sua carcia suave  muito entorpecedora. Ele me bate novamente... isto est
ficando mais duro de aguentar.
         Meu rosto di, estou muito contrada. Ele me acaricia gentilmente e ento vem o
golpe. Eu grito novamente.
         -- Ningum pode ouvir voc, querida, s eu.
         E ele me bate novamente. Em algum lugar bem no fundo, eu quero implorar para ele
parar. Mas eu no o fao. Eu no quero dar a ele a satisfao. Ele continua no ritmo inflexvel.
Eu gritei mais seis vezes. Dezoito golpes no total. Meu corpo est cantando, cantando de seu
impiedoso assalto.
         -- J chega, -- ele fala com voz rouca. -- Bem feito, Anastsia. Agora eu vou foder
voc. Ele acaricia meu traseiro suavemente, que queima com os golpes que ele me deu, ento
ele vai acariciando ao redor e descendo. De repente, ele insere dois dedos dentro de mim,
deixando-me completamente surpresa. Eu suspiro, este novo ataque rompe a dormncia ao
redor do meu crebro.
         -- Sinta isto. Veja quanto seu corpo gosta disto, Anastsia. Voc vai ficar molhada
s para mim.
         Existe temor em sua voz. Ele move seus dedos, dentro e fora em sucesso rpida.
         Eu gemo, no seguramente no, e ento seus dedos se foram... e eu sou deixada
querendo.
         -- Da prxima vez, eu vou fazer voc contar. Agora onde est o preservativo?
         Ele alcana o preservativo e gentilmente me ergue, empurrando-me de rosto sobre a
cama. Eu ouo o som de seu zper e o rasgar do invlucro. Ele arranca a minha cala de
moletom fora e ento me guia em uma posio de joelhos, gentilmente acariciando meu agora
muito dolorido traseiro.
         -- Eu vou tomar voc agora. Voc pode gozar, -- ele murmura.
         O que? Como se eu tivesse uma escolha.

                   206
         E ele est dentro de mim, me enchendo rapidamente, eu gemo alto. Ele se move,
batendo em mim, um ritmo rpido e intenso contra meu dolorido traseiro. O sentimento est
alm de requintado, bruto e degradante,  de explodir a mente. Meus sentidos esto
devastados, desconectados, apenas me concentrando no que ele est fazendo para mim. Como
ele est fazendo-me sentir, essa fora familiar no fundo da minha barriga, apertando,
acelerando. NO... e meu corpo traidor explode em um intenso orgasmo, estremecendo.
         -- Oh, Ana! -- Ele grita em voz alta enquanto ele encontra a sua liberao,
segurando-me no lugar, ele derrama-se em mim. Ele cai, ofegante ao meu lado e ele me puxa
em cima dele e enterra seu rosto em meu cabelo, segurando-me apertado.
         -- Oh, querida, -- ele respira. -- Bem-vinda ao meu mundo.
         Ficamos deitados ali, ofegantes, juntos, esperando que nossa respirao diminua a
velocidade. Ele suavemente acaricia o meu cabelo. Eu estou em seu peito novamente. Mas
desta vez, eu no tenho foras para erguer minha mo e senti-lo. Rapaz... eu sobrevivi. Isso
no era to ruim. Eu sou mais estoica do que pensava. Minha deusa interior est prostrada...
bem pelo menos ela est quieta. Christian fua meu cabelo novamente, inalando
profundamente.
         -- Bem feito, querida -- ele sussurra, com uma alegria calma em sua voz. Suas
palavras enrolam ao redor de mim, como uma toalha fofa e suave do Hotel Heathman, eu
estou to contente que ele tenha sentido tanto prazer.
         Ele pega na ala da minha camisola.
         --  com isto que voc dorme? -- Ele pergunta suavemente.
         -- Sim, -- eu respiro com sono.
         -- Voc devia estar em sedas e cetins, voc  uma menina bonita. Eu farei compras
para voc.
         -- Eu gosto de meu moletom, -- eu murmuro, tentando e falhando, soar irritada.
         Ele beija minha cabea novamente.
         -- Ns veremos, -- ele diz.
         Ns ficamos por mais alguns minutos, horas, quem sabe, eu acho que eu cochilei.
         -- Eu tenho que ir, -- ele diz, se inclinando ele beija minha testa suavemente. --
Voc est bem? -- Sua voz  suave.
         Eu penso sobre sua pergunta. Meu traseiro est dolorido. Bem, ardendo agora, e
incrivelmente eu me sinto, fora a exausto, radiante. A realizao  humilhante, inesperada.
No estou entendendo. Puta merda.
         -- Eu estou bem, -- eu sussurro. Eu no quero dizer mais que isto.
         Ele levanta.
         -- Onde  seu banheiro?
         -- Ao longo do corredor  esquerda.
         Ele pega o outro preservativo e sai do quarto. Eu levanto rigidamente e coloco minha
cala de moletom. Ela irrita um pouco contra o meu sofrido traseiro. Eu estou to confusa
com a minha reao. Eu me lembro dele dizendo, no me lembro quando, que eu me sentiria
muito melhor depois de uma boa surra. Como que pode ser isso? Eu realmente no entendo.
Mas, estranhamente, eu estou. Eu no posso dizer que eu apreciei a experincia, de fato, eu
ainda percorreria um caminho longo para evitar isto, mas agora... eu me sinto segura,


                207
estranha, banhada em fosforescncia, saciada. Eu ponho minha cabea em minhas mos. Eu
s no entendo.
          Christian retorna ao quarto. Eu no posso olh-lo nos olhos. Eu olho fixamente para
minhas mos.
          -- Eu achei um pouco de leo de beb. Deixe-me esfregar isto em seu traseiro.
          O que?
          -- No. Eu estou bem.
          -- Anastsia, -- ele adverte e eu quero desviar meus olhos, mas depressa paro. Eu
fico de frente para a cama. Sentando ao meu lado, ele puxa delicadamente a minha cala de
moletom para baixo novamente. De cima a baixo como gavetas de puta, meu subconsciente
comenta amargamente. Na minha cabea, eu digo a ela para onde ir.
          Christian espirra leo de beb em sua mo e ento esfrega no meu traseiro com
cuidadosa ternura - De removedor de maquilagem para blsamo de traseiro espancado, quem
teria pensado que era um lquido to verstil.
          -- Eu gosto de por minhas mos em voc, -- ele murmura, e eu tenho que
concordar, eu tambm.
          -- Pronto, -- ele diz quando termina e ele puxa minhas calas novamente.
          Eu olho para o meu relgio.  dez e trinta.
          -- Eu estou saindo agora.
          -- Eu verei voc sair. -- Eu ainda no posso olhar para ele.
          Tomando minha mo, ele me leva para a porta da frente. Felizmente, Kate ainda no
est casa. Ela deve ainda estar jantando com seus pais e Ethan. Eu estou realmente contente
por ela no estar ao redor e ouvir meu castigo.
          -- Voc no tem que chamar o Taylor? -- Eu pergunto, evitando o contato visual.
          -- Taylor est aqui desde as nove. Olhe para mim, -- ele respira.
          Eu me esforo para encontrar os seus olhos, mas quando eu fao, ele est olhando
para em mim com admirao.
          -- Voc no chorou, -- ele murmura, ento me agarra de repente e me beija
fervorosamente. -- Domingo, -- ele sussurra contra meu lbios, e isso  ambas, uma
promessa e uma ameaa.
          Eu assisto ele caminhar pela calada e subir no grande Audi preto. Ele no olha para
trs. Eu fecho a porta e estou impotente na sala de estar de um apartamento que eu devo morar
apenas outras duas noites. Um lugar que vivi feliz por quase quatro anos... ainda hoje, pela
primeira vez, eu me sinto s e desconfortvel aqui, infeliz com minha prpria companhia. O
quo me distancie do que sou? Eu sei que, debaixo de meu exterior entorpecido, est um poo
de lgrimas. O que eu estou fazendo? A ironia  que eu no posso nem me sentar e desfrutar
de um bom choro. Eu terei que permanecer em p. Eu sei que  tarde, mas decido ligar para
minha me.
          -- Meu doce, como voc est? Como foi a graduao? -- Ela se entusiasma no
telefone. Sua voz  um blsamo calmante.
          -- Desculpe por ligar to tarde, -- eu sussurro.
          Ela pausa.
          -- Ana? O que est errado? -- Ela  toda seriedade agora.
          -- Nada, Me, eu s queria ouvir sua voz.

                 208
         Ela fica muda por um momento.
         -- Ana, o que ? Por favor, me diga. -- Sua voz  suave e reconfortante, eu sei que
ela se importa. No convidadas, as minhas lgrimas comeam a fluir. Eu chorei muito
frequentemente nos ltimos dias.
         -- Por favor, Ana -- ela diz, sua angstia reflete a minha.
         -- Oh, Me,  um homem.
         -- O que ele fez para voc? -- Seu alarme  palpvel.
         -- No  assim. -- Embora ele seja... Oh merda. Eu no a quero preocupar. Eu s
quero outra pessoa para ser forte por mim, no momento.
         -- Ana, por favor, voc est me preocupando.
         Eu tomo uma grande respirao.
         -- Eu estou um tanto quanto apaixonada por este sujeito, ele  to diferente de mim,
eu no sei se ns devamos ficar juntos.
         -- Oh, querida. Eu gostaria de estar a com voc. Eu sinto tanto por faltar a sua
graduao. Voc apaixonou-se por algum, finalmente. Oh, docinho, homens, eles so to
enganadores. Eles so uma espcie diferente, querida. Quanto tempo voc o conhece?
         Christian  definitivamente uma espcie diferente... planeta diferente.
         -- Oh, quase trs semanas eu acho.
         -- Ana, querida, isto no  nada mesmo. Como voc pode conhecer algum nesse
perodo de tempo? Basta ter calma com ele e o mant-lo no comprimento de um brao at que
voc decida se ele  digno de voc.
         Uau...  irritante quando minha me  to perspicaz, mas infelizmente o conselho
chega tarde.
         Ele me merece? Este  um conceito interessante. Eu sempre me pergunto se eu sou
merecedora dele.
         -- Querida, voc soa to infeliz. Volte para casa, venha nos visitar. Eu sinto saudade
de voc, querida. Bob adoraria ver voc tambm. Voc pode ter alguma distncia e talvez
alguma perspectiva. Voc precisa de um tempo. Voc tem trabalhado to duro.
         Oh menino, isto era tentador. Fugir para a Gergia. Pegar algum raio de sol, alguns
coquetis.
         O bom humor da minha me... seus braos amorosos.
         -- Eu tenho duas entrevistas de trabalho em Seattle na segunda-feira.
         -- Oh, isto  uma notcia maravilhosa.
         A porta abre e Kate aparece, sorrindo para mim. Seu rosto cai quando ela v que eu
tinha chorado.
         -- Me, eu tenho que ir. Eu pensarei sobre uma visita. Obrigada.
         -- Querida, por favor, no deixe um homem entrar debaixo de sua pele. Voc 
extremamente jovem. V e se divirta.
         -- Sim, Me, amo voc.
         -- Oh, Ana, eu amo voc tambm, tanto. Fique segura, querida. -- Eu desligo e
enfrento Kate que olha para mim.
         -- Aquele obscenamente rico fudido chateou voc novamente?
         -- No... tipo de... err... sim.


                  209
         -- Mande-o passear, Ana. Desde que o conheceu voc est muito transtornada. Eu
nunca a vi assim antes.
         O mundo de Katherine Kavanagh  muito claro, muito preto e branco. No os
intangveis, misteriosos, tons vagos de meu mundo cinza. Bem-vinda ao meu mundo.
         -- Se sente, deixe de conversa. Vamos beber algum vinho. Oh, voc tomou
champanhe. -- Ela espiou a garrafa. -- De boa marca tambm.
         Eu sorrio ineficaz, olhando apreensivamente para o sof. Eu abordo isto com
precauo.
         Hmm... sentando.
         -- Voc est bem?
         -- Eu ca sobre meu traseiro.
         Ela no pode questionar minha explicao, porque eu sou uma das mais
descoordenadas pessoas no Estado de Washington. Eu nunca pensei que eu veria isso como
uma bno. Eu cuidadosamente sento-me, agradavelmente surpreendida por eu estar bem,
volto a minha ateno para Kate, mas minha mente  puxada de volta para Heathman. Bem,
se fosse minha, depois do que fez ontem, no se sentaria durante uma semana. -- Ele disse
isto ento. Mas naquele momento eu no pensava em mais nada, a no ser, ser dele. Todos os
sinais de advertncia estavam l, eu s fui muito ignorante e demasiado apaixonada para
notar.
         Kate volta da sala de estar com uma garrafa de vinho tinto e lavou as xcaras.
         -- E l vamos ns. -- Ela me d uma xcara de vinho. O sabor no  to bom quanto
o Bolly.
         -- Ana, se ele for um idiota com assuntos de compromisso, dispense-o. Embora eu
realmente no entenda seus problemas de compromisso. Ele no conseguia tirar os olhos de
voc na marquise, olhava para voc como um falco. Eu diria que ele est completamente
apaixonado, mas talvez ele tenha um modo engraado de mostrar a isto.
         Completamente apaixonado? Christian? Que forma curiosa de demonstra-lo? Eu
diria.
         -- Kate, isso  complicado. Como foi sua noite? -- Eu pergunto.
         Eu no posso conversar sobre isto com Kate sem ser esclarecedora demais, mas uma
pergunta sobre o seu dia e Kate esquece isto.  to reconfortante se sentar e escutar sua
conversa normal. A notcia quente  que Ethan pode vir morar conosco aps as suas frias.
Isso ser divertido, Ethan  uma piada. Eu franzo a testa. Eu no acho que Christian aprovar.
Bem... difcil. Ele s ter que absorver isto. Eu tomo umas xcaras de vinho e decido lig-lo
agora a noite. Foi um dia muito longo. Kate me abraa e ento pega o telefone para ligar para
Elliot.
         Eu verifico o computador depois de escovar meus dentes. Tem um e-mail de
Christian.


        De: Christian Grey
        Assunto: Voc
        Data: 26 de maio 2011 23:14
        Para: Anastsia Steele

                 210
         Querida Senhorita Steele
         Voc  simplesmente excelente. A mulher mais bela, inteligente, espirituosa e
corajosa que eu j conheci. Tome um pouco de Advil 26, isto no  um pedido. E no dirija seu
Fusca novamente. Eu saberei.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


          Oh, eu no posso dirigir meu carro novamente! Ento, eu digito minha resposta.


                De: Anastsia Steele
                Assunto: Lisonja
                Data: 26 de maio 2011 23:20
                Para: Christian Grey

          Querido Sr. Grey

         Galanteios no levar voc a lugar nenhuma, mas desde que voc tem estado em
todos os lugares, o ponto  discutvel.
         Eu precisarei dirigir meu Fusca para uma garagem para que eu possa vend-lo, por
isso no vou aceitar graciosamente qualquer um dos seus disparates sobre isso. O vinho tinto
 sempre mais prefervel que Advil.

          Ana
          PS: A surra  um limite DURO para mim.


                Eu teclo e envio.


          De: Christian Grey
          Assunto: As mulheres frustrantes que no podem receber elogios
          Data: 26 de maio 2011 23:26
          Para: Anastsia Steele

          Querida Srta. Steele

          Eu no estou lisonjeando voc. Voc devia ir para a cama.
          Eu aceito sua adio para os limites duros.
          No beba demais.

     26
             analgsicos
                  211
        Taylor dar fim a seu carro e conseguir um bom preo por ele tambm.

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc


        De: Anastsia Steele
        Assunto: Taylor  ele  o homem certo para o trabalho?
        Data: 26 de maio 2011 23:40
        Para: Christian Grey

        Querido Senhor

        Intrigada-me que voc prefere deixar seu brao direito dirigir meu carro, mas no a
mulher voc fode ocasionalmente. Como vou saber que Taylor conseguir o melhor preo
para o meu carro? Eu, no passado, provavelmente antes de encontrar voc, soube conduzir um
negcio e arrumar uma pechincha por ele.

        Ana


        De: Christian Grey
        Assunto: Cuidadoso!
        Data: 26 de maio 2011 23:44
        Para: Anastsia Steele

        Querida Srta. Steele

         Estou certo que o VINHO TINTO a fez falar dessa maneira, e que voc teve um dia
muito longo.
         Entretanto, estou tentado em voltar at ai e me assegurar que voc no se sente por
uma semana, em vez de uma noite.
         Taylor  ex-soldado e capaz de dirigir qualquer coisa de uma motocicleta at um
Tanque Sherman.
         Seu carro no apresenta um perigo para ele.
         Agora, por favor, no se refira a voc mesma como `uma mulher que eu fodo
ocasionalmente' porque, francamente, me ENFURECE, e te asseguro que voc realmente no
gostaria de me ver zangado.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        De: Anastsia Steele

               212
        Assunto: Cuidadoso voc mesmo
        Data: 26 de maio 2011 23:57
        Para: Christian Grey

        Querido Sr. Grey

        Eu no estou certa se eu gosto de voc, especialmente neste momento.

        Srta. Steele


         De: Christian Grey
        Assunto: Cuidadoso voc mesmo
        Data: 27 de maio 2011 00:03
        Para: Anastsia Steele

        Por que voc no gosta de mim?

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Cuidadoso voc mesmo
        Data: 27 de maio 2011 00:09
        Para: Christian Grey

        Porque voc nunca fica comigo.




         Bem, isso vai dar a ele algo para pensar. Eu fechei o computador com indiferena, e
rastejo para a minha cama. Eu desligo a minha luz lateral e olho fixo para o teto. Foi um longo
dia, um arranco sentimental depois do outro. Foi emocionante passar algum tempo com Ray.
Ele parecia bem, estranhamente ele aprovou Christian. Droga, Kate e sua boca gigantesca.
Ouvindo Christian falar sobre ter passado fome. Que diabos foi isso tudo? Deus, e o carro. Eu
nem sequer disse a Kate sobre o novo carro. No que Christian estava pensando?
         E ento hoje  noite, ele realmente me bateu. Eu nunca apanhei em minha vida. No
que eu me meti? Muito lentamente, minhas lgrimas, interrompidas pela chegada de Kate,
comeam a deslizar para baixo, pelos lados de meu rosto e em meus ouvidos. Eu apaixonei-
me por algum que  to emocionalmente desligado, s vou me machucar, no fundo eu sei
disto, algum que por sua prpria admisso  completamente fudido. Por que ele  to
fodido? Deve ser horrvel ser to afetado como ele , e o pensamento de que ele foi uma

                  213
criana que sofreu alguma crueldade insuportvel, me chorar mais. Talvez, se ele fosse mais
normal, ele no gostaria de voc, meu subconsciente contribui depreciativamente para meus
devaneios... e no fundo do meu corao, eu sei que isto  verdade. Agarro-me ao meu
travesseiro e as comportas se abriram... e pela primeira vez em anos, eu estou soluando
incontrolavelmente em meu travesseiro.
         Estou distrada momentaneamente, na escurido da minha alma, quando ouo Kate
gritando.
         -- Que porra voc acha que voc est fazendo aqui?
         -- Que, pois no pode!
         -- Que merda voc fez para ela agora?
         -- Desde que ela te conheceu ela chora o tempo todo.
         -- Voc no pode entrar aqui!
         Christian entra repentinamente em meu quarto e sem a menor cerimnia liga a luz de
cima, fazendo-me piscar.
         -- Jesus, Ana, -- ele murmurou. Ele desliga novamente e est ao meu lado em um
momento.
         -- O que voc est fazendo aqui? -- Eu ofego entre soluos. Merda. Eu no consigo
parar de chorar.
         Ele liga a luz lateral, me fazendo piscar novamente. Kate chega e permanece na
entrada.
         -- Voc quer que eu expulse este idiota? -- Ela pergunta, irradiando uma termo-
nuclear hostilidade. Christian levanta as sobrancelhas para ela, sem dvida, surpreendido por
seu lisonjeiro epteto e seu antagonismo feroz. Sacudo minha cabea, e ela rola seus olhos
para mim. Oh... eu no faria isso perto do Sr. G.
         --  s gritar se voc precisar de mim, -- ela disse mais suavemente. -- Grey, as
suas cartas esto marcadas, -- ela sussurra para ele. Ele acena para ela, e ela se vira e puxa a
porta, mas no a fecha.
         Christian olha para mim, sua expresso  um tumulo, seu rosto est plido. Ele est
vestindo seu casaco listrado, e do bolso, ele tira um leno e o entrega para mim. Eu acho que
ainda tenho um outro seu em algum lugar.
         -- O que est acontecendo? -- Ele pergunta calmamente.
         -- Por que voc est aqui? -- Eu pergunto, ignorando sua pergunta. Minhas lgrimas
milagrosamente cessaram, mas eu estou com nuseas.
         -- Parte de meu papel  para cuidar de suas necessidades. Voc disse que queria que
eu ficasse, ento aqui estou. Eu ainda acho que voc gosta disto. -- Ele pisca para mim,
verdadeiramente perplexo. -- Tenho certeza de que sou responsvel, mas eu no tenho
nenhuma ideia do por que. Ser que  porque eu bati em voc?
         Eu me puxo para cima, estremecendo por meu traseiro dolorido. Eu me sento e o
enfrento.
         -- Voc tomou um pouco de Advil?
         Sacudo a cabea. Ele estreita seus olhos e deixa o quarto. Eu o ouo conversando
com Kate, mas no o que esto dizendo. Ele volta alguns momentos mais tarde com plulas e
uma xcara da gua.


                   214
        -- Tome estes, -- ele ordena suavemente enquanto se senta em minha cama, ao meu
lado.
          Eu fao como ele disse.
          -- Converse comigo, -- ele sussurra. -- Voc me disse que estava bem. Eu nunca
teria deixado voc se eu pensasse que voc estava assim.
          Eu olho fixamente para minhas mos. O que posso dizer que eu j no disse? Eu
quero mais. Eu quero que ele fique porque ele quer ficar comigo, no porque eu sou uma
baguna chorona, e eu no quero que ele me bata, isto  to irracional?
          -- Creio que quando voc disse que estava bem, voc no estava.
          Eu corei.
          -- Eu pensei que estava bem.
          -- Anastsia, voc no pode me dizer o que voc pensa que eu quero ouvir. Isto no
 muito honrado, -- Ele me adverte. -- Como posso confiar em qualquer coisa que voc me
disse?
          Eu olhei para ele, e ele franziu a testa, com um olhar sombrio em seu rosto. Ele
passou ambas as mos por seu cabelo.
          -- Como voc se sentiu enquanto eu estava batendo em voc e depois?
          -- Eu no gostei disto. Eu prefiro que voc no faa isto novamente.
          -- Isto no foi para voc gostar.
          -- Por que voc gosta disto? -- Eu olho fixamente nele.
          Minha pergunta o surpreende.
          -- Voc realmente quer saber?
          -- Oh, confie em mim, eu estou fascinada.-- E eu no posso manter o sarcasmo fora
de minha voz.
          Ele aperta seus olhos novamente.
          -- Cuidado, -- ele adverte.
          Eu empalideo.
          -- Voc vai me bater novamente? -- Eu desafio.
          -- No, no hoje  noite.
          Ufa... Meu subconsciente e eu, ambos, demos um suspiro mudo de alvio.
          -- Ento, -- eu inicio.
          -- Eu gosto do que o controle me traz, Anastsia. Eu quero que voc se comporte de
um modo particular, e se voc no fizer isso, eu devo puni-la, e voc aprender a se comportar
da maneira que eu desejar. Eu aprecio castigar voc. Eu quis espancar voc desde que voc
me perguntou se eu era gay.
          Eu corei com a lembrana. Droga, eu quis espancar a mim mesma depois daquela
pergunta. Ento Katherine Kavanagh  responsvel por tudo isso, e se ela fosse para aquela
entrevista e fizesse a pergunta sobre ele ser gay, ela estaria sentando aqui com o traseiro
dolorido. Eu no gosto desse pensamento. Como isso  confuso?
          -- Ento voc no gosta do modo que eu sou.
          Ele olha fixamente para mim, perplexo novamente.
          -- Eu acho que voc  adorvel do modo que voc .
          -- Ento por que voc est tentando me mudar?


                 215
         -- Eu no quero mudar voc. Gostaria de ser corts e seguir o conjunto de regras que
eu dei a voc e no me desafiar. Simples, -- ele diz.
         -- Mas voc quer me punir?
         -- Sim eu quero.
         -- Isso  o que eu no entendo.
         Ele suspira e passa as mos pelos cabelos novamente.
         --  do jeito que eu sou feito, Anastsia. Eu preciso controlar voc. Eu preciso que
voc se comporte de um certo modo, e se voc no o fizer, gosto de ver sua bonita pele rosa
de alabastro se aquecendo sob de minhas mos. Excita-me.
         Caramba. Agora ns estamos chegando a algum lugar.
         -- Ento, no  a dor que voc est me fazendo passar?
         Ele engole em seco.
         -- Um pouco, para ver se voc pode suportar isso, mas isto no  toda a razo.  o
fato de que voc  minha para fazer o que eu achar melhor, o controle total sobre outra
pessoa. Isso me excita. Muitssimo, Anastsia. Olhe, eu no estou me explicando muito
bem... eu nunca tive que fazer isso antes. Eu no tinha realmente pensado sobre nisso em
qualquer grande profundidade. Eu sempre estive com pessoas da mesma opinio, -- ele
encolheu os ombros se desculpando. -- E voc ainda no respondeu minha pergunta, como
voc se sentiu depois?
         -- Confusa.
         -- Voc estava sexualmente excitada por isto, Anastsia, -- ele fecha seus olhos
brevemente, e quando ele abre e olha para mim, eles esto queimando brasas esfumaadas.
         Sua expresso puxa aquela parte escura de mim, enterrada nas profundezas de minha
barriga, minha libido, acordou e domada por ele, mas at agora, insacivel.
         -- No me olhe desse jeito, -- ele murmura.
         Eu franzi a testa. Droga o que eu fiz agora?
         -- Eu no tenho nenhum preservativo, Anastsia, e voc sabe, voc est chateada.
Ao contrrio do que sua companheira de quarto acredita, eu no sou um monstro degenerado.
Ento, voc se sentiu confusa?
         Eu encolho sob o seu olhar intenso.
         -- Voc no tem nenhum problema em ser honesta comigo. Seus e-mails sempre
dizem exatamente como voc se sente. Por que voc no pode fazer isso em uma conversa?
Eu intimido tanto voc?
         Eu escolho em um ponto imaginrio azul na colcha creme da minha me.
         -- Voc me seduz, Christian. Subjuga-me completamente. Eu me sinto como caro
voando muito perto do Sol, -- eu sussurro.
         Ele suspira.
         -- Bem, eu penso que voc vai da maneira errada por a, -- ele sussurra.
         -- O que?
         -- Oh, Anastsia, voc me enfeitiou. No  bvio?
         No, no para mim. Feiticeira... minha deusa est olhando de boca aberta. At ela
no acredita nisto.
         -- Voc ainda no respondeu minha pergunta. Escreva para mim um e-mail, por
favor. Mas agora, eu realmente gostaria de dormir. Eu posso ficar?

                216
         -- Voc quer ficar? -- Eu no posso esconder a esperana em minha voz.
         -- Voc me queria aqui.
         -- Voc no respondeu minha pergunta.
         -- Vou escrever um e-mail para voc, -- ele murmurou com petulncia.
         Levantando, ele esvazia seus bolsos da cala jeans, BlackBerry, chaves, carteira e
dinheiro. Caramba, os homens levam um monte de porcaria em seus bolsos. Ele retira seu
relgio, sapatos, meias e a cala jeans, coloca sua jaqueta sobre a minha cadeira. Ele caminha
em volta e para o outro lado da cama e desliza dentro.
         -- Deite-se, -- ele ordena.
         Eu deslizo devagar para debaixo das coberturas, estremecendo ligeiramente, olhando
fixamente para ele. Caramba... ele est ficando. Eu acho que eu estou entorpecida com o
choque exultante. Ele se debrua em um cotovelo e olha para mim.
         -- Se voc vai chorar. Chore na minha frente. Eu preciso saber.
         -- Voc quer me fazer chorar?
         -- Particularmente, no. Eu s quero saber como voc est se sentindo. Eu no quero
que voc escorregue por entre meus dedos. Desligue a luz. Est tarde, e ns dois temos que
trabalhar amanh.
         Ento aqui... e ainda to mando, mas eu no posso reclamar, ele est em minha
cama. Eu no entendo muito por que... talvez eu devesse chorar mais vezes na frente dele. Eu
desligo a luz de cabeceira. -- Deite-se de lado, de costas para mim, -- ele murmura na
escurido.
         Reviro os olhos no pleno conhecimento de que ele no pode me ver, mas eu fao
como ele disse. Cautelosamente, ele passa por cima e coloca os braos ao redor de mim e me
puxa para seu trax... oh meu Deus.
         -- Durma, querida, -- ele sussurra, e eu sinto seu nariz em meu cabelo, enquanto ele
inala profundamente.
         Puta merda. Christian Grey est dormindo comigo, e no conforto e consolo de seus
braos, e eu caminho para um sono pacfico.




                 217
        Captulo 17

         A chama da vela  demasiada quente. Ela treme e dana sobre a brisa morna, uma
brisa que no traz nenhum alivio para o calor. Suave como asas de gaze elas batem de um
lado para outro na escurido, polvilhando escalas empoeiradas no crculo de luz. Eu estou
lutando para resistir, mas estou atrada. E ento  to brilhante, eu estou voando muito perto
do sol, deslumbrada pela luz, frita e derretendo do calor, cansada de meus empenhos para
ficar no ar. Eu estou to quente. O calor...  sufocante, insuportvel. Ele me acorda.
         Eu abro meus olhos e eu estou envolta em Christian Grey. Ele est embrulhado ao
meu redor como uma bandeira da vitria. Ele est profundamente adormecido com sua cabea
em meu peito, seu brao sobre mim, segurando-me perto, uma de suas pernas est jogada e
enganchada em torno das minhas. Ele est me sufocando com o calor de seu corpo, ele 
pesado. Eu tomo um momento para absorver que ele est ainda em minha cama e dormindo,
j tem luz l fora,  de manh. Ele passou a noite inteira comigo.
         Meu brao direito est estendido, sem dvida em busca de um lugar fresco, e como
eu processo o fato que ele est ainda comigo, o pensamento ocorre que eu posso toc-lo. Ele
est adormecido. Timidamente, eu levanto a minha mo e corro as pontas de meus dedos
sobre as suas costas. Profundo, em sua garganta, eu ouo um gemido fraco, angustiado e ele
se mexe. Ele aninha em meu trax, inalando profundamente enquanto ele desperta. Sonolento,
piscando, os seus olhos cinza se encontram com os meus de baixo de seus cabelos
despenteados.
         -- Bom dia, -- ele murmura e franze a testa. -- Jesus, at em meu sono eu estou
atrado por voc. -- Ele se move devagar, descolou seus membros de mim enquanto ele se
ajeita. Eu me tornei ciente de sua ereo contra meu quadril. Ele nota a minha reao em
meus olhos, ele sorri um sorriso sensual e lento.
         -- Hmm... isso tem possibilidades, mas eu penso que ns deveremos esperar at
domingo. -- Ele se inclina e fua minha orelha com seu nariz.
         Eu ruborizo, entretanto eu sinto sete tons de escarlate do seu calor.
         -- Voc  muito quente, -- eu murmuro.
         -- Voc no  to ruim, -- ele murmura e se aperta contra mim, sugestivamente.
         Eu corei um pouco mais. No foi isso que eu quis dizer. Ele se escora em cima em
seu cotovelo e olha para mim, divertido. Ele inclina-se, e para minha surpresa, planta um beijo
gentil em meus lbios.
         -- Dormiu bem? -- Ele pergunta.
         Eu concordo com a cabea, olhando fixamente para ele, e eu percebo que eu dormi
muito bem, exceto talvez pela ltima meia hora, quando eu estava com muito calor.
         -- Eu tambm. -- Ele franze a testa. -- Sim, muito bem. -- Ele levanta suas
sobrancelhas surpreso e confuso.
         -- Que horas so?
         Eu olho para o meu relgio.
         --  7:30.
                  218
          -- 7:30... merda. -- Ele saiu da cama e pegou a sua cala jeans.
          Foi minha vez de olhar divertida, enquanto me sento. Christian Grey est atrasado e
agitado. Isso  algo que eu nunca vi antes. Eu tardiamente percebo que meu traseiro no est
mais dolorido.
          -- Voc  uma pssima influncia para mim. Eu tenho uma reunio. Eu tenho que ir,
tenho que estar em Portland s oito. Voc est sorrindo para mim?
          -- Sim.
          Ele sorri.
          -- Eu estou atrasado. Eu no costumo me atrasar. Outra primeira vez, Senhorita
Steele. -- Ele puxa em seu casaco e em seguida se abaixa e agarra minha cabea, com uma
mo de cada lado.
          -- Domingo, -- ele disse, e a palavra estava carregada com uma promessa no dita.
          Minhas entranhas se contraem e ento se descontraem em uma antecipao deliciosa.
A sensao  esquisita. Que inferno, se minha cabea estivesse  altura do meu corpo. Ele
inclina-se e beija-me rapidamente. Ele pega as suas coisas na minha mesa de cabeceira e os
sapatos, que ele no coloca.
          -- Taylor vir avaliar o seu Fusca. Eu estava falando srio. No o dirija. Vejo voc
em minha casa no domingo. Vou enviar um e-mail para voc mais tarde. -- E como um
vendaval, ele se foi.
          Oh meu Deus, Christian Grey passou a noite comigo, e eu me sinto descansada. E
no houve sexo, s carinho. Ele me disse que ele nunca dormiu com ningum, mas ele 
dormiu comigo trs vezes.
          Sorri e lentamente sai da minha cama. Eu me sinto mais otimista do que eu tenho
pelo ltimo dia ou assim. Dirijo-me  cozinha, precisando de uma xcara de ch.
          Depois do caf da manh, tomo banho e me visto rapidamente para meu ltimo dia
em Clayton.  o fim de uma era, adeus para o Sr. & Sra. Clayton, WSU, Vancouver, o
apartamento, meu Fusca. Olho para o relgio,  s 7:52. Eu tenho tempo.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Ataque e Espancamento: Os efeitos posteriores
        Data: 27 de maio 2011 08:05
        Para: Christian Grey

        Querido Sr. Grey

         Voc queria saber por que eu me senti confusa depois que voc, que eufemismo
devemos aplicar, espancada, castigada, batida, atacada. Bem, durante todo o processo
alarmante eu me senti humilhada, aviltada e abusada. E para minha grande mortificao, voc
est certo, eu estava excitada, o que foi inesperado. Como voc bem sabe, todas as coisas
sexuais so novas para mim, eu gostaria de ser mais experiente e, portanto, mais preparada.
Fiquei chocada ao me sentir excitada.

                 219
          O que realmente me preocupou foi como me senti depois. E isso  mais difcil de
articular.
          Fiquei feliz por que voc estava feliz. Senti-me aliviada por no ser to doloroso
quanto eu pensei que seria. E quando eu estava deitada em seus braos, me senti saciada. Mas
me sinto muito desconfortvel, at culpada, me sentindo dessa forma. No combina bem
comigo, eu estou confusa como resultado. Isso responde a sua pergunta?
          Espero que o mundo de Fuses e Aquisies seja to estimulante como sempre... e
que voc no tenha se atrasado muito.
          Obrigado por ficar comigo.

        Ana




        De: Christian Grey
        Assunto: Livre Sua Mente
        Data: 27 de maio 2011 08:24
        Para: Anastsia Steele

          Interessante... ligeiramente exagerada no titulo, Senhorita Steele.
          Para responder aos seus pontos:
           Eu vou continuar com as palmadas, assim como est.
 Ento voc se sentiu humilhada, vil, abusada e agredida, voc  muito Tess
Durbeyfield. Creio que foi voc quem decidiu pela degradao se bem me lembro. Voc
realmente sente assim ou voc pensa que voc deveria se sentir assim?
          So duas coisas muito diferentes. Se  assim que voc se sente, voc acha que
poderia tentar e abraar estes sentimentos , lidar com eles, por mim? Isso  o que uma
submissa faria.
 Eu sou grato por sua inexperincia. Eu valorizo isso, e eu estou s comeando a
entender o que significa. Simplificando... isso significa que voc  minha em todos os
sentidos.
 Sim, voc ficou excitada, que por sua vez  muito excitante, no h nada de errado
com isto.
 Feliz nem sequer comea a definir o que senti. Alegria esttica chega perto.
 Surra de punio di muito mais que surra sensual. De modo que,  quase to difcil
para quem d quanto para quem recebe. A menos que, naturalmente, voc cometa alguma
transgresso grave, caso em que usarei alguns implementos para castigar voc. Minha mo
estava muito dolorida. Mas eu gosto disso.
 Eu me senti muito saciado, muito mais do que voc poderia saber.
 No desperdice sua energia em culpa, sentimentos de injustia, etc. Ns somos
adultos responsveis e o que ns fazemos atrs de portas fechadas est entre ns mesmos.
Voc precisa liberar a sua mente e escutar o seu corpo.
 O mundo de M&A no  quase to estimulante quanto voc  Senhorita Steele.


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Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




       Caramba... minha em todos os sentidos. Minha respirao disparou.




       De: Anastsia Steele
       Assunto: Consentindo Adultos!
       Data: 27 de maio 2011 08:26
       Para: Christian Grey

       Voc no est em uma reunio?
       Eu estou muito contente por sua mo estar dolorida.
       E se eu escutasse o meu corpo, eu estaria no Alasca agora.

       Ana
       PS: Eu pensarei sobre abraar estes sentimentos.




       De: Christian Grey
       Assunto: Voc no chamou a policia
       Data: 27 de maio 2011 08:35
            Para: Anastsia Steele

        Senhorita Steele
               Eu estou em uma reunio discutindo mercados futuros, se voc estiver
realmente interessada.
        Para o registro: voc permaneceu ao meu lado sabendo o que eu iria fazer.
        Voc no fez, em qualquer momento me pediu para parar, voc no usou qualquer
uma das palavras seguras.
        Voc  uma adulta e voc tem escolhas.
        Francamente, eu estou ansioso pela prxima vez que minha mo esteja a tocando
com dor.
        Voc, obviamente no est escutando a parte certa de seu corpo.
        O Alasca  muito frio e sem nenhum lugar para correr. Eu acharia voc.
        Eu posso controlar o seu telefone celular, lembrar?
        V trabalhar.

  Christian Grey

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                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Eu franzi a testa para a tela. Ele est certo, claro.  minha escolha. Hmm. Ele est
falando srio sobre me achar, eu devia decidir fugir durante algum tempo? Minha mente voou
brevemente para a oferta da minha me. Eu bato resposta.




         De: Anastsia Steele
        Assunto: Espreitador
        Data: 27 de maio 2011 08:36
        Para: Christian Grey

        Voc buscou terapia para suas propenses de assediador?

        Ana


        De: Christian Grey
        Assunto: Espreitador? Eu?
        Data: 27 de maio 2011 08:38
        Para: Anastsia Steele

        Eu pago ao eminente Dr. Flynn uma pequena fortuna para que ele se ocupe de
minhas tendncia de assdio e de outras propenses.
        V trabalhar.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Charlates caros
        Data: 27 de maio 2011 08:40
        Para: Christian Grey

        Eu posso humildemente sugerir que voc busque uma segunda opinio?
        Eu no estou certa que esse Dr. Flynn  muito efetivo.

        Senhorita Steele

                222
        De: Christian Grey
        Assunto: Segundas Opinies
        Data: 27 de maio 2011 08:43
        Para: Anastsia Steele

        No  da sua conta, humilde ou no, mas Dr. Flynn  a segunda opinio.
        Voc ter que acelerar em seu novo carro, pondo voc mesma em risco
desnecessrio, penso que isto  contra as regras.
        V TRABALHAR.

Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: ALTOS CAPITAIS
        Data: 27 de maio 2011 08:47
        Para: Christian Grey

        Como o objeto de suas propenses  espreitar, eu penso que  da minha conta
realmente.
        Eu no assinei ainda. Ento no h limites de regras. E eu no comeo at as 9:30.
        Senhorita Steele




        De: Christian Grey
        Assunto: Lingustica descritiva
        Data: 27 de maio 2011 08:49
        Para: Anastsia Steele

        Sem limites? No sei onde isso aparece no Dicionrio Webster.

Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




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           De: Anastsia Steele
          Assunto: Lingustica descritiva
          Data: 27 de maio 2011 08:52
          Para: Christian Grey

          Est entre excesso de controle e perseguidor.
          E lingustica descritiva  um limite duro para mim.
          Voc vai parar de me aborrecer agora?
          Eu gostaria de ir trabalhar em meu novo carro.

          Ana




          De: Christian Grey
          Assunto: Jovem desafiadora, mas divertida
          Data: 27 de maio 2011 08:56
          Para: Anastsia Steele
          A palma da minha mo est coando.
          Dirija com segurana, Senhorita Steele.

          Christian Grey
          CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         O Audi  uma alegria para dirigir. Tem direo hidrulica. Wanda, meu Fusca, no
tem nenhum poder, de qualquer jeito, ento meu treino dirio, dirigindo meu Fusca, cessar.
Oh, mas eu terei um instrutor de educao fsica particular para enfrentar, de acordo com as
regras de Christian. Eu franzo a testa. Odeio me exercitar.
         Enquanto eu estou dirigindo, eu tento analisar a nossa troca de e-mails. Ele  um
paternalista filho da puta, s vezes. E ento eu penso sobre Grace e eu me sinto culpada. Mas,
claro, ela no era sua me biolgica. Hmm isso  um mundo inteiro de dor desconhecida.
Bem, paternalista filho da puta funciona bem, ento. Sim. Eu sou uma adulta, obrigado por
me lembrar, Christian Grey  a minha escolha. O problema , eu s quero Christian, no toda
sua... bagagem. E agora ele tem uma bagagem para encher um 74727. Eu no poderia


     27
             O Boeing 747  um avio wide-body comercial e avies de transporte de carga
                  224
simplesmente deitar-me e abra-lo? Como uma submissa? Eu disse que ia tentar. Isso  uma
enorme pergunta.
         Eu puxo o carro para o estacionamento de Clayton. Enquanto fao meu caminho, eu
mal posso acreditar que  meu ltimo dia. Felizmente, a loja est ocupada e o tempo passa
depressa. Na hora do almoo, o Sr. Clayton me convoca parar ir ao almoxarifado. Ele est em
p ao lado de um motoboy.
         -- Senhorita Steele? -- O motoboy pergunta. Eu franzo a testa interrogativamente
para o Sr. Clayton, que encolhe os ombros, to perplexo quanto eu. Meu corao afunda. O
que Christian me enviou agora? Eu assino o pacote pequeno e abro imediatamente.  um
BlackBerry. Meu corao afunda ainda mais. Eu o deixo ligado.




        De: Christian Grey
        Assunto: BlackBerry SOB EMPRSTIMO
        Data: 27 de maio 2011 11:15
        Para: Anastsia Steele

        Eu preciso ser capaz de contatar voc em todos os momentos, e uma vez que esta 
sua forma mais honesta de comunicao, eu percebi que voc precisava de um BlackBerry.

Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


              De: Anastsia Steele
              Assunto: O consumismo Enlouquecido
              Data: 27 de maio 2011 13:22
              Para: Christian Grey

        Eu penso que voc precisa chamar o Dr. Flynn agora mesmo.
        Suas tendncias de perseguidor esto numa correria louca.
        Eu estou no trabalho. Vou enviar um e-mail para voc quando eu chegar em casa.
        Obrigado por mais este dispositivo.
        Eu no estava errada quando disse que voc era um total consumista.
        Por que voc faz isto?

        Ana


        De: Christian Grey
        Assunto: Sagacidade de uma jovem

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        Data: 27 de maio 2011 13:24
        Para: Anastsia Steele

        Direto no ponto, como sempre, Senhorita Steele.
        Dr. Flynn est de frias.
        E eu fao isto porque posso.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


          Eu coloquei a coisa em meu bolso de trs, j o odiando. Trocar e-mail com Christian
 viciante, mas eu devo trabalhar. Ele vibra uma vez contra o meu traseiro... que hbil, eu
ironicamente penso, mas convocando toda a minha fora de vontade, eu o ignoro.
          As quatro, o Sr. e Sra. Clayton renem todos os outros empregados na loja, e durante
um discurso embaraoso de enrolar o cabelo, presenteia-me com um cheque de trezentos
dlares.
          Naquele momento, vm em minha mente os acontecimentos das trs ltimas semanas
de exames, graduao, intensas fodidas com um bilionrio, deflorao, limites duros e suaves,
salas de jogos sem consoles, passeios de helicptero e o fato que eu me mudarei amanh.
Incrivelmente, eu me seguro. Meu subconsciente est com temor. Eu abrao os Claytons bem
apertado. Eles foram gentis e generosos como empregadores, eu vou sentir falta deles.
          Kate est saindo de seu carro quando eu chego em casa.
          -- O que  isto? -- Ela diz acusadoramente, apontando para o Audi. Eu no posso
resistir.
          --  um carro, -- eu satirizo. Ela estreita os olhos, e por um breve momento, eu me
pergunto se ela vai me pr atravs de seus joelhos tambm. -- Meu presente de formatura. --
Eu tento agir com indiferena. Sim, eu recebo carros caros, dados para mim todos os dias.
Ela fica de boca aberta.
          -- Generoso, o bastardo acima de tudo, no ?
          Concordo com a cabea.
          -- Eu tentei no aceit-lo, mas francamente, no vale apena a briga.
          Kate aperta os lbios.
          -- No admira que voc esteja to sobrecarregada. Eu notei que ele ficou.
          -- Sim. -- Eu sorrio melancolicamente.
          -- Vamos terminar de empacotar?
          Concordo com a cabea e sigo-a para dentro. Eu verifico o e-mail de Christian.




                 226
        De: Christian Grey
        Assunto: Domingo
        Data: 27 de maio 2011 13:40
        Para: Anastsia Steele

        Devo v-la  1 da tarde de domingo?
        O mdico estar em Escala para v-la s 1:30.
        Eu estou partindo para Seattle agora.
        Espero que sua mudana seja ok, eu estou ansioso por domingo.

Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


         Droga, ele poderia estar discutindo o tempo. Eu decido enviar um e-mail assim que
ns terminarmos a embalagem, ele pode ser um minuto to divertido, e ento ele pode ser to
formal e sufocante.  difcil de continuar. Honestamente,  como um e-mail para um
empregado. Eu desvio meu olhar desafiadoramente e me junto a Kate para embalar.
         Kate e eu estamos na cozinha quando ouvimos uma batida na porta. Taylor est na
varanda, me olhando em seu terno impecvel. Eu noto o rastro de ex-soldado em seu corte de
cabelo curto, fsico elegante, e seu olhar frio.
         -- Senhorita Steele, -- ele diz. -- Eu vim por seu carro.
         -- Oh sim, claro. Entre, eu vou pegar as chaves.
         Seguramente isto est acima e alm da chamada do dever. Eu pergunto-me
novamente a descrio do trabalho de Taylor. Eu lhe entrego as chaves, e ns andamos em um
silncio desconfortvel para mim, em direo ao meu Fusca azul claro. Abro a porta e removo
a lanterna do porta-luvas.  isto a.
         No tem mais nada de pessoal em Wanda. Adeus, Wanda. Obrigada. Eu acaricio seu
teto enquanto fecho a porta do passageiro.
         -- H quanto tempo voc trabalha para o Sr. Grey? -- Eu pergunto.
         -- Quatro anos, Senhorita Steele.
         De repente, eu tenho um desejo irresistvel de bombarde-lo com perguntas. O que
este homem deve saber sobre Christian, todos os seus segredos. Entretanto, ele provavelmente
assinou um contrato de confidencialidade.
         Eu olho nervosamente para ele. Ele tem a mesma expresso taciturna de Ray, e
amorno com ele.

               227
          -- Ele  um bom homem, Senhorita Steele, -- ele diz, e ele sorri ligeiramente. Com
isto, ele me d um aceno de cabea, sobe em meu carro e vai embora.
          Apartamento, Fusca, Claytons,  tudo mudana agora. Eu agito minha cabea
enquanto eu vago de volta para dentro. E a maior mudana de todas  Christian Grey. Taylor
pensa que ele  um bom homem.
          Posso acreditar nele?
          Jos junta-se ns com comida chinesa em caixas para viagem, s oito. Ns
terminamos. Est tudo empacotado e pronto para mudar. Ele traz vrias garrafas da cerveja,
Kate e eu nos sentamos no sof enquanto ele est de pernas cruzadas no cho, entre ns. Ns
assistimos porcarias na TV, bebemos cerveja, e quando a noite avana, ns ternamente e em
voz alta relembramos, enquanto a cerveja faz seu efeito. Foram quatro anos muito bons.
          O clima entre Jos e eu voltou ao normal, o beijo tentado foi esquecido. Bem, ele foi
varrido para debaixo do tapete que minha deusa est deitada em cima, comendo uvas e
tocando seus dedos, a espera, no muito pacientemente, do domingo. Ouvimos uma batida na
porta e meu corao pula at a minha garganta. Ser?
          Kate responde a porta e est quase pulando fora de seus ps por Elliot. Ele a segura
num abrao de Hollywood, e rapidamente o abrao se transforma num apaixonado beijo no
estilo europeu. Honestamente... consigam um quarto. Jos e eu olhamos fixamente um para o
outro. Estou estarrecida com a falta de modstia.
          -- Vamos caminhar at o bar? -- Eu peo a Jos, que acena com a cabea
freneticamente. Ns estamos muito desconfortveis com o desenrolar de sexo desenfreado
diante de ns. Kate olha para mim, corada e com os olhos brilhantes.
          -- Jos e eu estamos saindo para uma bebida rpida. -- Afasto meus olhos dos dela.
Ha! Eu ainda posso afastar a vista quando eu quero.
          -- Certo, -- ela sorri.
          --Oi Elliot, adeus Elliot.
          Ele pisca um grande olho azul para mim, e Jos e eu estamos fora da porta, dando
uma risadinha, como adolescentes. Enquanto ns passeamos at o bar, eu ponho meu brao no
de Jos. Deus, ele  to descomplicado.
          -- Eu realmente no apreciei isto antes.
          -- Voc ainda vir para a abertura de minha amostra, no ?
          -- Claro, Jos, quando ?
          -- 9 de junho.
          -- Que dia ? -- De repente eu entrei em pnico.
          --  uma quinta-feira.
          -- Sim, eu devo vir... e voc nos visitar em Seattle?
          -- Tente me parar. -- Ele sorri.
 tarde quando eu volto do bar. Kate e Elliot no esto em nenhum lugar para serem
vistos, mas menino, eles podem ser ouvidos. Puta merda. Espero que eu no seja to
barulhenta. Eu sei que Christian no . Eu ruborizo com o pensamento e fujo para o meu
quarto. Depois de um abrao no de todo desajeitado, mas breve, Jos se foi. Eu no sei
quando o verei novamente, provavelmente, na sua apresentao fotogrfica, e mais uma vez,
estou encantada por ele finalmente ter uma exposio. Vou sentir faltar e de seu charme de
menino. Eu no pude contar-lhe sobre o Fusca, eu sei que ele vai pirar quando descobrir, mas

                  228
s posso lidar com um homem de cada vez pirando a minha volta. Uma vez no meu quarto, eu
verifico o computador, e claro, tem um e-mail de Christian.


        De: Christian Grey
        Assunto: Onde voc est?
        Data: 27 de maio 2011 22:14
        Para: Anastsia Steele

      `Eu estou no trabalho. Vou enviar e-mail para voc quando eu chegar em casa.'
      Voc est ainda no trabalho ou voc empacotou o seu telefone, BlackBerry e
MacBook?
      Ligue-me, ou posso ser forado a ligar para Elliot.

Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


         Droga... Jos... merda.
         Eu agarro meu telefone. Cinco chamadas perdidas e uma mensagem de voz. Como
tentativa, eu escuto a mensagem.  Christian.
         `Eu acho que voc precisa aprender a administrar minhas expectativas. Eu no sou
um homem paciente. Se voc disser que vai entrar em contato comigo quando voc terminar
de trabalhar, ento voc deve ter a decncia de faz-lo. Caso contrrio, eu me preocupo, e
no  uma emoo que eu estou familiarizado, e eu no tolero isto muito bem. Ligue-me.'
         Merda dupla. Ser que ele vai me dar uma pausa? Eu olho de cara feia para o
telefone. Ele est me sufocando. Com um medo profundo enrolando em meu estmago, eu
procuro o seu nmero e aperto para ligar. Meu corao est em minha boca enquanto eu
espero por ele responder. Ele provavelmente gostaria de bater sete sombras de demnios de
mim. O pensamento est me deprimindo.
         -- Oi, -- ele diz baixinho, e sua resposta me deixa fora de equilbrio, porque eu
estou esperando sua raiva, mas que qualquer coisa, ele parece aliviado.
         -- Oi, -- eu murmuro.
         -- Eu estava preocupado com voc.
         -- Eu sei. Eu sinto muito por no responder, mas eu estou bem.
         Ele faz uma pausa.
         -- Voc teve uma noite agradvel? -- Ele  decisivamente corts.
         -- Sim. Ns terminamos de empacotar e Kate e eu compartilhamos comida chinesa
com Jos. -- Eu fecho meus olhos firmemente quando digo o nome de Jos. Christian no diz
nada.
         -- E voc? -- Pergunto para preencher o abismo ensurdecedor do silncio repentino.
Eu no vou deixar que ele me faa sentir culpada sobre Jos.
                Eventualmente, ele suspira.


              229
        -- Eu fui a um jantar para angariar fundos. Foi mortalmente maante. Sa logo que
pude.
          Ele soava to triste e resignado. Meu corao apertou. Fico imaginando-o em todas
aquelas noites sentado atrs do piano em sua enorme sala de estar e a melancolia agridoce
insuportvel da msica que ele estava tocando.
          -- Eu gostaria que voc estivesse aqui, -- eu sussurro, porque eu tenho vontade de
segur-lo. Acalm-lo.
          Embora ele no me permita. Eu quero sua proximidade.
          -- Gostaria? -- Ele murmura suavemente. Maldio. Isto no soa como ele, e meu
couro cabeludo parece ter espinhos brotando, de apreenso.
          -- Sim, -- eu respiro. Depois de uma eternidade, ele suspira.
          -- Verei voc domingo?
          -- Sim, domingo, -- eu murmuro, e uma onda de excitao atravessa meu corpo.
          -- Boa noite.
          -- Boa noite, Senhor.
          Minha continncia o pega desprevenido, e eu ouvir seu suspiro.
          -- Boa sorte com sua mudana amanh, Anastsia. -- Sua voz  suave. E ns dois
estamos pendurados no telefone como adolescentes, quando nenhum dos dois quer desligar.
          -- Voc desliga, -- eu sussurro. Finalmente, eu sinto seu sorriso.
          -- No, voc desliga. -- E eu sei que ele est sorrindo.
          -- Eu no quero.
          -- Nem eu.
          -- Voc estava muito bravo comigo?
          -- Sim.
          -- Voc ainda est?
          -- No.
          -- Ento voc no vai me castigar?
          -- No. Eu sou um cara de age conforme o momento.
          -- Eu notei.
          -- Voc pode desligar agora, Senhorita Steele.
          -- Voc realmente me quer, Senhor?
          -- V para a cama, Anastsia.
          -- Sim, Senhor.
          Ns dois permanecemos na linha.
          -- Voc sempre acha que vai ser capaz de fazer o que diz? -- Ele est divertido e
irritado ao mesmo tempo.
          -- Talvez. Vamos ver depois de domingo. -- E eu aperto `fim' no telefone.




         Elliot se levanta e admira sua obra. Ele re-conectou a nossa TV ao sistema de satlite
no nosso apartamento da Pike Place Market. Kate e eu camos no sof dando uma risada,
impressionadas com seu talento com uma furadeira. A tela plana parece estranha contra a
convertida obra de alvenaria do armazm, mas sem dvida eu me acostumarei a isto.
                  230
         -- Veja querida, fcil. -- Ele sorriu um sorriso largo de dentes brancos, para Kate, e
ela quase literalmente se dissolve no sof.
         Reviro meus olhos para o casal.
         -- Eu adoraria ficar, querida, mas minha irm volta de Paris.  um jantar
compulsrio de famlia esta noite.
         -- Voc pode vir depois? -- Kate pede timidamente, toda suave e nem parecendo
Kate.
         Eu estou caminhando at a rea da cozinha com a pretenso de desempacotar uma
das caixas. Eles esto ficando muito pegajosos.
         -- Vou ver se consigo escapar, -- ele promete.
         -- Eu descerei com voc. -- Kate sorri.
         -- Adeus, Ana. -- Elliot sorri.
         -- Adeus, Elliot. Diga oi para Christian por mim.
         -- S oi? -- Suas sobrancelhas levantam sugestivamente.
         -- Sim. -- Eu ruborizo. Ele pisca para mim, e eu fico carmesim enquanto ele segue
Kate para fora do apartamento. Elliot  adorvel, to diferente de Christian. Ele  caloroso,
aberto, fsico, muito fsico, muito fsico, com Kate. Eles mal conseguem manter suas mos
longe um do outro, para ser honesta,  embaraoso e eu estou verde ervilha de inveja.
         Kate retornou mais ou menos vinte minutos mais tarde com pizza, ns nos sentamos
cercadas por engradados, em nosso novo espao aberto, comendo diretamente da caixa. O pai
de Kate nos fez sentir orgulhosas. O apartamento no  grande, mas grande o suficiente, trs
quartos e um espao grande com vista para Pike Place Market.  todo slido, com piso de
madeira e tijolos vermelhos, as bancadas da cozinha so de concreto liso, muito utilitrio,
muito agora. Ns duas adoramos estar no corao da cidade.
s oito o interfone zumbe. Kate d um salto e meu corao pula dentro da minha
boca.
         -- Entrega para Senhorita Steele, Senhorita Kavanagh. -- A decepo flui
livremente e de forma inesperada por minhas veias. No  Christian.
         -- Segundo andar, apartamento dois.
         Kate sacode o entregador. Ele fica de boca aberta quando v Kate, vestida com jeans
apertado, camiseta, cabelo preso com algumas mechas escapando. Ela tem esse efeito sobre os
homens. Ele segura uma garrafa de champanhe com um balo preso, ele tem forma de
helicptero. Ela d a ele um sorriso deslumbrante para mand-lo para seu caminho e continua
a ler em voz alta o carto para mim.
         Senhoras, boa sorte em sua nova casa, Christian Grey.
         Kate agita sua cabea com desaprovao.
         -- Por que ele s no pode escrever `de Christian'? E por que este balo em forma de
helicptero?
         -- Charlie Tango.
         -- O que?
         -- Christian voou comigo para Seattle em seu helicptero. -- Eu encolhi os ombros.
         Kate olha para mim de boca aberta. Eu tenho que dizer que, amo essas ocasies 
Katherine Kavanagh, muda e pavimentada, eles so to raros. Eu dou um sumrio do
momento luxuoso para ela apreciar.

                  231
         -- Sim, ele tem um helicptero, que ele prprio pilotou, -- afirmo com orgulho.
         -- Claro que o bastardo  obscenamente rico e tem um helicptero. Por que voc no
me contou? -- Kate olha acusadoramente para mim, mas ela est sorrindo, balanando a
cabea em descrena.
         -- Eu estive de cabea cheia ultimamente.
         Ela franze a testa.
         -- Voc vai ficar bem enquanto eu estiver fora?
         -- Claro. -- Eu respondo tranquilizadora. Nova cidade, sem emprego... namorado
dando trabalho.
         -- Voc deu a ele nosso endereo?
         -- No, mas o assdio  uma de suas especialidades. -- Eu medito, na verdade disso.
         A testa de Kate franze ainda mais.
         -- De alguma maneira eu no fico surpreendida. Ele me preocupa, Ana. Pelo menos
ele manda um bom champanhe e est gelado.
         Claro, s Christian enviaria champanhe gelado ou mandaria o seu secretrio para
fazer isto... ou talvez Taylor. Ns abrimos a champanhe, em seguida achamos as nossas
xcaras, elas foram os ltimos artigos a ser empacotados.
         -- Bollinger Grande Anne Ros 1999, uma vindima excelente. -- Eu sorrio para
Kate, ns tocamos as xcaras.
         Eu acordo cedo para um domingo de manh cinza, depois de uma noite de sono
surpreendentemente refrescante e ficar acordada olhando para as minhas caixas. Voc
realmente deve desempacot-los, acusou meu aborrecido subconsciente, apertando os lbios.
No... hoje  o dia. A minha deusa est fora de si, pulando de p para p. A antecipao trava
pesado e solene sobre a minha cabea como uma nuvem da tempestade tropical escura.
Borboletas inundam a minha barriga, bem como uma mais escura, carnal, cativante dor que eu
tento imaginar o que ele far para mim...  claro, eu tenho que assinar aquele maldito contrato
ou no? Eu ouo o sinal de correio eletrnico no computador no cho ao lado de minha cama.




        De: Christian Grey
        Assunto: Minha Vida em Nmeros
        Data: 29 de maio 2011 08:04
        Para: Anastsia Steele

         Se voc vier dirigindo, vai precisar deste cdigo de acesso para a garagem
subterrnea na Escala: 146963
         Estacione na vaga 5  que  minha.
         Codifique para o elevador: 1880

Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.



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        De: Anastsia Steele
        Assunto: Uma Vindima excelente
        Data: 29 de maio 2011 08:08
        Para: Christian Grey

        Sim Senhor. Compreendido.
        Obrigado pelo champanhe e o balo Charlie Tango, que est agora amarrado na
minha cama.

        Ana




        De: Christian Cinzento
        Assunto: Inveja
        Data: 29 de maio 2011 08:11
        Para: Anastsia Steele

        DE nada.
        No se atrase.
        Charlie Tango  sortudo.

        Christian Grey
        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


         Reviro meus olhos com a sua prepotncia, mas sua ltima linha me faz sorrir. Eu
dirigir-me ao banheiro, perguntando-me se Elliot conseguiu voltar ontem  noite e me
esforando para conter os meus nervos.
         Eu posso dirigir o Audi com sapatos de salto alto! s 12:55 da tarde precisamente,
eu entro na garagem do Escala e estaciono na vaga cinco. Quantas vagas ele possui? O Audi
SUV est l, o R8, e dois Audi SUVs menores... hmm. Eu verifico meu rmel, raramente
usado, na luz de vaidade do espelho. No tem um desses no Fusca.
         V menina! Minha deusa interior tem os seus pom pons na mo, ela est agindo
como lder de torcida.
         No espelho infinito do elevador, eu verifico meu vestido cor de ameixa, bem, vestido
ameixa de Kate.
         A ltima vez que eu o vesti, ele queria tir-lo de mim. Meu corpo aperta com o
pensamento.
         Oh meu, o sentimento  apenas requintado, e eu tento recuperar o flego. Eu estou
vestindo a roupa ntima que Taylor comprou para mim. Eu corei com o pensamento, ele
vagando pelos corredores da Agent Provocateur ou onde quer que tenha comprado isto, com


                233
seu cabelo de corte militar. As portas se abrem, e eu estou de frente para o hall com o nmero
do apartamento.
         Taylor espera nas portas duplas quando eu saio do elevador.
         -- Boa tarde, Senhorita Steele, -- ele diz.
         -- Oh, por favor me chame de Ana.
         -- Ana, -- ele sorri.
         -- O Sr. Grey est esperando por voc.
         Aposto que est.
         Christian est sentado em seu sof na sala de estar, lendo os jornais de domingo. Ele
olha para cima enquanto Taylor me dirige para a sala de estar. A sala  exatamente como eu
me lembro, j se passou uma semana inteira desde que estive aqui, mas parece que foi a mais
tempo. Christian parece frio e calmo, na verdade, ele parece divino. Ele est com uma camisa
branca de linho e cala jeans, sem sapato ou meias. Seu cabelo est desgrenhado e
despenteado, seus olhos cinza brilham maliciosamente para mim. Ele  de cair o queixo de to
bonito. Ele levanta e caminha em minha direo, com um sorriso divertido nos seus belos
lbios esculpidos.
         Eu estou parada na entrada da sala, paralisada por sua beleza e a doce antecipao do
que est por vir. A chama familiar entre ns est l, provocando devagar na minha barriga, me
chamando para ele.
         -- Hmm... esse vestido, -- ele murmura com aprovao, enquanto olha para mim.
-- Bem-vinda de novo, Senhorita Steele, -- ele sussurra, apertando meu queixo, ele se inclina
e me d um beijo gentil nos meus lbios. O toque de seus lbios nos meus reverbera em todo
o meu corpo. Minha respirao falha.
         -- Oi, -- eu sussurro enquanto ruborizo.
         -- Voc est na hora certa. Eu gosto que seja pontual. Venha. -- Ele toma minha
mo e me leva para o sof. -- Eu queria te mostrar uma coisa, -- ele diz enquanto ns nos
sentamos. Ele me entrega o Seattle Times. Na pgina oito, h uma fotografia de ns dois
juntos na cerimnia de formatura. Caramba. Eu estou no jornal. Eu verifico a legenda.
         Christian Grey e amiga na cerimnia de formatura no em WSU Vancouver.
         Eu rio.
         -- Ento eu sou sua `amiga ' agora.
         --  o que parece. E se est no jornal, ento deve ser verdade. -- Ele sorriu.
         Sentando ao meu lado, todo o seu corpo est voltado para mim, uma de suas pernas
dobrada debaixo da outra. Aproximando-se mais, ele dobra meu cabelo atrs de minha orelha
com seu longo dedo indicador. Meu corpo ganha vida com o seu toque, esperando e
necessitada.
         -- Ento, Anastsia, voc tem uma ideia muito melhor agora do que esta se metendo
que a outra vez que vieste aqui.
         -- Sim. -- Onde ele est querendo ir com isso?
         -- E ainda assim voc voltou.
         Concordo com a cabea timidamente, seus olhos cinzentos brilham. Ele balana a
cabea ligeiramente como se ele estivesse lutando com a ideia.
         -- Voc j comeu? -- Ele pergunta inesperadamente.
         Merda.

                 234
         -- No.
         -- Voc est com fome? -- Ele est realmente tentando no parecer aborrecido.
         -- No de comida, -- eu sussurro, e suas narinas incendeiam um pouco em reao.
         Ele se inclina e sussurra em meu ouvido.
         -- Voc est to ansiosa como sempre, Senhorita Steele, e s para contar-lhe um
pequeno segredo, eu tambm. Mas o Dr. Greene  esperado aqui em breve. -- Ele senta-se. --
Eu gostaria que voc comesse, -- ele ligeiramente me ralha.
         Meu sangue aquecido esfria. Caramba, o mdico. Eu tinha esquecido.
         -- O que voc pode-me dizer sobre Dr. Greene? -- Eu peo para nos distrair, a
ambos.
         -- Ela  o melhor em Obstetrcia/Ginecologia em Seattle. O que mais eu posso
dizer? -- Ele encolhe os ombros.
         -- Eu pensei que eu estaria vendo o seu mdico, e no me diga que voc  realmente
uma mulher, porque eu no acreditarei em voc.
         Ele me d um olhar de `deixe de ser ridcula'.
         -- Eu penso que  mais apropriado que voc consulte um especialista. No ? -- Ele
diz suavemente.
         Eu concordo com a cabea. Santo Deus, se ela  a melhor Obstetra/Ginecologista, ele
est marcado ela para me ver num domingo, na hora do almoo! Eu no posso comear a
imaginar quanto isso vai custar. Christian, de repente, franze a testa, como se recordando algo
desagradvel.
         -- Anastsia, minha me gostaria que voc viesse para jantar hoje  noite. Acredito
que Elliot est pedindo a Kate tambm. Eu no sei como voc se sente sobre isso. Ser
estranho para mim apresent-la para minha famlia.
         Estranho? Por qu?
         -- Voc tem vergonha de mim? -- Eu no posso manter a dor fora da minha voz.
         -- Claro que no. -- Ele revira seus olhos para mim.
         -- Por que  estranho?
         -- Porque eu nunca fiz isto antes.
         -- Por que voc tem permisso para desviar a vista e eu no?
         Ele pisca em mim.
         -- Eu no sabia que eu estava.
         -- Nem eu, normalmente, -- eu respondo para ele.
         Christian olha para mim, mudo. Taylor aparece na porta.
         -- Dr. Greene est aqui, Senhor.
         -- Mostre a ela o quarto da Senhorita Steele.
         Quarto da senhorita Steele!
         -- Pronta para um pouco de contracepo? -- Ele pergunta enquanto ele levanta e
estende sua mo para mim.
         -- Voc no vir comigo? -- Eu suspiro, chocada.
         Ele ri.
         -- Eu pagaria um bom dinheiro para assistir, acredite em mim, Anastsia, mas eu
no penso que a boa doutor aprovaria.


                  235
         Tomo a sua mo, e ele me puxa para os seus braos e beija-me profundamente. Eu
enganchei em seus braos, tomada pela surpresa. Sua mo est em meu cabelo segurando
minha cabea, e ele me puxa contra ele, sua testa contra a minha.
         -- Eu estou to feliz por voc estar aqui, -- ele sussurra. -- Eu no posso esperar
para deix-la nua.




               236
          Captulo 18

          Dra. Greene  alta, loira e imaculada, vestido em um terno azul real. Lembro-me da
mulher que trabalha no escritrio de Christian. Ela tem o visual de modelo, outra loira
Stepford28. Seu cabelo longo  varrido para cima em um coque elegante. Ela deve estar em
seus quarenta e poucos anos.
          -- Sr. Grey. -- Ela aperta a mo estendida de Christian.
          -- Obrigado por vir em um prazo to curto, -- diz Christian.
          -- Obrigada por fazer valer a pena, Sr. Grey. Senhorita Steele. -- Ela sorri, seus
olhos esfriam me avaliando.
          Ns apertamos as mos, e eu percebo que ela  uma daquelas mulheres que no
tolera tolos de bom grado. Como Kate. Eu gosto dela imediatamente. Ela d a Christian um
olhar aguado, e depois de uma batida desajeitada, ele toma a sua sugesto.
          -- Eu estarei no andar de baixo, -- ele murmura, e ele deixa o que parece ser o meu
quarto.
          -- Bem, Senhorita Steele. O Sr. Grey est me pagando uma pequena fortuna para lhe
atender. O que eu posso fazer para voc?
          Depois de um exame completo e uma longa discusso, a Dra. Greene e eu decidimos
pela mini-plula. Ela escreve para mim uma receita pr-paga e me diz para busc-las amanh.
Eu amo a sua atitude sem tolices, ela me instruiu at que estivesse to azul quanto sua roupa,
para tom-la todos os dias no mesmo horrio. E noto que ela esta morrendo de curiosidade a
respeito da minha relao com Sr. Grey. Eu no dou nenhum detalhe sobre isso. De alguma
maneira, eu acho que ela no pareceria to calma se ela visse o Quarto Vermelho da Dor dele.
Eu ruborizo quando ns passamos pela porta fechada e voltamos para o andar de baixo, para a
galeria de arte que  a sala de estar de Christian.
          Christian estava lendo, acomodado em seu sof. Uma melodia empolgante estava
tocando no aparelho de som, rodando em volta dele, segregando-o, enchendo o quarto com
uma musica doce, de encher a alma.
          Por um momento, ele parece sereno. Ele se vira e olha para ns quando entramos e
sorri calorosamente em mim.
          -- J acabou? -- Ele pergunta como se estivesse genuinamente interessado. Ele
aponta o controle remoto para uma elegante caixa branca embaixo da lareira que aloja seu
iPod, e a melodia requintada diminui, mas continua no fundo. Levantando, ele caminha em
nossa direo.
          -- Sim, Sr. Grey. Cuide dela, ela  uma mulher bonita, jovem e brilhante.
          Christian est surpreendido, assim como eu. Que coisa imprpria para um mdico
dizer. Ela est dando a ele algum tipo de advertncia no to sutil? Christian se recupera.
          -- Esta  minha inteno, -- ele murmurou, confuso.
     28
            The Stepford Wives (Mulheres Perfeitas ou As Possudas, disponvel no mercado literrio brasileiro
           com ambos os ttulos)  um romance de 1972 escrito por Ira Levin, baseados no qual foram lanados dois
           filmes homnimos: em 1975 e em 2004.
                                       237
           Olhando para ele, eu encolho os ombros, envergonhada.
           -- Eu vou lhe enviar a minha conta, -- ela diz decisivamente enquanto ela agita a
sua mo.
          -- Bom dia e boa sorte para voc, Ana. -- Ela sorri, seus olhos enruga quando ela
faz isso, enquanto ns apertamos as mos.
          Taylor aparece do nada para acompanh-la atravs das portas duplas e para o
elevador. Como ele faz isso? Onde ele se esconde?
          -- Como foi isso? -- Christian pergunta.
          -- Muito bem, obrigada. Ela disse que eu tenho que me privar de toda atividade
sexual pelas prximas quatro semanas.
          Christian fica de boca aberta, em choque, eu no posso me manter sria e sorrio para
ele como uma idiota.
          -- Te peguei!
          Ele aperta os olhos, eu imediatamente paro de rir. Na verdade, ele parece bastante
ameaador. Oh merda. Meu subconscientes se esconde no canto, enquanto todo o sangue do
meu rosto  drenado, eu o imagino me pondo atravs de seu joelho novamente.
          -- Te peguei! -- Ele diz e sorri. Ele agarra-me pela minha cintura e me puxa contra
ele. -- Voc  incorrigvel, Senhorita Steele, -- ele murmura, olhando em meus olhos
enquanto ele tece seus dedos em meu cabelo, segurando-me firmemente no lugar. Ele me
beija duro, e eu agarro os seus braos musculosos para apoio.
          -- Como eu gostaria de tomar voc aqui, agora, voc precisa comer e eu tambm.
No quero voc desmaiando em mim mais tarde, -- ele murmura contra meus lbios.
          -- Isto  tudo que voc quer? O meu corpo. -- Eu sussurro.
                -- Essa sua boca esperta, -- ele respira.
          Ele me beija apaixonadamente de novo, e abruptamente me libera, tomando minha
mo e me leva para a cozinha. Eu estou em choque. Num minuto estamos brincando e no
outro... eu abano meu rosto aquecido. Ele  apenas sexo, e agora eu tenho que recuperar meu
equilbrio e comer algo. A melodia ainda est tocando no fundo.
          -- Que msica  essa?
          -- Villa Lobos, uma ria das Bachianas Brasileiras. Bom, no ?
          -- Sim, -- eu murmuro em total acordo.
          A mesa do caf da manh est preparada para dois; Christian pega uma tigela de
salada da geladeira.
          -- Galinha Caesar e salada, est bom para voc?
          Oh graas a Deus, nada muito pesado.
          -- Sim, muito obrigado.
          Eu vejo como ele se move graciosamente por sua cozinha. Ele est muito  vontade
com seu corpo em um nvel, entretanto ele no gosta de ser tocado... talvez por isso, no
fundo, ele no est. Nenhum homem  uma ilha, eu penso, exceto, talvez, Christian Grey.
          -- O que voc est pensando? -- Ele pergunta, puxando-me de meu devaneio. Eu
ruborizo.
          -- Eu estava s assistindo o modo como voc se move.
          Ele levanta uma sobrancelha, divertido.
          -- E? -- Ele diz secamente.

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          Eu coro um pouco mais.
          -- Voc  muito gracioso.
          -- Muito obrigado, Senhorita Steele, -- ele murmura. Ele se senta ao meu lado,
segurando uma garrafa de vinho. -- Chablis?
          -- Por favor.
          -- Sirva voc mesma a salada, -- ele diz, sua voz  suave.
          -- Diga-me, que mtodo voc optou?
          Eu estou momentaneamente confusa por sua pergunta, quando percebo que ele est
conversando sobre a visita da Dra. Greene.
          -- Mini Plula.
          Ele franze a testa.
          -- E voc vai se lembrar de tom-la regularmente, na hora certa, todos os dias?
          Droga... claro que vou. Como ele sabe? Eu coro com o pensamento, provavelmente
de um ou mais das quinze.
          -- Eu estou certa que voc lembrar por mim, -- eu secamente murmuro.
          Ele olha para mim com condescendncia divertida.
          -- Eu vou colocar um alarme em meu calendrio. -- Ele sorri. -- Coma.
          A galinha Caesar est deliciosa. Para minha surpresa, eu estou morta de fome, e pela
primeira vez, que desde que estou com ele, eu termino minha comida antes dele. O vinho 
ntido, limpo, e frutado.
          -- Ansiosa como sempre, Senhorita Steele? -- Ele sorri para meu prato vazio.
          Eu olho para ele por debaixo de meus clios.
          -- Sim, -- eu sussurro.
          Sua respirao muda. E como ele olha fixamente para mim, eu sinto que a atmosfera
entre ns lentamente est mudando, evoluindo... carregando. Seu olhar vai de escuro at
queimar sem chama, levando-me com ele.
          Ele se levanta, diminuindo a distncia entre ns, e me ergue e carrega-me para fora
de meu banquinho do bar em seus braos.
          -- Voc quer fazer isto? -- Ele respira, olhando para mim atentamente.
          -- Eu no assinei nada.
          -- Eu sei -- mas eu estou quebrando todas as regras neste dia.
          -- Voc vai me bater?
          -- Sim, mas no ser para machucar voc. Eu no quero castigar voc agora. Se voc
me pegasse ontem  noite, bem, isso teria sido uma histria diferente.
          Puta merda. Ele quer me machucar... como eu lido com isso? Eu no posso esconder
o horror em meu rosto.
          -- No deixe ningum tentar e convencer voc de outra coisa, Anastsia. Uma das
razes para as pessoas como eu fazer isso  porque ns gostamos de dar ou receber dor. 
muito simples. Assim no invista seu tempo em pensar o porqu disso.
          Ele me puxa contra ele, e pressiona a ereo em minha barriga. Eu devia correr,
mas eu no posso. Estou atrada por ele em algum nvel profundo, elementar, que eu no
posso comear a entender.
          -- Voc chegou a qualquer concluso? -- Eu sussurro.


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          -- No, e agora mesmo, eu s quero amarrar voc e fod-la sem sentido. Voc est
pronta para isso?
          -- Sim, -- eu respiro, enquanto tudo em meu corpo aperta de uma vez... uau.
                 -- Bom. Venha. -- Ele toma minha mo e, deixando todos os pratos sujos na
mesa do caf da manh, ns seguimos para o andar de cima.
          Meu corao comea a acelerar.  isso. Eu realmente vou fazer isso. Minha deusa
est girando como uma bailarina de classe mundial, pirueta depois de pirueta. Ele abre a porta
para sua sala de jogos, afastando para que eu possa entrar, eu estou mais uma vez no Quarto
Vermelho da Dor. Ainda  o mesmo, o cheiro de couro, frutas ctricas, madeira escura polida,
todo muito sensual. Meu sangue est correndo aquecido e assustado pela adrenalina misturada
com luxria e desejo em meu sistema.  um coquetel arrojado, potente. Christian mudou de
postura completamente, sutilmente se alterou, est mais duro e mais cruel. Ele olha para mim
e seus olhos esto aquecidos, lascivos... hipnticos.
          -- Quando voc est aqui, voc  completamente minha, -- ele respira, cada palavra
 lenta e medida. -- Para fazer como eu achar melhor. Voc entende?
          Seu olhar  to intenso. Concordo com a cabea, minha boca est seca, meu corao
bate de tal forma que parece querer sair de meu peito.
          -- Tire os sapatos, -- ele ordena suavemente.
          Eu engulo, e bem desajeitada, tiro-os. Ele se inclina e paga-os e os deposita ao lado
da porta.
          -- timo. No hesite quando eu lhe pedir para fazer alguma coisa. Agora eu vou
tirar este vestido de voc. Algo que eu queria fazer a alguns dias, se bem me lembro. Eu quero
que voc esteja confortvel com seu corpo, Anastsia. Voc tem um corpo bonito, e eu gosto
de olhar para ele.  uma alegria para meus olhos. De fato, eu podia olhar voc o dia todo, e eu
no quero voc embaraada ou envergonhada com a sua nudez. Voc entende?
          -- Sim.
          -- Sim, o que? -- Ele se inclina para mim, olhando.
          -- Sim, Senhor.
          -- Voc quer dizer isso? -- Ele estala.
          -- Sim, Senhor.
          -- Bom. Erga seus braos acima de sua cabea.
          Eu fao conforme fui instruda, ele se abaixa e agarra a bainha do vestido.
Lentamente, ele puxa meu vestido bem acima de minhas coxas, meus quadris, minha barriga,
meus seios, meus ombros e acima de minha cabea. Ele est me examinando novamente e
distraidamente dobra meu vestido, sem tirar os olhos de mim.
          Ele o coloca na caixa grande ao lado da porta. Alcanando-me, ele puxa o meu
queixo, seu toque me queimando.
          --Voc est mordendo o lbio, -- ele respira. -- Voc sabe o que isso faz para mim,
-- ele acrescenta sombriamente. -- Vire-se.
          Viro-me imediatamente, sem hesitao. Ele desabotoa meu suti e ento toma ambas
as alas, lentamente ele puxa para baixo de meus braos, roando a minha pele com seus
dedos e a ponta de suas unhas dos polegares, enquanto desliza meu suti. Seu toque envia
calafrios pela minha espinha abaixo, despertando todas as terminaes nervosas de meu
corpo. Ele est de p atrs de mim, to perto que eu sinto o calor que irradia dele, aquecendo-

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me, aquecendo-me toda. Ele puxa meu cabelo que cai solto por minhas costas, pega um
punhado em minha nuca, e angula minha cabea para um lado. Ele corre seu nariz no meu
pescoo exposto, inalando todo o caminho, ento vai at minha orelha. Os msculos da minha
barriga se apertam, carnal e querendo. Droga, ele mal me tocou, e eu o quero.
         -- Voc cheira to divino como sempre, Anastsia, -- ele sussurra enquanto coloca
um beijo suave em baixo de minha orelha.
         Eu gemo.
         -- Quieta, -- ele respira. -- No faa um som.
         Puxando meu cabelo atrs de mim, para minha surpresa, ele comea a tran-lo em
uma trana grande, seus dedos rpidos e geis. Ele amarra isso com algo que no vejo e
quando acaba d um puxo rpido, assim sou forada a voltar contra ele.
         -- Gosto de seu cabelo tranado assim, -- ele sussurra.
         Hmm... por qu?
         Ele libera o meu cabelo.
         -- Vire-se, -- ele ordena.
         Eu fao como ele manda, minha respirao est difcil, medo e desejo misturados. 
uma mistura intoxicante.
         -- Quando eu disser a voc para entrar aqui, assim  como voc deve estar vestida.
S de calcinha. Voc entende?
         -- Sim.
         -- Sim, o que? -- Ele franze a testa para mim.
         -- Sim, Senhor.
         Um trao de um sorriso ergue o canto de sua boca.
         -- Boa menina. -- Seus olhos queimam nos meus. -- Quando eu disser a voc para
entrar aqui, eu espero que voc se ajoelhe ali. -- Ele aponta para um lugar ao lado da porta.
-- Faa isto agora.
         Eu pisco, processando suas palavras, me viro e bastante desajeita me ajoelho-me
como indicado.
         -- Voc pode se sentar-se sobre os calcanhares.
         Sento-me de volta.
         -- Coloque suas mos e antebraos apoiados nas coxas. Bom. Agora separe os seus
joelhos. Mais amplo. Mais amplo. Perfeito. Olhe abaixo no cho.
         Ele caminha para mim, e eu posso ver seus ps e pernas em meu campo de vista. Ps
descalos.
         Eu devia estar tomando notas se ele quiser que eu me lembre. Ele se abaixa e pega
minha trana novamente, ento puxa minha cabea para trs, assim eu estou olhando nele. 
apenas no doloroso.
         -- Voc vai se lembrar dessa posio, Anastsia?
         -- Sim, Senhor.
         -- Bom. Fique aqui, no se mova. -- Ele deixa o quarto.
         Eu estou de meus joelhos, esperando. Onde ele foi? O que ele vai fazer comigo? O
tempo passa. Eu no tenho ideia de quanto tempo ele me deixou assim... alguns minutos,
cinco, dez? Minha respirao fica mais rasa, a antecipao est me devorando de dentro para
fora.

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         E, de repente, ele est de volta, subitamente eu estou mais calma e mais animada na
mesma respirao. Eu poderia estar mais excitada? Eu posso ver seus ps. Ele trocou sua
cala jeans. Esta  mais velha, rasgada, macia e super lavada. Caramba. Esta cala jeans 
quente. Ele fecha a porta e trava algo na parte traseira.
         -- Boa garota, Anastsia. Voc est linda assim. Bem feito. Levante-se.
         Eu levanto, mas mantenho meu rosto abaixado.
         -- Voc pode olhar para mim.
         Eu olho para ele, e ele est me olhando atentamente, avaliando, mas seus olhos
suavizam. Ele tira sua camisa. Oh meu... eu quero toc-lo. O boto superior de sua cala
jeans  desfeito.
         -- Eu vou acorrentar voc agora, Anastsia. D-me sua mo direita.
         Dou-lhe minha mo. Ele vira a palma para cima, e antes de eu perceba, ele esmaga o
centro com um chicote, eu no o tinha notado em sua mo direita. Isso acontece to
rapidamente que a surpresa quase no registra. Ainda mais surpreendente, no machuca. Bem,
no muito, apenas uma picada de dor ligeira.
         -- Como que sente? -- Ele pergunta.
         Eu pisco para ele, confusa.
         -- Responda-me.
         -- Ok. -- Eu franzo a testa.
         -- No franza a testa.
         Eu pisco e tento ficar impassvel. Eu tenho sucesso.
         -- Isso machucou?
         -- No.
         -- Isto no vai machucar. Voc entende?
         -- Sim. -- Minha voz est incerta. Ele realmente no vai me machucar?
         -- Eu falo srio, -- ele diz.
         Droga, minha respirao  to superficial. Ser que ele sabe o que eu estou
pensando? Ele me mostra o chicote.  de couro marrom tranado. Meus olhos disparam ao
encontro dos seus, eles esto acesos como chamas e com um rastro de diverso.
         -- Nosso objetivo  agradar, Senhorita Steele, -- ele murmura. -- Venha. -- Ele
toma meu cotovelo e me move para em baixo da grade. Ele empurra para cima e para baixo
algumas correntes com punhos de couro preto. -- Esta grade  projetada para as correntes se
moverem atravs da grade.
         Olho para cima. Puta merda,  como um mapa do metr.
         -- Ns vamos comear aqui, mas eu quero te foder em p. Ento ns vamos acabar
naquela parede ali. -- Ele aponta com o chicote para onde est um grande X de madeira na
parede.
         -- Ponha suas mos acima de sua cabea.
         Eu imediatamente obedeo, sentindo como se eu estivesse saindo do meu corpo, uma
observadora casual dos acontecimentos  medida que se desenrolam em torno de mim. Isto
est alm de fascinante, alm de ertico.  singularmente a coisa mais excitante e assustadora
que eu j fiz. Eu estou confiando-me a um homem bonito que, por sua prpria admisso, 
cinquenta sombras ruins. Eu suprimo a excitao breve do medo. Kate e Elliot, eles sabem
que eu estou aqui.

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           Ele est muito perto quando prende as algemas. Eu estou olhando para seu peito. Sua
proximidade  divina. Ele cheira a corpo lavado e Christian, uma mistura inebriante, e que me
arrasta de volta para o agora. Eu quero correr meu nariz e lngua atravs desse punhado de
cabelo no peito.
           Eu poderia simplesmente me inclinar para frente...
           Ele d um passo para trs e olha para mim, sua expresso  coberta, lasciva, carnal, e
eu sou impotente, minhas mos amarradas, mas s olhando para seu rosto adorvel, lendo sua
necessidade e desejo por mim, eu posso sentir a umidade entre minhas pernas. Ele caminha
lentamente em volta de mim.
           -- Voc parece poderosa, mesmo amarrada assim, Senhorita Steele. E sua boca
esperta, est quieta no momento. Assim que eu gosto.
           Ficando em minha frente novamente, ele engancha seus dedos em minha calcinha,
em um ritmo lento, retira-a pelas minhas pernas, sem pressa, dolorosamente devagar, de modo
que ele acaba de joelhos diante de mim. No tirando seus olhos dos meus, ele aperta a minha
calcinha em sua mo, leva-a at seu nariz e inala profundamente. Puta merda. De verdade ele
fez isso? Ele sorri maliciosamente para mim, dobra-a e a coloca no bolso de sua cala jeans.
           Desenrolando-se, levanta-se preguiosamente, como um gato selvagem, ele aponta o
fim do chicote para o meu umbigo, vagarosamente circulando, atormentando-me. No toque do
couro, eu tremo e suspiro. Ele anda em volta de mim novamente, arrastando o chicote em
torno do meu corpo. Em seu segundo circuito, ele de repente sacode o chicote e bate no meu
traseiro... contra meu sexo. Eu clamo de surpresa, enquanto todas as minhas terminaes
nervosas ficaram em alerta. Eu puxo contra as restries. O choque corre atravs de mim, com
o mais doce e mais estranho sentimento de prazer.
           -- Quieta, -- ele sussurra enquanto caminha ao redor de mim novamente, o chicote
ligeiramente mais alto, em torno do meio de meu corpo. Desta vez, quando ele sacode isso
contra mim, no mesmo lugar, eu estou antecipando-o... oh meu Deus. Meu corpo
convulsiona na mordida doce do ardor.
           Enquanto ele faz seu caminho em torno de mim, ele sacode novamente, desta vez
batendo em meu mamilo, e eu jogo minha cabea para trs, enquanto as terminaes nervosas
cantam. Ele bate de novo... um breve, rpido, doce castigo. Meus mamilos endurecem e
alongam com o ataque, eu ruidosamente gemo, puxando meus punhos de couro.
           -- Isso parece bom? -- Ele respira.
           -- Sim.
           Ele me bate novamente entre as ndegas. Desta vez me di.
           -- Sim o que?
           -- Sim, Senhor, -- eu choramingo.
           Ele d uma parada... mas eu no posso mais v-lo. Meus olhos esto fechados
enquanto eu tento absorver a mirade de sensaes que circulam pelo meu corpo. Muito
lentamente, ele chove pequenas lambidas do chicote abaixo, na minha barriga, indo para o sul.
Eu sei onde isto est levando, e tento preparar-me para isso, mas quando ele bateu em meu
clitris, eu ruidosamente clamo.
           -- Oh... por favor! -- Eu gemo.
           -- Quieta, -- ele ordena e bate novamente em meu traseiro.


                    243
         Eu no esperava que isso fosse assim... eu estou perdida. Perdida em um mar de
sensaes. E, de repente, ele est arrastando o chicote contra meu sexo, pelos meus plos
pubianos, at a entrada da minha vagina.
         -- Veja como voc est molhada, Anastsia. Abra seus olhos e sua boca.
         Eu fao como ele ordena, completamente seduzida. Ele empurra a ponta do chicote
em minha boca, como no meu sonho. Puta merda.
         -- Sinta o seu sabor. Chupe. Chupe duro, beb.
         Minha boca se fecha em torno do chicote, enquanto fixo os meus olhos nos dele. Eu
posso saborear o couro rico e o salinidade de minha excitao. Seus olhos esto ardendo. Ele
est em seu elemento.
         Ele puxa a ponta de minha boca, enquanto fica na minha frente e me agarra e me
beija duramente, sua lngua invadindo minha boca. Envolvendo seus braos ao redor mim, ele
me puxa contra ele. Seu peito esmaga o meu, e eu coo para toc-lo, mas eu no posso,
minhas mos esto inteis acima de mim.
         -- Oh, Anastsia, voc tem um gosto to bom, -- ele respira. -- Eu devo fazer voc
gozar?
         -- Por favor, -- eu imploro.
         O chicote morde minhas ndegas. Ow!
         -- Por favor, o que?
         -- Por favor, Senhor, -- eu choramingo.
         Ele sorri para mim, triunfante.
         -- Com isto? -- Ele segura o chicote para que eu possa v-lo.
         -- Sim, Senhor.
         -- Voc tem certeza? -- Ele olha fixamente para mim.
         -- Sim, por favor, Senhor.
         -- Feche seus olhos.
         Eu fecho e o quarto est fora, ele est fora... o chicote fora. Ele comea com
pequenas lambidas do chicote contra minha barriga mais uma vez. Descendo, pequenas
lambidas suaves contra meu clitris, uma vez, duas, trs vezes, repetidas vezes, at que,
finalmente,  isso, eu no posso aguentar mais e eu gozo, gloriosamente, ruidosamente,
ficando fraca. Seus braos enrolam ao meu redor, enquanto minhas pernas viravam geleia. Eu
dissolvo em seu abrao, minha cabea contra seu trax, estou choramingando e gemendo,
enquanto os tremores de meu orgasmo me consomem. Ele me ergue, e de repente estamos nos
movendo, meus braos ainda amarrados acima de minha cabea, e eu posso sentir a madeira
fresca da cruz polida em minhas costas, e ele est abrindo os botes em sua cala jeans. Ele
me derruba contra a cruz brevemente, enquanto ele desliza um preservativo, e ento suas
mos embrulham ao redor minhas coxas e ele me ergue novamente.
         -- Erga suas pernas, beb, envolva-as em torno de mim.
         Eu me sinto to fraca, mas eu fao como ele pede e ele envolve minhas pernas ao
redor de seus quadris e se posiciona abaixo de mim. Com um impulso, ele est dentro de mim,
eu choro novamente, escutando seu gemido abafado em minha orelha. Meus braos esto
descansando em seus ombros enquanto ele empurra dentro mim. Porra,  profundo deste
modo. Ele empurra novamente e de novo, seu rosto em meu pescoo, sua respirao spera
em minha garganta. Eu sinto crescer novamente. Droga, no... no novamente... eu no

               244
penso que meu corpo vai aguentar mais outro momento da terra tremendo. Mas eu no tenho
nenhuma escolha... e com uma inevitabilidade que est se tornando familiar, eu deixo ir e
gozo novamente,  doce, angustiante e intenso.
         Eu perco todo o sentido de mim mesma. Christian segue, gritando a sua liberao
com os dentes cerrados e me segurando forte e mais perto.
         Ele retira-se de mim rapidamente e me empurra contra a cruz, seu corpo se apoiando
no meu. Desafivelando as algemas, ele livra minhas mos, e ambos camos no cho. Ele me
puxa em seu colo, embalando-me, e eu inclino a minha cabea contra seu trax. Se eu tivesse
fora, eu o tocaria, mas eu no fao. Tardiamente, eu percebo que ele est ainda vestindo sua
cala jeans.
         -- Bem feito, beb, -- ele murmura. -- Isso machucou?
         -- No, -- eu respiro. Eu posso apenas manter meus olhos abertos. Por que eu estou
to cansada?
         -- Voc esperava por isso? -- Ele sussurra enquanto ele segura-me perto, seus dedos
empurrando algumas mechas fugitivas de cabelo fora de meu rosto.
         -- Sim.
         -- Voc v, a maior parte de seu medo est em sua cabea, Anastsia, -- ele pausa.
-- Voc faria isto novamente?
         Eu penso por um momento, enquanto nuvens de fadiga atravessam meu crebro...
novamente?
         -- Sim. -- Minha voz  to suave.
         Ele me abraa firmemente.
         -- Bom. Ento, eu tambm, -- ele murmura, ento se inclina e suavemente beija o
topo de minha cabea. -- E eu no terminei com voc ainda.
         No terminou comigo ainda. Santo Deus. No h nenhum modo que eu possa fazer
mais nada. Eu estou totalmente gasta e lutando um desejo irresistvel de dormir. Eu estou
apoiada contra seu trax, meus olhos esto fechados, e ele est embrulhado ao redor mim,
braos e pernas e eu me sinto... segura, e oh to confortvel. Ser que ele vai me deixar
dormir, talvez sonhar? Minha boca aperta com o pensamento tolo e virando meu rosto para o
peito de Christian, eu inalo seu odor sem igual e estremeo, mas imediatamente ele... oh
merda. Abro meus olhos e olho para ele. Ele est olhando fixamente para mim.
         -- No faa, -- ele adverte.
         Eu ruborizo e olho de volta para o seu peito com desejo. Eu quero correr minha
lngua pelo cabelo, beij-lo e pela primeira vez, eu noto que ele tem algumas fortuitas
pequenas cicatrizes redondas espalhadas ao redor de seu peito. Catapora? Sarampo? Eu
penso distraidamente.
         -- Ajoelhe-se perto da porta, -- ele ordena, enquanto se senta novamente, pondo
suas mos sobre os joelhos, efetivamente me liberando. No mais morno, a temperatura de
sua voz caiu vrios graus.
         Eu tropeo desajeitadamente para a posio ereta, levanto e vou me ajoelhar perto da
porta e como instruda. Eu estou trmula e muito, muito cansada, monumentalmente confusa.
Quem teria pensado que eu poderia encontrar tal satisfao neste quarto. Quem podia ter
pensado que seria to desgastante? Meus membros so deliciosamente pesados, saciados.
Minha deusa tem um sinal de `No perturbe ' no lado de fora de seu quarto.

                245
          Christian est se movendo na periferia de minha vista. Meus olhos comeam a
fechar.
          -- Estou chateando voc, Senhorita Steele?
          Eu pulo, acordando e Christian est em p na minha frente, com os braos cruzados,
olhando para mim. Oh merda, pega de surpresa, isso no vai ser bom. Seus olhos suavizam
quando eu olho para ele.
          -- Levante-se, -- ele ordena.
          Eu levanto cautelosamente. Ele olha para mim e sua boca aperta para cima.
          -- Voc est quebrada, no ?
          Concordo com a cabea timidamente, corando.
          -- Fibra, Senhorita Steele. -- Ele estreita seus olhos para mim. -- Eu no tive minha
dose de voc ainda. Segure as mos na frente como se voc estivesse rezando.
          Eu pisco para ele. Rezando! Rezando para voc maneirar comigo. Eu fao como ele
disse. Ele toma uma braadeira e amarra em volta de meus pulsos, apertando o plstico. Santo
Inferno. Meus olhos voam para os seus.
          -- Parece familiar, -- ele pergunta, incapaz de esconder seu sorriso.
          Merda... as braadeiras de plstico. Ele estava se reabastecendo no Clayton! Tudo se
torna claro. Eu engasgo quando picos de adrenalina passam por meu corpo novamente. Ok,
agora voc tem a minha ateno, eu estou acordada agora.
          -- Eu tenho uma tesoura aqui. -- Ele a segura para que eu possa ver. -- Eu posso
cortar fora de voc em um momento.
          Eu tento puxar os meus pulsos separadamente, testando minhas algemas, e quando
fao, o plstico morde a minha carne,  dolorido, mas se eu relaxar meus pulsos, eles ficam
bem, a algema no est cortando em minha pele.
          -- Venha. -- Ele toma minhas mos e me leva para a cama de dossel. Eu noto agora
que tem lenis vermelho escuro sobre ela e uma algema em cada canto.
          -- Eu quero mais, muito, muito mais, -- ele se inclina e sussurra em meu ouvido.
          Meu corao para e comea a bater novamente. Oh cus.
          -- Mas eu farei isto rpido. Voc est cansada. Segure-se no poste, -- ele diz.
          Eu franzo a testa. No na cama, ento? Eu acho que eu posso separar minhas mos
enquanto pego o adorno esculpido do poste de madeira.
          -- Abaixe, -- ele ordena. --B om. No goze. Se o voc fizer, eu espancarei voc.
Entendeu?
          -- Sim, Senhor.
                -- Bom.
          Ele permanece atrs de mim e aperta meus quadris, ento, rapidamente levanta-me
para trs assim que eu estou inclinada para frente, segurando o poste.
          -- No goze Anastsia, -- ele adverte. -- Eu vou foder voc duro, por detrs. Segure
o poste para sustentar seu peso. Entendeu?
          -- Sim.
          Ele bate o meu traseiro com sua mo. Ow... ardeu.
          -- Sim, Senhor, -- eu murmrio depressa.
          --Separe suas pernas. -- Ele pe sua perna entre as minhas, e segurando meus
quadris, ele empurra minha perna direita para o lado.

                  246
         -- Assim  melhor. Depois disso, eu deixarei voc dormir.
         Dormir? Eu estou ofegante. Eu no estou pensando em dormir agora. Ele chega para
cima e suavemente afaga as minhas costas.
         -- Voc tem uma pele to bonita, Anastsia, -- ele respira enquanto se curva e beija
ao longo da minha coluna, beijos suaves como penas, gentis. Ao mesmo tempo, suas mos se
movem para minha frente pegando os meus seios, e como ele faz isso, ele prende meus
mamilos entre seus dedos e aperta-os gentilmente.
         Eu abafo meu gemido quando sinto meu corpo inteiro responder, acordando mais
uma vez para ele.
         Ele suavemente morde e me chupa em minha cintura, puxando os meus mamilos, e
minhas mos apertam o poste perfeitamente esculpido. Suas mos se soltam e eu ouo o agora
familiar barulho da retirada de sua cala jeans.
         -- Voc tem uma bunda to cativante e sensual, Anastsia Steele. O que eu gostaria
de fazer com ela.
         Suas mos alisam e modelam cada uma das minhas ndegas, ento ele desliza os
dedos para baixo e desliza dois dedos dentro de mim.
         -- To molhada. Voc nunca decepciona, Senhorita Steele, -- ele sussurra, e eu
ouo a maravilha em sua voz. -- Segure firme... isso vai ser rpido, beb.
         Ele agarra meus quadris e se posiciona, e me esforo para receber o seu assalto. Mas
ele avana e agarra minha trana e enrola em torno de seu pulso at minha nuca, segurando
minha cabea no lugar. Muito lentamente ele entra em mim, puxando meu cabelo ao mesmo
tempo... oh a plenitude. Ele sai de mim lentamente, sua outra mo agarra meu quadril,
segurando apertado, e ento ele investe novamente dentro de mim, empurando-me para frente.
         -- Segure, Anastsia! -- Ele grita com os dentes cerrados.
         Eu agarro o poste mais firme e empurro de volta contra ele, enquanto ele continua
seu ataque implacvel, uma e outra vez, seus dedos cavando em meu quadril. Meus braos
esto doendo, minhas pernas se sentem inseguras, meu couro cabeludo est ficando dolorido
de ser puxada pelo cabelo... e eu posso sentir um ajuntamento bem dentro de mim. Oh no...
e pela primeira vez, eu temo meu orgasmo... se eu gozar...
         Eu desmoronarei. Christian continua a se mover dentro e fora de mim, sua respirao
 dura, gemendo, gemendo. Meu corpo est respondendo... como? Eu sinto um acelerar.
Mas, de repente, Christian silencia, entrando em mim realmente fundo.
         -- Vamos l, Ana, d para mim, -- ele geme, meu nome em seus lbios me envia
sobre a borda que toma todo o meu corpo e a sensao de espiral e doce liberao, e, em
seguida, completa e totalmente sem sentidos.
         Quando retomo os sentidos, eu estou deitada sobre ele. Ele est no cho e eu estou
deitada em cima dele, minhas costas sobre sua frente, e eu estou olhando para o teto, toda ps-
coito, brilhante, quebrada. Oh... as algemas, eu penso distraidamente, eu tinha esquecido
disso. Christian fua o meu ouvido.
         -- Levante suas mos, -- ele diz suavemente.
         Meus braos parecem feitos de chumbo, mas eu os levanto. Ele empunha a tesoura e
passa uma lmina sob o plstico.
         -- Eu a declaro livre Ana, -- ele respira, e corta o plstico.


                  247
           Eu dou uma risadinha e esfrego meus pulsos quando eles so liberados. Eu sinto seu
sorriso.
          -- Este  um som to adorvel, -- ele diz melancolicamente. Ele se senta, de
repente, levando-me com ele de forma que eu estou mais uma vez sentado em seu colo.
          -- Isto  minha culpa, -- ele diz e me ajeita de modo que ele pode esfregar meus
ombros e braos.
          Delicadamente ele massageia um pouco de volta a vida os meus membros.
          O qu?
          Olho para ele atrs de mim, tentando entender o que ele quer dizer.
          -- Que voc no d uma risadinha mais frequentemente.
          -- Eu no sou uma grande risonha, -- eu murmuro sonolenta.
          -- Oh, mas quando isso acontece, Senhorita Steele,  uma maravilhosa alegria de se
ver.
          -- Muito florido, Sr. Grey, -- eu murmuro, tentando manter meus olhos abertos.
          Seus olhos suavizam e ele sorri.
          -- Eu diria que voc est completamente fodida e com necessidade de sono.
          -- Isso no era florido mesmo, -- eu murmuro brincando.
          Ele sorri e suavemente me ergue fora dele, ele permanece gloriosamente nu. Eu
desejo estar momentaneamente mais desperta para realmente apreci-lo. Pegando sua cala
jeans, ele a veste.
          -- No quero assustar Taylor, ou a Sra. Jones no que diz respeito a esse assunto, --
ele resmunga.
          Hmm... eles devem saber que grande bastardo ele . O pensamento me preocupa.
          Ele inclina-se para me ajudar a levantar e ir at a porta, atrs da qual pendura um
roupo cinzento. Ele pacientemente me veste como se eu fosse uma criana pequena. Eu no
tenho a fora para erguer meus braos. Quando eu estou coberta e respeitvel, ele se inclina e
me beija suavemente, apertando a boca em um sorriso.
          -- Para cama, -- ele diz.
          Oh... no...
          -- Para dormir, -- acrescenta tranquilizador quando v minha expresso.
          De repente, ele levanta-me e leva-me enrolada contra seu peito para o quarto ao
longo do corredor onde, mais cedo hoje, a Dra. Greene me examinou. Minha cabea cai
contra o seu peito.
          Estou exausta. Eu no me lembro de alguma vez ter estado mais cansada. Puxando
para trs o edredom, ele me deita, e ainda mais surpreendente, sobe ao meu lado e me segura
perto.
          -- Durma agora, menina linda, -- ele sussurra, e beija o meu cabelo.
          E antes de eu possa fazer um comentrio jocoso, eu estou adormecida.




                 248
        Captulo 19

          O roar de lbios atravs de minha testa, deixando beijos ternos e doces em seu
rastro, faz parte de mim girar e responder, mas principalmente eu quero ficar dormindo. Eu
gemo e me refugio em meu travesseiro.
          -- Anastsia, acorde. -- A voz de Christian  suave, bajulando.
          -- No, -- eu gemo.
          -- Ns temos que sair em meia hora para jantar com meus pais. -- Ele est se
divertindo.
          Eu abro meus olhos relutantemente.  crepsculo. Christian est debruando sobre
mim, olhando-me atentamente.
          -- Vamos dorminhoca. Levante-se. -- Ele se inclina e me beija novamente.
          -- Eu comprei-lhe uma bebida. Eu estarei no andar de baixo. No volte a dormir, ou
voc estar em apuros, -- ele ameaa, mas seu tom  aprazvel. Ele me beija brevemente e
sai, deixando-me sonolenta, a piscar os meus olhos no quarto fresco.
          Eu estou um pouco recuperada, mas de repente, nervosa. Caramba, eu vou conhecer
a sua gente! Ele apenas me bateu com o chicote, me amarrou, usando uma algema que eu
mesma lhe vendi, pelo amor de Deus, agora vou encontrar seus pais. Ser a primeira vez de
Kate encontr-los tambm, pelo menos que ela estar l para me dar suporte. Eu enrolo os
meus ombros. Eles esto duros. Sua exigncia por um instrutor particular de ginstica no
parece to estranha agora, de fato, parece obrigatrio, se eu tiver qualquer pretenso de
acompanh-lo.
          Saio lentamente da cama e noto que meu vestido est pendurado fora do guarda-
roupa e meu suti est na cadeira. Onde est a minha calcinha? Eu verifico embaixo da
cadeira. Nada. Ento, lembro-me, que ele colocou-a no bolso de sua cala jeans. Eu ruborizo
com a lembrana, depois dele, eu no posso mesmo pensar sobre isso, ele  to brbaro. Eu
franzo a testa. Por que ele no me devolveu a minha calcinha?
          Eu vou para o banheiro, perplexa com a minha falta de roupa ntima. Enquanto me
enxugo, depois de minha agradvel, mas extremamente breve chuveirada, eu percebo ele fez
isso de propsito. Ele quer que eu me sinta envergonhada e pea a minha calcinha de volta, e
ele pode dizer sim ou no. Minha deusa est rindo de mim. Inferno... dois podem jogar esse
jogo em particular. Resolvendo no lhe perguntar por ela e no dar-lhe satisfao, eu decido
encontrar seus pais sem calcinha. Anastsia Steele! Meu subconsciente me repreenda, mas eu
no quero escutar, quase abrao a mim mesma com alegria porque eu sei que isso o deixar
louco.
          Volto ao quarto, coloco meu suti, deslizo em meu vestido e calo os meus sapatos.
Eu removo a trana e apressadamente escovo meu cabelo, eu ento olho para a bebida que ele
deixou.
 cor-de-rosa de plido. O que  isto? Cranberry e gua com gs. Hmm... o sabor 
delicioso e extingue minha sede.


               249
          Voltando ao banheiro, eu me verifico no espelho, olhos brilhantes, bochechas
ligeiramente coradas, o olhar um pouco presunoso por causa de meu plano sobre a calcinha,
e saio para o andar de baixo. Quinze minutos. No  ruim, Ana.
          Christian aguarda ao lado da janela panormica, vestindo as calas de flanela cinza
que eu amo, aquelas que penduram dessa forma incrivelmente sensual fora de seus quadris, e,
claro, uma camisa de linho branco. Ele no tem alguma outra cor? Frank Sinatra canta
suavemente nos alto-falantes de som surround.
          Christian se vira e sorri quando eu entro. Ele olha para mim com expectativa.
          -- Oi, -- eu digo baixinho, e meu sorriso de esfinge encontra o seu.
          -- Oi, -- ele diz. -- Como voc est sentindo? -- Seus olhos esto iluminados com
diverso.
          -- Bem, obrigada. Voc?
          -- Eu me sinto bem poderoso, Senhorita Steele.
          Ele est to  espera que eu diga alguma coisa.
          -- Frank. Eu nunca imaginei que voc fosse um f de Sinatra.
          Ele levanta suas sobrancelhas para mim, seu olhar  especulativo.
          -- Gosto ecltico, Senhorita Steele, -- ele murmura, e ele d alguns passos em
minha direo, como uma pantera, at chegar na minha frente, seu olhar to intenso que me
tira o flego.
          Frank comea a cantar... uma velha cano, uma das favoritas de Ray. "Witchcraft".
Christian passa vagarosamente a ponta do dedo pela minha bochecha, e eu sinto todo o
caminho at l embaixo.
          -- Dance comigo, -- ele murmura, com voz rouca.
          Tomando o controle remoto fora de seu bolso, ele aumenta o volume e mantm a sua
mo para mim, seu olhar cinza cheio de promessas, desejo e humor. Ele  totalmente sedutor,
e eu estou encantada. Eu coloco minha mo na sua. Ele sorri preguiosamente para mim e me
puxa em seu abrao, seu brao enrolando ao redor minha cintura, e ele comea a balanar.
          Eu ponho minha mo livre em seu ombro e sorrio para ele, pego em seu humor,
brincalho, infeccioso. E ele comea a mover. Rapaz, ele sabe danar. Ns cobrimos o cho,
da janela at a cozinha e de volta novamente, girando e girando, no tempo da msica. E ele
faz isto to fcil para mim.
          Ns deslizamos em torno da mesa de jantar, para o piano, e de l para c na frente da
parede de vidro, fora, Seattle piscava um mural escuro e mgico para nossa dana, e eu no
posso evitar a minha risada despreocupada. Ele sorri para mim quando a msica chega ao fim.
          -- No existe nenhuma bruxa mais agradvel que voc, -- ele murmura e ento me
beija docemente. -- Bem, isso comprou um pouco de cor para suas bochechas, Senhorita
Steele. Obrigado pela dana. Ns devemos ir e encontrar meus pais?
          -- De nada, e sim, eu no posso esperar para encontrar com eles, -- eu respondo sem
flego.
          -- Voc tem tudo que voc precisa?
          -- Oh, sim, -- eu respondo docemente.
          -- Voc tem certeza?
          Concordo com a cabea to indiferente quanto eu posso administrar sob o seu
escrutnio intenso, divertido. Seu rosto se divide em um sorriso enorme, ele balana a cabea.

                  250
          -- Ok. Se esta  a maneira que voc quer jogar, Senhorita Steele.
          Ele agarra minha mo, recolhe a sua jaqueta que est pendurada em uma das
banquetas, e me leva atravs da entrada para o elevador. Oh, as muitas faces de Christian
Grey. Ser que jamais serei capaz de compreender este homem volvel?
          Eu espio para ele no elevador. Ele est curtindo uma piada privada, um vestgio de
um sorriso que flerta com sua boca bonita. Eu temo que seja a minha custa. O que eu estava
pensando? Eu vou conhecer os seus pais e eu no estou vestindo qualquer roupa ntima. Meu
subconsciente me d um intil aviso, eu te disse. Na segurana relativa de seu apartamento,
parecia uma ideia divertida. Agora, eu estou quase fora de mim sem calcinha! Ele olha para
mim, e est l, a tenso aumentando entre ns. O olhar divertido desaparece de seu rosto e
suas linhas de expresso, a escurido de seus olhos... oh meu Deus.
          As portas do elevador se abrem no andar trreo. Christian balana a cabea
ligeiramente como se para limpar seus pensamentos e gesticula para que eu saia antes dele,
em gesto cavalheiresco.
          Com quem ele est brincando? Ele no  nenhum cavalheiro. Ele tem minha
calcinha.
          Taylor dirige o Audi grande. Christian abra a porta traseira para mim, e eu entro, to
elegantemente quanto posso, considerando meu estado de nudez lasciva. Eu sou grata pelo
vestido ameixa de Kate ser comprido at os joelhos.
          Ns aceleramos pela I-5, ns estamos em silencio, sem dvida inibidos pela presena
de Taylor, na frente. O humor de Christian  quase tangvel e parece mudar. O humor est se
dissipando lentamente enquanto nos dirigimos para o norte. Ele est pensativo, olhando para
fora da janela, e eu posso senti-lo deslizar para longe de mim. O que ele est pensando? Eu
no posso perguntar a ele. O que eu posso dizer na frente de Taylor?
          -- Onde voc aprendeu a danar? -- Eu pergunto como tentativa. Ele gira olhar em
mim, seus olhos ilegveis sob a luz intermitentes das lmpadas das ruas no percurso.
          -- Voc realmente quer saber? -- Ele responde em voz baixa.
          Meu corao afunda, e agora eu no quero, porque eu posso imaginar.
          -- Sim, -- eu murmuro, relutantemente.
          -- A Sra. Robinson gostava de danar.
          Oh, minhas piores suspeitas confirmadas. Ela o ensinou bem, e o pensamento me
deprime, no existe nada que eu possa lhe ensinar. Eu no tenho nenhuma habilidade especial.
          -- Ela deve ter sido uma boa professora.
          -- Ela era, -- ele diz suavemente.
          Meus couro cabeludo pinica. Ser que ela teve o melhor dele? Antes dele se tornar
to fechado? Ou ser que ela o trouxe para fora de si mesmo? Ele tem esse lado, divertido,
brincalho. Eu sorrio involuntariamente ao recordar de estar em seus braos enquanto ele
girou comigo ao redor sua sala de estar, de forma inesperada, e ele tem minha calcinha, em
algum lugar.
          E depois h o Quarto Vermelho da Dor. Eu esfrego meus pulsos reflexivamente, as
tiras finas de plstico fizeram o mesmo com outra menina. Ela lhe ensinou tudo ou o arruinou,
dependendo do ponto de vista. Ou talvez ele teria encontrado o seu caminho de qualquer
maneira, apesar da Sra. R.


                   251
          Eu percebo, naquele momento, que eu a odeio. Eu espero nunca conhec-la, porque
eu no serei responsvel por minhas aes se o fizer. Eu no posso me lembrar de sentir esta
raiva sobre qualquer pessoa, especialmente algum que eu nunca conheci. Olhando para fora
da janela, eu medito sobre a minha raiva e cime irracional.
          Minha mente voa de volta  tarde. Dado o que eu entendo de suas preferncias,
penso que ele tem pegado leve comigo. Eu faria isso novamente? Eu no posso fingir ter
algum argumento contra isto. Claro que eu faria, se ele me pedisse, contanto que ele no me
machucasse e se for  nica maneira para estar com ele.
          Essa  a linha divisria. Eu quero estar com ele. Minha deusa interior suspira
aliviada. Chego  concluso que ela raramente usa seu crebro para pensar, mas outra parte
vital de sua anatomia, e no momento,  uma parte bastante exposta.
          -- No, -- ele murmura.
          Eu franzo a testa e viro para olhar para ele.
          -- No faa o que? -- Eu no o toquei.
          -- No pense sobre as coisas, Anastsia. -- Alcanando-me, ele pega minha mo,
ergue-a at seus lbios, e beija meus dedos suavemente. -- Eu tive uma tarde maravilhosa.
Obrigado.
          E ele est de volta comigo, novamente. Eu pisco para ele e sorrio timidamente. Ele
est to confuso. Posso fazer uma pergunta que est me incomodando.
          -- Por que voc usou uma braadeira?
          Ele sorri para mim.
          --  rpido,  fcil e  algo diferente para voc sentir a experincia. Eu sei que elas
so bastante brutais, como dispositivo de conteno. -- Ele sorri ligeiramente para mim.
          -- Muito eficaz para mant-lo em seu lugar.
          Eu ruborizo e olho nervosamente para Taylor, que permanece impassvel, com os
olhos na estrada. O que eu deveria dizer sobre isso? Christian encolhe os ombros
inocentemente.
          -- Tudo parte de meu mundo, Anastsia. -- Ele aperta minha mo e l estava,
olhando para fora da janela novamente.
          Seu mundo realmente, e eu quero pertencer a ele, mas em suas condies? Eu
simplesmente no sei. Ele no mencionou aquele maldito contrato. Minhas reflexes internas
no fazem nada para me alegrar. Olho pela janela e a paisagem mudou. Ns estamos cruzando
uma das pontes, cercados pela escurido. A noite sombria reflete meu estado de esprito
introspectivo, fechando, sufocante.
          Olho brevemente para Christian, e ele est olhando para mim.
          -- Um centavo por seus pensamentos? -- Ele pergunta.
          Eu suspiro com tristeza.
          -- To ruim, hein?
          -- Eu gostaria de saber o que voc estava pensando.
          Ele sorri para mim.
          -- Idem, beb, -- ele diz suavemente, enquanto Taylor acelera na noite em direo a
Bellevue.



                    252
 um pouco antes das oito, quando o Audi entra na calada de uma manso de estilo
colonial.  de tirar o flego, at mesmo as rosas em torno da porta. Um perfeito retrato de
livro.
          -- Voc est pronta para isso? -- Christian pergunta, enquanto Taylor para o carro
na frente da porta impressionante.
          Concordo com a cabea, ele d a minha mo outro aperto tranquilizante.
          -- Primeira vez para mim tambm, -- ele sussurra, ento sorri maliciosamente. --
Aposto que voc gostaria de estar vestindo sua roupa ntima agora, -- ele brinca.
          Eu coro. Eu tinha j esquecido da minha calcinha. Felizmente, Taylor saiu do carro e
est abrindo minha porta, assim ele no pode ouvir nossa troca de palavras. Eu fao uma
careta para Christian, que sorri amplamente enquanto eu giro e saio do carro.
          Dra. Grace Trevelyan-Grey est na porta esperando por ns. Ela parece
elegantemente sofisticada em um vestido de seda azul claro, por trs dela est o Sr. Grey, eu
presumo, alto, loiro, e to bonito ao seu prprio modo como Christian.
          -- Anastsia, j conhece a minha me, Grace. Este  o meu pai, Carrick.
          -- Sr. Grey, que prazer conhece-lo. -- Eu sorrio e agito sua mo estendida.
          -- O prazer  todo meu, Anastsia.
          -- Por favor, me chame de Ana.
          Seus olhos azuis so suaves e gentis.
          -- Ana, o quo adorvel v-la novamente. -- Grace me envolve em um abrao
caloroso. -- Entre, minha querida.
          -- Ela est aqui? -- Eu ouo um grito alto de dentro a casa. Eu olho nervosamente
para Christian.
          -- Esta  Mia, minha irm caula, -- ele diz quase irritado, mas no completamente.
          Existe uma subcorrente de afeto em suas palavras, a forma como sua voz cresce mais
suave e seus olhos ondulam, quando ele menciona seu nome. Christian obviamente a adora. 
uma revelao.
          E ela vem correndo solta pelo salo, cabelos escuros, alta e curvilnea. Ela deve ter a
minha idade.
          -- Anastsia! Eu ouvi tanto sobre voc. -- Ela me abraa apertado.
          Caramba. Eu no posso deixar de sorrir com o seu entusiasmo ilimitado.
          -- Ana, por favor, -- eu murmuro enquanto ela me arrasta pelo grande vestbulo. O
piso  todo de madeira escura, com tapetes antigos e uma escadaria para o segundo andar.
          -- Ele nunca trouxe uma garota para esta casa antes, -- Mia diz, com seus olhos
escuros brilhando de excitao.
          Vislumbro Christian revirando os olhos, e eu levanto uma sobrancelha para ele. Ele
estreita seus olhos para mim.
          -- Mia, acalme-se, -- Grace aconselha suavemente. -- Ol, querido, -- ela diz
enquanto beija Christian em ambas as faces. Ele sorri para ela calorosamente, e ento aperta a
mo de seu pai.
          Todos ns entramos na sala de estar. Mia no soltou a minha mo. A sala  espaosa,
decorada com bom gosto em creme, marrom e azul claro, confortvel, discreta e muito
elegante. Kate e Elliot esto aconchegados juntos em um sof, segurando taas de champanhe.
Kate salta para me abraar, e Mia finalmente solta a minha mo.

                    253
        -- Oi, Ana! -- Ela sorri. -- Christian. -- Ela acena com a cabea bruscamente para
ele.
          -- Kate. -- Ele  igualmente formal com ela.
          Eu franzo a testa com essa troca. Elliot me pega em um abrao todo abrangente. O
que  isto, a semana de abraar Ana? Esta deslumbrante exibio de afeto, eu apenas no
estou acostumada com isso. Christian est ao meu lado, envolvendo seu brao ao redor de
mim, colocando sua mo em meu quadril, ele estende seus dedos e puxa-me para perto. Todos
esto olhando para ns.  enervante.
          -- Bebidas? -- O Sr. Grey parece se recuperar. -- Prosecco?
          -- Por favor, -- Christian e eu falamos em unssono.
          Oh... isso est alm de estranho. Mia bate palmas.
          -- Vocs esto at falando ao mesmo tempo. Eu vou buscar. -- Ela sai da sala.
          Eu fiquei escarlate, e vendo Kate sentada com Elliot, ocorreu-me, de repente, que a
nica razo para Christian me convidar era porque Kate estaria aqui. Elliot, provavelmente,
livre e alegremente pediu a Kate para conhecer seus pais. Christian estava preso, sabendo que
eu descobriria via Kate. Eu fiz uma careta com o pensamento. Ele foi forado ao convite.
Uma compreenso triste e deprimente. Meu subconsciente acena com a cabea sabiamente,
um olhar `voc finalmente entendeu sua estpida', apareceu em seu rosto.
          -- O jantar est quase pronto, -- Grace diz, enquanto ela segue Mia fora da sala.
          Christian franze a testa e olha para mim.
          -- Sente-se, -- ele comanda, apontando para o sof de pelcia, e eu me sento,
cuidadosamente cruzando minhas pernas. Ele se senta ao meu lado, mas no me toca.
          -- Ns estvamos falando sobre frias, Ana, -- o Sr. Grey diz amavelmente. --
Elliot decidiu seguir Kate e sua famlia para Barbados por uma semana.
          Olho para Kate, ela sorri, seus olhos esto grandes e brilhantes. Ela est encantada.
Katherine Kavanagh, mostre alguma dignidade!
          -- Voc est tomando uma pausa agora que voc terminou a faculdade? -- O Sr.
Grey pergunta.
          -- Eu estou pensando sobre ir para Gergia por alguns dias, -- eu respondo.
          Christian olha para mim, piscando um par de vezes, sua expresso  ilegvel. Oh
merda.
          Eu no comentei isso com ele.
          -- Gergia? -- Ele murmura.
          -- Minha me vive l, e eu no a vejo h algum tempo.
          -- Quando voc estava pensando em ir? -- Sua voz  baixa.
          -- Amanh, final da noite.
          Mia passeia em volta na sala abastecendo as taas de Prosecco rosa plido.
          -- A sua boa sade! -- O Sr. Grey levanta a taa. Um brinde apropriado para um
marido de uma mdica, que me faz sorrir.
          -- Por quanto tempo? -- Christian pergunta, com sua voz enganosamente suave.
          Puta merda... ele est com raiva.
          -- Eu no sei ainda. Depender das minhas entrevistas, amanh.
          Sua mandbula apertou, e Kate fica com aquele olhar interferindo em seu rosto. Ela
sorri excessivamente doce.

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          -- Ana merece uma pausa, -- ela diz intencionalmente para Christian. Por que ela 
to antagnica em relao a ele? O que  o seu problema?
          -- Voc tem entrevistas? -- O Sr. Grey pergunta.
          -- Sim, para estgios em duas editoras, amanh.
          -- Desejo-lhe boa sorte.
          -- O jantar est na mesa, -- Grace anuncia.
          Todos ns levantamos. Kate e Elliot seguem o Sr. Grey e Mia para fora da sala.
Quando vou seguir, Christian agarra o meu cotovelo, trazendo-me para uma parada abrupta.
          -- Quando voc ia dizer-me que estava partindo? -- Ele pergunta com urgncia. Seu
tom  suave, mas ele est mascarando sua raiva.
          -- Eu no estou partindo, eu vou ver minha me, e eu estava s pensando sobre isto.
          -- Que tal o nosso acordo?
          -- Ns no temos um acordo ainda.
          Ele aperta os olhos, depois parece lembrar-se. Soltando a minha mo, ele toma meu
cotovelo e me leva para fora da sala.
          -- Essa conversa no terminou, -- ele sussurra ameaadoramente quando entramos
na sala de jantar.
          Ah, . No fique to chateado e ... e me devolva a minha calcinha. Eu olho para ele.
          A sala de jantar me faz lembrar nosso jantar privado em Heathman. Um lustre de
cristal pendurado sobre a mesa de madeira escura e h um espelho enorme e esculpido, na
parede. A mesa est servida e coberta com uma toalha de mesa de linho branco, uma tigela de
penias rosas plidas como o pea central.  impressionante.
          Tomamos nossos lugares. O Sr. Grey est na cabeceira da mesa, enquanto eu me
sento no seu lado direito, Christian est acomodado ao meu lado. O Sr. Grey agarra a garrafa
aberta de vinho tinto e oferece um pouco para Kate. Mia toma sua cadeira ao lado de
Christian e pega a sua mo, aperta firmemente. Christian sorri calorosamente para ela.
          -- Onde voc conheceu Ana? -- Mia pergunta a ele.
          -- Ela me entrevistou para a revista estudantil da WSU.
          -- A que Kate edita, -- eu adiciono, na esperana de desviar a conversa para longe
de mim.
          Mia sorri para Kate, sentada em frente, ao lado de Elliot e eles comeam a conversar
sobre a revista dos alunos.
          -- Vinho, Ana? -- O Sr. Grey pergunta.
          -- Por favor. -- Eu sorrio para ele. O Sr. Grey levanta para encher o resto dos copos.
          Eu olho para Christian. Ele se vira para olhar para mim, sua cabea est inclinada
para um lado.
          -- O que? -- Ele pergunta.
          -- Por favor, no fique bravo comigo, -- eu sussurro.
          -- Eu no estou bravo com voc.
          Eu fico olhando para ele. Ele suspira.
          -- Sim, eu estou louco com voc. -- Ele fecha seus olhos brevemente.
          -- Louco a ponto de dar palmadas? -- Eu pergunto nervosamente.
          -- Sobre o que vocs dois esto cochichando? -- Kate interrompe.


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         Eu coro e Christian olha para ela em um olhar `tire o seu rabo fora do caminho'
Kavanagh, de modo que at Kate murcha sob o seu olhar.
         -- Apenas sobre a minha viagem para a Gergia, -- eu digo docemente, com a
esperana de encerrar a hostilidade mtua.
         Kate sorri, com um brilho perverso em seu olhar.
         -- Como estava Jos quando voc foi para o bar com ele na sexta-feira?
         Puta merda, Kate. Eu arregalo meus olhos para ela. O que ela est fazendo? Ela
arregala seus olhos para mim de volta, e eu percebo que ela est tentando deixar Christian
ficar ciumento. Como ela sabe pouco. Eu pensei que tinha conseguido acabar com isso.
         -- Ele estava bem, -- eu murmuro.
         Christian se inclina.
         -- Louco de dar palmadas, -- ele sussurra. --Especialmente agora. -- Seu tom era
calmo e mortal.
         Oh no. Eu me contoro.
         Grace reaparece carregando dois pratos, seguida por uma mulher muito jovem, com
tranas loiras, vestida elegantemente de azul claro, carregando uma bandeja de pratos. Seus
olhos imediatamente acham Christian na sala. Ela cora e olha para ele sob seu rmel nos
longos clios.
         O que!
         Em algum lugar na casa o telefone comea a tocar.
         -- Com licena, -- O Sr. Grey levanta novamente e sai.
         -- Obrigado, Gretchen, -- Grace diz suavemente, franzindo a testa com a sada do
Sr. Grey. -- S deixe a bandeja no console. -- Gretchen acena a cabea, e com outro olhar
furtivo para Christian, ela parte.
         Ento, os Greys tem empregadas, e a empregada est de olho em cima do meu
pretende a Dominante. Pode esta noite conseguir ficar pior? Eu franzo a testa e olho para
minhas mos no meu colo.
         O Sr. Grey retorna.
         -- Ligao para voc, querida.  do hospital, -- ele diz para Grace.
         -- Por favor, comece, todo mundo. -- Grace sorri enquanto me d um prato e parte.
         Cheira delicioso,  chourio e vieiras com pimentes vermelhos assados e
cebolinhas, polvilhado com salsa. Apesar de ter meu estmago revolto com as ameaas
veladas de Christian, os olhares sublinhar da bonita e pequena Senhorita Maria Chiquinha e a
perda da minha roupa ntima, eu estou com fome. Eu coro quando percebo que o esforo
fsico desta tarde me deu tamanho apetite.
         Momentos depois Grace retorna, com a sobrancelha franzida. O Sr. Grey vira a
cabea de um lado... como Christian.
         -- Tudo bem?
         -- Outro caso de sarampo, -- Grace suspira.
         -- Oh no.
         -- Sim, uma criana. O quarto caso este ms. Se as pessoas vacinassem as suas
crianas. -- Ela agita sua cabea tristemente, e ento sorri. -- Eu estou to contente que
nossos filhos nunca tiveram isso. Eles nunca pegaram qualquer coisa pior que catapora, ainda
bem. Pobre Elliot, -- ela diz enquanto ela senta-se, sorrindo com indulgencia para o filho.

               256
Elliot franze a testa e se torce desconfortavelmente. -- Christian e Mia tiveram sorte. Eles
tiveram isto to suavemente, que dividiram apenas uma mancha entre eles.
          Mia deu uma risadinha e Christian revirou os olhos.
          -- Ento, voc pegou o jogo dos Marinheiros, Pai? -- Elliot claramente estava
interessado a mudar de assunto.
          Os aperitivos so deliciosos, eu me concentro em comer enquanto Elliot, o Sr. Grey e
Christian conversam sobre beisebol. Christian parece relaxado e tranquilo conversando com
sua famlia. Minha mente est trabalhando furiosamente. Porra Kate, que jogo ela est
jogando? Ele vai me punir? Eu me acovardo com o pensamento. No assinei aquele contrato
ainda. Talvez eu no o faa. Talvez eu fique na Gergia onde ele no pode me alcanar.
          -- Como voc est se estabelecendo em seu novo apartamento querida? -- Grace
pergunta educadamente.
          Sou grata por sua pergunta, distraindo-me de meus pensamentos discordantes, e eu
conto a ela sobre nossa mudana.
          Como ns terminamos nossos pratos iniciais, Gretchen aparece, e no pela primeira
vez, eu queria me sentir capaz de pr minhas mos livremente em Christian s para a deixar
saber que, ele pode ter cinquenta tons de ruim, mas ele  meu. Ela comea a limpar a mesa,
escovando demasiado perto de Christian para o meu gosto. Felizmente, ele parece alheio a ela,
mas minha deusa interior est queimando sem chama e no em um bom caminho.
          Kate e Mia esto encerando lricos sobre Paris.
          -- Voc esteve em Paris, Ana? -- Mia pergunta inocentemente, distraindo-me de
meu devaneio de cimes.
          -- No, mas eu adoraria ir. -- Eu sei que sou a nica  mesa que nunca deixou os
EUA.
          -- Ns fomos a Paris na lua de mel. -- Grace sorriu para o Sr. Grey que devolveu o
sorriso para ela.
 quase embaraoso testemunhar. Eles obviamente se amam profundamente, e
pergunto-me por um breve momento como deve ser crescer com ambos os pais.
          --  uma bela cidade, -- Mia concorda. -- Apesar dos parisienses. Christian, voc
devia levar Ana para Paris, -- Mia declara com firmeza.
          -- Eu penso que Anastsia prefere Londres, -- Christian diz baixinho.
          Oh... ele lembrou. Ele coloca sua mo em meu joelho, seus dedos que viajam at a
minha coxa. Meu corpo inteiro aperta em resposta. No... no aqui, no agora. Eu coro e
endureo, tentando ficar longe dele. Sua mo em minha coxa me acalma. Eu procuro o meu
vinho, em desespero.
          A pequena senhorita Maria Chiquinha europia retorna, toda com olhares tmidos e
balanando os quadris, com nossa reentrada, um Beff Wellington, eu acho. Felizmente, ela
nos d os pratos e ento parte, embora ela demore dando a Christian o seu. Ele olha intrigada
para mim enquanto eu assisto-a fechar a porta da sala de jantar.
          -- Ento, o que havia de errado com os parisienses? -- Elliot pergunta a sua irm. --
Eles no ligaram para suas maneiras encantadoras?
          -- Ugh, no eles no fizeram. E Monsieur Floubert, o ogro com quem eu estava
trabalhando, ele era um tirano dominador.
          Eu engasguei com meu vinho.

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          -- Anastsia, voc  bem? -- Christian perguntou solicito, mantendo a sua mo em
minha coxa.
          O humor retornou a sua voz. Oh graas a Deus. Quando eu concordo com a cabea,
ele bate levemente em minhas costas suavemente, e s retira sua mo quando ele v que eu
me recuperei.
          A carne estava deliciosa, servida com batatas doces assadas, cenouras, nabos e
feijes verdes. E estavam mais saborosas desde que Christian conseguiu apresentou seu bom-
humor para o resto da refeio. Eu suspeito que  porque eu estou comendo com tanto gosto.
A conversa flui livremente entre o Greys, quentes e carinhosos, suavemente provocando uns
aos outros. Durante a nossa sobremesa de limo syllabub, Mia nos presenteia com suas
faanhas em Paris, passando a um ponto de falar em francs fluente. Todos ns olhamos para
ela e ela olha de volta confusa, at Christian dizer a ela, tambm em francs fluente, o que ela
tinha feito, ento ela explode em um ataque de risos. Ela tem uma risada muito contagiante e
logo todos estamos s gargalhadas.
          Elliot fala sobre seu projeto de edifcio mais recente, uma nova comunidade eco
amigvel ao norte de Seattle. Eu olho para Kate, e ela est pendurada em cada palavra que
Elliot diz, seus olhos ardem com luxria ou o amor. Eu ainda no descobri. Ele sorri para ela,
e  como se uma promessa no dita passasse entre eles. Mais tarde, beb, ele est dizendo, e 
quente, assustadoramente quente. Eu coro s de assisti-los.
          Eu suspiro e espio o Cinquenta Sombras. Ele  to bonito, eu podia olhar para ele
para sempre. Ele tem uma sombra de barba em seu queixo, e meus dedos coam para arranhar
isso e senti-la contra meu rosto, contra meus seios... entre minhas coxas. Eu coro com a
direo de meus pensamentos. Ele olha para em mim e levanta sua mo para puxar meu
queixo.
          -- No morda seu lbio, -- ele murmura com voz rouca. -- Eu quero fazer isto.
          Grace e Mia tiram as louas da sobremesa e seguem para a cozinha, enquanto o Sr.
Grey, Kate, e Elliot discutem os mritos dos painis solares no Estado de Washington.
Christian, finge interesse na conversa, pe sua mo mais uma vez em meu joelho, e seus
dedos viajam pela minha coxa. Minha respirao est aos trancos, e eu aperto minhas coxas
juntas em uma tentativa para deter seu progresso. Posso v-lo sorrir maliciosamente.
          -- Eu devo dar a voc uma excurso pela propriedade? -- Ele pergunta para mim
bastante abertamente.
          Eu sei que estou querendo dizer sim, mas eu no confio nele. Antes de eu poder
responder, porm, ele est em p e estendendo a sua mo para mim. Eu coloco minha mo na
sua, e sinto todo o aperto dos msculos no fundo do meu ventre, respondendo aos seus
escuros e famintos olhos cinza.
          -- Com licena, -- eu digo para o Sr. Grey e sigo Christian para fora da sala de
jantar.
          Ele me leva pelo corredor e pela cozinha onde Mia e Grace esto empilhando os
pratos na mquina de lavar. Maria Chiquinha europia no est em nenhum lugar visvel.
          -- Eu vou mostrar a Anastsia o quintal, -- Christian diz inocentemente para sua
me.
          Ela nos acena com um sorriso, enquanto Mia volta para a sala de jantar.
          Ns samos para uma rea de ptio de laje cinzenta, iluminado por luzes embutidas.

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         H uns arbustos em vasos de pedra cinzenta e uma mesa de metal e cadeiras chiques
em um canto.
         Christian passa para eles, em mais alguns passos, estamos sobre um vasto gramado
que leva at a baa... oh meu,  lindo. Seattle cintila no horizonte,  fresca, brilhante, a lua de
maio abre um caminho de prata cintilante atravs da gua em direo a um cais onde dois
barcos esto atracados. Ao lado do cais est uma casa de barcos.  to pitoresco, to pacfico.
Eu olho e bocejo por um momento.
         Christian me puxa atrs dele, e meus saltos afundam na grama macia.
         -- Pare, por favor. -- Eu estou tropeando em seu rastro.
         Ele para e olha em mim, sua expresso  insondvel.
         -- Meus saltos de sapatos. Eu preciso tirar meus sapatos.
         -- No se preocupe, -- ele diz, e ele se abaixa e coloca-me por cima de seu ombro.
Eu grito ruidosamente com surpresa chocada, e ele me d um tapa no traseiro.
         -- Mantenha sua voz, -- ele rosna.
         Oh no... isso no  bom, meu subconsciente est tremendo nos joelhos. Ele est
louco sobre algo, poderia ser Jos, Gergia, sem calcinha, mordendo lbio. Merda, ele  fcil
irritar.
         -- A onde ns estamos indo? -- Eu respiro.
         -- Casa de barcos, -- ele estala.
         Eu agarro-me em seus quadris, por que estou de cabea para baixo, ele anda a passos
largos de propsito, no luar, atravs do gramado.
         -- Por qu? -- Eu so ofegante, saltando sobre seu ombro.
         -- Eu preciso estar s com voc.
         -- Por qu?
         -- Porque eu vou espancar e ento foder voc.
         -- Por qu? -- Eu suavemente choramingo.
         -- Voc sabe por que, -- ele silva.
         -- Eu pensei que voc era um cara de age conforme o momento? -- peo sem
flego.
         -- Anastsia, eu estou sendo agindo conforme o momento, confie em mim.
         Puta merda




                      259
        Captulo 20

          Christian cruza como um ciclone a porta de madeira da casa de embarcao e pausa
para acender algumas luzes. As luzes fluorescentes cintilam e zumbem em silncio em
sequncia enquanto luzes fortes inundam o grande edifcio de madeira. Da minha viso de
cabea para baixo, eu conseguia ver uma lancha motorizada na doca flutuando gentilmente na
gua escura, mas eu apenas tive uma breve viso antes que ele estivesse me carregando para
as escadas de madeira indo para o quarto acima.
          Ele pausa na entrada e liga outro interruptor... halognios desta vez, elas eram mais
suaves, mais difusas... e ns estvamos no sto com teto inclinado. Ele est decorado com
um tema nutico da Nova Inglaterra: azul marinho e creme com listras vermelhas. Os mveis
so esparsos, apenas dois sofs  tudo o que eu posso ver.
          Christian me coloca de p no cho de madeira. Eu no tenho tempo para examinar ao
meu redor  meus olhos no podem deix-lo. Eu estou hipnotizada... assistindo-o como se ele
fosse um daqueles predadores raros e perigosos, esperando pelo ataque dele. A respirao dele
 forada, mas ele acabou de atravessar o gramado e subir um lance de escadas. Olhos
cinzentos queimando com raiva, necessidade, e luxria pura e inalterada.
          Puta merda. Eu poderia entrar em combusto apenas com o olhar dele.
          -- Por favor, no me bata, - eu sussurro, implorando.
          Suas sobrancelhas se franzem, seus olhos se arregalam. Ele pisca duas vezes.
          -- Eu no quero que voc me d palmadas, no aqui, no agora. Por favor, no faa.
          A boca dele se abre levemente pela surpresa, e alm da coragem, eu tento esticar meu
brao e correr meus dedos pela bochecha dele, ao longo de sua costeleta, at a barba rala em
seu queixo.
 uma mistura curiosa de suavidade e espinhoso. Lentamente fechando seus olhos,
ele inclina o rosto no meu toque, e sua respirao se prende em sua garganta. Esticando com a
minha outra mo, eu corro meus dedos pelo cabelo dele. Eu amo o cabelo dele. Seu gemido
suave  quase inaudvel, e quando ele abre os olhos, o seu olhar  preocupado, como se ele
no entendesse o que eu estava fazendo.
          Dando um passo para frente fazendo com que eu estivesse grudada nele, eu puxei
gentilmente o cabelo dele, trazendo sua boca para a minha, e eu o beijei, forando minha
lngua entre os lbios dele e dentro de sua boca. Ele geme, e seus braos vm ao meu redor,
me puxando perto dele. Suas mos encontram o seu caminho para o meu cabelo, e ele me
beija de volta, com fora e possessivamente. A lngua dele e a minha se torcem e viram um,
nos consumindo. Ele tem um gosto divino.
          Ele se afasta repentinamente, as nossas respiraes esto irregulares e misturadas.
Minhas mos caem para os braos dele e ele me olha feio.
          -- O que voc est fazendo comigo? -- ele sussurra confuso.
          -- Beijando voc.
          -- Voc disse no.
          -- O qu? No para o qu?
                  260
         -- Na mesa de jantar, com as suas pernas.
         Oh... ento  sobre isso.
         -- Mas ns estvamos na mesa de jantar dos seus pais. -- Eu olho para ele,
completamente perdida.
         -- Ningum nunca disse no para mim antes. E  to... quente.
         Seus olhos se abrem bastante com admirao e luxria.  uma mistura inebriante. Eu
engulo instintivamente. A mo dele se move para o meu traseiro. Ele me puxa com fora
contra ele, e eu posso sentir sua ereo.
         Oh meu Deus...
         -- Voc est bravo e excitado porque eu disse no? -- Eu falo, atnita.
         -- Estou bravo porque voc nunca falou de Georgia para mim. Estou bravo porque
voc foi beber com aquele cara que tentou te seduzir quando voc estava bbada e que te
deixou quando voc estava doente com um quase completo estranho. Que tipo de amigo faz
isso? E estou bravo e excitado porque voc fechou suas pernas para mim. -- Seus olhos
brilham perigosamente, e ele est lentamente alcanando a barra do meu vestido.
         -- Eu quero voc, e eu te quero agora. E se voc no vai me deixar te dar umas
palmadas... que voc merece... eu vou te foder neste sof neste minuto, rapidamente, para o
meu prazer, no seu.
         Meu vestido mal est cobrindo o meu traseiro nu. Ele se move repentinamente para
que suas mos estejam apalpando o meu sexo, e um de seus dedos se afunda lentamente
dentro de mim. Seu outro brao me segura firmemente no lugar ao redor da minha cintura. Eu
seguro um gemido.
         -- Isso  meu, -- ele sussurra agressivamente. -- Tudo meu. Voc entende? -- Ele
desliza seu dedo dentro e fora enquanto ele me olha, analisando a minha reao, seus olhos
queimando.
         -- Sim, sua, -- eu sussurro enquanto meu desejo, quente e pesado, surge atravs da
minha corrente sangunea, afetando... tudo. Minhas terminaes nervosas, minha respirao,
meu corao est batendo forte, tentando deixar o meu peito, o sangue vibrando nos meus
ouvidos.
         Abruptamente, ele se move, fazendo diversas coisas de uma vez. Retirando seus
dedos, deixando-me querendo, abrindo sua braguilha, e me empurrando no sof para que ele
esteja deitado em cima de mim.
         -- Mos na cabea, -- ele comanda atravs de dentes apertados enquanto ele se
ajoelha, forando as minhas pernas a se abrirem mais, e se esticando para alcanar o bolso
interno de seu casaco. Ele tira um pacote de papel de alumnio, olhando para mim, sua
expresso obscura, antes de retirar seu casaco e deixando-o cair no cho. Ele rola a camisinha
pelo seu impressionante comprimento.
         Eu coloco minhas mos na cabea, e eu sei que  para que eu no o toque. Eu estou
to excitada.
         Eu sinto meus quadris se movendo para cima para encontr-lo... querendo-o dentro
de mim, desse jeito... spero e duro. Oh... a antecipao.
         -- Ns no temos muito tempo. Isso ser rpido, e  para mim, no voc. Voc
entende? No goze, ou eu vou te dar umas palmadas, -- ele diz atravs de seus dentes
cerrados.

                 261
         Puta merda... como eu vou parar?
         Com uma rpida estocada, ele est totalmente dentro de mim. Eu gemo alto,
guturalmente, e me deleitando na plenitude de sua posse. Ele coloca as mos em cimas das
minhas, no topo da minha cabea, seus cotovelos mantm meus braos abertos, e suas pernas
me imobilizam por completo. Ele est em todo lugar, me sobrecarregando, quase sufocando.
Mas  maravilhoso tambm, este  o meu poder, isso  que o eu fao com ele, e  uma
sensao triunfante, hedonista. Ele se move rapidamente e furiosamente dentro de mim, sua
respirao rdua em meu ouvido, e o meu corpo responde, se derretendo ao redor dele. Eu no
devo gozar. No. Mas eu estou encontrando-o em cada estocada, um contra-ponto perfeito.
Abruptamente, e muito cedo, ele se enfia dentro de mim e quando ele encontra a sua
liberao, o ar sibilando entre seus dentes.
         Ele relaxa por um momento, ento eu sinto o peso delicioso inteiro dele em mim. Eu
no estou pronta para solt-lo, meu corpo implorando alvio, mas ele  to pesado, e naquele
momento, eu no posso empurr-lo. Muito de repente, ele se retira, deixando-me dolorida e
faminta por mais. Ele me olha carrancudo.

         -- No se toque. Eu quero voc frustrada.  isso que voc faz comigo ao no falar
comigo, ao me negar o que  meu. -- Seus olhos esto ardendo novamente, com raiva
novamente.
         Eu concordo, ofegante. Ele fica de p e retira a camisinha, fazendo um n na ponta, e
a coloca no bolso de sua cala. Eu olho para ele, minha respirao ainda errtica, e
involuntariamente eu aperto minhas coxas juntas, tentando encontrar algum tipo de alvio.
Christian fecha sua braguilha e corre sua mo pelo cabelo enquanto ele se abaixa para pegar
seu casaco. Ele se vira para me olhar, sua expresso mais suave.
         --  melhor voltarmos para a casa.
         Eu me sento, um pouco instvel, atordoada.
         -- Aqui. Voc pode colocar de volta.
         De dentro de seu bolso, ele retira minha calcinha. Eu no sorrio quando a pego dele,
mas por dentro eu sei... eu recebi essa foda de punio mas ganhei uma pequena vitria com a
calcinha. Minha deusa assente concordando, um sorriso de satisfao em seu rosto... voc no
teve que pedir por ela.
         -- CHRISTIAN! -- Mia grita do andar inferior.
         Ele se vira e ergue as sobrancelhas para mim.
         -- Bem na hora. Cristo, s vezes ela pode ser to irritante.
         Eu fao uma careta para ele, apressadamente eu recupero minha calcinha e a coloca
no lugar certo, e fico de p com o mximo de dignidade que eu consigo juntar no meu de
estado recm-foda. Rapidamente, eu tento ajeitar o meu cabelo de recm-foda.
         -- Aqui em cima, Mia, -- Ele chama. -- Bem, Srta. Steele, eu me sinto melhor por
isso... mas eu ainda quero te dar umas palmadas, -- ele diz suavemente.
         -- Eu no acredito que eu mereo, Sr. Grey, especialmente depois de tolerar o seu
ataque sem motivo.
         -- Sem motivo? Voc me beijou.
         Ele se esfora para parecer ofendido.
         Eu aperto meus lbios.

                 262
          -- Foi um ataque como melhor forma de defesa.
          -- Defesa contra o qu?
          -- Voc e sua mo inquieta.
          Ele inclina a cabea para um lado e sorri para mim enquanto Mia sobe a escada
escandalosamente.
          -- Mas foi tolervel? -- ele pergunta suavemente.
          Eu fico vermelha.
          -- Por pouco, -- eu sussurro, mas eu no consigo evitar o meu sorriso.
          -- Oh, a esto vocs. -- Ela sorri para ns.
          -- Eu estava mostrando o lugar para Anastsia. -- Christian estica sua mo para
mim, seus olhos cinzentos intensos.
          Eu coloco a minha mo na dele, e ele a aperta suavemente.
          -- Kate e Elliot esto prestes a ir embora. Voc pode acreditar naqueles dois? Eles
no conseguem tirar a mo um do outro. -- Mia finge estar enojada e olha para mim e para o
Christian. -- O que vocs dois estavam fazendo aqui?
          Meu, ela  direta. Eu fico mais vermelha ainda.
          -- Mostrando a Anastsia a minha fileira de trofus, -- Christian diz sem perder o
passo, completamente com cara de paisagem. -- Vamos dizer tchau para a Kate e o Elliot.
          Fileira de trofus? Ele me empurra gentilmente na frente dele, e quando Mia se vira
para sair, ele me d um tapa no traseiro. Eu arquejo de surpresa.
          -- Eu vou fazer de novo, Anastsia, e logo, -- ele ameaa baixinho perto do meu
ouvido, ento ele me puxa para um abrao, minhas costas para o peito dele, e beija o meu
cabelo.
          De volta na casa, Kate e Elliot esto se despedindo de Grace e do Sr. Grey. Kate me
abraa forte.
          -- Eu preciso falar com voc sobre antagonizar o Christian, -- eu sibilo baixinho em
seu ouvido enquanto ela me abraa.
          -- Ele precisa ser antagonizado, ento voc pode ver como realmente ele . Tenha
cuidado, Ana... ele  to controlador, -- ela sussurra. -- Vejo voc depois.

          EU SEI COMO REALMENTE ELE ... VOC NO!... eu grito com ela na minha
cabea.

         Eu estou totalmente ciente que as aes dela vm de um lugar bom, mas algumas
vezes ela ultrapassa a linha, e nesse momento ela ultrapassa tanto at o estado vizinho. Eu
fao uma careta para ela, e ela mostra a sua lngua para mim, fazendo-me sorrir contra a
minha vontade. Kate brincalhona  uma novidade, deve ser influncia do Elliot. Ns
acenamos para eles da porta, e Christian se vira para mim.
         -- Ns devemos ir tambm... voc tem as entrevistas amanh.
         Mia me abraa carinhosamente quando ns nos despedimos.
         -- Ns nunca pensamos que ele encontraria algum! -- ela se emociona.
         Eu fico vermelha, e Christian afasta seu olhar novamente. Eu aperto meus lbios.
Porque ele pode fazer isso e eu no? Eu quero desviar meu olhar tambm, mas eu no ouso,
no depois da ameaa dele no ancoradouro.

                 263
          -- Se cuide, Ana, querida, -- Grace diz carinhosamente.
          Christian, envergonhado ou frustrado pela ampla ateno que eu estou ganhando dos
Greys, pega a minha mo e me puxa para o lado dele.
          -- No vamos assust-la ou estrag-la com muita ateno, -- ele resmunga.
          -- Christian, pare de provocar. -- Grace chama a ateno dele indulgentemente, seus
olhos brilhando com amor e afeio por ele.
          De alguma forma, eu no acho que ele esteja provocando. Eu sorrateiramente vejo a
interao deles.  bvio que a Grace o adora como um amor incondicional de me. Ele se
abaixa e a beija duramente.
          -- Me, -- ele diz, e h uma corrente inferior em sua voz... reverncia talvez?
          -- Sr. Grey... obrigada e adeus. -- Eu estico minha mo para ele, e ele me abraa
tambm!
          -- Por favor, me chame de Carrick. Eu espero que ns a vejamos novamente, logo,
Ana.
          Com as nossas despedidas feitas, Christian me leva para o carro onde o Taylor est
esperando. Meu, que dia. Eu estou exausta, fisicamente e emocionalmente. Depois de uma
breve conversa com Taylor, Christian sobe no carro ao meu lado. Ele se vira para mim.
          -- Bem, parece que a minha famlia gosta de voc tambm, -- ele murmura.
          Tambm? O pensamento depressivo de como eu fui convidada aparece sem ser
solicitado e indesejado na minha cabea. Taylor liga o carro e segue para longe do crculo de
luz da entrada da garagem para a escurido da rua. Eu olho para o Christian, e ele est me
encarando.
          -- O qu? -- ele pergunta, sua voz baixa.
          Eu hesito momentaneamente. No... eu vou contar para ele. Ele sempre est
reclamando que eu no converso com ele.
          -- Eu acho que voc se sentiu obrigado a me trazer para conhecer os seus pais. --
Minha voz  suave e hesitante. -- Se Elliot no tivesse chamado Kate, voc nunca teria me
chamado. -- Eu no posso ver o rosto dele no escuro, mas ele inclina a cabea, boquiaberto
comigo.
          -- Anastsia, eu estou encantando que voc tenha conhecido os meus pais. Por que
voc  to cheia de insegurana? Isso nunca deixa de me surpreender. Voc  uma jovem to
forte e independente, mas voc tem pensamentos to negativos a respeito de voc. Se eu no
quisesse que voc os conhecesse, voc no estaria aqui.  assim que voc se sentiu no tempo
inteiro que voc esteve l?
          Oh! Ele me queria l... e  uma revelao. Ele no parece desconfortvel em me
responder como ele estaria se ele estivesse escondendo a verdade. Ele parece genuinamente
feliz que eu estou aqui... um brilho quente se espalha pelas minhas veias. Ele balana a cabea
e alcana a minha mo. Eu olho nervosamente para o Taylor.
          -- No se preocupe com Taylor. Fale comigo.
          Eu dou de ombros.
          -- Sim. Eu pensei nisso. E outra coisa. Eu apenas mencionei Georgia porque Kate
estava falando sobre Barbados... eu ainda no me decidi.
          -- Voc quer ir ver sua me?
          -- Sim.

                  264
         Ele olha estranhamente para mim, como se ele estivesse tendo alguma luta interna.
         -- Eu posso ir com voc? -- ele pergunta eventualmente.
         O qu?
         -- Hum... eu no acho que isso seja uma boa ideia.
         -- Por que no?
         -- Eu estava esperando dar um tempo em toda essa... intensidade e tentar pensar em
algumas coisas.
         Ele me encara.
         -- Eu sou muito intenso?
         Eu caio na risada.
         -- Isso  para falar o mnimo!
         Na luz dos postes de luz que passar, eu vejo os lbios dele se curvarem.
         -- Voc est rindo de mim, Srta. Steele?
         -- Eu no ousaria, Sr. Grey, -- eu respondo numa seriedade de mentira.
         -- Eu acho que voc ousa, e eu acho que voc ri de mim, frequentemente.
         -- Voc  bem engraado.
         -- Engraado?
         -- Oh sim.
         -- Engraado estranho ou engraado R R?
         -- Oh... um monte de um e um pouco do outro.
         -- Qual que  qual?
         -- Eu vou deixar para voc descobrir isso.
         -- Eu no tenho certeza se eu posso descobrir qualquer coisa ao seu redor, Anastsia,
-- ele diz sarcasticamente, e ento continua baixinho, -- Sobre o que voc precisa pensar em
Georgia?
         -- Ns, -- eu sussurro.
         Ele me encara, impassivo.
         -- Voc disse que tentaria, -- ele murmura.
         -- Eu sei.
         -- Voc est reconsiderando?
         -- Possivelmente.
         Ele se mexe como se estivesse desconfortvel.
         -- Por qu?
         Puta merda. Como isso se tornou uma conversa intensa e significativa? Foi jogado
para cima de mim, como uma prova que eu no estou preparada para fazer. O que eu falo?
Porque eu acho que te amo, e voc apenas me v como um brinquedo. Porque eu no posso te
tocar, porque eu estou muito assustada para te mostrar qualquer tipo de afeio no caso de
voc recusar ou me dizer para ir embora ou pior... me bater? O que eu posso dizer?
         Eu encaro por um momento para fora da janela. O carro est seguindo pela ponte.
Ns dois estamos envolvidos na escurido, mascarando nossos pensamentos e sentimentos,
mas ns no precisamos da noite para isso.
         -- Por que, Anastsia? -- Christian me pressiona por uma resposta.
         Eu dou de ombros, presa. Eu no quero perd-lo. Apesar de todas as suas exigncias,
sua necessidade de controle, seus vcios assustadores. Eu nunca me senti to viva como eu me

                 265
sinto agora.  uma emoo estar sentada ao lado dele. Ele  to imprevisvel, sexy,
inteligente, e engraado. Mas seus humores... oh... e ele quer me machucar. Ele diz que ele vai
pensar sobre as minhas reservas, mas isso ainda me assusta. Eu fecho meus olhos. O que eu
posso dizer? Bem l no fundo eu apenas gostaria de mais, mais afeio, mais do Christian
brincalho, mais... amor.
         Ele aperta minha mo.
         -- Fale comigo, Anastsia. Eu no quero te perder. Esta ltima semana... -- Ele vai
parando de falar.
         Ns estamos chegando perto do fim da ponte, e a rua mais uma vez  banhada na luz
nen das lmpadas dos postes ento seu rosto fica intermitentemente no escuro e no claro. E 
uma metfora to apropriada. Este homem, que eu j pensei como sendo um heri
romntico... um cavaleiro branco, ou um cavaleiro obscuro, como ele disse. Ele no  um
heri, ele  um homem com falhas emocionais profundas, e ele est me arrastando para a
escurido. Ser que eu consigo traz-lo para a luz?
         -- Eu ainda quero mais, -- eu sussurro.
         -- Eu sei, -- ele diz. -- Eu vou tentar.
         Eu pisco para ele, e ele abandona a minha mo e puxa o meu queixo, liberando meu
lbio preso.
         -- Por voc, Anastsia, eu vou tentar. -- Ele est radiando sinceridade.
         E esse  o meu sinal. Eu solto o meu cinto de segurana, vou para o outro lado, e
subo no colo dele, pegando-o totalmente de surpresa. Colocando meus braos ao redor da
cabea dele, eu o beijo, por um longo tempo e com fora, e em um nanosegundo, ele est
respondendo.
         -- Fique comigo esta noite, -- ele sussurra. -- Se voc for embora, eu no te verei a
semana inteira. Por favor.
         -- Sim, - eu cedo. -- E eu vou tentar tambm. Eu vou assinar o seu contrato. -- E 
uma deciso feita no calor do momento.
         Ele olha para mim.
         -- Assine depois de Georgia. Pense sobre isso. Pense bem, beb.
         -- Eu vou. -- E ns sentamos em silncio por um quilmetro ou dois.
         -- Voc realmente deveria usar o seu cinto de segurana, -- Christian sussurra
desaprovadoramente no meu cabelo, mas ele no faz nenhum movimento para me tirar do
colo dele.
         Eu me aconchego nele, olhos fechados, meu nariz est no pescoo dele, absorvendo a
fragrncia sexy de Christian: sexy-picante-almiscarado e loo de banho, minha cabea est
no ombro dele. Eu deixo a minha mente flutuar, e eu me permito fantasiar que ele me ama.
Oh, e  to real, quase tangvel, e uma parte pequenssima do meu subconsciente desagradvel
se comporta de forma usual e ousa ter esperana. Eu tomo cuidado para no tocar no peito
dele, mas apenas me acomodo em seus braos enquanto ele me abraa apertado.
         Logo, eu sou tirada do meu sonho impossvel.
         -- Estamos em casa, -- Christian murmura, e  uma fantasia to provocadora, cheia
de tanto potencial.
         Em casa, com o Christian. Exceto que o apartamento dele  uma galeria de arte, no
um lar.

                  266
          Taylor abre a porta para ns, e eu o agradeo timidamente, consciente que ele estava
ouvindo a nossa conversa, mas o sorriso gentil dele  confortante e no entrega nada. Quando
samos do carro, Christian me observa criticamente. Ah no... o que eu fiz agora?
          -- Porque voc no est com um casaco? -- ele franze para mim enquanto ele tira o
dele e coloca por cima dos meus ombros.
          Um alvio me inunda.
          -- Est no meu carro novo, -- eu respondo sonolenta, bocejando.
          Ele sorri para mim.
          -- Cansada, Srta. Steele?
          -- Sim, Sr. Grey. -- Eu me sinto envergonhada sob o seu escrutnio provocante. No
entanto, eu sinto que uma explicao est em ordem, -- eu fui dominada hoje de uma maneira
que eu nunca achei que fosse possvel.
          -- Bem, voc est com azar, porque vou te convencer a fazer umas coisinhas a mais,
-- ele promete enquanto ele pega a minha mo e me leva de volta para o prdio. Puta
merda... De novo?!
          Eu olho para ele no elevador. Eu presumo que ele gosta de dormir comigo, e ento eu
me lembro de que ele no dorme com ningum, apesar de ele ter dormido comigo algumas
vezes.
          Eu fao uma careta, e abruptamente seu olhar escurece. Ele alcana e pego o meu
queixo, liberando meu lbio do dente.
          -- Um ia, eu vou, te foder neste elevador, Anastsia, mas nesse momento voc est
cansada... ento eu acho que ns devemos ficar com a cama mesmo.
          Abaixando, ele prende seus dentes ao redor do meu lbio inferior e puxa gentilmente.
Eu me derreto contra ele, e a minha respirao para, enquanto minhas entranhas se soltam de
desejo. Eu respondo, acelerando meus dentes por cima do lbio superior dele, e ele geme.
Quando as portas do elevador se abrem, ele pega a minha mo e me puxa para dentro da sala
de estar, passa pelas portas duplas, e entra no corredor.
          -- Voc precisa de uma bebida ou algo?
          -- No.
          -- Bom. Vamos para a cama.
          Eu ergo minhas sobrancelhas para ele.
          -- Voc vai se contentar com baunilha?
          Ele inclina a cabea para um lado.
          -- No tem nada de ruim sobre baunilha...  um sabor bem intrigante, -- ele
sussurra.
          -- Desde quando?
          -- Desde sbado passado. Por qu? Voc estava esperando algo mais extico?
          Minha deusa ergue sua cabea acima do parapeito.
          -- Ah no. Eu tive o bastante de extico por um dia. -- Minha deusa faz beicinho
para mim, falhando miseravelmente em esconder o seu desapontamento.
          -- Certeza? Ns satisfazemos todos os gostos aqui... pelo menos trinta e um sabores.
-- Ele sorri para mim de maneira lasciva.
          -- Eu notei, -- eu respondo secamente.
          Ele balana a cabea.

                 267
          -- Venha, Srta. Steele, voc tem um grande dia amanh. Quanto mais cedo voc
estiver na cama, mais cedo voc ser fodida, e mais cedo voc poder dormir.
          -- Sr. Grey, voc  um romntico incurvel.
          -- Srta. Steele, voc tem uma boca esperta. Eu posso ter que domin-la um dia.
Venha. -- Ele me leva pelo corredor para o seu quarto e chuta a porta para fech-la.
          -- Mos no ar, -- ele comanda.
          Eu fao o que ele pede, e em um movimento incrivelmente rpido, ele tira o meu
vestido como um mgico, pegando-o na barra e puxando suavemente e rapidamente pela
minha cabea.
          -- Ta Da! -- ele diz brincalho.
          Eu dou uma risadinha e aplaudo. Ele se curva graciosamente sorrindo. Como eu
posso resisti-lo quando ele est assim? Ele coloca o meu vestido na cadeira solitria ao lado
de sua cmoda.
          -- Qual  seu prximo truque? -- eu encorajo, provocando.
          -- Ah minha querida, Srta. Steele. Venha para a minha cama, -- ele rosna. -- E eu
te mostro.
          -- Voc acha que pelo menos uma vez eu devo bancar a difcil? -- eu pergunto
coquetemente.
          Seus olhos se arregalam com surpresa, e eu vejo um brilho de excitao.
          -- Bem... a porta est fechada. No tenho certeza de como voc pode me evitar, --
ele diz sarcasticamente. -- Eu acho que  um trato feito.
          -- Mas eu sou uma boa negociadora.
          -- Eu tambm. -- Ele me encara, mas quando ele faz isso, sua expresso muda,
confusa inunda-o, e a atmosfera no quarto muda repentinamente, ficando tensa. -- Voc no
quer foder? -- ele pergunta.
          -- No, --eu sussurro.
          -- Oh. -- ele faz uma careta.
          Ok, l vai... respire fundo.
          -- Eu quero que voc faa amor comigo.
          Ele fica parado e me encara sem expresso. Sua expresso escurece. Oh merda, isso
no parece bom. D a ele um minuto! Meu subconsciente d bronca.
          -- Ana, eu... -- ele corre a mo pelo cabelo. Duas mos. Meu, ele realmente est
atordoado.
          -- Eu pensei que tnhamos feito? -- ele diz eventualmente.
          -- Eu quero te tocar.
          Ele d um passo involuntrio para trs, sua expresso parece amedrontada por um
momento, e ento ele se recompe.
          -- Por favor, -- eu sussurro.
          Ele se recupera.
          -- Ah, no Srta. Steele, voc teve o bastante de concesses de mim por uma noite. E
eu estou dizendo no.
          -- No?
          -- No.
          Ah... eu no posso argumentar com isso... posso?

                268
          -- Olha, voc est cansada, eu estou cansado. Vamos apenas ir para cama, -- ele diz,
me observando cuidadosamente.
          -- Ento te tocar  um limite para voc?
          -- Sim. Essa  velha.
          -- Por favor, me diga o por que.
          -- Ah, Anastsia, por favor. S deixa quieto por enquanto, -- ele murmurou
exasperado.
          --  importante para mim.
          De novo ele passa as duas mos pelo cabelo, e ele profere um juramento sob a sua
respirao.
          Virando o seu calcanhar, ele segue para a cmoda, puxa uma camiseta, e a joga para
mim. Eu a pego, confusa.
          -- Coloque isso e v para cama, -- ele vocifera, irritado.
          Eu fao uma careta e decido agrad-lo. Virando de costas, eu rapidamente removo o
meu suti, colocando a camiseta o mais rpido possvel para cobrir a minha nudez. Eu deixo a
calcinha, eu no a usei em grande parte da noite.
          -- Eu preciso do banheiro. -- Minha voz  um sussurro.
          Ele faz uma careta, confuso.
          -- Agora voc est pedindo permisso?
          -- Errr... no.
          -- Anastsia, voc sabe onde  o banheiro. Hoje, nesse ponto em nosso estranho
arranjo, voc no precisa de permisso para us-lo. -- Ele no consegue esconder sua
irritao. Ele tira a sua camiseta, enquanto eu corro para o banheiro.
          Eu me encaro no espelho gigante, chocada que ainda pareo  mesma. Depois de
tudo o que eu fiz hoje, ainda sou a mesma garota comum olhando boquiaberta de volta para
mim. O que voc esperava? Que nascessem chifres e um pequeno rabo pontudo, em voc? O
meu subconsciente vocifera para mim. Que acha que est fazendo? Tocar  um limite para
ele. Isso est muito claro, sua imbecil. Ele precisa ter primeiro confiana, para depois falar.
Meu subconsciente est furioso, parecendo  medusa em sua raiva, o cabelo voando, suas
mos apertando ao redor de seu rosto igual O Grito de Edvard Munch 29. Eu o ignoro, mas ele
no quer voltar para seu lugar. Voc est deixando-o bravo  pense sobre o que ele disse,
tudo o que ele concedeu. Eu fao uma careta para a minha reflexo. Eu preciso ser capaz de
mostrar para ele afeio  ento talvez ele possa retribuir.
          Eu balano minha cabea resignada e pego a escova de dente de Christian. O meu
subconsciente est certo, claro. Eu estou apressando-o. Ele no est pronto e nem eu tambm.
Ns estamos equilibrados nessa delicada gangorra, que  o nosso estranho arranjo  em lados
diferentes, vacilando, e vai e volta entre ns dois. Ns dois precisamos estar mais prximos
do meio. Eu s espero que nenhum de ns cassemos em nossas tentativas em fazer isso. Isso
tudo  to repentino. Talvez eu precise de um pouco de distncia. Georgia parece mais
atraente do que nunca. Quando eu comeo a escovar os dentes, ele bate na porta.
          -- Entra, -- eu falo com a boca cheia de pasta.



            29
               Edvard Munch foi um pintor noruegus, um dos precursores do expressionismo alemo. O Grito (no
original Skrik)  uma srie de quatro pinturas, a mais clebre das quais datada de 1893.
                                       269
          Christian fica parado no batente da porta, seu pijama largo nos quadris  daquele
jeito que faz com que cada clula no meu corpo acorde e fique atenta. Ele est sem camiseta,
e eu o bebo como se eu estivesse louca de sede e ele  uma fonte de gua limpa e fria na
montanha. Ele olha para mim impassvel, ento sorri e vem ficar ao meu lado. Nossos olhares
se prendem no espelho, cinza para o azul. Eu termino de escovar, lavo a escova, e a entrego
para ele, meu olhar nunca deixando o dele. Sem palavras, ele pega a minha escova de mim e a
coloca na boca. Eu sorrio de volta para ele, e seus olhos esto de repente danando com
humor.
          -- Por favor, sinta-se a vontade para usar a minha escova. -- O seu tom  de gentil
escrnio.
          -- Obrigada, senhor, -- eu sorrio docemente, e eu saio, seguindo de volta para cama.
          Alguns minutos depois ele se junta a mim.
          -- Voc sabe que no era bem assim que eu imaginava como seria essa noite, -- ele
murmura petulante.
          -- Imagine se eu dissesse para voc que voc no poderia me tocar.
          Ele sobre na cama e senta de pernas cruzadas.
          -- Anastsia, eu te disse. Cinquenta Sombras. Eu tive um comeo duro na vida...
voc no quer essa merda na sua cabea. Por que voc iria querer?
          -- Porque eu quero te conhecer melhor.
          -- Voc me conhece o suficiente.
          -- Como voc pode dizer? -- Eu me esforo para ficar de joelhos, encarando-o.
          Ele afasta seu olhar de mim, frustrado.
          -- Voc est desviando seu olhar do meu. Da ltima vez que eu fiz isso, eu terminei
em cima do seu joelho.
          -- Ah, eu gostaria de coloc-la l de novo.
          Inspirao veio a mim.
          -- Conte-me e voc pode.
          -- O qu?
          -- Voc me ouviu.
          -- Voc est negociando comigo? -- Sua voz ressoa com uma descrena espantada.
          Eu assinto. Sim...  dessa forma.
          -- Negociando.
          -- No funciona desse jeito, Anastsia.
          -- Ok. Conte-me, e eu viro meus olhos para voc.
          Ele ri, e eu recebo um raro vislumbre do Christian despreocupado. Eu no o vejo faz
um tempo.
          Ele fica srio.
          -- Sempre to ansiosa e vida por informao. -- Seus olhos cinzas brilham com
especulao.
          Depois de um momento, ele graciosamente desce da cama. -- No v embora, -- ele
diz e sai do quarto.
          Lanas me perfuram, e eu me abrao. O que ele est fazendo? Ser que ele tem
algum tipo de plano maligno? Merda. Imagine se ele volta com uma vara, ou algum tipo de
instrumento bizarro?

                 270
         Puta merda, o que eu farei ento? Quando ele volta, ele est segurando algo pequeno
em suas mos. Eu no consigo ver o que , e eu estou queimando de curiosidade.
         -- Quando  a sua primeira entrevista amanh? -- Ele pergunta suavemente.
         -- s duas.
         Um sorriso perverso lento se espalha em seu rosto.
         -- Bom. -- E perante os meus olhos, ele sutilmente muda. Ele est mais duro,
rebelde... gostoso. Este  o Christian dominante.
         -- Saia da cama. Fique l. -- Ele aponta para o lado da cama, e eu me atrapalho para
sair da cama rapidamente. Ele me encara atentamente, seus olhos cintilando com promessa.
         -- Confia em mim? -- ele pergunta suavemente.
         Eu assinto. Ele estende a mo, e em sua palma esto duas bolas prateadas redondas e
brilhantes, ligadas por um grosso fio negro.
         -- Estas so novas, -- ele diz enfaticamente.
         Eu olho questionadoramente para ele.
         -- Eu vou colocar elas dentro de voc, e ento eu vou te dar umas palmadas, no
para punir, mas para o seu prazer e meu. -- ele pausa, observando os meus olhos arregalados.
         Dentro de mim! Eu perco o flego, e todos os meus msculos l dentro da barriga
ficam tensos. Minha deusa est fazendo a dana dos sete vus.
         -- E ento ns vamos foder, e se voc ainda estiver acordada, eu vou repartir um
pouco de informao a respeito dos meus anos de formao. Concorda?
         Ele est pedindo minha permisso! Ofegante, eu aceno. Eu sou incapaz de falar.
         -- Boa menina. Abra sua boca.
         Boca?
         -- Abra mais.
         Muito gentilmente, ele coloca as bolas na minha boca.
         -- Elas precisam ser lubrificadas. Sugue, -- ele ordena, sua voz suave.
         As bolas so frias, suaves, surpreendentemente pesadas, e tm um gosto metlico.
Minha boca seca se enche de saliva enquanto a minha lngua explora os objetos estranhos. O
olhar cinzento de Christian no deixa o meu. Infernos, isso est me excitando. Eu me contoro
de leve.
         -- Fique parada, Anastsia, -- ele avisa.
         -- Pare. -- Ele as tira da minha boca. Se movendo para frente, ele joga a coberta
para o lado e senta-se na beirada.
         -- Venha aqui.
         Eu fico de p na frente dele.
         -- Agora vire-se, abaixe-se, e agarre os seus tornozelos.
         Eu pisco para ele, e sua expresso se escurece.
         -- No hesite, -- ele censura baixinho, um sobre tom em sua voz, e ele coloca as
bolas em sua boca.
         Porra, isso  mais sexy do que a escova de dente. Eu sigo as ordens dele
imediatamente. Meu, eu posso tocar os meus tornozelos? Eu descubro que posso, com
facilidade. A camiseta desliza pelas minhas costas, expondo meu traseiro. Graas aos cus eu
fiquei de calcinha, mas eu suspeito que no ser por muito tempo.


                271
          Ele coloca sua mo reverentemente no meu traseiro e muito suavemente acaricia com
toda a sua mo. Com meus olhos abertos, eu posso ver as pernas dele atravs das minhas,
nada mais. Eu fecho meus olhos com fora enquanto ele gentilmente remove a calcinha para o
lado e lentamente percorre seu dedo para cima e para baixo no meu sexo. Meu corpo se
prepara em uma mistura inebriante de antecipao selvagem e excitao. Ele desliza um dedo
dentro de mim, e ele circula-o deliciosamente devagar. Ah, que gostoso. Eu gemo.
          A respirao dele para, e eu o escuto gemer enquanto ele repete o movimento. Ele
retira seu dedo e muito lentamente insere os objetos, uma bola, lenta e deliciosa de cada vez.
Oh uau.
          Elas esto na temperatura do corpo, quentes por causa das nossas bocas.  uma
sensao curiosa. Quando elas esto dentro de mim, eu no posso realmente senti-las... mas,
no entanto, eu sei que elas esto l.
          Ele endireita a minha calcinha e se inclina para frente, e seus lbios beijam
suavemente o meu traseiro.
          -- Fique de p, -- ele ordena, e trmula eu fico de p.
          Ah! Agora eu posso senti-las... mais ou menos. Ele pega os meus quadris para me
endireitar enquanto eu restabeleo o meu equilbrio.
          -- Voc est bem? -- ele pergunta, sua voz preocupada.
          -- Sim. -- Minha resposta est leve como uma pena.
          -- Vire-se. -- Eu viro e o encaro.
          As bolas puxam para baixo e involuntariamente eu aperto ao redor delas. A sensao
me atordoa, mas no de uma maneira ruim
          -- Como  a sensao? -- ele pergunta.
          -- Estranha.
          -- Estranho bom ou estranho ruim?
          -- Estranho bom, - eu confesso, ficando vermelha.
          -- Bom. -- H um trao de humor perambulando em seus olhos.
          -- Eu quero um copo de gua. V e pegue um para mim, por favor.
          Ah.
          -- E quando voc voltar, eu devo te colocar no meu joelho. Pense sobre isso,
Anastsia.
          gua? Ele quer gua  agora  por qu?
          Quando eu saio do quarto, se torna abundantemente claro o motivo que ele quer que
eu ande  enquanto eu fao isso, as bolas fazem um peso dentro de mim, me massageando
internamente.  uma sensao to estranha e no inteiramente desconfortvel. Elas me
deixam necessitada, necessitada por sexo.
          Ele est me assistindo cuidadosamente quando eu retorno.
          -- Obrigado, -- ele diz enquanto pega o copo de mim.
          Lentamente, ele d um gole e ento coloca o copo ao lado da mesa de cabeceira. H
um pacote de papel alumnio, pronto e esperando, como eu. E eu sei que ele est fazendo isso
para aumentar a antecipao. Meu corao aumentou o ritmo. Ele virou o seu olhar brilhante
cinzento para o meu.
          -- Venha. Fique ao meu lado. Como da ltima vez.


                 272
          Eu fico ao lado dele, meu sangue tamborilando pelo meu corpo, e desta vez... estou
excitada.
          Acesa.
          -- Pergunte para mim, -- ele diz baixinho.
          Eu fao uma careta. Pergunta a ele o qu?
          -- Pergunte para mim, -- sua voz est uma pouco mais spera.
          O qu? Como est a sua gua? O que ele quer?
          -- Pergunte-me, Anastsia. Eu no vou dizer de novo. -- E h uma ameaa implcita
em suas palavras, e eu me toco. Ele quer que eu pea para ele me bater.
          Puta merda. Ele est me olhando ansiosamente, seus olhos ficando mais frios.
Merda.
          -- Me bata, por favor... senhor. -- eu sussurro.
          Ele fecha seus olhos momentaneamente, saboreando as minhas palavras. Esticando a
mo, ele pega a minha mo esquerda e ele me puxa para os joelhos dele. Eu caio
instantaneamente, e ele me firma quando eu caio em seu colo.
          Meu corao est na boca quando a mo dele gentilmente acaricia o meu traseiro. Eu
estou posicionada em seu colo novamente para que o meu torso descanse na cama ao lado
dele. Desta vez ele no joga a perna dele em cima da minha, mas acaricia o meu cabelo e o
tira do meu rosto e o enfia atrs da orelha. Quando ele termina, ele pega o meu cabelo na nuca
e me segura no lugar. Ele puxa gentilmente e a minha cabea vai para trs.
          -- Eu quero ver o seu rosto enquanto eu te dou umas palmadas, Anastsia, -- ele
murmura o tempo inteiro enquanto ele est esfregando suavemente o meu traseiro.
          A mo dele se move entre as minhas ndegas, e ele empurra contra o meu sexo, e a
sensao ... eu gemo. Ah, a sensao  maravilhosa.
          -- Isso  para o seu prazer, Anastsia, meu e seu, -- ele sussurra suavemente.
          Ele ergue a mo e a traz para baixo em um tapa ressoante na juno das minhas
coxas, meu traseiro e meu sexo. As bolas vo para frente dentro de mim, e estou perdida em
um pntano de sensao. O ardor no meu traseiro, a plenitude das bolas dentro de mim, e o
fato de que ele est me segurando. Eu contoro o meu rosto enquanto as minhas faculdades
tentam absorver todos estes sentimentos estrangeiros. Eu noto que em algum lugar no meu
crebro ele no me bateu com tanta fora como da ltima vez. Ele acaricia o meu traseiro de
novo, trilhando sua palma pela minha pele e por cima da minha calcinha.
          Por que ele no tirou a minha calcinha? Ento sua palma desaparece, ele a traz para
baixo novamente. Eu gemo quando a sensao se espalha. Ele comea um padro: esquerda
para direita e ento para baixo.
          As que vo para baixo so as melhores. Tudo se move para frente, dentro de mim... e
entre cada palmada ele me acaricia, me massageia... para que eu possa ser massageada de
dentro para fora.  uma sensao to ertica e estimulante, e por alguma razo, porque isso 
nos meus termos, eu no me importo com a dor.
          No  to doloroso... bem , mas no insuportvel. De alguma forma manejvel, e
sim prazerosa... at. Eu gemo. Sim, eu posso fazer isso.
          Ele pausa enquanto ele lentamente tira a minha calcinha pelas pernas. Eu me
contoro nas pernas dele, no porque eu quero escapar os golpes, mas eu quero... mais,
liberao, algo. O toque dele contra a minha pele sensvel tudo era um formigamento sensual.

                 273
Era irresistvel, e ele comea de novo. Alguns tapas suaves novamente e ento aumentando,
esquerda para direita e para baixo. Ah, para baixo, eu gemo.
         -- Boa garota, Anastsia, -- ele geme, e sua respirao est entrecortada.
         Ele me d mais dois tapas, e ento ele puxa os pequenos fios presos nas bolas e as
tira de dentro de mim repentinamente. Eu quase chego no clmax  a sensao  fora deste
mundo. Movendo-se rapidamente, ele gentilmente me vira. Eu escuto ao invs de ver o rasgar
do pacote de papel alumnio, e ento ele est deitado ao meu lado. Ele pega as minhas mos,
erguendo-as acima da minha cabea, e ele se aconchega em cima de mim, deslizando
lentamente, me preenchendo onde os globos prateados estavam. Eu gemo alto.
         -- Ah, beb, -- ele sussurra enquanto ele se move para trs, para frente, em um
ritmo lento e sensual, me saboreando, me sentindo.
         Ele nunca havia sido to gentil, e no demora nem um pouco para eu cair do
precipcio, espiralando em um orgasmo delicioso, violento e exaustivo. Enquanto eu aperto ao
redor dele, isso incita sua prpria liberao, e ele desliza dentro de mim, parando, falando
meu nome de maneira ofegante com uma admirao desesperada.
         -- Ana!
         Ele fica em silncio e ofegante em cima de mim, suas mos ainda interligando nas
minhas acima da minha cabea.
         Finalmente, ele se inclina para trs e me encara.
         -- Eu gostei disso, -- ele sussurra, e ento me beija docemente.
         Ele no se prolonga para mais doces beijos, mas se levanta, me cobre com a coberta,
e desaparece dentro do banheiro. Na sua volta, ele est carregando uma garrafa de loo
branca. Ele senta ao meu lado na cama.
         -- Vire-se, -- ele ordena, e relutantemente eu me viro.
         Honestamente, toda essa baguna. Eu me sinto sonolenta.
         -- O seu traseiro est com uma cor gloriosa, -- ele diz aprovadoramente, e ele
carinhosamente massageia a loo refrescante no meu traseiro rosa.
         -- Abre o jogo, Grey, -- eu bocejo.
         -- Srta. Steele, voc sabe como estragar um momento.
         -- Ns temos um trato.
         -- Como voc se sente?
         -- Sendo passada para trs.
         Ele suspira, desliza ao meu lado, e me puxa para os seus braos. Com cuidado para
no tocar o meu traseiro dolorido, ns estamos de conchinha novamente. Ele me beija bem
suavemente ao lado da minha orelha.
         -- A mulher que me trouxe para este mundo era uma puta viciada em crack,
Anastsia. V dormir.
         Puta merda... o que isso significa?
         -- Era?
         -- Ela est morta.
         -- H quanto tempo?
         Ele suspira.
         -- Ela morreu quando eu tinha quatro anos. Eu realmente no me lembro dela.
Carrick me deu alguns detalhes. Eu apenas me lembro de certas coisas. Por favor, v dormir.

               274
         -- Boa noite, Christian.
         -- Boa noite, Ana.
         Enquanto eu deslizo para um sono exausto e confuso, sonhando com um garotinho
de quatro anos de idade, com olhos cinzentos em uma casa escura, assustadora e miservel.




            275
         Captulo 21


         H luz em toda parte. Quente, brilhante, uma luz penetrante, e eu me esforo para
mant-la de lado por mais alguns preciosos minutos. Eu quero me esconder, somente por mais
alguns minutos. Mas o brilho  muito forte, e eu finalmente sucumbo  viglia. Uma manh
gloriosa em Seattle me cumprimenta, o sol se derramando atravs das janelas altas e
inundando o quarto com uma luz clara demais. Por que ns no fechamos as persianas ontem
 noite? Eu estou na cama vasta de Christian Grey, mas sem o Christian Grey.
         Eu me deito por um momento encarando a vista sublime do horizonte de Seattle
atravs das janelas altas. A vida nas nuvens realmente parecia irreal. Uma fantasia  um
castelo no ar,  deriva do cho, seguro das realidades da vida  bem longe do abandono, fome,
e as mes que se prostituem pelo crack. Eu estremeo ao pensar do que ele passou quando
criana, e eu entendo o motivo para ele viver aqui, isolado, cercado, por lindas e preciosas
obras de arte  to distante de onde ele comeou... uma declarao de intenes. Eu fao uma
careta porque isso ainda no explica porque ele no me deixa toc-lo.
         Ironicamente, eu sinto o mesmo aqui na torre espaosa dele. Estou neste apartamento
fantstico, fazendo um sexo fantstico com o meu fantstico namorado. Quando a realidade
sombria  que ele quer um arranjo especial, apesar dele ter dito que tentaria mais. O que isso
realmente significa?  isso que eu preciso esclarecer entre ns para ver se ns ainda estamos
de lado diferentes na gangorra ou se ns estamos nos aproximando.
         Saiu da cama me sentindo dura, e por falta de uma melhor expresso, bem amassada.
Sim, isso deve ser efeito de tanto sexo. Meu subconsciente aperta seus lbios em
desaprovao. Eu reviro meus olhos para ela, grata que um certo controlador de mos
inquietas no est no quarto, e resolvo perguntar para ele sobre o treinador. Isso se eu assinar.
Minha deusa olha de cara feia para mim desesperada. Claro que voc vai assinar. Eu ignoro os
dois, e depois de uma rpida ida ao banheiro, eu vou procurar Christian.
         Ele no est na galera de arte, mas uma elegante mulher de meia idade est limpando
a rea da cozinha. A viso dela me para no meio do caminho. Ela tem cabelo loiro curto e
olhos azuis claros; ela est vestindo uma camisa branca simples sob medida e uma saia reta
azul marinho. Ela sorri amplamente quando me v.
         -- Boa dia, Srta. Steele. Voc gostaria de um caf da manh? -- O tom dela  clido,
mas srio, e eu estou atordoada. Quem  essa atraente loira na cozinha de Christian?
         Eu estou apenas usando a camisa de Christian. Eu me sinto autoconsciente e
envergonhada pela minha falta de roupas.
         -- Eu sinto que ns nos conhecemos em desvantagem. -- Minha voz est baixa,
incapaz de esconder a ansiedade na minha voz.
         -- Ah, eu sinto muitssimo, eu sou a Sra. Jones, sou a empregada do Sr. Grey.
         Ah.
         -- Como voc est? -- eu consigo falar.
                    276
          -- Voc gostaria de um caf da manh, senhora?
          Senhora!
          -- S um pouco de ch est timo, obrigada. Voc sabe onde o Sr. Grey est?
          -- Em seu escritrio.
          -- Obrigada.
          Eu fugi para o escritrio, mortificada. Por que o Christian s tem loiras atraentes
trabalhando para ele? E um pensamento desagradvel veio involuntariamente em minha
mente  Todas elas so ex-subs? Eu me recuso a entreter essa ideia horrvel. Eu enfio minha
cabea timidamente pela porta. Ele est no telefone, de frente para a janela, com cala preta e
uma camisa branca. Seu cabelo ainda est molhado do banho, e eu estou completamente
distrada dos meus pensamentos negativos.
          -- A menos que a companhia P&L melhore, eu no estou interessado, Ros. Ns no
vamos carregar peso morto... eu no preciso de mais desculpas esfarrapadas... Fale para
Marco me ligar, ou ele caga ou saa da moita... sim, diga para Barney que o prottipo parece
bom, apesar de que eu no estou certo sobre a interface... no, est apenas faltando algo... eu
quero encontrar com ele esta tarde para discutir... na verdade, ele e a equipe dele ns podemos
trocar uma avalanche de ideias... ok. Transfira-me de volta para Andrea... -- ele espera,
encarando para fora da janela, mestre do universo, encarando as pequenas pessoas abaixo de
seu castelo no cu. -- Andrea...
          Olhando para cima, ele me nota na porta. Um sorriso lento e sexy se espalha em seu
lindo rosto, e eu estou sem palavras enquanto minhas entranhas se derretem. Ele  sem
dvidas o homem mais lindo do planeta, muito lindo para as pequenas pessoas l em abaixo,
muito lindo para mim.
          No, minha deusa faz uma careta para mim, no  muito lindo para mim. Ele  meio
que meu, por enquanto.
          A ideia cria uma excitao pelo meu sangue e dispersa a minha insegurana
irracional.
          Ele continua sua conversa, seus olhos nunca deixando os meus.
          -- Limpe a minha agenda esta manh, mas fale para Bill me ligar. Eu estarei a s
duas. Eu preciso falar com Marco esta tarde, isso precisar de pelo menos meia hora... marque
com Barney e a equipe dele depois do Marco ou talvez amanh, e encontre tempo para eu ver
Claude todos os dias esta semana... Diga para ele esperar... Oh... No, eu no quero
publicidade para Darfur... Diga para Sam lidar com isso... No... Que evento? ... Neste sbado
agora?... Espera.
          -- Quando voc voltar da Georgia? -- ele pergunta.
          -- Sexta-feira.
          Ele continua sua conversa no telefone.
          -- Eu preciso de um convite extra porque eu tenho um encontro... sim, Andrea, 
isso que eu disse, um encontro, Srta. Steele ir me acompanhar... isso  tudo. -- Ele desliga.
-- Boa dia, Srta. Steele.
          -- Sr. Grey, -- eu sorrio timidamente.
          Ele d a volta em sua mesa com a sua graa de sempre e para na minha frente. Ele
tem um cheiro to bom; limpo e recm-lavado, to Christian. Ele gentilmente acaricia minha
bochecha com as costas de seus dedos.

                  277
          -- Eu no queria te acordar, voc parecia to pacfica. Voc dormiu bem?
          -- Eu estou muito bem descansada, obrigada. Eu apenas vim te dizer oi antes de eu
tomar banho.
          Eu olho para ele, bebendo-o inteiro. Ele se inclina para frente e me beija gentilmente,
e eu no posso evitar. Eu jogo meus braos ao redor do pescoo dele e os meus dedos se
contorcem em seu cabelo ainda molhado.
          Empurrando o meu corpo contra o dele, eu o beijo de volta. Eu o quero. O meu
ataque o toma de surpresa, mas depois de um segundo, ele responde, um gemido baixo em sua
garganta. Suas mos deslizam para o meu cabelo e pelas minhas costas para segurar o meu
traseiro nu, sua lngua explorando a minha boca. Ele se afasta, seus olhos semicerrados.
          -- Bem, dormir parece combinar com voc, -- ele murmura. -- Eu sugiro que voc
v e tome o seu banho, ou eu deitarei voc na minha mesa, agora.
          -- Eu escolho a mesa, -- eu sussurro imprudentemente enquanto o desejo me invade
como adrenalina pelo meu sistema, acordando tudo em seu percurso.
          Ele me olha atordoado por um milissegundo.
          -- Voc realmente gostou disso, no , Srta. Steele? Voc est se tornando
insacivel, -- ele murmura.
          -- Eu s sou insacivel com voc, -- eu sussurro.
          Seus olhos se arregalam e escurecem enquanto suas mos acariciam o meu traseiro
nu.
          -- Pode apostar, s eu, -- ele rosna, e de repente com um movimento fludo, ele tira
todos os seus projetos e documentos para fora da mesa e eles se dispersam pelo cho, ele me
pega nos braos, e me deita na mesa na extremidade mais curta da mesa para que a minha
cabea esteja quase na beirada.
          -- Voc tem, o que voc quer, beb, -- ele murmura, o preservativo  sacodido do
bolso de sua cala enquanto ele abre a braguilha de sua cala. Oh Sr. Escoteiro. Ele coloca a
camisinha em sua ereo e olha para mim. -- Eu espero que voc esteja pronta, -- ele
sussurra, um sorriso malicioso em seu rosto. E em um momento, ele est me preenchendo,
segurando meus pulsos com firmeza nas minhas laterais, e enterrando em mim
profundamente.
          Eu gemo... oh sim.
          -- Cristo, Ana. Voc est to pronta, -- ele sussurra em venerao.
          Colocando minhas pernas ao redor da cintura dele, eu o seguro da nica maneira que
eu consigo enquanto ele fica de p, me encarando, olhos cinzentos brilhando, apaixonado e
possessivo. Ele comea a se mover, realmente se mover. Isso no  fazer amor, isso  foder 
e eu amo. Eu gemo.  to cru, to carnal, est me fazendo to lasciva.
          Ele retorce o quadril de um lado para o outro, e a sensao  incrvel.
          Oh meu Deus. Eu fecho meus olhos, sentindo a acumulao  aquela deliciosa, lenta
subida.
          Puxando-me mais para cima, mais alto no castelo no ar. Oh sim... a sua carcia
aumentando uma frao. Eu gemo alto. Eu sou toda sensao... toda dele, aproveitando cada
estocada, cada presso. E ele pega o ritmo, enfiando mais rpido... com mais fora... e o meu
corpo inteiro est se movendo ao seu ritmo, e eu posso sentir a rigidez nas minhas pernas, e as
minhas entranhas tremendo e se acelerando.

                    278
         -- Vamos l, beb, d para mim, -- me estimula atrs dos dentes cerrados  e a
necessidade fervente em sua voz  a tenso  me manda por cima do abismo.
         Eu grito um apelo sem palavras enquanto eu toco o sol e me queimo, caindo ao redor
dele, caindo, sem flego de volta para um crculo brilhante de sol na terra. Ele enfia dentro de
mim e para abruptamente enquanto ele alcana seu prprio clmax, puxando meus pulsos, e se
afundando graciosamente e sem palavras ao meu lado.
         Uau... isso foi inesperado. Eu lentamente me materializei de volta na terra.
         -- Que inferno voc est fazendo comigo? -- ele sussurra enquanto ele funga no
mesmo pescoo. -- Voc me seduz totalmente, Ana. Voc tece uma poderosa magia.
         Ele libera meus pulsos, e eu passo meus dedos pelo cabelo, descendo do meu furor.
Eu pressiono minhas pernas com mais fora ao redor dele.
         -- Sou eu que estou seduzida, -- eu sussurro.
         Ele olha para cima, me observando, sua expresso est desconcertada, alarmada at.
Colocando suas mos em cada lado do meu rosto, ele segura minha cabea no lugar.
         -- Voc... ... Minha, -- ele diz, cada palavra destacada. -- Voc entende?
         Ele  to srio, to apaixonado, um fantico. A fora de sua suplica me parece to
inesperada e me deixa desarmada. Eu me pergunto por que ele est se sentindo assim.
         -- Sim, sua, -- eu sussurro, totalmente desconcertada com seu fevor.
         -- Voc tem certeza que tem ir para a Gergia?
         Eu assinto lentamente. E naquele breve momento, eu posso ver a expresso dele
mudar e as persianas se fecharem. Abruptamente ele se fecha, me fazendo estremecer.
         -- Voc est dolorida? -- ele pergunta, se inclinando em cima de mim.
         -- Um pouco, -- eu confesso.
         -- Eu gosto que voc esteja dolorida. -- Seus olhos ardem. -- Isso a faz lembrar
onde eu estive a, e somente eu.
         Ele pega o meu queixo e me beija com fora, ento fica de p e estica sua mo para
me ajudar a levantar. Eu olho para o pacote de alumnio ao meu lado.
         -- Sempre preparado, -- eu murmuro.
         Ele olha para mim confuso enquanto ele fecha novamente a braguilha. Eu ergo o
pacote vazio.
         -- Um homem pode esperar, Anastsia, at sonhar, e algumas vezes os sonhos dele
se tornam realidade.
         Ele soa to estranho, seus olhos queimando. Eu apenas no entendo. O meu brilho
ps-foda est sumindo rpido. Qual  o problema dele?
         -- Ento, na sua mesa, isso foi um sonho? -- eu pergunto secamente, tentando dar
uma leveza de humor  atmosfera entre ns.
         Ele sorri um sorriso enigmtico que no alcana seus olhos, e eu sei imediatamente
que esta no  a primeira vez que ele fez sexo nessa mesa. O pensamento no  bem vindo. Eu
me mexo desconfortavelmente enquanto o meu brilho ps-foda evapora.
         --  melhor eu ir tomar um banho. -- Eu fico de p e passo por ele.
         Ele faz uma careta e passa a mo no cabelo.
         -- Eu tenho mais umas duas ligaes para fazer. Eu me juntarei a voc para o caf da
manh quando voc sair do chuveiro. Eu acho que a Sra. Jones lavou suas roupas de ontem.
Elas esto no guarda-roupa.

                   279
         O qu? Quando diabos ela fez isso? Eita, ser que ela podia nos ouvir? Eu ruborizo.
         -- Obrigada, -- eu murmuro.
         -- No foi nada, -- ele responde automaticamente, mas h um tom em sua voz.
         Eu no vou agradecer por voc ter-me fodido. Apesar de ter sido bom...
         -- O qu? -- ele pergunta, e eu percebo que estou fazendo careta.
         -- O que est errado? -- eu pergunto baixinho.
         -- O que voc quer dizer?
         -- Bem... voc est mais estranho do que o normal.
         -- Voc me acha estranho? -- ele tenta segurar um sorriso.
         -- Vamos apenas dizer que foi um momento inesperado.
         -- Nosso objetivo  agradar, Sr. Grey. -- Eu inclino minha cabea para um lado
como ele frequentemente faz comigo e devolvo suas palavras.
         -- E voc me agrada, -- ele diz, mas ele parece desconfortvel. -- Eu pensei que
voc iria tomar um banho.
         Oh, ele est me dispensando.
         -- Sim... hum, eu te vejo em um momento. -- Eu corro para fora de seu escritrio
atordoada.
         Ele parecia confuso. Por qu? Eu tenho que dizer que at onde eu sei de experincias,
essa foi bem satisfatria. Mas emocionalmente... bem, estou aturdida pela reao dele, e isso
foi to emocionalmente enriquecedor quanto algodo doce  nutritivo.
         Sra. Jones ainda est na cozinha.
         -- Voc gostaria de um pouco de ch agora, Srta. Steele?
         -- Eu vou tomar banho primeiro, obrigada, -- eu murmuro e levo meu rosto em
brasas rapidamente para fora do cmodo.
         No chuveiro, eu tento descobrir o que est acontecendo com o Christian. Ele  a
pessoa mais complicada que eu conheo, e eu no consigo entender a mudana constante do
seu humor. Ele parecia bem quando eu entrei em seu escritrio. Ns fizemos sexo... e ento
ele no estava. No, eu no entendo. Eu olho para o meu subconsciente. Ela est assoviando
com suas mos atrs das costas e olhando para todo lugar menos para mim. Ele no tem ideia,
e a minha deusa ainda est se deleitando no brilho ps-foda remanescente. No... ns todos
estamos sem ideia.
         Eu seco o cabelo com a toalha, e penteio meu cabelo com o nico pente de Christian,
e o amarro em um coque. O vestido cor de ameixa da Kate est lavado e passado no guarda-
roupa juntamente com o meu suti e calcinha limpos. A Sra. Jones  uma maravilha.
Colocando os sapatos da Kate, eu endireito o meu vestido, respiro fundo, e sigo de volta para
a grande sala.
         Christian ainda no est em nenhum lugar para ser visto, e a Sra. Jones est
verificando o contedo da despensa.
         -- Ch agora, Srta. Steele? -- ela pergunta.
         -- Por favor. -- Eu sorrio para ela. Eu me sinto um pouco mais confiante agora que
estou vestida.
         -- Voc gostaria de algo para comer?
         -- No, obrigada.


                 280
          -- Claro que voc vai comer alguma coisa, -- Christian vocifera, olhando de cara
feia. -- Ela gostaria de panquecas, bacon, e ovos, Sra. Jones.
          -- Sim, Sr. Grey. O que voc gostaria, senhor?
          -- Omelete, por favor, e um pouco de fruta. -- Ele no tira seus olhos de mim, sua
expresso indecifrvel. -- Sente, -- ele ordena, apontando para um dos bancos da mesa.
          Eu aceito, e ele se senta ao meu lado enquanto a Sra. Jones se ocupa com o caf da
manh. Deus, eu fico nervosa s de imaginar algum ouvindo nossa conversa.
          -- Voc j comprou a sua passagem area?
          -- No, eu vou compr-la quando eu chegar em casa... na internet.
          Ele se inclina em um cotovelo, esfregando o seu queixo.
          -- Voc tem dinheiro?
          Ah no.
          -- Sim, -- eu digo com uma pacincia fingida como se eu tivesse falando com uma
criana pequena.
          Ele ergue uma sobrancelha severa para mim. Merda.
          -- Sim, eu tenho, obrigada, -- eu emendo rapidamente.
          -- Eu tenho um jato. No est programado para ser usado pelos prximos trs dias,
est a sua disposio.
          Eu olho boquiaberta para ele. Claro que ele tem um jato, e eu tenho que resistir a
natural tendncia do meu corpo de desviar meus olhos dele. Eu quero rir. Mas eu no o fao,
j que eu no consigo entender o humor dele.
          -- Ns j fizemos um srio mau uso da sua companhia de aviao. Eu no gostaria
de faz-lo novamente.
          --  a minha companhia,  o meu jato. -- Ele soa quase magoado. Ah, garotos e
seus brinquedos!
          -- Obrigada pela oferta. Mas eu ficaria mais feliz em pegar um voo programado.
          Ele parece como se quisesse discutir mais, mas decide no faz-lo.
          -- Como desejar, -- ele suspira. -- Voc tem muita preparao a fazer para sua
entrevista?
          -- No.
          -- Bom. Voc ainda no vai me contar quais so as editoras?
          -- No.
          Seus lbios se curvam em um sorriso relutante.
          -- Eu sou um homem de meios, Srta. Steele.
          -- Estou bem ciente disso, Sr. Grey. Voc ir monitorar o meu telefone? -- eu
pergunto inocentemente.
          -- Na verdade, eu estarei bem ocupado esta tarde, ento eu terei que arrumar outra
pessoa para faz-lo.
          Ele sorri.
          Ele est brincando?
          -- Se pode colocar algum para fazer isso,  porque est com excesso de pessoal.
          -- Eu mandarei um email para o chefe dos recursos humanos e falarei para ela
verificar o nmero de funcionrios. -- Seus lbios se retorcem para esconder seu sorriso.
          Ah, graas ao Senhor, ele recuperou o seu senso de humor.

               281
         A Sra. Jones nos serve o caf da manh e ns comemos em silncio por alguns
momentos. Depois de limpar as panelas, diplomaticamente, ela sai da sala. Eu olho para ele.
         -- O que foi, Anastsia?
         -- Sabe, voc nunca me contou o motivo de voc no gostar de ser tocado.
         Ele empalidece e sua reao me faz sentir culpada por ter perguntado.
         -- Eu te contei coisas que eu jamais contei a algum. -- Sua voz est baixa enquanto
ele me olha impassivamente.
         E est claro para mim que ele nunca confidenciou nada para ningum. Ele no tem
amigos prximos? Talvez ele contou para a Sra. Robinson? Eu quero perguntar a ele, mas eu
no posso... eu no posso forar a invaso. Sacudo a cabea na realizao. Ele realmente 
uma ilha.
         -- Voc pensar sobre o nosso acordo enquanto voc estiver fora? -- ele pergunta.
         -- Sim.
         -- Voc sentir minha falta?
         Eu olho para ele, surpresa por sua pergunta.
         -- Sim, -- eu respondo honestamente.
         Como ele pode significar tanto para mim em to pouco tempo? Ele conseguiu ficar
sob minha pele... literalmente. Ele sorri e seus olhos brilham.
         -- Eu sentirei sua falta tambm. Mais do que voc imagina, -- ele suspira.
         Meu corao se aquece pelas suas palavras. Ele realmente est tentando, bastante.
Ele gentilmente acaricia minha bochecha, se abaixa, e me beija suavemente.




          J  o final da tarde, e eu sento nervosa e inquieta no trio  espera do Sr. J. Hyde da
Editora Seattle Independent. Esta  a minha segunda entrevista hoje, e a aquela que eu estou
mais ansiosa. Minha primeira entrevista foi boa, mas  um grande conglomerado com
escritrios sediados em todos os EUA, e eu seria uma de muitas assistentes editoriais l. Eu
posso imaginar ser engolida e cuspida bem rapidamente em tal mquina corporativa.
          A editora SIP  onde eu quero estar.  pequena e no convencional, defendendo os
autores locais, e tem um elenco interessante e peculiar de clientes.
          Ao meu redor o ambiente  pouco decorado, austero, mas eu acho que  declarao
dos projetos da empresa que uma falta de recurso e desleixo. Eu estou sentada em um dos dois
sofs chesterfield verde escuro de couro... no muito diferente do sof que o Christian tem em
seu quarto de jogos. Eu acaricio o couro apreciativamente e me pergunto  toa o que Christian
faz naquele sof. Minha mente vagueia enquanto eu penso nas possibilidades... no.... eu no
preciso pensar nisso agora. Eu fico vermelha por conta dos meus pensamentos impertinentes e
inadequados.
          A recepcionista  uma mulher afro-americana com grandes brincos pratas e um longo
cabelo liso. Ela tem uma aparncia de boemia, o tipo de mulher que eu poderia virar amiga. O
pensamento  confortante. A cada momento, ela olha para cima para mim, para longe de seu
computador e sorri tranquilizadoramente. Eu timidamente retorno o sorriso.
          O meu vo est marcado; minha me est no stimo cu que eu vou visitar; j
arrumei as malas, e Kate concordou em me levar para o aeroporto. Christian exigiu que eu
                     282
levasse o meu Blackberry e o Mac. Eu reviro meus olhos com a memria de sua prepotncia
arrogante, mas eu percebo agora que  somente a maneira que ele . Ele gosta de controlar
tudo, incluindo eu. No entanto, ele  to imprevisvel e surpreendentemente agradvel
tambm. Ele pode ser carinhoso, bem-humorado, at mesmo doce. E quando ele ,  to
estranho e inesperado. Ele insistiu em me acompanhar o caminho todo at o meu carro na
garagem. Meu Deus, eu vou estar fora por apenas alguns dias, ele est agindo como eu fosse
estar fora por semanas. Ele me mantm com o p atrs permanentemente.
          -- Ana Steele? -- Uma mulher com um cabelo longo, preto, parecendo de uma
poca pr-rafaelita30 estava parada ao lado da mesa da recepo e me distrai da minha
introspeco. Ela tem a mesma aparncia bomia e esvoaante igual  recepcionista. Ela
poderia estar no final dos trinta anos, talvez nos quarenta.  to difcil dizer as idades de
mulheres mais velhas.
          -- Sim, -- eu respondo, me levantando desajeitadamente.
          Ela me oferece um sorriso educado, seus frios olhos castanhos me avaliam. Eu estou
vestindo um dos vestidos da Kate, um babador preto sobre uma camisa branca, e os meus
saltos altos pretos. Toda entrevista, eu penso. Meu cabelo est preso em um rabo de cavalo, e
pela primeira vez os fios esto se comportando... ela estica sua mo para mim.
          -- Ol, Ana, meu nome  Elizabeth Morgan. Eu sou a responsvel pelo Recursos
Humanos aqui na SIP. Como voc est? -- Eu balano a mo dela. Ela parece bem casual
para ser a chefe do RH.
          -- Por favor, me siga.
          Atravessamos as portas duplas atrs da rea da recepo, e entramos em um grande e
plano escritrio brilhantemente decorado, e de l, para dentro de uma pequena sala de reunio.
As paredes so de um verde-claro, forradas com imagens de capas de livros.  frente da mesa
de bordo de conferncia senta um jovem com o cabelo vermelho amarrado em um rabo de
cavalo. Brincos pequenos, de argola, prateados, brilham em suas duas orelhas. Ele veste uma
camisa azul-clara, sem gravata, e calas de flanela cinza. Ao me aproximar, ele se levanta e
olha para mim com insondveis olhos azuis escuros.
          -- Ana Steele, eu sou Jack Hyde, um dos editores-chefes da SIP, e eu estou muito
contente em te conhecer.
          Ns apertamos as mos, e sua expresso escura  ilegvel, apesar de ser amigvel o
bastante, eu acho.
          -- Voc viajou de longe? -- ele pergunta agradavelmente.
          -- No, eu recentemente me mudei para Pike Street Market.
          -- Ah, no muito longe ento. Por favor, sente-se.
          Eu sento, e Elizabeth toma o seu lugar ao lado dele.
          -- Ento por que voc gostaria de fazer estgio aqui para ns na SIP, Ana? -- ele
pergunta.
          Ele diz o meu nome suavemente e inclina a cabea para um lado, como algum que
eu conheo...  enervante. Estou fazendo o meu melhor para ignorar a desconfiana irracional
que ele me inspira, me lanando no meu discurso cuidadosamente preparado, consciente de

     30
            Na Inglaterra de 1848, um grupo de jovens artistas forma uma irmandade chamada "Os Pr-Rafaelitas".
           Um importante movimento artstico que mudou os rumos da esttica da arte, em uma poca que os
           artistas tinham voz, coragem e, sobretudo, ideal. Estes artistas eram jovens destemidos que lutaram pelo
           que acreditavam ser a forma ideal de se fazer arte.
                                         283
que um rubor rosado est se espalhando pelo meu rosto. Eu olho para os dois, lembrando da
palestra de Katherine Kavanagh sobre a Tcnica de Entrevista de Sucesso... mantenha o
contato com os olhos, Ana! Cara, esse mulher pode ser mandona tambm, s vezes. Jack e
Elizabeth me escutam atentamente.
          -- Voc possui uma mdia bem impressionante. Que atividades extracurriculares
voc desfrutou em fazer na WSU?
          Desfrutar?! Eu pisco para ele. Que escolha estranha de palavra. Eu me lano nos
detalhes de quando trabalhei na biblioteca central do campus, e a minha nica experincia
entrevistando um homem obscenamente rico para a revista estudantil. Eu encubro a parte
sobre a qual eu no realmente escrevi o artigo. Menciono duas sociedades literrias nas quais
eu participei e concluo com o trabalho em Clayton e todo aquele conhecimento intil que eu
agora possuo sobre hardware e o faa-voc-mesmo.
          Os dois riem, que era a resposta que eu esperava. Lentamente, eu relaxo e comeo a
desfrutar.
          Jack Hyde faz perguntas afiadas e inteligentes, mas eu no me derrubo...eu continuo,
e quando ns discutimos as minhas preferncias literrias e os meus livros favoritos, eu acho
que consigo manter bem a conversao. Jack, por outro lado, parece apenas favorecer a
literatura americana escrita depois de 1950. Nada mais.
          Sem clssicos... nem mesmo Henry James ou Upton Sinclair ou F. Scott Fitzgerald.
Elizabeth no diz nada, apenas assente ocasionalmente e toma notas. Jack, apesar de
argumentativo, tem um charme prprio, e minha cautela inicial se dissipa ao longo da
conversa.
          -- E onde voc se v em cinco anos? -- ele pergunta.
          Com Christian Grey, o pensamento vem involuntariamente na minha cabea. A
minha mente errante me faz franzir.
          -- Como editora talvez? Talvez uma agente literria, eu no tenho certeza. Estou
aberta a oportunidades. -- Ele sorri.
          -- Muito bom, Ana. Eu no tenho mais perguntas. Voc tem? -- ele direciona sua
pergunta para mim.
          -- Quando voc gostaria que a pessoa comeasse? -- eu pergunto.
          -- O quanto antes, -- Elizabeth oferece. -- Quando voc pode comear?
          -- Estou disponvel a partir da prxima semana.
          -- Isso  bom saber, -- Jack diz.
          -- Se  isso que todos tm a dizer, -- Elizabeth olha para ns dois, -- eu acho que
isso conclui a nossa entrevista. -- Ela sorri gentilmente.
          -- Foi um prazer te conhecer, Ana, -- Jack diz suavemente quando ele pega a minha
mo. Ele a aperta gentilmente, para que eu olhe para ele enquanto eu digo adeus.
          Eu me sinto inquieta enquanto eu fao o meu caminho para o carro, embora eu no
saiba dizer o motivo. Eu acho que a entrevista foi boa, mas  to difcil dizer. Entrevistas
parecem ser situaes to artificiais, todos em seu melhor comportamento, tentando
desesperadamente se esconder atrs de uma fachada profissional. Ser que o meu rosto se
encaixa? Terei de esperar para ver.



                 284
          Eu subo no meu Audi A3 e sigo de volta para o apartamento, apesar de eu ir com
calma. Estou no vo da madrugada com uma parada em Atlanta, mas o meu vo no sai at as
10:25 desta noite, ento eu tenho bastante tempo.
          Kate est desempacotando caixas na cozinha quando eu retorno.
          -- Como foi? -- ela pergunta, excitada. Somente Kate fica linda em uma camiseta
grande demais, jeans velho, e uma bandana azul escura.
          -- Bem, obrigada, Kate. No tenho certeza se essa roupa era moderna o bastante para
a segunda entrevista.
          -- Oh?
          -- Teria ido melhor com algo bomio e elegante.
          Kate ergue uma sobrancelha.
          -- Voc e seu bomio e elegante. -- Ela inclina a cabea para um lado -- Aff!
Porque todo mundo est me lembrando do meu favorito Cinquenta sombras? -- Na verdade,
Ana, voc  uma das poucas pessoas que podem realmente usar esse tipo de modelo.
          Eu sorrio.
          -- Eu realmente gostei da segunda entrevista. Eu acho que eu poderia me encaixar
l. O cara que me entrevistou me deixou nervosa, no entanto, -- eu paro de falar... merda eu
estou falando com a detetive Kavanagh aqui. Cala a boca Ana!
          -- Oh? -- O radar Katherine Kavanagh detecta um fato interessante para entra em
ao... um assunto que apenas ir surgir em algum momento inoportuno e vergonhoso, o que
me lembra.
          -- Alas... por favor, voc poderia parar de provocar o Christian? O seu comentrio
sobre o Jos no jantar ontem foi fora de linha. Ele  um cara ciumento. O que voc fez, no
foi legal.
          -- Olha, se ele no fosse irmo do Elliot eu teria dito coisa bem pior. Ele  realmente
um manaco por controle. Eu no sei como voc aguenta. Eu estava tentando deix-lo com
cimes... dando a ele um pouco de ajuda com os seus problemas de relacionamento. -- Ela
ergue a mo defensivamente. -- Mas... se voc no quer que eu interfira, eu no vou, -- ela
diz rapidamente por causa da minha careta.
          -- Bom. A vida com Christian j  complicada o bastante, confie em mim.
          Meu Deus, eu soo como ele.
          -- Ana, -- ela pausa e me encara. -- Voc est bem, no est? Voc no est
correndo para a sua me para escapar?
          Eu ruborizo.
          -- No Kate. Foi voc quem disse que eu precisava de um tempo.
          Ela fecha a distncia entre ns e pega a minha mo... um coisa no tpica da Kate.
          Ah no... lgrimas ameaam.
          -- Voc est, eu no sei... diferente. Eu espero que voc esteja bem, e quaisquer que
sejam os problemas que voc est tendo com o Sr. Cheio da Grana, voc pode falar comigo. E
eu tentarei no incomod-lo, apesar de que francamente me ser muito atraente a ideia, mas...
Olha, Ana, se algo est errado, voc ir me contar, eu no vou julgar. Eu tentarei entender.
          Eu tento segurar as lgrimas.
          -- Ah, Kate.  Eu a abrao. -- Eu acho que eu realmente me apaixonei por ele.


                    285
         -- Ana, qualquer um pode ver isso. E ele tambm se apaixonou por voc. Ele est
louco por voc. No consegue tirar os olhos de voc.
         Eu rio incerta.
         -- Voc acha?
         -- Ele no te falou?
         -- No em tantas palavras.
         -- Voc contou para ele?
         -- No em tantas palavras. -- Eu dou de ombros apologeticamente.
         -- Ana! Algum tem que dar o primeiro passo, seno vocs nunca chegaro em lugar
algum.
         O qu... dizer a ele como eu me sinto?
         -- Eu estou com medo de assust-lo.
         -- E como voc sabe se ele no est sentindo o mesmo?
         -- Christian, com medo? Eu no posso imagin-lo com medo de nada.
           Mas enquanto eu digo as palavras, eu o imagino como uma criana pequena. Talvez
o medo fosse tudo o que ele conhecesse. Uma tristeza aperta e esmaga o meu corao com o
pensamento.
         Kate olha para mim com os lbios apertados e olhos estreitos, bem como o meu
subconsciente... tudo que ela precisa  dos culos meia-lua.
         -- Vocs dois precisam se sentar e conversar um com o outro.
         -- Ns no temos conversados ultimamente. -- Eu ruborizo. Comunicao no-
verbal no esta indo mal. Bem, muito mais do que bem.
         Ela sorri.
         -- Isso seria sexo por mensagem! Se isso est indo bem, ento isso  meia batalha
ganha Ana. Eu vou pegar comida chinesa. Voc quer um pouco?
         -- Eu estarei... ns no temos que sair por mais duas horas ainda.
         -- No... eu te verei em vinte minutos. -- Ela pega seu casaco e sai, esquecendo-se
de fechar a porta. Eu a fecho atrs dela e sigo para o meu quarto pensando sobre suas
palavras.
         Christian est com medo dos seus sentimentos por mim? Ele tem sentimentos mesmo
por mim? Ele parece bem veemente, diz que sou dele... mas isso s  parte do seu eu
dominante eu-devo-possuir-e-ter-tudo-agora, manaco-por-controle, certamente. Eu percebo
que enquanto eu estiver fora eu terei que repassar por todas as nossas conversas novamente e
ver se eu consigo descobrir algum sinal.
         Eu sentirei sua falta tambm... mais do que voc imagina...
         Voc me enfeitiou completamente...
         Eu balano minha cabea. Eu no quero pensar sobre isso agora. Eu estou carregando
o BlackBerry, eu no estive com ele a tarde inteira. Eu me aproximo dele com cuidado, e
estou desapontada que no h mensagens. Eu ligo o aparelho maligno, e no h mensagens
tambm. O mesmo endereo de email Ana... o meu subconsciente revira seus olhos para mim,
e pela primeira vez, eu entendo o porqu do Christian quer me dar uns tapas quando eu fao
isso.
         Ok. Bem, eu vou escrever um email para ele.


               286
        De: Anastsia Steele
        Assunto: Entrevistas
        Data: 30 de Maio de 2011 18:49
        Para: Christian Grey

        Querido Senhor

        Minhas entrevistas foram boas hoje.
        Pensei que voc pudesse estar interessado.
        Como foi o seu dia?

        Ana


          Eu sento e encaro a tela. As respostas de Christian normalmente so instantneas. Eu
espero... e espero, e finalmente eu ouo o som da minha caixa de entrada.


        De: Christian Grey
        Assunto: Meu dia
        Data: 30 de Maio de 2011 16:03
        Para: Anastsia Steele

        Querida Srta. Steele

        Tudo o que voc faz me interessa, voc  a mulher mais fascinante que eu conheo.
        Estou feliz que as suas entrevistas foram boas.
        Minha manh foi alm de todas as expectativas.
        Minha tarde foi bem enfadonha em comparao.

Christian Grey
                                           CEO, Grey Empreendimentos e Hodlings Ltda.


        De: Anastsia Steele
        Assunto: tima Manh
        Data: 30 de Maio de 2011 19:05
        Para: Christian Grey

        Querido Senhor


                 287
        A minha manh foi alm das expectativas para mim tambm, apesar de voc ter
ficado meio que estranho depois do impecvel sexo na mesa. No pense que eu no notei.
        Obrigada pelo caf da manh. Ou agradea a Sra. Jones.
        Eu gostaria de fazer perguntas sobre ela depois  sem voc ficar estranho comigo de
novo.

        Ana




         Meus dedos pairam sobre o boto de enviar, e eu fico mais corajosa em saber que eu
estarei do outro lado do continente h esta hora amanh.




        De: Christian Grey
        Assunto: Publicao e Voc?
        Data: 30 de Maio de 2011 19:10
        Para: Anastsia Steele

        Anastsia

        `Ficar meio estranho' no  um termo que deveria ser usado por algum que quer
fazer uma carreira em Publicao. Impecvel? Comparado ao qu, por favor me conte? E o
que voc precisa me perguntar sobre a Sra. Jones? Estou intrigado.

Christian Grey
                                          CEO, Grey Empreendimentos e Holdings Ltda.




        De: Anastsia Steele
        Data: 30 de Maio de 2011 19:17
        Para: Christian Grey
        Assunto: Voc e a Senhora Jones

        Querido Senhor

         A linguagem evolui com o tempo e vai seguindo.  algo vivo. No est presa numa
torre de marfim, cheia de obras de arte caras e com uma viso panormica da maior parte de
Seattle com um helicptero em seu telhado.
         Impecvel  comparado s outras vezes que ns... qual  a sua palavra... ah, sim...
fodemos. Na verdade, a foda tem sido bem impecvel, ponto final, na minha humilde opinio
 mas ento como voc sabe eu tenho uma experincia bem limitada.

               288
        A Sra. Jones  uma ex-sub sua?

        Ana


        Meus dedos pairam mais uma vez no boto de enviar, e eu pressiono.


        De: Christian Grey
        Assunto: Linguagem. Olha a boca!
        Data: 30 de Maio 2011 19:22
        Para: Anastsia Steele

        Anastsia

         A Sra. Jones  uma empregada valorizada. Eu nunca tive qualquer tipo de
relacionamento com ela alm do profissional. Eu no emprego ningum com quem eu tive um
relacionamento sexual. Estou chocado que voc pense assim. A nica pessoa que eu faria uma
exceo a esta regra seria voc  porque voc  uma jovem brilhante com habilidades
impressionantes de negociao.
         No entanto, se voc continuar usando essa linguagem, eu posso ter que reconsiderar
em incorpor-la a minha planilha. Estou feliz que voc tem experincia limitada. A sua
experincia continuar sendo limitada  apenas comigo. Eu deverei considerar impecvel
como um elogio... apesar de que contigo, eu nunca tenho certeza se  isso que voc quer dizer,
ou se o seu senso de ironia est levando vantagem sobre voc... como sempre.

Christian Grey
                 CEO, Grey Empreendimentos e Holdings Ltda. De sua Torre de Marfim


        De: Anastsia Steele
        Assunto: Nem por todo Ch na China
        Data: 30 de Maio de 2011 19:27
        Para: Christian Grey

         Querido Sr. Grey

        Eu acho que j expressei as minhas reservas sobre trabalhar em sua empresa. Minhas
opinies a respeito disso no mudaram, e no vo mudar, e nunca iro mudar. Eu devo te
deixar agora j que Kate retornou com comida. O meu senso de ironia e eu, te damos boa
noite.
        Eu entrarei em contato quando estiver na Gergia.


                 289
         Ana




         De: Christian Grey
         Para: Nem Mesmo o Volvel Ch Ingls do Caf da Manh?
         Data: 30 de Maio 2011 19:29
         Para: Anastsia Steele

         Boa noite Anastsia.

         Eu espero que voc e o seu senso de ironia tenham um bom voo.
         Christian Grey

         CEO, Grey Empreendimentos e Holding Ltda.




        Kate e eu paramos do lado de fora da rea de embarque no terminal do Aeroporto
Sea-Tac. Se inclinando, ela me abraa.
        -- Aproveite Barbados, Kate. Tenha um maravilhoso feriado.

          -- Eu te vejo quando voltar. No deixe o velho saco de dinheiro te estressar.
          -- Eu no vou.
          Ns nos abraamos de novo  e ento estou sozinha. Eu sigo at a rea de check-in e
fico na fila, esperando pela minha bagagem de mo. Eu no me incomodei com uma mala, s
uma mochila prtica que Ray me deu no meu ltimo aniversrio.
          -- Passagem, por favor? -- O jovem entediado atrs da mesa estica a mo sem olhar
para mim.
          Espelhando o seu tdio, eu entrego a minha passagem e a minha carteira de motorista
como documento. Estou esperando por um assento na janela se for possvel.
          -- Ok, Srta. Steele. Voc foi promovida para a primeira classe.
          -- O qu?
          -- Senhora, voc gostaria de ir at a sala de espera da primeira classe e esperar pelo
seu vo l. -- Ele parece ter acordado e est sorrindo para mim como se eu fosse a Fada do
Natal e o Coelhinho da Pscoa em um mesmo pacote.
          -- Claramente h algum erro.
          -- No, no. -- Ele verifica a tela de seu computador novamente. -- Anastsia
Steele  promovida. -- Ele me oferece um sorriso afetado.
          Aff. Eu estreito meus olhos. Ele me entrega um carto de embarque, e eu sigo na
direo da sala de embarque da primeira classe murmurando baixinho. Maldito Christian
Grey, controlador louco e intrometido  ele apenas no consegue deixar as coisas quietas.



                   290
        Captulo 22

         Fizeram minha unha, me massagearam, e eu tomei duas taas de champanhe. A
Primeira classe tinha muitas caractersticas redentoras. Com cada gole de Moet, eu me sentia
ligeiramente mais propensa a perdoar Christian e sua interveno. Eu abro meu MacBook,
esperando testar a teoria que isso funciona em qualquer lugar no planeta.




               291
        De: Anastsia Steele
        Assunto: Gestos mais que Extravagante
        Data: 30 de maio 2011 21:53
        Para: Christian Grey


        Querido Sr. Grey


        O que realmente me preocupa  como voc soube em que vo eu estava.
         Sua perseguio no conhece limite. Vamos esperar que Dr. Flynn tenha voltado de
suas frias.
       Fizeram minhas unhas, recebi massagem nas costas e tomei duas taas de champanhe
 um comeo muito bom para minhas frias.
        Obrigada.
        Ana




        De: Christian Grey
        Assunto: Voc  Muito Bem-vinda
        Data: 30 de maio 2011 21:59
        Para: Anastsia Steele


        Querida Senhorita Steele


        Dr. Flynn est de volta, e eu tenho um encontro com ele esta semana.
        Quem massageou suas costas?


  Christian Grey
             292
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Aha! Hora do troco. Nosso vo foi anunciado assim eu devo responder o e-mail dele
no avio. Ser mais seguro. Eu quase abrao eu mesma com uma alegria maliciosa.
         Existe tantos quartos na primeira classe. Com um coquetel de champanhe na mo,
eu me sento em uma suntuosa cadeira de couro na janela enquanto a cabine lentamente se
enchia. Eu ligo para Ray para dizer a ele onde eu estou  Um telefonema
misericordiosamente breve, j que  to tarde para ele.
        -- Amo voc, Papai, -- eu murmuro.
        -- Tambm te amo, Annie. Diga oi para sua me. Boa noite.
        -- Boa noite -- Eu desligo.
          Ray est em boa forma. Eu olho fixamente para meu Mac e com a mesma alegria
infantil se construindo.
        Abrindo meu notebook, eu abro meu e-mail.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Hbeis e fortes mos
        Data: 30 de maio 2011 22:22
        Para: Christian Grey


        Querido Senhor.


        Um homem jovem e muito agradvel massageou minhas costas. Sim. Realmente
muito agradvel. Eu no teria encontrado Jean-Paul na sala de embarque comum  ento
muito obrigada novamente por esse tratamento.
        Eu no estou certa se terei permisso para responder seu prximo e-mail uma vez
que ns decolarmos, e eu preciso de meu sonho de beleza desde que eu no tenho dormido to
bem recentemente.
        Sonhos agradveis Sr. Greys... pensando em voc.
        Ana



        Oh, ele vai pirar  e eu estarei no ar e fora de seu alcance. Que lhe sirva de lio.

                       293
         Se eu estivesse na sala de embarque comum Jean-Paul no teria conseguido colocar
suas mos em mim. Ele  um jovem muito agradvel, loiro com um bronzeado permanente 
honestamente, quem se bronzeia em Seattle? Que absurdo. Eu penso que ele  gay  mas eu
manterei esse detalhe para mim mesmo. Eu olho fixamente para meu e-mail. Kate est certa.
 como pescar em um aqurio. Meu subconsciente me encarava fixamente com uma toro
feia em sua boca  voc realmente quer deix-lo com raiva? O que ele fez  doce, voc sabe!
Ele se importa com voc e quer que voc viaje com estilo. Sim, mas ele podia ter perguntado
ou dizer a mim. No me fazer parecer como uma completa desajeitada no check-in. Eu aperto
o enviar e espero, me sentindo como uma menina muito malcriada.
         -- Senhorita Steele, voc precisar guardar seu notebook para a partida,-- a
assistente de vo educadamente diz. Ela me faz salta. Minha conscincia culpada estava
trabalhando.
        -- Oh, desculpe.
         Droga. Agora eu terei que esperar para saber se ele respondeu. Ela me deu um
cobertor e travesseiro suave, mostrando seus dentes perfeitos. Eu coloco o cobertor acima de
meus joelhos.  bom sentir mimada s vezes.
        A cabine se enche, com exceo da cadeira ao lado da minha que est ainda
desocupada. Oh no... um pensamento perturbador cruza minha mente. Talvez essa cadeira 
de Christian. Oh droga...
        No... ele no faria isto. No ? Eu disse a ele que no queria que ele viesse comigo.
Eu olho ansiosamente em meu relgio e ento a voz mecnica anuncia.
        -- Tripulao da cabine, coloquem o cinto  hora da verificao.
         O que isso quer dizer? Eles esto fechando as portas? Meu couro cabeludo alfineta
enquanto me sento com uma palpitante antecipao. A cadeira prxima a minha  a nica
desocupada na cabine de dezesseis cadeiras. O avio arranca com uma sacodida, e eu suspiro
de alvio, mas tambm sinto uma picada lnguida de decepo... sem Christian durante quatro
dias. Eu espio o visor do meu BlackBerry.


        De: Christian Grey
        Assunto: Aprecie isto Enquanto Voc Pode
        Data: 30 de maio 2011 22:25
        Para: Anastsia Steele


        Querida Senhorita Steele


         Eu sei o que voc est tentando fazer  e acredite  voc conseguiu. Da prxima vez
voc ir no bagageiro, atada e amordaada em um engradado. Acredite que me encarregar que


                 294
voc viaje nessas condies me dar mais prazer do que trocar a passagem por uma de
primeira classe.
        Eu espero ansiosamente seu retorno.

Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


         Meu Deus. Esse  o problema com o humor de Christian  eu nunca estou certa se
ele foi engraado ou se estava seriamente bravo. Eu suspeito que nesta ocasio ele esteja
seriamente bravo. Disfaradamente, para que o comissrio de bordo no veja, eu digito uma
resposta debaixo do cobertor.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Brincando?
        Data: 30 de maio 2011 22:30
        Para: Christian Grey


          Veja  eu no tenho nenhuma ideia se voc est brincando. Se voc no estiver 
ento eu penso que eu ficarei na Gergia. Os engradados so um limite para mim. Desculpe
ter te deixado bravo. Diga-me que voc me perdoa.


        A.


        De: Christian Grey
        Assunto: Brincando
        Data: 30 de maio 2011 22:31
        Para: Anastsia Steele
         Como  que voc est mandando email? Voc est arriscando a vida de todo mundo
a bordo, inclusive de voc mesma, usando seu BlackBerry? Eu penso que isto infringe uma
das regras.

Christian Grey
                        CEO, com as duas mos soltas se contrado, Grey Participaes e
Empreendimentos Inc.


            295
        Duas mos! Eu coloco no lugar meu BlackBerry, me reencosto no assento enquanto
o avio taxia na pista, e retiro minha cpia esfarrapada de Tess  uma leitura leve para a
viagem. Uma vez que estamos voando, eu inclino minha cadeira para trs, e logo eu estou
flutuando para o sono.
         O comissrio de vo me desperta quando comeamos nossa descida em Atlanta. 5:45
da manh, horrio local, mas eu s tive umas quatro horas de sono ... eu me sinto
embriagada, mas agradeo o suco de laranja que a comissria me oferece. Eu olho
nervosamente para o meu BlackBerry. No existe nenhum e-mail adicional de Christian. Bem,
 quase trs de manh em Seattle, e ele provavelmente quer evitar que eu sobrecarregue o
sistema areo, ou quer evitar que deixe os celulares ligados quando estiver dentro dos avies.
         A espera em Atlanta  s de uma hora. E novamente eu estou deleitando-me na
sala de embarque da primeira classe. Estou tentada a me enrolar e dormir em um dos
macios e convidativos sofs que afundam suavemente debaixo de meu peso. Mas isso no
 suficiente para me manter acordada, eu comeo um interminvel monlogo interior
dirigido a Christian.




         De: Anastsia Steele
         Assunto: Voc gosta de me assustar?
         Data: 31 de maio 2011 06:52 EST
         Para: Christian Grey


         Voc sabe o quanto me desagrada que voc gaste dinheiro comigo. Sim, voc 
muito rico, mas isso me deixa desconfortvel,  como se voc me pagasse por sexo. Porm, eu
gosto de viajar em primeira classe,  um tanto mais civilizado que classe econmica. Ento
obrigada. Eu quero dizer isto  e eu apreciei a massagem de Jean Paul. Ele era muito gay. Eu
omiti esse pequeno detalhe no meu e-mail para te provocar, porque eu estava aborrecida com
voc, e sinto muito sobre isto.
         Mas como sempre, voc exagerou. Voc no pode dizer coisas assim para mim
(atada e amordaada em uma caixa  Voc estava falando srio ou era uma brincadeira?) Isso
me assusta... voc me assusta... eu estou completamente atada em seu feitio, considerando
seu estilo de vida que eu at ento no sabia que existia at o ltimo sbado, e ento voc
escreve algo assim e eu quero sair correndo gritando. Eu no irei, claro, porque eu sentiria sua
falta. Realmente sentiria sua falta. Eu quero que ns tentemos, mas eu tenho horror 
profundidade dos sentimentos que eu tenho por voc e o caminho escuro que voc est me
levando. O que voc est oferecendo  ertico e sensual, e eu sou curiosa, mas eu tambm
estou assustada que voc me machuque  fisicamente e emocionalmente. Depois de trs
meses voc pode dizer adeus, e como eu vou ficar depois disso? Entretanto eu suponho que


                   296
esse risco est l em qualquer relao. Isto s no  o tipo de relao que eu me imaginei
tendo, especialmente como meu primeiro.  um pulo enorme de f para mim.
          Voc estava certo, quando disse que eu no tenho um osso submisso em meu
corpo... e eu concordo com voc agora. Tendo dito isto, eu quero estar com voc, e se 
isso que tenho que fazer, eu gostaria de tentar, mas penso que se eu fosse fazer isso e
acabaria com hematomas  e eu no aprecio essa ideia.
        Eu estou to feliz que voc disse que voc tentar mais. Eu s preciso pensar sobre o
que o `Mais' significa para mim, e isto  uma das razes por que eu quis alguma distncia.
Voc me deslumbra tanto que eu acho muito difcil pensar claramente quando ns estamos
juntos.
          Eles esto chamando meu vo. Eu tenho que ir.
          At mais tarde
          Sua Ana



        Eu aperto o enviar e fao meu caminho sonolento para o porto de partida para
embarcar em um avio diferente.
         Este aqui tem s seis cadeiras na primeira classe, e uma vez que ns estamos no ar,
eu enrolo-me debaixo de meu cobertor suave e adormeo.
          Muito cedo, eu sou despertada pelo comissrio de vo oferecendo a mim mais suco
de laranja quando ns comeamos a nossa descida para Savannah Internacional. Eu engulo
lentamente, muito cansada, e permito a mim mesmo sentir um pouco de excitao. Eu vou ver
minha me pela primeira vez em seis meses. Espio para a tela do meu BlackBerry, eu lembro
vagamente que enviei um longo e-mail para Christian  mas no tinha nenhuma resposta. 
cinco da manh em Seattle  esperanosamente espero que ele esteja ainda dormindo e no
esteja tocando lamentos tristes em seu piano.
        O bom das mochilas de mo  que pode sair rpido do aeroporto sem ter que esperar
eternamente pelas bagagens nos carrossis. A beleza de viajar em primeira classe  que eles
deixam voc sair do avio primeiro.
         Minha me est esperando com Bob, e  to bom ver eles. Eu no sei se foi por
causa de esgotamento, a jornada longa, ou toda a situao com Christian, mas assim que eu
estou nos braos da minha me, eu entro repentinamente em lgrimas.
          -- Oh Ana, querida. Voc deve estar to cansada. -- Ela olha ansiosamente para
Bob.
          -- No me,  s que ... Eu estou to contente em ver voc. -- Eu firmemente a
abrao.
        Ela parece to boa, acolhedora  como minha casa. Relutantemente, eu a solto, e Bob
me d um abrao desajeitado. Ele parece instvel em seus ps, e eu lembro que ele machucou
sua perna.
          -- Bem-vinda de volta, Ana. Por que voc chorando? -- Ele pergunta.
                297
        -- Aw, Bob, eu s estou contente por ver voc tambm. -- Eu olho fixamente para
cima, para seu bonito rosto com mandbula quadrada, e seus brilhantes olhos azuis que olham
para mim com carinho. Eu gosto deste marido, Me. Voc pode ficar com ele. Ele toma
minha mochila.
        -- Jesus, Ana, o que voc tem aqui?
         Ser o Mac? Eles dois pem seus braos ao redor de mim enquanto nos dirigirmos
ao estacionamento.
         Eu sempre esqueo o quo insuportavelmente quente  Savannah. Deixando o fresco
ar condicionado no salo de chegada, ns andamos pelo calor da Gergia... Aff...  esgotador.
          Eu tenho que sair do abrao de mame e Bob para eu tirar meu moletom. Eu estou
to feliz porque trouxe shorts. Eu sinto falta do calor seco de Vegas s vezes, onde eu vivi
com mame e Bob quando eu tinha dezessete anos, mas este calor mido, mesmo s 8:30 de
manh, leva algum tempo para se acostumar. Quando eu estou atrs de Bob, no maravilhoso
ar-condicionado do Tahoe SUV, eu me sinto mole, e meu cabelo crespo comeou a protestar
pelo calor.
          Atrs do SUV eu escrevo um rpido texto para Ray, Kate, e Christian:
        *Cheguei s e salva em Savannah. A :)*
         Meus pensamentos se perdem brevemente em Jos quando eu aperto enviar, em meio
a minha fadiga, eu lembro que sua exposio  na semana que vem. Eu devia convidar
Christian sabendo como ele se sente sobre Jos? Christian ainda querer me ver depois
daquele e-mail? Eu estremeo ante ao pensamento, e ento apago isto. Eu lidarei com isso
mais tarde. Agora mesmo eu vou apreciar a companhia da minha me.
        -- Querida, voc deve estar cansada. Voc gostaria de dormir quando ns chegamos
em casa?
        -- No, me. Eu gostaria de ir para a praia.
        Eu estou com meu biquni azul, bebendo uma Coca-Cola de Dieta, em uma
espreguiadeira enfrentando o Oceano Atlntico, e pensando que ontem eu estava encarando o
Sound em direo ao Pacfico.
          Minha me est deitada ao meu lado com um chapu de sol ridiculamente grande e
mole, estilo Jackie O, bebericando sua prpria Coca-Cola. Ns estamos na Praia Tybee Island,
s a trs quarteires de casa.
         Ela segura minha mo. Minha fadiga diminuiu, e enquanto eu me embebedo do sol,
eu me sinto confortvel, segura, e morna. Pela primeira vez em muito tempo, eu comeo a
relaxar.
        -- Ento Ana... diga-me sobre este homem que te deixa to louca.
         Louca! Como ela pode saber? O que vou dizer? Eu no posso conversar sobre
Christian em grandes detalhes por causa do NDA, mas mesmo assim, eu conversaria com
minha me sobre isto? Eu pisco ante ao pensamento.
        -- Bem? -- Ela inicia e aperta minha mo.
                298
        -- Seu nome  Christian. Ele  alm de bonito. Ele  rico... muito rico. Ele  muito
complicado e temperamental.
         Sim  eu me sinto desordenadamente contente com meu resumo conciso e preciso.
Eu viro para o lado, para encar-la, da mesma maneira ela faz o mesmo movimento. Ela olha
para mim com seus olhos azuis cristalinos.
        -- Complicado e temperamental so os dois pedaos dessas informaes que eu
quero me concentrar, Ana.
        Oh no...
        -- Oh, Me, suas mudanas de humor me deixam atordoada. Ele teve uma educao
horrenda, ento ele  muito fechado, difcil de entender.
        -- Voc gosta dele?
        --  mais que isso.
        -- Realmente?-- Ela fica com a boca aberta.
        -- Sim, Me.
          -- Homens no so realmente complicados, Ana, querida. Eles so criaturas muito
simples e literais. Eles normalmente querem dizer o que eles dizem. E ns gastamos horas
tentando analisar o que eles disseram  Quando realmente  bvio. Se eu fosse voc, eu o
levaria literalmente. Isso poderia ajudar.
         Eu fico pasma com ela. Isto soa como um bom conselho. Tome Christian
literalmente. Imediatamente algumas das coisas que ele me diz surgem em minha mente.
        Eu no quero perder voc...
        Voc me encantou...
        Voc me enfeitiou completamente...
        Eu sentirei sua falta tambm... mais do que voc imagina...
        Eu olho em minha me. Ela est em seu quarto casamento. Talvez ela soubesse algo
sobre homens afinal.
         -- A maioria dos homens so mal-humorados, alguns um pouco mais do que outros.
Tome seu pai por exemplo... -- Seus olhos suavizam e entristecem sempre que ela pensa
sobre meu papai. Meu papai real, este homem mtico que eu nunca conheci, tirado muito
cruelmente de ns em um acidente de treinamento de combate quando ele era um marinheiro.
Uma parte de mim pensa que minha me tem procurado por algum igual ao meu papai todo
esse tempo... talvez ela tenha finalmente achada o que ela procurando em Bob. Pena que ela
no pode achar isto com Ray.
         -- Eu costumava pensar que seu pai era mal-humorado. Mas agora quando eu
olho para trs, eu s penso que ele estava muito concentrado em seu trabalho e tentando
construir uma vida para ns. -- Ela suspira. -- Ele era to jovem, ns dois ramos. Talvez
esse fosse o problema.


               299
        Hum.. Christian no  exatamente velho. Eu sorrio ternamente para ela. Ela pode se
tornar muito emotiva quando pensa sobre meu pai, mas eu estou certa que ele no tinha nada
parecido com os humores de Christian.
        -- Bob quer nos levar hoje  noite para jantar. No seu clube de golfe.
        -- Oh no! Bob comeou a jogar golfe? -- Eu ridicularizo em descrena.
        -- Nem me diga isso,-- geme minha me, rolando seus olhos.
        Depois de um leve almoo de volta na casa, eu comeo a desempacotar. Eu vou
me presentear com uma soneca. Minha me desapareceu para moldar algumas velas ou
qualquer coisa do gnero, e Bob est no trabalho, ento eu tenho tempo para dormir um
pouco. Eu abro o Mac e o ligo.
 duas da tarde na Gergia, onze da manh em Seattle. Pergunto-me se tenho
uma resposta de Christian. Nervosamente, eu logo no programa de e-mail.




        De: Christian Grey
        Assunto: Finalmente!
        Data: 31 de maio 2011 07:30
        Para: Anastsia Steele


        Anastsia
         Aborrece-me que, quando coloca distncia entre ns, voc se comunica abertamente
e honestamente comigo. Por que voc no pode fazer isso quando ns estamos juntos?
        Sim, eu sou rico. Se acostume a isto. Por que eu no devia gastar dinheiro com voc?
Ns dissemos a seu pai que eu sou seu namorado, pelo amor de Deus. Isso no  o que os
namorados fazem? Como seu Amo, eu esperaria que voc aceitasse o que seja que eu gaste
com voc sem argumento. Por certo, diga a sua me tambm.
         Eu no sei como responder seu comentrio sobre sentir como uma prostituta. Eu sei
que isso no foi o que voc escreveu, mas  o que voc implicou. Eu no sei o que eu posso
dizer ou fazer para erradicar isto. Eu gostaria que voc tivesse o melhor de tudo. Eu trabalho
excepcionalmente duro, ento eu posso gastar meu dinheiro como eu quero. Eu podia comprar
para voc, tudo o que deseja Anastsia, e eu quero faz-lo. Chame isto redistribuio de
riqueza se voc quiser. Ou simplesmente saiba que eu no iria, no poderia pensar em voc no
modo que voc descreveu, e eu estou bravo se  isso como voc se v. Para tal mulher
brilhante, engenhosa, bonita e jovem voc tem alguns problemas reais de auto-estima, e estou
pensando em marcar uma consulta para voc com Dr. Flynn.
         Eu me desculpo por t-la assustado. Eu acho o pensamento de incitar medo em
voc detestvel. Voc realmente pensa que eu deixaria voc viajar desse modo? Eu ofereci
a voc meu jato privado, pelo amor de Deus. Sim foi uma piada, uma ruim obviamente.
Porm, o fato   o pensamento de voc atada e amordaada me excita (isto no  uma
                 300
brincar   verdade). Eu posso renunciar os engradados - os engradados no me atraem. Eu
sei que voc tem problemas com amordaar, ns conversamos sobre isso e se/quando eu
amordaar voc, ns discutiremos isto. O que voc no percebeu  que em relaes de
Dominador/submisso  o submisso  que tem todo o poder. Isto  voc. Eu repetirei isto 
voc tem o poder. No eu. Na casa dos barcos voc disse no. Eu no posso tocar em voc
se voc disser no   por isso que ns temos um acordo  o que voc far ou no. Se ns
tentarmos coisas e voc no gostar delas, ns podemos revisar o acordo. Depende de voc
 no de mim. E se voc no quiser ser e amordaada em um engradado, ento no
acontecer.
         Eu quero compartilhar meu estilo de vida com voc. Eu nunca quis tanto uma coisa
como essa. Francamente me admira que voc uma jovem to inocente, como voc est
disposta a tentar. Isso me diz mais do que voc pode imaginar. Voc no percebe que eu estou
pego em seu feitio, tambm, embora eu lhe disse isso a muito tempo. Eu no quero perder
voc. Eu estou nervoso que voc voou trs mil milhas para ficar longe de mim por alguns
dias, porque voc no pode pensar claramente ao meu redor. Acontece o mesmo comigo
Anastsia. Minha razo desaparece quando ns estamos juntos   muito intenso o que eu
sinto por ti.
         Eu entendo sua inquietude. Eu tentei ficar longe de voc; Eu sabia que voc era
inexperiente, entretanto eu nunca teria procurado voc se eu soubesse exatamente quo
inocente voc era  e ainda voc consegue me desarmar completamente de um modo que
ningum fez antes. Seu e-mail por exemplo: Eu li e reli ele incontveis vezes tentando
entender seu ponto de vista. Trs meses  uma quantia arbitrria de tempo. Ns podamos
fazer isto seis meses, um ano? Quanto tempo voc quer que seja? O que faria voc
confortvel?
         Diga a mim.
          Eu entendo que isto seja ato de f enorme para ti. Eu tenho que ganhar sua confiana,
mas justamente por isso, voc tem que se comunicar comigo quando eu estiver falhando em
fazer isto. Voc parece to forte e auto-suficiente, e ento eu leio o que voc escreveu aqui, e
eu vejo o outro lado de voc. Ns temos que guiar um ao outro Anastsia, e eu posso s tomar
minhas sugestes de voc. Voc tem que ser honesta comigo, e ns temos que achar um
caminho para fazer este acordo dar certo.
         Voc se preocupa sobre no ser submissa. Bem talvez isto seja verdade. Tendo dito
isto, o nico tempo voc assume o comportamento de uma submissa  no playroom. Parece
que esse  o lugar onde voc me deixa exercitar o controle adequado sobre voc, e o nico
lugar onde voc faz como  dito. Exemplar  o termo que vem na minha cabea. E eu nunca
bateria em voc para deixar hematomas. Eu aponto no rosa. Fora do playroom, eu gosto que
voc me desafie.  uma experincia muito inovadora e refrescante, e eu no quereria mudar
isto. Ento sim, diga a mim o que voc quer em termos de mais. Eu vou me empenhar para
manter uma mente aberta, e eu devo tentar e dar a voc o espao que voc precisa e ficarei
longe de voc enquanto voc est na Gergia. Eu espero ansiosamente seu prximo e-mail.
         Enquanto isso, se divirta. Mas no demais.


                   301
      Christian Grey
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




          Merda. Ele escreveu uma redao como se estivssemos na escola  e maior parte
era verdade. Meu corao est em minha boca quando eu releio sua epstola, e eu me amonto
na cama sobressalente praticamente abraando meu Mac. Faa nosso acordo de um ano? Eu
tenho o poder! Jesus, eu vou ter que pensar sobre isto. Considere o que ele fala literalmente,
foi isso o que minha me diz. Ele no quer me perder.
         Ele disse duas vezes! Ele quer fazer isto funcionar tambm. Oh Christian, eu
tambm! Ele vai tentar e ficar longe! Isto significa que ele poderia falhar em ausentar-se? De
repente, eu espero que sim. Eu quero v-lo. Ns nos separamos em menos de vinte e quatro
horas, e saber que eu no poderei v-lo por quatro dias, eu percebo o quanto eu sinto sua falta.
Quanto eu o amo.
         -- Ana, querida.-- A voz  suave e morna, cheia de amor e memrias doces de
tempos passados. O toque gentil de mo no meu rosto. Minha me me desperta, e eu estou
embrulhado ao redor do meu notebook, abraando ele para mim.
        -- Ana, corao -- ela continua com sua suave voz enquanto eu superficialmente
durmo, piscando na luz plida e rosa do crepsculo.
         -- Oi, Me. -- Eu estico e sorriu.
       -- Ns estamos saindo para jantar em trinta minutos. Voc ainda quer vir? -- Ela
amavelmente pergunta.
         -- Oh, sim, Me, claro.-- Eu tento muito forte, mas falho em abafar meu bocejo.
        -- Agora, isto  um pedao impressionante de tecnologia. -- Ela aponta para meu
notebook.
         Oh droga.
       -- Oh... isto? -- Eu me esforo parecer indiferente e casual, surpreendida.
         Mame notar? Ela parece estar mais astuta desde que eu adquiri um `namorado'.
         -- Christian emprestou isto para mim. Eu penso que eu podia pilotar o nibus
espacial com isto, mas eu s uso para e-mail e acesso de Internet.
       Realmente no  nada. Olhando-me suspeitosamente, ela se senta na cama e dobra
um cacho perdido de cabelo atrs da minha orelha.
         -- Ele tem mandado email para voc?
         Oh dupla droga.
         -- Sim. -- Minha indiferena est se esgotando, e eu ficou ruborizada.
         -- Talvez ele esteja sentindo sua falta, huh?

                   302
        -- Eu espero, Me.
        -- O que ele diz?
        Oh tripla droga. Eu freneticamente tento pensar sobre algo aceitvel daquele e-mail
que eu possa dizer  minha me. Eu estou certo que ela no quer ouvir sobre Dominadores e
escravido e amordaamento, entretanto eu no posso dizer a ela porque existe o NDA.
        -- Ele me disse para me divertir, mas no demais.
        -- Soa razovel. Eu deixarei voc se preparar, querida. -- Inclinando, ela beija
minha fronte. -- Eu estou to contente que voc est aqui, Ana.  maravilhoso ver voc. -- E
com aquela declarao amorosa, ela parte.
        Hmm, Christian e razovel... dois conceitos que eu pensei ser completamente
incompatvel, mas depois de seu e-mail, talvez todas as coisas so possveis. Eu agito minha
cabea. Eu precisarei de tempo para digerir suas palavras. Provavelmente depois do jantar  e
eu poderei responder para ele ento. Eu saio para fora da cama e depressa escapo de minha
camiseta e cala, e vou para o chuveiro.
         Eu trouxe o vestido cinza de Kate que eu vesti para minha graduao.  o nico
artigo vistoso que eu tenho. Uma boa coisa sobre o calor  que o amassado desapareceu, ento
eu penso que servir para o clube de golfe. Enquanto eu visto, eu olho o notebook. No existe
nada de novo de Christian, e eu sinto uma punhalada de decepo. Muito depressa, eu digito
um e-mail para ele.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Eloquente?
        Data: 31 de maio 2011 19:08 EST
        Para: Christian Grey


         Senhor, voc  um escritor bastante loquaz. Eu tenho que ir jantar no clube de golfe
do Bob, e s para constar, eu estou rolando meus olhos com o pensamento. Mas voc e sua
inquieta mo esto muito longe de mim, ento meu traseiro est salvo por enquanto. Eu amei
seu e-mail. Responderei quando eu puder. Eu sinto sua falta j.
        Aprecie sua tarde.
        Sua Ana




        De: Christian Grey
        Assunto: Seu traseiro

                303
        Data: 31 de maio 2011 16:10
        Para: Anastsia Steele
        Querida Senhorita Steele


       Eu estou distrado pelo ttulo deste e-mail. Desnecessrio dizer que est salvo  no
momento.
        Aprecie seu jantar, e eu sinto sua falta tambm, especialmente de seu traseiro e sua
boca esperta.
        Minha tarde ser enfadonha, clareados s por pensamentos de voc e seu olhar
desviado. Eu penso que foi voc que to intencionalmente me fez ver que sofro horrvel
costume.


   Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: O olho Rolando
        Data: 31 de maio 2011 19:14 EST
        Para: Christian Grey


        Querido Sr. Grey
         Pare de me mandar email. Eu estou tentando me arrumar para jantar. Distrai-me
muito, at mesmo quando voc est no outro lado do pas. E sim  quem espanca voc quando
voc desvia seu olhar?
              Sua Ana




         Eu aperto enviar, e imediatamente a imagem daquela bruxa do mal, Sra. Robinson
entra em minha mente. Eu no quero nem imaginar. Christian sendo batido por algum to
velho quanto minha me,  apenas to errado. Novamente eu pergunto-me que dano ela fez.
Minha boca aparece uma linha horrenda. Eu preciso de uma boneca para pregar alfinetes,
talvez desse modo eu possa desabafar alguma da raiva que eu sinto por essa estranha.



               304
        De: Christian Grey
        Assunto: Seu traseiro
        Data: 31 de maio 2011 16:18
        Para: Anastsia Steele


        Querida Senhorita Steele
         Eu gosto mais do meu assunto do que o seu, em muitos sentidos Por sorte sou o
mestre de meu prprio destino e ningum me castiga. Exceto minha me ocasionalmente e Dr.
Flynn, claro. E voc.

Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        De: Anastsia Steele
        Assunto: castigar ... eu ?
        Data: 31 de maio 2011 19:22 EST
        Para: Christian Grey


        Querido Senhor
         Quando eu tive coragem de castigar voc, Sr. Grey? Eu penso que voc est me
confundindo com outra pessoa... o que  muito preocupante. Eu realmente tenho que me
arrumar.


        Sua Ana


        De: Christian Grey
        Assunto: Seu traseiro
        Data: 31 de maio 2011 16:25
        Para: Anastsia Steele


        Querida Senhorita Steele

            305
        Voc faz isso constantemente escrevendo. Eu posso fechar seu vestido?

 Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc




         Por algum motivo, suas palavras saltam da pagina e me fazem engasgar. Oh... ele
quer brincar.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: NC-17
        Data: 31 de maio 2011 19:28 EST
        Para: Christian Grey
        Eu prefiro voc abrindo-o.




        De: Christian Grey
        Assunto: Cuidadoso com o que voc deseja ...
        Data: 31 de maio 2011 16:31
        Para: Anastsia Steele


        Eu tambm.

 Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        De: Anastsia Steele
        Assunto: Ofegante
        Data: 31 de maio 2011 19:33 EST
        Para: Christian Grey


             Lentamente...


           306
       De: Christian Grey
       Assunto: Gemendo
       Data: 31 de maio 2011 16:35
       Para: Anastsia Steele


       Queria estar ai.

Christian Grey
                                     CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




       De: Anastsia Steele
       Assunto: Gemendo
       Data: 31 de maio 2011 19:37 EST
       Para: Christian Grey


       Eu tambm




         -- Ana! -- Minha me me chama, fazendo-me saltar. Droga. Por que eu me sinto
to culpada?
       -- Estou indo, Me.




       De: Anastsia Steele
       Assunto: Gemendo
       Data: 31 de maio 2011 19:39 EST
       Para: Christian Grey


       Preciso ir.

        307
          At logo, beb.



      Eu entro correndo no corredor onde o Bob e minha me esto esperando. Minha me
com uma careta.
          -- Querida... voc est bem? Voc parece um pouco corada.
          -- A me, eu estou bem.
          -- Voc parece adorvel, querida.
          -- Oh,  um vestido da Kate. Voc gosta?
          Franze o cenho ainda mais.
          -- Por que voc est vestindo um vestido da Kate?
          Oh... no.
          -- Porque eu gosto deste aqui e ela no,-- eu improviso depressa.
          Ela me considera astutamente enquanto Bob faz uma cara de morto de fome.
          -- Eu levarei voc as compras amanh,-- ela diz.
          -- Oh, Me, voc no precisa fazer isto. Eu tenho bastante roupas.
          -- Eu no posso fazer algo para minha prpria filha? Vamos, Bob est morrendo de
fome.
          -- Certo,-- Bob geme, apertando seu estmago e assumindo uma falsa expresso
aflita.
          Eu dou uma risadinha quando ele desvia o olhar, e ns samos de casa.
          Mais tarde quando estava no chuveiro, esfriando debaixo da gua morna, eu reflito
em quanto minha me mudou. Vendo ela no jantar, ela estava em seu lugar, engraada e
glamorosa e entre muitos amigos no clube de golfe. Bob era morno e atento... eles parecem
to bons um para o outro. Eu estou realmente contente. Quer dizer que eu posso parar de me
preocupar sobre ela e ficar questionando sobre suas decises e pr os dias escuros de Marido
Nmero Trs atrs de ambas. Bob  um guardio. E ela est dando a mim bons conselhos.
Quando isso comeou a acontecer?

          Desde que eu conheci Christian. Por que disto?


       Quando eu termino, eu me seco depressa, ansiosa por voltar para Christian. Existe
um e-mail esperando por mim, enviado logo aps eu sair para jantar algumas horas atrs.




          De: Christian Grey

               308
        Assunto: Plgio
        Data: 31 de maio 2011 16:41
        Para: Anastsia Steele


        Voc roubou minha frase.
        E me deixou na mo.
        Aprecie seu jantar.

    Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        De: Anastsia Steele
        Assunto: Olha quem fala?
        Data: 31 de maio 2011 22:18 EST
        Para: Christian Grey


        Senhor, se me lembro bem a frase original era de Elliot.
        Na mo como?


        Sua Ana.


        De: Christian Grey
        Assunto: Negcios inacabados
        Data: 31 de maio 2011 19:22
        Para: Anastsia Steele


        Senhorita Steele


         Voc voltou. Voc saiu muito de repente - s quando as coisas estavam ficando
interessantes.
        Elliot no  muito original. Ele deve ter roubado aquela frase de algum.
        Como foi o jantar?

    Christian Grey
              309
                                          CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




           De: Anastsia Steele
           Assunto: Negcios inacabados?
           Data: 31 de maio 2011 22:26 EST
           Para: Christian Grey


                O jantar estava demais  voc ficar muito contente em ouvir que comi demais.
                Ficando interessante? Como?


           De: Christian Grey
           Assunto: Negcios inacabados - definitivamente
           Data: 31 de maio 2011 19:30
           Para: Anastsia Steele


         Voc est se fazendo de boba? Eu acho que voc tinha acabado de me pedir para
abrir seu vestido.
        E eu estava esperando ansiosamente para fazer isto. Eu tambm estou contente por
ouvir que voc est comendo.

    Christian Grey
                                          CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


           De: Anastsia Steele
           Assunto: Bem... sempre existe o fim de semana
           Data: 31 de maio 2011 22:36 EST
           Para: Christian Grey


           Claro que eu como...  s a incerteza que eu sinto ao redor de voc que me tira o
apetite.
           E eu jamais me faria de boba, Sr. Grey.
           Seguramente voc se deu conta disso ;)


                310
        De: Christian Grey
        Assunto: No pode Esperar
        Data: 31 de maio 2011 19:40
        Para: Anastsia Steele


        Eu devo lembrar disto, Senhorita Steele, e sem nenhuma dvida usarei esse
conhecimento para minha vantagem.
         Eu sinto muito ouvir que eu tiro seu apetite. Eu pensei que tivesse um efeito mais
sensual em voc. Voc tem um efeito assim em mim, alm de ser muito prazeroso tambm.
        Eu espero ansiosamente a prxima vez.


  Christian Grey
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Lingustica ginstica
        Data: 31 de maio 2011 22:36 EST
        Para: Christian Grey


        Voc tem brincando com o dicionrio de sinnimos novamente?


        De: Christian Grey
        Assunto: Rugindo
        Data: 31 de maio 2011 19:40
        Para: Anastsia Steele


        Voc me conhece to bem Senhorita Steele.
        Eu estou jantando com um velho amigo agora assim eu estarei dirigindo.


        At mais, beb
              311
    Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Que o velho amigo? Eu no achava que Christian tivesse quaisquer velhos amigos,
exceto... ela. Eu fiz uma careta para a tela. Por que ele tem ainda que v-la? Sofro um
repentino e agudo ataque de cime. Eu quero bater em algo, de preferncia na Sra. Robinson.
Fechando o notebook raivosamente, eu tombo na cama.
         Eu devia realmente responder seu longo e-mail desta manh, mas eu de repente estou
muito brava. Por que ele no pode v-la como ela   uma molestadora de crianas? Eu
desligo a luz, fervendo, olhando fixamente na escurido. Como ela ousa? Como ela ousa
censurar um adolescente vulnervel? Ela ainda est fazendo isto? Por que eles no param?
Vrios cenrios flutuaram por minha mente: Ele tinha tido o suficiente, ento por que ele
ainda  amigo dela? Do mesmo modo  ela  casada? Divorciado? Jesus  ela tem crianas?
Ela tem crianas de Christian? Meu subconsciente recria sua cabea feia, olhando de soslaio,
e eu estou chocada e enjoada com o pensamento. Dr. Flynn sabe sobre ela?
        Eu luto para fora da cama e ligo mquina novamente. Eu estou em uma misso. Eu
tamborilo meus dedos impacientemente esperando pela tela azul aparecer. Eu entro no Google
imagens e escrevo `Christian Grey' na caixa de procura. A tela de repente surge com imagens
de Christian: Com gravata preta, bem vestido, Deus  fotos de Jos do Heathman, em sua
camisa e cala comprida de flanela branca. Como eles colocaram isso internet? Deus, ele
parece bem.
         Eu movo depressa nas telas: Alguns com negcios de associao, ento retrato aps
gloriosos retratos do homem mais fotognico que eu conheo, intimamente. Intimamente? Eu
conheo Christian intimamente? Eu conheo-o sexualmente, e eu imagino que existe muito
mais para descobrir l. Eu sei que ele  mal-humorado, difcil, engraado, frio, morno...
Jesus, o homem  uma massa andante de contradies. Eu clico para a prxima pgina. Ele
est ainda sozinho em todas estas fotografias, e eu lembro de Kate mencionando que ela no
podia achar quaisquer fotografias dele com uma companhia, o que levava a sua pergunta gay.
Ento, na terceira pgina, existe um retrato de mim, com ele, em minha graduao. Sua nica
foto com uma mulher, e sou eu.
         Droga! Eu estou no Google! Eu olho fixamente para ns juntos. Eu pareo
surpreendida pela mquina fotogrfica, nervosa, fora do ambiente. Isto foi logo antes de eu
concordar em tentar. Quanto a ele, Christian parecia impossivelmente bonito, calmo, e ele est
vestindo aquele terno. Eu olho para ele, um rosto to bonito, um rosto bonito que podia estar
olhando fixamente para a maldita Sra. Robinson agora mesmo. Eu salvo o retrato em meus
favoritos e clico por todas as dezoito telas... nada. Eu no achei Sra. Robinson no Google.
Mas eu tenho que saber se ele estava com ela. Eu digito um e-mail rpido para Christian.



                 312
            De: Anastsia Steele
            Assunto: Companheiros de jantar apropriados
            Data: 31 de maio 2011 23:58 EST
            Para: Christian Grey


            Eu espero que voc e seu amigo tenham um jantar muito agradvel.


            Ana
            Obs: Ele  a Sra. Robinson?



         Eu aperto enviar e subo desapontadamente de volta na cama, resolvendo perguntar a
Christian sobre sua relao com aquela mulher. Uma parte de mim est desesperada para
saber mais, e outra parte quer esquecer que algum vez ele j lhe disse. E minha mestruao
comeou, ento eu devo lembrar de tomar minha plula de manh. Eu depressa programo um
alarme no calendrio em meu BlackBerry. Deixando-o na mesa ao lado da cama, eu deitei-me
e eventualmente cai em um sono intranquilo, desejando que ns estivssemos na mesma
cidade, no a 2 mil milhas separadamente.
         Depois de uma manh de compras e uma tarde na praia, minha me decretou que
ns devamos passar a noite em um bar. Abandonando Bob na TV, ns fomos ao bar do
hotel mais exclusivo de Savannah. Eu estou em meu segundo Cosmopolitan 31. Minha me
est em seu terceiro. Ela est oferecendo mais percepes no frgil ego masculino. Isso 
muito desconcertante.
         -- Voc v Ana, homens pensam que qualquer coisa que saia da boca da mulher 
um problema para ser resolvido. No entendem que gostamos de conversar sobre o assunto,
trocar umas ideias e esquecer. Os homens preferem ao.
        -- Me, por que est me dizendo isso? -- Eu pergunto, falhando em esconder minha
exasperao. Ela tem estado assim o dia todo.
        -- Querida, voc soa muito perdida. Voc nunca trouxe um menino para casa. Voc
nem sequer teve um namorado quando ns estvamos em Vegas. Eu pensei que algo poderia
acontecer com aquele sujeito que voc se conheceu na faculdade, Jos.
            -- Me, Jos  s um amigo.
         -- Eu sei, amada. Mas algo surgiu, e eu no penso que voc est me dizendo tudo.--
Ela olha em mim, seu rosto cauterizado com preocupao maternal.
       -- Eu s precisava de alguma distncia de Christian para arrumar meus
pensamentos... isto  tudo. Ele tende a me subjugar.

            31
               Um cosmopolita, ou informalmente cosmo,  um cocktail feito com vodka, , suco de cranberry e suco de limo
espremido ou suco de limo adoado.
                                                   313
        -- Subjugar?
        -- Sim. Embora eu sinta falta dele. -- Eu franzo o cenho.
         Eu no ouvi sobre Christian o dia todo. Nenhum e-mail, nada. Eu estou tentada a
ligar para ele para ver se ele esta bem. Meu pior medo  que ele tenha sofrido um acidente de
carro, meu segundo pior medo  que Sra. Robinson tenha posto suas garras do mal nele
novamente. Eu sei que  irracional, mas onde ela estava envolvida, eu pareo perder toda a
perspectiva.
        -- Querida, eu tenho que retocar a maquiagem.
        A Breve ausncia da minha me me permite a outra chance de verificar meu
BlackBerry. Eu tenho tentado sorrateiramente verificar meus e-mails o dia todo. Finalmente 
uma resposta de Christian!



        De: Christian Grey
        Assunto: Companheiros de jantar
        Data: 1 de junho 2011 21:40 EST
        Para: Anastsia Steele


        Sim, eu jantei com a Sra. Robinson. Ela  s uma velha amiga, Anastsia.
        Esperando ansiosamente ver voc novamente. Eu sinto sua falta.


    Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Ele estava jantando com ela. Meu couro cabeludo pinicou quando a adrenalina
lanou-se furiosamente por meu corpo, todos meus piores medos se tornaram realidade,
colidindo para mim. Como ele podia? Eu estou fora por dois dias, e ele corre para aquela
cadela do mal.


        De: Anastsia Steele
        Assunto: Velhos COMPANHEIROS de JANTAR
        Data: 1 de junho 2011 21:42 EST
        Para: Christian Grey



                314
        Ela no  s uma velha amiga.
        Ela achou outro menino adolescente para afundar seus dentes?
        Voc ficou muito velho para ela?
        Esta no  a razo pela qual sua relao terminou?



        Eu aperto enviar quando minha me retorna.
        -- Ana, voc est to plida. O que aconteceu?
        Eu agito minha cabea.
         -- Nada. Vamos tomar outra bebida, -- eu murmuro.
         Suas sobrancelhas se unem, mas ela olhou para cima e atraiu a ateno de um dos
garons, apontando para nossos copos. Ele movimenta a cabea. Ele entende o idioma
universal de `o mesmo novamente, por favor.' Enquanto ela faz isso, eu depressa olho em
meu BlackBerry.




        De: Christian Grey
        Assunto: Cuidado...
        Data: 1 de junho 2011 21:45 EST
        Para: Anastsia Steele


        Isto no  algo que eu desejo discutir via e-mail.
        Quantos Cosmopolitan voc vai beber?


  Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




        Santo Deus, ele est aqui.




              315
            Captulo 23

            Eu olho nervosamente em torno do bar, mas no posso v-lo.
            -- Ana, o que ? Voc parece como se viu um fantasma.
            --  Christian, ele est aqui.
            -- O que? Srio? -- Ela olhar em torno do bar tambm.
            Eu negligenciei mencionar as tendncias de perseguidor de Christian para minha
me.
         Eu o vejo. Meu corao pula, comeando uma batida frentica quando ele faz seu
caminho em direo a ns. Ele realmente est aqui  por mim. Minha deusa interior se
levanta como uma loca do seu chaise longue 32. Movendo suavemente pela multido, seu
cabelo reflete cobre e vermelho debaixo do loiro. Seus olhos cinzas claro esto brilhando com
 raiva? Tenso? Sua boca parece uma linha horrenda, a mandbula tensa. Oh Merda... no.
Eu estou to brava com ele agora mesmo, e ele est aqui. Como eu posso estar brava com ele
na frente da minha me?
         Ele chega a nossa mesa, olhando para mim cautelosamente. Ele est vestido com
camisa de linho e cala jeans branca habitual.
            -- Oi,-- eu grito, incapaz de esconder meu choque e temor em v-lo aqui em carne.
        -- Oi,-- ele responde, e inclinado para abaixo, ele beija minha bochecha, pegando-
me de surpresa.
       -- Christian, essa  minha me, Carla. -- Meus modos inveterados assumem o
comando.
            Ele gira para saudar minha me.
            -- Sra. Adams, estou encantado em conhec-la voc.
         Como ele sabia seu nome? Ele d a ela seu sorriso Christian Grey, de parar o
corao, sem poder de reao. Ela no tinha chance. A mandbula da minha me praticamente
bateu na mesa. Jesus, controle-se me. Ela toma sua mo oferecida e eles as agitaram. Minha
me no respondeu. Oh, a completa mudez e atordoamento  algo gentico  Eu no tinha
nenhuma ideia.
            -- Christian, -- ela administra finalmente, sem ar.
         Ele sorri conscientemente para ela, seus olhos cinzas brilhando. Eu estreito meus
olhos para ambos.


       32
                Um chaise longue  um sof estofados na forma de uma cadeira. s vezes,  escrito incorretamente como
               "espreguiadeira".
                                           316
         -- O que voc est fazendo aqui? -- Minha pergunta soa mais frgil do que quero
dizer, e seu sorriso desaparece, sua expresso agora cautelosa. Eu estou emocionada por
v-lo, mas estou completamente atordoada, minha raiva sobre Sra. Robinson ainda me faz
ferver o sangue. Eu no sei se eu quero gritar com ele ou lanar em seus braos  mas eu
no penso que ele gostaria de qualquer um  e eu quero saber quanto tempo ele tem nos
observado. Eu tambm estou um pouco ansiosa sobre o e-mail que eu acabei de lhe
mandar.
          -- Eu vim para ver voc, claro. -- Ele olha abaixo para mim impassvel. Oh, o que
ele est pensando? -- Eu estou ficando neste hotel.
         -- Voc est ficando aqui? -- Eu so como uma estudante do segundo ano, muito
estridente at para minhas prprias orelhas.
         -- Bem, ontem voc disse que desejava que eu estivesse aqui.-- Ele pausa tentando
medir minha reao. -- Nossa inteno  agradar, Senhorita Steele. -- Sua voz est quieta
sem rastro de humor.
       Droga  ele est bravo? Talvez a Sra. Robinson comentou? Ou o fato que eu estou
em meu terceiro, logo ser o quarto Cosmo? Minha me est olhando ansiosamente ns dois.
        -- Porque voc no se junta a ns para um bebida, Christian? -- Ela acena para o
garom que est ao seu lado em um nano segundo.
       -- Eu quero uma gim-tnica, -- Christian diz. -- Hendricks33 se voc tiver isto ou
Bombay Sap-phire34. Pepino com o Hendricks, lima com a Bombay.
          Inferno ... s Christian podia fazer uma bebida parecer um prato elaborado.
         -- E mais dois Cosmo por favor, -- eu adiciono, olhando ansiosamente para
Christian. Eu estou bebendo com minha me  nenhuma razo para ele estar bravo sobre isto.
          -- Por favor puxe uma cadeira, Christian.
          -- Obrigado, Sra. Adams.
          Christian puxou uma cadeira perto e se senta graciosamente ao meu lado.
        -- Ento voc est hospedado no hotel que estamos, s por coincidncia? -- Eu
pergunto, tentando fortemente manter meu tom leve.
         -- Ou, voc est bebendo neste hotel que eu estou hospedado s por coincidncia, --
Christian responde.
        -- Eu acabei de terminar de jantar, entrei aqui, e vi voc. Eu estava distrado
pensando sobre seu e-mail mais recente, e eu olhei para cima e voc estava a. Uma
coincidncia, neh? -- Ele vira sua cabea para um lado, e eu vejo um rastro de um sorriso.
Agradeas aos cus  que ns podemos ser capazes de salvar a noite afinal.
         -- Minha me e eu fomos fazer compras esta manh e fomos para praia esta tarde.
Ns decidimos tomar alguns coquetis hoje  noite, -- eu murmrio, sentindo que eu devo um
tipo de explicao.
     33
             Um gin incomum e selecionado com produo limitada, combinado com pepino  a combinao perfeita.
     34
             Bombay Sapphire  uma marca de gin distribudo pela Bacardi que foi lanado em 1987.
                                    317
         -- Voc comprou essa blusa? -- Ele acena com a cabea para minha nova seda
verde, -- A cor cai bem em voc. E voc pegou um pouco de sol. Voc parece adorvel.
        Eu ruborizo, me movimento na cadeira com seu elogio.
         -- Bem, eu iria visit-la amanh. Mas aqui est voc.
         Ele levanta a mo, toma minha mo, e aperta suavemente, correndo seu dedo
polegar atravs das minhas juntas e para... e eu sinto o familiar puxar. Aquela descarga
eltrica correndo em baixo da minha pele sob a presso gentil de seu dedo polegar,
disparando meu fluxo de sangue e pulsando ao redor do meu corpo, aquecendo tudo em
seu caminho. Faz dois dias desde que eu o vi.
         Oh meu Deus... Eu o quero. Minha respirao se entrecorta. Eu pisco para ele,
sorrindo bobamente, e vejo um sorriso tocar seus bonitos e esculpidos lbios.
        -- Eu pensei que eu surpreenderia voc. Mas como sempre, Anastsia, voc me
surpreende estando aqui.
         Eu olho depressa para mame, que est olhando fixamente para Christian... sim
olhando fixamente! Pare com isto me. Como se ele fosse alguma criatura extica, nunca
vista antes. Eu quero dizer, eu reconheo que eu nunca tive um namorado, e Christian se
qualifica com tal facilidade nesse referncia  mas  to incrvel que eu podia atrair um
homem? Este homem? Sim, olhe francamente para ele  meu subconsciente estala. Oh, cale a
boca! Quem convidou voc para a festa? Eu fao uma careta para minha me  mas ela no
parece notar.
         -- Eu no quero interromper o tempo que voc tem com sua me. Eu tomarei uma
bebida rpida e ento me retirarei. Eu tenho trabalho para fazer, -- ele declara seriamente.
        -- Christian,  adorvel encontrar voc finalmente, -- Me insere, finalmente
achando a voz. -- Ana falou muito ternamente de voc.
        Ele sorri para ela.
        -- Realmente? -- Ele levanta uma sobrancelha para mim, uma expresso divertida
em seu rosto, e eu ruborizo novamente.
        O garom chega com nossos bebidas.
        -- Hendricks, senhor -- ele diz com um floreado triunfante.
        -- Obrigado,-- Christian murmura em reconhecimento.
        Eu dou um gole no meu Cosmo meio que nervosamente.
        -- Quanto tempo voc ficar na Gergia, Christian? -- Mame pergunta.
        -- At sexta-feira, Sra. Adams.
        -- Voc jantar conosco amanh  noite? E por favor, chame-me Carla.
        -- Eu teria muito prazer, Carla.
         -- Excelente. Se voc dois me do licena, eu preciso retocar a maquiagem.
         Me... voc acabou de ir l. Eu olho para ela desesperadamente enquanto ela
levanta e vai embora, deixando ns dois sozinhos juntos.
               318
         -- Ento, voc est brava comigo por jantar com um velho amigo. -- Christian vira
seu quente e cauteloso olhar para mim, erguendo minha mo para seus lbios e beijando cada
junta suavemente.
        Jesuz, ele quer fazer isso agora?
        -- Sim, -- eu murmuro enquanto meu sangue aquece.
        -- Nossa ltima relao sexual foi h um longo tempo, Anastsia,-- ele sussurra. --
Eu no quero ningum exceto voc. Voc no percebeu isto j?
        Eu pisco para ele.
        -- Eu penso sobre ela como uma molestadora de criana, Christian. -- Eu seguro
minha respirao e espero por sua reao.
        Christian fica plido.
         -- Isto  muito crtico de sua parte. No era assim, -- ele sussurra, chocado. Ele
solta minha mo. Crtico?
        -- Oh, como era ento? -- Eu pergunto. Os Cosmos esto me fazendo valentes.
        Ele faz uma careta para mim, confuso. Eu continuo.
         -- Ela aproveitou-se de um menino de quinze anos de idade vulnervel. Se voc
tivesse sido uma menina de quinze anos de idade e Sra. Robinson fosse um Sr. Robinson,
iniciando voc em um estilo de vida BDSM, isso teria sido certo? Se ele fosse Mia, diga?
         Ele ofega e franze a testa para mim.
        -- Ana, no era assim.
        Eu o encaro.
        -- Certo, isso no parece assim para mim, -- ele quietamente continua. -- Ela era
uma fora positiva. Eu precisava.
        -- Eu no entendo.--  minha vez de parecer confusa.
         -- Anastsia, sua me brevemente voltar. Eu no estou confortvel conversando
sobre isto agora. Mais tarde talvez. Se voc no me quiser aqui, eu tenho um avio me
aguardando no Hilton Head. Eu posso ir.
        Ele est bravo comigo... no.
         -- No ... no vai. Por favor. Eu estou feliz por que voc est aqui. Eu estou s
tentando fazer voc entender. Eu estou brava porque assim que eu parti, voc jantou com ela.
Pense sobre como  quando eu chego em qualquer lugar prximo de Jos. Jos  um bom
amigo. Eu nunca tive uma relao sexual com ele. Considerando que voc e ela,-- eu
diminui, pouco disposta a adicional o que eu pensei.
         -- Voc est com cime? -- Ele olha fixamente para mim, confundido, e seus olhos
ligeiramente suavizam, se aquecendo.
        -- Sim, e brava sobre com o que ela fez com voc.


               319
        -- Anastsia, ela me ajudou, isto  tudo que eu direi sobre isto. E quanto ao cime,
ponha voc mesmo em meu lugar. Eu no tive que justificar minhas aes para ningum nos
ltimos sete anos. Nenhuma pessoa. Eu fao como eu quero, Anastsia. Eu gosto de minha
autonomia. Eu no fui visitar Sra. Robinson para chatear voc. Eu fui porque de vez em
quando ns jantamos. Ela  uma amiga e uma companheira de negcios.
        Companheira de negcios? Merda. Essa  nova.
        Ele olha para mim, avaliando minha expresso.
        -- Sim, ns somos companheiros de negcios. O sexo acabou entre ns. Tem sido
assim por anos.
        -- Por que sua relao terminou?
        Sua boca estreitou, e seus olhos cintilam.
        -- Seu marido descobriu.
        Merda!
        -- Ns podemos conversar sobre isto em outro tempo ... em algum lugar mais
privado? -- Ele rosna.
        -- Eu no acho que voc me convencer de que ela no seja algum tipo de pedofilia.
         -- Eu no penso sobre isso desse modo. Eu nunca pensei. Agora isto  suficiente! --
Ele estala.
        -- Voc a amou?
        -- Como voc dois esto?-- Minha me retornou, no visto por qualquer um de ns.
       Eu engesso um sorriso de mentira em meu rosto quando ambos, Christian e eu
debruamos de volta apressadamente... culpavelmente.
       Ela olha para mim.
        -- Bem, me.
          Christian d um gole em sua bebida, assistindo-me, sua expresso cautelosa. O que
ele est pensando? Ele a amou? Eu penso que se ele amou, eu enlouquecerei, e muito.
        -- Senhoras, eu devo deix-las por esta noite.
        No... no... ele no pode me deixar sufocada como isto.
        -- Por favor, ponha estas bebidas em minha conta, nmero do quarto 612. Eu ligarei
para voc de manh, Anastsia. At amanh, Carla.
        -- Oh,  to agradvel ouvir algum usar seu nome inteiro.
        -- Nome bonito para uma menina bonita,-- Christian murmura, agitando suas mos
estendidas, e ela realmente ri.
         Ah mame... At tu? Traidora! Eu permaneo, olhando para ele, implorando para ele
parar e responder minha pergunta, e ele beija minha bochecha, castamente.
        -- At mais tarde, beb,-- ele sussurra em minha orelha. Ento ele se foi.
               320
        Maldito bastardo controlador. Minha raiva retorna com completa fora. Eu
afundo em minha cadeira e viro para enfrentar minha me.
        -- Bem ele me deixou atordoada, Ana. Ele prende a ateno. Eu no sei o que est
acontecendo entre voc doisentretanto. Eu penso que vocs precisam conversar um com o
outro. Nossa a tenso aqui  insuportvel. -- Ela se abana de modo teatral.
          -- ME!
          -- V conversar com ele.
          -- Eu no posso. Eu vim aqui para ver voc.
         -- Ana, voc veio aqui porque voc est confusa sobre aquele cara.  bvio voc
dois so loucos um pelo outro. Voc precisa conversar com ele. Ele voou trs mil milhas para
ver voc, pelo amor de Deus. E voc sabe o quo terrvel  para ele voar.
          Eu ruborizo. Eu no disse a ela sobre seu avio privado.
          -- O que? -- Ela estala para mim.
       -- Ele tem seu prprio avio, -- eu murmuro, envergonhada, e  s dois milhas e
meia, Me.
          Por que eu estou envergonhada? Suas sobrancelhas crescem rapidamente.
         -- Uau, -- ela murmura. -- Ana, existe algo acontecendo entre voc dois. Eu tenho
tentado sondar isso desde que voc chegou aqui. Mas o nico modo que voc vai resolver o
problema, qualquer que seja,  conversar sobre isto com ele. Voc pode fazer pensar quanto
quiser  mas at que voc realmente converse, no vai chegar em qualquer lugar.
          Eu franzo a testa para minha me.
         -- Ana, amor, voc sempre teve uma propenso para analisar tudo. Siga seu instinto.
O que isso diz a voc, corao?
          Eu olho fixamente para meus dedos.
          -- Eu penso que eu estou apaixonada por ele, -- eu murmrio.
          -- Eu sei. E ele por voc.
          -- No!
          -- Sim, Ana. Droga  o que voc precisa? Um sinal de neon que relampeja em sua
fronte?
          Eu fico pasma e lgrimas picam o canto de meus olhos.
          -- Ana, amor. No chore.
         -- Eu no penso que ele me ama.
         -- Eu no me importo o quo rico voc , voc no larga tudo e entra em seu
avio privado para cruzar um continente inteiro s para um ch da tarde. V atrs dele!
Este  um local bonito, muito romntico. Tambm  um territrio neutro.
         Eu me toro sobre o seu olhar. Eu quero ir, mas eu no fao.

               321
         -- Querida, no sinta que voc tem que voltar comigo. Eu quero voc feliz  e agora
mesmo eu penso que a chave para sua felicidade est ali em cima, no quarto 612. Se voc
precisar voltar para casa mais tarde, a chave est debaixo da planta de Yucca 35 na varanda
dianteira. Se voc ficar...bem... voc  uma garota crescida agora. S fique segura.
           Eu ruborizo. Jesus, Me.
           -- Vamos terminar nosso Cosmo primeiro.
           -- Esta  minha menina, Ana. -- Ela sorri.
         Eu bato timidamente no quarto 612 e espero. Christian abre a porta. Ele est falando
no celular. Ele pisca para mim com completa surpresa, ento segura  porta aberta e acena
para seu quarto.
         -- Todos os pacotes excedidos esto concludos?... E o custo?... -- Christian assobia
entre seus dentes. -- Puca... esse foi um caro engano... E Lucas? ...
         Eu olho em torno do quarto. Ele est em um apartamento, como no Heathman. A
moblia aqui  extremamente modernas, muito atual. Toda prpura e dourada com motivos
em bronze nas paredes. Christian anda para um unitrio de madeira escura e abre uma
porta para revelar um minibar. Ele indica que eu devia me servir, ento anda pelo quarto.
        Eu assumo que  isso, ento eu no consigo mais ouvir sua conversa. Eu encolho os
ombros. Ele no parou seu telefonema quando eu entrei em seu escritrio daquela vez. Eu
ouo a gua correndo ... ele est enchendo uma banheira. Eu me sirvo com suco de laranja.
Ele anda relaxadamente de volta no quarto.
        -- Faa Andrea mandar para mim os diagramas. Barney disse que ele achou o
problema...
         Christian riu. -- No, sexta-feira... existe um lote de terra aqui que eu estou
interessado ... Sim, ligue para Bill... No, amanh... eu quero ver o que Gergia oferecer se
ns mudarmos.
           Christian no tirou seus olhos de mim. Dando-me um copo, ele aponta para um balde
de gelo.
         -- Se seus incentivos forem atraentes o suficiente... eu penso que ns devamos
considerar isto, entretanto eu no estou certo sobre o maldito calor daqui...eu concordo que
Detroit tem suas vantagens tambm, e ele  mais fresco... -- Seu rosto momentaneamente
escurece. Por qu? -- Faa Bill ligar. Amanh... No muito cedo. -- Ele desliga e olha
fixamente para mim, seu rosto ilegvel, e um extenso silncio entre ns. Certo... minha vez de
conversar.
           -- Voc no respondeu minha pergunta, -- eu murmuro.
           -- No. Eu no fiz, -- ele quietamente diz, seus olhos cinzas largos e cautelosos.
           -- No, voc no respondeu minha pergunta ou no voc no a amou?



     35
              Yucca  um gnero de arbustos e rvores perenes da famlia Asparagaceae, subfamlia Agavoideae.
             http://en.wikipedia.org/wiki/Yucca
                                       322
            Ele dobra seus braos e se debrua contra a parede, e um pequeno sorriso brinca em
seu lips.
            -- O que voc est fazendo aqui, Anastsia?
            -- Eu acabei de dizer a voc.
            Ele respira fundo.
        -- No. Eu no a amei. -- Ele franze a testa para mim, divertido, mas ainda
perplexo.
       Eu no posso acreditar em que eu estou segurando minha respirao. Eu cedo como
um saco de pano velho quando eu libero a respirao. Bem, agradeas aos cus por isto.
Como eu me sentiria se ele realmente amasse a bruxa?
            -- Voc realmente  a deusa de olhos verdes, Anastsia. Quem teria pensado?
            -- Voc est rindo de mim, Sr. Grey?
         -- Eu no ousaria. -- Ele agita sua cabea solenemente, mas ele tem o mal
cintilando em seu olho.
            -- Oh, eu penso que voc ri, e eu penso que voc frequentemente faz.
         Ele sorri quando eu dou de volta as palavras que ele disse para mim antes. Seus olhos
se escurecem.
         -- Por favor, pare de morder seu lbio. Voc est em meu quarto, eu no fixei
meus olhos em voc por quase trs dias, e eu voei um caminho longo para ver voc. -- Seu
tom mudou para suave, sensual.
        Seu BlackBerry zumbe, distraindo ns dois, e ele desliga isto sem olhar para ver
quem que . Eu puxo uma respirao. Eu sei onde isto est indo... mas ns deveramos
conversar.
            Ele toma um passo para mim vestindo seu olhar predatrio e sensual.
            -- Eu quero voc, Anastsia. Agora. E voc me quer.  por isso que voc est aqui.
            -- Eu realmente queria saber, -- eu sussurro em defesa.
            -- Bem, agora que voc sabe, voc vai ou fica?
            Eu ruborizo quando ele para na minha frente.
            -- Fico,-- eu murmuro, olhando ansiosamente para ele.
        -- Oh, eu esperava que sim.-- Ele olha abaixo, para mim. -- Voc estava to brava
comigo, -- ele respira.
            -- Sim.
         -- Eu no me lembro de ningum, exceto minha famlia, estar bravo comigo. Eu
gosto disto.
        Ele corre as pontas de dedos abaixo pela minha bochecha. Oh Deus, sua
proximidade, seu cheiro delicioso de Christian. Ns deveramos estar conversando, mas meu

                   323
corao est batendo, meu sangue cantando quando ele percorre meu corpo, desejo,
aumentando, desdobrando... em todos os lugares. Christian se curva e corre seu nariz junto ao
meu ombro e at a minha orelha, seus dedos deslizam em meu cabelo. -- Ns devamos
conversar. -- Eu sussurro.
          -- Mais tarde.
          -- Existe tanto que eu quero dizer.
          -- Eu tambm.
         Ele planta um beijo suave debaixo do lbulo da minha orelha enquanto seus dedos
apertam em meu cabelo. Puxando meu pescoo para trs, ele expe minha garganta para seus
lbios. Seus dentes roam rapidamente meu queixo, e ele beija minha garganta.
          -- Eu quero voc, -- ele respira.
          Eu gemo e aperto seus braos.
          -- Voc est mestruada?-- Ele continua a me beijar.
          Droga. Nada foge dele?
          -- Sim, -- eu sussurro, envergonhada.
          -- Voc est com clicas?
          -- No. -- Eu ruborizo . Jesus...
          Ele para e olha abaixo para mim.
          -- Voc tomou sua plula?
          -- Sim.-- Quo mortificante  isto?
          -- Vamos tomar um banho.
          Oh?
        Ele toma minha mo e me leva no quarto.  dominado por uma super cama King-
size com elaboradas cortinas. Mas ns no paramos l. Ele me leva no banheiro que  duas
vezes o quarto, todo aquamarine e pedras brancas.  enorme  No segundo quarto um
banheira, grandes o suficiente para quatro pessoas com passos de pedra levando para ela, est
vagarosamente enchendo com gua. O vapor sobe suavemente acima da espuma, e eu noto
um banco de pedra envolta de tudo.
          Velas chamejam ao lado. Uau... ele fez tudo isso enquanto estava no telefone.
          -- Voc tem um lao de cabelo?
          Eu pisco para ele, pesquei em meu bolso da cala jeans, e retirei um elstico de
cabelo.
          -- Prenda seu cabelo, -- ele suavemente ordena. Eu fao como ele diz.
        Faz um calor sufocante junto  banheira, e minha blusa comea a agarrar. Ele se
agacha e fecha a torneira. Levando-me para trs, para a primeira parte do banheiro, ele


                 324
permanece atrs de mim quando ns enfrentamos o espelho de parede acima das duas pias de
vidro.
         -- Erga seus braos, -- ele respira. Eu fao como sou informada, e ele ergue minha
blusa acima de minha cabea de forma que eu estou nua na frente dele. No tirando seus olhos
fora dos meus, ele alcana ao redor e desfaz o boto superior em minha cala jeans e o zper.
        -- Eu vou ter voc no banheiro, Anastsia.
         Inclinando-se ele beija meu pescoo. Eu movo minha cabea para um lado e dou a
ele um acesso mais fcil. Afundando seus dedos em minha cala jeans, ele lentamente as
desliza para abaixo das minhas pernas, abaixando-se atrs de mim ao mesmo tempo enquanto
puxa minhas calas e minha calcinha para o cho.
        -- Saia de sua cala jeans.
         Pegando a extremidade da pia, eu fao isto. Eu agora estou nua, olhando fixamente
para eu mesma, e ele est se ajoelhando atrs de mim. Ele beija e ento suavemente morde
meu traseiro, fazendo-me engasgar. Ele para e olha fixamente para mim mais uma vez no
espelho. Eu tento muito ficar quieta, ignorando minha tendncia natural de me cobrir. Ele
alarga sua mo atravs de minha barriga, a palma de sua mo quase alcanando de um lado ao
outro do quadril.
         -- Olhe para voc. Voc  to bonita,-- ele murmura. -- Sinta. -- Ele aperta minhas
mos nas dele, suas palmas contra as partes de trs das minhas mos, seus dedos entre os
meus de forma que meus dedos so alargados. Ele coloca minhas mos em minha barriga. --
Sinta o quo suave sua pele .
         Sua voz  suave e baixa. Ele move minhas mos em um crculo lento ento para cima
dos meus seios. -- Sinta o quo cheios so seus seios.-- Ele segura minhas mos de forma
que elas se encaixam em meus peitos.
        Ele suavemente golpeia meus mamilos com seus dedos polegares repetidas vezes.
         Eu gemo entre os lbios e arqueando minhas costas, assim meus seios enchem as
palmas da minha mo. Ele aperta meus mamilos entre nossos dedos polegares, puxando
suavemente de forma que eles se prolongam. Eu assisto com fascinao a criatura temerria
contorcendo na minha frente. Oh isto parece bom. Eu gemo e fecho meus olhos, no mais
querendo ver aquela mulher libidinosa no espelho que se quebra debaixo de suas prprias
mos... suas mos... sentindo minha pele  medida que ele faria, experimentando como
despertar   s seu toque, e seu tranquilo, suave, comando.
         -- Est tudo bem, beb, -- ele murmura.
          Ele guia minhas mos para baixo, aos lados de meu corpo, passando da minha
cintura para meus quadris, e atravs de meus pelos pbicos. Ele desliza sua perna entre a
minha, empurrando meus ps separadamente, alargando minha posio, e corre minha mo
para meu sexo, uma mo de cada vez, instalando um ritmo.  to ertico. Verdadeiramente
eu sou uma marionete e ele  o mestre ventrloquo.
        -- Olhe como voc arde, Anastsia, -- ele sussurra enquanto arrasta beijos e
mordidas suaves junto ao meu ombro. Eu gemo. De repente ele me solta.

                325
        -- Continue, -- ele ordena, e est de volta assistindo-me.
         Acariciar-me... No... Eu o quero fazendo isto. No parece o mesmo. Eu estou
perdida sem ele. Ele puxa sua camisa acima de sua cabea e depressa tira sua cala jeans.
        -- Voc prefere que eu faa isto? -- Seu cinza olhar abrasa o meu no espelho.
        -- Oh sim... por favor,-- eu respiro.
         Ele volta a me rodear com os braos e toma minhas mos mais uma vez, continuando
a carcia sensual atravs de meu sexo, acima de meu clitris. Os pelos de seu trax raspa
contra mim, sua ereo pressionando contra mim. Oh logo... por favor. Ele morde a nuca de
meu pescoo, e eu fecho meus olhos, apreciando o nmero infinito de sensaes; Meu
pescoo, minha virilha... o sentir dele atrs de mim.
        Ele para abruptamente e me gira ao redor, circulando meus pulsos com uma mo,
encarcerando minhas mos atrs de mim, e puxando meu rabo-de-cavalo com o outro. Eu
ruborizo contra ele, e ele me beija de modo selvagem, saqueando minha boca com a sua.
Mantendo-me no lugar.
        Sua respirao est desigual, comparada a minha.
        -- Quando comeou sua mestruao, Anastsia? -- Ele pergunta inesperadamente,
olhando abaixo, para mim.
        -- Erre... Ontem,-- eu murmuro em meu estado altamente excitado.
        -- Bom.-- Ele me solta e me vira ao redor.
         -- Segure na pia, -- ele ordena e puxa meus quadris para atrs novamente, como ele
fez no playroom, ento eu estou curvada para abaixo.
        Ele alcana entre minhas pernas e puxa o fio azul... o que! E... um suavemente
puxo, meu tampo est fora e ele lana isto no banheiro. Merda. Doce me... Jesus.
         E ento ele est dentro de mim... ah! pele contra pele... movendo lentamente a
princpio... facilmente, testando-me, empurrando-me... oh meu Deus. Eu agarro a pia,
arquejando, forando eu mesma de volta nele, sentindo ele dentro de mim. Oh, doce agonia...
suas mos em meus quadris. Ele fixa um ritmo castigador  dentro, fora, e ele move sua mo
para frente e acha meus clitris, e o massageia ... oh jesus. Eu posso sentir eu mesma
acelerando.
        -- Est bem, beb, -- ele diz com uma voz rouca enquanto entra fortemente em
mim, angulando seus quadris, e  suficiente para me mandar voando, voando alto.
         Uau... e eu gozo, ruidosamente, segurando fortemente na pia enquanto eu voo em
meu orgasmo, tudo aperta e relaxa mais uma vez. Ele segue, apertando-me firmemente, sua
frente em minhas costas quando ele goza e chama meu nome  como uma ladainha ou uma
orao.
        -- Oh, Ana! -- Sua respirao  desigual em minha orelha, em sinergia perfeita com
a minha. -- Oh, beb, eu nunca conseguirei ter o suficiente de voc? -- Ele sussurra.



               326
        Sempre ser assim? To opressivo, to devorador, to desnorteado e iludindo. Eu
quis conversar, mas agora eu estou cansada e ofuscada de fazer amor e perguntando se eu
conseguirei o suficiente dele?
         Ns afundamos devagar para o cho, e ele embrulha seus braos ao meu redor,
encarcerando-me. Eu estou enrolada em seu colo, minha cabea contra seu trax, enquanto
ns dois nos acalmamos. Muito sutilmente, eu inalo seu doce, intoxicante aroma Christian. Eu
no devo aninhar. Eu no devo aninhar. Eu repito o mantra em minha cabea  entretanto eu
estou to tentada a fazer isso. Eu quero erguer minha mo e desenhar alguma coisa no pelo de
seu trax com minhas pontas dos dedos... mas eu resisto, sabendo que ele odiar isto se eu
fizer. Ns estamos ambos quietos, perdidos em nossos pensamentos. Eu estou perdida nele...
perdida para ele.
        Eu lembro que eu estou mestruada.
        -- Eu estou sangrando, -- eu murmuro.
        -- No me incomodo, -- ele respira.
        -- Eu notei. -- Eu no posso manter a suavidade fora de minha voz.
        Ele tenciona ligeiramente.
        -- Aborrece voc? -- Ele pergunta suavemente.
          Aborrece-me? Talvez deveria... aborrece? No. Eu me debruo de volta e olho para
ele, e ele olha abaixo para mim, seus olhos uns suaves nublados cinzas.
        -- No, absolutamente.
        Ele sorri.
         -- Bom. Vamos tomar um banho.
         Ele me libera e me coloca no cho enquanto ele levanta. Enquanto ele se move, eu
noto novamente as cicatrizes pequenas, redondas, brancas em seu trax. Eles no foram de
catapora, eu medito distraidamente. Grace disse que ele dificilmente foi afetado. Santo
Deus... eles devem ser queimaduras.
        Queimaduras de que? Eu empalideo com a compreenso, choque e asco atravessam
por mim.
        De cigarros? Sra. Robinson, sua me de nascimento, quem? Quem fez isto para ele?
Talvez exista uma explicao razovel, e eu estou exagerando  esperanas selvagens
florescem em meu peito. Espero que eu esteja errada.
        -- O que  isto? -- Os olhos de Christian se alargam em seu rosto em sinal de
alarme. -- Suas cicatrizes, -- eu sussurro. -- Eles no so de catapora.
         Eu assisto enquanto em um segundo ele se fecha, sua posio muda de relaxado,
tranquilo, e  vontade, para defensivo  bravo, at. Ele franziu o rosto para mim, seu rosto se
escurece, e sua boca se aperta em uma linha fina e dura.
         -- No, eles no so, -- ele estala, mas no me d informaes adicionais. Ele
permanece em p, segurando sua mo para mim, e me ajuda a levantar.

                  327
         -- No olhe para mim assim. -- Sua voz est mais fria e repreensiva enquanto ele
solta minha mo.
        Eu ruborizo, castigada, e olho fixo para abaixo em meus dedos, e eu sei, eu sei que
algum apagou cigarros em Christian. Eu tenho nuseas.
        -- Ela fez isto? -- Eu sussurro antes de poder me parar.
        Ele no diz nada, ento eu sou forada a olhar para ele. Ele est olhado para mim.
        -- Ela? Sra. Robinson? Ela no  um animal, Anastsia. Claro que ela no fez. Eu
no entendo por que voc sente que tem que a demonizar.
        Ele est de p l, desnudo, gloriosamente desnudo, com meu sangue nele... e ns
estamos finalmente tendo esta conversa. E eu estou muito nua  nenhum de ns tem qualquer
lugar para esconder, exceto talvez a banheira. Eu respiro fundo, movo passado por ele, e
deso na gua.
        Est deliciosamente morna, calmante, e funda. Eu derreto na espuma e olho
fixamente para ele, entre as bolhas.
        -- Eu s me pergunto como voc seria se no tivesse a conhecido. Se ela no te
apresentasse para seu... um, estilo de vida.
        Ele suspira e desce no lado oposto da banheira, sua mandbula apertada com tenso,
seus olhos gelados. Quando ele graciosamente submerge seu corpo em baixo da gua, ele 
cuidadoso para no me tocar. Jesus  eu o deixei to bravo?

         Ele olha impassvel para mim, seu rosto ilegvel, no dizendo nada. Novamente os
extensos silncios entre ns, mas eu mantenho minha inteno.  sua vez Grey  eu no
estou desistindo desta vez.
         Meu subconsciente est nervoso, ansiosamente batendo suas unhas  isto podia
terminar de dois modo. Christian e eu nos olhamos fixamente um para o outro, mas eu no
volto atrs. Eventualmente, depois do que pareceu como um milnio, ele agita sua cabea, e
sorri.
          -- Eu provavelmente teria ido pelo caminho de minha me de nascimento, se no
tivesse sido pela Sra. Robinson.
        Oh! Eu pisco para ele. Viciado ou prostituta? Possivelmente ambos?
        -- Ela me amou de um modo que eu achei... aceitvel, -- ele adiciona com um
encolher os ombros.
        Que diabo isso quer dizer?
        -- Aceitvel? -- Eu sussurro.
          -- Sim. -- Ele olha atentamente para mim. -- Ela me distraiu do caminho destrutivo
que eu estava seguindo.  muito duro crescer em uma famlia perfeita quando voc no 
perfeito.



                    328
         Oh no. Minha boca secou enquanto eu digeria suas palavras. Seu olhar estava em
mim, sua expresso insondvel. Ele no vai dizer mais a mim. Que frustrante. Do lado de
dentro, eu estou bobinando  ele soa to cheio de autodepreciao. E Sra. Robinson o amou.
Merda... ela ainda amava?
        Eu sinto como eu contribu o estmago.
        -- Ela ainda ama voc?
         -- Eu acho que no, no assim.-- Ele franze a testa como se ele no tivesse pensado
sobre a ideia. -- Eu continuo dizendo a voc que foi h muito tempo atrs. Est no passado.
Eu no posso mudar isto ainda que eu quisesse, o que eu no quero. Ela me salvou de mim
mesmo. -- Ele est irritado e corre uma mo molhada por seu cabelo. -- Eu nunca discuti isto
com ningum. -- Ele pausa, -- Exceto Dr. Flynn, claro. E a nica razo que eu estou
conversando sobre isto agora, com voc,  porque eu quero que voc confie em mim.
        -- Eu confio em voc, mas eu quero conhecer voc melhor, e sempre que eu tento
conversar, voc me distrai. Existe tanto que eu quero saber.
         -- Oh pelo amor, Anastsia. O que voc quer saber? O que eu tenho que fazer? --
Seus olhos queimaram, e entretanto ele no levantou sua voz, eu sei que ele est tentando
frear seu temperamento.
        Eu olho depressa para abaixo, para minhas mos, clara em baixo da gua quando as
bolhas comearam a dispersar.
        -- Eu estou s tentando entender, voc  tal enigmtico. Diferente de qualquer
pessoa que eu encontrei antes. Eu estou contente que voc est dizendo a mim o que eu quero
saber.
         Jesus  talvez seja os Cosmopolitan me deixando valente, mas de repente eu no
posso aguentar a distncia entre ns. Eu me movo pela gua para sua lateral e me inclino para
ele assim ns estamos nos tocando, pele com pele. Ele tenciona e seus olhos esto
cautelosamente em mim, como se eu pudesse mord-lo. Bem, isto  uma reviravolta. Minha
deusa interna olha para ele em especulao quieta, surpreendida.
        -- Por favor, no fique bravo comigo,-- eu sussurro.
         -- Eu no estou bravo com voc, Anastsia. Eu s no estou acostumado a este tipo
de conversar  este sondamento. Eu s tenho isto com Dr. Flynn e com... Ele para e faz uma
carranca.
         -- Com ela. Sra. Robinson. Voc conversa com ela? -- Eu inicio, tentando frear meu
prprio temperamento.
        -- Sim, eu fao.
        -- Como ?
         Ele se muda dentro da banheira para me enfrentar, derrubando a gua aos lados sobre
o cho. Ele coloca seu brao ao redor dos meus ombros, descansando na borda da banheira.



                329
        -- Persistente voc no?-- Ele murmura, um rastro de irritao em sua voz. -- Vida,
os negcios, o universo. Anastsia, faz tempo que a Sra. Robinson e eu nos conhecemos.
Falamos sobre tudo.
        -- De mim?-- Eu sussurro.
        -- Sim. -- Os olhos cinzas assistem-me cuidadosamente.
         Eu mordo meu lbio inferior, tentando restringir a pressa sbita de raiva que vem a
superfcie.
         -- Por que voc conversa sobre mim? -- Eu empenho para no soar chorona e
petulante, mas eu no tenho sucesso. Eu sei que eu devia parar. Eu estou empurrando-o muito
forte. Meu subconsciente surge com o rosto de Edvard Munch novamente.
         -- Eu nunca encontrei ningum como voc, Anastsia.
        -- O que isso quer dizer? Que nunca conheceu algum que assinou o contrato sem
questionar primeiro?
        Ele agita sua cabea.
        -- Eu preciso de conselho.
         -- E voc toma conselho da Sra. Pedofila? -- Eu estalo. Segurar meu temperamento
 mais difcil do que eu pensei.
         -- Anastsia... suficiente, -- ele estala de volta severamente, seus olhos se
estreitando.
        Eu estou patinando em gelo fino, e eu estou indo para om perigo.
         -- Ou eu porei voc nos meus joelhos. Eu no tenho nenhum interesse sexual ou
romntico de qualquer jeito. Ela  uma amiga querida, estimada e uma companheira de
negcios. Isto  tudo. Ns temos um passado, uma histria compartilhada, que era
monumentalmente benfica para mim, entretanto isso fodeu seu casamento... mas este lado da
nossa relao est terminado.
         Jesus  outra parte que eu no consigo entender. Ela era casada tambm. Como eles
fizeram isto por tanto tempo?
         -- E seus pais nunca descobriram?
        -- No, -- ele rosna. -- Eu j disse isso a voc.
        E eu sei isso. Eu no posso perguntar a ele quaisquer perguntas adicionais sobre ela
porque ele enlouquecer comigo.
        -- Voc acabou? -- Ele estala.
        -- Por agora.
         Ele respira fundo e visivelmente relaxa na minha frente, como se um grande peso
fosse erguido de seus ombros ou algo.
        -- Certo... minha vez, -- ele murmrios, e seu olhar feroz virou glido, especulativo.
-- Voc no respondeu meu e-mail.

                 330
          Eu ruborizei. Oh, eu odeio refletores em mim, e parece que ele vai ficar bravo toda
vez que ns temos uma discusso. Eu agito minha cabea. Talvez isto  o que ele sente sobre
minhas perguntas, ele no est acostumado a ser desafiado. O pensamento  revelador, me
distrai, e enerva.
        -- Eu iria responder. Mas agora voc est aqui.
       -- Voc prefere que eu no estivesse? -- Ele respira, sua expresso impassvel
novamente.
        -- No, eu estou contente, -- eu murmuro.
         -- Bom. -- Ele d para mim um sorriso genuno de alivio. -- Eu estou muito
contente de estar aqui... apesar de seu interrogatrio. Embora aceite que me fuzile de
perguntas, voc pensa que pode reivindicar algum tipo de imunidade diplomtica s porque
eu voei todo esse caminho para ver voc? Eu no estou aceitando isto, Senhorita Steele. Eu
quero saber como voc se sente.
        Oh no...
        -- Eu disse a voc. Eu estou contente que voc esteja aqui. Obrigada por vir, -- eu
digo debilmente.
        -- O prazer  todo meu, Senhorita Steele.-- Seus olhos brilham quando ele se
debrua para abaixo e me beija suavemente.
        Eu sinto eu mesma automaticamente respondendo. A gua est ainda morna, o
banheiro quieto e vaporoso.
        Ele para e se puxa de volta, olhando abaixo, para mim.
        -- No. Eu penso que eu quero primeiro algumas respostas antes de ns fazermos
mais.
        Mais? Ai est essa palavra novamente. E ele quer respostas .... respostas para o
que? Eu no tenho um passado secreto... eu no tenho uma infncia horripilante. O que ele
possivelmente podia querer saber sobre mim que ele j no saiba?
        Eu suspiro, resignada.
        -- O que voc quer saber.
        -- Bem, como voc se sente sobre nosso acordo, para comear.
        Eu pisco para ele. Hora de dizer a verdade. Meu subconsciente e a deusa interior
olham nervosamente uma para o outro. Inferno, vamos com a verdade.
        -- Eu penso que eu no posso fazer isto por um perodo estendido de tempo. Um fim
de semana inteiro sendo algum que eu no sou. -- Eu ruborizo e olho fixamente para as
minhas mos.
        Ele levanta meu queixo, e ele est sorrindo para mim, divertido.
        -- No, eu tambm penso que voc no poderia.
        E parte de mim se sente ligeiramente afrontada e desafiada.
        -- Voc est rindo de mim?
                331
        -- Sim, mas em um bom modo,-- ele diz com um pequeno sorriso.
        Ele se debrua e me beija suavemente, brevemente.
         -- Voc no  uma grande submissa, -- ele respira enquanto segura meu queixo,
seus olhos danam com humor.
        Eu olho fixamente para ele chocada, ento eu desato a rir  e ele se junta a mim.
        -- Talvez eu no tenha um bom professor.
        Ele bufa.
        -- Talvez. Talvez eu deveria ser mais rgido com voc. -- Ele arma sua cabea para
um lado e d a mim um sorriso astuto.
        Eu trago. Jesus, no. Mas ao mesmo tempo, meus msculos apertam deliciosamente
bem no fundo.
 seu modo de exibir o quanto ele se importa. Talvez o nico modo que ele pode
mostrar que se importa  eu percebo isto. Ele est olhando fixamente para mim, medindo
minha reao.
        -- Foi to ruim quando eu espanquei voc a primeira vez?
        Eu olho de volta para ele, piscando. Foi to ruim? Eu lembro de parecer confusa
com minha reao. Machuca, mas no tanto em retrospecto. Ele disse inmeras vezes que est
mais em minha cabea. E a segunda vez... Bem, isso foi bem... quente.
        -- No, para falar a verdade no, -- eu sussurro.
        -- Foi mais a ideia disto? -- Ele inicia.
        -- Eu suponho. Sentir prazer, quando supostamente no se  para ter.
         -- Eu lembro de sentir o mesmo. Leva um tempo para conseguir que sua cabea
trabalhe ao redor isto.
        Santo inferno. Isto foi quando ele era uma criana.
         -- Voc pode sempre usar uma palavra de segurana, Anastsia. No esquea isto. E,
desde que voc siga as regras, o que preenche uma profunda necessidade em mim pelo
controle, voc se mantm segura, ento talvez ns podemos achar um modo.
        -- Por que voc precisa me controlar?
         -- Porque isso satisfaz uma necessidade em mim que eu no encontrava em meus
anos de formao.
        -- Ento isso  uma forma de terapia?
        -- Eu nunca pensei sobre isso desse modo, mas sim, eu suponho que .
        Isto eu posso entender. Isto ajudar.
         -- Mas, aqui tem uma coisa... um momento voc diz no me desafie, o prximo voc
diz que gosta de ser desafiado. Isto  uma linha muito fina para andar com sucesso.
        Ele olha para por um momento, ento franze o cenhos.

                   332
        -- Eu posso ver isto. Mas voc parece estar se dando bem at agora.
        -- Mas a que custo pessoal? Voc me deixou de braos e pernas atadas.
        -- Eu gosto disso, atar pernas e braos, -- ele sorri.
        -- No  isso que eu quis dizer! -- Eu esguicho gua em exasperao.
        Ele olha para em mim, arqueando uma sobrancelha.
        -- Voc acabou de espirrar gua em mim?
        -- Sim.-- Merda... esse olha.
         -- Oh, Senhorita Steele. -- Ele me agarra e me puxa sobre seu colo, espirando gua
por toda parte do cho. -- Eu penso que ns tivemos suficiente conversa no momento.
          Ele aperta suas mos, uma em cada lado da minha cabea e me beija. Profundamente.
Possuindo minha boca. Angulando minha cabea... controlando-me. Eu gemo contra seus
lbios. Isto  o que ele gosta. Isto  no que ele  to bom. Tudo acende dentro de mim e meus
dedos vo para seu cabelo, segurando ele para mim, e eu estou beijando-o de volta e dizendo
que eu o quero muito, do nico modo que eu sei como. Ele geme, e movendo assim eu estou
montada nele, ajoelhando acima dele, sua ereo em baixo de mim. Ele se puxa de volta e
olha para mim, seus olhos ardendo e luxurioso. Eu solto minhas mos para agarrar a
extremidade da banheira, mas ele agarra ambos meus pulsos e puxa minhas mos atrs das
minhas costas, segurando-os juntos com uma mo.
          -- Eu vou te ter agora,-- ele sussurra e me ergue de forma que eu estou pairando
acima dele.
        -- Pronta? -- Ele respira.
       -- Sim, -- eu sussurro, e ele me solta para ele, lentamente, perfeitamente lento...
enchendo-me...Assistindo-me enquanto ele me toma.
         Eu gemo, fechando meus olhos, e eu me divirto na sensao, o estirar do
preenchimento. Ele dobra seus quadris, e eu ofego, debruando adiante, descansando minha
fronte contra a sua.
        -- Por favor, deixe minhas mos soltas, -- eu sussurro.
        -- No me toque, -- ele pleiteia, e solta meus pulsos, ele agarra meus quadris.
          Apertando a borda da banheira, eu levanto e ento abaixo lentamente, abrindo meus
olhos para olh-lo. Ele est assistindo-me. Sua boca ligeiramente aberta, sua respirao
detida, formal  sua lngua entre seus dentes. Ele parece to... quente. Ns estamos molhados
e escorregadios e movendo um contra o outro. Eu me debruo para baixo e o beijo. Ele fecha
seus olhos. Tentativamente, eu trago minha mo para sua cabea e corro meus dedos por seu
cabelo, no me separando meus lbios de sua boca. Isto eu tenho permisso. Ele gosta disto.
Eu gosto disto. E ns nos movemos junto. Eu puxo seu cabelo, inclinando sua cabea e
afundando o beijo, montando-o  mais rpido, aumentando o ritmo. Eu gemo contra sua boca.
Ele comea a me erguer propositalmente mais rpido, mais rpido, segurando meus quadris.
Beijando-me de volta. Ns somos bocas e lnguas molhadas, cabelo emaranhado, e quadris se
movendo. Toda sensao... tudo consumindo novamente.
                 333
         Eu estou quase... eu estou comeando a reconhecer esse delicioso aperto...
acelerando. E a gua... est rodando ao nosso redor, nosso prprio remoinho de gua, um
vrtice ativo quando nossos movimentos se tornam mais frenticos... pulverizando gua
em todos os lugares, espelhando o que est acontecendo dentro de mim... e eu s no me
importo.
         Eu amo este homem. Eu amo sua paixo, o efeito que eu tenho nele. Eu amo que ele
tenha voado at aqui para me ver. Eu amo que ele se importe comigo como ele se importa. 
to inesperado, to realizadora.
            Ele  meu, e eu sou seu.
            -- Isso mesmo, beb, -- ele respira.
         E eu gozo, meu orgasmo se rasga por mim, turbulento, apaixonado, um apogeu que
me devora inteiro. E de repente Christian me esmaga nele... seus braos embrulhados ao
redor das minhas costas quando ele encontra sua liberao.
        -- Ana, beb! -- Ele grita, e isso prece uma selvagem invocao, ativa e tocando as
profundezas de minha alma.
        Ns deitamos olhando fixamente um para o outro, olhos cinzas em azuis, cara a cara,
na cama super king-size, ambos segurando os travesseiros em nossas frentes. Nus. Sem tocar.
S olhando e admirando, cobertos por um lenol.
         -- Voc quer dormir? -- Christian pergunta, sua voz suave. Ele  bonito; A mistura
de cores em seu cabelo vvido contra o algodo egpcio branco, olhos cinza, queimando sem
chama, expressivo. Ele parece preocupado.
        -- No. Eu no estou cansada. -- Eu me sinto estranhamente energizada. Tem sido
to bom conversar  eu no quero parar.
            -- O que voc quer fazer?-- Ele pergunta.
            -- Conversar.
            Ele sorri.
            -- Sobre que?
            -- Coisas.
            -- Que coisas?
            --Voc.
            -- O que tem eu?
            -- Qual seu filme favorito?
            Ele sorri.
            -- Hoje,  `O Piano.' 36
            Seu sorriso  contagiante.

        36
           O Piano (em ingls The Piano)  um filme ustralo-franco-neozelands de 1993, do gnero drama e escrito e dirigido pela
neozelandesa Jane Campion.
                                                            334
        -- Claro. Bobagem minha. Tal triste, excitante nota, que sem nenhuma dvida voc
pode tocar? Tantas realizaes, Sr. Grey.
        -- E o maior  voc, Senhorita Steele.
        -- Ento eu sou nmero dezessete.
        Ele franze a testa para mim no compreendendo.
        -- Dezessete?
        -- Nmero de mulheres voc teve... fez sexo.
        Seus lbios se curvam, seus olhos que brilham com incredulidade.
        -- No exatamente.
        -- Voc disse quinze,-- Minha confuso  bvia.
         -- Eu estava me referindo ao nmero de mulheres em meu quarto de jogos. Eu
pensei que era isso que voc quis dizer. Voc no perguntou a mim quantas mulheres com que
eu fiz sexo.
        -- Oh. -- Merda... existe mais... Quantas? Eu pasmo. -- Baunilha?
        -- No. Voc  minha conquista baunilha, -- ele agita sua cabea, ainda rindo para
mim.
        Por que ele acha isto engraado? E por que eu estou rindo de volta para ele como
uma idiota?
        -- Eu no posso dar a voc um nmero. Eu no coloquei notas na minha cama ou
qualquer coisa.
        -- De quantas estamos falando... dezenas, milhares de centenas? -- Meus olhos
crescem mais selvagem quando os nmeros ficam maiores.
        -- Dezenas. Ns estamos nas dezenas, pelo amor.
        -- Todas submissas?
        -- Sim.
        -- Pare de rir de mim, -- Eu repreendo-o levemente, tentando e falhando em manter
um rosto srio.
        -- Eu no posso. Voc  engraada.
        -- Engraada no sentido bobona ou graciosa?
        -- Um pouco de ambos eu acho. -- Suas palavras espelham as minhas.
        -- Isto  um maldito descaramento, vindo de voc.
        Ele se debrua e beija a ponta do meu nariz.
        -- Isto chocar voc, Anastsia. Pronta?
        Eu movimento a cabea, alargo os olhos, ainda com o sorriso estpido em meu rosto.


             335
         -- Todas eram submissas em treinamento, quando eu estava treinando. Existem
lugares ao redor de Seattle que se pode ir e praticar. Aprender a fazer o que eu fao, -- ele
diz.
         O que?
        -- Oh. -- Eu pisco para ele.
        -- Sim, eu paguei por sexo, Anastsia.
          -- Isto no  algo para orgulhar-se, -- eu murmrio altivamente -- E voc est
certo... que eu estou profundamente chocada. E zangada que eu no posso choc-lo.
        -- Voc vestiu minha roupa ntima.
        -- Isso chocou voc?
         -- Sim. -- Minha deusa interior saltou com uma vara acima de uma barra de 4
metros e meio.
        -- Voc no vestiu sua calcinha para encontrar meus pais.
        -- Isso chocou voc?
        -- Sim.
        Jesus, a barra moveu para 4 metros e 80.
        -- Parece que eu posso s choc-lo no departamento de roupa ntima
        -- Voc disse a mim que voc era virgem. Isto  o maior choque que eu j tive.
        -- Sim, seu rosto era um retrato, um momento Kodak.-- Eu dou uma risadinha.
        -- Voc me deixou usar o chicote em voc.
        -- Isso chocou voc?
        -- Sim.
        Eu sorri.
        -- Bem, eu posso deixar voc fazer isto novamente.
        -- Oh, eu espero, Senhorita Steele. Neste fim de semana?
        -- Ok, -- eu concordo, bobamente.
        -- Ok?
        -- Sim. Eu irei para o Quarto Vermelho da Dor novamente.
        -- Voc dir meu nome.
        -- Isso choca voc?
        -- O fato de eu gostar disso me choca.
        -- Christian.
        Ele sorri.
        -- Eu quero fazer algo amanh. -- Seus olhos brilharam com excitao.
                336
        -- O que?
        -- Uma surpresa. Para voc. -- Sua voz  baixa e suave.
        Eu levanto uma sobrancelha e abafo um bocejo ao mesmo tempo.
        -- Eu chateio voc, Senhorita Steele? -- Seu tom  sardnico.
        -- Nunca.
        Ele se debrua atravs e me beija suavemente meus lbios.
        -- Durma, -- ele comanda, ento desliga a luz.
         E neste quieto momento, enquanto eu fecho meus olhos, exaustos e saciados, eu
penso que eu estou no olho da tempestade. E apesar de tudo que ele disse, e o que ele no
disse, eu no acho que j estive to feliz.




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        Captulo 24


         Christian est em uma jaula de ao. Vestindo jeans, seus macios e rasgados jeans, seu
peito e seus ps que so de dar gua na boca esto nus, e ele est olhando para mim. Sua piada
privada faz com que ele tenha um sorriso em seu rosto bonito e seus olhos da cor de um cinza
fundido. Em suas mos ele segura uma taa de morangos.
         Ele anda lentamente com uma graa atltica at a frente da jaula, olhando fixamente
para mim. Segurando um morango gordo e maduro, ele estende a sua mo atravs das barras.
         -- Coma, -- diz ele, sua lngua acariciando a frente de sua boca, ele enfatiza o `a'.
         Eu tento ir para ele, mas estou amarrada, travada por uma fora invisvel em volta
dos meus pulsos, me segurando. Deixe-me ir.
         -- Venha e coma, -- ele diz, sorrindo o seu delicioso sorriso torto.
         Eu puxo e puxo... Deixe-me ir! Eu quero gritar e gritar, mas nenhum som emerge. Eu
estou muda. Ele se estende um pouco mais, e encosta o morango em meus lbios.
         -- Coma, Anastsia. -- Sua boca forma o meu nome, se demorando sensualmente
em cada slaba.
         Eu abro minha boca e mordo, a gaiola desaparece e minhas mos esto livres. Eu
chego a toc-lo, passo os meus dedos pelos cabelos de seu peito.
         -- Anastsia.
         No. Eu lamento.
         -- Vamos l, querida.
         No. Eu quero tocar em voc.
         -- Acorde.
         No. Por favor. Meus olhos piscam involuntariamente abertos por uma frao de
segundo. Eu estou na cama e algum est falando ao meu ouvido.
         -- Acorde, querida, -- ele sussurra, e o efeito de sua voz quente  como caramelo
derretido em minhas veias.
 Christian. Caramba, ainda est escuro, e as imagens dele no meu sonho ainda
persistem, desconcertantes e atormentando em minha cabea.
         -- Ah... no, -- eu gemo. Eu queria estar de volta em seu peito, de volta ao meu
sonho. Por que ele est me acordando?
 o meio da noite, ou assim parece. Puta merda. Ser que ele quer sexo, agora?
         -- Hora de levantar, querida. Vou ligar a luz. -- Sua voz  calma.
         -- No, -- eu gemo.
         -- Eu quero perseguir o amanhecer com voc, -- ele diz, beijando o meu rosto,
minhas plpebras, a ponta do meu nariz, minha boca, e eu abro os olhos. A luz est ligada. --
Bom dia, linda, -- ele murmura.
         Eu gemo, e ele sorri.

                 338
         -- Voc no uma pessoa da manh, -- ele murmura.
         Atravs da neblina da luz, eu vejo Christian debruado sobre mim, sorrindo.
Divertido.
         Sorrindo para mim. Vestido! Em preto.
         -- Eu pensei que voc queria sexo, -- eu resmungo.
         -- Anastsia, eu sempre quero sexo com voc.  reconfortante saber que voc sente
o mesmo, -- ele diz secamente.
         Eu olho para ele enquanto os meus olhos se ajustam a luz, mas ele ainda parece
divertido... agradeo aos cus.
         -- Claro que sim, mas no quando  to tarde.
         -- No  tarde,  cedo. Vamos l, se voc levantar. Ns vamos sair. E depois ter uma
verificao da enxurrada de sexo.
         -- Eu estava tendo um sonho to bom, -- eu lamento.
         -- Sonhando com o qu? -- Ele pede com pacincia.
         -- Com voc. -- Eu coro.
         -- O que eu estava fazendo no momento?
         -- Tentando me alimentar com morangos.
         Seus lbios se contorcem em um trao de sorriso.
         -- Dr. Flynn poderia ter um dia de campo com isso. Levanta e v se vestir. No se
preocupe em tomar banho, ns podemos fazer isso mais tarde.
         Ns!
         Sento-me, e as piscinas de lenis na minha cintura caem, revelando o meu corpo.
Ele est me dando espao, seus olhos escurecem.
         -- Que horas so?
         -- 5:30 da manh.
         -- Parece 3:00 da manh.
         -- Ns no temos muito tempo. Eu a deixei dormir o maior tempo possvel. Venha.
         -- No posso tomar um banho?
         Ele suspira.
         -- Se voc tomar um banho, eu vou querer tomar um com voc, e voc e eu sabemos
o que vai acontecer em seguida, o dia s vai passar. Venha.
         Ele est animado. Como um menino pequeno, ele brilha com antecipao e
entusiasmo. Ele me faz sorrir.
         -- O que estamos fazendo?
         --  uma surpresa. Eu disse a voc.
         Eu no posso deixar de sorrir para ele.
         -- Ok. -- Eu escalo para fora da cama e procuro minhas roupas.  claro que elas
esto bem dobradas na cadeira ao lado da minha cama. Um par de cuecas boxes Ralph Lauren
 colocado para fora. Eu a coloco, e ele sorri para mim. Hmm, outra pea de roupa ntima de
Christian Grey, um trofu para adicionar a minha coleo, junto com o carro, o BlackBerry, o
Mac, o casaco preto e um conjunto de livros antigos de primeiras edies valiosas. Sacudo a
cabea, e franzo a testa quando uma cena de Tess passa pela minha cabea: a cena dos
morangos. Invoco meu sonho. Para o inferno com o Dr. Flynn, Freud teria um dia de campo,
e, em seguida, ele provavelmente terminaria tentando lidar com as Cinquenta Sombras.

                339
         -- Eu vou lhe dar algum espao, agora que voc se levantou. -- Christian sai em
direo  sala de estar e eu ando para o banheiro. Eu tenho necessidades para atender, e eu
queria um banho rpido. Sete minutos depois, estou na sala de estar, limpa, escovada e vestida
em jeans, meu corpete, e a roupa intima de Christian Grey. Olhei para Christian, o vendo
sentado na mesa de jantar onde ele est tomava caf da manh. Caf da manh! Caramba,
nesse momento.
         -- Coma, -- diz ele.
         Santo Moiss... meu sonho. Olho para ele de boca aberta, pensando em sua lngua no
cu da boca. Hmm, sua lngua experiente.
         -- Anastsia, -- ele diz com firmeza, me puxando para fora de meu devaneio.
          realmente muito cedo para mim. Como posso lidar com isso?
         -- Vou tomar um ch. Posso pegar um croissant para depois?
         Ele me olha com desconfiana, e eu sorrio docemente.
         -- No jogue gua na minha festa, Anastsia, -- adverte ele suavemente.
         -- Eu vou comer mais tarde quando meu estmago estiver acordado. Depois das
7:30 da manh... Ok?
         -- Ok. -- Ele olha para mim.
         Honestamente. Tenho que me concentrar muito em no fazer uma careta para ele.
         -- Eu quero desviar meu olhar de voc.
         -- Por todos os meios, faa, e voc vai fazer o meu dia, -- disse com firmeza.
         Olho para o teto.
         -- Bem, uma surra me acordaria, eu suponho. -- Pouso meus lbios em uma
contemplao silenciosa.
         A boca de Christian cai aberta.
         -- Por outro lado, eu no quero que voc fique toda quente e desconfortvel, o clima
aqui  quente o suficiente. -- Dou de ombros com indiferena.
         Christian fecha a boca e se esfora muito para olhar indignado, mas no consegue
totalmente.
         Eu posso ver o humor escondido na parte de trs dos seus olhos.
         -- Est, como sempre, me desafiando, Senhorita Steele. Beba seu ch.
         Eu observo o rtulo Twinings, e no interior, meu corao canta. Veja, ele se importa,
com o meu paladar subconsciente. Eu sento e o enfrento, bebendo sua beleza. Ser que vou ter
o suficiente desse homem?
         Quando sai da sala, Christian lana um moletom para mim.
         -- Voc vai precisar disso.
         Eu olho para ele, intrigada.
         -- Confie em mim. -- Ele sorri, se inclina e me beija depressa nos lbios, em
seguida, agarra minha mo e nos guia para fora.
         L fora, no frio relativo  meia-luz anterior ao amanhecer, nas mos de um
manobrista estavam s chaves de Christian para um veloz carro esporte com uma capota.
Levanto uma sobrancelha para Christian, que sorri para mim.
         -- Voc sabe, s vezes  timo ser eu, -- ele diz com um sorriso cmplice, mas
presunoso que eu simplesmente no sei imitar. Ele  to adorvel quando  brincalho e


                 340
despreocupado. Ele abre a porta do carro com uma reverncia exagerada, e eu escalo. Ele est
em um humor to bom.
          -- Aonde vamos?
          -- Voc vai ver. -- Ele sorri enquanto escorrega o carro na unidade, e sai em
Savannah Parkway. Ele programa o GPS e pressiona um boto no volante e uma pea clssica
orquestral enche o carro.
          -- O que  isso? -- Eu pergunto, quando o doce, doce som de uma centena de cordas
de um violino chegam at ns.
          --  uma parte de La Traviata. Uma pera de Verdi.
          Oh, meu...  lindo.
          -- La Traviata? Eu tenho lembrana disso. S no posso me lembrar de onde. O que
significa?
          Christian olha para mim e sorri.
          -- Bem, literalmente, a mulher cada.  baseada no livro de Alexandre Dumas, A
Dama das Camlias.
          -- Ah. Eu li isso.
          -- Eu achei que voc poderia ter lido.
          -- A cortes condenada. -- Contoro-me desconfortavelmente no assento de couro.
Ele est tentando me dizer alguma coisa? -- Hmm,  uma histria deprimente, -- murmuro.
          -- Muito deprimente? Voc quer escolher alguma msica? Est no meu iPod. --
Christian tem um sorriso secreto novamente.
          Eu no posso ver o seu iPod em lugar nenhum. Ele bate na tela do console entre ns,
e eis que, h uma lista de reproduo.
          -- Voc escolhe. -- Seus lbios se contorcem em um sorriso, e eu sei que  um
desafio.
          O iPod de Christian Grey, deve ser interessante. Eu percorro a tela sensvel ao toque,
e encontro a msica perfeita. Pressiono tocar. Eu no teria imaginado que ele era um f de
Britney. O clube mix, com batidas Techno, e Christian abaixa o volume. Talvez seja cedo
demais para isso: Britney  a suma mais sensual.
          -- Txic, hein? -- Sorri Christian.
          -- Eu no sei o que voc quer dizer. -- Finjo inocncia.
          Ele abaixa um pouco mais a msica, e por dentro eu estou me abraando. Minha
deusa interior est de p no pdio aguardando a sua medalha de ouro. Ele abaixa um pouco
mais a msica.
          Vitria!
          -- Eu no coloquei essa msica no meu iPod, -- ele diz casualmente, e aperta o p e
acelera pela rodovia me jogando de volta para o meu acento.
          O qu? Ele sabe o que est fazendo, o bastardo. Quem colocou? E tenho que escutar
a Britney indo e indo. Quem... quem?
          A msica termina e o iPod se embaralha e comea a tocar uma msica triste de
Damien Rice. Quem? Quem? Olho para fora da janela, meu estmago revirando. Quem?
          -- Foi Leila, -- ele respondeu meus pensamentos no ditos. Como ele faz isso?
          -- Leila?
          -- Uma ex que colocou a msica no meu iPod.

                   341
         Damien toca ao longe no fundo enquanto me sento atordoada. Uma ex... ex-
submissa? Uma ex... -- Uma das quinze? -- eu pergunto.
         -- Sim.
         -- O que aconteceu com ela?
         -- Ns terminamos.
         -- Por qu?
         Oh caramba.  muito cedo para esse tipo de conversa. Mas ele parece relaxado, feliz
mesmo, e at mais falante.
         -- Ela queria mais. -- Sua voz  baixa, introspectiva mesmo, e ele deixa a frase
pendurada entre ns, terminando com essa palavra pouco poderosa novamente.
         -- E voc no queria? -- Perguntou antes que eu posso empregar meu crebro para
por um filtro em minha boca. Merda, eu quero saber?
         Ele balana a cabea.
         -- Eu nunca quis mais, at que conheci voc.
         Eu suspiro, cambaleando. Oh meu Deus. No  isso que eu quero? Ele quer mais. Ele
quer, tambm! Minha deusa interior capotou fora do pdio e est fazendo cambalhotas ao
redor do estdio.
         No  s comigo.
         -- O que aconteceu com as outras catorze? -- Pergunto.
         Eita, tem que aproveitar que ele est falando.
         -- Voc quer uma lista? Divorciada, decapitada, morta?
         -- Voc no  Henry VIII.
         -- Ok. Em nenhuma ordem em particular, eu s tive relacionamentos de longo prazo
com quatro mulheres, alm de Elena.
         -- Elena?
         -- Sra. Robinson para voc. -- Ele d aquele seu meio sorriso de uma piada secreta.
         Elena! Puta merda. A maligna tem um nome e que soa estrangeiro. A viso de uma
gloriosa sedutora de pele clara com cabelos negros e lbios vermelhos rubi vem  mente, e eu
sei que ela  linda. Eu no devo permanecer. Eu no devo permanecer.
         -- O que aconteceu com as quatro? -- Pergunto para me distrair.
         -- Ento est to curiosa e vida por informao, senhorita Steele, -- ele repreende
de brincadeira.
         -- Oh, Sr. Quando  O Seu Perodo Frtil?
         -- Anastsia, um homem precisa saber dessas coisas.
         -- Ser que precisa?
         -- Eu preciso.
         -- Por qu?
         -- Porque eu no quero que voc engravide.
         -- Nem eu! Bem, ainda no por alguns anos.
         Christian pisca assustado, ento visivelmente relaxa. Ok. Christian no quer ter
filhos.
         Agora ou nunca? Estou sofrendo com o ataque repentino de sinceridade sem
precedentes. Talvez seja o inicio da manh? Algo na gua da Gergia? No ar da Gergia? O
que mais eu quero saber? Carpe Diem (Aproveite o dia).

                342
         -- Ento, as outras quatro, o que aconteceu? -- Pergunto.
         -- Com uma, conheceu outra pessoa. E as outras trs queriam, mais. Eu no estava
no mercado para mais.
         -- E as outras? -- Eu pressionei.
         Ele olha para mim brevemente e apenas balana a cabea.
         -- S no deu certo.
         Uau, um balde de carga de informaes para processar. Olho no espelho lateral do
carro, e percebo o crescimento suave de rosa e verde azulado no cu para trs. O amanhecer
est nos seguindo.
         -- Onde estamos indo? -- Eu pergunto perplexa, olhando para o I-95. Estamos indo
para o sul, isso  tudo que eu sei.
         -- Um campo de pouso.
         -- No estamos indo de volta para Seattle no  mesmo? -- Eu suspiro, alarmada.
Eu no disse adeus para a minha me. Caramba, ela vai estar nos esperando para jantar.
         Ele ri.
         -- No, Anastsia, vamos para o meu segundo passatempo favorito.
         -- Segundo? -- Franzo a testa para ele.
         -- Sim. Eu te disse o meu favorito est manh.
         Olho para o seu perfil glorioso, franzindo a testa, quebrando a cabea.
         -- Satisfazer voc, Senhorita Steele  que tem que estar no topo da minha lista.
Qualquer maneira que eu poder te pegar.
         Oh,
         -- Bem, isso  bastante alto na minha lista de desvios, e prioridades excntricas
tambm. -- Murmuro corando. -- Tenho o prazer de ouvir, -- ele resmunga secamente.
         -- Ento, aeroporto?
         Ele sorri para mim.
         -- Voando.
         Sinos vagos comearam a soar. Ele tinha mencionado antes.
         -- Ns vamos perseguir o amanhecer, Anastsia. -- Ele se vira e sorri para mim
quando o GPS o incita a virar  direita no que parece ser um complexo industrial. Ele vira
para o lado, onde um tem grande edifcio branco onde se l: Brunswick Soaring Association.
         Planando! Vamos planar?
         Ele desliga o motor.
         -- Voc quer isso? -- Pergunta ele.
         -- Voc vai voar?
         -- Sim.
         -- Sim, por favor! -- No hesitei. Ele sorri, se inclina para frente e me beija.
         -- Primeira outra novidade, Senhorita Steele, -- ele diz, enquanto sai do carro.
         Primeira vez? Que tipo de primeira vez? Primeira vez pilotando um planador...
merda! No, ele disse que fez isso antes. Eu relaxo. Ele caminha em volta do carro e abre
minha porta. O cu se transformou em um opala sutil, brilhando e brilhando suavemente atrs
das nuvens. O amanhecer est sobre ns.



              343
          Pegando minha mo, Christian me leva ao redor do prdio para uma grande extenso
de pista onde vrios avies esto estacionados. Esperando ao lado deles, um homem com a
cabea raspada e um olhar selvagem em seus olhos est acompanhado por Taylor.
          Taylor! Christian no vai a um lugar sem aquele homem? Eu olho para ele, e ele sorri
gentilmente para mim.
          -- Sr. Grey, este  seu piloto reboque, o Sr. Mark Benson, -- diz Taylor. Christian e
Benson apertam as mos e iniciam uma conversa, que soa muita tcnica sobre a velocidade do
vento, as direes, e assim por diante.
          -- Ol, Taylor, -- murmuro timidamente.
          -- Senhorita Steele. -- Ele acena uma saudao para mim, e eu franzo a testa. --
Ana, -- ele se corrige.
          -- Ele tem sido um inferno na terra nos ltimos dias. Ainda bem que estamos aqui,
-- ele diz conspirando.
          Oh, esta  uma notcia. Por qu? Certamente no por minha causa! Revelaes de
quinta-feira! Deve ser algo na gua Savannah que faz estes homens soltar umas poucas coisas.
          -- Anastsia, -- Christian me convoca. -- Venha. -- Ele estende a mo.
          -- Vejo voc depois. -- Eu sorrio para Taylor, e dando-me uma saudao rpida, ele
volta para o estacionamento.
          -- Sr. Benson, esta  a minha namorada Anastsia Steele.
          -- Prazer em conhec-lo, -- murmuro enquanto apertamos as mos.
          Benson me d um sorriso deslumbrante.
          -- Igualmente, -- ele diz, e eu posso dizer que pelo seu sotaque ele  britnico.
          Quando pego a mo de Christian, h uma excitao crescente em minha barriga.
Uau... planar! Seguimos Mark Benson por todo o caminho em direo a pista. Ele e Christian
mantm uma conversa em execuo. Eu pego a essncia. Ns estaremos em um Blanik L-23,
que aparentemente  melhor do que um L-13, embora esteja aberto ao debate. Benson vai
pilotar um Piper Pawnee. Ele est voando a cerca de cinco anos. Tudo no significa nada para
mim, mas olhando para Christian, to animado,  um prazer v-lo.
          O avio em si  longo, elegante e branco com listras laranja. Ele tem uma cabine
pequena com dois assentos um em frente ao outro.  preso por um longo cabo branco de um
pequeno avio com uma nica hlice convencional. Benson abre a grande cpula de acrlico
claro que emoldura a cabine, o que nos permite entrar.
          -- Primeiro precisamos colocar o cinto do seu paraquedas.
          Paraquedas!
          -- Eu vou fazer isso, -- interrompe Christian e toma o cinto de Benson, que sorri
docilmente para ele.
          -- Eu vou buscar algum contrapeso, -- diz Benson e vai em direo ao avio.
          -- Voc gosta de me prender nas coisas. -- Observo secamente.
          -- Senhorita Steele, voc no tem ideia. Aqui, entre nessas tiras.
          Eu fao como me disse, coloco o meu brao em seu ombro. Christian enrijece um
pouco, mas no se move. Uma vez que meus ps esto nas alas, ele puxa o paraquedas para
cima, e eu coloco meus braos nas alas. Habilmente, ele prende o cinto e aperta todas as
correias.


                  344
          -- Pronto, esta prontas -- ele diz levemente, mas seus olhos esto brilhando. --
Voc tem seu lao de cabelo de ontem?
          Concordo com a cabea.
          -- Voc quer que eu coloque em meu cabelo?
          -- Sim.
          Eu rapidamente fao o que ele pede.
          -- Pode se sentar, -- Christian comanda. Ele  ainda to mando. Subo na parte
traseira.
          -- No, na frente. O piloto fica na parte de trs.
          -- Mas voc no ser capaz de ver.
          -- Verei o suficiente. -- Ele sorri.
          Eu no acho que j o vi to feliz, mando, mas feliz. Subo e me estabeleo no
assento de couro.  surpreendentemente confortvel. Christian se inclina, puxa o sinto sobre
os meus ombros, pega o cinto menor entre as minhas pernas e as faixas horrias, e apoia todos
no fecho que tem em minha barriga. Ele aperta as cintas de conteno.
          -- Hmm, duas vezes em uma manh, eu sou um homem de sorte, -- ele sussurra e
me beija rapidamente.
          -- Isso no vai demorar muito, vinte, trinta minutos no mximo. As massas de ar no
so muito boas neste horrio da manh, mas  to deslumbrante l em cima a esta hora. Eu
espero que voc no esteja nervosa.
          -- Animada. -- Eu o olhei.
          Da onde  que esse sorriso ridculo vem? Na verdade, parte de mim est apavorada.
Minha deusa interior, ela est debaixo de um cobertor atrs do sof.
          -- Bom. -- Ele sorri de volta, acariciando meu rosto, em seguida, desaparece de
vista.
          Eu ouo seus movimentos enquanto ele sobe atrs de mim. Claro que ele me amarrou
com tanta fora que no posso me mover ao redor para v-lo... tpico! Estamos muito baixo
sobre o cho. Diante de mim, um painel de mostradores e alavancas e uma coisa grande como
um porrete. Deixo-o quieto.
          Mark Benson aparece com um sorriso alegre quando ele verifica as minhas tiras se
inclina, e verifica o cho da cabine. Eu acho que  o contrapeso.
          -- Sim, isso  seguro. Primeira vez? -- Ele me pergunta.
          -- Sim.
          -- Voc vai adorar.
          -- Obrigada, Sr. Benson.
          -- Chamem-me de Mark. -- Ele se vira para Christian. -- Tudo bem?
          -- Sim. Vamos.
          Estou to feliz por no ter comido nada. Estou alm de animada, e eu no acho que
meu estmago apreciaria o alimento, a emoo, e sair do cho. Mais uma vez, estou me
colocando nas mos hbeis deste homem lindo. Mark fecha a tampa da cabine, passeia ao
longo do caminho em frente, e sobe dentro.
          A nica hlice do Piper comea a rodar, e o nervosismo do meu estmago sobe para
a minha garganta. Caramba... Eu estou realmente fazendo isso. Mark nos puxa lentamente
pela pista, e quando o cabo leva a presso, de repente sacudimos para frente. Estamos fora.

                345
Ouo conversas sobre o aparelho de rdio atrs de mim. Eu acho que  conversa de Mark com
a torre - mas eu no posso dizer o que ele est falando.
          O Piper pega velocidade, assim como ns.  muito irregular, e na frente de ns, o
avio de uma nica hlice ainda est no cho. Caramba, ser que vamos levantar? E de
repente, o nervosismo do meu estmago desaparece da minha garganta e gratuitamente sai
atravs do meu corpo para o cho, estamos no ar.
           -- Aqui vamos ns, querida! -- Christian grita atrs de mim. E ns estamos em
nossa prpria bolha, s ns dois. Tudo o que ouo  o som do vento rasgando e passando e o
som distante que vem do zumbido do motor do Piper.
          Estou segurando a borda do meu assento com as duas mos, com tanta fora que
meus dedos esto brancos.
          Ns seguimos para o oeste, para o interior, longe do sol nascente, ganhando altura,
atravessando campos e florestas e casas e I-95. Oh meu Deus. Isto  surpreendente, acima de
ns apenas o cu. A luz  extraordinria, difusa e quente no tom, e me lembro de Jos falar
sobre a "hora mgica", um horrio do dia em que os fotgrafos adoram,  isso... logo aps o
amanhecer, e eu estou nela, com Christian.
          De repente, lembro-me da exposio de Jos. Hmm. Eu preciso dizer para Christian.
Pergunto-me brevemente como ele vai reagir. Mas eu no vou me preocupar com isso, no
agora, eu estou apreciando o passeio. Meus ouvidos estalam com o ganho de altura, e a terra
desliza mais e mais longe.  to pacfica.
          Estou entendendo totalmente porque ele gosta de estar aqui. Fora de seu BlackBerry
e todas as presses de seu trabalho.
          O rdio crepita a vida, e Mark menciona 3.000 ps. Caramba, isso parece alto. Eu
verifico no cho, e no posso mais distinguir claramente nada l em baixo.
          -- Relaxe, -- Christian diz no rdio, e de repente o Piper desaparece, e a sensao de
ser puxada fornecida pelo pequeno avio nos deixa. Estamos flutuando, flutuando sobre a
Gergia.
          Puta merda,  excitante. O avio se transforma, e as asas mergulham, e ns vamos
em espiral em direo ao sol. caro.  isso. Eu estou voando perto do sol, mas ele est
comigo, me levando. Eu engasgo com a realizao. Ns rodamos e rodamos, e na minha
opinio, nesta luz da manh  espetacular.
          -- Segure-se firme! -- Grita, e mergulhamos de novo, s que desta vez ele no para.
De repente, eu estou de cabea para baixo, olhando para o cho atravs do topo de vidro da
cabine.
          Eu grito alto, meus braos automaticamente avanam, minhas mos ficam
espalmadas sobre o vidro para me impedir de cair. Eu posso ouvi-lo rindo. Bastardo! Mas sua
alegria  contagiante, e eu estou rindo muito enquanto ele endireita o avio.
          -- Estou contente por no ter tomado caf da manh! -- Eu grito para ele.
          -- Sim, em retrospecto,  bom voc no ter feito, porque eu vou fazer isso de novo.
          Mergulha o avio mais uma vez, at que estamos de cabea para baixo. Desta vez,
estou preparada, e fico com a mo no cinto, mas isso me faz rir e sorrio como uma tola. Ele
nivela o avio, mais uma vez.
          -- Lindo, no ? -- Ele fala.
          -- Sim.

                   346
         Voamos, mergulhando majestosamente no ar, ouvindo o vento e o silncio, na luz da
manh. Quem poderia pedir mais?
         -- V o leme na sua frente? -- Ele grita novamente.
         Eu olho para o pau que est se movendo ligeiramente entre as minhas pernas. Oh
no, onde ele est indo com isso?
         -- Agarre.
         Oh merda. Ele vai me fazer pilotar o avio. No!
         -- V em frente, Anastsia. Agarre-o, -- ele insiste com mais veemncia.
         Timidamente, eu o agarro e sinto a altura e a guinada do que eu suponho que sejam
os lemes e as ps ou o que mantm essa coisa no ar.
         -- Segure firme... mantenha-o estvel. V o boto do meio em frente? Mantenha a
agulha no centro. -- Meu corao est na boca. Puta merda. Estou voando num planador... Eu
estou subindo.
         -- Boa menina. -- Christian parece encantado.
         -- Estou surpresa que voc me deixe assumir o controle, -- eu grito.
         -- Voc ficaria espantada com o que eu deixaria voc fazer, Senhorita Steele. Faa
para mim agora.
         Eu sinto o movimento do leme de repente, e o deixo ir em espiral para baixo por
vrios ps, meus ouvidos comeam a estalar novamente. O cho est se aproximando, e
parece como se pudssemos estar batendo nele em breve. Caramba, isso  assustador.
         -- BMA, este  BG N Papa Alpha 3, entrando na pista da esquerda a favor do vento
sete para a grama, a BMA. -- Christian soa com o seu tom autoritrio habitual. A torre grita
para ele no rdio, mas eu no entendo o que eles dizem. Ns voamos rodando novamente em
um grande crculo, se afundando lentamente para o cho. Eu posso ver o aeroporto, as pistas
de pouso, e ns estamos voando para trs sobre a I-95.
         -- Espere querida. Isto pode ficar instvel.
         Depois de outro crculo que mergulhei e, de repente estamos no cho com um baque
breve, correndo ao longo da grama, puta merda. Meus dentes se batem quando ns colidimos
a uma velocidade alarmante ao longo do cho, at que finalmente chegamos a uma parada. O
avio oscila ligeiramente, em seguida, mergulha para a direita.
         Tomo uma lufada profunda de ar, enquanto Christian se inclina e abre a tampa da
cabine, escalando para fora e se alongando.
         -- Como foi isso? -- Ele pergunta, e seus olhos esto brilhando, um cinza prata
deslumbrante. Ele se inclina para me soltar.
         -- Foi extraordinrio. Obrigada, -- eu sussurro.
         -- Foi mais? -- Pergunta ele, sua voz repleta de esperana.
         -- Muito mais, -- eu respiro, e ele sorri.
         -- Venha. -- Ele estende a mo para mim, e eu escalo para fora da cabine.
         Assim que eu estou fora, ele me agarra e me abraa forte contra seu corpo. De
repente, sua mo est no meu cabelo, puxando ele para trs, e sua outra mo desce at a base
da minha espinha. Ele me beija, longo, duro, e apaixonadamente, sua lngua na minha boca.
         Sua respirao est pesada, o seu ardor... Caramba, sua ereo... estamos em um
campo. Mas eu no me importo. Minhas mos torcem em seu cabelo, agarrando-o para mim.
Eu o quero, aqui, agora, no cho. Ele se afasta e olha para baixo, para mim, seus olhos agora

                347
escuros e luminosos na luz da manh, cheios de matrias-primas, e uma sensualidade
arrogante. Uau. Ele tira o meu flego.
         -- Caf da manh, -- ele sussurra, fazendo soar deliciosamente ertico.
         Como ele pode fazer bacon e ovos soar como um fruto proibido?  uma habilidade
extraordinria. Ele se vira, apertando minha mo, e voltamos para o carro.
         -- E sobre o planador?
         -- Algum vai cuidar disso, -- ele diz com desdm. -- Vamos comer agora. -- Seu
tom  inequvoco.
         Comida! Ele est falando de alimentos, quando na verdade tudo que eu quero  ele.
         -- Venha. -- Ele sorri.
         Eu nunca o vi assim, e  uma alegria para os olhos. Eu me encontro caminhando ao
lado dele, de mos dadas, como uma estpida, com sorriso bobo estampado em meu rosto.
Isso me lembra de quando eu tinha dez anos e passei o dia na Disneylndia com Ray. Era um
dia perfeito, e este est, com certeza, se moldando ao mesmo.
         De volta ao carro, que voltamos ao longo de I-95 para Savannah, meu alarme do
telefone acende. Ah, sim... minha plula.
         -- O que  isso? -- Christian pergunta, curioso, olhando para mim.
         Eu procuro na minha bolsa pelo o pacote.
         -- Alarme para a minha plula, -- eu murmuro com minhas bochechas vermelhas.
         Seus lbios se contraem.
         -- Bom, bem feito. Eu odeio camisinha.
         Eu fico um pouco mais vermelha. Ele  to paternalista como nunca foi.
         -- Gostei que voc me apresentou a Mark como sua namorada, -- murmuro.
         -- No  o que voc ? -- Ele levanta uma sobrancelha.
         -- Eu sou? Eu pensei que voc queria uma submissa.
         -- Assim como eu fiz, Anastsia, e fao. Mas eu j lhe disse, eu quero mais,
tambm.
         Oh meu Deus. Ele est chegando l, e esperana surge atravs de mim, me deixando
sem ar.
         -- Estou muito feliz que voc quer mais, -- eu sussurro.
         -- Nosso objetivo  agradar, Senhorita Steele. -- Ele sorri enquanto vira para a
International House of Pancakes.
         -- IHOP. -- Eu sorrio de volta. Eu no acredito nisso. Quem teria pensado...
Christian Grey na IHOP.
 8:30 da manh, mas est tudo calmo, no restaurante. Est com cheiro de massa
doce, frituras e desinfetante. Hmm... no como um aroma sedutor. Christian me leva a uma
mesa.
         -- Eu nunca teria imaginado que voc viesse aqui, -- eu digo enquanto deslizo na
cabine.
         -- Meu pai costumava nos trazer a um desses sempre que minha me saia para uma
conferencia mdica. Era o nosso segredo. -- Ele sorri para mim, os olhos cinzentos danam,
ento pega um menu, passando a mo pelo cabelo rebelde enquanto olha para o cardpio.
         Oh, eu quero correr minhas mos por aquele cabelo. Eu pego um menu e o examino.
Percebo que estou morrendo de fome.

             348
         -- Eu sei o que quero, -- ele respira, sua voz baixa e rouca.
         Olho para ele, e ele est me olhando daquele jeito que aperta todos os meus msculos
da barriga e me tira o meu flego, seus olhos escuros e latentes. Puta merda. Eu olho para ele,
minha voz como o sangue em minhas veias, respondendo  sua chamada.
         -- Eu quero o que voc quiser, -- eu sussurro.
         Ele inala drasticamente.
         -- Aqui? -- Pergunta ele sugestivamente, levantando uma sobrancelha para mim,
sorrindo maliciosamente, seus dentes prendendo a ponta de sua lngua.
         Oh meu Deus... sexo no IHOP. Suas mudanas de expresso, crescem mais obscuras.
         -- No morda seu lbio, -- ele ordena. -- No aqui, no agora. -- Seus olhos
endurecem momentaneamente, e por um momento, ele parece to deliciosamente perigoso. --
Se eu no puder t-la aqui, no me tente.
         --Ol, Meu nome  Leandra, o que posso fazer por vocs... er... gente... er... hoje,
esta manh...? -- Sua voz se extingue, tropeando em suas palavras, enquanto ela fica de olho
no Sr. Belssimo  minha frente.
         Ela fica vermelha como tomate, e no fundo eu at que entendo-a, porque ele ainda
tem esse efeito em mim. Sua presena me permite fugir rapidamente de seu olhar sensual.
         -- Anastsia? -- Ele me pede, ignorando-a, e eu duvido que algum pode pronunciar
meu nome de forma mais carnal como ele neste momento.
         Eu engulo, rezando para que eu no fique da mesma cor que a pobre Leandra.
         -- Eu te disse, eu quero o que voc quiser. -- Eu mantenho a minha voz suave,
baixa, e ele olha para mim faminto. Caramba, minha deusa interior desmaia. Eu estou at
aonde neste jogo?
         Leandra olha de mim para ele e vice-versa. Ela est praticamente da mesma cor que
seu cabelo vermelho brilhante.
         -- Devo lhes dar mais um minuto para decidir?
         -- No. Sabemos o que queremos. -- A boca de Christian se abre em um pequeno
sorriso sexy.
         -- Queremos duas pores das panquecas originais com xarope e bacon ao lado, dois
copos de suco de laranja, um caf preto com leite desnatado, e um ch Ingls, se voc tiver,
-- Christian diz, sem tirar os olhos de mim.
         -- Obrigada, senhor. Isso  tudo? -- Sussurra Leandra, olhando para qualquer lugar,
menos para ns dois. Ns dois por sua vez, olhamos para ela, e ela cora mais um pouquinho e
se distancia.
         -- Voc sabe que no  realmente justo. -- Olho para a mesa de frmica, traando
um padro com o meu dedo indicador, tentando parecer indiferente.
         -- O que no  justo?
         -- O jeito que voc desarma as pessoas. Mulheres. Eu.
         -- Eu te desarmo?
         Eu bufo.
         -- O tempo todo.
         --  s algo fsico, Anastsia, -- ele diz suavemente.
         -- No, Christian,  muito mais do que isso.
         Ele franze o cenho.

                  349
          -- Voc me desarma totalmente, Senhorita Steele. Sua inocncia. Que supera
qualquer barreira.
          --  por isso que voc mudou de opinio?
          -- Mudei de opinio?
          -- Sim, sobre... err... ns?
          Ele acaricia o queixo pensativo com seus dedos longos e hbeis.
          -- Eu no acho que mudei de opinio apenas por isso. Ns apenas precisamos
redefinir nossos parmetros, redesenhar as nossas linhas de batalha, se voc quiser. Ns
podemos fazer este trabalho, eu tenho certeza. Eu quero voc submissa na minha sala de
jogos. Eu vou te punir se voc desviar das regras. Fora isso... bem, eu acho que tudo esta em
discusso. Essas so as minhas necessidades, Senhorita Steele. O que voc diria sobre isso?
          -- Ento dormir com voc? Na sua cama?
          --  isso que voc quer?
          -- Sim.
          -- Eu concordo em seguida. Alm disso, eu durmo muito bem quando voc est na
minha cama. Eu no tinha ideia disso. -- Sua testa aumenta enquanto diminui sua voz.
          -- Eu estava com medo de que voc me deixaria se eu no concordasse com tudo
isso, -- sussurro.
          -- Eu no vou a lugar algum, Anastsia. Alm disso ... -- Ele se desliga, e depois de
algum pensamento, acrescenta. -- Estamos seguindo seu conselho, sua definio:
compromisso. Voc enviou para mim. E at agora, ela est funcionando para mim.
          -- Eu adoro que voc queira mais, -- murmuro timidamente.
          -- Eu sei.
          -- Como voc sabe?
          -- Confie em mim. Apenas sei. -- Ele sorri para mim. Ele est escondendo alguma
coisa. O qu?
          Naquele momento, Leandra chega com o caf da manh e nossa conversa cessa. Meu
estmago ronca, me lembrando de como estou com fome. Christian me observa com uma
aprovao irritante enquanto devoro tudo em meu prato.
          -- Posso te convidar? -- Peo a Christian.
          -- Me convidar como?
          -- Pagando por esta refeio.
          Christian bufa.
          -- Eu no penso assim. -- Ele ridiculariza.
          --Por favor. Eu quero.
          Ele franze a testa para mim.
          -- Voc est tentando me castrar completamente?
          -- Este  provavelmente o nico lugar que eu vou ser capaz de pagar.
          -- Anastsia, eu aprecio o pensamento. Mas no.
          Aperto meus lbios.
          -- No faa uma cara feia, -- ele ameaa, com os olhos brilhando ameaadoramente.
          Claro que ele no me pede o endereo da minha me. Ele sabe j sabe, perseguidor
como ele . Quando ele estaciona na frente da casa, eu no comento. Qual  o ponto?
          -- Voc quer entrar? -- Pergunto timidamente.

                  350
         -- Eu preciso trabalhar, Anastsia, mas eu vou estar de volta esta noite. Que horas?
         Eu ignoro a facada indesejada de decepo. Por que eu quero passar cada minuto
com este controlador deus do sexo? Oh sim, eu me apaixonei por ele, e por saber voar.
         -- Obrigada... por tudo.
         -- O prazer  meu, Anastsia. -- Ele me beija, e eu inalo o cheiro sexy de Christian.
         -- Eu te vejo mais tarde.
         -- Tente me parar, -- ele sussurra.
         Eu aceno um adeus enquanto ele vai embora para o sol da Gergia. Eu ainda estou
vestindo sua camiseta e sua cueca, e estou muito quente.
         Na cozinha, minha me est em um retalho completo. No  todo dia que ela tem
para entreter um multi-zilionrio, e que a destaca.
         -- Como voc est, querida? -- Ela pergunta, e eu fico vermelha, porque com
certeza ela deve saber o que eu estava fazendo na noite passada.
         -- Eu estou bem. Christian me levou para planar esta manh. -- Espero que a nova
informao v distra-la.
         -- Planar? Como em um pequeno avio sem motor? Esse tipo de planar?
         Concordo com a cabea.
         -- Uau.
         Ela est sem palavras, um novo conceito para a minha me. Ela fica de boca aberta,
mas eventualmente se recupera e retoma sua linha original de questionamento.
         -- Como foi ontem  noite? Ser que voc falou sobre isso?
         Eita. Eu fico num tom de vermelho brilhante.
         -- Ns conversamos, a noite passada e hoje. Est ficando melhor.
         -- Bom. -- Ela vira a ateno para os quatro livros de culinria que ela tem aberto
sobre a mesa da cozinha.
         -- Mame... se voc quiser, eu cozinho esta noite.
         -- Oh, querida, isso  tpico de voc, mas quero faz-lo.
         -- Ok. -- Eu fao uma careta, sabendo muito bem que o tipo de comida que minha
me faz ou  bom ou  ruim.
         Talvez ela tenha melhorado desde que ela se mudou para Savannah com Bob. Houve
um tempo que eu no iria submeter ningum a sua comida... mesmo, que eu a odiasse? Ah,
sim, a Sra. Robinson, Elena. Bem, talvez ela. Ser que vou conhecer essa maldita mulher?
         Eu decidi enviar um rpido agradecimento a Christian.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Voando em vez de ferida
        Data: 02 de junho de 2011 10:20 EST
        Para: Christian Grey

s vezes, voc realmente sabe como dar bons momentos a uma garota.

                 351
        Obrigada

        Ana, X

        De: Christian Grey
        Assunto: Voando vs ferida
        Data: 02 de junho de 2011 10:24 EST
        Para: Anastsia Steele

        Prefiro qualquer coisas do que seu ronco. Eu tive um momento muito bom.
        Mas eu sempre tenho quando estou com voc.


 Christian Grey
                                      CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.



        De: Anastsia Steele
        Assunto: O RONCO
        Data: 02 de junho de 2011 10:26 EST
        Para: Christian Grey

        EU NO RONCO. E se eu fizer isso,  muito rude de sua parte apontar.
        Voc no  cavalheiro Sr. Grey! E voc est no mesmo barco que eu!

        Ana


         De: Christian Grey
         Assunto: Falar dormindo
         Data: 02 de junho de 2011 10:28 EST
         Para: Anastsia Steele
         Eu nunca disse ser um cavalheiro, Anastsia, e eu acho que tenho demonstraes que
apontam para isso em diversas ocasies. E no estou intimidado pelas suas letras
MAISCULAS.
         Mas vou confessar que foi mentirinha : No - voc no ronca, mas voc fala. E 
fascinante.
         O que aconteceu com o meu beijo?


        Christian Grey
        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.



              352
         Puta merda. Eu sei que falo no meu sono. Kate me disse vrias vezes. O que diabos
eu disse? Ah, no.


         De: Anastsia Steele
         Assunto: Lngua nos dentes
         Data: 02 de junho de 2011 10:32 EST
         Para: Christian Grey

         Voc  um canalha e um grosseiro, definitivamente, no  um cavalheiro.
         Ento, o que eu digo? No h beijos para voc, at voc falar!


         De: Christian Grey
         Assunto: A Bela Adormecida Falando
         Data: 02 de junho de 2011 10:35 EST
         Para: Anastsia Steele

         Seria mais uma grosseria minha dizer, e eu j fui castigado por isso.
         Mas se voc se comportar, eu posso lhe dizer esta noite. Eu tenho que ir a uma
reunio agora.
         At depois, querida.


         Christian Grey
         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


          Certo! Vou manter o silncio de rdio, at esta noite. Eu bufo. Eita. Supondo que eu
j disse que eu o odeio, ou pior ainda, que eu o amo, no meu sono. Oh, eu espero que no. Eu
no estou pronta para lhe dizer, e eu tenho certeza que ele no est pronto para ouvir, ou se ele
quiser ouvir. Fao uma careta para o computador e decido que vou cozinhar, vou fazer o po.
          Minha me decidiu por uma sopa fria a base de tomates crus e um churrasco com
bifes marinados em azeite de oliva, alho e limo. Christian gosta de carne, e  simples de
fazer. Bob se ofereceu para ser o homem da churrasqueira. O que h sobre homens e fogo, eu
penso enquanto sigo atrs da minha me, at o supermercado com o carrinho de compras?
          Enquanto procuro o corredor de carne crua, meu telefone toca. Eu corro para ele,
pensando que pode ser Christian. Eu no reconheo o nmero.
          -- Ol? -- Eu respondo sem flego.
          -- Anastsia Steele?
          -- Sim.
          --  Elizabeth Morgan do SIP.
          -- Oh. Oi.


                    353
          -- Estou ligando para oferecer-lhe o cargo de assistente do Sr. Jack Hyde.
Gostaramos que voc comeasse na segunda-feira.
          -- Uau. Isso  timo. Obrigada!
          -- Voc conhece os detalhes do salrio?
          -- Sim. Sim...  isso, eu quero dizer, eu aceito a sua oferta. Eu adoraria ir trabalhar
para voc.
          -- Excelente. Nos vemos na segunda s 8:30 da manh?
          -- Vejo voc depois. Tchau. E muito obrigada.
          Eu olho para a minha me.
          -- Voc tem um emprego?
          Concordo com alegria, ela grita e me abraa no meio do supermercado Publix.
          -- Parabns, querida! Temos que comprar um champanhe! -- Ela est batendo
palmas e pulando para cima e para baixo. Ela tem 42 anos ou 12 anos?
          Eu olho para o meu telefone e franzo a testa, h uma chamada no atendida de
Christian. Ele nunca me telefona. Eu ligo para ele em seguida.
          -- Anastsia, -- ele responde imediatamente.
          -- Oi, -- murmuro timidamente.
          -- Eu tenho que voltar para Seattle. Algo est fora de controle. Estou no caminho
para Hilton Head agora. Por favor, pea desculpas  sua me -- eu no posso ir ao jantar. --
Ele soa muito profissional.
          -- Nada de grave, espero?
          -- Eu tenho uma situao que tenho que lidar. Eu vou te ver sexta-feira. Vou enviar
Taylor para lhe pegar no aeroporto, se no puder ir eu mesmo. -- Ele soa frio. At mesmo
irritado. Mas pela primeira vez, eu no acho que seja por minha causa.
          -- Ok. Eu espero que voc resolva a sua situao. Tenha um bom voo.
          -- Voc tambm, querida, -- ele respira, e com essas palavras, o meu Christian est
de volta brevemente. Em seguida, ele desliga.
          Ah, no. A ltima "situao" que ele tinha era a minha virgindade. Caramba, espero
que no seja nada assim.
          Eu olho para minha me. Sua felicidade anterior se transformou em preocupao.
          --  Christian, ele teve que voltar para Seattle. E ele pede desculpas.
          -- Oh! Isso  uma pena, querida. Mas ns ainda podemos ter o nosso churrasco, e
agora temos algo para comemorar, o seu novo trabalho! Voc tem que me contar tudo sobre
ele.
 fim de tarde, eu e minha me estamos deitadas ao lado da piscina. Minha me
relaxou a tal ponto que ela est, literalmente, na horizontal, agora que o Sr. Megasena no est
chegando para jantar. Enquanto eu estou deitada ao sol, me esforando para perder a cor
plida, eu penso sobre ontem  noite e o caf da manh hoje. Eu penso sobre Christian, e meu
sorriso ridculo se recusa a diminuir. Ele se mantm rastejando pelo meu rosto,
espontaneamente e desconcertante, se bem me lembro nossas diversas conversas e o que
fizemos... o que ele fez.
          Parece haver uma mudana na mar da atitude de Christian. Ele nega, mas, ele
admite que est tentando ter mais. O que poderia ter mudado? O que mudou desde que ele me


                    354
enviou o seu longo e-mail e quando eu o vi ontem? O que ele fez? Sento-me, de repente,
quase derramando a minha Dr. Pepper. Ele jantou com... ela. Elena.
         Puta Merda!
         Meu couro cabeludo espinha com a realizao. Ela disse algo a ele? Ah... queria ter
sido uma mosca na parede durante o jantar. Eu poderia ter pousado em sua sopa ou em seu
copo de vinho e sufoc-la.
         -- O que  isso, Ana, querida? -- Mame pergunta, assustada.
         -- Eu estou apenas passando por um momento, mame. Que horas so?
         -- Cerca de 06:30 da tarde, querida.
         Hmm... ele no posou ainda. Posso perguntar-lhe? Devo perguntar-lhe? Ou talvez
ela no tem nada a ver com isso. Cruzo os dedos para isso. O que eu disse no meu sono?
Porcaria... alguma desprotegida observao enquanto sonhava com ele, eu aposto? Seja l o
que , ou foi, espero que a mudana venha de dentro dele e no por causa dela.
         Estou sufocada neste calor danado. Eu preciso de outro mergulho na piscina.
         Quando estou indo para a cama, ligo o meu computador. No vi nada de Christian.
         Nem mesmo uma palavra que ele chegou em segurana.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: Chegou em segurana?
        Data: 02 de junho de 2011 22:32 EST
        Para: Christian Grey

        Caro senhor
        Por favor, me deixe saber se voc chegou em segurana. Estou comeando a me
preocupar. Pensando em voc.

        Sua Ana, X


        Trs minutos depois, ouo o ping do e-mail que chega a minha caixa de entrada.


        De: Christian Grey
        Assunto: Desculpa
        Data: 02 de junho de 2011 19:36
        Para: Anastsia Steele

        Querida Senhorita Steele



                355
        Eu cheguei em segurana, e por favor aceite minhas desculpas por no deix-la
saber. Eu no quero te causar nenhuma preocupao,  reconfortante saber que voc se
importa comigo. Eu estou pensando em voc tambm e como sempre estou ansioso para v-la
amanh.


Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


        Eu suspiro, Christian est de volta para a formalidade.




        De: Anastsia Steele
        Assunto: A Situao
        Data: 02 de junho de 2011 22:40 EST
        Para: Christian Grey

        Caro Sr. Grey

        Eu acho que  muito evidente que eu me importo com voc, profundamente. Como
voc pode duvidar disso?
        Espero que a sua "situao" esteja resolvida.

        Sua Ana, X
        PS: Voc vai me dizer o que eu disse enquanto estava dormindo?


        De: Christian Grey
        Assunto: Quinta Petio
        Data: 02 de junho de 2011 19:45
        Para: Anastsia Steele

        Querida Senhorita Steele

         Eu gosto muito que voc se importe comigo. A "situao" aqui ainda no est
resolvida.
         Com relao ao seu PS: A resposta  no.
Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.

        De: Anastsia Steele
        Assunto: Insana Petio

          356
        Data: 02 de junho de 2011 22:48 EST
        Para: Christian Grey

        Espero que tenha sido divertido. Mas voc deve saber que no posso aceitar qualquer
responsabilidade pelo que sai da minha boca enquanto eu estiver inconsciente. Na verdade,
voc provavelmente me entendeu mal.
        Um homem com a sua idade avanada certamente deve ser um pouco surdo.

        De: Christian Grey
        Assunto: Se Declarar Culpado
        Data: 02 de junho de 2011 19:52
        Para: Anastsia Steele

        Querida Senhorita Steele

        Desculpe, voc poderia falar mais alto? Eu no posso ouvi-la.
Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.

        De: Anastsia Steele
        Assunto: Insana Petio Novamente
        Data: 02 de junho de 2011 22:54 EST
        Para: Christian Grey

        Voc est me deixando louca.

        De: Christian Grey
        Assunto: Espero que sim...
        Data: 02 de junho de 2011 19:59
        Para: Anastsia Steele

        Querida Senhorita Steele

        Eu pretendo fazer      exatamente    isso na noite     de sexta-feira. Esperando
ansiosamente. ;)


Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.

        De: Anastsia Steele
        Assunto: Grrrrrr
        Data: 02 de junho de 2011 23:02 EST
        Para: Christian Grey

              357
        Estou oficialmente chateada com voc.
        Boa noite

        Senhorita A. R. Steele


        De: Christian Grey
        Assunto: Gato Selvagem
        Data: 02 de junho de 2011 20:05
        Para: Anastsia Steele

        Voc est rosnando para mim senhorita Steele?
        Eu possuo uma gata que rosna.


Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.



         Ele tem uma gata? Eu nunca vi um gato em seu apartamento. No, eu no vou
respond-lo.
         Oh, ele pode ser to irritante s vezes. Cinquenta Sombras de exasperao. Eu subo
para a cama e deito olhando para o teto enquanto os meus olhos se ajustam ao escuro. Eu ouo
outro ping do meu computador. Eu no vou olhar. No, definitivamente no. No, eu no vou
olhar. Gah!
         Como a tola que sou, no posso resistir  tentao das palavras de Christian Grey.


        De: Christian Grey
        Assunto: O que voc disse enquanto dormia
        Data: 02 de junho de 2011 20:20
        Para: Anastsia Steele

        Anastsia

         Eu prefiro ouvir voc dizer as palavras que pronunciou no seu sono enquanto voc
est inconsciente,  por isso que eu no vou te dizer. V dormir. Voc precisar estar
descansada para o que tenho em mente para voc amanh.


Christian Grey
                                       CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.


               358
        Ah, no... O que eu disse?  to mau como eu penso, eu tenho certeza.




        Captulo 25

          Minha me me abraa forte.
          -- Oua seu corao, querida, e por favor, por favor, procure no dar demasiada
importncia s coisas. Relaxe e desfrute.  muito jovem, cus. Ainda tem muita vida pela
frente, viva-a. Voc merece o melhor.
          Suas tristes palavras sussurradas ao meu ouvido me confortam. Ela Beija meu
cabelo.
          -- Ai, mame.
          Agarro-me em seu pescoo e, de repente, meus olhos se enchem de lgrimas.
          -- Carinho, j sabe o que dizem: ter que beijar muitos sapos para encontrar o
prncipe encantado.
          Dou-lhe um sorriso retorcido, agridoce.
          -- Parece que beijei um prncipe, mame. Espero que no se transforme em sapo.
          Ela me brinda com seu sorriso mais terno, maternal e amoroso e enquanto nos
abraamos de novo, percebo o quanto amo esta mulher.
          -- Ana, esto chamando seu voo -- Bob me avisa nervoso.
          -- Ir me visitar, mame?
          --  obvio, querida... em breve. Amo voc.
          -- Eu tambm.
          Quando ela me solta, tem os olhos vermelhos das lgrimas contidas. Odeio ter que
deix-la. Abrao Bob, dou meia volta e me encaminho ao porto de embarque; hoje no tenho
tempo para a sala VIP.No quero olhar para trs, mas fao... e vejo Bob abraando minha
mame, que chora desconsolada com as lgrimas escorrendo pelas bochechas. J no posso
conter mais as minhas. Abaixo a cabea e cruzo o porto de embarque, sem levantar os olhos
do branco e resplandecente cho, turvado atravs de meus olhos empapados de lgrimas.

             359
          Uma vez a bordo, rodeada do luxo da primeira classe, me encolho no assento e tento
me recompor. Sempre  difcil e doloroso me separar de minha me; ela  atrapalhada,
desorganizada, mas tambm perspicaz, e me ama muito. Com um amor incondicional, que
toda criana merece de seus pais. O rumo que tomam meus pensamentos me faz franzir o
cenho, pego meu Black-Berry e o olho consternada.
          O que sabe Christian de amor? Parece que no teve amor incondicional durante sua
infncia. Aperta-me o corao e, como um vento suave, me vem  cabea as palavras de
minha me: "Sim, Ana. Deus, o que mais precisa? Uma placa luminosa na sua testa?".
Acredita que Christian me ama, mas, claro, ela  minha me, como no vai pensar assim?
Para ela, mereo o melhor. Franzo o cenho.  verdade, e, em um instante de assombrosa
lucidez, percebo.  muito simples: eu quero seu amor. Necessito que Christian Grey me ame.
Por isso temo tanto nossa relao, porque, em um nvel profundo e existencial, reconheo em
meu interior um desejo incontrolvel e profundamente enraizado de ser amada e protegida.
          E, devido as suas Cinquenta sombras, me contenho. O sadismo era uma distrao do
verdadeiro problema. O sexo  alucinante, e ele  rico, e bonito, mas tudo isso no vale nada
sem seu amor, e o mais desesperador  que no sei se ele  capaz de amar. Nem sequer se ama
a si mesmo. Lembro o desprezo que sentia por si mesmo, e que o amor de sua me era a nica
manifestao de afeto que encontrava "aceitvel". Castigar, aoitar, bater, e tudo o que
poderia fazer para elevar sua relao, no se considerava digno de amor. Por que se sentia
assim? Como podia se sentir assim? Suas palavras ressonam em minha cabea: " muito
difcil crescer em uma famlia perfeita quando voc no  perfeito".
          Fecho os olhos, imagino sua dor, e no alcano a compreenso. Estremeo ao pensar
que possivelmente falei muito. O que eu teria confessado a Christian em sonhos? Que
segredos eu revelei?
          Olho fixamente meu Black-Berry com a vaga esperana de que ele me oferea
respostas. Como era de esperar, no se mostrava muito comunicativo. Ainda no iniciamos a
decolagem, assim dava para mandar um email para minhas Cinquenta Sombras.




        De: Anastsia Steele
        Data: 3 de junho de 2011 12:53 EST
        Para: Christian Grey
        Assunto: indo para casa

        Querido senhor Grey:
        J estou comodamente instalada na primeira classe, na qual te agradeo. Conto os
minutos que faltam para v-lo esta noite e possivelmente te torturar para te arrancar a verdade
sobre minhas revelaes noturnas.

        Sua Ana x


                  360
        De: Christian Grey
        Data: 3 de junho de 2011 09:58
        Para: Anastsia Steele
        Assunto: indo para casa

        Anastsia, desejo muito v-la.
  Christian Grey
                                         CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.




         Sua resposta me faz franzir o cenho. Soa cortante e formal, no est escrita em seu
habitual estilo sucinto, mas criativo.



        De: Anastsia Steele
        Data: 3 de junho de 2011 13:01 EST
        Para: Christian Grey
        Assunto: indo para casa
        Queridssimo senhor Grey:

         Acredito que tudo v bem com respeito ao "problema". O tom de seu email me
parece preocupante.

         Ana x

        De: Christian Grey
        Data: 3 de junho de 2011 10:04
        Para: Anastsia Steele
        Assunto: indo para casa

        Anastsia:
        O problema poderia estar melhor. J embarcou? Se o estiver, no deveria estar me
mandando e-mails. Esta se pondo em perigo e transgredindo diretamente as normas relativa a
sua segurana pessoal. Sobre os castigos  srio.


  Christian Grey

               361
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.

        Merda. Muito bem. Deus... O que esta acontecendo? Qual ser "o problema"? Taylor
pediu demisso, Christian perdeu uns milhes na Bolsa de Valores... ento.



        De: Anastsia Steele
        Data: 3 de junho de 2011 13:06 EST
        Para: Christian Grey
        Assunto: Reao desmedida

        Querido senhor casca-grossa:

         As portas do avio ainda esto abertas. Estamos atrasados, mas decolamos em dez
minutos. Meu bem-estar e dos passageiros que esto ao meu redor est assegurado. Pode
guardar suas mos por agora.

        Senhorita Steele

        De: Christian Grey
        Data: 3 de junho de 2011 10:08
        Para: Anastsia Steele
        Assunto: Desculpas; mos guardadas

        Sinto sua falta e de sua lngua afiada, senhorita Steele.
        Quero que chegue em casa s e salva.


Christian Grey
                                        CEO, Grey Participaes e Empreendimentos Inc.



        De: Anastsia Steele
        Data: 3 de junho de 2011 13:10 EST
        Para: Christian Grey
        Assunto: Desculpas aceitas

        Esto fechando as portas. Voc no vai ouvir o bip das minhas mensagens, ainda
mais com a sua surdez.
        At mais tarde.

        Ana x


           362
          Desligo o Black-Berry, incapaz de me liberar da angstia. Acontecia alguma coisa
com Christian. Para que "o problema" tenha escapado de suas mos. Encosto no assento,
olhando o compartimento do bagageiro onde guardei minhas bolsas. Est manh, com a ajuda
de minha me, comprei para Christian um pequeno presente para lhe agradecer as viagens de
primeira classe e os voos de planador. Sorrio ao lembrar da experincia do planador... Um
autntico gozador. Ainda no sei se darei a ele o brinquedo que comprei. Agora me parece
infantil; ou, se estiver de humor estranho, talvez no.
          Uma parte de mim esta desejando voltar, mas outra teme o que me espera no final da
viagem. Enquanto repasso mentalmente as distintas possibilidades a respeito de qual pode ser
"o problema", tenho em conta que, uma vez mais, o nico lugar livre  o que est a meu lado.
Meneio a cabea ao pensar que possivelmente Christian pagou pela parte conjugada para que
ela no falasse com ningum. Descarto a ideia absurda: Pensando que no poderia haver
ningum to controlador, to ciumento. Quando o avio entra em pista, fecho os olhos.
          Oito horas depois, saio do terminal de chegada de Sa-tac e encontro Taylor me
esperando, segurando um letreiro que diz SENHORITA A. STEELE.
          Que exagero! Mas me alegro ao v-lo.
          -- Ol, Taylor!
          -- Senhorita Steele, me sada com formalidade, mas detecto um trao risonho em
seus intensos olhos marrons.
          To impecvel como sempre: num elegante traje cinza escuro, camisa branca e
gravata tambm cinza.
          -- J te conheo, Taylor, no precisava de cartaz. Alm disso, agradeceria se me
chamasse de Ana.
          -- Ana. Permita que eu leve sua bagagem?
          -- No, eu mesma posso levar. Obrigada.
           Apertou os lbios visivelmente.
          -- Mas se voc ficar mais tranquilo levando-a... pegue-a.
          -- Obrigado. Ele pega a mochila e a mala recm comprada que minha me me deu
de presente. Por aqui, senhora.
          Suspiro.  to educado... Recordo de algo que queria apagar da minha memria, que
este homem comprou roupas intimas para mim. De fato e isso me inquieta, foi o nico homem
que me comprou roupa intimas. Nem sequer Ray teve que passar por esse apuro. Caminhamos
em silencio at o Audi SUV negro que esperava l fora, no estacionamento do aeroporto, ele
abre a porta para mim. Enquanto subo, me pergunto se foi uma boa ideia ter colocado uma
saia to curta na minha volta a Seattle. Na Gergia me parecia elegante e apropriada; aqui me
sinto nua. Assim que Taylor colocou minha bagagem no porta-malas, samos para o Escala.
          Avanamos devagar, apanhados pela hora do rush o trfego era intenso. Taylor no
tirava os olhos da estrada. Descrev-lo como taciturno seria muito pouco.
          No suportando mais o silncio.
          -- Como vai Christian, Taylor?
          -- O senhor Grey est preocupado, senhorita Steele.
          Sim, deve estar se referindo ao "problema". Achei uma fonte de ouro.
          -- Preocupado?
          -- Sim, senhora.

                363
          Olho carrancuda para Taylor e ele me devolve o olhar pelo retrovisor; nossos olhos
se encontram. No vai me contar mais. Droga,  to fechado quanto o controlador obsessivo.
          -- Ele est bem?
          -- Acredito que sim, senhora.
          -- Se sente mais cmodo me chamando de senhorita Steele?
          -- Sim, senhora.
          -- Ah, bem.
          Isso acaba por completo com a nossa conversa, assim seguimos em silncio. Comeo
a pensar no recente deslize de Taylor, quando me disse que Christian estava de mau humor,
foi uma distrao. Ou melhor se envergonhava de ter comentado, ele se preocupava por ter
sido desleal. O silncio me deixava asfixiada.
          -- Poderia pr msica, por favor?
          -- Certamente, senhora. O que gosta de ouvir?
          -- Algo relaxante.
          -- Algo relaxante.
          Vejo desenhar um sorriso nos lbios do Taylor quando nossos olhares voltam a se
cruzar brevemente no retrovisor.
          -- Sim, senhora.
          Aperta uns botes no painel e os suaves acordes do Canon do Pachelbel inundam o
espao que nos separa. OH, sim... era isso que me estava fazendo falta.
          -- Obrigada.
          Encosto-me no assento enquanto entramos em Seattle, a um ritmo lento mas
constante, pela interestadual 5.
          Vinte e cinco minutos depois, estamos na frente da impressionante fachada do
Escala.
          -- Vamos senhora -- me diz, abrindo a porta. -- Agora vou subir a bagagem.
          Sua expresso era calma, clida, afetuosa inclusive, como um tio querido.
          Isso... Tio Taylor, boa ideia.
          -- Obrigada por ir me buscar.
          -- Um prazer, senhorita Steele.
          Sorri, e eu entro no edifcio. O porteiro me sada com a cabea e com a mo.
          Enquanto subo para o trigsimo andar, sinto milhares de borboletas batendo suas asas
e voando pelo meu estmago. Por que estou to nervosa? Sei que  porque no tenho nem
ideia de como esta o humor de Christian quando eu chegar. Minha deusa interior estava
confiante para um tipo especifico de humor; meu subconsciente, como eu, parece um monte
de nervos.
          Abrem-se as portas do elevador e me encontro no vestbulo. Parece-me to estranho
que Taylor no me receba. Est estacionando o carro, claro. No salo, vejo Christian falando
no Black-Berry enquanto contempla a cidade de Seattle pela janela. Usa um traje cinza com o
casaco desabotoado e est passando a mo pelo cabelo. Est inquieto, tenso inclusive. O que
esta acontecendo? Inquieto ou no,  sempre um prazer olh-lo. Como pode ser to...
irresistvel?
          -- Nem um pouco... como... Sim.


                 364
          Virou-se, e me v, e sua atitude muda por completo. Passa da tenso ao alvio e logo
a outra coisa: um olhar que chama a ateno diretamente da minha deusa interior, um olhar de
sensual a carnal, em seus ardentes olhos cinza.
          Minha boca seca e o desejo renasce dentro de mim ... ui.
          -- Me mantenha informado -- ele fala decidido e autoritrio enquanto avana com
passos decididos para mim.
          Espero paralisada que cubra a distncia que nos separa, me devorando com o olhar.
Minha nossa, algo esta acontecendo... A tenso de sua mandbula, a angstia de seus olhos.
Tira seu casaco, a gravata e, pelo caminho, os joga no sof. Logo me envolve com seus braos
e me aperta contra seu corpo, com fora, rpido, me agarrando pelos ombros para levantar
minha cabea, e me beija como se desse a vida por isso.
          Que diabos esta acontecendo aqui? Tira com violncia o prendedor do meu cabelo,
mas pouco me importa. Sua forma de me beijar me parece primria e desesperada. Por isso
ser que, neste momento me necessita tanto? Eu jamais me senti to desejada. Parece escuro,
sensual, alarmante, tudo de uma vez s. Devolvo o beijo com igual ardor, afundando os dedos
em seus cabelos, retorcendo-os Nossas lnguas se entrelaam, a paixo e o ardor resplandece
entre ns. Divino, ardente, sexy, e seu cheiro de gel de banho e de Christian me excitam
muito. Separa sua boca da minha e fica me olhando, me prende em uma emoo inefvel.
          -- O que aconteceu? -- pergunto.
          -- Alegra-me muito que tenha voltado. Tome banho comigo. Agora.
          No sei se me pede isso ou me ordena isso.
          -- Sim -- sussurro e, me agarrando pela mo, me tira do salo e me leva a seu
dormitrio, ao banheiro.
          Uma vez l, me solta e abre a torneira da banheira super espaosa. Vira devagar e me
olhe, excitado.
          -- Eu gosto de sua saia.  muito curta -- diz com voz grave. --Tem pernas lindas.
          Tira os sapatos e se abaixa para tirar tambm as meias trs quartos, sem afastar os
olhos de mim. Seu olhar voraz me deixa muda. Uau, eu desejo tanto este deus grego... Imito-o
e tiro as sapatilhas negras. De repente, me agarra e me empurra contra a parede. Beija-me no
rosto, o pescoo, os lbios... Agarra-me os cabelos.
          Sinto os azulejos frios e suaves nas minhas costas quando se aproxima tanto de mim
que me deixa emparedada entre seu calor e a fria porcelana. Timidamente, me prendo em seus
braos e ele grunhe quando aperto com fora.
          -- Quero fazer isso agora. Aqui, rpido, duro -- Diz, e pe as mos nas minhas
coxas e sobe a saia. Ainda est menstruada?
          -- No -- respondo me ruborizando.
          -- Bom.
          Desliza os dedos pelas calcinhas brancas de algodo e, de repente, se agacha para
arranc-la de uma vez s. Tenho a saia totalmente levantada e enrugada, dessa forma estou
nua da cintura para baixo, ofegando, excitada. Agarra-me pelos quadris, me empurrando de
novo contra a parede, e me beija no ponto onde se encontram minhas pernas. Agarrando-me
pela parte superior de ambas as coxas, separa as minhas pernas. Grito com fora ao notar que
sua lngua acaricia meu clitris. Deus... Jogo a cabea para trs sem querer e gemo, me
agarrando a seu cabelo.

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         Sua lngua  desumana, forte e persistente, me melando, dando voltas e voltas sem
parar.  delicioso e a sensao  to intensa que quase  dolorosa. Comea a acelerar; ento,
para. O que? No! Ofego com a respirao entrecortada, e o olho impaciente. Pega meu rosto
com ambas as mos, me segura com firmeza e me beija com violncia, colocando a lngua na
minha boca para que eu saboreie minha prpria excitao. Logo abaixa sua cueca e libera sua
ereo, me agarra pelas coxas por trs e me levanta.
         -- Enrosca as pernas em minha cintura, beb -- me ordena, tremendo, tenso.
         Fao o que me diz e me penduro nele, e ele, com um movimento rpido e resolvido,
me penetra at o fundo.
         -- Ah! -- Gemo, grito. Agarra minha bunda, cravando os dedos na suave carne, e
comea a se mover, devagar no comeo, com um ritmo fixo, mas, assim que perde o controle,
acelera, cada vez mais.
         -- Ahhh! -- Jogo a cabea para trs e me concentro nessas sensaes invasoras,
castigadoramente celestiais, que me empurra e me empurra para frente, cada vez mais alto e,
quando j no posso mais aguentar, estralo ao redor de seu membro, entrando na espiral de
um orgasmo intenso e devorador. Ele se deixa levar com um gemido profundo e afunda a
cabea em meu pescoo e afunda seu membro ainda mais em mim, grunhindo
escandalosamente enquanto se deixa ir.
         Logo que pode respirar, me beija com ternura, sem se mover, sem sair de mim, e eu o
olho sentindo saudades, sem chegar a v-lo. Quando por fim consigo olh-lo, se retira devagar
e me levanta com fora para que possa pr os ps no cho. O banheiro est cheio de vapor e
faz muito calor. Estou com roupas de mais.
         -- Parece que voc ficou alegre ao me ver, -- murmuro com um sorriso tmido.
         Contrai a boca, risonho.
         -- Sim, senhorita Steele, acredito que minha alegria  mais do que evidente. Veem,
deixa que te leve a banheira.
         Desabotoa os trs botes seguinte camisa, solta os punhos, tira a camisa pela cabea
e a joga no cho. Logo tira as calas do traje e a boxer de algodo e os joga com o p. Comea
a desabotoar os botes da minha blusa branca enquanto o observo; anseio poder tocar seu
peito, mas me contenho.
         -- Como foi sua viagem? -- Pergunta calmo.
         Parece muito mais tranquilo agora que desapareceu sua inquietao, ela se dissolveu
em nossa transa.
         -- Bem, obrigada -- murmuro, ainda sem flego. -- Obrigada outra vez pelas
passagens.  muito mais agradvel viajar de primeira classe. -- Sorrio para ele timidamente.
-- Tenho algo pra te contar acrescento nervosa.
         -- Srio?
         Olha-me enquanto desabotoava o ltimo boto, deslizou a blusa pelos braos e a
atirou com o resto da roupa.
         -- Consegui um trabalho.
         Ele ficou imvel, logo sorri com ternura.
         -- Parabns, senhorita Steele. Vai me dizer aonde agora? Provoca-me.
         -- No sabe?
         Nega com a cabea, carrancudo.

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          -- Por que deveria saber?
          -- Dada a sua tendncia de perseguio, pensei que saberia...
          Encolho-me ao ver que a expresso dele muda.
          -- Anastsia, jamais me ocorreria interferir em sua carreira profissional, salvo que
me pedir isso, claro.
          Parecia ofendido.
          -- Ento, no tem nem ideia de que editora ?
          -- No. Sei que h quatro editoras em Seattle, assim imagino que  uma dessas.
          -- SIP.
          -- Ah, a mais pequena, bem. Muito bem. Inclina-se e me beija a frente. Esta pronta?
Quando comea?
          -- Na segunda-feira.
          -- To logo, no? Mais  certo que desfrute de ti enquanto posso. Vire-se.
          Desconcerta-me a naturalidade que me ordena, mas fao o que me diz, e ele
desabotoa o meu prendedor e abaixa a barra da saia. Abaixa-me e aproveita para me agarrar o
traseiro e me beijar o ombro. Inclina-se sobre mim e me cheira os cabelos, inspirando fundo.
Aperta minha bunda.
          -- Embriaga-me, senhorita Steele, e me acalma. Uma mistura interessante.
          Beija-me meu cabelo. Logo me pega pela mo e me enfia na ducha.
          -- Ai.
          A gua est visivelmente fervendo. Christian sorri enquanto a gua cai por cima dele.
          -- Esta um pouquinho quente.
          E, no fundo, tem razo. Sinto as maravilhas de tirar de cima de mim o suor da
calorosa Georgia e o do sexo que acabamos de fazer.
          -- Vire-se -- me ordena, e eu obedeo e me ponho de cara para a parede. Quero te
lavar -- murmura.
          Pega o gel e joga um pouco na mo.
          -- Tenho algo para te contar -- sussurro enquanto me ensaboa os ombros.
          -- Ah, ? Diga.
          Respiro fundo e me armo de coragem.
          -- A exposio fotogrfica do meu amigo Jos ser inaugurada na quinta-feira em
Portland.
          Suas mos param e ficam suspensas sobre meus seios. Dei nfase em especial 
palavra "amigo".
          -- Sim, e o que acontece? -- Pergunta muito srio.
          -- Disse a ele que iria. Quer vir comigo?
          Depois do que me pareceu uma eternidade, pouco a pouco comea a me lavar outra
vez.
          -- A que horas?
          -- A que horas?
          -- A inaugurao  s sete e meia.
          Beija-me a orelha.
          -- Certo.


                  367
          Em meu interior, meu subconsciente relaxa, desaba e cai pesadamente no velho e
maltratado crebro.
          -- Estava nervosa porque tinha que me perguntar isso?
          -- Sim. Como sabe?
          -- Anastsia, acaba de relaxar o corpo inteiro -- diz seco.
          -- Bom, parece que voc ... um pouco ciumento.
          -- Sou sim, -- diz ameaador. -- E te far bem em lembrar. Mas obrigado por
perguntar. Iremos no Charlie Tango.
          Ah, no helicptero, claro... Estou boba... Outro vo... imagino! Sorrio.
          -- Posso te lavar? -- pergunto.
          -- Parece que no -- murmura, e me beija brandamente e me viro para recuperar a
dor da negativa.
          Fao companhia  parede enquanto ele acaricia as minhas costas com sabo.
          -- Me deixar te tocar algum dia? -- Pergunto audazmente.
          Voltou a parar, a mo cravada em meu traseiro.
          -- Apoie as mos na parede, Anastsia. Vou te penetrar outra vez -- sussurra ao
ouvido me agarrando pelos quadris, e sei que a discusso terminou.
          Mais tarde, estamos sentados na cozinha, eu de penhoar, depois de ns termos
comido a deliciosa massa Alle Vongole da senhora Jones.
          -- Mais vinho? -- pergunta Christian com um brilho em seus olhos cinzas.
          -- Um pouquinho, por favor.
          O Sancerre  revigorante e delicioso. Christian me serve e logo se serve tambm.
          -- Como vai o "problema" que te trouxe para Seattle? -- pergunto timidamente.
          Franziu o cenho.
          -- Fora de controle -- fala com amargura. Mas voc no se preocupe com isso,
Anastsia. Tenho planos para ti esta noite.
          -- Ah, ?
          -- Sim. Quero voc no quarto de jogos dentro de quinze minutos.
          Levanta-se e me olha.
          -- Pode se preparar em seu quarto. O guarda roupas agora est cheio de roupa para
ti. No admito discusso a respeito.
          Espremendo os olhos, me desafiando para dizer qualquer coisa. Ao ver que no o
fao, vai com passo rpidos a seu escritrio.
          Eu! Discutir? Contigo, Cinquenta Sombras? Pelo bem de meu traseiro, no. Fico
sentada no banco, momentaneamente estupefata, tentando digerir esta ltima informao.
Comprou roupas para mim. Olho o nada de forma exagerada, sabendo bem que no posso
reclamar. Carro, mveis, motorista, roupas... Qual seria o prximo: um maldito apartamento,
e ento j serei sua querida em todas as regras.
          Jesus! Meu subconsciente est em estado crtico. Ignoro e subo a meu quarto. Porque
sigo tendo meu quarto. Por qu? Pensei que tinha mudado ao deixar dormir com ele. Suponho
que no est acostumado a dividir seu espao pessoal, claro que eu tampouco. Consola-me a
ideia de ter ao menos um lugar onde posso me esconder dele.
          Ao examinar a porta de minha habitao, descubro que tem fechadura, mas no
chave. Digo a mim mesma que possivelmente a senhora Jones tenha uma cpia. Perguntarei a

                368
ela. Abro a porta do guarda roupas e volto a fechar rapidamente. Puta merda... gastou uma
fortuna. Lembrei de Kate, com toda essa roupa perfeitamente alinhada e pendurada nas
barras. No fundo, sei que tudo vai ficar bem, mas no tenho tempo para isso agora: esta noite
tenho que ir at o quarto vermelho da... dor... ou do prazer, espero.
          Estou s de calcinhas, encostada junto  porta. Tenho o corao na boca. Minha
nossa, pensava que com o sexo no banho teria tido o bastante. Este homem  insacivel, ou
possivelmente todos os homens o sejam. No sei, no tenho com quem comparar. Fecho os
olhos e procuro me acalmar, conectar com tudo que h em meu interior. Por l, em alguma
parte, escondida atrs da deusa que levo dentro de mim.
           A espera faz borbulhar meu sangue pelas veias como um refresco efervescente. O
que ele ir fazer comigo? Respiro fundo, devagar, mas no posso negar: estou nervosa,
excitada e j estou molhada. Isto  to... Quero pensar que  errado, mas de algum modo sei
que no  assim.  certo com Christian.  o que ele quer e, depois destes ltimos dias...
depois de tudo o que tem feito, tenho que lhe dar valor e aceitar o que me diz que precisa, seja
o que for.
          Lembro seu olhar quando cheguei hoje, sua expresso ofegante, a forma resolvida
que se dirigiu para mim, como se eu fosse um osis no deserto.
          Faria quase tudo para voltar a ver essa expresso. Aperto as coxas de prazer ao
pensar nele, e isso me recorda que devo separar as pernas. Fao.
          Quanto me far esperar? A espera me est matando, me mata de desejo turvo e
provocante. Dou uma olhada no quarto que esta iluminado: a cruz, a mesa, o sof, o banco... a
cama. Vejo-a imensa, e est coberta com lenis vermelhos de cetim. Que objeto usar hoje?
          A porta se abre e Christian entra como um sopro, me ignorando por completo.
Abaixo a cabea em seguida, olho as minhas mos e separo com cuidado as pernas. Christian
deixa algo sobre a enorme cmoda que existe junto  porta e se aproxima devagar na cama.
Permito-me olh-lo por um instante e quase para meu corao. Esta descalo, com o torso
descoberto e com um desses jeans gastos com o boto superior desabotoado. Deus, est to
gotoso... Meu subconsciente se abana com desespero e a minha deusa interior se balana e
convulsiona com um primitivo ritmo carnal. Vejo que esta muito disposta. Umedeo os lbios
instintivamente. O sangue corre mais rpido por todo o meu corpo, densa e carregada de
luxuria. O que vai fazer comigo?
          D meia volta e se dirige tranquilamente at a cmoda. Abre uma das gavetas e
comea a tirar coisas e s colocar em cima. Minha curiosidade me mata, mas resisto 
imperiosa necessidade de dar uma olhada. Quando termina o que est fazendo, se coloca
diante de mim. Vejo seus ps descalos e quero beijar at o ltimo centmetro deles, passar a
lngua pela pele, chupar cada um dos seus dedos.
          -- Est linda, -- diz.
          Mantenho a cabea abaixada, consciente de seu olhar fixo e de que estou
visivelmente nua. Noto que o rubor se estende devagar pela face. Inclina-se e pega meu
queixo, me obrigando a olhar para ele.
          --  uma mulher linda, Anastsia. E  toda minha -- murmura. Levanta-te -- ordena
em voz baixa, transbordando de promessas sensuais.
          Tremendo, fico de p.
          -- Olhe para mim, -- diz, e elevo meus olhos a seus olhos ardentes.

                   369
 seu olhar de amo: frio, duro e sexy, com sombras de pecado inimaginvel em um
s olhar provocador. Seca minha boca e sei em seguida que vou fazer o que me pedir. Um
sorriso quase cruel se desenha em seus lbios.
         -- No assinamos o contrato, Anastsia, mas j falamos sobre os limites. Alm disso,
recordo que temos as palavras de segurana, certo?
         Minha Nossa... o que ter planejado para que eu v precisar das palavras de
segurana?
         -- Quais so? -- Pergunta de maneira autoritria.
         Franzo um pouco o cenho para ouvir a pergunta e seu gesto se endurece
visivelmente.
         -- Quais so as palavras de segurana, Anastsia? -- Diz muito devagar.
         -- Amarelo, -- murmuro.
         -- E? -- insiste, apertando os lbios.
         -- Vermelho, -- digo.
         -- No as esquea.
         E no posso evitar... arqueio uma sobrancelha e estou a ponto de recordar a ele
minha nota media, mas o repentino olhar glido e cinzento me detm em seco.
         -- Cuidado com essa boquinha, senhorita Steele, se no quer que a corte em rodelas.
Entendido?
         Trago saliva instintivamente. Certo. Pisco muito rpida, arrependida. Na realidade,
me intimida mais seu tom de voz que a ameaa em si.
         -- E bem?
         -- Sim, senhor -- falo atropeladamente.
         -- Boa garota. -- Fez uma pausa e me olha. -- No  que vai precisar das palavras
de segurana porque vai doer em voc, mas sim por que o que vou fazer vai ser intenso, muito
intenso, e preciso que me guie. Entendido?
         Na verdade no. Intenso? Uau.
         -- Isso  sobre tato, Anastsia. No vais poder reclamar nem me ouvir, mas poder
me sentir.
         Franzindo o cenho. No vou te ouvir? E como isso vai funcionar? Se vira. Em cima
da cmoda h uma caixa brilhosa plana de cor preta. Quando passou a mo por cima, a caixa
se dividiu em dois, abrindo duas portas e ficou  vista um Cd player com um monte de botes.
Christian aperta vrios em sequncia. No acontece nada, mas ele parece satisfeito. Eu estou
desconcertada. Quando se vira de novo para me olhar, vejo aquele seu sorrisinho de "Tenho
um segredo".
         -- Vou te amarrar na cama, Anastsia, mas primeiro vou vendar seus olhos e no vai
poder me ouvir. Colocou o iPod que levava nas mos. A nica coisa que vai ouvir  a msica
que vou pr para voc.
         Certo. Um interldio musical. No  precisamente o que esperava. Alguma vez fez o
que eu esperava?
         Deus, espero que no seja rap.
         -- Vem.



                370
          Pega-me pela mo e me leva a antiga cama de dossel. H correntes nos quatro
cantos: uns cadeados metlicos e finos com pulseiras de couro brilhando sobre o cetim
vermelho.
          Uf, meu corao vai sair do peito. Derreto de dentro para fora; o desejo percorre o
meu corpo inteiro. Poderia eu estar mais excitada?
          -- Fique aqui de p.
          Estou olhando para a cama. Inclina-se para frente e me sussurra ao ouvido:
          -- Espera aqui. No tire os olhos da cama. Imagine-se a deitada, amarrada e
completamente a minha merc.
          Minha Nossa.
          Ele se afasta por um momento e o ouo pegar algo perto da porta. Tenho todos os
sentidos hiper-alertas; a audio a mais aguada. Pegando algo do rack de chicotes e
palmatrias que estavam junto  porta. Minha nossa. O que vai fazer comigo?
          Noto que ele esta nas minhas costas. Pega-me pelos meus cabelos, faz um montinho
e comea a tranar eles.
          -- Embora eu goste de suas trancinhas, Anastsia, estou impaciente para te ter, voc
vai ter que se conforma s com uma, -- diz com voz grave e suave.
          Roa as minhas costas de vez em quando com seus dedos hbeis enquanto me faz a
trana, e cada carcia acidental  como uma doce descarga eltrica em minha pele.
          Ele prende o final com um elstico de cabelo, ento delicadamente puxa a trana de
forma que me vejo obrigada a me inclinar para seu corpo. Puxa de novo, desta vez para um
lado, e eu inclino a cabea e lhe dou acesso a meu pescoo. Inclina-se e me enche de
pequenos beijos, percorrendo a base da orelha at o ombro com os dentes e a lngua.
Cantarola em voz baixa enquanto o faz e o som ressona em mim por dentro. Justo l... l
embaixo, em minhas vsceras. Gemo brandamente sem poder evitar.
          -- Bom, -- diz respirando contra minha pele.
          Levanta as mos diante de mim; seus braos acariciam os meus. Na mo direita leva
um chicote de tiras. Lembro-me de minha primeira visita a este quarto.
          -- Toque-o, -- sussurra, e me soa como o prprio diabo.
          Meu corpo se incendeia em resposta. Timidamente, abro os brao e roo as largas
franjas do chicote. Tem muitas faixas largas, todas suave e com pequenas contas nas pontas.
          -- Vou usar ele. No vai doer, mas far que corra o sangue pela superfcie da pele e
fique sensvel.
          Oh, ele diz que no vai doer.
          -- Quais so as palavras de segurana, Anastsia?
          -- T... "amarelo" e "vermelho", senhor -- sussurro.
          -- Boa garota.
          Deixou o chicote sobre a cama e pe as mos na minha cintura.
          -- No vai precisar, sussurra.
          Ento pega minha calcinha e a baixa de uma vez s. As tiro pelos ps torpemente, me
apoiando no poste da cama.
          -- Fique quieta -- ordena, logo me beija o traseiro e me d dois belisces; Fico
tensa. Deite-se de barriga para cima acrescenta, me dando uma palmada forte no traseiro que
me faz pular.

                 371
         Apresso-me a subir ao colcho duro e rgido e me deito, olhando Christian. Sinto na
pele o cetim suave e frio do lenol. Vejo-o impassvel, salvo pelo olhar: em seus olhos brilha
uma emoo contida.
         -- As mos por cima da cabea-- ordena, e eu obedeo.
         Deus... meu corpo est sedento dele. J o desejo.
         -- Vire-se, -- e pelo canto do olho, vejo ele se dirigir de novo  cmoda e voltar
com o iPod e o que parece uma mscara para dormir, similar ao que usei em meu voo a
Atlanta. Ao lembrar, me da vontade de rir, mas no consigo que meus lbios respondam. A
impacincia me consome. Sei que meu rosto est completamente imvel e que o olho com os
olhos arregalados.
         Sentou na borda da cama e coloca em mim o iPod. Tem conectados uns pontos
auriculares e tem uma estranha antena. Que estranho... Carrancuda, tento averiguar para que
serve.
         -- Isto vai transmitir ao iPod o que quero que voc oua -- diz, dando umas
batidinhas na pequena antena e respondendo assim a minha pergunta no formulada. -- Eu
vou ouvir o mesmo que voc, e tenho um comando a distancia para controlar.
         Dizia seu habitual sorriso de "Eu sei de algo que voc no sabe" e me mostra um
pequeno dispositivo plano que parece uma calculadora muito moderna. Inclina-se sobre mim,
coloca com cuidado os pontos auriculares nos ouvidos e deixa o iPod sobre a cama por cima
de minha cabea.
         -- Levanta a cabea, -- ordena, e o fao imediatamente.
         Devagar, pe e mim a mscara, passando o elstico pela nuca. J no vejo. O elstico
da mscara segura os pontos auriculares. Ouo ele levantar da cama, mas o som  apagado.
Ensurdece-me minha prpria respirao, entrecortada e errtica, reflexo de meu nervosismo.
Christian me agarra pelo brao esquerdo, estica-o com cuidado at o canto esquerdo da cama
e me prende na pulseira de couro. Quando termina, acaricia-me o brao inteiro com seus
largos dedos. OH! A carcia me produz uma deliciosa sensao entre o calafrio e cosquinhas.
Ouo-o circular a cama devagar at o outro lado, onde pega meu brao direito para me
prender. De novo passeia seus dedos largos por ele. Minha nossa, estou a ponto de estalar. Por
que isso  to ertico? Vo ate os ps da cama e pega ambos os tornozelos.
         -- Levanta a cabea -- outra vez e ordena.
         Obedeo, e me puxa de forma que os braos ficam completamente esticados e quase
suspensos pelas pulseiras. Deus... no posso mover os braos.
         Um calafrio de inquietao misturado com uma tentadora excitao percorre meu
corpo inteiro e me pe ainda mais molhada. Grunhi. Separando as pernas, prende primeiro o
tornozelo direito e logo o esquerdo, de modo que fico bem preso, de braos e pernas abertas, e
completamente a sua merc. Desconcerta-me no poder v-lo. Escuto com ateno... o que
faz? No ouo nada, apenas a minha respirao e os fortes batimentos do meu corao, que
bombeia o sangue com fria contra meus tmpanos.
         De repente, um suave assobio do iPod aparece. Desde dentro de minha cabea, uma
voz angelical canta sem acompanhamento uma nota longa e doce, a que se une imediatamente
outra voz e logo mais, minha nossa, um coro celestial, cantando a capela de um hinrio
antigo. Como se chama isto? Jamais ouvi nada semelhante. Algo quase insuportavelmente


                 372
suave passeia por meu pescoo, deslizando devagar pela clavcula, pelos peitos, me
acariciando, me endurecendo os mamilos...  muito suave, inesperado. Isso  pelo!
          Uma luva de pelos?
          Christian passeia a mo, sem pressa e deliberadamente, por meu ventre, riscando
crculos ao redor de meu umbigo, logo depois de quadril a quadril, e eu trato de adivinhar
aonde ir depois, mas a msica metida em minha cabea me transporta. Segue a linha dos
meus pelos pubianos, passa entre minhas pernas, por minhas coxas; desce por um, sobe pelo
outro, e quase me faz cosquinhas. Unem-se mais vozes ao coro celestial, cada uma com
fragmentos distintos, se fundindo gostoso e docemente em uma melodia mais harmoniosa que
eu tenha ouvido antes. Eu pego uma palavra "Deus"- e me dou conta de que cantam em latim.
          A luva de pelos segue me baixando pelos braos, me acariciando a cintura, subindo
de novo pelos peitos. Seu roce me endurece os mamilos e ofego, me perguntando aonde ir
sua mo depois. De repente, a luva de pelos desaparece e noto que as faixas do chicote de
tiras fluem por minha pele, seguindo o mesmo caminho que a luva, e me resulta muito difcil
me concentrar com a msica que soa em minha cabea:  como um tilintar de vozes cantando,
tecendo uma tapearia etrea de ouro e prata, delicioso e sedoso, que se mistura com o tato do
suave em minha pele, me percorrendo... minha nossa. Subitamente, desaparece. Logo, de
repente, uma chicotada seca no ventre.
          -- Aaaggghhh! --grito.
          Pega-me de surpresa. No di exatamente; mas bem me produz um forte
formigamento por todo o corpo. E ento volta a me aoitar. Mais forte.
          -- Aaahhh!

         -- Aaahhh!
         Quero me mover, me retorcer, escapar, ou desfrutar de cada golpe, no sei... acaba
sendo to irresistvel... No posso mexer os braos, tenho as pernas presas, estou bem presa.
Volta a me aoitar, desta vez nos peitos. Grito.  uma doce agonia, suportvel... prazerosa;
no, no de forma imediata, mas, com cada novo golpe, minha pele canta em perfeito ritmo
com a msica que soa na cabea, e me vejo arrastada a uma parte muito escuro de minha
psique que se rende a esta sensao to ertica. Sim... j entendi. Aoita-me no quadril, logo
sobe com golpes rpidos pelo pelos pubiano, segue pelas coxas, pela parte interna, sobe de
novo, pelos quadris. Continua enquanto a msica alcana um clmax e ento, de repente, para
de soar. E ele tambm para. Logo comea o canto outra vez, vai crescendo, e ele me orvalha
de golpes e eu grito e me retoro. De novo para, e no se ouve nada, salvo minha respirao
entrecortada e meus ofegos descontrolados. No... o que acontece? O que vai fazer agora? A
excitao  quase insuportvel. Entrei em uma zona muito escura, muito carnal.
          Noto que a cama se move e que ele se coloca por cima de mim, e o hino volta a
comear. Ser que ele vai repetir tudo. Desta vez so seu nariz e seus lbios os que me
acariciam... passeiam por meu pescoo e minha clavcula, me beijando, me chupando...
descendo para meus peitos... Ah! Sai de um mamilo para o outro, passeando a lngua ao redor
de um enquanto belisca sem piedade o outro com os dedos... Gemo, muito forte, acredito,
embora no ouo. Estou perdida, perdida nele... perdida nessas vozes astrais e anglicos...
perdida em todas estas sensaes das que no posso escapar... completamente a merc de suas
peritas mos.

                 373
           Descende at o ventre, riscando crculos com a lngua ao redor do umbigo, seguindo
o caminho do chicote e da luva. Gemo. Beija-Me, me chupa, me mordisca... segue abaixo... e
de repente tenho sua lngua ali, no clitris. Jogo a cabea para trs e grito, a ponto de
desmaiar, a beira do orgasmo... E ento ele para.
           No! A cama se move e Christian se ajeita entre minhas pernas. Inclina-se para um
poste e, de repente, a corrente do tornozelo desaparece. Subo a perna at o centro da cama, a
apoio contra ele. inclina-se para o outro lado e liberta a outra perna. Esfrega ambas as pernas,
as espremendo, as massageando, as reavivando.
           Logo me pega pelos quadris e me levanta de forma que j no tenho as costas
encostadas na cama; estou arqueada e apoiada s nos ombros. O que? Coloca-se entre minhas
pernas... e com uma rpida e certeira investida me penetra... OH, Deus... e volto a gritar.
Iniciam as convulses de meu orgasmo iminente, e ento para. Cessam as convulses... OH,
no... vai continuar me torturando.
          -- Por favor! choramingo.
          Pega em mim com mais fora... para me advertir? No sei. Crava os dedos no meu
traseiro enquanto eu ofego, assim me manda ficar quieta. Muito lentamente, comea a se
mexer outra vez: sai, entra... angustiantemente devagar. Minha nossa... por favor! Grito por
dentro e, conforme aumenta o nmero de vozes do coral, vai aumentando ele seu ritmo, de
forma infinitamente controlada, completamente ao som da msica. J no aguento mais.
           -- Por favor -- suplico a ele, e com um s movimento rpido volta a me deixar na
cama e se deita sobre mim, com as mos nos lados de meus seios, aguentando seu prprio
peso, e empurra.
           Quando a msica chega a seu clmax, me precipito... Em queda livre... ao orgasmo
mais intenso e angustiante que jamais tive, e Christian me segue, investindo forte trs vezes
mais... at que finalmente fica imvel e cai sobre mim.
           Quando recupera a conscincia e volta de qualquer lugar que tenha estado, Christian
sai de mim. A msica cessou e noto como ele se estira sobre meu corpo para soltar a pulseira
direita. Grunhi ao sentir por fim a mo livre. Em seguida solta a outra, retira com cuidado a
mscara de meus olhos e tira os pontos auriculares dos ouvidos. Pisco  luz tnue do quarto e
levanto os olhos para seu intenso olhar de olhos cinzas.
          -- Ol, -- murmura.
          -- Ol, respondo timidamente.
           Em seus lbios se desenha um sorriso. Inclina-se e me beija brandamente.
          -- Muito bem, -- sussurra. -- Vire-se.
          Minha Nossa... o que me vai fazer agora? Seu olhar se enternece.
          -- S vou te dar uma massagem nos ombros.
          -- Ah, certo.
          Viro, tensa, de barriga para baixo. Estou exausta. Christian se senta escarranchado
sobre minha cintura e comea a massagear meus ombros. Gemo forte; tem uns dedos fortes e
experientes. Inclina-se e beija minha cabea.
          -- Que msica era essa? -- Consigo balbuciar.
          --  o coral a quarenta vozes de Thomas Talis, titulado Spem in alium.
          -- Foi... impressionante.
          -- Sempre quis fazer ao ritmo dessa pea.

                   374
         -- No me diga que tambm foi a sua primeira vez?
         -- Com certeza, senhorita Steele.
         Volto a gemer enquanto seus dedos fazem sua magia em meus ombros.
         -- Bom, tambm  a primeira vez que eu transo com essa msica, -- murmuro
sonolenta.
         -- Mmm... voc e eu estamos estreando juntos em muitas coisas, -- diz com total
naturalidade.
         -- O que te hei dito em sonhos, Chris... err... senhor?
         Interrompe um momento a massagem.
         -- Disse-me um monto de coisas, Anastsia. Falou de jaulas e morangos, me disse
que queria mais e que sentia minha falta.
         Ah, graas a Deus.
         -- S isso? -- Pergunto com evidente alvio.
         Christian conclui sua esplndida massagem e se deita a meu lado, fincando o
cotovelo na cama para levantar a cabea. Olha-me carrancudo.
         -- O que pensava que tinha dito?
         OH, merda.
         -- Que eu tinha dito que voc era feio e arrogante, e que era um desastre na cama.
         Franzido ainda mais o cenho
         -- Certo, est claro que tudo isso  verdade, mas agora me deixou intrigado de
verdade. O que  o que me esconde, senhorita Steele?
         Pisco com ar inocente.
         -- No te escondo nada.
         -- Anastsia, -- lembra.
         -- Pensava que fosse me fazer rir depois do sexo.
         -- Pois por a vamos mal. -- Esboa um sorriso. -- No sei contar piadas.
         -- Senhor Grey! Ha alguma coisa que no sabe fazer? -- Digo sorrindo, e ele me
sorri tambm.
         -- No, aparentemente contar piadas.
          Adota um ar to digno que me faz rir.
         -- Eu tambm no os conto.
         --Eu adoro te ouvir rir, -- murmura, se inclina e me beija. -- Esconde-me alguma
coisa, Anastsia? Vou ter que te torturar para surrupiar isso de voc, Sei que algo te preocupa.




        Captulo 26
                   375
          Eu acordo com um solavanco. Eu acho que tinha apenas cado alguns degraus em um
sonho, e eu fiquei ereta, momentaneamente desorientada. Est escuro, e eu estou na cama de
Christian sozinha. Alguma coisa tinha me acordado, algum pensamento incmodo. Eu olho
para seu despertador no criado-mudo. So cinco da manh, mas me sinto descansada. Porque
disso? Oh,  a diferena do horrio, seria oito da manh na Georgia. Puta merda... eu preciso
tomar minha plula. Eu saio da cama, agradecida pelo o que quer que tenha me acordado. Eu
posso ouvir notas fracas do piano. Christian est tocando. Isso eu preciso ver. Eu amo assisti-
lo tocar. Nua, agarrei meu roupo da cadeira e vagueei calmamente pelo corredor, deslizando
pelo roupo e ouvindo o som mgico do lamento meldico que estava vindo da sala grande.
          Coberto pela escurido, Christian est sentado em uma bolha de luz enquanto toca, e
seu cabelo brilha com os realces de cobre. Ele parece nu, embora eu sei que ele est usando
sua cala de pijama. Ele est concentrando, tocando lindamente, perdido na melancolia da
msica. Eu hesito, observando das sombras, sem querer interrompe-lo. Eu quero segur-lo.
          Ele parece perdido, at mesmo triste, e dolorosamente solitrio, ou talvez seja apenas
a msica que  to cheia de tristeza pungente. Ele termina a pea, pausa por uma frao de
segundo, ento comea a tocar de novo.
          Eu me movo cuidadosamente em direo a ele, atrada como uma mariposa pelas
chamas... A ideia me faz sorrir.
          Ele olha para cima, para mim e franze a testa antes que seu olhar retorne para suas
mos, e oh merda, ele est irritado porque estou perturbando-o?
          -- Voc deveria estar dormindo, -- ele me repreende suavemente.
          Eu posso dizer que ele est pr-ocupado com alguma coisa.
          -- E voc tambm, -- eu replico, no to suavemente.
          Ele olha para cima novamente, seus lbios se contorcendo com um vestgio de
sorriso.
          -- Voc est me repreendendo, Senhoria Steele?
          -- Sim, Senhor Grey, eu estou.
          -- Bem, eu no consigo dormir. -- Ele franze o cenho mais uma vez quando um
trao de irritao ou raiva brilha atravs de seu rosto. Comigo? Certamente que no.
          Eu ignoro sua expresso facial e muito corajosamente sento ao lado dele no banco do
piano, colocando minha cabea em seu ombro nu para assistir seus dedos hbeis e geis,
acariciarem as teclas. Ele faz uma pausa fracionada, e ento continua at o final da pea.
          -- O que foi isso? -- eu perguntei baixinho.
          -- Chopin37. Opus 28, nmero 4. Em E menor, se voc est interessada, -- ele
murmurou.
          -- Estou sempre interessada no que voc faz.
          Ele se vira e pressiona suavemente seus lbios contra meu cabelo.
          -- Eu no quis acordar voc.
          -- Voc no acordou. Toca outra.
     37
             Frdric Franois Chopin foi um pianista francs nascido a Polonia e compositor para piano da era
            romntica.  amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos
            pianistas mais importantes da histria.
                                    376
          -- Outra?
          -- A pea de Bach que voc tocou na primeira noite que eu fiquei.
          -- Oh, o Marcello.
          Ele comea a tocar vagarosamente e deliberadamente. Eu sinto o movimento de suas
mos em seus ombros enquanto eu me inclino contra ele e fecho os olhos. As notas tristes e
emotivas fazem um redemoinho lento e melanclico ao nosso redor, ecoando pelas paredes. 
uma pea assombrosamente bela, mais triste ainda que a de Chopin, e eu me perco na beleza
do lamento. De certa forma, ela reflete como eu me sinto. O profundo desejo pungente que eu
tenho de conhecer esse extraordinrio homem melhor, tentar e compreender sua tristeza. Cedo
demais, a pea est no final.
          -- Porque voc s toca msica to triste?
          Eu sento ereta e olho para cima para ele enquanto ele encolhe os ombros em resposta
para minha pergunta, sua expresso desconfiada.
          -- Ento voc s tinha seis anos quando comeou a tocar? -- eu pergunto.
          Ele assente, seu olhar desconfiado se intensificando. Depois de um momento ele se
voluntaria.
          -- Eu me atirei para aprender piano para agradar a minha nova me.
          -- Para caber em uma famlia perfeita?
          -- Sim, por assim dizer, -- ele diz evasivamente. -- Porque voc est acordada?
Voc no precisa se recuperar dos esforos de ontem?
          -- So oito da manh para mim. E eu preciso tomar minha plula.
          Ele levantou as sobrancelhas em surpresa.
          -- Bem lembrado, -- murmurou, e eu posso dizer que ele estava impressionado.
Seus lbios capricharam em um meio sorriso. -- S voc comearia um tratamento especfico
de anticoncepcionais em um fuso horrio diferente. Talvez voc devesse esperar meia hora e
ento outra meia hora amanh de manh. Assim eventualmente voc pode tom-las em um
tempo razovel.
          -- Bom plano, -- eu respiro. -- Ento o que ns devemos fazer por meia hora? --
pisco inocentemente para ele.
          -- Eu posso pensar em algumas coisas, -- ele sorri, olhos cinzas brilhantes. Eu olho
para trs impassvel enquanto minhas entranhas apertam e derretem sob seu olhar conhecedor.
          -- Por outro lado, ns poderamos conversar, -- eu sugeri calmamente.
          Ele franze a testa.
          -- Eu prefiro o que eu tenho em mente. -- Ele me coloca em seu colo.
          -- Voc sempre prefere fazer sexo do que conversar, -- eu ri, me equilibrando
segurando em seus braos.
          -- Verdade. Especialmente com voc. -- Ele fua meu cabelo e comea uma trilha
contnua de beijos da minha orelha at minha garganta. -- Talvez no meu piano, -- ele
sussurra.
          Oh meu Deus. Todo o meu corpo se aperta ao pensamento. Piano. Uau.
          -- Eu quero esclarecer uma coisa, -- eu sussurro enquanto meu pulso comea a
acelerar, e minha deusa interior fecha os olhos, deleitando-se na sensao de seus lbios em
mim.
          Ele pausa momentaneamente antes de continuar seu ataque sensual.

                 377
         -- Sempre to ansiosa por informao, Senhorita Steele. O que precisa ser
esclarecido? -- ele respira contra a minha pele na base do meu pescoo, continuando seus
suaves beijos gentis.
         -- Ns, -- eu sussurro enquanto fecho os olhos.
         -- Humm. O que sobre ns? -- ele pausa sua trilha de beijos ao longo do meu
ombro.
         -- O contrato.
         Ele levanta a cabea para olhar para mim, uma pitada de diverso em seus olhos, e
suspiros. Ele acaricia os dedos na minha bochecha.
         -- Bem, eu acho que o contrato ficou obsoleto, voc no acha? -- sua voz esta baixa
e rouca, seus olhos suaves.
         -- Obsoleto?
         -- Obsoleto. -- Ele sorri. Eu olho de boca aberta para ele, intrigada.
         -- Mas voc estava to interessado no contrato.
         -- Bem, isso foi antes. De qualquer forma, as regras ainda seguem de p. -- Sua
expresso endureceu um pouco.
         -- Antes? Antes do que?
         -- Antes... -- ele pausa e a expresso cautelosa est de volta, -- Antes que houvesse
"mais." Ele encolhe os ombros.
         -- Oh.
         -- Alm do mais, ns estivemos na sala de jogos duas vezes agora, e voc no fugiu
gritando espantada.
         -- Voc espera que eu faa isso?
         -- Nada do que voc faz  esperado, Anastsia, -- ele diz secamente.
         -- Ento, deixe-me ser clara. Voc s quer que eu siga as regras do contrato todo o
tempo, mas ignore o resto estipulado?
         -- Exceto na sala de jogos. Eu quero que voc siga o esprito do contrato na sala de
jogos, e sim, eu quero que voc siga as regras, todo o tempo. Ento eu sei que voc estar
segura, e eu serei capaz de ter voc a qualquer momento que eu queira.
         -- E se eu quebro uma das regras?
         -- Ento eu vou puni-la.
         -- Mas voc no vai precisar da minha permisso?
         -- Sim, irei.
         -- E se eu digo no?
         Ele me olha por um momento, com uma expresso confusa.
         -- Se voc disser no, voc vai dizer no. Eu terei que encontrar uma maneira de
persuadi-la.
         Eu me afasto dele e fico em p. Preciso de alguma distncia. Ele franze a testa
quando eu olho para baixo para ele. Ele parece intrigado e cauteloso de novo.
         -- Ento, o aspecto da punio permanece.
         -- Sim, mas s se voc quebra as regras.
         -- Eu vou precisar rel-las, -- eu digo, tentando lembrar dos detalhes.
         -- Eu vou busc-las pra voc. -- Seu tom est de repente profissional.


                 378
         Uau. Isso ficou srio to rapidamente. Ele se levanta do piano e anda agilmente para
sua sala de estudo. Meu couro cabeludo fica arrepiado. Caramba, eu preciso de um pouco de
ch. O futuro do nosso ento chamado relacionamento est sendo discutido as cinco e
quarenta e cinco da manh quando ele est pr-ocupado com outra coisa, isso  sbio? Eu me
dirijo para a cozinha que ainda est envolta das sombras. Onde esto os interruptores? Eu os
encontro, ligo-os, e despejo gua em uma chaleira. Minha plula! Eu reviro minha bolsa que
deixei na mesa de caf e as encontro rapidamente. Um gole, e estou pronta. No momento que
eu termino, Christian est de volta, sentando em um dos bancos do bar, me observando
atentamente.
         -- Aqui est. -- Ele empurra um pedao de papel digitado na minha direo, e eu
percebo que ele mexeu em algumas coisas.


         REGRAS
         Obedincia:
         A Submissa ir obedecer qualquer instruo dada pelo Dominante imediatamente
sem hesitao ou reserva e de uma forma eficiente. A Submissa ir concordar com qualquer
atividade sexual considerada apta e prazerosa pelo Dominante exceto aquelas atividade que
so indicadas em duros limites.
         (Anexo A). Ela far to avidamente e sem hesitao.

        Sono:
        A Submissa garantir que consiga um mnimo de oito ou sete horas de sono por noite
quando ela no est com o Dominante.

         Comida:
         A Submissa comer regularmente para manter sua sade e bem-estar de uma lista
prescritas de alimentos (Anexo 4). A Submissa no ter lanche entre as refeies, com a
exceo de frutas.

         Roupas:
         Enquanto estiver com o Dominante, A Submissa apenas vestir roupas aprovadas
pelo Dominante. O Dominante ir fornecer um oramento para roupas da Submissa, a qual a
Submissa deve utilizar. O Dominante dever acompanhar A Submissa nas compras das roupas
desse carter.

         Exerccios:
         O Dominante dever fornecer a Submissa um treinador pessoal quatro vezes por
semana em sesses de uma hora de durao em horrios a ser mutuamente acordados entre o
treinador e a Submissa. O treinador informar ao Dominante o progresso da Submissa.

        Higiene Pessoal / Beleza:



                379
       A Submissa ir manter-se limpa e raspada e/ou depilada em todos os momentos. A
Submissa visitar um salo de beleza de escolha do Dominante em momentos a ser decididos
pelo Dominante, e passar por qualquer tratamento que o Dominante julgar conveniente.

        Segurana Pessoal:
        A Submissa no vai beber em excesso, fumar, usar drogas ilcitas ou colocar-se em
qualquer perigo desnecessrio.

         Qualidades Pessoais:
         A Submissa no entrar em quaisquer relaes sexuais com algum que no seja o
Dominante. A Submissa se comportar respeitosa e de forma modesta em todos os momentos.
Ela deve reconhecer que seu comportamento  um reflexo direto sobre o Dominante. Ela deve
ser responsabilizada por quaisquer malefcios, erros cometidos e mau comportamento
cometidos quando no estiver na presena do Dominante.
         O no cumprimento de qualquer regra acima resultar em punio imediata, cuja
natureza dever ser determinada pelo Dominante.


         -- Ento a coisa da obedincia ainda est em p?
         -- Oh, sim. -- Ele sorri.
         Eu balano a cabea divertida, e antes que eu perceba, desvio meu olhar do dele.
         -- Voc acabou de revirar os olhos para mim, Anastsia? -- ele respira.
         Oh porra.
         -- Possivelmente, depende de qual  a sua reao.
         -- O mesmo de sempre, -- ele diz, balana a cabea ligeiramente, seus olhos abertos
com excitao.
         Eu engulo instintivamente e um arrepio de satisfao corre atravs de mim.
         -- Ento... -- Puta merda. O que eu vou fazer?
         -- Sim? -- ele lambe o lbio inferior.
         -- Voc quer me espancar agora.
         -- Sim. E eu farei.
         -- Oh, mesmo, Senhor Grey? -- eu desafio, sorrindo de volta para ele. Dois podem
jogar esse jogo.
         -- Voc vai me impedir?
         -- Voc vai ter que me pegar primeiro.
         Seus olhos se arregalam em uma frao de segundo, e ele sorri, lentamente ficando
em p.
         -- Oh, mesmo, Senhorita Steele?
         A mesa de caf est entre ns. Eu nunca estive to grata pela sua existncia do que
nesse momento.
         -- E voc est mordendo o lbio, -- ele respira, se movendo lentamente para sua
esquerda quando eu me movo para a minha.
         -- Voc no faria, -- eu provoco. -- Afinal, voc desvia seu olhar tambm. -- Eu
tento argumentar com ele. Ele continua a se mover em direo a sua esquerda, assim como eu.

               380
         -- Sim, mas com esse joginho voc acaba de subir o nvel de excitao. -- Seus
olhos incendeiam, e antecipao selvagem emana dele.
         -- Eu sou bastante rpida, voc sabe. -- Eu tento com indiferena.
         -- Eu tambm.
         Ele est me perseguindo, em sua prpria cozinha.
         -- Voc vai vir sem resistir? -- ele pergunta.
         -- Alguma vez eu j fui?
         -- Senhorita Steele, o que voc quer dizer? -- ele sorri. -- Ser pior para voc se eu
tiver que ir e peg-la.
         -- Isso apenas se voc me pegar, Christian. E nesse momento, eu no tenho nenhuma
inteno de deix-lo me pegar.
         -- Anastsia, voc pode cair e se machucar. O que a colocar em violao direta a
regra nmero sete.
         -- Desde que te conheci Senhor Grey, estou em perigo permanente, com regras ou
sem.
         -- Sim voc esta. -- Ele pausa, e sua testa enruga ligeiramente.
         De repente, ele d o bote em mim, me fazendo gritar e correr para a mesa de jantar.
Eu consigo escapar, colocando a mesa entre ns. Meu corao est martelando e a adrenalina
disparou pelo meu corpo... cara... isso  to excitante. Eu sou uma criana de novo, embora
isso no esteja certo. Eu o observo cuidadosamente, enquanto ele caminha deliberadamente
em minha direo. Eu dou uns centmetros de distncia.
         -- Voc certamente sabe como distrair um homem, Anastsia.
         -- Nosso objetivo  agradar, Senhor Grey. Distra-lo do que?
         -- Vida. O universo. -- Ele balana a mo vagamente.
         -- Voc realmente parecia muito preocupado enquanto estava tocando.
         Ele para e cruza os braos, sua expresso divertida.
         -- Ns podemos fazer isso durante o dia todo, querida, mas eu vou peg-la, e s ser
pior para voc quando eu fizer.
         -- No, voc no vai. -- Eu no devo ser excessivamente confiante. Eu repito isso
como um mantra. Meu subconsciente vestiu seu Nike, e ele est sobre os tacos de partida.
         -- Qualquer um poderia pensar que voc no quer que eu te pegue.
         -- Eu no quero. Esse  o ponto. Para mim o castigo  como o toque para ti.
         Toda a sua atitude muda em um segundo. Foi-se o Christian brincalho, e ele fica me
olhando como se eu tivesse lhe dado um tapa. Ele est plido.
         --  assim que voc se sente? -- ele sussurra.
         Aquelas cinco palavras, e a forma como ele as pronuncia, me falam muito. Ah no.
Elas me dizem muito mais sobre ele e como ele sente. Elas me dizem sobre seu medo e dio.
Eu franzo a testa.
         No, eu no me sinto assim to mal. De jeito nenhum. Eu sinto?
         -- No, no me afeta tanto quanto isso, mas isso te d uma ideia, -- eu murmuro,
olhando ansiosamente para ele.
         -- Ah, -- ele diz.
         Merda. Ele parece completa e totalmente perdido, como se eu tivesse puxado o
tapete debaixo dos seus ps.

                  381
         Tomando uma respirao profunda, eu me movo ao redor da mesa at que estou em
p na frente dele, olhando para seus olhos apreensivos.
         -- Voc odeia isso tanto assim? -- ele respira, seus olhos cheios com horror.
         -- Bem... no, -- eu o tranquilizo. Caramba   assim que ele se sente sobre as
pessoas o tocarem?
         -- No. Eu me sinto ambgua sobre isso. Eu no gosto, mas no odeio.
         -- Mas na noite passada, na sala de jogos, voc... -- ele diminuiu.
         -- Eu fao isso para voc, Christian, porque voc precisa disso. Eu no. Voc no
me machucou na noite passada. Aquilo foi em um contexto diferente, e eu posso racionalizar
aquilo internamente, e eu confio em voc. Mas quando voc quer me punir, eu me preocupo
se voc vai me machucar.
         Seus olhos cinzentos brilham como uma tempestade turbulenta. O tempo passa, e se
expande e esvai antes dele responder em voz baixa.
         -- Eu quero machucar voc. Mas no quero provocar uma dor maior que no seja
capaz de suportar.
         Porra!
         -- Por qu?
         Ele passa a mo pelo cabelo, e encolhe os ombros.
         -- Eu apenas preciso disso. -- Ele pausa, me olhando com angstia, e fecha os olhos
e balana a cabea. -- Eu no posso dizer a voc, o porque -- ele sussurra.
         -- No pode ou no vai?
         -- No vou.
         -- Ento voc sabe o por que.
         -- Sim.
         -- Mas voc no vai me dizer.
         -- Se eu digo, voc ir sair correndo gritando dessa sala, e nunca vai querer retornar.
-- Ele me olha com cautela. -- Eu no posso correr esse risco, Anastsia.
         -- Voc quer que eu fique.
         -- Mais do que voc pode imaginar. Eu no suportaria perder voc.
         Oh meu Deus.
         Ele olha para baixo para mim, e repentinamente, me puxa para seus braos e est me
beijando, beijando-me apaixonadamente. Isso me pega completamente de surpresa, e eu sinto
seu pnico e necessidade desesperada em seu beijo.
         -- No me deixe. Voc me disse em sonhos que nuca me deixaria, e implorou para
eu no deix-la, -- ele murmura contra meus lbios.
         Oh... minhas confisses noturnas.
         -- Eu no quero ir. -- E me corao fica apertado, como se ficasse do avesso.
         Esse  um homem com necessidade. Seu medo  nu e bvio, mas ele est perdido...
em algum lugar em sua escurido. Seus olhos arregalados, desolados e torturados. Eu posso
acalm-lo. Acompanho-o brevemente na escurido para traz-lo para a luz.
         -- Me mostra, -- eu sussurro.
         -- Mostrar a voc?
         -- Me mostre o quanto isso pode machucar.
         -- O que?

                   382
          -- Me punir. Eu quero sabe o quo ruim isso pode ficar.
          Christian d um passo para longe de mim, completamente confuso.
          -- Voc tentaria?
          -- Sim. Eu disse que faria. -- Mas eu tenho uma segunda inteno. Se eu fao isso
por ele, talvez ele me deixasse toc-lo.
          Ele pisca para mim.
          -- Ana, voc  to confusa.
          -- Estou confusa demais. Estou tentando trabalhar nisso. E voc e eu vamos saber,
de uma vez por todas, se eu posso fazer isso. Se eu posso lidar com isso, ento talvez voc...
-- minha palavras me faltaram, e ele me olha espantado. Ele sabe que estou me referindo 
coisa do toque. Por um momento, ele parece consternado, mas de repente seu rosto ganha um
ar de determinao, e ele aperta os olhos, olhando para mim especulativamente como se
ponderasse as alternativas.
          Abruptamente, ele agarra meu brao em um aperto firme e se vira, me tirando da sala
grande, para cima dos degraus, e para a sala de jogos. Prazer e dor, recompensa e castigo, as
palavras dele de h muito tempo ecoam em minha mente.
          -- Eu vou mostrar a voc o quo ruim pode ser, e voc pode decidir o que fazer. --
Ele pausa na porta. --Voc est pronta para isso?
          Eu balano a cabea, decidida, me sinto um pouco tonta e fraca enquanto fico plida.
Ele abre a porta, e ainda apertando meu brao, agarra o que parece ser um cinto da prateleira
ao lado da porta, ento me leva at o banco de couro vermelho no canto afastado do quarto.
          -- Se dobre sobre o banco, -- ele murmura baixinho.
          Ok. Eu posso fazer isso. Eu me dobro sobre o couro liso e macio. Ele me deixou com
o roupo. Em uma parte tranquila do meu crebro, estou vagamente surpresa que ele no
tenha me feito tir-lo. Puta merda isso vai doer... eu sei. Meu subconsciente desmaiou, e
minha deusa interior est se esforando para parecer corajosa.
          -- Ns estamos aqui porque voc disse sim, Anastsia. E voc correu de mim. Eu
vou bater em voc seis vezes, e voc vai contar comigo.
          Porque diabos ele apenas no vai em frente? Ele sempre faz uma boa refeio para
me punir. Eu reviro meus olhos, sabendo muito bem que ele no pode me ver.
          Ele levanta a barra do meu roupo, e por alguma razo, isso parece mais ntimo do
que estando nua. Ele acaricia gentilmente meu traseiro, correndo sua mo quente pelas duas
ndegas e ento para o alto das minhas coxas.
          -- Estou fazendo isso para que se recorde de no correr de mim, por mais excitante
que isso seja, eu no quero que voc corra de mim, -- ele sussurra.
          Sou consciente da ironia. Eu estava correndo para evitar isso. Se ele tivesse aberto
seus braos, eu teria corrido para ele, e no para longe dele.
          -- E voc afastou seu olhar de mim. Voc sabe como eu me sinto sobre isso. -- De
repente, se foi aquele medo irritado e nervoso em sua voz. Ele est de volta de onde quer que
ele tenha estado. Eu ouo isso eu seu tom, na forma como ele coloca seus dedos nas minhas
costas, me segurando e a atmosfera muda no quarto.
          Eu fecho meus olhos, preparando-me para o golpe. Ele vem duro, estapeando toda a
minha parte traseira, e a batida do cinto  tudo o que eu temia. Eu grito alto
involuntariamente, e respiro profundamente.

                 383
          -- Conte, Anastsia! -- ele ordena.
          -- Um! -- eu grito com ele, e soa como um palavro.
          Ele me bate de novo, e a dor pulsa e ecoa ao longo da cintura. Caralho... isso di.
          -- Dois! -- eu grito.  to bom gritar.
          A respirao dele est irregular e spera. Considerando que a minha  quase
inexistente, enquanto eu busco desesperadamente em minha psique alguma fora interna. O
cinto atravessa minha carne novamente.
          -- Trs! -- Lgrimas indesejveis surgem nos meus olhos. Caramba, isso  mais
duro do que pensei, muito mais duro do que a surra. Ele no est maneirando em nada.
          -- Quatro! -- eu grito quando o cinto me aoita novamente, e agora as lgrimas
esto escorrendo pelo meu rosto. Eu no quero chorar. Irrita-me que eu esteja chorando. Ele
me bate de novo.
          -- Cinco. -- Minha voz  mais um soluo, embargado e sufocado, e nesse momento,
eu acho que o odeio. Mais um. Eu posso fazer mais um. Minhas costas parecem estar em
fogo.
          -- Seis, -- eu sussurro enquanto a dor escaldante corta atravs de mim novamente, e
eu o ouo derrubar o cinto atrs de mim, e ele est me puxando para seus braos, sem flego e
compassivo... e eu no quero nada dele.
          -- Deixe-me ir... no... -- e eu me encontro lutando para fora de seu alcance,
empurrando-o para longe. Lutando contra ele.
          -- No me toque! -- Eu digo enfurecida.
          Eu me endireito e olho para ele, e ele est me observando como se eu pudesse estar
louca, seus olhos cinzentos largos, confusos. Eu jogo as lgrimas com raiva para fora dos
meus olhos com as costas das minhas mos, olhando para ele.
          -- Isso  o que voc realmente gosta? Eu, assim? -- eu uso a manga do roupo para
enxugar meu nariz. Ele me olha com cautela.
          -- Bem, voc  um fodido filho da puta.
          -- Ana, -- ele implora, chocado.
          -- No se atreva a me chamar de Ana! Voc precisa resolver essa merda, Grey! -- e
com isso, eu me viro com firmeza, e saio da sala de jogos, fechando a porta silenciosamente
atrs de mim.
          Eu aperto a maaneta da porta atrs de mim e brevemente me encosto contra a porta.
Onde ir? Eu corro? Fico? Estou to brava, lgrimas correm pelo meu rosto, e eu as limpo com
raiva. Eu s quero me enrolar. Enrolar-me e me recuperar de alguma forma. Curar a minha f
abalada. Como eu pude ter sido to estpida? Claro que isso di.
          Timidamente, eu esfrego o meu traseiro. Aah! Est ferido. Para onde ir? No o
quarto dele. Meu quarto, ou o quarto que seria meu, no,  meu... era meu.  por isso que ele
queria que eu o mantivesse. Ele sabia que eu precisaria de distncia dele.
          Eu me lancei rigidamente naquela direo, consciente de que Christian pode me
seguir. Ainda est escuro no quarto, a madrugada apenas um sussurro no horizonte. Eu subo
desajeitadamente na cama, tomando cuidado para no sentar no meu traseiro dolorido e
sensvel. Eu mantenho o roupo, enrolando-o ao meu redor, e me enrolo em uma bola e
realmente deixo ir, soluando duro em meu travesseiro.


                384
         No que eu estava pensando? Porque eu o deixei fazer aquilo comigo? Eu queria a
escurido, para explorar o quo ruim ela poderia ser, mas  muito escuro para mim. Eu no
posso fazer isso. Sim,  isso o que ele quer,  isso que o excita de verdade.
         Isso sim  um despertar de verdade, e que jeito... E para ser justa com ele, ele me
avisou e avisou, uma e outra vez. Ele no  normal. Ele tem necessidade que eu no posso
cumprir. Percebo isso agora.
         Eu no quero que ele me bata assim novamente, nunca mais. Eu penso nas duas
vezes que ele me bateu, e o quo suave ele foi comigo em comparao a isso. Isso  o
suficiente para ele? Eu soluo mais duro no travesseiro. Eu vou perd-lo. Ele no vai querer
ficar comigo se eu no posso dar isso a ele.
         Porque, porque, porque eu me apaixonei pelas Cinquenta Sombras? Por que? Porque
eu no posso amar o Jos, ou Paul, ou Clayton, ou algum como eu?
         Oh, seu olhar desesperado quando eu sa. Eu fui to cruel, estava to chocada com a
selvageria... ele vai me perdoar... eu vou perdo-lo? Meus pensamentos esto todos
descontrolados e desordenados, ecoando e quicando no interior do meu crnio. Meu
subconsciente est balanando a cabea tristemente, e minha deusa interior no est em
nenhum lugar para ser vista.
         Oh, essa  uma manh escura da alma para mim. Estou to sozinha. Eu quero a
minha me. Eu me lembro das suas palavras de despedida no aeroporto, Siga o seu corao,
querida, e por favor, por favor, tente no pensar demais sobre as coisas. Relaxe e aproveite.
Voc  to jovem querida, voc tem tanto para experimentar, apenas deixe acontecer.
         Voc merece o melhor de tudo.
         Eu realmente segui meu corao, e eu tenho uma bunda dolorida e um esprito
angustiado e quebrado para mostrar. Eu tenho que ir.  isso... eu tenho que ir embora. Ele no
 bom para mim, e eu no sou boa para ele. Como ns podemos possivelmente fazer isso
funcionar? E o pensamento de no v-lo novamente praticamente me sufoca... meu Cinquenta
Sombras.
         Eu ouo a porta abrir. Oh no  ele est aqui. Ele coloca alguma coisa no criado
mudo, e a cama muda embaixo do seu peso quando ele sobe atrs de mim.
         -- Silncio, -- ele respira, e eu quero me afastar dele, me mover para o outro lado da
cama, mas eu estou paralisada. Eu no posso me mover e me deito rigidamente, no cedendo
nem um pouco.
         -- No brigue comigo, Ana, por favor, -- ele sussurra. Gentilmente, ele me puxa
para seus braos, enterrando o nariz no meu cabelo, beijando meu pescoo.
         -- No me odeie, -- ele respira suavemente contra a minha pele, sua voz
dolorosamente triste. Meu corao aperta de novo e libera uma nova onda de choro e soluos
silenciosos.
         Ele continua me beijando suavemente, com ternura, mas eu permaneo distante e
desconfiada.
         Ficamos deitados juntos assim, sem diz qualquer coisa por muito tempo. Ele apenas
me segura, e muito gradativamente, eu relaxo e paro de chorar. O amanhecer vai e vem, e a
luz suave fica mais brilhante conforme a manh se move, e ainda ns deitamos quietamente.
         -- Eu trouxe para voc um pouco de Advil e creme de arnica, -- ele diz depois de
muito tempo.

                  385
          Eu me viro muito lentamente em seus braos ento eu posso encar-lo. Estou
descansando minha cabea em seu brao. Seus olhos esto um cinza de pedra e protegidos.
          Eu olho para seu rosto lindo. Ele no est mostrando nada, mas ele mantm seus
olhos nos meus, mal piscando. Oh, ele  to incrivelmente lindo. Em to pouco tempo, ele se
tornou to, to querido para mim. Esticando minha mo, eu acaricio sua bochecha e corro a
ponta dos dedos por sua barba. Ele fecha os olhos e exala levemente.
          -- Desculpe, -- eu sussurro.
          Ele abre os olhos e me olha intrigado.
          -- Pelo o que?
          -- Pelo o que eu disse.
          -- Voc no me disse nada que eu no soubesse. -- E seus olhos suavizam com
alvio. -- Desculpe-me, eu machuquei voc.
          Eu dou os ombro.
          -- Eu pedi por isso. -- E agora eu sei. Eu engulo. Aqui vai. Eu preciso dizer o que
sinto. -- Eu no acho que posso ser tudo o que voc quer que eu seja, -- eu sussurro. Seus
olhos se arregalam um pouco, e ele pisca, sua expresso temerosa retornando.
          -- Voc  tudo o que eu quero que seja.
          O que?
          -- Eu no entendo. Eu no sou obediente, e voc pode estar certo como o inferno
que eu no vou deixar voc fazer aquilo comigo de novo. E  isso o que voc precisa, voc
me disse.
          Ele fecha os olhos novamente, e eu posso ver uma infinidade de emoes cruzar seu
rosto. Quando ele os reabre, sua expresso est desolada.
          Oh no.
          -- Voc est certa. Eu deveria deixar voc ir. Eu no sou bom para voc.
          Meu couro cabeludo se arrepia quando cada fio de cabelo em meu corpo est atento,
e meu mundo desaba, deixando um amplo abismo aberto para eu cair dentro.
          Oh no.
          -- Eu no quero ir, -- eu sussurro. Foda-se,  isso. Pagar ou jogar. As lgrimas
nadam em meus olhos mais uma vez.
          -- Eu no quero voc v tambm, -- ele sussurra, sua voz crua. Ele estica a mo e
gentilmente acaricia meu rosto e enxuga uma lgrima caindo com o polegar.
          -- Eu vim para a vida desde que conheci voc. -- Seu polegar traa o contorno do
meu lbio inferior.
          -- Eu tambm, -- eu sussurro, -- Eu me apaixonei por voc, Christian.
          Seus olhos arregalam novamente, mas dessa vez, com medo puro e indissolvel.
          -- No, -- ele respira como se eu o tivesse socado e tivesse deixado-o sem ar.
          Oh no.
          -- Voc no pode me amar, Ana. No... isso  errado. -- Ele est horrorizado.
          -- Errado? Porque  errado?
          -- Bem, olhe para voc. Eu no posso faz-la feliz. -- Sua voz est angustiada.
          -- Mas voc me faz feliz. -- Eu franzo a testa.
          -- -No nesse momento, no fazendo o que eu quero fazer.


                386
          Puta merda.  realmente isso. Isso  o que ferve para baixo, incompatibilidade, e
todas aquelas pobres legendas veem a mente.
          -- Ns nunca conseguiremos superar isso, no ? -- eu sussurro, meu couro
cabeludo pinicando com medo.
          Ele balana a cabea tristemente. Eu fecho os olhos. No suporto olhar para ele.
          -- Bem...  melhor eu ir, ento, -- eu murmuro, estremecendo quando me sento.
          -- No, no v. -- Ele soa em pnico.
          -- No h nenhuma razo para eu ficar. -- De repente, eu me sinto cansada,
realmente muito cansada, e eu quero ir agora. Eu saio da cama, e Christian me segue.
          -- Eu vou me vestir. Gostaria de um pouco de privacidade, -- eu digo, minha voz
plana e vazia enquanto o deixo em p no quarto.
          Dirigindo-me para o andar de baixo, eu olho para a sala grande, pensando em como
apenas algumas horas antes eu tinha descansado minha cabea no ombro dele enquanto ele
tocava o piano. Tanta coisa tinha acontecido desde ento.
          Eu tive meus olhos abertos e vislumbrei a extenso da sua depravao, e agora eu sei
que ele no  capaz de amar, de dar e receber amor. Meus piores medos tinham sido
realizados. E estranhamente,  muito libertador.
          A dor  tanta que eu recuso tomar conhecimento disso. Eu me sinto entorpecida. Eu
de alguma forma escapei do meu corpo e sou agora uma observadora casual do desenrolar
dessa tragdia. Eu me banho rpida e metodicamente, pensando somente em cada segundo na
minha frente. Agora aperte o frasco para lavar o corpo. Coloque o frasco de volta na
prateleira. Esfregue a bucha no rosto, no corpo... indo, todas as aes simples e metdicas,
exigindo simples pensamentos mecnicos.
          Eu termino meu banho, e como eu no lavei meu cabelo, eu posso me secar
rapidamente. Eu me visto no banheiro, tirando o jeans e camiseta da minha mala pequena.
Minha cala jeans irrita meu traseiro, mas francamente,  uma dor que eu dou boas-vindas
como distrai minha mente do que est acontecendo com o meu estilhaado e quebrado
corao.
          Eu me curvo para fechar a mala, e a sacola contendo o presente para Christian me
chama a ateno, um kit de modelagem de Blahnik L23 planador, algo para ele construir. As
lgrimas ameaam. Oh no... tempos mais felizes, quando havia esperana de mais. Eu a tiro
da bolsa, sabendo que eu preciso dar isso a ele.
          Rapidamente, um rasgo um pedao de papel do meu caderno, rabiscando
apressadamente uma nota para ele, e a deixo no topo da caixa.

        Lembrana de um tempo feliz.
        Obrigada.
        Ana

         Eu me olho no espelho. Um assombrado fantasma plido me olha de volta. Eu
escovo meu cabelo em um rabo de cavalo e ignoro como as minhas plpebras esto inchadas
de chorar. Meu subconsciente concorda em aprovao. Mesmo ela sabe que no deve ser
sarcstica agora. Eu no posso acreditar que meu mundo est desmoronando ao meu redor em
uma pilha de cinzas estreis, todas as minhas esperanas e sonhos cruelmente frustradas. No,

                 387
no pense sobre isso. No agora, no ainda. Respirando fundo, eu pego minha bolsa, e depois
de colocar o kit planador e minha nota em seu travesseiro, eu me dirijo para a grande sala.
         Christian est no telefone. Ele est vestido com calas pretas e camiseta. Seus ps
descalos.
         -- Ele disse o que! -- ele grita, me fazendo pular. -- Bem, ele poderia ter nos dito a
porra da verdade. Qual  o nmero dele, eu preciso ligar para ele... caralho, isso est
realmente fodido. -- Ele olha para cima e no tira seus olhos escuros e taciturnos de mim. --
Encontre-a, -- ele estala e pressiona o telefone.
         Eu ando at o sof e pego minha mochila, fazendo o meu melhor para ignor-lo. Eu
tiro o Mac para fora e ando de volta em direo a cozinha, colocando-o cuidadosamente na
mesa do bar, junto com o BlackBerry e a chave do carro. Quando eu me viro para encar-lo,
ele est me olhando, estupefato, com horror.
         -- Eu preciso do dinheiro que Taylor deu pelo meu fusca. -- Minha voz est clara e
calma, desprovida de emoo... extraordinrio.
         -- Ana, eu no quero essas coisas, elas so suas, -- ele diz incrdulo. --Por favor,
leve-as.
         -- No Christian, eu s as aceitei sob resignao, e eu no as quero mais.
         -- Ana, seja razovel, -- ele me censura, mesmo agora.
         -- Eu no quero nada que me lembre de voc. Eu s preciso do dinheiro que Taylor
deu pelo meu carro. -- Minha voz est muito montona.
         Ele suspira.
         -- Voc esta realmente tentando me ferir?
         -- No. -- Eu franzo a testa olhando para ele. Claro que no... eu amo voc. -- Eu
no estou. Estou tentando me proteger, -- eu sussurro. Porque voc no me quer da forma que
eu quero voc.
         -- Por favor, Ana, leve essas coisas.
         -- Christian, eu no quero brigar, eu s preciso do dinheiro.
         Ele aperta os olhos, mas eu no estou mais intimidada por ele. Bem, s um pouco. Eu
olho impassivelmente de volta, sem piscar ou recuar.
         -- Voc vai levar um cheque? -- ele diz acidamente.
         -- Sim. Eu acho est bom.
         Ele no sorri, ele s se vira e anda em direo a sua sala de estudos. Eu dou uma
ltima olhada prolongada ao redor de seu apartamento, para as artes nas paredes, todas
abstratas, serenas, legais... frias, mesmo. Encaixadas, eu penso distraidamente. Meus olhos
desviam para o piano.
         Caramba, se eu tivesse mantido a minha boca fechada, ns teramos feito amor no
piano. No, fodido, ns teramos fodido no piano.
         Bem, eu teria feito amor. O pensamento fica pesado e triste em minha mente. Ele
nunca fez amor comigo, fez? Sempre foi uma foda para ele.
         Christian retorna e me entrega um envelope.
         -- Taylor pagou um bom preo.  um carro clssico. Voc pode perguntar para ele.
Ele levar voc para casa.
         Ele acena na direo sobre meu ombro. Eu me viro, e Taylor est parado na porta,
vestindo seu terno, to impecvel como sempre.

                  388
         -- Est tudo bem, eu posso ir sozinha para casa, obrigada.
         Eu me viro para olhar para Christian, e eu vejo a fria mal contida em seus olhos.
         -- Voc vai me desafiar a cada momento?
         -- Porque mudar um hbito de uma vida? -- me desculpo com um pequeno encolher
de ombros.
         Ele fecha seus olhos com frustrao e corre a mo pelo cabelo.
         -- Por favor, Ana, deixe Taylor levar voc para casa.
         -- Eu vou pegar o carro, Senhorita Steele, -- Taylor anuncia autoritariamente.
Christian acena para ele, e quando eu olho ao redor, Taylor tinha ido.
         Eu me viro de volta para encarar Christian. Ns estamos a quatro metros de
distncia. Ele d um passo para frente, e instintivamente eu dou um passo para trs. Ele para,
e a angstia em sua expresso  palpvel, seus olhos cinza, queimando.
         -- Eu no quero que voc v, -- ele murmura, sua voz cheia de saudade.
         -- Eu no posso ficar. Eu sei o que quero e voc no pode me dar isso, e eu no
posso dar a voc o que voc precisa.
         Ele d um outro passo a frente, e eu levanto minhas mos.
         -- No, por favor. -- Eu recuo dele. De jeito nenhum eu posso tolerar seu toque
agora, me mataria.
         -- Eu no posso fazer isso.
         Agarrando a minha mala e minha mochila, eu me dirijo para o corredor de entrada.
Ele me segue, mantendo uma distncia cautelosa. Ele pressiona o boto do elevador, e a porta
abre. Eu entro.
         -- Adeus, Christian, -- eu murmuro.
         -- Ana, adeus, -- ele diz suavemente, e ele parece completamente, totalmente
quebrado, um homem em uma dor agonizante, refletindo como eu me sinto por dentro. Eu
desvio o meu olhar para longe dele antes que eu mude de ideia e tente confort-lo.
         As portas do elevador fecham, e me leva rapidamente para o trreo e para o meu
inferno pessoal.
         Taylor segura  porta aberta para mim, e eu entro no banco traseiro do carro. Eu
evito contato visual. Constrangimento e vergonha me lavam. Eu sou um completo fracasso.
Eu tinha a esperana de arrastar meu Cinquenta Sombras para a luz, mas provou ser uma
tarefa alm das minhas pobres habilidades. Desesperadamente, eu tento manter as emoes
depositadas em um compartimento. Quando no dirigimos em direo a 4th Avenida, eu olho
fixamente para fora da janela, e a enormidade do que eu tinha feito lentamente me lava.
Merda, eu o deixei. O nico homem que eu amei. O nico homem com quem eu j dormi.
         Eu suspiro e as barragens estouram. As lgrimas escorrem espontaneamente e
indesejveis pelas minhas bochechas, e eu as enxugo apressadamente com meus dedos,
lutando com a minha mala pelos meus culos de sol. Quando ns paramos em algum
semforo, Taylor segura um leno de linho para mim. Ele no diz nada e no olha na minha
direo, e eu tomo isso com gratido.
         -- Obrigada, -- eu resmungo, e esse pequeno ato discreto de bondade  a minha
runa. Eu sento de volta no assento luxuoso de couro e choro.
         O apartamento est dolorosamente vazio e desconhecido. Eu no vivi aqui por tempo
suficiente para me sentir como em casa. Eu me dirijo diretamente para meu quarto, e l,

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    pendurado frouxamente no final da minha cama, est um balo de helicptero muito triste e
    murcho. Charlie Tango, parecendo e sentindo exatamente como eu. Eu o agarro com raiva e
    tiro da minha cama, tirando a gravata e abranando-o. Oh, o que eu fiz?
             Eu caio na minha cama, de sapato e tudo, e uivo. A dor  indescritvel... fsica,
    mental... metafsica... est por toda parte, penetrando na medula ssea. Luto.
             Isso  luto, e eu o trouxe para mim. Bem no fundo, um pensamento desagradvel e
    sem ser solicitado vem da minha deusa interior, seu lbio enrolado com um rosnado... a dor
    fsica da mordida de um cinto no  nada, nada comparado com essa devastao. Eu me
    enrolo, desesperadamente agarrando o balo de alumnio e o leno de Taylor, e me entrego a
    minha dor.


            Fim da Parte Um




Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey,
Ana Steele pe um ponto final em seu relacionamento com o jovem
empresrio e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas
o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele prope um
novo acordo, ela no consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais
sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que
jamais imaginou ser possvel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus
demnios interiores, Ana se v diante da deciso mais importante da sua
vida.



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